Crise – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 03 Jun 2025 11:38:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Crise – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Pessoas comuns, pequenos gestos e um mundo melhor https://spsp.org.br/pessoas-comuns-pequenos-gestos-e-um-mundo-melhor/ Thu, 05 Jun 2025 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51612 Um pequeno gesto: uma pessoa que planta uma árvore sem testemunhas, alguém que recolhe o lixo de uma trilha que nem foi ela quem sujou, ou quem fecha a torneira enquanto escova]]>

Um pequeno gesto: uma pessoa que planta uma árvore sem testemunhas, alguém que recolhe o lixo de uma trilha que nem foi ela quem sujou, ou quem fecha a torneira enquanto escova os dentes. Pessoas comuns e seus pequenos gestos.

Nem todo herói veste capa. Alguns são pessoas comuns, fazendo pequenos gestos; alguns usam luvas de jardinagem, sacolas reutilizáveis ou simplesmente carregam a consciência de que cada atitude conta. Em um mundo onde falar de meio ambiente virou quase um bordão, o verdadeiro desafio é agir e não se acomodar ao discurso vazio.

O progresso, quando descolado da ética ambiental, pode comprometer o futuro de todos: barragens que deslocam populações inteiras, mineração que esvazia montanhas e contamina lençóis freáticos, desmatamento que altera o regime das chuvas e agrava as mudanças climáticas. A lógica do extrativismo a qualquer custo é uma conta que já está sendo cobrada — com juros altos.

Segundo a Organização das Nações Unidas1 (ONU), cerca de 11 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos todos os anos — o equivalente a um caminhão por minuto. Enquanto você lê esta frase, mais resíduos já fizeram sua viagem sem volta ao fundo do mar.

Nos últimos 50 anos, a Terra perdeu 69% de sua vida selvagem, segundo o World Wildlife Fund 2(WWF). E isso não é só uma tragédia natural: é um alerta direto à nossa própria sobrevivência.

A saúde do planeta é a nossa, também. A crise ambiental é também uma crise de saúde, de segurança alimentar, de estabilidade econômica. O aumento de eventos climáticos extremos — secas prolongadas, enchentes, ondas de calor — já afeta diretamente a produção de alimentos, gera doenças e deslocamentos em massa. Não estamos mais no campo das previsões: estamos colhendo os efeitos de décadas de desequilíbrio.

Este texto é um convite para olhar de verdade para o que nos cerca: o ar que respiramos, a água que bebemos, a sombra das árvores que talvez nem percebamos mais. É um lembrete de que ecologia não é uma disciplina escolar, mas uma escolha diária. E que o debate ambiental precisa deixar de ser técnico e passar a ser profundamente humano.

Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente e Ecologia, que tal trocar o discurso pronto por uma ação nova? Desligar a torneira por hábito, recusar um plástico por convicção, plantar uma muda por esperança. E também: questionar decisões de alto impacto, apoiar políticas públicas sustentáveis, cobrar responsabilidade das grandes corporações. O mundo não muda em um dia, mas um dia pode mudar o jeito como você vê o mundo.

 

Saiba mais:

Poluição plástica nos oceanos

  1. Fonte: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/UNEP). Relatório: From Pollution to Solution: a global assessment of marine litter and plastic pollution (2021)
    Link oficial (UNEP)
  2. Fonte: World Wildlife Fund (WWF). Relatório: Living Planet Report 2022 (em parceria com a Zoological Society of London).Link oficial (WWF)

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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26 de março – Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia https://spsp.org.br/26-de-marco-dia-mundial-da-conscientizacao-da-epilepsia/ Tue, 26 Mar 2024 12:16:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=43148 ]]>

Hoje, 26 de março de 2024, Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia, é uma data significativa para o incentivo da consciência sobre essa doença disseminada e conhecida em todos os cantos deste nosso mundo. Sua ocorrência afeta pessoas de todas as raças e classes socioeconômicas, e de todas as idades, desde os recém-nascidos às pessoas idosas, homens e mulheres. Preferencialmente ocorre nos mais jovens e idosos.

Considera-se a epilepsia como doença cerebral crônica e persistente, na qual o indivíduo apresenta tendência a ter convulsões. Essa cronicidade, bem como a ocorrência permanente de crises convulsivas, nem sempre é definitiva, pois existem formas que podem regredir e desaparecer com tratamento.

Sua incidência média em crianças acontece em 7/100.000 e a prevalência é de 65,2/10.000, variando de acordo com a idade.

Nos casos mais brandos, com medicamentos adequados e com eficácia reconhecida, as convulsões poderão ficar controladas ou mesmo serem raras. Especialmente nessas crianças, o neurodesenvolvimento irá se processar de modo normal, tanto motor, psíquico, na aprendizagem e na sua socialização.

Nos casos mais severos, em que ocorrem episódios convulsivos frequentes e/ou demorados, por meses ou anos, determinados por lesões encefálicas pelos mesmos motivos já citados, pode-se verificar comprometimento funcional múltiplo, como deficiência mental, transtornos psiquiátricos com alterações comportamentais, com prejuízo importante em seu processo de desenvolvimento. São observados mais comumente em casos de lesões cerebrais determinadas por traumas, anoxia perinatal, doenças metabólicas congênitas, por anormalidades congênitas, malformações cerebrais.

Importante esclarecer que as ocorrências de convulsões eventuais nem sempre são consideradas epilepsia. Uma crise ocorrida em traumatismos cranianos leves, sem deixar lesão cerebral, poderá não mais se repetir se a criança tiver seus exames clínicos e laboratoriais normais no futuro, sem necessidade de tratamento. Do mesmo modo, convulsões ocorridas em transtornos eletrolíticos, como na hipocalcemia, e que foram corrigidas, as mesmas não se repetirão.

Com relativa frequência observamos em crianças convulsões determinadas por febre que se eleva rapidamente, mais comum na idade de 6 a 18 meses, em que não há doença cerebral concomitante. Constitui condição benigna na maior parte dos casos, mas sempre serão necessárias avaliação especializada e mesmo realização de exames laboratoriais pertinentes se anormalidades neurológicas forem constatadas.

A ocorrência de convulsão, principalmente o tipo leigo mais conhecido, é a crise tônico-clônica generalizada, na qual há perda de consciência, queda e movimentos sucessivos de flexão e extensão dos membros superiores e inferiores, com duração em torno de até três minutos. Em geral, os familiares são surpreendidos, ficam aflitos e procuram proteger a criança. Caso ocorra duração maior, a criança deverá ser levada para emergência médica de imediato. Nos casos de curta duração, após cessar a crise, deve-se procurar serviço médico para esclarecimento e conduta.

Fica o recado importante de que na maioria dos casos de epilepsia a evolução e o prognóstico são bons, com o esclarecimento da causa, com tratamento e controle dos episódios convulsivos. E que o futuro siga fazendo acenos otimistas.

 

Relator:
Saul Cypel
Membro do Departamento Científico de Neurologia e Neurocirurgia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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