crianças – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 19 Sep 2025 19:37:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png crianças – SPSP https://spsp.org.br 32 32 O que significa “deficiência” para você? https://spsp.org.br/o-que-significa-deficiencia-para-voce/ Sun, 21 Sep 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53256 Hoje, 21 de setembro, é o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. A data é comemorativa, mas o verbo é de trabalho: lutar. Avançamos nas últimas décadas – leis, políticas, narrativa]]>

Hoje, 21 de setembro, é o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. A data é comemorativa, mas o verbo é de trabalho: lutar. Avançamos nas últimas décadas – leis, políticas, narrativas –, porém a trilha da inclusão continua diária e árdua. Para incluir, é necessário registrar e compreender: de quantas pessoas estamos falando, onde estão e que barreiras encontram. Ao mesmo tempo, a deficiência – como toda condição humana – é diversa. Entender as singularidades de cada criança e de sua família requer escuta, tempo e respostas ajustadas. Não há solução única: há adaptações e apoios que respeitam diferentes modos de funcionar.

Crianças e famílias seguem enfrentando barreiras de acesso à saúde, à educação e à proteção. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 240 milhões de crianças no mundo – uma em cada dez – vivem com alguma deficiência e, em média, apresentam os piores indicadores nesses três campos. Em 2021, a UNICEF reforçou o alerta com um retrato que não podemos ignorar: crianças com deficiência têm 24% menos probabilidade de receber estimulação precoce e cuidados responsivos, 42% menos chances de alcançar habilidades fundamentais de leitura e matemática e 49% mais probabilidade de nunca frequentar a escola. Em saúde, há 25% mais chances de desnutrição, 34% mais de prejuízos no crescimento e ganho de peso e 53% mais de sintomas de infecção respiratória aguda. No bem-estar e na proteção, há 51% mais probabilidade de se sentirem infelizes no dia a dia, 41% mais de sofrer discriminação e 32% mais de punição corporal severa.

Esses números não definem pessoas: expõem barreiras. Crianças que precisam de mais apoio para comunicação e autocuidado estão entre as que mais ficam fora da escola. Quando há múltiplas deficiências, a evasão cresce ainda mais. A resposta pública e institucional, portanto, precisa sair da lógica do “padrão” e assumir o desenho universal, com acessibilidade arquitetônica, comunicacional, atitudinal e pedagógica, além de ajustes razoáveis que tornem ambientes e serviços utilizáveis por todas as pessoas.

Educação inclusiva não é utopia – é base de cidadania. Atenção integral à saúde não é favor – é direito. E direitos reais pedem orçamento, formação continuada, protocolos intersetoriais e monitoramento. Também pedem humildade institucional para aprender com as famílias e com as próprias crianças o que funciona, quando e como. Na prática, isso significa registrar adequadamente, mapear necessidades com participação das famílias, garantir acessibilidade e recursos de apoio, ajustar fluxos de cuidado e formar equipes para acolher sem infantilização nem estigma. E, sobretudo, sustentar políticas com continuidade e avaliação de impacto, em corresponsabilidade entre saúde, educação e assistência – porque a vida não cabe em uma secretaria só.

Quando perguntamos “o que significa deficiência para você?”, não buscamos uma definição de dicionário, mas um compromisso: reconhecer a pluralidade humana e, diante dela, escolher práticas que não deixem ninguém para trás. Hoje – e todos os dias – que a nossa resposta seja concreta: olhar, contar e cuidar. O resto é discurso. E discurso, sem acesso real, segue produzindo aquilo contra o que diz lutar: invisibilidade.

 

Saiba mais:

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Global report on children with disabilities. Geneva: World Health Organization, 2021.
  • Seen, Counted, Included: Using data to shed light on the well-being of children with disabilities. New York: United Nations Children’s Fund, 2021.

 

Relatora:
Anna Dominguez Bohn
Carolina Videira
Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da SPSP

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Vacina BCG: história e sua importância na luta contra a tuberculose https://spsp.org.br/vacina-bcg-historia-e-sua-importancia-na-luta-contra-a-tuberculose/ Tue, 01 Jul 2025 16:19:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52062 O Dia da Vacina BCG é celebrado em 1º de julho e chama atenção para o papel crucial dessa vacina na prevenção das formas graves da tuberculose]]>

O Dia da Vacina BCG é celebrado em 1º de julho e chama atenção para o papel crucial dessa vacina na prevenção das formas graves da tuberculose. Desenvolvida em 1921 pelos cientistas Albert Calmette e Camille Guérin, ela é uma das vacinas mais antigas ainda em uso e desempenha uma função vital na saúde pública, especialmente em países onde a doença é endêmica.

A tuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), é uma doença infecciosa que se transmite pelo ar. Embora afete principalmente os pulmões, pode comprometer outros órgãos, levando a casos clínicos graves. 

Por que a BCG é tão importante?

A BCG é aplicada principalmente em recém-nascidos e protege contra formas severas da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar em crianças. Em média, previne cerca de 82% dos casos graves, sendo essencial para reduzir complicações e a mortalidade infantil. 

No Brasil, a vacina foi incluída no Calendário Nacional de Vacinação em 1977 e está disponível gratuitamente nos postos de saúde. A recomendação é que seja administrada logo após o nascimento ou até os 30 dias de vida. A aplicação é feita no braço direito, diretamente na camada intradérmica.

Efeitos esperados após a vacinação

É comum que, vários dias até semanas após a vacinação, o local apresente vermelhidão, apareça uma pequena ferida e, eventualmente, deixe uma cicatriz. Esse processo pode levar até três meses para cicatrizar totalmente. Caso ocorra, basta lavar com água e sabão e evitar coçar a área. 

Aproximadamente 90% das pessoas desenvolvem algum tipo de reação no local, mas isso não significa que quem não observa as alterações (os 10%) esteja sem proteção. Por isso, nesses raros casos em que a marquinha não ocorreu não é indicada a revacinação. 

Vale lembrar que a vacina não deve ser aplicada em bebês com imunodeficiências graves. Nesse caso, os testes de triagem neonatal (teste do pezinho básico com pesquisa para as imunodeficiências), além de avaliações cuidadosas são indispensáveis quando há histórico familiar de imunodeficiências.

Impacto no combate à tuberculose

A comemoração do Dia da Vacina BCG reforça a relevância da vacinação como ferramenta para salvar vidas e prevenir doenças graves. Além disso, a data serve para lembrar a importância dos programas de vacinação e promover o desenvolvimento de soluções ainda mais eficazes para erradicar a tuberculose. 

No Brasil, os números da tuberculose são alarmantes: cerca de 70 mil novos casos e 4,5 mil mortes ocorrem a cada ano. Por isso, a BCG permanece como recurso fundamental para a proteção das crianças, evitando formas agressivas da doença.

Vacina BCG: uma proteção para o futuro

A vacinação é um ato de amor e cuidado. Ao proteger nossas crianças contra a tuberculose, estamos oferecendo a elas a chance de crescerem saudáveis e livres dos riscos dessa doença tão severa.

Vacinas salvam vidas!  

Saiba mais sobre a vacina BCG e a prevenção da tuberculose:

Relatora:
Melissa Palmieri

Membro dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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O brincar como essência da infância – e da vida https://spsp.org.br/o-brincar-como-essencia-da-infancia-e-da-vida/ Wed, 28 May 2025 11:10:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51541 “A infância é um chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias” Lya Luft 28 de maio é o Dia Internacional do Brincar. Quando falamos sobre o desenvolvimento]]>

“A infância é um chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias”

Lya Luft

 28 de maio é o Dia Internacional do Brincar. Quando falamos sobre o desenvolvimento saudável das crianças, uma palavra se impõe com força e leveza ao mesmo tempo: brincar. Mais do que um passatempo, o brincar é linguagem, é afeto, é descoberta. Ele está presente desde os primeiros dias de vida – no sorriso que provoca o balbucio do bebê, na exploração das mãos, no esconder e aparecer do rosto etc. Cresce com a criança, transforma-se com ela e a acompanha até a vida adulta, ainda que em novas formas e “roupagens”.

Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, nomes como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Donald Winnicott ajudaram a consolidar a ideia de que o brincar não é apenas reflexo do desenvolvimento, mas também um motor fundamental para que ele aconteça. Piaget via no jogo simbólico uma forma de construção do pensamento. Vygotsky destacava a importância do faz-de-conta como espaço de criação de sentido e mediação cultural. Já Winnicott nos presenteou com a noção de “espaço potencial”, um território de transição entre o mundo interno e o mundo real, acessado justamente por meio do brincar.

Do olhar da educação, o brincar é campo de aprendizagem rica e espontânea. Crianças aprendem regras, limites, cooperação, criatividade e resiliência ao brincar – aspectos que nenhuma tela é capaz de transmitir com a mesma intensidade. Quando uma criança constrói com blocos, negocia papéis em uma brincadeira de faz-de-conta ou se equilibra em um tronco no parque, ela está desafiando a si mesma, desenvolvendo habilidades cognitivas, sociais e motoras. Aprendendo a viver em sociedade.

Num mundo cada vez mais digital, é urgente lembrar que brincar é também um antídoto. O excesso de telas tem se mostrado nocivo ao desenvolvimento infantil, afetando sono, atenção, linguagem e saúde emocional. Ao incentivar o brincar livre – dentro e fora de casa, com adultos ou com outras crianças – estamos não apenas resgatando a infância, mas oferecendo uma poderosa alternativa para reduzir o tempo de exposição às telas.

É papel de todos nós – pais, pediatras, educadores e profissionais da saúde – proteger esse tempo sagrado do brincar. Isso não exige brinquedos caros nem espaços sofisticados. Brincar pode ser inventar uma história com panos e almofadas, pular corda, criar uma cabana com cadeiras e lençóis ou simplesmente correr descalço no quintal. Mais do que o objeto, é o vínculo, o tempo disponível e o ambiente seguro que fazem do brincar uma experiência transformadora.

O brincar não se esgota na infância. Ele reaparece nas brincadeiras entre adolescentes, nos jogos de tabuleiro em família, no teatro, na música, nas expressões lúdicas da vida adulta. Manter viva essa dimensão do brincar é preservar o que há de mais humano em nós: a capacidade de criar, imaginar e se relacionar de forma genuína.

Em tempos de pressa, agendas cheias e estímulos digitais por todos os lados, brincar é também um ato de resistência, de permitir-se estar presente, de olhar nos olhos, de rir junto, de aprender com o outro.

E para a criança, isso não é um luxo. É uma necessidade.

 

Relator:

Fernando Lamano Ferreira
Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Lúpus eritematoso sistêmico juvenil https://spsp.org.br/lupus-eritematoso-sistemico-juvenil/ Sat, 10 May 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51325 ]]>

No dia 10 de maio celebramos o Dia Mundial do Lúpus.

Apesar de o lúpus ser mais frequente em indivíduos adultos, em cerca de 20% dos casos essa doença autoimune já se manifesta na faixa etária pediátrica, iniciando-se habitualmente no começo da adolescência. A doença acomete principalmente crianças e adolescentes do sexo feminino, numa proporção aproximada de sete meninas para cada menino afetado.

O lúpus juvenil costuma ser mais sintomático do que em pacientes adultos com a doença. Sintomas gerais, como febre intermitente, perda de peso e dores articulares são as manifestações mais frequentemente observadas. Comprometimento de pele também é comum. O característico eritema em asa de borboleta, com manchas vermelhas nas regiões malares (nas bochechas, abaixo dos olhos) e no nariz, é observado em menos de 30% dos casos, mas outras lesões cutâneas e de mucosas, como vasculites (manchas violáceas), nódulos subcutâneos e úlceras, podem ser encontradas em qualquer parte do corpo.

Diferentemente da população adulta, crianças e adolescentes com lúpus costumam apresentar maior comprometimento renal, hematológico e neurológico. Desta forma, sinais como inchaço nos olhos ao acordar ou nas pernas no final de dia, assim como aumento da pressão arterial, podem ser indicativos de inflamação renal. Um simples exame de urina com presença de sangue ou proteínas pode auxiliar na suspeita dessa doença. Do ponto de vista hematológico, o lúpus se caracteriza por presença de anemia ou diminuição de outras células sanguíneas, como leucócitos, linfócitos e plaquetas.

O exame do fator antinuclear, também conhecido como FAN, é positivo em praticamente todos os casos. No entanto, esse exame não é específico de lúpus, podendo estar presente em diversas outras doenças reumáticas e autoimunes, assim como em processos infecciosos, oncológicos e inclusive pode ser detectado em cerca de 12% de crianças e adolescentes saudáveis.

Existem diferentes critérios para auxiliar no diagnóstico do lúpus na faixa etária pediátrica, tendo sido o mais recente deles desenvolvido em 2019. Ele compreende diversas manifestações clínicas e laboratoriais, que, caso presentes, recebem uma pontuação específica e que, quando somadas, serão mais ou menos sugestivas dessa doença.

O tratamento do lúpus se baseia no uso de corticosteroides, hidroxicloroquina e medicamentos imunossupressores, visando inibir a produção exacerbada de autoanticorpos. O médico responsável vai estabelecer o tratamento mais indicado para cada caso, com base no quadro clínico do paciente. Além do tratamento medicamentoso, medidas complementares como dieta balanceada, prática de atividade física, suplementos vitamínicos e proteção solar são de grande importância, colaborando para o melhor controle da doença.

A adesão ao tratamento é fundamental para se obter o melhor resultado. Lembrem-se que paciente, família e profissional de saúde se tornam um time, com base na confiança mútua, em que cada um deve fazer sua parte para que a doença seja controlada da melhor forma possível e com o menor risco de complicações a curto e longo prazos.

O objetivo primordial é que o paciente mantenha uma boa qualidade de vida, que se torne gradualmente responsável pelos seus próprios cuidados e que conquiste sua autonomia, traçando planos pessoais e profissionais para o seu futuro.

A melhor forma de celebrar o Dia Mundial do Lúpus é com a divulgação de suas características, provendo ferramentas que permitam seu reconhecimento e tratamento mais precoces e com o que há de mais eficaz, promovendo assim a saúde de nossos pacientes. Essa é a nossa missão.

Relatora:

Lúcia Maria de Arruda Campos
Professora Livre-Docente da FMUSP
Membro do Departamento Científico de Reumatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Combater a violência contra crianças e adolescentes – um dever de todos nós https://spsp.org.br/combater-a-violencia-contra-criancas-e-adolescentes-um-dever-de-todos-nos/ Fri, 25 Apr 2025 18:43:43 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51135 O dia 25 de abril marca o Dia Internacional contra os Maus-Tratos Infantis, data instituída pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas]]>

O dia 25 de abril marca o Dia Internacional contra os Maus-Tratos Infantis, data instituída pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de erradicar todas as formas de violência contra crianças e adolescentes.

A violência pode acontecer a qualquer criança ou adolescente, em qualquer família, em qualquer lugar ou online, e pode resultar em traumas para toda a vida.

A maioria das violências ocorre dentro de casa; mais de 60% dos casos são cometidos pelos próprios pais e mães e as meninas sofrem mais com os maus-tratos do que os meninos. Outras formas de violência são o trabalho infantil, exploração, tráfico e tortura.

De acordo com os dados do DATASUS (sigla para Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde, órgão do Ministério da Saúde responsável por coletar e analisar informações sobre saúde), em 2024 foram feitas 608.724 notificações de violências contra crianças e adolescentes com idades entre zero e 19 anos incompletos, sendo que quase 70% delas ocorreram em meninas.

A violência raramente é mencionada como um grave problema das crianças e dos jovens e a atitude geral é de que este tema não deve ser discutido em público e muitas pessoas resistem em aceitar que acontece dentro de casa e é causada por aquele(s) que deveriam proteger, cuidar e dar afeto. E deve ser reconhecida como doença que é transmitida de geração para geração.

Os maus-tratos deixam grandes sequelas ao longo de toda a vida, como a depressão, agressividade, abuso de drogas, problemas de saúde e infelicidade, mesmo anos depois que acabam. As consequências mentais e emocionais são as piores e duram mais tempo. Daí ser tão importante suspeitar e interromper a violência o mais cedo possível.

Trata-se, portanto, de compreender, como sociedade, a responsabilidade compartilhada que temos e o que podemos fazer para mudar essa realidade. Em termos de cuidado e defesa dos direitos das crianças, todos devem assumir o papel de proteger as crianças e adolescentes: conhecer seus direitos, apoiar organizações da sociedade civil, suspeitar, denunciar e notificar.

Devemos adotar todas as medidas necessárias e efetivas para erradicar a violência contra crianças e adolescentes, ajudando a cumprir a Meta 16.2 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que é um plano global adotado pelas Nações Unidas, que inclui pôr fim aos maus-tratos, exploração, tráfico e todas as formas de violência e tortura contra este público.

Temos que assegurar o cumprimento efetivo dos diversos protocolos de atenção às crianças e adolescentes vítimas de violência, que garantam a restituição imediata dos seus direitos, o acompanhamento psicossocial de qualidade e o fortalecimento do meio familiar, escolar e comunitário.

Necessitamos trabalhar com as famílias, como espaços primários de proteção das crianças, permitindo que assumam uma relação afetiva, educativa e protetora; para isto o apoio a programas e os serviços de prevenção são fundamentais para contribuir em fortalecer as capacidades parentais e modificar normas sociais ou padrões culturais que fomentem a violência contra crianças e adolescentes como forma de educar e dar limites.

E sem esquecer do papel fundamental que as áreas da saúde, educação, segurança e justiça representam na prevenção e combate deste flagelo que atinge os seres mais vulneráveis e que devem ser protegidos, para que alcancem uma vida adulta plena de felicidade, saúde e bem-estar.

 

Saiba mais:

– UNICEF, 2005. Perceptions of and Opinions on Child Abuse. Qualitative research in 7 municipalities with 10-19 year-old children and young people. Disponível em: https://www.unicef.org/serbia/media/7596/file/Perceptions%20of%20and%20opinions%20on%20child%20abuse.pdf

– Dia Internacional de Luta contra os Maus-Tratos Infantis: uma luta de todos os dias. Disponível em: https://portal.tjpe.jus.br/-/dia-internacional-de-luta-contra-os-maus-tratos-infantis-uma-luta-de-todos-os-dias

– Vozes da Infância. 25 de abril, Dia Internacional Contra o Abuso Infantil. Disponível em: https://www.vocesdelainfancia.com/post/25-de-abril-d%C3%ADa-internacional-de-la-lucha-contra-el-maltrato-infantil

 

Relatora:
Renata D. Waksman
Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Comentários sobre IA e violência infantil https://spsp.org.br/comentarios-sobre-ia-e-violencia-infantil/ Wed, 16 Apr 2025 18:07:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51023 No 18º Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes e Combate à Violência contra Crianças e Adolescentes, compartilhei os resultados da minha pesquisa e o conteúdo do livro recém-lançado]]>

No 18º Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes e Combate à Violência contra Crianças e Adolescentes, compartilhei os resultados da minha pesquisa e o conteúdo do livro recém-lançado, intitulado A Influência das Mídias Digitais na Cultura da Infância.

Os direitos digitais de crianças e adolescentes também estiveram no centro das discussões, voltadas à garantia da proteção integral dessa população no Brasil. Dando continuidade aos debates do Fórum, destaco a preocupação com o uso de tecnologias sem supervisão durante a infância e adolescência, o que motivou, entre outras ações, a discussão sobre a proibição do uso de celulares em escolas como medida protetiva.

Em 5 de dezembro de 2024, foi aprovado o projeto de lei que proíbe o uso de aparelhos celulares por estudantes em escolas públicas e privadas no Estado de São Paulo. Posteriormente, em 20 de fevereiro de 2025, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou novas diretrizes operacionais sobre o uso de dispositivos digitais em espaços escolares e a integração curricular do componente “Educação Digital e Midiática”. Em março, é lançado pelo Governo Federal o documento que traz orientações baseadas em evidências científicas para a criação de um espaço virtual mais saudável e seguro para crianças e adolescentes. As novas diretrizes, válidas para toda a educação básica – da educação infantil ao ensino médio –, entraram em vigor no ano letivo de 2025. O uso de telas está permitido em dois casos específicos: para fins pedagógicos e para estudantes com deficiência ou condições de saúde que demandem suporte tecnológico.

Essas regulamentações representam avanços importantes na ampliação do debate sobre o uso de celulares por crianças e adolescentes, tanto nas escolas quanto em contextos familiares e comunitários. Entendo que tais medidas podem oferecer apoio significativo não só às escolas, mas às famílias e sociedade, e trazem novos desafios para a sua implementação.

  1. Ambiente virtual inseguro: As redes sociais têm se tornado espaços marcados por graves riscos, como a coleta de dados comportamentais para fins publicitários, racismo, misoginia, incitação à violência e discurso de ódio, abuso sexual, automutilação, cyberbullying, jogos de azar e conteúdos relacionados ao suicídio. Esses fatores tornam o ambiente digital extremamente nocivo, especialmente para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, sem a maturidade e sem os recursos necessários para lidar com tais exposições de forma segura.
  2. Necessidade de regulamentação: É urgente demandar das plataformas digitais a implementação de diretrizes éticas que assegurem ambientes virtuais saudáveis e protegidos. Enquanto projetos de lei seguem em tramitação no Senado, é imperativo proteger crianças e adolescentes de interações indevidas, sobretudo nos períodos de não supervisão, como recreios e intervalos escolares. O fácil acesso a conteúdos violentos, apostas ilegais e a possibilidade de manipulação de imagens sem o acompanhamento de adultos representam grande risco ao desenvolvimento de nossas crianças e jovens.
  3. Uso pedagógico mediado: As legislações em vigor reconhecem a importância da mediação adulta no uso pedagógico das tecnologias, por meio da atuação de professores e educadores, em consonância com os projetos político-pedagógicos das instituições escolares.
  4. Educação especial e tecnologias assistivas: As diretrizes garantem o uso de recursos tecnológicos no contexto do Atendimento Educacional Especializado (AEE), assegurando a inclusão de estudantes com deficiência ou outras necessidades específicas.
  5. Educação midiática como eixo formativo: Diante da centralidade das redes sociais, da coleta de dados e da disseminação da inteligência artificial, é fundamental inserir a educação midiática nos currículos escolares e na formação docente. É por meio dela que se promove o uso ético e consciente das tecnologias e se constrói uma cultura de responsabilidade digital. Essa abordagem favorece o desenvolvimento de projetos educativos consistentes e exerce pressão sobre as big techs, como já ocorre em outros países. O controle parental, nesse contexto, deve ser tratado como parte integrante da formação de toda a comunidade escolar.

Enquanto essas políticas públicas não forem plenamente implementadas, é essencial evitar a exposição de crianças e adolescentes a riscos que possam comprometer sua segurança, bem-estar e desenvolvimento. Os danos decorrentes do uso desregulado da tecnologia podem ser irreversíveis.

Por fim, é importante ressaltar que a responsabilização direta de estudantes, como punições ou confisco de aparelhos por parte de professores, inspetores ou diretores, não deve ser o foco das ações escolares. A formação crítica de crianças e adolescentes começa pela leitura do mundo – inclusive do mundo digital. A escola deve ser um espaço educativo que promova interações significativas, brincadeiras, jogos e diálogos “olhos nos olhos”, e não “olhos nas telas”.

Cabe, portanto, cuidar do nosso tempo de tela como adultos também e olhar para a qualidade da relação que estamos construindo. Assim, a escola, as famílias e o poder público podem promover, conjuntamente, a reconstrução de ambientes escolares saudáveis, por meio do planejamento coletivo, da intencionalidade educativa e do cuidado contínuo, convidando todos a se integrarem a essa Rede de Proteção à Infância.

 

Relatora:
Sandra Cavaletti Toquetão
Pesquisadora do Grupo Políticas Públicas da Infância (CRIANDO-PUC/SP) e Linguagem em Atividade no Contexto Escolar (LACE-PUC/SP)
Atua na formação de educadores da infância, ministrando cursos e palestras

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Os pula-pulas e parques de trampolim são seguros para crianças? https://spsp.org.br/os-pula-pulas-e-parques-de-trampolim-sao-seguros-para-criancas/ Wed, 12 Mar 2025 11:38:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50503 Gerações de crianças cresceram brincando em pula-pulas no quintal e, hoje, com a popularidade dos parques de trampolim, mais crianças estão]]>

Gerações de crianças cresceram brincando em pula-pulas no quintal e, hoje, com a popularidade dos parques de trampolim, mais crianças estão se aventurando nessa diversão.

Mas será que essa é uma maneira segura para as crianças se movimentarem e se divertirem? Há muitos pontos a considerar antes de deixar seu filho pular com os amigos ou participar de uma festa de aniversário em um parque de trampolins.

Por que os pediatras se preocupam com os pula-pulas e camas elásticas?

Entre 2009 e 2018, segundo estudo realizado com dados estadunidenses, mais de 800.000 crianças se lesionaram em camas elásticas. Embora lesões como hematomas e arranhões sejam comuns, muitas vezes vemos crianças com fraturas ou entorses devido a quedas no colchão ou fora da cama elástica. Esse estudo ainda identificou risco aumentado em adolescentes e meninas.

Aqui no Brasil, não temos dados oficiais específicos para pula-pulas, porém somente no Estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, houve 363 internações hospitalares de crianças de 1 a 19 anos, por quedas relacionadas a equipamentos de parquinhos ou playgrounds.

É comum presumir que essas lesões não sejam um grande problema, afinal, a maioria das entorses ou fraturas se resolvem, certo?

Porém, as camas elásticas apresentam riscos extremamente altos de lesões graves. Exemplos incluem fraturas ósseas ou lesões nos ligamentos que exigem cirurgia, paralisia e até lesões que podem ser fatais. Mesmo fraturas podem ter efeitos duradouros, incluindo o risco de lesões nervosas.

Como as crianças se machucam em pula-pulas e camas elásticas?

Muitas crianças que se machucam em camas elásticas sofrem apenas pequenos arranhões, hematomas ou cortes. Mas das cerca de 110.000 visitas anuais ao pronto-socorro nos EUA relacionadas a acidentes com camas elásticas, milhares envolvem danos graves aos braços, pernas, clavícula, costas ou pescoço da criança.

Concussões são outro tipo comum de lesão causada por colisões nas camas elásticas. Essas lesões cerebrais podem causar dores de cabeça, tontura, náusea e outros sintomas. As concussões também podem afetar o sono, o pensamento e o desempenho escolar das crianças.

As crianças costumam se machucar nas camas elásticas quando:

  • São as menores no espaço de salto.
  • Colidem ou batem em outras crianças pulando ao mesmo tempo.
  • Pousam de forma errada no colchão.
  • Caem sem querer da superfície da cama para o chão.
  • Se envolvem em um “salto duplo”, onde um saltador aterrissa e impulsiona outro para o ar.
  • Tentam movimentos arriscados, como saltos mortais e acrobacias.
  • Caem sobre as molas, ganchos ou a estrutura.

Os parques de trampolim são mais seguros do que as camas elásticas em casa?

Os parques de trampolim são extremamente populares hoje em dia. Em um parque de trampolim espaçoso, as superfícies de salto são maiores e mais elásticas — e muito mais pessoas compartilham as mesmas áreas. Isso aumenta as chances de lesões graves em comparação com as camas elásticas em casa.

Os saltadores podem pular de colchão para colchão de maneira imprevisível, o que aumenta as chances de colisões. As superfícies mais elásticas também permitem que os saltadores subam mais alto, o que eleva o risco de lesões, pois eles podem pousar/cair com mais força.

Um outro estudo australiano demonstrou que 11% das crianças e adolescentes que se machucaram em 18 parques de trampolins diferentes, apresentaram lesões significativas.  

O que posso fazer para proteger meu filho?

Primeiro, é importante entender o risco associado ao uso da cama elástica. Como bebês e crianças pequenas enfrentam os maiores riscos de lesões em camas elásticas, crianças menores de seis anos NUNCA devem pular. A Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças de todas as idades evitem camas elásticas, mas se você decidir deixar crianças brincarem ou se exercitarem em pula-pulas, certifique-se de que sigam estas regras de bom senso:

  • Apenas uma criança pula por vez.
  • Sempre haja um adulto supervisionando.
  • Proibido fazer saltos mortais ou acrobacias, pois essas manobras causam as lesões mais graves no pescoço, cabeça e costas.
  • Não é permitido pular de telhados ou outros lugares altos para a cama elástica.
  • A rede de segurança ao redor da superfície de salto deve estar sempre fechada enquanto as crianças pulam.
  • A escada deve ser retirada quando ninguém estiver pulando, para que crianças pequenas não consigam subir sozinhas.

Se você decidir comprar uma cama elástica para casa:

  • Instale a superfície de salto o mais próxima possível do chão.
  • Posicione-a longe de árvores, paredes, edifícios e outras áreas de lazer.
  • Cada vez que seus filhos forem pular, verifique as almofadas de proteção ao redor das molas, ganchos, barras de suporte e outras superfícies duras. Inspecione cuidadosamente a rede de segurança em busca de rasgos, furos ou costuras desfeitas.
  • Substitua redes, almofadas e outros elementos de segurança desgastados antes de permitir que as crianças voltem a pular.
  • Verifique se o seguro da sua casa cobre lesões relacionadas a camas elásticas.

Se seu filho quiser tentar um parque de trampolim:

  • Espere até que ele tenha pelo menos seis anos. Mesmo locais que parecem seguros — como castelos infláveis e fossos de espuma — podem ser perigosos para os menores.
  • Leia o termo de responsabilidade e entenda os riscos, além das atividades permitidas e não permitidas.
  • Evite os horários de pico. Vá quando o local estiver menos lotado e houver menos chances de colisões com outras pessoas.
  • Fique perto do seu filho. Assim, ele terá menos chance de fazer movimentos extremos enquanto você o observa.
  • Lembre-o de que as superfícies de salto são mais elásticas e duras do que as camas elásticas de quintal. Incentive-o a testar as coisas antes de se jogar de cabeça. Garanta que ele mantenha os olhos abertos e tente evitar colisões.

E quanto aos programas supervisionados em academias e escolas com camas elásticas?

Toda atividade atlética carrega algum risco de lesão, e os programas com camas elásticas não são exceção. No entanto, pular sob a supervisão de um treinador ou instrutor treinado é muito diferente de pular no quintal ou de brincar em um parque de trampolins.

Os profissionais geralmente trabalham dentro de regras de segurança e inspecionam os equipamentos com frequência. Eles podem usar um arnês especial para ajudar as crianças a aprenderem movimentos específicos (ou simplesmente para protegê-las). Por essas razões, você pode se sentir mais confortável permitindo que seu filho experimente um programa de ginástica, dança ou outro que inclua o uso de camas elásticas.

 

Saiba mais:

-Trampoline Park Injury Trends. Disponível em:

https://publications.aap.org/pediatrics/article/153/1/e2023061659/196177/Trampoline-Park-Injury-Trends

-Trampoline Injuries in Children and Adolescents: A Jumping Threat. Disponível em:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34339161/    

-Are Trampolines Safe for Kids? Susannah M. Briskin. American Academy of Pediatrics. Disponível em:

https://www.healthychildren.org/English/safety-prevention/at-play/Pages/Trampolines-What-You-Need-to-Know.aspx

 

Relatora:
Luciana J. Issa
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

 

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Combate ao sedentarismo: um alerta para a saúde de crianças e adolescentes https://spsp.org.br/combate-ao-sedentarismo-um-alerta-para-a-saude-de-criancas-e-adolescentes/ Mon, 10 Mar 2025 18:03:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50492 No dia 10 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um momento importante para refletirmos ]]>

No dia 10 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um momento importante para refletirmos sobre o impacto da falta de movimento na vida das crianças e adolescentes. Com o avanço da tecnologia e a rotina cada vez mais conectada, a infância ativa está sendo substituída por longos períodos diante das telas. Brincadeiras ao ar livre, que antes faziam parte do dia a dia, estão dando lugar a horas seguidas no celular, no videogame ou no computador. Mas o que parece inofensivo pode ter consequências sérias para a saúde.

O sedentarismo não se resume apenas à falta de exercício: ele é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares. Além disso, a ausência de atividade física compromete a saúde mental, contribuindo para quadros de ansiedade, estresse e depressão. O impacto também é notado na escola, já que crianças que se movimentam pouco podem apresentar dificuldades de concentração, pior rendimento acadêmico e maior propensão à fadiga.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças e adolescentes pratiquem pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a intensa. No entanto, estudos apontam que grande parte deles não atinge essa meta. O aumento do tempo de tela, a falta de espaços seguros para brincar e até a rotina acelerada das famílias são alguns dos fatores que levam ao sedentarismo infantil. O problema é sério, mas há uma boa notícia: reverter esse quadro é mais fácil do que parece!

Estimular o movimento desde cedo traz benefícios para a vida toda. Crianças ativas fortalecem músculos e ossos, desenvolvem melhor a coordenação motora e crescem com hábitos mais saudáveis. Além disso, o exercício físico libera hormônios do bem-estar, como a endorfina e a serotonina, ajudando a combater o estresse e promovendo mais alegria e disposição. Outro ponto essencial é a socialização: esportes coletivos e brincadeiras ao ar livre ensinam valores como disciplina, cooperação e respeito, fundamentais para a formação emocional dos pequenos.

Mas como incentivar as crianças e adolescentes a se movimentarem mais? Pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença. Atividades simples, como pular corda, brincar de pega-pega, andar de bicicleta e brincar de esconde-esconde são formas eficazes e naturais de combater o sedentarismo. Praticar esportes também é uma excelente alternativa, e há opções para todos os gostos, desde futebol, basquete e vôlei até natação e artes marciais. O importante é encontrar algo que a criança goste, para que o movimento se torne um hábito prazeroso e não uma obrigação.

O exemplo dos pais e responsáveis é fundamental. Crianças que veem seus familiares se exercitando têm maior tendência a seguir o mesmo caminho. Se a família caminha junta, passeia de bicicleta ou aproveita parques e praças nos momentos de lazer, as chances de a criança crescer ativa aumentam consideravelmente. Além disso, é essencial estabelecer limites para o tempo de tela. Definir horários para o uso de dispositivos eletrônicos e incentivar atividades físicas no tempo livre são atitudes que ajudam a equilibrar a rotina.

O Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo é um convite para refletirmos sobre os hábitos das novas gerações. Crianças precisam correr, brincar, gastar energia e explorar o mundo além das telas. Estimular a prática de atividades físicas não é apenas um conselho médico, mas uma necessidade real para garantir um futuro mais saudável e equilibrado. Pequenos gestos podem transformar a qualidade de vida dos jovens e prepará-los para a vida adulta com mais disposição e bem-estar. Afinal, o movimento não é só importante para o corpo – ele também faz bem para a mente e para o coração.

 

Relator:
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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Obesidade em crianças e adolescentes: orientação atualizada para prevenir e cuidar https://spsp.org.br/obesidade-em-criancas-e-adolescentes-orientacao-atualizada-para-prevenir-e-cuidar/ Wed, 05 Mar 2025 18:36:05 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50437 O Dia Mundial da Obesidade é celebrado em 4 de março, uma data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos]]>

O Dia Mundial da Obesidade é celebrado em 4 de março, uma data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos dessa condição e promover ações que ajudem a prevenir e combater a obesidade.

O excesso de peso afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode levar a uma série de problemas de saúde e pode se instalar já na infância.

A educação e a prevenção são fundamentais para garantir uma vida mais saudável para as futuras gerações.

Repercussões negativas da obesidade

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que pode prejudicar o funcionamento normal do organismo, podendo afetar a saúde de diversas formas. Entre os principais problemas que a obesidade pode causar, estão:

  • Doenças cardiovasculares: O excesso de peso aumenta o risco de hipertensão, colesterol elevado e mau funcionamento do coração;
  • Diabetes tipo 2: A obesidade é uma das principais causas do diabetes tipo 2, uma condição que afeta a forma como o corpo metaboliza o açúcar do sangue e pode levar a complicações graves;
  • Problemas nas articulações: O peso excessivo acarreta maior pressão sobre as articulações, o que pode resultar em dor, inflamação e, eventualmente, em problemas permanentes, como a osteoartrite do joelho;
  • Distúrbios respiratórios: A obesidade pode dificultar a respiração e aumentar o risco de apneia do sono e asma;
  • Impactos psicológicos: O excesso de peso pode comprometer a autoestima e a saúde mental de crianças e adolescentes, levando a quadros de estresse, depressão e ansiedade.

O papel dos pais e responsáveis na prevenção da obesidade em crianças e adolescentes

Embora a genética tenha um papel na predisposição ao ganho de peso, os hábitos alimentares inadequados e a ausência da prática de atividade física são fatores determinantes para o desenvolvimento da obesidade. Medidas de prevenção devem começar em casa, com a participação de pais e familiares.

Aqui estão sete dicas práticas para ajudar a prevenir a obesidade em crianças e adolescentes e, consequentemente, reduzir o risco da ocorrência de suas consequências negativas.

  1. Oferecer uma alimentação equilibrada

A alimentação saudável é fundamental para manter o peso adequado. Priorize alimentos naturais e frescos, como frutas, legumes, verduras e proteínas magras. Evite o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, como fast food, refrigerantes, doces e frituras. Incentive o consumo de água e evite bebidas açucaradas, como sucos processados.

  1. Estabelecer horários para as refeições

Ter horários regulares para as refeições ajuda a evitar o consumo excessivo de alimentos, pois contribui com o funcionamento normal do centro da fome e saciedade, ou seja, comer com calma e de forma consciente permite que o corpo perceba quando está satisfeito, evitando excessos.

  1. Incentivar a atividade física regular

De forma geral, recomenda-se que crianças e adolescentes tenham, pelo menos, 1 hora de atividade física todos os dias. Pode ser uma caminhada, andar de bicicleta, nadar, jogar futebol, ou até mesmo brincar ao ar livre, principalmente para crianças menores. O importante é que a atividade seja prazerosa, para que se torne parte da rotina diária.

  1. Reduzir o tempo de tela

A exposição excessiva a telas (televisão, computadores, tablets, celulares e videogames) tem sido um dos principais fatores que contribuem para o sedentarismo. Limite o tempo em frente às telas e incentive brincadeiras ativas, como correr, dançar ou praticar esportes. O cuidado é a conotação que se deve dar a esta prática; limitar e criar rotinas saudáveis não deve beirar a proibição.

  1. Estabelecer um exemplo positivo

Crianças e adolescentes tendem a imitar os comportamentos dos adultos da família. Portanto, se você adotar um estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada e atividade física regular, seu filho ou filha terá maior probabilidade de seguir o mesmo caminho.

  1. Promover o sono de qualidade

O sono tem grande influência no metabolismo e no controle do peso. Procure garantir que a criança/adolescente durma entre 8 e 10 horas por noite. Isso é essencial para o equilíbrio do corpo. A falta de sono pode desregular os hormônios que controlam o crescimento físico e o apetite, contribuindo para o aumento de peso.

  1. Evitar pressões excessivas

A preocupação excessiva com o peso pode gerar desde ansiedade até transtornos alimentares graves. Em vez de focar no peso, incentive comportamentos saudáveis e a prática de atividades físicas de forma positiva, sem criar pressão ou alcançar um padrão estético específico.

Conclusão

A obesidade é uma doença muito importante da sociedade atual, que pode trazer consequências graves para a saúde física e mental de crianças e adolescentes.

Apesar do aumento da sua prevalência entre crianças e adolescentes, ela pode ser evitada com ações simples, especialmente no ambiente familiar. Pais e responsáveis desempenham um papel fundamental nesse processo, ao oferecerem alimentos saudáveis, incentivarem a prática de atividades físicas e, acima de tudo, serem modelos de comportamentos positivos.

Devemos lembrar que a prevenção começa cedo, e pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na saúde e bem-estar das próximas gerações.

Neste Dia Mundial da Obesidade, reflita sobre a importância de manter um estilo de vida saudável e ajudar os mais jovens a crescer e se desenvolver de forma equilibrada e feliz.

 

Relator:
Tulio Konstantyner
Vice-Presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Três desejos https://spsp.org.br/tres-desejos/ Mon, 03 Feb 2025 19:17:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50104 ]]>

“Ah, seu eu tivesse o …”. Nesses três pontinhos – as famosas reticências, se encaixam uma profusão de anelos (desejos intensos) humanos. São tantos e tão diferentes, que o conto de fadas faz uma condição: são apenas três desejos que serão atendidos. O conto original escocês “Três Desejos” talvez seja uma das mais conhecidas histórias sobre desejos.

Se lhe fosse concedido o direito de satisfazer três desejos, quais seriam eles?

Pense bem e não desperdice essa oportunidade rara.

Nesse conto,” um homem recebe esse favor”, só que ele faz pouco caso dele. De volta ao lar, a esposa lhe serve a sopa de todo dia no jantar. “Sopa de novo! Queria um pudim”, diz ele, e prontamente o pudim aparece. A mulher exige saber como isso aconteceu, ele narra sua aventura. Furiosa por ele ter desperdiçado um dos desejos com tal ninharia, ela exclama: “Queria que o pudim estivesse sobre sua cabeça!”, um desejo que é imediatamente satisfeito. “Lá se vão dois desejos! Queria que o pudim não estivesse sobre a minha cabeça”, diz o homem. E lá se foram os três desejos”.

Está implícito, neste conto, que desejar é uma atitude que necessita ser encarada com responsabilidade: afinal, o desejo pode vir a ser realizado. Seja por vias naturais, de esforço pessoal, por dádiva de alguém ou por um poder sobrenatural, como nos contos de fadas.

A vontade de transformar a realidade de maneira súbita, sem esforço, por meio de uma estratégia sobrenatural, está no imaginário das pessoas, movendo-as a apostar na loteria ou participar de programas como o “Big Brother”. O problema é que a felicidade pode não estar na realização de tais desejos. Podemos pedir mal.

Afinal o que é essa tal “felicidade”?

Os contos de fadas podem transmitir algumas lições valiosas para as crianças e para todos nós:

  1. Cuidado com o que deseja. Este conto, em particular, destaca a importância de ser cuidadoso ao pedir algo. As consequências podem ser negativas, devido à forma como o desejo foi expressado.
  2. Gratidão e contentamento. O conto pode ensinar às crianças serem gratas pelo que têm, em vez de sempre desejar mais. Mostra como a ganância e o desejo constante por mais podem levar a problemas.
  1. Responsabilidade. Ao ver os resultados dos desejos dos personagens, as crianças podem aprender sobre responsabilidade e pensar nas possíveis ramificações de suas próprias ações antes de agir.
  2. Valorização das relações. Em alguns contos de fadas os personagens podem desejar riquezas ou poder, mas, eventualmente, percebem que o verdadeiro tesouro está nas relações e nas coisas simples da vida. Isso pode ensinar às crianças a importância da amizade, família e amor.
  3. Autoconhecimento. Às vezes, os personagens descobrem que o que realmente desejam está dentro de si mesmos, como coragem, bondade ou sabedoria. Isso pode inspirar as crianças a buscar autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.
  4. Consequências das ações. Os contos de fadas muitas vezes mostram repercussões e impactos tanto para nós mesmos quanto para os outros ao nosso redor.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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