Creche – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 07 Jun 2017 18:20:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Creche – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retrospectiva Momento Saúde: escola https://spsp.org.br/retrospectiva-momento-saude-escola/ Wed, 07 Jun 2017 18:20:30 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1912 Primeiros anos na creche: as doenças mais comuns A entrada na creche possibilita à criança a ampliação de suas experiências com o mundo e o acesso à educação infantil. As doenças mais comuns nessa etapa da vida estão relacionadas à imaturidade do sistema imunológico e ao contato mais intenso com outras crianças e adultos. As doenças respiratórias são as mais frequentes, principalmente os resfriados comuns. Também podem ocorrer outras infecções respiratórias – como otites e pneumonias -, diarreias e várias doenças evitáveis por vacinação. Alguns fatores podem aumentar o risco, tais como: época do ano (inverno), grande número de crianças no mesmo ambiente, muitas crianças para cada cuidador e outros. A eventual repercussão sobre a criança pode ser verificada durante o acompanhamento pediátrico e a maioria das crianças supera essa fase sem maiores problemas. Outro aspecto importante a que a creche deve estar atenta é o risco de acidentes que advém da própria idade e desenvolvimento da criança, devendo promover, com apoio de pais e da comunidade, ambientes saudáveis e seguros na creche e no trajeto da criança até sua casa. Doenças na escola: dicas de prevenção para os pais A prevenção de doenças no ambiente escolar envolve vários aspectos, que são componentes da promoção da saúde na escola e em seu entorno, envolvendo educadores, famílias, serviços de saúde e comunidade. Os cuidados de higiene, em especial a lavagem das mãos, devem ser praticados e ensinados na escola e também em casa. Crianças com doenças transmissíveis devem ser afastadas da creche ou escola durante o período de transmissibilidade e a vacinação deve estar atualizada. Os pais devem também se manter informados sobre os procedimentos preventivos adotados pelas escolas e sobre a eventual ocorrência de doenças no ambiente escolar. Para algumas doenças (por exemplo: meningite, varicela, caxumba, ou aparecimento de vários casos de uma mesma doença na escola) há necessidade de se notificar o serviço de saúde (UBS da região) para que sejam orientadas as medidas preventivas para cada situação. Cuidados na escola ou creche para prevenção de doenças O ambiente deve ser limpo e arejado; o número de crianças por sala e por cuidador varia conforme a idade da criança, sendo menor quanto menor for a faixa etária; os procedimentos de higiene, incluindo troca de fraldas, e o preparo dos alimentos deve seguir as normas sanitárias vigentes; o uso de chupetas deve ser desestimulado, por favorecer a contaminação. A higiene das mãos com água e sabão é fundamental – antes e depois de cada troca de fraldas, antes de manipular alimentos e também após limpeza nasal e outros procedimentos de higiene – tanto para os adultos como para as crianças. Objetos de uso comum também precisam ser higienizados com água e sabão ou com álcool a 70%. Além disso, nas creches, deve-se manter distância entre as crianças durante o sono (mínimo de um metro). A importância da higiene deve ser ensinada aos alunos; para isso, deve haver recursos suficientes para propiciar a lavagem das mãos e evitar compartilhamento de copos, chupetas, talheres e outros materiais. A importância de manter a vacinação em dia A vacinação permitiu erradicação da varíola e da poliomielite, assim como a queda da ocorrência de outras doenças, como o sarampo, a rubéola, o tétano, a difteria, a coqueluche e as formas graves de tuberculose. Muitos pais e mães não viveram a época de maior frequência dessas doenças, com mortes e sequelas. Por esse motivo, é sempre importante lembrar a necessidade de proteção. A vacinação tem dois aspectos: a proteção individual e a coletiva. Vacinando a criança, proporcionamos o desenvolvimento de imunidade contra várias doenças transmissíveis que podem ocorrer na escola e em outros ambientes coletivos, ou na própria família. O risco de complicações é muito menor do que o risco trazido por essas doenças. Além disso, quanto maior o número de pessoas vacinadas numa comunidade, menor a circulação dos agentes infecciosos, ou seja, menor o risco de infecção de qualquer pessoa, vacinada ou não. O grande número de pessoas imunizadas pode proteger as pessoas mais suscetíveis a complicações, como as que têm deficiências imunológicas, os idosos, gestantes e pessoas que não podem ser vacinadas.   ___ Relator: Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP. Publicado em 10/01/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Primeiros anos na creche: as doenças mais comuns

A entrada na creche possibilita à criança a ampliação de suas experiências com o mundo e o acesso à educação infantil. As doenças mais comuns nessa etapa da vida estão relacionadas à imaturidade do sistema imunológico e ao contato mais intenso com outras crianças e adultos. As doenças respiratórias são as mais frequentes, principalmente os resfriados comuns. Também podem ocorrer outras infecções respiratórias – como otites e pneumonias -, diarreias e várias doenças evitáveis por vacinação.

Alguns fatores podem aumentar o risco, tais como: época do ano (inverno), grande número de crianças no mesmo ambiente, muitas crianças para cada cuidador e outros. A eventual repercussão sobre a criança pode ser verificada durante o acompanhamento pediátrico e a maioria das crianças supera essa fase sem maiores problemas.

Outro aspecto importante a que a creche deve estar atenta é o risco de acidentes que advém da própria idade e desenvolvimento da criança, devendo promover, com apoio de pais e da comunidade, ambientes saudáveis e seguros na creche e no trajeto da criança até sua casa.

Doenças na escola: dicas de prevenção para os pais

A prevenção de doenças no ambiente escolar envolve vários aspectos, que são componentes da promoção da saúde na escola e em seu entorno, envolvendo educadores, famílias, serviços de saúde e comunidade.

Os cuidados de higiene, em especial a lavagem das mãos, devem ser praticados e ensinados na escola e também em casa. Crianças com doenças transmissíveis devem ser afastadas da creche ou escola durante o período de transmissibilidade e a vacinação deve estar atualizada.

Os pais devem também se manter informados sobre os procedimentos preventivos adotados pelas escolas e sobre a eventual ocorrência de doenças no ambiente escolar. Para algumas doenças (por exemplo: meningite, varicela, caxumba, ou aparecimento de vários casos de uma mesma doença na escola) há necessidade de se notificar o serviço de saúde (UBS da região) para que sejam orientadas as medidas preventivas para cada situação.

Cuidados na escola ou creche para prevenção de doenças

O ambiente deve ser limpo e arejado; o número de crianças por sala e por cuidador varia conforme a idade da criança, sendo menor quanto menor for a faixa etária; os procedimentos de higiene, incluindo troca de fraldas, e o preparo dos alimentos deve seguir as normas sanitárias vigentes; o uso de chupetas deve ser desestimulado, por favorecer a contaminação.

A higiene das mãos com água e sabão é fundamental – antes e depois de cada troca de fraldas, antes de manipular alimentos e também após limpeza nasal e outros procedimentos de higiene – tanto para os adultos como para as crianças. Objetos de uso comum também precisam ser higienizados com água e sabão ou com álcool a 70%. Além disso, nas creches, deve-se manter distância entre as crianças durante o sono (mínimo de um metro).

A importância da higiene deve ser ensinada aos alunos; para isso, deve haver recursos suficientes para propiciar a lavagem das mãos e evitar compartilhamento de copos, chupetas, talheres e outros materiais.

A importância de manter a vacinação em dia

A vacinação permitiu erradicação da varíola e da poliomielite, assim como a queda da ocorrência de outras doenças, como o sarampo, a rubéola, o tétano, a difteria, a coqueluche e as formas graves de tuberculose. Muitos pais e mães não viveram a época de maior frequência dessas doenças, com mortes e sequelas. Por esse motivo, é sempre importante lembrar a necessidade de proteção.

A vacinação tem dois aspectos: a proteção individual e a coletiva. Vacinando a criança, proporcionamos o desenvolvimento de imunidade contra várias doenças transmissíveis que podem ocorrer na escola e em outros ambientes coletivos, ou na própria família. O risco de complicações é muito menor do que o risco trazido por essas doenças. Além disso, quanto maior o número de pessoas vacinadas numa comunidade, menor a circulação dos agentes infecciosos, ou seja, menor o risco de infecção de qualquer pessoa, vacinada ou não. O grande número de pessoas imunizadas pode proteger as pessoas mais suscetíveis a complicações, como as que têm deficiências imunológicas, os idosos, gestantes e pessoas que não podem ser vacinadas.

coyot | Pixabay

 

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Relator:
Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP.

Publicado em 10/01/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Doenças respiratórias atingem mais as crianças no inverno https://spsp.org.br/doencas-respiratorias-atingem-mais-as-criancas-no-inverno/ Thu, 02 Jul 2015 10:52:16 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=942 O outono e inverno, as estações mais frias do ano, possibilitam mais rapidez na proliferação de bactérias e vírus. As crianças, cujo sistema imunológico ainda é imaturo, são mais propícias a sofrerem com as principais doenças da época: resfriado, gripe, sinusite, crise asmática, bronquiolite e pneumonia. A presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), Dra. Fabíola Villac Adde, afirma que os vírus são sazonais, por isso ocorrem com frequência nessas estações. “O vírus sincicial respiratório, o mais frequente causador de bronquiolite, tem maior incidência no outono e início do inverno, de março a agosto. Já o influenza, causador da gripe, ocorre mais no inverno – de junho a setembro.” Devido aos vírus possuírem alto potencial de contágio, eles se transmitem facilmente, principalmente entre as crianças que frequentam creches, berçários e escolas, que mantém longo contato entre si. Dicas e cuidados Locais fechados, com pouca ventilação e grandes aglomerações de pessoas, aumentam o risco de contrair essas doenças. “É muito importante ventilar os ambientes. Ainda que esteja frio, as janelas devem ser abertas com frequência”, alerta a pneumologista. Além disso, lavar as mãos constantemente e não levar a criança doente à escola para evitar a propagação de infecções e evitar o contato com adultos resfriados ou gripados são outras medidas gerais de prevenção. “Vale ressaltar que a criança, antes do inverno, deve ser vacinada contra a gripe, que é uma infecção mais séria do que um resfriado. Diferente do que muitos acreditam, a vacina não causará a doença, pois nela os vírus estão inativos e não se multiplicarão no organismo”, lembra a Dra. Fabíola. Ela chama a atenção para as vacinas anti-pneumocócicas e anti-hemófilo, que podem ajudar parcialmente a prevenir as pneumonias e são aplicadas rotineiramente no calendário vacinal do SUS, nos primeiros meses de vida da criança. Merece atenção o Palivizumabe, um anticorpo específico contra o vírus causador da bronquiolite, aplicado através de uma injeção mensal entre março e julho, indicado para prevenir a doença em um grupo específico de crianças menores de dois anos. O tratamento é específico para cada doença. Em caso de resfriado, são recomendadas lavagens nasais com soro fisiológico, uso de antitérmicos ou analgésicos – se houver febre ou dor, além de repouso e manter uma boa hidratação com a ingestão reforçada de água e sucos. A gripe demanda medicações antivirais específicas, em pacientes selecionados, adquiridas somente sob prescrição médica. A crise asmática é tratada com broncodilatadores, a bronquiolite com inalações com soro fisiológico (em alguns casos, também é tratada com broncodilatadores). Porém, se a criança sofrer de insuficiência respiratória, precisa de internação para receber oxigênio e suporte ventilatório por aparelhos. A pneumonia e a sinusite são tratadas com o uso de antibióticos. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 02/07/2015. photo credit: Matlachu | pixabay.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O outono e inverno, as estações mais frias do ano, possibilitam mais rapidez na proliferação de bactérias e vírus. As crianças, cujo sistema imunológico ainda é imaturo, são mais propícias a sofrerem com as principais doenças da época: resfriado, gripe, sinusite, crise asmática, bronquiolite e pneumonia.

A presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), Dra. Fabíola Villac Adde, afirma que os vírus são sazonais, por isso ocorrem com frequência nessas estações. “O vírus sincicial respiratório, o mais frequente causador de bronquiolite, tem maior incidência no outono e início do inverno, de março a agosto. Já o influenza, causador da gripe, ocorre mais no inverno – de junho a setembro.”

Devido aos vírus possuírem alto potencial de contágio, eles se transmitem facilmente, principalmente entre as crianças que frequentam creches, berçários e escolas, que mantém longo contato entre si.

Dicas e cuidados
Locais fechados, com pouca ventilação e grandes aglomerações de pessoas, aumentam o risco de contrair essas doenças. “É muito importante ventilar os ambientes. Ainda que esteja frio, as janelas devem ser abertas com frequência”, alerta a pneumologista. Além disso, lavar as mãos constantemente e não levar a criança doente à escola para evitar a propagação de infecções e evitar o contato com adultos resfriados ou gripados são outras medidas gerais de prevenção.

“Vale ressaltar que a criança, antes do inverno, deve ser vacinada contra a gripe, que é uma infecção mais séria do que um resfriado. Diferente do que muitos acreditam, a vacina não causará a doença, pois nela os vírus estão inativos e não se multiplicarão no organismo”, lembra a Dra. Fabíola. Ela chama a atenção para as vacinas anti-pneumocócicas e anti-hemófilo, que podem ajudar parcialmente a prevenir as pneumonias e são aplicadas rotineiramente no calendário vacinal do SUS, nos primeiros meses de vida da criança. Merece atenção o Palivizumabe, um anticorpo específico contra o vírus causador da bronquiolite, aplicado através de uma injeção mensal entre março e julho, indicado para prevenir a doença em um grupo específico de crianças menores de dois anos.

O tratamento é específico para cada doença. Em caso de resfriado, são recomendadas lavagens nasais com soro fisiológico, uso de antitérmicos ou analgésicos – se houver febre ou dor, além de repouso e manter uma boa hidratação com a ingestão reforçada de água e sucos.

A gripe demanda medicações antivirais específicas, em pacientes selecionados, adquiridas somente sob prescrição médica. A crise asmática é tratada com broncodilatadores, a bronquiolite com inalações com soro fisiológico (em alguns casos, também é tratada com broncodilatadores). Porém, se a criança sofrer de insuficiência respiratória, precisa de internação para receber oxigênio e suporte ventilatório por aparelhos. A pneumonia e a sinusite são tratadas com o uso de antibióticos.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 02/07/2015.
photo credit: Matlachu | pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Infecções respiratórias na criança: o que fazer https://spsp.org.br/infeccoes-respiratorias-na-crianca-o-que-fazer/ Mon, 26 May 2014 03:40:29 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=634 “A tosse que não passa, a coriza ora clara ora amarelada, as noites sem dormir”. Essa é a realidade da grande maioria das famílias durante as estações de outono e inverno. A sabedoria do dito popular proclama os malefícios que vêm com o frio. É nessa época que os consultórios dos pediatras e serviços de pronto atendimento ficam repletos de “gripados angustiados” em busca de um xarope milagroso. Mas a pergunta que não quer calar é: Porque as crianças ficam tão doentes, muitas vezes sequencialmente nessa época do ano? As infecções respiratórias são responsáveis pela maioria das doenças em crianças chegando a ocorrer 6 a 8 vezes por ano nos menores de 5 anos. Os principais causadores das popularmente chamadas “gripes” são os vírus. Os vírus mais frequentemente associados às infecções respiratórias são o virus influenza, vírus da gripe (cujo H1N1 é um dos tipos), o vírus parainfluenza, o adenovirus, o vírus sincicial respiratório, o coronavirus e o rinovirus. Na prática, quando o médico usa a denominação “virose” está se referindo a um tipo de infecção que “passa sozinha, que quem cura é o próprio corpo”. Para que ocorra esta cura é preciso que o corpo tenha a chamada “imunidade”. Quanto menor a criança e quanto maior for a sua exposição a diferentes vírus, mais difícil será a cura da infecção e maior será a chance de se infectar por outro vírus sequencialmente. Assim, nos pequenos, as infecções muitas vezes acontecem uma após a outra, dando a ideia de que algo de errado esta acontecendo. Mas como funciona essa tal de imunidade? Durante a gestação a mãe passa para o bebê toda a sua memória de defesa do corpo, a lembrança de como se defender das infecções. Essa defesa, ou melhor, esses anticorpos maternos, permanecem no corpo do bebe até quase completar um ano de idade. É nessa época, de nove meses a um ano, que desprovido dos anticorpos materno, o bebe começa a entrar em contato com os vírus e a ficar doente. A partir das infecções que apresenta aprende a se defender desses agentes e a criar a sua própria “memória imunológica”. Porém estamos expostos a uma infinidade de vírus e muitos deles sofrem mutações para enganar a defesa do corpo e voltam a causar doenças. Cosidera-se que, em média, aos três anos de idade, as crianças estão mais “seguras”, com memória imunológica mais eficaz. Nessa época, as infecções virais tendem a ocorrer menos frequentemente com menor duração e gravidade. Alguns fatores contribuem para que as “viroses” ocorram mais frequentemente e comprometam mais a vida das crianças. O nascimento precoce, ou seja a prematuridade, faz com que a criança receba os anticorpos maternos por tempo menor, ficando assim com a imunidade prejudicada. O leite materno além de inúmeros outros benefícios, contem anticorpos maternos que contribuem para a imunidade do lactente. Crianças que não recebem leite materno estão mais susceptíveis a infecções. A exposição aos vírus que estão infectando outras pessoas como nas escolas e creches é um dos principais estímulos para a ocorrência das infecções virais. A entrada precoce na creche (muitas vezes aos quatro meses ao término da licença maternidade), associada ao desmame precoce (pelo mesmo motivo) criam um cenário perfeito para essa população de lactentes entrarem no clima da estação das viroses respiratórias. Como já citado anteriormente o tempo que o corpo da criança vai levar para curar a “virose” é bastante variável. Assim uma tosse de dois,ou três dias deve ser tratada com naturalidade se não estiver acompanhada de cansaço, que é o principal sinal de gravidade para as viroses respiratórias. A presença ou não de secreção (popularmente chamada de catarro) não denota gravidade ao quadro. A febre pode estar presente na maioria dos quadros “gripais” com duração média de até três dias. A fluidificação da secreção é mandatória para alivio facilitado dos sintomas e para evitar as temidas complicações das viroses. As crianças muitas vezes têm dificuldade na expectoração da secreção. Secreção espessa, sem que seja expectorada perpetua o sintoma de tosse. A ingestão de água e a limpeza nasal com solução salina são o segredo do sucesso. As complicações mais temidas das viroses respiratórias são as infecções bacterianas secundárias. Quando se fala em bactéria a situação começa a ficar um pouco mais grave. As infecções virais aos consumirem a defesa do corpo para sua cura acabam deixando o corpo da criança debilitado para que as bactérias que muitas vezes colonizam (ou seja moram na superfície do corpo sem invadi-lo) causem as temidas infecções bacterianas. E como reconhecer essa transição de infecção viral para infecção bacterina? As infecções bacterianas normalmente comprometem o estado geral da criança. Impactam nas atividades do dia a dia, costumam estar acompanhadas de queda do estado geral, prostração, hipoatividade, perda do apetite, não somente no momento da febre, mas como um mal-estar permanente. A febre a partir do quarto dia de persistência também deve ser observada com cuidado. A falta de ar, cansaço, respirando com dificuldade mais do que 50 vezes em um minuto para qualquer faixa etária é sinal de gravidade de extrema importância que deve motivar a procura imediata pelo serviço de saúde. Para as infecções bacterianas e somente para essas estão indicados os antibióticos. As viroses respiratórias não se beneficiam em nada com o uso de antibióticos e somente o médico têm capacitação para fazer a diferenciação entre infecção viral e bacteriana e para indicar o uso de antibióticos. Assim alguns vírus ocorrem mais frequentemente nas estações frias e é no frio que as pessoas ficam mais aglomeradas em ambientes fechados o que facilita a disseminação dos vírus. Nos pequenos, nos que frequentem escolas e creches e nos que tem fatores de risco com prematuridade e desmame precoce as viroses respiratórias ocorrem meses a fio sem que nenhum xarope resolva o problema. O uso inadequado de antibióticos é frequente principalmente pela sua introdução precoce antes que se faça a diferenciação entre infecção viral e bacteriana comprometendo a flora endógena das crianças e trazendo sintomas associados desnecessários...]]>

Wintertime“A tosse que não passa, a coriza ora clara ora amarelada, as noites sem dormir”. Essa é a realidade da grande maioria das famílias durante as estações de outono e inverno. A sabedoria do dito popular proclama os malefícios que vêm com o frio. É nessa época que os consultórios dos pediatras e serviços de pronto atendimento ficam repletos de “gripados angustiados” em busca de um xarope milagroso. Mas a pergunta que não quer calar é: Porque as crianças ficam tão doentes, muitas vezes sequencialmente nessa época do ano?

As infecções respiratórias são responsáveis pela maioria das doenças em crianças chegando a ocorrer 6 a 8 vezes por ano nos menores de 5 anos. Os principais causadores das popularmente chamadas “gripes” são os vírus. Os vírus mais frequentemente associados às infecções respiratórias são o virus influenza, vírus da gripe (cujo H1N1 é um dos tipos), o vírus parainfluenza, o adenovirus, o vírus sincicial respiratório, o coronavirus e o rinovirus.

Na prática, quando o médico usa a denominação “virose” está se referindo a um tipo de infecção que “passa sozinha, que quem cura é o próprio corpo”. Para que ocorra esta cura é preciso que o corpo tenha a chamada “imunidade”. Quanto menor a criança e quanto maior for a sua exposição a diferentes vírus, mais difícil será a cura da infecção e maior será a chance de se infectar por outro vírus sequencialmente. Assim, nos pequenos, as infecções muitas vezes acontecem uma após a outra, dando a ideia de que algo de errado esta acontecendo.

Mas como funciona essa tal de imunidade? Durante a gestação a mãe passa para o bebê toda a sua memória de defesa do corpo, a lembrança de como se defender das infecções. Essa defesa, ou melhor, esses anticorpos maternos, permanecem no corpo do bebe até quase completar um ano de idade. É nessa época, de nove meses a um ano, que desprovido dos anticorpos materno, o bebe começa a entrar em contato com os vírus e a ficar doente. A partir das infecções que apresenta aprende a se defender desses agentes e a criar a sua própria “memória imunológica”. Porém estamos expostos a uma infinidade de vírus e muitos deles sofrem mutações para enganar a defesa do corpo e voltam a causar doenças. Cosidera-se que, em média, aos três anos de idade, as crianças estão mais “seguras”, com memória imunológica mais eficaz. Nessa época, as infecções virais tendem a ocorrer menos frequentemente com menor duração e gravidade.

Alguns fatores contribuem para que as “viroses” ocorram mais frequentemente e comprometam mais a vida das crianças. O nascimento precoce, ou seja a prematuridade, faz com que a criança receba os anticorpos maternos por tempo menor, ficando assim com a imunidade prejudicada. O leite materno além de inúmeros outros benefícios, contem anticorpos maternos que contribuem para a imunidade do lactente. Crianças que não recebem leite materno estão mais susceptíveis a infecções. A exposição aos vírus que estão infectando outras pessoas como nas escolas e creches é um dos principais estímulos para a ocorrência das infecções virais. A entrada precoce na creche (muitas vezes aos quatro meses ao término da licença maternidade), associada ao desmame precoce (pelo mesmo motivo) criam um cenário perfeito para essa população de lactentes entrarem no clima da estação das viroses respiratórias.

Como já citado anteriormente o tempo que o corpo da criança vai levar para curar a “virose” é bastante variável. Assim uma tosse de dois,ou três dias deve ser tratada com naturalidade se não estiver acompanhada de cansaço, que é o principal sinal de gravidade para as viroses respiratórias. A presença ou não de secreção (popularmente chamada de catarro) não denota gravidade ao quadro. A febre pode estar presente na maioria dos quadros “gripais” com duração média de até três dias. A fluidificação da secreção é mandatória para alivio facilitado dos sintomas e para evitar as temidas complicações das viroses. As crianças muitas vezes têm dificuldade na expectoração da secreção. Secreção espessa, sem que seja expectorada perpetua o sintoma de tosse. A ingestão de água e a limpeza nasal com solução salina são o segredo do sucesso.

As complicações mais temidas das viroses respiratórias são as infecções bacterianas secundárias. Quando se fala em bactéria a situação começa a ficar um pouco mais grave. As infecções virais aos consumirem a defesa do corpo para sua cura acabam deixando o corpo da criança debilitado para que as bactérias que muitas vezes colonizam (ou seja moram na superfície do corpo sem invadi-lo) causem as temidas infecções bacterianas.

E como reconhecer essa transição de infecção viral para infecção bacterina? As infecções bacterianas normalmente comprometem o estado geral da criança. Impactam nas atividades do dia a dia, costumam estar acompanhadas de queda do estado geral, prostração, hipoatividade, perda do apetite, não somente no momento da febre, mas como um mal-estar permanente. A febre a partir do quarto dia de persistência também deve ser observada com cuidado. A falta de ar, cansaço, respirando com dificuldade mais do que 50 vezes em um minuto para qualquer faixa etária é sinal de gravidade de extrema importância que deve motivar a procura imediata pelo serviço de saúde. Para as infecções bacterianas e somente para essas estão indicados os antibióticos. As viroses respiratórias não se beneficiam em nada com o uso de antibióticos e somente o médico têm capacitação para fazer a diferenciação entre infecção viral e bacteriana e para indicar o uso de antibióticos.

Assim alguns vírus ocorrem mais frequentemente nas estações frias e é no frio que as pessoas ficam mais aglomeradas em ambientes fechados o que facilita a disseminação dos vírus. Nos pequenos, nos que frequentem escolas e creches e nos que tem fatores de risco com prematuridade e desmame precoce as viroses respiratórias ocorrem meses a fio sem que nenhum xarope resolva o problema. O uso inadequado de antibióticos é frequente principalmente pela sua introdução precoce antes que se faça a diferenciação entre infecção viral e bacteriana comprometendo a flora endógena das crianças e trazendo sintomas associados desnecessários como alteração do hábito intestinal, irritação gástrica e inapetência. A fluidificação da secreção, o estimulo à expectoração, a alimentação saudável (principalmente o leite materno nos lactentes), a imunização adequada para a idade por meio das vacinas disponíveis e o isolamento da exposição excessiva (como escolas e creches) no momento da doença ainda são o melhor remédio.

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Relatores:
Dra Deborah Ascar Requena Perez
Departamento Científico de Infectologia da SPSP

Publicado em 26/05/2014
photo credit: Showface | Dreamstime Stock Photos

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