Corpo – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 16 Jun 2026 15:12:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Corpo – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Quando o corpo diz “não” https://spsp.org.br/quando-o-corpo-diz-nao/ Tue, 16 Jun 2026 15:12:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57471 ]]>

Este mês é dedicado à Conscientização dos Transtornos Alimentares e, no que diz respeito a estas condições, proponho uma reflexão a partir de um caso clínico.

Marina, 15 anos, comparece à consulta acompanhada da mãe, cuja principal preocupação é o fato de a filha ter interrompido os ciclos menstruais há alguns meses. A adolescente veste um moletom largo estampado com o personagem Mickey Mouse. Durante a anamnese alimentar, mãe e filha entram em discussão sobre os hábitos alimentares. Marina acusa a mãe de também restringir a alimentação.

Ao abordar aspectos comportamentais, a mãe relata que Marina tem extrema dificuldade em se posicionar diante dos outros. Na escola, costuma responder “tanto faz” às perguntas e evita expressar preferências ou discordâncias, mesmo em situações que lhe causam sofrimento. Quando pergunto sobre o que vê nas redes sociais, responde sem muita personalidade: “o mesmo que minhas amigas”.

Na segunda parte da consulta, realizada sem a presença da mãe, observa-se uma mudança marcante em sua postura. A adolescente, antes hesitante e pouco assertiva, passa a se expressar de forma rígida e categórica. Ao falar sobre alimentação, afirma: “Não como nada que tenha mais de 200 kcal”. 

Discussão do caso clínico

O caso de Marina suscita uma questão frequente na clínica dos transtornos alimentares: em que medida o sintoma anoréxico pode expressar uma recusa das transformações inerentes à adolescência?

A adolescência exige a elaboração de importantes perdas psíquicas, frequentemente descritas como lutos pelo corpo infantil, pelo lugar protegido da infância e pelos pais idealizados. As transformações da puberdade tornam visível a perda do corpo infantil e anunciam a entrada em um corpo sexuado, submetido a novas e complexas exigências sociais, relacionais e subjetivas. Nesse contexto, o desenvolvimento corporal pode ser vivido não apenas como crescimento, mas também como legitimação da perda do lugar seguro da infância.

No caso de Marina, a amenorreia (falta da menstruação) secundária e os marcadores hormonais pré-púberes permitem pensar o sintoma alimentar como uma tentativa inconsciente de interromper ou retardar esse processo. Ao impedir a maturação corporal, a anorexia preserva características infantis do corpo e afasta, simbolicamente, aspectos da sexualidade e da feminilidade associados à puberdade. Nessa perspectiva, em alguns casos, a recusa alimentar pode ser compreendida como uma recusa do próprio crescimento.

Diante das incertezas próprias da adolescência no contexto de um mundo cheio de contradições e efemeridades, o sintoma alimentar pode funcionar como uma defesa psíquica. Em um momento marcado por mudanças corporais, conflitos de identidade e sentimentos de vulnerabilidade, a restrição alimentar proporciona uma sensação ilusória de controle. Compreender essa dimensão subjetiva não significa desconsiderar os graves riscos clínicos do transtorno, mas sim ampliar o olhar para além do sintoma alimentar, reconhecendo-o como uma expressão complexa do sofrimento psíquico.

A dinâmica familiar observada durante a consulta chama a atenção para a centralidade da alimentação nas relações interpessoais da paciente. O embate entre mãe e filha sobre quem come menos sugere um ambiente em que restrições alimentares e preocupações com peso e dieta desempenham papel relevante. Embora não se possa atribuir causalidade direta, tais modelos familiares podem influenciar a forma como adolescentes percebem alimentação, corpo e controle.

Outro aspecto marcante é a discrepância de comportamento apresentada por Marina na presença e na ausência da mãe. Inicialmente, mostra-se passiva, indecisa e excessivamente preocupada em agradar aos outros. Quando entrevistada sozinha, porém, revela rigidez cognitiva, pensamento obsessivo e regras alimentares extremamente restritivas, expressas na afirmação: “Não como nada que tenha mais de 200 kcal”. Essa mudança evidencia a importância da entrevista individual com adolescentes, permitindo o acesso a conteúdos que muitas vezes não emergiriam na presença dos pais.

Essa dinâmica parece encontrar eco no relato de Marina. Descrita como alguém que tem dificuldade em dizer “não” aos outros e frequentemente se submete às vontades alheias, incapaz de expressar seus desejos nas relações interpessoais. Se, por um lado, temos um apagamento do Eu, por outro, ele compensa quando o tema é alimentação: o que Marina não consegue negar aos outros, ela nega ao próprio corpo.

Assim, através desse caso clínico, entende-se que os transtornos alimentares, especificamente a anorexia, se apresentam como uma formação complexa, na qual se articulam conflitos relacionados ao crescimento, à sexualidade, à autonomia, à dinâmica familiar, ao se colocar perante os outros e ao controle. Mais do que um problema exclusivamente alimentar, os sintomas expressam tentativas singulares de enfrentar os desafios psíquicos impostos pela adolescência.

 

Relatora:

Maíra Terra Cunha Di Sarno
Secretária do Departamento de Adolescência da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Vitiligo – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento https://spsp.org.br/vitiligo-sintomas-diagnostico-e-tratamento/ Wed, 25 Jun 2025 18:51:38 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51978 Vitiligo é uma doença cutânea, ou seja, que afeta a pele. A sua principal característica é a perda da pigmentação da pele, fazendo com que ela fique mais clara em várias regiões do corpo]]>

Vitiligo é uma doença cutânea, ou seja, que afeta a pele. A sua principal característica é a perda da pigmentação da pele, fazendo com que ela fique mais clara em várias regiões do corpo.

É uma doença autoimune, isto é, o paciente produz anticorpos que alteram a capacidade de pigmentação da pele, determinando as manchas brancas.

É importante ressaltar que o vitiligo não é contagioso, portanto não passa de uma pessoa para outra. Essa é uma doença que afeta pessoas com e até mesmo sem predisposição genética.

Impactos emocionais não pioram a doença em pacientes predispostos, mas acabam agindo como gatilhos, como fator agravante.

O vitiligo pode se manifestar de diferentes formas em pessoas distintas. No entanto, os seus principais sintomas são:

– Perda da coloração da pele, em diferentes intensidades;

– Pode ocorrer clareamento dos pelos do corpo e cabelos, incluindo cílios e barba;

– Alteração no tom das mucosas (tecido que reveste áreas como o interior da boca e os genitais);

– Não apresenta sintomas como coceira ou dor;

– Pode começar em qualquer idade, inclusive em crianças, podendo excepcionalmente ser congênito.

Cada forma de vitiligo tem sua apresentação na pele de uma forma específica e o dermatologista habilitado deve avaliar caso a caso para tratar cada forma de maneira correta.

O tratamento do vitiligo irá depender do tipo e também na época que o diagnóstico é feito. Quanto mais precoce o tratamento, melhor a capacidade da pele de recuperação das manchas.

Até o momento não há cura e o tratamento é crônico.

Há o tratamento tópico, direcionado para cada fase do vitiligo, além de imunomoduladores tópicos.

Eles incluem medicações locais, medicações orais e fototerapia. E há os medicamentos imunobiológicos, que estão em estudo e são mais específicos. Outras terapias, como laser e cirurgias, raramente são indicadas.

O dermatologista habilitado deve fazer o diagnóstico do tipo de vitiligo para a escolha do tratamento mais adequado, inclusive pesquisar outras doenças autoimunes, como doenças da tireoide.

O Dia Mundial do Vitiligo é celebrado anualmente no dia 25 de junho. E para comemorarmos a criação deste dia, ressaltamos a importância de se proteger do sol com a utilização de protetores solares de alta cobertura, sendo estes obrigatórios, pois são áreas mais predispostas a queimaduras e câncer de pele, além de agravar o vitiligo.

 

Relatora
Selma Hélène
Presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Transtornos alimentares: um problema do século XXI? https://spsp.org.br/transtornos-alimentares-um-problema-do-seculo-xxi/ Mon, 02 Jun 2025 11:51:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51598 Os transtornos alimentares existem há muito tempo, tendo sido descritos inicialmente na literatura religiosa, por volta do século V e na literatura médica, a partir de meados do século XIX]]>

Os transtornos alimentares existem há muito tempo, tendo sido descritos inicialmente na literatura religiosa, por volta do século V e na literatura médica, a partir de meados do século XIX. Atualmente, no entanto, percebe-se um aumento de diagnósticos, principalmente em adolescentes do sexo feminino, não sendo exclusivos de mulheres ou dessa faixa etária. Pode ocorrer por vários fatores, como predisposição pessoal, presença de transtornos psíquicos (como ansiedade ou depressão, por exemplo), relações familiares e suscetibilidade a fatores externos, como influência da mídia e pressão social. A pandemia da Covid-19 foi um acelerador para o aumento de casos, possivelmente pela ansiedade gerada com o isolamento social e as incertezas sobre o futuro, as mudanças de hábitos alimentares e de práticas esportivas, além do maior uso de redes sociais.

Fatores psíquicos e biológicos interagem entre si: a predisposição genética pode ser “acionada” por fatores como estresse emocional, baixa autoestima e pressão estética. A ideia de que só a magreza está associada à beleza, ao sucesso social e profissional, impacta fortemente a atual geração de adolescentes, aumentando sua vulnerabilidade aos transtornos alimentares.

Do ponto de vista da família, a forma como os responsáveis falam sobre comida, corpo e aparência pode ter grande impacto nas crianças e adolescentes. Comentários frequentes sobre dietas, peso, “corpos ideais ou perfeitos” ou críticas ao próprio corpo e ao corpo de outras pessoas podem, mesmo sem intenção, reforçar a ideia de que o valor de alguém está associado à aparência física.

Atualmente as redes sociais têm um papel significativo na construção da autoestima dos adolescentes. Plataformas como Instagram, TikTok e outras estão repletas de imagens de corpos magros, esculpidos, frequentemente editados por filtros ou manipulados digitalmente. Influenciadores digitais promovem rotinas alimentares rígidas, desafios de perda de peso e estilos de vida que nem sempre são saudáveis ou alcançáveis. Esse bombardeio constante pode levar os jovens a desenvolverem uma percepção distorcida de si mesmos, comparando-se com padrões estéticos inalcançáveis.

A validação por meio de curtidas e comentários também pode reforçar a ideia de que a aparência física é mais importante do que o bem-estar emocional e a saúde. Aplicativos para controle de calorias são de fácil acesso e extremamente perigosos quando utilizados sem o conhecimento das necessidades básicas individuais.

Durante a adolescência, a necessidade de aceitação por parte do grupo de amigos se torna especialmente importante. Comentários sobre peso ou aparência feitos por colegas, brincadeiras de mau gosto ou a exclusão social podem afetar profundamente a autoestima. Adolescentes podem adotar dietas extremas ou esconder comportamentos alimentares prejudiciais para se adequarem ao grupo ou evitar críticas. Não é incomum que em um grupo de amigos várias pessoas tenham comportamentos de risco para o desencadeamento de transtornos alimentares, como um pacto entre amigos, para controle de alimentação e de peso.

Por vezes não é fácil identificar um transtorno alimentar, mas existem sinais de alerta que os familiares devem observar:

  • Mudanças bruscas nos hábitos alimentares: recusa em comer certos grupos de alimentos, pular refeições ou adoção de dietas restritivas sem orientação médica. É preciso ficar atento quando adolescentes se tornam repentinamente saudáveis e passam a querer comer somente vegetais e proteínas, rejeitando carboidratos, bolos, bolachas, chocolates e balas de que sempre gostaram. Outro sinal que chama a atenção é a recusa em comer fora de casa ou aceitarem somente alimentos que eles próprios preparam.
  • Mudanças de comportamento alimentar, como querer comer sozinho, ir frequentemente ao banheiro logo após as refeições, demonstrar culpa ou arrependimento por ter comido.
  • Perda ou ganho de peso acentuado e rápido e preocupação excessiva com o corpo, peso ou calorias.
  • Autoimagem distorcida: percepção negativa do próprio corpo, mesmo estando dentro do peso considerado saudável. A mudança de vestimentas, como a procura por roupas largas que disfarcem as formas corporais também pode ser um indício da má relação com o corpo.
  • Prática excessiva de exercícios físicos, muitas vezes sem orientação e de forma exagerada. Familiares costumam ficar orgulhosos quando adolescentes sedentários passam a praticar atividades físicas, mas é preciso observar a frequência, duração e/ou intensidade, pois um sinal de alerta acende quando essa se torna compulsiva. Assim como a relação comida-exercício: se a pessoa comeu mais do que o habitual, precisa se exercitar ou se não fez exercício no dia, come menos. Essa relação compensatória não é saudável e pode ser um sinal de transtorno alimentar.

Como ajudar?

É preciso estimular a saúde emocional e física de adolescentes, através de um diálogo aberto e acolhedor, sem julgamentos, validando seus sentimentos e oferecendo apoio emocional constante. Deve-se evitar comentários sobre peso, dieta ou aparência, mantendo o foco na promoção de saúde e não em padrões estéticos. Além disso, é positivo estimular a prática de atividades que promovam bem-estar físico e emocional, como esportes, arte, música ou leitura — o mais importante é que o adolescente se sinta realizado e pertencente.

É impossível evitar o uso das redes sociais a partir de uma certa idade. Por isso é preciso fazer um trabalho preventivo, que estimule a maturidade e reduza os riscos.

O “Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares” foi instituído no dia 2 de junho. É importante que haja conversas que conscientizem sobre os conteúdos consumidos, questionem estereótipos e que estimulem o pensamento crítico sobre o que é visto online, combinadas de supervisão aos acessos e postagens do adolescente.

Caso percebam sinais de alerta que sugiram a possibilidade de um transtorno alimentar, familiares devem procurar ajuda profissional especializada no tema. Quanto antes for iniciado o tratamento, maiores são as chances de cura.

 

Relatora:
Andrea Hercowitz
Membro do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Promoção da saúde e da qualidade de vida https://spsp.org.br/promocao-da-saude-e-da-qualidade-de-vida/ Sun, 06 Apr 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50869 No dia 6 de abril celebra-se o Dia Nacional de Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida, uma data que tem como objetivo, entre outros, lembrar a importância]]>

No dia 6 de abril celebra-se o Dia Nacional de Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida, uma data que tem como objetivo, entre outros, lembrar a importância de adotarmos uma rotina de vida que inclua hábitos saudáveis.

O conceito de ‘qualidade de vida’ é profundamente subjetivo, pois a satisfação com a vida é uma resposta pessoal, que varia de indivíduo para indivíduo. No entanto, há certos elementos comuns que são amplamente reconhecidos como fundamentais para se alcançar um padrão de vida satisfatório, como boas condições de trabalho e lazer, boas relações interpessoais, segurança, e acesso à saúde, educação, mobilidade e outros serviços essenciais.

A qualidade de vida envolve tanto o aspecto individual quanto o coletivo e precisa abranger a totalidade do ser: o corpo, a mente, as emoções e o espírito, o ambiente físico e social.

A vida ideal pode ser considerada uma ilusão. Não temos controle sobre diversos fatores que influenciam o curso da nossa existência, começando pela nossa origem. Não escolhemos onde nascemos, o país em que vivemos, nem a época da história em que chegamos ao mundo. Somos, portanto, condicionados por uma série de fatores que, em última análise, determinam as bases sobre as quais construímos nossas vidas e definimos seu percurso. Alguns desses fatores exercem sua influência já na vida intrauterina, como estão bem destacados no conceito dos 1.000 dias em Pediatria (são os fatores que afetam o feto, o recém-nascido e o lactente, num período que vai da concepção até o final do segundo ano de vida, e que podem ter repercussão na vida futura da criança, do adolescente e do futuro adulto).

A saúde é, sem dúvida, um dos pilares fundamentais da qualidade de vida. Uma boa saúde física e mental permite que a pessoa realize suas atividades diárias com mais energia e disposição. No nível individual, a qualidade de vida é influenciada por escolhas pessoais, como alimentação, exercícios, saúde mental e equilíbrio emocional. O cuidado com o corpo, a mente e o espírito são elementos essenciais para alcançar uma vida satisfatória. Também é importante mencionar que a qualidade de vida está profundamente ligada à capacidade do indivíduo em lidar com as adversidades e de buscar uma vida com propósito, algo que vai além do simples prazer momentâneo.

No contexto coletivo, a qualidade de vida não pode ser dissociada das condições sociais, econômicas e ambientais em que se vive. Assim, a qualidade de vida de um grupo ou sociedade depende de políticas públicas eficazes e de um sistema social que ofereça condições dignas para todos. A busca pela qualidade de vida é uma tarefa complexa, pois envolve diversos fatores que estão além do controle individual. A desigualdade social, a violência, a poluição e outros fatores externos podem influenciar negativamente o bem-estar de uma pessoa ou de uma comunidade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e seus parceiros no Brasil estão trabalhando para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. São 17 objetivos ambiciosos e interconectados, que abordam os principais desafios de desenvolvimento enfrentados no mundo. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo, a fim de que possamos atingir a Agenda 2030. É uma agenda de ‘Qualidade de Vida’.

 

Saiba mais:

Agenda 2030: (imgurl:https://th.bing.com/th?id=ODLS.25a33040-f213-4d6b-9a18-b64a1d00f079&w=32&h=32&qlt=91&pcl=fffffa&o=6&pid=1.2 – Pesquisar)

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Você já ouviu falar em “sepse”? https://spsp.org.br/voce-ja-ouviu-falar-em-sepse/ Fri, 13 Sep 2024 11:29:35 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47978 Relatora:Daniela Carla de SouzaPresidente do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)Membro do Departamento Científico de Terapia Intensiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

Provavelmente, muitos pais e cuidadores nunca ouviram esse termo, apesar da sepse ser uma condição antiga e perigosa. É possível que você a conheça como “septicemia” ou “infecção generalizada”. Mas, afinal, o que é sepse?

A sepse é uma condição grave, uma emergência médica que precisa ser reconhecida e tratada rapidamente. Ela ocorre quando o corpo, na tentativa de combater uma infecção, reage de forma descontrolada, causando danos aos próprios órgãos, como o coração, pulmões, cérebro e rins, colocando a vida do paciente em risco. A sepse pode ser causada por infecções comuns da infância, desencadeadas por vírus, bactérias ou protozoários.

Você pode se perguntar: “Todo mundo pode ter sepse? Por que algumas pessoas desenvolvem sepse e outras não?” A evolução para sepse depende do tipo de patógeno (o agente causador da infecção), das condições de saúde do paciente e do ambiente em que ele vive. Certos grupos são mais vulneráveis, como recém-nascidos, pessoas com doenças crônicas, pacientes em terapia imunossupressora, aqueles que foram internados recentemente ou que fizeram uso de antibióticos. Os pacientes com desnutrição e pacientes que vivem em regiões com condições sanitárias precárias também apresentam um risco maior de uma infecção evoluir para sepse. Esses pacientes têm o sistema imunológico enfraquecido e, portanto, são mais suscetíveis à sepse.

Os pais podem e devem estar atentos aos sinais de sepse, buscando imediatamente ajuda médica se a criança apresentar febre, respiração acelerada, palpitações (batimentos cardíacos muito rápidos), palidez, extremidades arroxeadas, sonolência excessiva ou manchas pelo corpo.

É importante destacar que a sepse pode ser prevenida. Manter a carteira de vacinação das crianças em dia, praticar boa higiene, incluindo a lavagem frequente das mãos, e usar antibióticos apenas quando prescritos por um médico são medidas eficazes para prevenir essa condição.

A sepse é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde pública global. Anualmente, mais de 25 milhões de crianças e adolescentes desenvolvem sepse, e mais de 3,5 milhões morrem em decorrência dessa condição. No Brasil, um estudo coordenado pelo Instituto Latino-Americano de Sepse revelou que mais de 42.000 crianças são internadas em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica com sepse a cada ano, e mais de 8.300 delas não sobrevivem. Quando a sepse não leva à morte, ela pode deixar marcas que afetam a mente, o corpo e as emoções dos pacientes e de seus familiares.

O Dia Mundial da Sepse, celebrado em 13 de setembro, é uma oportunidade para instituições de vários países realizarem campanhas que visam aumentar o conhecimento sobre essa grave condição. Junte-se a nós no combate à sepse: informe-se e compartilhe o que aprendeu.

Saiba mais:

https://ilas.org.br/dia-mundial-da-sepse/Rudd KE, Johnson SC, Agesa KM, Shackelford KA, Tsoi D, Kievlan DR, et al. Global, regional, and national sepsis incidence and mortality, 1990-2017: analysis for the Global Burden of Disease Study. Lancet. 2020;395(10219):200-11.

de Souza DC, Gonçalves Martin J, Soares Lanziotti V, de Oliveira CF, Tonial C, de Carvalho WB, et al. The epidemiology of sepsis in paediatric intensive care units in Brazil (the Sepsis PREvalence Assessment Database in Pediatric population, SPREAD PED): an observational study. Lancet Child Adolesc Health. 2021;5(12):873-81.

Relatora:
Daniela Carla de Souza
Presidente do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)
Membro do Departamento Científico de Terapia Intensiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional dos Portadores de Vitiligo https://spsp.org.br/dia-nacional-dos-portadores-de-vitiligo-2/ Fri, 11 Aug 2023 19:44:48 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38973 1º de agosto é o Dia Nacional dos Portadores de Vitiligo, uma doença (e não uma condição) cutânea, ou seja, que afeta a pele. A sua principal característica é ]]>

1º de agosto é o Dia Nacional dos Portadores de Vitiligo, uma doença (e não uma condição) cutânea, ou seja, que afeta a pele. A sua principal característica é a perda de pigmentação da pele, fazendo com que ela fique mais clara em várias regiões do corpo.

O vitiligo é uma doença autoimune, isto é, o paciente produz anticorpos que alteram a capacidade de pigmentação da pele, determinando as manchas brancas. Muito importante ressaltar que o vitiligo não é contagioso, ou seja, não passa de uma pessoa para outra. É uma doença que afeta pessoas com predisposição genética, ou até mesmo sem predisposição genética, mas exclusivamente que possuem a alteração em seus melanócitos.

Quais são as possíveis causas da doença?

Como dito anteriormente, alguns pacientes podem apresentar predisposição genética; impactos emocionais não determinam a doença, mas auxiliam a dermatose a aparecer, agindo como gatilhos.

Como se manifesta?

O vitiligo pode se manifestar de diferentes formas em pessoas distintas; no entanto, os seus principais sintomas são:

– perda da coloração da pele, em diferentes intensidades;

– cabelos e pelos do corpo, dependendo da área afetada, podem descolorir; incluindo cílios e barba, o que acontece de maneira irregular;

– alteração no tom das mucosas (tecido que reveste áreas como o interior da boca e os genitais) e não apresentam sintomas como coceira ou dor.

Como o vitiligo começa?

Pode começar em qualquer idade, inclusive em crianças, podendo excepcionalmente ser congênito. Cada forma de vitiligo tem sua apresentação na pele de uma forma específica e o dermatologista habilitado deve avaliar cada caso para tratar cada forma de maneira correta.

Há tratamento para o vitiligo?

O tratamento do vitiligo irá depender do tipo e também do período em que o diagnóstico é feito: quanto mais precoce o tratamento, melhor a capacidade da pele de recuperação das manchas. Entretanto, o tratamento é crônico, pois ainda não há cura para a doença. O tratamento inclui medicações locais, medicações orais, fototerapia; imunobiológicos estão em estudo, que são medicações mais especificas. Outras terapias, como laser e cirurgias, raramente são indicadas.

O dermatologista habilitado deve fazer o diagnóstico e o tratamento adequado, inclusive na pesquisa de outras doenças autoimunes, como doenças da tireoide.

Não tomar sol. Os protetores solares de alta coberturas são obrigatórios, pois protegem áreas mais predispostas a queimaduras e câncer de pele.

Qual o impacto do vitiligo no portador dessa doença?

O vitiligo é uma doença benigna, porém autoimune, por isso deve ser acompanhado, uma vez que traz um impacto social e emocional frequentemente importante. Dessa maneira, cabe ao dermatologista avaliar cada caso para indicação de suporte com terapias e até medicamentos.

 

Relatora:
Selma M. F. Hélène
Presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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Uso de esteroides anabolizantes e similares na adolescência* https://spsp.org.br/uso-de-esteroides-anabolizantes-e-similares-na-adolescencia/ Wed, 14 Dec 2022 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35842 Na sociedade atual existe um apelo muito grande pela aparência física. Tal fato é estimulado pelas mídias e redes sociais, onde o corpo perfeito é almejado. A adolescência é uma fase de transição]]>

Na sociedade atual existe um apelo muito grande pela aparência física. Tal fato é estimulado pelas mídias e redes sociais, onde o corpo perfeito é almejado. A adolescência é uma fase de transição em que o desenvolvimento final corporal ainda não está estabelecido. Toda ação hormonal exógena nesta fase pode ter consequências momentâneas e futuras, atingindo meninos e meninas.

Entre os meninos, cultua-se como perfeito um corpo musculoso e forte, não compatível com um adolescente em desenvolvimento e, muitas vezes, só obtido com o uso de anabolizantes. Entre as meninas o apelo para o uso de esteroides é menor, mas percebe-se também um progressivo aumento de busca pelo aumento da massa muscular. Para atingi-lo, muitas vezes a testosterona e seus derivados são usados indevidamente e com vários riscos à saúde. O uso entre aqueles que desejam melhorar a aparência e o condicionamento físico tornou- se uma verdadeira epidemia mundial e deve ser considerado um grande problema social e de saúde.

A testosterona é o hormônio responsável pelo desenvolvimento de características sexuais masculinas. Os esteroides anabolizantes e similares (EAS) foram criados através da modificação da molécula de testosterona na tentativa de ampliar seus efeitos anabolizantes e reduzir seus efeitos virilizantes.

A reposição terapêutica de testosterona tem seu uso na medicina, sendo indicada em situações de deficiência diagnosticada em homens e no cuidado à pessoa com incongruência de gênero ou transgênero. Nestes casos existem doses e formas de tratamento já padronizadas, mas o seu uso de forma inadvertida traz inúmeras preocupações dos especialistas com relação à segurança a longo prazo. O uso dessas substâncias para fins de ganho de desempenho no esporte amador, para fins estéticos ou como agentes antienvelhecimento é desprovido de qualquer base científica, sendo acompanhado de riscos bem descritos na literatura, justificando a proibição de seu uso nestes casos pelo Conselho Federal de Medicina, através da Resolução nº 1999/2012. O uso dos EAS por atletas de competição é proibido pelo Comitê Olímpico Internacional desde a década de 1970.

Adolescentes estudantes do ensino médio representam um grupo de risco altamente vulnerável para o uso de EAS e, portanto, devem ser o principal alvo de programas educativos e preventivos. Estudos nos EUA mostram que os meninos têm uma prevalência de uso de 3,8% entre aqueles com peso correto, a até 11,9% a 12,6% entre os que se consideravam muito acima ou abaixo do peso.

O culto atual ao “corpo perfeito” estimula o uso de EAS, independentemente de sexo, idade e condição cultural e social. Os vários riscos resultantes da abusiva aplicação sem indicação médica (off label) e antiética desses agentes são desconsiderados, em prol de um mercado extremamente lucrativo, irregular e definitivamente não seguro. A dependência de EAS pode atingir cifras de até́ 57,1% dos usuários, e é muito mais frequente neste grupo o abuso de outras substâncias, como álcool, nicotina e cocaína, assim como a prevalência de hepatite B, hepatite C e infecções pelo HIV.

Os efeitos adversos da testosterona normalmente são leves e facilmente tratáveis nas doses terapêuticas prescritas em tratamentos médicos, mas nos casos de abusos e utilização off label da testosterona e EAS, esses efeitos adversos podem ser severos, irreversíveis e potencialmente fatais, uma vez que são usadas doses 5-15 vezes maiores que as doses clínicas preconizadas, muitas vezes em preparações manipuladas sem qualquer controle sanitário e até́ mesmo indicadas para uso veterinário.

Os usuários de EAS acreditam que podem evitar tais efeitos colaterais indesejados e para isso acabam utilizando outras drogas e realizando tratamentos sem comprovação científica, o que pode maximizar os efeitos das drogas e riscos.

Os efeitos colaterais do abuso com EAS incluem falta de produção do hormônio masculino pelo testículo, infertilidade, ginecomastia, acne, calvície, lesão no fígado, perturbações psiquiátricas (comportamento agressivo e suicida, depressão, risco de crimes aumentado), dependência, abscessos cutâneos e musculares e lesões ortopédicas. Nas mulheres, além de vários desses eventos adversos, são comuns as manifestações de hiperandrogenismo, que incluem excesso de pelos, engrossamento da voz, aumento do clitóris e queda de cabelo. No sistema nervoso central ocorrem mudanças que facilitam o desenvolvimento de comportamentos de dependência de drogas. No coração, o abuso prolongado de doses altas dos anabolizantes pode levar à alteração na fibra cardíaca, com hipertensão e disfunção, que podem gerar arritmias e morte súbita. Além disso, promove outros efeitos deletérios, como elevação dos níveis de colesterol e alterações na coagulação, que resultam numa taxa de mortalidade por problemas cardiovasculares três vezes maior entre os usuários de EAS.

Os pais, assim como o médico pediatra, devem estar atentos para sinais de transtornos corporais em adolescentes, como aumento rápido da massa muscular, e mesmo para a intenção de uso de EAS nessa população, trabalhando educação e acolhimento. Uma equipe interdisciplinar, envolvendo especialistas médicos, da nutrição, da educação física e da psicologia, pode melhor abordar esse perfil de pacientes.

Programas educacionais com orientações sobre o risco devem ser estimulados para diminuir a intenção de uso e a taxa de primeiro uso. Esses programas educacionais precisam ser direcionados às salas de aula do ensino médio e aos cenários de práticas esportivas individuais e coletivas, amadoras e de alto rendimento, nessa faixa etária. O uso desses agentes pode até, muitas vezes, atingir o objetivo externo da aparência almejada, mas a um custo elevado para a saúde. Com certeza, os danos são maiores que os ganhos.

Saiba mais:

*Este texto tem como referência o posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) a respeito do uso de esteroides anabolizantes e similares (EAS) para fins estéticos ou para ganho de desempenho esportivo.


Relatores:
Jesselina Francisco dos Santos Haber
Membro do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

Clayton Luiz Dornelles Macedo
Presidente da Comissão de Endocrinologia do Exercício e Esporte da SBEM

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