Coronavírus – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 12 May 2021 17:25:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Coronavírus – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Vacina e escolas – expectativa que estejam juntas https://spsp.org.br/vacina-e-escolas-expectativa-que-estejam-juntas/ Tue, 23 Mar 2021 14:04:45 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=27871 Pais e professores têm vivido um dilema que parece não ter fim nessa pandemia de covid-19, quando nos referimos às crianças com deficiência. Algumas crianças com deficiência podem ter questões comportamentais e saúde. ]]>

Pais e professores têm vivido um dilema que parece não ter fim nessa pandemia de covid-19, principalmente quando nos referimos às crianças com deficiência.

Por um lado, algumas crianças com deficiência podem ter questões comportamentais e/ou de saúde que as colocam em maior risco de adquirir essa infecção, ou ainda, uma evolução mais grave caso desenvolvam a doença de forma sintomática.

Isso se explica pela dificuldade, em alguns casos, sobre o entendimento das medidas de proteção (uso de máscaras, manter o distanciamento ou fazer a higiene frequente das mãos), pela maior dependência de terceiros (contato com maior número de pessoas, sejam familiares ou cuidadores), ou ainda, que precisem do uso de objetos que possam levar a um maior risco de contaminação (uso de cadeira de rodas ou andadores, por exemplo).

Em relação à saúde, consideramos que algumas dessas crianças possam apresentar certa desregulação em seu sistema imune e outras condições que as colocam numa situação de maior gravidade, caso sejam infectadas (doenças pulmonares, obesidade, e cardiopatias descompensadas, por exemplo).

Por outro lado, o aprendizado “cara a cara” com o professor, utilizando as estratégias que cada criança necessita, o brincar com seus pares nesse ambiente inclusivo (mesmo com as regras necessárias) e esse retorno a algo que remete à rotina, melhora a ansiedade, traz felicidade e certamente, contribui para um melhor desenvolvimento global. As aulas online têm sido um desafio para a maioria das crianças, seus pais e professores, que se esforçam todos os dias. O lado bom desse desafio é que a educação também está passando por mudanças, descobrindo diferentes estratégias para construir conteúdos e novas maneiras de ensinar e aprender.

Portanto, dentro desse dilema, o pediatra pode ajudar na orientação da família em relação a volta à escola, pesando os prós e os contras, considerando a singularidade de cada criança. Precisamos agir com empatia e acolhimento diante de tantas incertezas, medos e todas as inseguranças que estamos vivendo.

E aí vem aquela esperança que as vacinas cheguem logo para todos, incluindo as crianças! E quando falamos em vacinas para as pessoas com deficiência, devemos lembrar que é importantíssimo vacinar também seus familiares e cuidadores, e isso precisa estar nos planos nacionais de imunização.

As vacinas utilizadas até agora no Brasil e nos mais diversos países têm se mostrado seguras e uma ferramenta poderosa contra a covid-19. Então, quem já está elegível para receber a vacina, corre lá para um posto de vacinação!

É de extrema importância que os fabricantes e institutos de pesquisa incluam o quanto antes as crianças de todas as idades nos ensaios clínicos. Assim, teremos uma vacinação mais generalizada, que protegerá toda a comunidade, incluindo a população mais vulnerável e, entre elas, as crianças com deficiência.

Os pediatras terão um papel fundamental quando essas vacinas estiverem disponíveis, pois são os grandes incentivadores da vacinação e os orientadores dessas famílias. Vacina e escola: não tem combinação mais desejada!

___
Relatora:
Ana Claudia Brandão
Coordenadora do Núcleo de Estudo sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: zgel | depositphotos.com

]]>
O que mudou na pandemia? https://spsp.org.br/o-que-mudou-na-pandemia/ Tue, 02 Feb 2021 20:32:05 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3583 O texto anterior, publicado em 17 de março de 2020, tem trechos destacados em itálico e entre aspas e o texto atual está em negrito.

Assim começava o texto publicado no BLOG em março de 2020:

Coronavírus: sem pânico, com responsabilidade.

“Parece estranho esse título? Nem tanto”.
Passamos, no momento, por uma situação desconhecida ou já esquecida por grande parte dos brasileiros (última em 2009 – H1N1): PANDEMIA.
Quase um ano depois, com mais conhecimento, muitos estudos, muito progresso da ciência (e da “anticiência”, mais conhecida como fake news), sim, tivemos mudanças. Mas, com certeza, a imensa maioria delas não representa o que todos imaginavam.

No momento, os países mais afetados com novos casos são a Itália (cerca de 3.500), Espanha (1.500), Irã (1.365), França (830) e Alemanha (735)”.
Esses números também mudaram muito desde então, e de forma incontestável:
Com quase 103 milhões de casos e mais de 2.2 milhões de mortes no mundo, o Brasil agora ocupa o 3º lugar nas estatísticas mundiais de COVID-19 (perto de 9.3 milhões) e o 2º na contagem de óbitos (225 mil).
Apesar de incansáveis pesquisas, tentativas de evitar a disseminação do vírus (lockdown, fronteiras fechadas, distanciamento social), os números são implacáveis. E se antes alguns imaginavam que a pandemia fosse uma “nuvem passageira”, agora estamos todos no “olho do furacão”.

nghi nguyen | pixabay.com

Por ser um coronavírus novo (há outros que já circulam entre nós, mas sem as mesmas características), ninguém está naturalmente protegido contra ele e não existem nem vacinas e nenhum tratamento milagroso que aumente a imunidade geral ou específica em relação ao vírus”.
Agora, presenciamos o aparecimento de mutações do SARS-Cov-2, que se espalham com velocidade maior e, no mínimo, mantém o nível de letalidade, trazendo, a cada dia, mais leitos de UTI ocupados no Brasil, esgotando recursos materiais (até o oxigênio na Amazônia), logísticos (leitos em hospitais) e humanos (muitos trabalhadores da saúde perdendo suas vidas).

Não. Não existe soro preparado que aumente a imunidade contra o vírus.
Não. Não existem nem preparados vitamínicos ou dieta específica contra o vírus.
Não. Não existe nenhum tratamento homeopático ou fitoterápico contra o vírus.”
A isso, poderíamos acrescentar:
Não. Não existe nenhum tratamento medicamentoso preventivo ou curativo comprovado por estudos até hoje contra o vírus.

Existem, nas redes sociais e na internet, “estudos” que mostram a ação de determinadas drogas e substâncias na prevenção da COVID-19. E, infelizmente, além da população que recorre à internet em busca não filtrada de informações, há profissionais de saúde que ainda acreditam nesses “estudos”, constantemente desmentidos pela comunidade científica nacional e internacional. 

Quem não gostaria que isso fosse verdade? Quem não gostaria que fosse apenas tomar essas substâncias e não aconteceria a transmissão incontrolável do vírus que tirou a vida de familiares, amigos e até de quem usou esses “tratamentos milagrosos” na esperança de vida?

Agora, ainda pela ação da ciência, da questionada ciência, parece haver luz no final do túnel com as vacinas, que passaram por todas as fases de estudos necessárias para serem liberadas. Quem, em sã consciência, pode sequer supor que cientistas e instituições liberariam um tratamento, qualquer que seja ele, nesse momento, sem a eficácia e a segurança exigidas? Para falarmos só no Brasil, quem pode questionar a idoneidade do Instituto Butantan e da FIOCRUZ?

A vacina é o maior avanço contra o coronavírus que começamos a ter em mãos. Mas isso está longe de significar que os vacinados podem sair sem proteção adequada. Ainda não há estoque de vacinas suficiente para todos e a previsão é de que o país seja imunizado, de forma satisfatória, apenas perto do final desse ano. Existe uma programação de vacinação e uma razão para isso (uma “fila”?). Não é educado, ético ou adequado “furar essa fila”. Sem a proteção de todos, a proteção individual é incompleta e não necessariamente eficaz.

O que funciona é INFORMAÇÃO AÇÃO.
O que funciona é PREVENÇÃO e (o nome do momento) CONTENÇÃO.
O que funciona é RESPONSABILIDADE e SOLIDARIEDADE.
Isso não mudou. Isso não vai mudar nunca.

E para concluir:
Não. Coronavírus não é um simples resfriado ou uma gripe.
Não. Coronavírus não é uma manobra política ou econômica.
Não. Coronavírus não é uma invenção da mídia.
Coronavírus existe, se espalha e pode matar.
As recomendações de contenção orientadas pelas sociedades (Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Infectologia, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e órgãos oficiais (OMS e o nosso Sistema Único de Saúde) devem ser seguidas à risca: lavar as mãos, não beijar, não apertar as mãos, não abraçar, usar de álcool gel e tomar providências muito importantes como: lavar mais ainda as mãos, não sair correndo para estocar alimentos e evitar pânico e alarmismo.
Aqui vale acrescentar o uso de máscaras, que na época não tinha se mostrado ainda uma medida fundamental de segurança.

Quanto mais cedo nos distanciarmos fisicamente, mais cedo poderemos nos abraçar.
A cada mês que passa estamos mais distantes do começo da pandemia. O final dela depende da ciência, depende de cada um de nós, depende de todos nós. Somos todos pela vida.

Não é só sobre não ficar doente. É sobre querer que ninguém fique também.

___
Relator:
Yechiel Moises Chencinski
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Aniversário de 30 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) https://spsp.org.br/aniversario-de-30-anos-do-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-eca/ Thu, 20 Aug 2020 20:15:23 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3367 O ECA completou 30 anos em 13/07/2020. Trata-se da Lei 8.069/1990, a partir do artigo 227 da Constituição Federal e representou para nós, brasileiros, um marco jurídico na proteção integral da infância e da adolescência. Se você quiser ler a versão atual do ECA, lançada em 2019, clique aqui.

Foi necessário o ECA ser elaborado e promulgado para que as crianças e adolescentes passassem a ser reconhecidos como cidadãos de direitos e deveres, sendo obrigação da família, da sociedade e do Estado assegurar estes direitos de cidadania, o que não ocorreu somente no Brasil.

rawpixel | depositphotos.com

O ECA é considerado internacionalmente como instrumento legislativo de vanguarda, de referência para outros países e um “divisor de águas” para a proteção da infância e da adolescência. Fundamentou-se nas Declarações Universais dos Direitos Humanos (1948) e da Criança (1959) e reflete o conteúdo da Convenção dos Direitos da Criança da ONU (promulgada pelo Brasil em 1990).

A Convenção dos Direitos da Criança é o tratado de direitos humanos mais validado e legitimado da história da humanidade – por 196 países (destaca-se que os Estados Unidos não a subscreveu) – e que vem ajudando muito a transformar a vida das crianças e dos adolescentes em todo o mundo, segundo o UNICEF. Para conhecer a Convenção sobre os Direitos da Criança, saber quais são esses direitos e os 54 artigos da Convenção, clique aqui.

E não podemos tratar dos direitos das crianças e adolescentes sem nos referirmos às violências e agressões que sofrem. Em 2017, segundo o UNICEF, três em cada quatro crianças de 2 a 4 anos no mundo (cerca de 300 milhões) eram regularmente submetidas à disciplina violenta (punição física e/ou agressão psicológica) por seus pais ou outros cuidadores em casa.

No Brasil, ainda hoje, muitas vidas são interrompidas por causas externas de mortalidade (acidentes e violências – não intencionais e intencionais), que desde 2002 representam a primeira causa de morte a partir de 1 ano de vida e determinam a cada ano a morte de cerca de 23.000 menores de 19 anos, sendo que a maioria poderia ter sido evitada.

A situação durante a pandemia

Com a pandemia mundial causada pelo novo coronavírus, na situação que vivemos há mais de 5 meses de confinamento, o que está acontecendo? A violação dos direitos das nossas crianças e adolescentes, com acréscimo significativo de vítimas de violência física, sexual, negligência e psicológica.

A ONG World Vision estima que, desde o início da quarentena, poderá ocorrer um acréscimo de até 85 milhões de crianças e adolescentes (entre 2 e 17 anos) ao 1 bilhão que já estão expostos à violência. Este número representa um aumento que pode alcançar até 32% da média anual das estatísticas oficiais. O confinamento em casa, essencial para conter a pandemia da Covid-19, expõe essa população a uma maior incidência de violência doméstica. 

Este levantamento incluiu o aumento de relatos, do número de denúncias por telefone, de informações de escritórios de campo e de estimativas baseadas em epidemias anteriores. No caso do Brasil, a projeção é de um aumento de 18% de denúncias de violência doméstica. Acesse o estudo aqui.

Voltando à Convenção dos Direitos da Criança da ONU, sabe-se que, desde 1990, a vida das crianças e adolescentes no mundo se transformou: houve redução de mais de 50% nas mortes de menores de 5 anos e a desnutrição caiu quase pela metade. No entanto, milhões ainda são deixados para trás: 262 milhões de crianças e adolescentes ainda estão fora da escola e 650 milhões de meninas e mulheres se casaram antes de completar 18 anos, segundo dados d UNICEF. Mas com a tragédia do novo coronavírus que se impôs ao mundo em 2020, o que podemos esperar desses indicadores? 

Temos conseguido avanços significativos na identificação do fenômeno das violências, abusos e agressões e por meio de legislação protetora, mas os números continuam muito altos.

Por fim, temos muito a comemorar com os 30 anos do ECA, considerada por muitos a idade na qual a maioria das pessoas se tornam adultas! Mas temos muito a avançar em defesa dos direitos de nossas crianças e adolescentes, garantindo a proteção e os cuidados em todas as fases de seu crescimento e desenvolvimento, por toda a sociedade.

___
Relatora:
Renata D. Waksman
Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Núcleo de Estudos da Violência contra Crianças e Adolescentes da SPSP



]]>
Retomada segura das escolas https://spsp.org.br/retomada-segura-das-escolas/ Fri, 24 Jul 2020 15:36:32 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3325 Alguns países, confiando em dados encorajadores, embora escassos, começaram em abril a reabrir as escolas: a Dinamarca foi o primeiro, a partir do dia 15, seguida de outros países europeus, Austrália e Canadá ainda em maio.
Na China, a abertura das escolas aconteceu quatro meses após o fechamento, começou pelos estudantes de ensino médio e depois se estendeu ao ensino infantil, fundamental e até superior.
Na França, uma semana após recomeçarem as aulas de forma gradual, começando pelas pré-escolas, ensino fundamental e depois ensino médio, 70 escolas precisaram ser novamente fechadas, devido ao surgimento de novos casos, envolvendo seus membros. Na Coreia do Sul, a volta às aulas começou pelo último ano do ensino médio (com alunos que farão vestibular este ano) e para os outros de forma gradual nas semanas seguintes, porém, poucos dias após a abertura, 200 instituições precisaram ser fechadas por terem surgido mais casos e mais medidas restritivas foram adotadas.


Em alguns destes países existe a norma de que, caso haja um caso confirmado na escola, o aluno infectado ficará afastado da instituição por até três dias após o desaparecimento dos sintomas e a turma dele ficará afastada 10 dias no total. 
Mas o que está claro é que a volta às aulas deve ser gradual em cada país e demanda planejamento, que passa por duas questões importantes: priorizar os mais novos (para os pais voltarem ao trabalho) e os jovens do ensino médio (por conta dos processos seletivos).
Em 10 de julho, o governo de Hong Kong ordenou o fechamento de todas as escolas a partir de 13/07, antecipando o início das férias de verão, por um “aumento exponencial” de casos locais de COVID-19.

ed zbarzhyvetsky | depositphotos.com

Recomendações importantes

Desinfecção de escolas: com medidas extras de limpeza, desinfecção antes e durante a permanência dos alunos, incluindo superfícies e equipamentos. Há até a recomendação (impossível!) de uso restrito de instalações sanitárias. 
Uso de máscaras: varia para cada país; na China, as crianças utilizam o tempo todo; em Israel, as crianças da 4ª série em diante têm que usar; enquanto na França, as crianças menores foram dispensadas do uso. A exceção é a Dinamarca, onde não se usa máscara em ambientes públicos. Lembrar que dispositivos tipo Face Shield são ineficazes em tempo de exposição moderado a longo.
Controle de temperatura: na China e na Coreia do Sul, os estudantes passam por checagem sistemática da temperatura corporal. Em Pequim, pulseiras inteligentes estão sendo testadas, para aferição em tempo real. Os pais monitoram por meio de aplicativo e, se a temperatura ultrapassar 37ºC, um alerta é enviado para os professores, que são orientados a comunicar a polícia.Cuidado deve ser tomado para evitar a discriminação dos alunos.
Horários diferentes de entrada e saída: Portugal, Finlândia e Israel organizaram os alunos em grupos, para terem horários de aula, intervalos, períodos de alimentação, entrada e saída diferentes entre si. Na Dinamarca, além do citado acima, diferentes portões são utilizados para que a entrada e saída dos grupos não coincidam. E o fluxo de alunos na escola deverá, se possível, ser contínuo.
Higienização das mãos: a lavagem das mãos é exigida em todos os países, em alguns a cada duas horas. Além disso, adotaram outras medidas, como: disponibilização de álcool em gel nas entradas, de antissépticos e desinfetantes, EPIs, sabonete líquido, toalhas de mão nos banheiros e máscaras cirúrgicas.
Grupos menores de alunos: alguns países, como Finlândia e Dinamarca, adotaram esta medida e as escolas de Seul poderão receber apenas um aluno a cada três, os demais terão que seguir com o ensino a distância.
Distanciamento: em geral, as salas de aula foram reorganizadas de maneira que as mesas dos alunos tenham pelo menos um metro de distância entre si (França e Dinamarca). Em Israel essa distância é de dois metros e na Dinamarca o professor deve ficar a dois metros do estudante que senta mais próximo dele. Na Coreia do Sul foram instaladas paredes acrílicas entre os estudantes e destes com os professores. Outras medidas são: fazer marcações no chão, cantinas e refeitórios fechados, almoço e merenda dentro da sala de aula com comida embalada.
Arejar as salas: manter as janelas abertas antes das aulas, durante o intervalo, depois da saída dos alunos e, quando possível, fazer as aulas em locais abertos e ambientes com ventilação natural.
Afastar professores do grupo de risco: em Israel, professores com mais de 65 anos não retomaram as atividades. 
Tendas de desinfecção na entrada: instaladas na China.
Ensino híbrido: com aulas presenciais e online alternadas para todos os estudantes.
Proibições: da entrada dos pais na escola, de reuniões de professores, de excursões e competições, de brinquedos trazidos de casa, do compartilhamento de objetos e de lanches.

E temos que pensar que:

• Vai ser muito difícil que crianças entre dois e cinco anos mantenham as máscaras em seu rosto o dia todo. Provavelmente vão removê-las, trocar de máscara com os coleguinhas, descobrir o nariz, tocar no rosto, mudar a máscara de posição e se contaminar neste processo. 
• Embora relativamente poupadas nesta pandemia, as crianças são possíveis vetores de disseminação para outras crianças e adultos, além de a propensão de colocar coisas na boca poder aumentar muito o risco de propagação da doença.
• O papel das crianças na pandemia ainda é desconhecido, mas as creches e escolas precisam considerar as necessidades dos pais que dependem dos cuidados infantis para poder trabalhar.
• O risco que correm os funcionários destas instituições? Ainda é desconhecido, mas a situação financeira deles não pode ser esquecida!
• O Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano publicou orientações em abril. Entre elas vale ressaltar: medir a temperatura das crianças todos os dias após a chegada (provavelmente enquanto os funcionários estão usando EPI), não usar brinquedos que não possam ser higienizados e maiores de dois anos devem usar máscara de pano. Algumas medidas são impossíveis de serem adotadas, como troca de luvas para medir a temperatura de cada criança na entrada.
• Como garantir que os cuidadores de crianças pequenas lavem os braços e mãos e troquem de roupa a cada vez que manipularem uma criança e tomarem uma cusparada, “babada”, tossida, espirrada, etc? 

Decidindo sobre a reabertura 

Segundo o “Vozes da Educação”, antes de tomar a decisão de reabrir as escolas, governos e gestores escolares, em conjunto, devem avaliar algumas questões essenciais, como: 

  1. O ensino presencial é essencial para aquela comunidade?
  2. Qual a disponibilidade e acessibilidade de ferramentas de qualidade de ensino a distância naquela comunidade?
  3. Por quanto tempo o ensino a distância será sustentável?
  4. Professores e demais profissionais da educação estão preparados para voltar a trabalhar presencialmente, acatando regras sanitárias, administrativas e pedagógicas?
  5. O fechamento das escolas aumentou a vulnerabilidade de alguns estudantes sofrerem violência doméstica e sexual?
  6. O fechamento das escolas comprometeu o fornecimento de serviços como saúde e alimentação?
  7. Como está o cenário de contaminação da região em que se localiza a escola?
  8. As escolas possuem capacidade (financeira, administrativa, logística) de adotar e manter as medidas de segurança necessárias para o combate ao vírus, como distanciamento social e reforço nos hábitos de higiene?

Essas análises podem ajudar os governos e os gestores a determinar quais devem reabrir, quais séries devem retornar primeiro e/ou se vai haver aulas todos os dias, por exemplo.
Aqui no Brasil, a necessidade de repensar a vida escolar a partir de agora deveria estar ancorada em várias questões:
As imensasdesigualdades sociais e de educação que vivemos muito antes da eclosão desta pandemia. 
• As funções da escola, de prover a única refeição decente diária de muitas crianças. Lembramos que para uma parcela significativa dos alunos a refeição na escola é a maior fonte de calorias e nutrientes.
• Alunos mais desfavorecidos são mais afetados: em casa sem acesso a computador, Internet e local para estudar, além da falta de saneamento básico e água encanada.
• Será que a escola está proporcionando a educação a distância (EAD) ideal para TODOS os alunos? O aprendizado está adequado? E na retomada, como será a avaliação do conteúdo passado durante a quarentena? 
• A ONG “Todos Pela Educação” tem feito debates para discutir a volta às aulas, sendo consenso geral que é preciso escutar os professores.
• A questão dos alunos com necessidades especiais: segundo o Instituto Rodrigo Mendes, aulas em vídeo na Internet são o caminho certo para a exclusão e neste modelo de ensino precisa-se identificar as barreiras para o aprendizado, promover acessibilidade, garantir a segurança e máscaras transparentes para os intérpretes de Libras.
Este momento pode ser aproveitado para a implantação da Educação em Saúde, como tema transversal no currículo, mas que raramente é abordado em sala de aula como deveria ser feito. Um caminho seria a aproximação de pediatras e profissionais da área da saúde com os pais e as equipes escolares.
Cabe a todos nós contribuir para que a retomada ocorra em segurança e que as escolas envolvam seus protagonistas principais: professores, alunos e suas famílias. Nesta situação na qual não se sabe quase nada a respeito deste vírus e seus riscos, vai ser muito difícil – mas não impossível – decidir sobre as melhores práticas para as instituições de educação.

Leia mais:

1- Vozes da Educação. Educação e coronavírus. Reabertura das Escolas. Parte 1. Disponível em: https://www.institutounibanco.org.br/wp-content/uploads/2020/05/Reabertura-das-escolas-Parte-1.pdf
2- Todos pela Educação. Nota técnica: o retorno às aulas presenciais no contexto da pandemia da COVID-19. Maio 2020. Disponível em: https://www.todospelaeducacao.org.br/_uploads/_posts/433.pdf?119411076
3- Instituto Rodrigo Mendes. Protocolos para educação inclusiva durante a pandemia da COVID-19. Um sobrevoo por 23 países e organismos internacionais. Disponível em: https://institutorodrigomendes.org.br/wp-content/uploads/2020/07/protocolos-educacao-inclusiva-durante-pandemia.pdf
4- Graziela Balardim. Retomada das aulas no mundo: veja as medidas que estão sendo tomadas pelas escolas que já reabriram em outros países. Disponível em: https://www.clipescola.com/retomada-das-aulas-no-mundo/

___
Relatores:
Renata D. Waksman
Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Departamento de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Fausto Flor Carvalho
Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Sabe quais são as semelhanças entre a pandemia do coronavírus e a endemia das drogas? https://spsp.org.br/sabe-quais-sao-as-semelhancas-entre-a-pandemia-do-coronavirus-e-a-endemia-das-drogas/ Fri, 24 Jul 2020 14:40:22 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3319 Observando como as pessoas estão tratando o problema da COVID-19, achei muitas semelhanças com a luta contra as drogas lícitas (álcool e tabaco) e ilícitas também.

1.  Muitos não acreditam que há realmente uma doença que está matando muitos no mundo todo, apesar de o Brasil ser responsável por aproximadamente 13% das mortes mundiais. A semelhança é que muitos não acreditam que as drogas também são responsáveis por destruição de vidas no Brasil e no mundo e se entregam a elas com muita facilidade.

2. Ainda se vê muita gente sem máscaras e nem um pouco preocupada com o distanciamento entre as pessoas, vide a abertura dos bares no Rio de Janeiro. A semelhança é que também se vê uso de drogas recreacionais, esporádicas, aos finais de semana, aumentando a chance de se ter dependência, partindo para o uso nocivo.

ridofranz | depositphotos.com

3.  A COVID-19 abre portas para as doenças crônicas matarem o indivíduo (hipertensão, diabetes, asma) e as drogas lícitas abrem portas para as drogas ilícitas.

4. Presenciei, no início da implantação da Lei ambiente fechado livre do tabaco (2009), uma gestante pedir para o senhor da mesa do lado apagar o cigarro e ele não o fez, ela saiu do restaurante e ele fez questão de apagar o seu cigarro no café que ela havia deixado na mesa, como ato de agressão. Para me afastar de uma conhecida que estava andando sem máscara, eu atravessei a rua e fui para a calçada em frente, ela me respondeu: “eu não mordo!” e eu pensei: “não morde, mas transmite vírus”. As pessoas não pensam nesta possibilidade.

5. Obviamente, muitos não vão se prevenir adequadamente, não vão se infectar ou terão a forma leve da doença e vão achar que tudo era besteira, esquecendo-se do número de doentes e mortos que tivemos. A semelhança com as drogas é que muitos vão usá-las e vão sentir prazer, esquecendo-se daqueles que se tornarão alcoólatras, que desenvolverão surtos psicóticos, ficarão esquizofrênicos ou serão “mortos vivos”.

6. Sabemos que enquanto não tivermos pelo menos uma vacina, a prevenção é a única saída. Com a droga a prevenção é a primeira saída, já que poucos conseguem largá-la sem ter consequências e sequelas.

O aconselhamento breve, um bate papo frequente de orientação são as máscaras e isolamento contra a droga. Gastemos tempo com nossas famílias, pois esta é a vacina para a prevenção das drogas. Não menosprezem o poder viciante delas, inclusive das drogas lícitas e da maconha, que pode causar lesões cerebrais irreversíveis. Mudem seus hábitos, diminuam o consumo de bebida alcoólica em sua casa, parem de fumar e deem o exemplo.

A COVID-19 vai passar, mas a questão de álcool e outras drogas vai continuar destruindo lares. Pensemos nisto com carinho. A prioridade atual é esta pandemia, mas há outras questões também, que não podem ser esquecidas.

Quer ajudar na prevenção do uso e consumo de álcool e outras drogas?  Acesse o site www.drbarto.com.br.

Ali está o que você pode fazer. Um grande abraço a todos.

___
Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Coordenador do Grupo de Trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) chora em apelo contra a COVID-19: “Por que é tão difícil para os humanos se unirem?” https://spsp.org.br/diretor-da-organizacao-mundial-da-saude-oms-chora-em-apelo-contra-a-covid-19-por-que-e-tao-dificil-para-os-humanos-se-unirem/ Tue, 21 Jul 2020 12:54:26 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3311 Com 12 milhões de pessoas contaminadas pela COVID-19 e 550 mil mortos no planeta até o dia 9 de julho, o diretor da OMS fez um apelo emocionado ao mundo.  Tedros Adhanom Ghebreyesus chorou por estar vivendo um estresse muito grande. A pandemia do novo coronavírus segue fora de controle e, em prantos, pediu unidade para a humanidade, dias depois de os Estados Unidos entrarem com pedido formal de saída da OMS: “A grande ameaça que enfrentamos agora não é o vírus em si, mas a ameaça é a falta de liderança e solidariedade em níveis globais e nacionais”.
Em um discurso emotivo, Tedros Adhanom declarou: “Esta é uma tragédia que está nos fazendo sentir falta de nossos amigos que estão morrendo. E não podemos enfrentar essa pandemia com um mundo dividido”.
O mesmo acontece com as drogas. É um tema frequente, mas as pessoas acabam se acostumando com ele, que passa a ser considerado normal.

michal jarmoluk | pixabay

Tedros Adhanom indagou em seu discurso: “Por que é tão difícil para os humanos se unirem, para lutar contra um inimigo comum?” A pandemia “é uma prova de solidariedade e liderança global” e voltou a pedir a unidade de todos os países. “Isso está matando pessoas de forma indiscriminada. Não podemos ser capazes de identificar um inimigo comum? Não podemos entender que as divisões ou separações entre nós são realmente vantajosas para o vírus? A única maneira é estarmos juntos.”
Além do novo coronavírus, temos o problema das drogas, que é endêmico no Brasil. Vi pessoas chorarem a perda de entes queridos e há um em especial que vai ficar guardado na memória para sempre: jovem de 21 anos saiu de casa terça-feira à noite para colocar gasolina e não retornou. A comunidade o procurou por três dias e só foi encontrá-lo na sexta-feira num necrotério com um tiro na cabeça. Vi o pai deste garoto enterrá-lo no sábado e pregar no domingo em sua Igreja – era o presbítero. Ele disse que continuaria sua peregrinação na terra que era divulgar a palavra de Deus, pois o que faltou para os assassinos de seu filho era o que ele pregava.
Muitas pessoas choram, porque seus parentes estão na Cracolândia de um lado para outro, outros choram de tristeza quando nos procuram, pois o filho está preso ou em surto psicótico e outros também choram, mas de alegria, porque conseguem largar as drogas, quer seja o tabaco, quer seja a cocaína ou o álcool, pois o esforço é muito grande.
O choro de Adhanom ocorreu no momento em que os EUA anunciaram abandonar a OMS. Nosso choro acontece no momento em que o combate às drogas perde espaço para a pandemia e é um pouco esquecido nos noticiários, mas continua contaminando os nossos jovens. Choramos por isso, mas não desistimos de combatê-lo.

Cinco itens são fundamentais para evitarmos estes problemas:

1. Família estar unida e com limites. Limites estão em extinção na humanidade.
2. Ter Espiritualidade é um dos fatores que evita a iniciação precoce do uso de drogas. Não importa qual, mas tem relação com o propósito e sentido para a vida.
3. Manter atividades culturais e esportivas, aliadas a um controle familiar de horário e cobranças foi o que fez diminuir a iniciação no uso de álcool e drogas da juventude na Islândia, projeto este copiado por 20 países.
4. Ter atividades sociais: é muito importante a família ter pelo menos um projeto social e inserir seus filhos. A vida não é só balada. A ajuda ao próximo, principalmente nos dias de hoje, é fundamental.
5. Cultivar boas amizades: onde está seu filho, com quem e fazendo o quê?

Acesse e consulte material a respeito destes assuntos:

___
Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Coordenador do Grupo de Trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Como falar com as crianças sobre o coronavírus? https://spsp.org.br/como-falar-com-as-criancas-sobre-o-coronavirus/ Mon, 06 Jul 2020 20:40:46 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3299 Em tempos de pandemia, são levantadas muitas questões sobre o que dizer ou não a uma criança acerca da Covid-19. É natural que surjam dúvidas e ansiedades sobre como abordar um capítulo tão triste da história, o qual não poderemos propositalmente “pular”, tal como fazemos quando queremos proteger os filhos de algo cruel como uma notícia da TV. Afinal, as restrições ao convívio social e até mesmo o comprometimento da saúde de amigos e parentes atingiram diretamente nossas crianças, tornando o assunto incontornável.
Pensei ser interessante contextualizar que os jovens dessa pandemia nasceram em um mundo em que ser feliz e ter qualidade de vida são imperativos que se aplicam à tarefa de tornar os filhos felizes, a qual muitos pais confundem com não frustrar as crianças e elas não aprenderem a tolerar frustrações, como se elas não pudessem suportar contrariedades e percalços inerentes à vida de qualquer ser humano.

petrograd99 | depositphotos.com


Desde a primeira semana de confinamento da pandemia, foi frequente ouvir nos grupos de WhatsApp de mães e pais de escolas particulares de São Paulo sobre a preocupação a respeito de como ficariam as aulas e o conteúdo que as crianças teriam que cumprir neste ano. Críticas à escola, discussões, ameaças de cancelamentos de matrícula, tudo isso na primeira semana. Quem protegeria as crianças de terem qualquer perda? Quem poderia salvar o ano letivo? De fato, se pensarmos na agenda lotada dessas crianças, parar parece uma tragédia, quase um crime.

Qual o impacto emocional para as crianças?

É evidente que toda essa situação preocupa muito e merece reflexão, porém tão importante quanto o comprometimento da normalidade do dia a dia escolar, é pensar em como essas crianças entenderão a gravidade do que acontece no mundo neste exato momento. Quais impactos emocionais estariam sentindo em suas vidas? Ouvindo os pais em desespero com questões escolares, eu me perguntava se a grande angústia deles, na verdade, não seria a de não poderem suportar esse acidente de percurso nos maiores planos que fizeram aos filhos? Ou por estarem extremamente preocupados com o que farão com seus filhos em casa? Ou ainda suportar lidar com o fato de que agora estamos todos sendo frustrados e mergulhados em uma situação de bastante descontrole que não sabemos como terminará? Esse último elemento que agrega imensa angústia a qualquer um de nós.
Na última semana, ouvi de uma paciente, preocupada a esse respeito e que perguntou ao filho, se ele pudesse estar em qualquer lugar do mundo, onde seria? Ficou tocada com a resposta: “No recreio da minha escola, com meus amigos”. A colocação desse menino me fez pensar que a grande perda para as crianças talvez seja a ausência do outro, do amigo, do abraço, da corrida no pátio, de jogar bola no recreio, da liberdade.
Ainda que a condição mais favorável das classes média e média alta permita aos pais proteger os filhos de boa parte dos sofrimentos derivados da vulnerabilidade econômica e social, invariavelmente sempre existirão dois incontornáveis inimigos: a doença e a morte. São vilões democráticos e que na pandemia chegaram sem pedir licença, atingindo todos os países do mundo de uma única vez. Essa é a notícia que teremos que dar aos nossos filhos e pacientes: estamos diante de algo imponderável, que não poderá ser censurado ou esquecido de forma deliberada, para que todos sigamos sem perdas, como se nada tivesse acontecido.

Esteja atento aos sinais de angústia e necessida de conversar

Se antigamente os velórios eram realizados em casa e as crianças eram parte do cenário inevitável e natural da morte, hoje muitas crianças só entram em contato com ela mais tarde na vida. O fato é que a pandemia chegou e subverterá justamente a forma como morremos e lidamos com a morte. É impossível poupar os jovens de tais notícias. Por outro lado, temos em nossas mãos uma grande oportunidade de observar como cada criança lidará com essa nova realidade. Será importante estarmos atentos aos sinais de angústia, aos sintomas e a necessidade de falar sobre a morte e a doença, que surgirão de qualquer forma, dependendo da faixa etária. Em crianças pequenas, por exemplo, a angústia em seu entorno, característica desse período, pode produzir retrocessos em habilidades consolidadas, como, por exemplo, voltar a fazer xixi na cama e pedir a mamadeira, fatos que podem ser a expressão de toda tensão familiar.
Nesse período, podem aparecer também angústias difusas e escamoteadas e que ganham outras facetas, outros nomes: o medo de ficar sozinho, a necessidade de ficar colado ao pai e/ou a mãe o dia todo, pavor em sair na rua, medo de dormir sozinho, são exemplos que qualquer profissional que cuida de crianças escuta cotidianamente, mas que nas últimas semanas vêm se intensificando. Nesse momento, penso ser importante não silenciar ou distrair as crianças e os jovens, mas ter a coragem e dignidade de atravessar com eles período tão triste.

Na hora de conversar, considere a idade da criança

Evidente que cada criança, dependendo de sua idade, deve ser exposta às notícias de acordo com a possibilidade de compreensão e elaboração da angústia. Com crianças bem pequenas não devemos apresentar as agruras da pandemia, como caixões em fila ou coisas do tipo, e mesmo com as mais velhas devemos preservar certas imagens e situações. Por outro lado, diante das constatações e perguntas das crianças mais velhas sobre desfechos piores, não devemos nos esquivar em dar esse triste dado de realidade. Essa será uma ocasião para mostrarmos a elas como lidar com tanta dor e incerteza e manter a esperança, tarefa que será individual e intransferível. Lidar com tais angústias precocemente nos parece cruel, porém essa experiência pode se traduzir em importante ferramenta para o enfrentamento da frustração e da adversidade. Teremos a oportunidade de refletir sobre como a felicidade é uma aspiração que, em qualquer biografia, estará mesclada à dor e ao sofrimento, que tudo isso faz parte da vida, que capítulos tristes, tal como nas histórias infantis, podem ser parte de uma vida feliz e, que a tristeza e a alegria coexistem o tempo todo. Tirar lições e conclusões sobre os impactos dessa pandemia é impossível, pois ela ainda está viva e faz parte do nosso presente. O que sabemos por ora é que ela nos trouxe medo extremo, uma impotência maior ainda e uma incerteza que por alguns momentos parece engolir toda esperança. Ora, se não sabemos como lidar com todos esses sentimentos e fatos, talvez seja melhor usarmos esse tempo para refletir, observar, aprender, ao invés de, como seres pós-modernos que somos, sairmos concluindo ou cobrando coisas, seja da escola, de nossos filhos e até de nós mesmos. Graças à pandemia, ganhamos uma oportunidade sem precedentes na história recente de ficarmos juntos dos nossos filhos por longos períodos, suportando dividir a dor, o receio, o tédio e os momentos de alegria. Nossas crianças conhecerão novos capítulos felizes se soubermos aguardar, refletir, suportar a angústia, conversar e preservar nossos vínculos solidários. A grande questão é: essas são tarefas árduas para todos nós, seres individualistas e acostumados à velocidade da luz e à felicidade ao alcance de uma curtida.

___
Relator
Dra. Flavia Schimith Escrivão
Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Volta às aulas: orientações práticas para a vida escolar no “novo normal” https://spsp.org.br/volta-as-aulas-orientacoes-praticas-para-a-vida-escolar-no-novo-normal/ Wed, 01 Jul 2020 14:36:51 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3295 Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 01/07/2020

Como praticamente todos os aspectos da vida cotidiana, a vida escolar de nossas crianças foi afetada com a pandemia da COVID-19. Subitamente, as aulas foram suspensas, as férias antecipadas em alguns casos e a retomada dos estudos por meio remoto através da tecnologia. Pais e filhos passaram a conviver em um ambiente único, com a casa se tornando local não apenas de trabalho, o chamado home office, mas também de aprendizagem e estudo.

O papel do professor, tão desvalorizado em nossa sociedade, foi, aos poucos, sendo reconhecido pela maioria dos pais, ao estudarem com seus filhos e perceberem a dificuldade da transmissão do saber e do conhecimento, especialmente a esta geração tão bombardeada com estímulos. Limites precisaram ser colocados e, em muitos casos, houve aumento da ansiedade e conflitos relacionais.

igor vetushko | depositphotos.com

Neste contexto, como pensar sobre a volta às aulas? Quais os cuidados que devemos tomar? Como será o papel da escola e do professor neste momento chamado de “novo normal”?

Devemos analisar os aspectos pedagógicos, psicológicos, sociais e sanitários do retorno às aulas. Muitas são as dúvidas e nem todas as respostas estão claras ainda. Mas vamos procurar trazer algumas orientações.

Quanto aos aspectos pedagógicos, é importante centralizar esforços em celebrar a resiliência dos alunos, buscando integrar as diversas situações vividas e, através da discussão das práticas adotadas no ensino a distância, procurar equilibrar os alunos de modo mais homogêneo, sem descaracterizar a individualidade de cada aluno. É um momento muito oportuno para que os pais se aproximem da escola e conheçam melhor o conteúdo, a forma de ensino, as metas, o relacionamento da criança e do adolescente com a equipe escolar. Será fundamental repensar os espaços pedagógicos e redefinir as prioridades na retomada da vida escolar. Lembrem-se: todo mundo foi afetado pela pandemia!

Em relação aos aspectos psicológicos, teremos várias crianças e adolescentes tomados por sentimentos como medo, pânico, dificuldade de readaptação. Será um momento oportuno para que a equipe escolar trabalhe atividades nas quais seus alunos possam exprimir sentimentos, angústias e medos a fim de auxiliar a recuperação emocional. Importante ter um olhar sobre a violência doméstica, que pode ter se intensificado com a questão do distanciamento social. Nem sempre as equipes escolares têm capacitação para lidar com este tipo de questão e é necessária a aproximação dos serviços de saúde às escolas.

No que se refere à questão sanitária, o distanciamento social será imprescindível, assim como uso de máscaras e lavagem das mãos. Provavelmente teremos que ter rodízio de alunos e olhar com cuidado especial a questão da ventilação e renovação do ar nos espaços fechados, assim como nas salas de aulas e nos laboratórios. Um cuidado adicional será o de olhar com atenção especial àqueles alunos que têm na merenda escolar sua principal refeição. Verificar as necessidades das famílias e trabalhar para que tenham o mínimo de condição para alimentar as crianças é uma questão humanitária ainda muito importante em nossos dias.

Respostas e fórmulas prontas não existem, mas, mais do que nunca, precisamos todos trabalhar para a construção de um ambiente de ensino-aprendizagem que seja acolhedor, confortável e principalmente efetivo em construir cidadãos preparados para os desafios que vem por aí. E pensarmos também em criar cidadãos críticos, responsáveis, cientes de seu papel social, com menos preocupação na competição e no individualismo.

__
Relator:
Dr. Fausto Flor Carvalho
Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
O medo da COVID-19 afasta as crianças de consultas com pediatras ou emergências https://spsp.org.br/o-medo-da-covid-19-afasta-as-criancas-de-consultas-com-pediatras-ou-emergencias/ Fri, 26 Jun 2020 20:04:28 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3293 Crianças podem pegar e transmitir o coronavírus, mas raramente de forma grave e, se seu filho estiver doente, há uma grande chance de ser outra doença, que não COVID-19.

Um dos papéis do pediatra é garantir que as crianças tenham avaliação, investigação e diagnóstico rapidamente, para que o tratamento específico, quando for necessário, comece assim que possível, ou seja, tomar os cuidados adequados, no momento e no local certos.

andrey popov | depositphotos.com

No entanto, surgem relatos que, nos dias de hoje, muitos pais estão hesitantes ou esperando demais para procurar atendimento médico quando seu filho está doente ou se sofreu algum acidente ou trauma. Menos crianças são trazidas aos consultórios pediátricos ou aos serviços de emergência com condições muitas vezes sérias e, quando chegam, estão em situação grave. Segundo o Center of Diseases Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos, os atendimentos em pronto-socorro para emergências não-COVID-19 caíram 42% durante a pandemia, sendo as reduções mais acentuadas entre menores de 14 anos. Em 2019, 12% de todas as visitas ao departamento de emergência ocorreram em menores de 10 anos, em comparação com 6% durante o mesmo período deste ano, durante a quarentena.

E por que isso acontece? Alguns pais não procuram ajuda por estarem preocupados em pegar COVID-19 no consultório ou no hospital, ou que seu filho contraia a doença. Há quem assuma que tudo é causado pelo coronavírus e, por ser criança, vai melhorar logo. Outros acham que podem cuidar em casa, minimizando os riscos, até quando seu filho tem alguma doença crônica, ou que situações como cortes, fraturas e queimaduras vão sarar logo, sem necessidade de atendimento médico.

Levar o filho ao hospital pode ser uma experiência estressante, mas, ao contrário do que muitos pensam, o serviço de emergência ainda é um lugar muito seguro, especialmente para crianças, apesar da pandemia. A sala de espera lotada não é mais a realidade no momento e a maioria dos hospitais segue práticas rigorosas para impedir a propagação do vírus entre pacientes e funcionários,  ressaltando que  todos devem usar  máscara o tempo todo enquanto estiverem no hospital; praticar o distanciamento social (de 1,5 metro entre as pessoas); isolar todos os pacientes suspeitos e positivos de COVID-19 em áreas privadas; minimizar o contato através de um sistema de triagem, incluindo admissão e transferência direta no hospital; evitar o serviço de emergência sempre que possível; visitação limitada (uma só pessoa para pacientes com até 18 anos); testar todos os pacientes admitidos para o setor de COVID-19 (na emergência, na  observação e internados) e limpeza/ higienização regulares de todas as superfícies e salas.

O que os pais podem fazer?

  • Entre em contato com seu pediatra e verifique se a consulta deverá ser presencial ou por teleconsulta, através de outras mídias (aplicativos como: WhatsApp, FaceTime, Zoom, Webex, Skype, Google Meet, etc.).
  • Nessas consultas de telemedicina, podem ser obtidas orientações para vocês e seus filhos sobre alimentação, imunizações, desenvolvimento. Além disso, podem ser feitas solicitações de exames laboratoriais, receitas simples, de controle especial e de orientações gerais.
  • A maioria dos consultórios está aberta e adotando medidas extras para garantir que você e seus filhos fiquem seguros. Alguns consultórios separaram as crianças que “estão bem” das que “estão doentes” e agendam recém-nascidos e bebês pequenos nos primeiros horários.
  • Algumas situações demandam atendimento presencial, como consultas de recém-nascido e bebês pequenos, monitoração de crescimento, pressão arterial e outros sinais vitais e tratamento de doenças, lesões e/ou infecções.

O que fazer se o seu filho ficar doente

Se a criança foi exposta ao coronavírus ou vocês estão preocupados com os sintomas que apresenta, entrem imediatamente em contato com o pediatra. Sabemos que às vezes é difícil descrever como está a criança ou o quanto doente está e seu pediatra, conhecendo a família, vai fazer algumas perguntas e, de acordo com as respostas, poderá orientar algumas medidas iniciais a serem tomadas, os sinais de alerta ou de piora e quando deverão ir para o hospital.

Quando devem ir ao Serviço de Emergência

De acordo com as orientações elaboradas pelos The Royal College of Paediatrics and Child Health (RCPCH), no Reino Unido, através de um sistema de semáforo nas cores vermelha, âmbar (alaranjada) e verde, os pais devem avaliar quando devem procurar atendimento médico e de que tipo, se a criança está doente ou sofreu um acidente.

Seguem as recomendações, adaptadas para a nossa realidade:

SINAL VERMELHO

Seu filho apresenta ou está com:

  • Pele e mucosas pálidas, frias ou extremidades e lábios roxos (cianose).
  • Erupção cutânea que não desaparece com a pressão (manchas vermelhas ou roxas).
  • Respiração com paradas ou pausas (apneia), irregular, gemente, com som como “um grunhido”, grande desconforto.
  • Nível de consciência: agitação, irritabilidade, choro inconsolável, letárgico (difícil de ser acordado), sonolência ou falta de resposta.
  • Convulsão
  • Dor testicular em meninos.

O QUE FAZER: ir ao Serviço de Emergência mais próximo.        

SINAL ÂMBAR

Se seu filho tem um dos seguintes sinais ou sintomas:

  • Febre de 38º C ou superior em recém-nascidos e bebês com menos de 3 meses de idade, temperatura acima de 39ºC em bebês de 3 a 6 meses de idade e febre acima de 38ºC por mais de 5 dias para todos os lactentes e crianças.
  • Dificuldade para respirar, batimento das asas do nariz, contração dos músculos no pescoço, abaixo ou entre as costelas, crise grave de asma.
  • Dor abdominal severa e persistente.
  • Desidratação (boca seca, olhos fundos, chora sem lágrimas, sonolento ou urinando menos do que o habitual), vômitos repetidos ou logo após ingerir algum líquido e recusa de qualquer líquido ou sólido, episódios de diarreia.
  • Muita sonolência, dificuldade de ser acordado ou irritabilidade (sem estar com febre).
  • Tremores ou dores musculares.
  • Urina ou evacuação com sangue.
  • Qualquer lesão em algum membro causando movimento reduzido, dor persistente.
  • Lesão na cabeça causando choro persistente ou sonolência.
  • Está piorando ou se vocês estão preocupados.

O QUE FAZER: entrar em contato com o pediatra ou serviço de emergência; se não conseguirem rapidamente ou se os sintomas persistirem por quatro horas, levar a criança ao Serviço de Emergência mais próximo.

SINAL VERDE

Se nenhum dos sintomas ou sinais acima estiver presente:

O QUE FAZER: entrar em contato com o pediatra ou serviço de emergência, aguardar resposta e continuar prestando assistência em casa. Se os sintomas mudarem ou aumentarem, entrar em contato com o pediatra. E, se não for possível, ir ao Serviço de Emergência que estão acostumados.

Confiem em seus instintos e, se for possível, entrem em contato com seu pediatra primeiro, para ajudar por telefone, ao orientar e coordenar os cuidados, sem que haja necessidade de levar a criança ao hospital.

Sabemos que realmente estão assustados. Nós pediatras estamos por aqui, prontos para ajudá-los a cuidar de seu filho, mantendo todos seguros. Nosso trabalho é prestar assistência às crianças e adolescentes e continuaremos a fazê-lo durante toda a pandemia.

Leituras adicionais:
1- Royal College of Paediatrics and Child Health. Advice for parents when your child is unwell or injured during coronavirus. England: RCPCH; 2020. Disponível em: https://www.rcpch.ac.uk/sites/default/files/2020-04/covid19_advice_for_parents_when_child_unwell_or_injured_poster.pdf
2- Jennifer Shu. Is it OK to call my pediatrician during COVID-19? FAAP. Disponível em: https://www.healthychildren.org/English/tips-tools/ask-the-pediatrician/Pages/Is-it-OK-to-call-the-pediatrician-during-COVID-19-even-if-Im-not-sure-my-child-is-sick.aspx
3- ER visits for non-Covid emergencies have dropped 42% during the pandemic, CDC says. Disponível em: https://whnt.com/news/coronavirus/cdc-says-er-visits-have-dropped-42-percent-during-covid-19-pandemic/

___
Relator:
Dra. Renata D. Waksman
Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência contra Crianças e Adolescentes e do blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Vai acabar a quarentena. E agora? https://spsp.org.br/vai-acabar-a-quarentena-e-agora/ Fri, 19 Jun 2020 14:06:26 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3288 Com o vislumbre do final da quarentena, há um relaxamento natural e progressivo das medidas de isolamento social. Em paralelo, a previsão é de que o retorno às aulas presenciais ocorra apenas em agosto, ainda que escalonado (a definir).
Sendo assim, como flexibilizar, com segurança, saídas e passeios para as crianças? Com o retorno dos pais ao trabalho, com quem deixar as crianças em casa?
Os cuidados com a higiene e a etiqueta respiratória adotados durante o período de quarentena continuam valendo: lavagem das mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos (ou, se não for possível, uso de álcool em gel), manter a casa ventilada, tirar os sapatos ao entrar em casa, uso de lenços descartáveis para higiene nasal, cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, etc.

Cuidados necessários nos passeios

Em relação aos passeios, os cuidados devem começar mesmo antes de sair de casa. Crianças acima de dois anos devem usar máscaras, desde que não haja contraindicações (ver quadro abaixo). Deve-se conversar com a criança sobre a importância da máscara e dos cuidados com seu uso antes de sair de casa. Importante que qualquer pessoa sintomática não saia de casa, a não ser que seja para atendimento médico.
No caso de uso de elevadores, atender ao cuidado de entrar somente se vazio. Evitar que crianças toquem paredes, botões e portas e todos devem higienizar as mãos ao saírem do elevador, pois pode haver contágio através do toque em superfícies contaminadas. Atenção redobrada ao uso de aparelhos celulares enquanto estiverem fora de casa: eles devem ser mantidos higienizados.
Passeios ao ar livre, parques e praças são sempre bem-vindos. Escolher locais onde o distanciamento social seja possível, evitando sempre aglomerações. No momento, não se recomenda que crianças brinquem com outras de famílias diferentes.
Parquinhos e playgrounds não são indicados, tanto por ser impossível manter os cuidados com as superfícies, quanto por geralmente estarem mais cheios, impossibilitando o distanciamento social.
Manter lactentes e pré-escolares no carrinho (ou cangurus) pode ser uma boa maneira de criar um espaço seguro enquanto passeiam.
O uso de piscinas é possível, desde que o distanciamento social seja respeitado, uma vez que não há evidência de contágio através de água tratada.

A volta dos pais ao trabalho

Algumas famílias terão a necessidade da presença de funcionários em casa para que possam retornar ao trabalho, já que creches e escolas ainda não estarão funcionando.
Para diminuir os riscos, tanto para os funcionários quanto para as famílias, é aconselhável o uso de máscaras, além de roupas e calçados separados para uso domiciliar e fora dele. Objetos pessoais como carteiras, bolsas, chaves e celulares devem estar guardados em um local específico. Outra medida para aumentar a segurança nesse processo seria planejar turnos alternativos, que propiciem aos funcionários evitar o transporte público nos horários de maior aglomeração. Havendo a possibilidade, considerar o uso de transporte individual alternativo, como aplicativos de transporte ou táxi.
Haverá um período de adaptação na retomada das atividades, inclusive na questão de sociabilização da criança, seja com amigos ou com familiares. Os cuidados no contato com os avós devem ser mantidos e, caso a opção seja visitá-los, as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras devem ser reforçados. Os adolescentes devem ser orientados a manter o autocuidado mesmo quando seu grupo tiver conduta diferente da preconizada pela família.
Importante que a decisões sejam feitas com cautela e segurança. Dessa maneira, protegemos nossas crianças, nossas famílias e, consequentemente, nossa comunidade.

USO DE MÁSCARAS

  • Deve ser usada durante todo o período fora de casa, respeitando os protocolos de higiene e distanciamento social.
  • Uso indicado para maiores de dois anos, sendo que de dois a cinco anos o uso correto dependerá da maturidade de cada criança.
  • Cuidado individualizado no uso em crianças portadoras de deficiências.
  • Não utilizar em crianças com dificuldade respiratória.
  • A máscara caseira deve ser feita com três camadas de tecido, sendo a camada exterior impermeável e a camada próxima ao rosto de tecido tipo algodão.
  • Deve cobrir boca e nariz e estar ajustada ao rosto.
  • Trocar a máscara a cada duas horas e sempre que molhar ou sujar.
  • Lavar a máscara após uso.

___
Relatores:    
Dra. Luciana Issa
Dra. Regina Sílvia Costa Carnaúba
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>