Conversa – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 14 Nov 2025 19:03:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Conversa – SPSP https://spsp.org.br 32 32 O álbum de fotografias da vovó – Seriedade https://spsp.org.br/o-album-de-fotografias-da-vovo-seriedade/ Thu, 13 Nov 2025 13:07:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54123 É um momento de muita alegria para a vovó quando o(a) netinho(a) chega daescola, afoito, para perguntar suplicando: – vovó, você me ajuda a fazer a árvore da família?]]>

É um momento de muita alegria para a vovó quando o(a) netinho(a) chega daescola, afoito, para perguntar suplicando: – vovó, você me ajuda a fazer a árvore da família? Preciso de muitas fotos. Ele(a) bem que tentou falar a palavra complicada – genealógica, mas saiu tropeçando nas letras.

Os diversos álbuns de família são retirados do armário. Parecem muitos aos olhos da avó, mas o(a) netinho(a) comenta: – só tem esses? Eu tenho mais fotos do que você.

Ah! Que delícia para a vovó ir explicando (esse “gerundismo” aqui vai bem!), foto a foto, quem são aqueles personagens exóticos. Tudo parece muito estranho para o(a) netinho(a), mas a vovó pensa e não fala: – “agora, até pra mim parece muito esquisito”.

A vovó aproveita a ocasião e filosofa para o(a) netinho(a): “quando você chegar na mesma idade que eu tenho agora, com certeza você vai rir muito com as suas próprias fotos… elas parecerão tiradas em outro mundo e você parecerá um alienígena”.

Conversa vai, conversa vem…

– Vó, por que todos nessas fotos estão paradinhos e olhando pra frente, sem ninguém dar uma risadinha?

– Você é muito observador(a). É verdade… naquele tempo, para se tirar uma foto tinha que se pensar muito – escolher um local, um cenário de fundo, uma roupa adequada e ficar como estátua, para nada sair errado. Naquela época,

os filmes de fotografia eram muito caros. Os filmes coloridos eram mais caros ainda. Cada rolo de filme dava para 12, 24 ou até 36 fotografias.

Depois de tiradas, tinham que ser levadas para uma loja especializada para revelar o filme: aí é que você via o que saiu. Às vezes, a constatação era muito triste – o filme queimou, ou a fotografia saiu tremida, enfim, ela não servia para nada. A grande maioria dessas fotos carece então de uma coisa

fundamental: a espontaneidade. O riso brota da espontaneidade, dessa liberdade em ser do jeito que se é ou está e de agir como quiser.

– Nossa vó, que chato.

– É, meu neto(a), por isso você tem mais fotos que a vovó. Hoje, as novas tecnologias tornaram esse aspecto da vida muito mais fácil. Todo mundo quer registar tudo em foto. Além disso, querem divulgar por aí nas redes sociais, não é mesmo?

– Claro, vó! Senão, qual é a graça?

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

 

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Espiritualidade e a Covid-19 https://spsp.org.br/espiritualidade-e-a-covid-19/ Mon, 11 May 2020 17:31:46 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3201 Segundo a Organização Mundial da Saúde, crises humanitárias são “eventos de grandes proporções que afetam populações ou sociedades, causando consequências difíceis e angustiantes, como a perda maciça de vidas, interrupção dos meios de subsistência, colapso da sociedade, deslocamento forçado e ainda graves impactos políticos, econômicos com efeitos sociais, psicológicos e espirituais”.

A espiritualidade é a busca e a expressão do significado da vida, do propósito, da transcendência e a relação ou a experiência de conexão consigo mesmo, com a família, com os outros, com a natureza e o significado do sagrado.

goodlynx | pixabay.com

No momento atual, o mundo inteiro foi invadido pela pandemia da Covid-19 e, consequentemente, foi recomendado que as famílias permaneçam em casa diante do caos instalado. A vulnerabilidade, a insegurança, o receio da doença e as informações veiculadas pelas mídias supervalorizam as notícias negativas e os fatos estressantes e angustiantes, o que colabora para a instalação do pânico e do medo. 

A quebra da rotina de vida, com a restrição das famílias dentro dos seus lares, se apresenta como uma situação nova e que exige um exercício de paciência, compreensão, tolerância e muita criatividade para que as horas de convivência sejam agradáveis.

É a oportunidade de meditar, ouvir música, cantar, dançar, desenhar, pintar e interagir com as crianças em brincadeiras criativas. 

As crianças, com toda sua alegria e energia, são as mais tolhidas dentro do espaço restrito. Foram afastadas também de seus amigos e avós, tendo que lidar com a perda temporária da presença física, que é substituída pelo contato virtual, quando possível. 

De forma geral, as crianças refletem o ambiente onde se encontram e sofrem ansiedade, receio e angústia ao perceberem que, aqueles que poderiam confortá-las e acalmá-las nos seus receios, estão descontrolados e inseguros. Elas ficam mais inquietas, ansiosas e irritadiças, o que acaba se transformando num ciclo vicioso que piora a dinâmica do ambiente. 

Como os pais podem ajudar

Os pais, entendendo que as crianças refletem o ambiente em que estão, podem mudar esse ciclo. Sugerimos utilizar uma música suave e conversas, explicando o porquê de precisamos ficar em casa, numa linguagem simples, acalmando as crianças. Podem também fazer juntos um pensamento positivo desejando que as pessoas doentes se recuperem e que todos se proponham a ficar em casa com a família por um tempo, até que os médicos, que estão cuidando da nossa saúde, informem que é possível retornar às nossas atividades habituais. 

Ao criar um momento de paz e tranquilidade, os pais podem incentivar as crianças a expressarem as suas inquietações, explicando-lhes que nem tudo foi tolhido. Dessa forma, enfrentam essa fase de reclusão como uma oportunidade para ficarem mais juntos, transmitir segurança, podendo utilizar, inclusive, o ato de contar histórias de superação como uma ferramenta para passar conteúdo construtivo de força, esperança e coragem. Ensinar a dar valor a todos os momentos da vida, mostrando que mesmo os difíceis nos mostram ocasiões de superação, também ajuda as crianças a compreender que irão retornar às suas atividades ao ar livre, aos parques e lazer.

A verdade sempre é o melhor caminho e o exemplo de conduta; a melhor maneira de educar. É importante mostrar às crianças que estar em casa é uma oportunidade de se ter momentos ricos de aprendizado. 

Ficar em casa também é uma forma de se relacionar com os entes mais queridos.  Estabelecer rotinas diárias com as crianças é muito saudável: preparar refeições juntos, arrumar a casa. Assim, a criança aprende a colaborar, a ser solidária e se sente valorizada pelo que consegue fazer. O trabalho conjunto torna o núcleo familiar mais forte, mais unido.

A subjetividade, o eu interno, pode ser alimentado com conversas, músicas, jogos, brincadeiras, exercícios físicos, leituras, estudos, filmes em família. 

Mudando o indivíduo, a família se modifica, a sociedade se transforma e o mundo pode ser reconstruído tendo como base a solidariedade, a generosidade e o comprometimento. Esse reencontro com o outro através da prática do amor é a verdadeira essência do sagrado e do significado da vida, constituindo o exercício da espiritualidade diária. 

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Relatoras:
Dra. Lelia Cardamone Gouveia
Dra. Aida de Fatima Thome Barbosa
Núcleo de Estudos da Espiritualidade da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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