Controle – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 16 Jun 2026 15:12:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Controle – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Quando o corpo diz “não” https://spsp.org.br/quando-o-corpo-diz-nao/ Tue, 16 Jun 2026 15:12:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57471 ]]>

Este mês é dedicado à Conscientização dos Transtornos Alimentares e, no que diz respeito a estas condições, proponho uma reflexão a partir de um caso clínico.

Marina, 15 anos, comparece à consulta acompanhada da mãe, cuja principal preocupação é o fato de a filha ter interrompido os ciclos menstruais há alguns meses. A adolescente veste um moletom largo estampado com o personagem Mickey Mouse. Durante a anamnese alimentar, mãe e filha entram em discussão sobre os hábitos alimentares. Marina acusa a mãe de também restringir a alimentação.

Ao abordar aspectos comportamentais, a mãe relata que Marina tem extrema dificuldade em se posicionar diante dos outros. Na escola, costuma responder “tanto faz” às perguntas e evita expressar preferências ou discordâncias, mesmo em situações que lhe causam sofrimento. Quando pergunto sobre o que vê nas redes sociais, responde sem muita personalidade: “o mesmo que minhas amigas”.

Na segunda parte da consulta, realizada sem a presença da mãe, observa-se uma mudança marcante em sua postura. A adolescente, antes hesitante e pouco assertiva, passa a se expressar de forma rígida e categórica. Ao falar sobre alimentação, afirma: “Não como nada que tenha mais de 200 kcal”. 

Discussão do caso clínico

O caso de Marina suscita uma questão frequente na clínica dos transtornos alimentares: em que medida o sintoma anoréxico pode expressar uma recusa das transformações inerentes à adolescência?

A adolescência exige a elaboração de importantes perdas psíquicas, frequentemente descritas como lutos pelo corpo infantil, pelo lugar protegido da infância e pelos pais idealizados. As transformações da puberdade tornam visível a perda do corpo infantil e anunciam a entrada em um corpo sexuado, submetido a novas e complexas exigências sociais, relacionais e subjetivas. Nesse contexto, o desenvolvimento corporal pode ser vivido não apenas como crescimento, mas também como legitimação da perda do lugar seguro da infância.

No caso de Marina, a amenorreia (falta da menstruação) secundária e os marcadores hormonais pré-púberes permitem pensar o sintoma alimentar como uma tentativa inconsciente de interromper ou retardar esse processo. Ao impedir a maturação corporal, a anorexia preserva características infantis do corpo e afasta, simbolicamente, aspectos da sexualidade e da feminilidade associados à puberdade. Nessa perspectiva, em alguns casos, a recusa alimentar pode ser compreendida como uma recusa do próprio crescimento.

Diante das incertezas próprias da adolescência no contexto de um mundo cheio de contradições e efemeridades, o sintoma alimentar pode funcionar como uma defesa psíquica. Em um momento marcado por mudanças corporais, conflitos de identidade e sentimentos de vulnerabilidade, a restrição alimentar proporciona uma sensação ilusória de controle. Compreender essa dimensão subjetiva não significa desconsiderar os graves riscos clínicos do transtorno, mas sim ampliar o olhar para além do sintoma alimentar, reconhecendo-o como uma expressão complexa do sofrimento psíquico.

A dinâmica familiar observada durante a consulta chama a atenção para a centralidade da alimentação nas relações interpessoais da paciente. O embate entre mãe e filha sobre quem come menos sugere um ambiente em que restrições alimentares e preocupações com peso e dieta desempenham papel relevante. Embora não se possa atribuir causalidade direta, tais modelos familiares podem influenciar a forma como adolescentes percebem alimentação, corpo e controle.

Outro aspecto marcante é a discrepância de comportamento apresentada por Marina na presença e na ausência da mãe. Inicialmente, mostra-se passiva, indecisa e excessivamente preocupada em agradar aos outros. Quando entrevistada sozinha, porém, revela rigidez cognitiva, pensamento obsessivo e regras alimentares extremamente restritivas, expressas na afirmação: “Não como nada que tenha mais de 200 kcal”. Essa mudança evidencia a importância da entrevista individual com adolescentes, permitindo o acesso a conteúdos que muitas vezes não emergiriam na presença dos pais.

Essa dinâmica parece encontrar eco no relato de Marina. Descrita como alguém que tem dificuldade em dizer “não” aos outros e frequentemente se submete às vontades alheias, incapaz de expressar seus desejos nas relações interpessoais. Se, por um lado, temos um apagamento do Eu, por outro, ele compensa quando o tema é alimentação: o que Marina não consegue negar aos outros, ela nega ao próprio corpo.

Assim, através desse caso clínico, entende-se que os transtornos alimentares, especificamente a anorexia, se apresentam como uma formação complexa, na qual se articulam conflitos relacionados ao crescimento, à sexualidade, à autonomia, à dinâmica familiar, ao se colocar perante os outros e ao controle. Mais do que um problema exclusivamente alimentar, os sintomas expressam tentativas singulares de enfrentar os desafios psíquicos impostos pela adolescência.

 

Relatora:

Maíra Terra Cunha Di Sarno
Secretária do Departamento de Adolescência da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Colesterol alto na população pediátrica: orientações para prevenção e controle https://spsp.org.br/colesterol-alto-na-populacao-pediatrica-orientacoes-para-prevencao-e-controle/ Fri, 08 Aug 2025 13:36:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52666 O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol foi instituído em 8 de agosto com o objetivo conscientizar a população sobre a importância]]>

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol foi instituído em 8 de agosto com o objetivo conscientizar a população sobre a importância de prevenir e controlar os níveis de colesterol no organismo, visando reduzir os riscos de doenças cardiovasculares.

Você sabia que criança também pode ter colesterol alto? Não pense que esse assunto merece atenção só entre os adultos; as crianças também estão no grupo de alerta desse problema.

Manter cronicamente o nível de colesterol alto no sangue é um fator de risco para as doenças cardiovasculares, tanto em crianças como em adultos. Quando a elevação ocorre precocemente na infância, há maior risco de termos adultos jovens doentes no futuro.

O colesterol é um tipo de gordura importante para o funcionamento do nosso corpo, pois participa da formação da parede das células de todo o organismo, além da formação de hormônios e vitaminas, como a vitamina D.

O colesterol presente em nosso sangue vem dos alimentos que ingerimos e também da produção do nosso corpo, principalmente no fígado e intestino.

O colesterol total avalia a quantidade total de colesterol no sangue, incluindo o LDL (colesterol ruim) e o HDL (colesterol bom). Valores elevados podem indicar risco cardiovascular.

O LDL é a fração “ruim” porque pode se depositar na parede dos vasos sanguíneos, formando placas e iniciando o processo de aterosclerose (inflamação dos vasos sanguíneos), que pode causar infarto ou AVC (derrame cerebral).

Já o HDL é o colesterol “bom”, pois tem capacidade de remover o colesterol da parede dos vasos (limpando-os) e transportá-lo de volta para o fígado, onde será eliminado.

Um outro tipo de gordura presente no sangue chama-se triglicerídeo. Os triglicerídeos são gorduras essenciais armazenadas nas células de gordura do corpo, que servem como reserva de energia. O corpo converte calorias não utilizadas imediatamente em triglicerídeos durante a digestão, e vai liberando essas calorias para fornecer energia para as células do corpo durante o dia. Níveis elevados de triglicerídeos podem aumentar o risco de doenças cardíacas.

As principais causas de colesterol alto na criança são: a alimentação rica em gorduras, o excesso de peso e o sedentarismo (rotina corrida, excesso de alimentos industrializados). Entretanto, algumas crianças e adolescentes terão colesterol alto mesmo seguindo uma dieta e vida saudável e apresentando peso adequado. Isso acontece nos casos de dislipidemia familiar, uma doença genética que vem da família.

O colesterol alto em crianças geralmente não causa sintomas visíveis no início, por isso ele é considerado uma condição silenciosa. Então, quando se preocupar? Quando devemos medir o colesterol de uma criança?

Devemos nos preocupar sempre que exista histórico familiar de colesterol alto, infarto ou AVC precoce (antes dos 55 anos em homens e 65 anos em mulheres) e na criança se houver obesidade ou sobrepeso, alimentação rica em gorduras saturadas e processadas e sedentarismo. Assim, devemos dosar o colesterol em:

*Crianças saudáveis: teste de triagem entre 9 e 11 anos (antes da puberdade) e depois entre 17 e 21 anos.

*Crianças com risco aumentado (obesidade, diabetes, hipertensão, histórico familiar): podem ser testadas a partir dos 2 anos de idade.

Na grande maioria das crianças podemos controlar o colesterol e prevenir seu aumento, com mudanças simples no estilo de vida e na alimentação. Poucas crianças serão medicadas, principalmente na hipercolesterolemia familiar, dependendo do nível de alteração do colesterol e triglicerídeos.

1) Alimentação:

– Alimentos Recomendados:

  • Ricos em fibras: aveia, frutas com casca (maçã, pera), legumes e verduras (espinafre, cenoura, brócolis), feijão, lentilha, grão-de-bico
  • Fontes de gorduras boas: azeite de oliva extravirgem (cru, em pequenas quantidades), abacate, oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas – pequenas porções)
  • Fontes de proteína magra: peixes (atum, sardinha, salmão – ricos em ômega-3), frango sem pele, ovos (com moderação, se recomendados pelo médico), leite desnatado ou semidesnatado, queijo branco

– Alimentos a EVITAR

Frituras, embutidos (salsicha, presunto, mortadela, nuggets), fast food, doces industrializados e biscoitos recheados, manteiga, creme de leite, leite integral em excesso, produtos com gordura trans ou óleo vegetal hidrogenado

2) Atividade física:

– Evitar: muito tempo de tela (TV, videogame, iPad, smartphones)

– Preferir: brincadeiras ao ar livre, corridas, esporte

3) Manutenção de peso saudável.

Resumindo, o aumento de colesterol e triglicerídeos também é um problema na faixa etária pediátrica, mas geralmente pode ser prevenido e controlado com uma alimentação balanceada e com a prática regular de atividade física.

 

Relatora:

Adriana Monteiro de Barros Pires
Membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Alergia: a importância da prevenção desde a infância https://spsp.org.br/alergia-a-importancia-da-prevencao-desde-a-infancia/ Wed, 07 May 2025 19:39:29 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51294 O Dia Nacional de Prevenção da Alergia é comemorado no dia 7 de maio. As doenças alérgicas estão entre as condições crônicas mais frequentes na infância e adolescência, impactando]]>

O Dia Nacional de Prevenção da Alergia é comemorado no dia 7 de maio. As doenças alérgicas estão entre as condições crônicas mais frequentes na infância e adolescência, impactando significativamente a qualidade de vida das nossas crianças e famílias. Estudos estimam que até 40% da população mundial pode apresentar algum tipo de alergia, e a tendência é de crescimento. Em um mundo onde fatores ambientais, estilo de vida e genética se combinam, a prevenção primária das alergias torna-se uma prioridade de saúde pública.

O que é alergia?

A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que, normalmente, para a maioria das pessoas, são inofensivas. Estas substâncias são chamadas de alérgenos, como pólen de plantas, ácaros da poeira, fungos, alimentos, medicamentos e venenos de insetos. As manifestações clínicas variam de quadros leves, como rinite alérgica e dermatite atópica, a reações graves e potencialmente fatais, como a anafilaxia.

Por que prevenir é necessário?

Prevenir alergias pode não apenas reduzir a incidência das doenças alérgicas, mas também minimizar sua gravidade e evitar o desenvolvimento de condições associadas, como asma ou alergias alimentares mais severas. A infância é um período crítico para intervenções, pois o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e pode ser modulado positivamente por exposições adequadas e cuidados apropriados.

Além disso, mesmo para aqueles que já apresentam alergias diagnosticadas, existem estratégias preventivas para reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas. A prevenção secundária — baseada no tratamento adequado, controle ambiental e acompanhamento médico regular — permite manter a doença sob controle e garantir melhor qualidade de vida.

Estratégias de prevenção de alergias

1.Promoção do aleitamento materno

O aleitamento materno exclusivo por pelo menos seis meses pode ajudar na prevenção de doenças alérgicas, especialmente dermatite atópica e alergia alimentar.

2.Introdução adequada de alimentos

Estudos recentes demonstram que a introdução precoce (entre 4 e 6 meses de idade, de preferência enquanto ainda está em regime de aleitamento materno) de alimentos potencialmente alergênicos, como amendoim e ovos, pode reduzir o risco de alergias alimentares. Porém, a orientação médica é fundamental para conduzir cada caso.

3.Controle ambiental

Reduzir a exposição a alérgenos domésticos, como ácaros da poeira, bolores e fumaça de cigarro, pode prevenir o surgimento e a piora de doenças respiratórias alérgicas. Medidas como o uso de capas antiácaro em colchões e travesseiros, ventilação adequada e evitar tapetes acumuladores de poeira são recomendadas.

4.Contato com a natureza

Expor crianças a ambientes naturais, com contato moderado com animais e diversidade de micro-organismos, parece ter um efeito protetor contra doenças alérgicas. Esse conceito, conhecido como “hipótese da higiene”, sugere que a diversidade microbiana ambiental ajuda a desenvolver um sistema imunológico mais equilibrado.

5.Identificação precoce, tratamento e acompanhamento especializado
Em crianças com histórico familiar de alergias (pais ou irmãos alérgicos), a vigilância deve ser ainda mais atenta. O diagnóstico precoce de doenças alérgicas e a intervenção médica adequada podem evitar a progressão da doença.
Nos pacientes já diagnosticados, o tratamento regular com medicamentos adequados — como anti-histamínicos, corticosteroides tópicos ou inalatórios, imunoterapia alérgeno-específica, entre outros — também é uma forma importante de prevenção, evitando crises, hospitalizações e complicações futuras para o alérgico.

O papel dos profissionais de saúde e da sociedade

Pediatras, alergistas e demais profissionais de saúde têm papel fundamental na orientação preventiva, atuando tanto na educação das famílias quanto na implementação de medidas baseadas em evidências científicas. Além disso, políticas públicas que incentivem ambientes mais saudáveis — com menos poluição, promoção da alimentação adequada e espaços para atividades ao ar livre — são indispensáveis.

Uma responsabilidade compartilhada

A prevenção das alergias não é tarefa exclusiva de médicos ou de pais: é um esforço coletivo que envolve escolas, creches, políticas de saúde, sociedade civil e, claro, os próprios pacientes. Conscientizar a população sobre os fatores de risco e sobre o potencial de prevenção é o primeiro passo para enfrentarmos o aumento das doenças alérgicas nas próximas gerações.

Neste Dia Nacional de Prevenção da Alergia, renovamos nosso compromisso com a promoção de uma infância mais saudável e com a construção de uma sociedade mais informada e mais preparada para prevenir, reconhecer e tratar as doenças alérgicas. Pequenas ações no início da vida podem resultar em grandes benefícios ao longo dos anos.

A prevenção passa tanto pela redução do risco de desenvolver alergias quanto pelo controle adequado dos sintomas em quem já tem alergias. Prevenir é cuidar e proteger.

 

Relator:
Tim Markus Muller
Presidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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O Brasil e a Dengue https://spsp.org.br/o-brasil-e-a-dengue/ Fri, 22 Nov 2024 13:57:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49072 ]]>

Os primeiros relatos de dengue no Brasil datam do final do século 19, em Curitiba (PR), mas ainda eram dados incipientes. O primeiro surto documentado ocorreu em Roraima, em 1981. Desde então observamos temporadas de maior e menor incidência do vírus no Brasil, mas sempre algo preocupante…

Então chegamos em 2024! Depois da Covid-19, é o novo pesadelo em nosso país! Foram 6,5 milhões de casos prováveis até meados de setembro deste ano, com 5.536 óbitos confirmados e mais 1.591 em investigação. Somente em São Paulo foram 2,1 milhões de casos (mais de 639 mil na capital) e 1.786 mortes confirmadas (365 na capital).1

E algo triste de pensar:  quantas crianças têm sido internadas devido a dengue? Foram quase 1,6 milhão de crianças e adolescentes acometidos, quase 52.000 bebês menores de 1 ano de idade.1

São várias razões para justificar essa atual situação, que incluem a falta de atenção pública à doença, as alterações climáticas, a ausência de medidas efetivas disponíveis para o controle da doença, além da responsabilidade social de cada cidadão, em fazer a sua parte.

Temperaturas elevadas e umidade são dois fatores determinantes para a replicação viral no inseto, o famigerado Aedes aegypti. Então, novamente, vemos as ações da humanidade impactando nas mudanças climáticas e facilitando essa pandemia de dengue e, infelizmente, outras futuras pandemias que viremos a conhecer.

São necessárias ações no controle da dengue. Ações de todas as esferas, públicas e sociais.

O desenvolvimento de novas metodologias para o controle do inseto, como a bactéria Wolbachia, que reduz a multiplicação do Aedes aegypti, adotada este ano, por exemplo, em Niterói (RJ), trouxe redução de 69,4% dos casos de dengue, 56,3% de chikungunya e 37% de zika na cidade.2

A implementação da vacinação universal no Brasil pode trazer um novo alento no controle da doença, mas ela precisa ser realizada. Já convivemos com baixa cobertura vacinal na população, uma vez que o Ministério da Saúde estabeleceu a faixa de 10 a 14 anos para a realização da vacina contra a dengue. Não temos a extensão para outras idades, por absoluta incapacidade de produção da vacina, somada ao custo e falhas na preparação para o combate à doença.

Aquisição de mais vacinas? Desenvolvimento da nossa vacina (vacina do Butantan na fase III no momento)? Controle do inseto? Cuidados com o ambiente? Compromisso social e governamental? Na verdade, tudo isso somado. Que cada um de nós possa fazer muito bem-feita a sua parte.

 

Saiba mais:

  1. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aedes-aegypti/monitoramento-das-arboviroses.
  2. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/2024/maio/voce-sabe-o-que-e-o-metodo-wolbachia.

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Importância da lavagem das mãos na prevenção e controle das infecções https://spsp.org.br/importancia-da-lavagem-das-maos-na-prevencao-e-controle-das-infeccoes/ Tue, 15 Oct 2024 14:03:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48486 No dia 15 de outubro é lembrado e comemorado o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, uma data criada com três objetivos principais:]]>

No dia 15 de outubro é lembrado e comemorado o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, uma data criada com três objetivos principais: apoiar uma cultura mundial de lavagem das mãos com sabão, chamar a atenção dos governantes para a importância do ato e aumentar a conscientização sobre os seus benefícios.

A lavagem das mãos é, sem dúvida, a maneira mais simples, eficaz e de maior importância na prevenção e controle da disseminação de infecções virais e bacterianas, devendo ser realizada com frequência durante o dia, pois uma grande quantidade de organismos entra em contato com o nosso corpo inicialmente pela mão.

A adoção desse hábito – somada à descoberta das vacinas e dos antibióticos – foi a grande responsável pela queda vertiginosa das mortes por causas naturais no começo do século XX.

Nos nossos organismos existem micro-organismos que vivem em harmonia com nosso corpo, sem nos causar nenhuma doença. Algumas bactérias são essenciais para a manutenção da saúde de vários sistemas, como a microbiota intestinal e o microbioma da pele. Entretanto, também existem micro-organismos que podem causar problemas graves, e é contra esses agentes que devemos nos proteger. 

Até meados de 1800 nem as pessoas, nem os médicos se preocupavam em lavar as mãos – eles iam da dissecação de um cadáver ao parto de uma criança. 

Em 1848, um médico húngaro chamado Ignaz Semmelweis, do Hospital Geral de Viena, manifestou preocupação com esse hábito. Um dos problemas mais dramáticos que passavam as clínicas de obstetrícia era a altíssima incidência da infecção pós-parto. 

Naquela época ainda não haviam sido descobertos os micro-organismos e o médico húngaro decidiu realizar um experimento. Antes dos partos, os médicos deveriam higienizar as mãos e os seus instrumentos com uma solução de cloro. Depois de alguns meses, a taxa de mortalidade de mães após o parto, que era de assustadores 18%, caiu para 1%.

Infelizmente não deram muito crédito ao Dr. Semmelweis na época, e foi apenas nas décadas seguintes, com a evolução das pesquisas sobre micro-organismos, as descobertas de Louis Pasteur, famoso pela pasteurização, e de Robert Koch, com suas pesquisas sobre cólera, tuberculose, antraz e outros patógenos que aumentou a conscientização sobre a necessidade da prática da higienização de mãos, a ser adotada cada vez mais nas instituições hospitalares e pelas pessoas comuns. 

Hoje, lavar as mãos é ato reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais instrumentos contra epidemias e doenças em geral, podendo reduzir em até 40% a contaminação por vírus e bactérias que causam doenças como gripes, conjuntivites, diarreias, Covid, resfriados, estomatites, entre outras. 

Lamentavelmente, atualmente ainda é uma prática difícil de ser implementada. Uma pesquisa realizada com estudantes universitários em 2009, publicada na revista American Journal of Infection Control, mostrou que apenas 69% das mulheres e 43% dos homens lavavam as mãos após urinar, 84% das mulheres e 78% dos homens lavavam as mãos após defecar e, antes de comer — um momento crítico para lavar as mãos -, apenas 10% dos homens e 7% das mulheres lavavam as mãos.

A lavagem das mãos deve ser executada principalmente nas seguintes ocasiões:

  • Antes de preparar ou consumir alimentos;
  • Antes e depois de se entrar em contato com pessoas doentes ou acamadas;
  • Antes e depois de cuidar dos bebês, especialmente após a troca das fraldas;
  • Antes e depois de ir ao banheiro;
  • Depois de espirrar, tossir ou assoar o nariz;
  • Após entrar em contato com animais;
  • Após as crianças brincarem ou retornarem da escola;
  • Assim que chegamos em casa, vindos da rua;
  • Após manipular objetos potencialmente sujos ou contaminados (maçanetas, corrimão, interruptores, celulares, carros, elevadores, carrinhos de supermercado, sacolas de feira, dinheiro, objetos em consultórios médicos ou hospitais, etc.); 
  • Sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas.

 

É muito importante ensinarmos as crianças a lavarem as mãos com frequência, dando exemplos através do nosso comportamento, explicando sobre a existência de micro-organismos que não vemos e que podem nos causar doenças. 

A lavagem correta das mãos precisa seguir alguns passos importantes: deve-se fazer a fricção de toda a superfície das mãos, incluindo as pregas das palmas, o dorso das mãos, a região do polegar e a ponta dos dedos, removendo também a sujeira que fica sob as unhas.

Basta uma lavagem por 20-30 segundos, de forma eficaz com água e sabão e, na falta desses itens, usar álcool em gel 70%. 

Transformar a lavagem das mãos em um hábito frequente pode salvar mais vidas do que qualquer intervenção médica e está ao alcance de todos nós!

Vamos comemorar o Dia Mundial da Lavagem das Mãos ensinando nossos pequenos a importância desse hábito tão simples!

 

Relatora:
Silvia Bardella Marano
Membro dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial do Vitiligo https://spsp.org.br/dia-mundial-do-vitiligo/ Tue, 25 Jun 2024 13:40:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46798 ]]>

O Dia Mundial do Vitiligo é celebrado anualmente no dia 25 de junho, data criada para conscientizar e minimizar o preconceito sobre a doença. O vitiligo é uma doença dermatológica em que somente a pele é afetada. Não é contagioso e podem estar associadas a ele alterações da tireoide, que devem ser investigadas quando o diagnóstico de vitiligo estiver estabelecido.
É uma doença autoimune, ou seja, o paciente produz anticorpos que alteram a capacidade de pigmentação da pele, determinando as manchas brancas.
Vários fatores estão relacionados ao aparecimento das manchas. O fator genético e história na família podem predispor o paciente a ter a doença.
Existem várias formas de vitiligo. Ou seja, nem todas as formas vão determinar o aparecimento das manchas brancas no corpo todo. Existem formas localizadas também.
Ao contrário do que se pensa, o sol é um fator agravante da doença, piorando as manchas e podendo agravar a doença. O paciente com suspeita de vitiligo deve ser avaliado pelo médico habilitado, pois existem muitas doenças de pele que podem ser confundidas com ele.
Algumas vezes o uso de lâmpadas específicas, usadas no exame da superfície corporal, ajuda a fazer o diagnóstico diferencial entre manchas duvidosas. O diagnóstico é feito através do exame clínico, não sendo indicadas biópsias da pele, por estas não serem conclusivas, ou seja, muitas doenças podem apresentar o mesmo resultado.
Existem vários tratamentos para o vitiligo. Para cada forma de vitiligo, áreas do corpo acometidas e avanço da doença há tratamentos adequados. Eles podem ser locais, assim como tratamentos associados para controle das manchas. O uso de protetores solares diários é fundamental no controle da doença.

 

Relatora
Selma M. F. Hélène
Presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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15 de outubro – Dia Mundial da Lavagem das Mãos https://spsp.org.br/15-de-outubro-dia-mundial-da-lavagem-das-maos/ Mon, 16 Oct 2023 19:17:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40195 Lavar as mãos! Lavar as mãos! Lavar as mãos! Muitas pessoas ainda não acreditam na importância deste simples ato! ]]>

Lavar as mãos! Lavar as mãos! Lavar as mãos!

Muitas pessoas ainda não acreditam na importância deste simples ato! Então, vamos contextualizar esse assunto para obtermos a devida importância.

Em 1846, na Hungria, um residente chefe da clínica puerperal (Ignaz Semmelweis) observou que a mortalidade por febre puerperal era três vezes maior na clínica onde os alunos faziam as autópsias e cirurgias, em comparação com a clínica onde era realizado o treinamento das enfermeiras parteiras. À época ele atribuiu essa circunstância às “partículas cadavéricas”… Hoje, simplesmente, bactérias! E o único ato que ele instituiu para o controle dessa elevada taxa de mortalidade foi… lavar as mãos!!! E teve êxito!

Depois dessa invenção (!!!), diversos estudos e metanálises conseguiram, de maneira robusta, confirmar a importância desse ato que parece tão banal.

Todos os bundles (pacotes de medidas) para controle de infecção hospitalar, obrigatoriamente, passam pelo treinamento do corpo clínico em como lavar as mãos. Sim, existe inclusive técnica adequada para a eficácia da lavagem das mãos!

Durante a pandemia pelo coronavírus, novamente comprovamos essa técnica tão fundamental.

Mas não só em ambiente hospitalar: devemos lembrar de outros tantos eventos que assolam nossa população, como as infecções pelo vírus sincicial respiratório (uma das principais causas de mortalidade em lactentes), as gastroenterites, as parasitoses (importância da higiene dos alimentos).

Ter um ambiente limpo é fundamental para uma população com melhor qualidade de saúde e a higiene das mãos é a pedra fundamental para isso!

Então viva o dia 15 de outubro, Dia Mundial da Lavagem das Mãos! E vamos celebrar… lavando muito bem as mãos!!!

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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