Consumo – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 09 Sep 2026 16:09:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Consumo – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Uma data para reforçar cuidados que devem ser diários https://spsp.org.br/uma-data-para-reforcar-cuidados-que-devem-ser-diarios/ Wed, 09 Sep 2026 16:09:49 +0000 https://spsp.org.br/?p=58947 Mais uma vez, somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) — entre os quais a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) representa o quadro mais grave e completo — podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, o dia 9 de setembro é celebrado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal. Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa exposta ao álcool durante o desenvolvimento uterino. Quando uma gestante consome álcool etílico (etanol), a substância atravessa a placenta e atinge diretamente o embrião ou feto. Essa droga lícita, presente em bebidas alcoólicas e também em preparações culinárias que as utilizam, interfere na multiplicação, organização e maturação celular. Com isso, o álcool pode comprometer o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, afetando principalmente o cérebro, cuja formação se inicia nas primeiras semanas de gestação e se estende até o período extrauterino. A exposição ao álcool na gestação pode causar sequelas permanentes. Além das malformações congênitas, a criança com TEAF pode apresentar atrasos em diversas áreas do neurodesenvolvimento, incluindo atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle de impulsos e emoções, linguagem, habilidades sociais e autonomia para atividades cotidianas. Muitas dessas dificuldades só se manifestam com o crescimento e acabam sendo erroneamente atribuídas a preguiça, desobediência ou desinteresse. Frequentemente, essas crianças são rotuladas como “mal-educadas”, quando, na realidade, possuem um cérebro com funcionamento atípico e, portanto, elas necessitam de compreensão para ser devidamente apoiadas ao longo de sua trajetória, já que o transtorno não tem cura. Não existe quantidade de álcool segura para o desenvolvimento fetal, assim como não há período da gestação em que o consumo seja isento de riscos. Como cada organismo é único e reage de forma particular, torna-se impossível prever a gravidade das repercussões ou quais indivíduos serão afetados. Diante disso, a conduta ideal é a abstinência total de álcool durante toda a gravidez. Caso a gestante já tenha consumido alguma dose, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Cessar o consumo reduz a exposição contínua do feto, atenuando significativamente a gravidade dos riscos. Nenhuma mulher deve ou precisa passar por esse processo sem apoio. Auxiliar a gestante a manter-se sóbria, oferecer opções de bebidas não alcoólicas de forma natural, reduzir as pressões sociais para o consumo e dialogar abertamente sobre o tema são atitudes preventivas que cabem aos parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e a toda sociedade. Nesse cenário, os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, exercem um papel essencial ao acolher e orientar a mulher com respeito, sensibilidade e sem julgamentos. Como grande parte das gestações não é planejada ou descoberta de imediato, debater o uso de álcool e a saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é um cuidado preventivo essencial para a saúde materna e infantil. Trata-se de uma medida indispensável para evitar danos que possam comprometer o indivíduo por toda a sua existência. O dia 9 de setembro transcende a conscientização temporária; é um convite para consolidar cuidados cotidianos: Relatora: Maria dos Anjos MesquitaVice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Mais uma vez, somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) — entre os quais a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) representa o quadro mais grave e completo — podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, o dia 9 de setembro é celebrado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa exposta ao álcool durante o desenvolvimento uterino. Quando uma gestante consome álcool etílico (etanol), a substância atravessa a placenta e atinge diretamente o embrião ou feto. Essa droga lícita, presente em bebidas alcoólicas e também em preparações culinárias que as utilizam, interfere na multiplicação, organização e maturação celular. Com isso, o álcool pode comprometer o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, afetando principalmente o cérebro, cuja formação se inicia nas primeiras semanas de gestação e se estende até o período extrauterino.

A exposição ao álcool na gestação pode causar sequelas permanentes. Além das malformações congênitas, a criança com TEAF pode apresentar atrasos em diversas áreas do neurodesenvolvimento, incluindo atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle de impulsos e emoções, linguagem, habilidades sociais e autonomia para atividades cotidianas. Muitas dessas dificuldades só se manifestam com o crescimento e acabam sendo erroneamente atribuídas a preguiça, desobediência ou desinteresse. Frequentemente, essas crianças são rotuladas como “mal-educadas”, quando, na realidade, possuem um cérebro com funcionamento atípico e, portanto, elas necessitam de compreensão para ser devidamente apoiadas ao longo de sua trajetória, já que o transtorno não tem cura.

Não existe quantidade de álcool segura para o desenvolvimento fetal, assim como não há período da gestação em que o consumo seja isento de riscos. Como cada organismo é único e reage de forma particular, torna-se impossível prever a gravidade das repercussões ou quais indivíduos serão afetados. Diante disso, a conduta ideal é a abstinência total de álcool durante toda a gravidez. Caso a gestante já tenha consumido alguma dose, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Cessar o consumo reduz a exposição contínua do feto, atenuando significativamente a gravidade dos riscos.

Nenhuma mulher deve ou precisa passar por esse processo sem apoio. Auxiliar a gestante a manter-se sóbria, oferecer opções de bebidas não alcoólicas de forma natural, reduzir as pressões sociais para o consumo e dialogar abertamente sobre o tema são atitudes preventivas que cabem aos parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e a toda sociedade. Nesse cenário, os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, exercem um papel essencial ao acolher e orientar a mulher com respeito, sensibilidade e sem julgamentos.

Como grande parte das gestações não é planejada ou descoberta de imediato, debater o uso de álcool e a saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é um cuidado preventivo essencial para a saúde materna e infantil. Trata-se de uma medida indispensável para evitar danos que possam comprometer o indivíduo por toda a sua existência.

O dia 9 de setembro transcende a conscientização temporária; é um convite para consolidar cuidados cotidianos:

  • Álcool e gestação não combinam.
  • Não existe quantidade nem momento seguro de consumo de álcool durante a gestação.
  • Informação não julga. Ela pode proteger vidas.
  • Prevenção começa antes da primeira dose. O cuidado é necessário por toda a vida.
  • Prevenir os TEAF, entre eles a SAF, é uma responsabilidade compartilhada.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Cuidar do que importa https://spsp.org.br/cuidar-do-que-importa/ Fri, 05 Jun 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57300 ]]>

O Dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia da Ecologia, ambos celebrados em 5 de junho, convidam à reflexão sobre a relação entre o ser humano e o planeta. Mais do que datas simbólicas, representam um chamado coletivo para repensarmos hábitos, escolhas e responsabilidades diante de um mundo que enfrenta mudanças climáticas, perda de biodiversidade, poluição e esgotamento de recursos naturais.

O meio ambiente enfrenta uma crise severa, caracterizada pelo aquecimento global acelerado, eventos climáticos extremos (secas e inundações) e perda rápida de biodiversidade, causados principalmente por atividades humanas como desmatamento, queimadas e emissão de gases de efeito estufa. O ano de 2023 teve a temperatura média mais alta que qualquer ano da história humana – foi o ano mais quente no planeta em 200 mil anos.

Quando florestas são destruídas, rios contaminados ou espécies desaparecem, os impactos ultrapassam a natureza e alcançam diretamente a vida das pessoas, especialmente das crianças, que são mais vulneráveis às consequências ambientais – três milhões de crianças com menos de cinco anos morrem anualmente devido a doenças relacionadas ao meio ambiente. Como exemplo, uma análise realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou que as mudanças climáticas aumentaram a suscetibilidade humana a infecções por patógenos. Os impactos na saúde ocorrem direta e indiretamente por meio de seus efeitos na produção de alimentos, na migração, na instabilidade econômica e nas desigualdades sociais.

Cuidar do meio ambiente não significa apenas preservar paisagens distantes. Significa também cultivar atitudes cotidianas: reduzir desperdícios, economizar água, reciclar, evitar o consumo excessivo, valorizar áreas verdes e ensinar às novas gerações o respeito pela natureza. Pequenas ações, quando compartilhadas coletivamente, têm força para transformar comunidades inteiras:

  • Reduza, Reutilize, Recicle: diminua o desperdício usando sacolas reutilizáveis, minimizando o uso de plásticos descartáveis ​​e separando corretamente os materiais recicláveis. O plástico é responsável por mais emissões ao ano do que a aviação e o transporte marítimo, principalmente devido à sua dependência do petróleo, contribuindo para as mudanças climáticas (são 353 milhões de toneladas de plástico descartadas por ano!).
  • Conserve Recursos: apague as luzes ao sair dos cômodos, conserte torneiras com vazamento e fique atento ao seu consumo diário de energia e água. Invista em energias renováveis ​​para sua casa.
  • Repense o Transporte: opte por caminhar, andar de bicicleta ou usar o transporte público em vez de dirigir sempre que possível para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
  • Apoie o Comércio Local e a Sustentabilidade: compre produtos cultivados localmente ou de empresas que utilizam práticas éticas e sustentáveis ​​para reduzir emissão de carbono. Reduza o consumo de carne (ou evite-a completamente) e evite o desperdício de alimentos.

A infância ocupa papel central nessa transformação. Crianças que crescem em contato com a natureza desenvolvem maior consciência ambiental, empatia e senso de responsabilidade. Educar para a sustentabilidade é investir em um futuro mais saudável, equilibrado e humano.

O planeta não precisa apenas de grandes discursos, mas de compromisso contínuo. O Dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia da Ecologia lembram que proteger a Terra é, acima de tudo, proteger a própria vida.

 

Saiba mais:

https://www.eea.europa.eu/en/newsroom/editorial/editorial-caring-for-the-environment

https://ccarbon.usp.br/the-importance-of-the-environment-for-global-sustainability/

https://www.wwf.org.uk/what-we-do/valuing-nature

https://www.fao.org/4/y4256e/y4256e04.htm

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Vamos falar de cigarro? De novo? https://spsp.org.br/vamos-falar-de-cigarro-de-novo/ Mon, 01 Jun 2026 19:43:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57270 ]]>

Mãe de adolescente sabe bem: a rotina nunca é fácil. Naquela manhã, ela acordou com pressa e com a sensação de que o tempo voava. Ao entrar no quarto da filha – que acabara de sair para a escola –, tentou apenas minimizar a bagunça diária. Como de costume, entrar ali parecia uma visita a uma loja de departamentos (não faltam piadas sobre isso): saía sempre carregando duas canecas, um copo, uma calça e três moletons espalhados. Ao recolher a bolsa usada na festa do fim de semana, que estava aberta em um canto, veio a surpresa: no fundo, encontrava-se um maço de cigarros aberto. Era daquela marca antiga, que ela mesma usava para fazer piada, lembrando dos tios fumando na sua infância. Que situação inesperada! O que fazer? A primeira reação, movida pelo impulso, era a de buscar a filha na escola naquele exato momento para confrontá-la (na verdade, queria tomar uma atitude bem brusca!).

Embora essa seja uma cena fictícia, ela ilustra uma realidade enfrentada por algumas famílias. O tabaco continua sendo uma das substâncias de abuso mais frequentes em nosso meio. Estatísticas brasileiras apontam para um aumento explosivo no consumo de nicotina por meio de dispositivos eletrônicos, os famosos vapes. No entanto, muitos adolescentes ainda recorrem aos cigarros convencionais e a alternativas que ganharam espaço, como os cigarros de palha (na moda em algumas festas da moçada).

Esse consumo tende a crescer conforme a idade avança e, como já destacado em publicações anteriores do nosso departamento, é fortemente influenciado pelo grupo social em que o jovem se insere. O desejo de pertencimento muitas vezes diminui o julgamento crítico.

A partir do momento da descoberta, o que fazer?

Não existe uma receita mágica, mas algumas estratégias podem ajudar os pais:

  1. manter um diálogo aberto – a proibição isolada ou a punição raramente mudam o comportamento; pelo contrário, podem afastar o jovem e criar uma cultura de segredos);
  2. conhecer o entorno do seu filho – saiba quem são os amigos, quais são os seus espaços de convivência e participe ativamente da sua rotina),
  3. apoiar em vez de punir – pais acolhedores e que compreendam a raiz do problema, deixando os julgamentos de lado;
  4. monitorar o universo digital – o adolescente de hoje é hiperconectado. A publicidade do tabaco não está mais na TV aberta, mas camuflada em plataformas de streaming, redes sociais e influenciadores digitais;
  5. conversar abertamente sobre o que eles consomem na internet.

 

Além disso, fortaleça a parceria com a escola: as instituições de ensino podem adotar o conceito de “campus saudável”, fiscalizando o uso de substâncias em seus perímetros, e capacitando professores para identificar sinais de vulnerabilidade. Pais e escolas devem formar uma rede única de apoio. Cada um fazendo a sua parte.

Descobrir que um filho adolescente está fumando pode evocar sentimentos de falha, medo e frustração. Contudo, esse momento crítico deve ser transformado em uma oportunidade de aproximação e não de ruptura. O combate ao tabagismo jovem não se faz na força da autoridade, mas sim no vínculo familiar. Ao substituir o confronto pelo acolhimento e a punição pela informação, os pais conseguem desarmar o adolescente. Proteger essa geração exige presença ativa, escuta atenta e a construção de uma rede de cuidado que envolva a família, a escola e a sociedade. Afinal, educar dá trabalho, mas é sinônimo de afeto.

 

Relatora:
Ana Paula Pascalicchio Bertozzi
Membro do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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É legal. Mas será que é legal? https://spsp.org.br/e-legal-mas-sera-que-e-legal/ Thu, 30 Apr 2026 13:13:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56793 Domingão ensolarado, amigos e famílias se reúnem. Braseiro acesso e aquele cheirinho de gordura de linguiça queimando no ar. Todo mundo animado e criançada brincando e correndo em ]]>

Domingão ensolarado, amigos e famílias se reúnem. Braseiro acesso e aquele cheirinho de gordura de linguiça queimando no ar. Todo mundo animado e criançada brincando e correndo em volta dos adultos. Ufa! Eles não estão na tela.

Som ligado e tocando – caipirinha e cerveja são temas de pagode ou música sertaneja cantada por todos. A animação do pessoal aumenta com o consumo de álcool. Conversa alta. Criançada na bagunça – Será que eles estão vendo?

Com certeza muitos já viveram momentos assim. Porém, se as crianças aprendem observando, precisamos com urgência rever nosso comportamento. Afinal, qual o problema? Não é ilegal e pode parecer divertido. Mas será que é legal?

Vejamos alguns dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III, 2023):

– O consumo de álcool é o principal fator de risco para mortalidade e morbidade associadas ao uso de substâncias psicoativas no Brasil. Aproximadamente 73,9 milhões de brasileiros (42,5% da população com 14 anos ou mais) relataram uso de bebidas alcoólicas, e cerca de 19,9 milhões apresentam critérios de uso problemático.

– Nenhuma outra substância ou comportamento analisado – como tabaco, cocaína, crack ou mesmo as apostas – alcança tamanha dimensão em termos de prevalência e carga para a saúde pública.

– O álcool tem aceitação social e ampla disponibilidade, o que torna difícil a implementação de políticas de prevenção e controle. A normalização do uso dificulta a percepção dos danos causados pelo seu consumo (mortes evitáveis, adoecimento físico e mental e repercussões sociais e econômicas).

O que acham? Vamos refletir? Vamos mudar?

 

Relator:

André P. L. Mattar
Membro do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Todo mundo usa https://spsp.org.br/todo-mundo-usa/ Tue, 24 Mar 2026 18:54:54 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55552 ]]>

É muito comum ouvirmos dos jovens que atendemos que todo mundo bebe e todo mundo usa drogas. Talvez naquele grupo que o jovem frequenta a maioria possa ser usuária, mas analisando os dados do LENAD III – UNIFESP, colhidos em 2023 e publicados recentemente, percebe-se que a coisa não é bem como o jovem coloca.

Em relação à bebida alcoólica, 48,8% da população brasileira com mais de 14 anos nunca bebeu, 57,5% não consumiu álcool no último ano e 69,9% não bebeu nada no último mês. Em relação aos adolescentes, apenas 25,8% dos homens e 29,5% das mulheres consumiram álcool na vida; 16,7% e 21,6% no último ano e 12,4% e 8,5% no último mês.

O grande problema, fora a iniciação precoce, é que dos que bebem na população adulta, 35,7% dos homens e 26,8% das mulheres o fazem em BINGE, ou seja, um consumo excessivo e descontrolado (4 ou 5 doses em 2 horas). Não é alcoólico só aquele que bebe todo ou quase todo dia (5,6%), mas também aquele que bebe em binge, ou aquele que tem um consumo pesado episódico (6 ou mais doses em uma única ocasião).

Levando-se em conta que o jovem diz que “todos bebem”, o mesmo ocorre com as outras drogas: Não é todo mundo que usa álcool ou outras drogas, aliás, de longe, a maioria não usa. Os dados do LENAD III mostram que 6,2% da população masculina adolescente usou cannabis na vida. Comparado com 2012, houve um aumento de 1,5%, sendo que a novidade é que as mulheres estão usando mais do que os homens (4,6% p 7,9%). No último ano, apenas 3,4% (2,3% homens e 4,6% mulheres). Os sintomas neuropsiquiátricos autorrelatados associados ao uso de cannabis em usuários de 14 anos foram:

 


 

Ou seja, 85% da população com 14 anos ou mais nunca usou. Dos usuários, um terço continuou usando (6%), e destes, mais de um terço desenvolve dependência.

Dos usuários, de 30% a 40% pode ter distúrbios ou transtornos relacionados à droga, pois os estudos mostram que os dados são maiores do que a autopercepção.

Em relação à cocaína, os dados são menos prevalentes, mas não deixam de ser assustadores: 94,6% da população brasileira nunca experimentou, mas destes que utilizaram alguma vez, um terço seguiu usando e a maioria desenvolveu dependência. Portanto, não é todo mundo que usa; o consumo entre adolescentes está caindo.

A pergunta que se deve fazer AO JOVEM é: “Vale a pena correr o risco?” Se você pertence a um grupo onde “todo mundo bebe”, você está num grupo errado, pois “a maioria não bebe”. Isto vale para todas as drogas.

 

Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Lanche escolar: atenção para a saúde geral e bucal https://spsp.org.br/lanche-escolar-atencao-para-a-saude-geral-e-bucal/ Mon, 07 Jul 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52123 Atualmente, a alimentação infantil é motivo de grande preocupação dos pais e profissionais de saúde, devido a um aumento alarmante no consumo de alimentos altamente calóricos]]>

Atualmente, a alimentação infantil é motivo de grande preocupação dos pais e profissionais de saúde, devido a um aumento alarmante no consumo de alimentos altamente calóricos e de baixa qualidade nutricional.

É fundamental estimular a formação de hábitos alimentares saudáveis desde os primeiros anos de vida, para garantir o crescimento e desenvolvimento adequados, a manutenção da saúde e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, obesidade e cárie dentária.

Vale lembrar que as crianças não apresentam maturidade e conhecimento suficiente para fazerem suas escolhas alimentares, sendo os pais e cuidadores os principais responsáveis pela escolha, aquisição, preparo e oferta alimentar.

Hábitos alimentares se desenvolvem em casa e são moldados constantemente nos ambientes onde a criança está inserida: escola, casa de amigos e familiares, locais de esporte, praças de alimentação, etc. As preferências alimentares presentes na infância podem se perpetuar na vida adulta. O consumo de carboidratos fermentáveis, em especial a sacarose (açúcar), é um dos fatores que interferem no desenvolvimento de lesões de cáries. O consumo de bebidas e alimentos ácidos em alta frequência pode favorecer a erosão do esmalte dentário, levando à sensibilidade e perda de parte de sua estrutura.

Além das refeições feitas em casa, o lanche escolar, levado de casa ou comprado na escola, também tem um papel muito importante na rotina alimentar. Ele oferece nutrientes e energia para garantir o aproveitamento escolar e permite que a criança chegue com maior controle do apetite na refeição seguinte.

A rotina atarefada das famílias e a crescente seletividade alimentar das crianças têm resultado na confecção de lanches altamente calóricos, compostos na maioria das vezes por alimentos processados e ultraprocessados. A praticidade, durabilidade, alta palatabilidade e embalagens chamativas exercem grande influência no consumo.

É importante destacar que o lanche escolar não precisa ser uma refeição completa, com alimentos de todos os grupos, visto que do ponto de vista energético ele deve representar apenas 10% a 15% do consumo energético diário.

Normalmente o valor energético exibido no pacote de um alimento ultraprocessado refere-se a uma porção muito pequena, que não expressa o tamanho das porções consumidas e confunde o consumidor com frases enganosas, como “Enriquecidos com…”, “Livre de gorduras”, “Zero gorduras trans”, etc.; iludindo os pais em relação à verdadeira composição dos produtos.

Sendo assim, propomos dicas básicas para o seu planejamento:

  • O lanche escolar deve suprir as necessidades nutricionais de cada faixa etária e ser constituído por 2 ou 3 alimentos ou preparações;
  • Alimentos ultraprocessados devem ser evitados;
  • A criança deve ser estimulada a hidratar-se com água. A garrafa de água é item obrigatório e deve ser consumida! Ela pode ser levada cheia e a família deve estimular a criança a tomar com frequência e completar quando acabar;
  • Oferecer frutas em vez de sucos. Elas são importantes fontes de energia, vitaminas, minerais e fibras. As fibras estimulam a mastigação e favorecem o crescimento e desenvolvimento adequado das arcadas dentárias; sendo assim, incluir sempre uma porção de fruta ou hortaliça (tomate, palitos de cenoura e pepino, etc.);
  • Escolher uma fruta prática para ser consumida com casca ou cuja casca possa ser retirada com facilidade (maçã, banana, pera, pêssego, ameixa, morango, mexerica, uva, etc.). Algumas frutas podem ser levadas inteiras, enquanto outras devem ser descascadas e levadas picadas em recipientes com tampa: abacaxi, melão, melancia, manga, etc. Em caso de necessidade de corte, fazê-lo o mais perto possível do consumo. Lembrar que, conforme a idade, frutas como a uva devem ser cortadas, para evitar engasgos, e todos os itens devem ser pré-lavados, secos e bem embalados;
  • Caso a escolha seja suco, sempre eleger o natural ou integral ou 100% da fruta. Vale lembrar que esses sucos não contêm açúcar, mas na maioria dos casos podem ser diluídos na proporção de 2 partes de suco para 1 de água, já que são altamente concentrados. No caso de sucos naturais, preparar bem perto do consumo e lembrar-se que esse tipo de alimento tem quantidade máxima a ser consumida por dia consumo máximo ao dia;
  • Enviar um alimento fonte de proteína: leite, iogurte, queijo, ovo cozido, ovo de codorna (5 unidades = 1 ovo de galinha), crepioca, sanduíche de atum, frango, etc.;
  • Compor com uma fonte de carboidrato: pão francês, pães integrais (aveia, grãos, centeio, integral, preto), pão sírio, torrada integral, torrada, bolo caseiro, tapioca, cereal matinal sem adição de açúcar, pipoca de panela, wrap, cookie integral, panqueca caseira, snack de batata, batata-doce, mandioca, mandioquinha, etc.; restringindo o consumo das versões ultraprocessadas, como bisnaguinha, pão egg sponge, bolinhos prontos, ;
  • Sugestões de recheio: queijo minas, queijo meia-cura, mussarela de búfala, manteiga, requeijão, fritada (ex.: ovo mexido com tomate), patês de ricota temperada, frango, geleia de frutas sem adição de açúcar, pasta de amendoim, etc.;
  • É importante utilizar lancheiras de material térmico ou gelo em placas para manter a qualidade dos alimentos e evitar que gêneros perecíveis fiquem sem refrigeração por mais de três horas.

Alimentos e preparações que não devem entrar na rotina alimentar da criança. Caso algum item seja eleito para o lanche escolar, restringir a oferta para 1 vez por semana:

  • Sucos e refrescos de caixinha;
  • Snacks e salgadinhos de pacote;
  • Leite fermentado, tipo Yakult (EVITAR);
  • Achocolatados prontos (Toddynho e similares);
  • Doces em geral (chocolate, sorvete cremoso, pirulito, balas, etc.);
  • Pães e bolos com recheios e cremes;
  • Pães doces;
  • Salgados fritos (coxinha, risole, bolinha de queijo, etc.) e assados (pão de queijo, enrolado de salsicha, enrolado de frios, empada, croissant, etc.);
  • Bolachas em geral, especialmente as recheadas;
  • Waffle;

Bebidas isotônicas, como Gatorade e similares, são contraindicadas, devido aos altos teores de sódio.

Lembrar que os lanches não consistem em refeições inteiras. Cada item é apenas uma parte do conjunto; então não se deve exagerar nas quantidades.

 

Relatora:
Vera Regina M. Dishchekenian
Especialista em Nutrição Materno-Infantil
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Colaboradoras:
Ana Flavia Calvo
Cristina Giovannetti Del Conte
Patricia Roulet
Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Compromisso com o futuro https://spsp.org.br/compromisso-com-o-futuro/ Thu, 20 Oct 2022 12:33:19 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35043 ]]>

O mês de outubro, em termos de datas comemorativas, é muito interessante. Reúne em dias diferentes comemorações que conversam entre si, apontando para um fim comum. Vejam esta sequência: 2 de outubro: Dia internacional da não violência e Dia do anjo da guarda. 13 de outubro: Dia internacional para a redução de desastre.

Nessas comemorações se visa conscientizar para a prevenção da violência e dos eventos advindos de catástrofes e outros desastres. Em ambas há a possibilidade de mortes por fatores externos, mutilações, incapacitações, dor, sofrimento. É muito interessante, quase “terapêutico”, que se convide “o anjo da guarda” a participar dessa empreitada. Nem sempre os nossos recursos como pessoas ou sociedade parecem satisfazer a necessidade. Às vezes passam de largo ou são absolutamente impotentes. Como os acidentes não avisam quando vão acontecer efetivamente, embora muitos possam até ser pré-anunciados, é muito interessante (ou bom) saber que há um anjo da guarda de “plantão” a cada dia.

Conscientizar para prevenir. Este deve ser um compromisso da família, da escola, dos entes públicos, dos serviços de proteção à criança e ao adolescente. É um compromisso em especial com o futuro, com o legado que deixaremos para os que virão depois de nós.

A violência se intensifica quanto mais injusta for uma sociedade. Quanto mais desigualdade existir, quanto mais portas se fecharem para os jovens no mercado de trabalho, quanto maior a pobreza, quanto mais evasão escolar ocorrer, quanto mais analfabetos tecnológicos existirem, mais terreno fértil a violência encontrará para prosperar.

Desastres acontecem, tanto pelo infortúnio causado pela aleatoriedade, quanto pelo descaso. Aos primeiros chamamos de fatalidade, aos segundos de omissão inaceitável. Para os primeiros, não temos antídotos. Para o segundo caso é onde devemos alocar os nossos esforços.

Esses eventos têm causas multifatoriais. O fenômeno das enchentes provocadas por chuvas torrenciais pode nos ajudar a compreender a complexidade do tema e as suas inter-relações: enchentes severas podem ter seu impacto diminuído quando há desassoreamento de rios, quando os esgotos têm seu escoamento assegurado, quando há a coleta e o despejo adequado do lixo, quando ocorre a preservação das margens dos mananciais e reservatórios de águas para abastecimento populacional, quando se mapeiam as áreas de riscos para deslizamentos, quando se cuida do ecossistema e de sua preservação. O nosso estilo de vida é parte dessa equação. O consumismo agride o ambiente e acentua desigualdades. O consumerismo é uma nova óptica que harmoniza o consumo com a necessidade e evita o acúmulo e o desperdício. Dia 15 de outubro é o Dia do consumo consciente.

Os temas apresentados têm que ser enfrentados com seriedade por todos que compõem a sociedade atual. Este é o selo de confiança deste compromisso com o futuro.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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