Conscientização – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 22 May 2026 12:28:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Conscientização – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Lúpus – importância da informação, diagnóstico precoce e cuidado contínuo https://spsp.org.br/lupus-importancia-da-informacao-diagnostico-precoce-e-cuidado-continuo/ Sun, 10 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56906 ]]>

No dia 10 de maio, celebramos o Dia Mundial do Lúpus, uma data dedicada a ampliar a conscientização sobre essa doença autoimune crônica, que pode afetar pessoas de todas as idades – inclusive crianças e adolescentes.

O lúpus eritematoso sistêmico juvenil ocorre quando o sistema imunológico, responsável por defender o organismo contra infecções, passa a atacar os próprios tecidos saudáveis. Esse processo pode atingir diferentes órgãos, como pele, articulações, rins, sangue e sistema nervoso.

Embora seja mais comum em adultos, cerca de 15% a 20% dos casos começam na infância e adolescência. Nessa faixa etária, a doença pode se manifestar de forma mais intensa e, muitas vezes, mais abrupta.

Os sinais e sintomas podem variar bastante e, por vezes, se confundem com outras doenças, o que pode dificultar o reconhecimento precoce. Entre os principais sinais de alerta estão febre sem causa aparente, cansaço excessivo, dores e inchaço nas articulações, manchas na pele – especialmente no rosto, em formato de “asa de borboleta” –, queda de cabelo, aftas na boca, inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos e alterações no exame de urina, como presença de sangue ou proteína. Na infância, a doença pode apresentar maior comprometimento de órgãos como os rins (nefrite lúpica), o sangue e o sistema nervoso, e se instala de forma mais aguda que nos adultos.

O diagnóstico é realizado a partir da combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Não existe um único exame que confirme a doença, mas testes como o fator antinuclear (FAN), além de exames de sangue e urina, ajudam na investigação. Por isso, a avaliação por um reumatologista pediátrico é fundamental.

Apesar de não ter cura, o lúpus tem tratamento e o acompanhamento adequado permite controlar a doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. O tratamento é individualizado e depende dos sintomas apresentados, podendo incluir medicamentos para controlar a inflamação e modular o sistema imunológico, além de medidas importantes, como proteção solar, alimentação equilibrada e acompanhamento regular. Outro ponto essencial é o suporte emocional e o envolvimento da família, já que o diagnóstico pode impactar a rotina escolar, social e o bem-estar da criança ou adolescente.

A conscientização sobre o lúpus é fundamental para reduzir atrasos no diagnóstico e evitar complicações. Reconhecer os sinais precoces e buscar atendimento médico especializado faz toda a diferença no prognóstico. Neste Dia Mundial do Lúpus, reforçamos a importância da informação, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo, para que crianças e adolescentes com lúpus possam ter uma vida ativa, saudável e com qualidade.

 

Relatora:
Annelyse de Araújo Pereira
Secretária do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP

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Semana Mundial das Imunodeficiências Primárias: o alerta que salva vidas https://spsp.org.br/semana-mundial-das-imunodeficiencias-primarias-o-alerta-que-salva-vidas/ Thu, 23 Apr 2026 17:45:11 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56521 Aproveitando a Semana Mundial de Conscientização, que ocorre de 22 a 29 de abril, é fundamental discutir abertam]]>

Aproveitando a Semana Mundial de Conscientização, que ocorre de 22 a 29 de abril, é fundamental discutir abertamente os Erros Inatos da Imunidade (EII), historicamente conhecidos como Imunodeficiências Primárias (IDPs). A informação é a ferramenta mais poderosa para tirar milhares de brasileiros da invisibilidade e garantir o tratamento adequado.

O que são, afinal, as Imunodeficiências Primárias?

As IDPs são condições genéticas em que o indivíduo nasce com defeitos no sistema imunológico. Atualmente, existem mais de 500 tipos identificados. Enquanto alguns casos permitem uma vida quase normal até a fase adulta, outros se manifestam de forma gravíssima logo nos primeiros dias de vida, exigindo intervenção imediata para evitar sequelas permanentes.

Os sinais de alerta – quando a dúvida vira diagnóstico:

O grande desafio clínico é que essas doenças agem como “camaleões”, escondendo-se atrás de infecções que parecem comuns. No entanto, existe um limite entre a frequência esperada de doenças na infância e o que deve ser considerado preocupante. Pais e profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais de alerta estabelecidos pela Fundação Jeffrey Modell:

  • Duas ou mais pneumonias no último ano;
  • Quatro ou mais novas otites (infecções de ouvido) em um ano;
  • Sinusites graves e refratárias ao tratamento;
  • Estomatites persistentes ou infecções por fungos na boca e na pele;
  • Uso de antibióticos por dois meses ou mais, sem resposta eficaz;
  • Interrupção no crescimento ou ganho de peso em bebês;
  • Abscessos de repetição na pele ou órgãos internos;
  • Necessidade de antibióticos venosos para tratar infecções que deveriam ser simples;
  • Histórico familiar de imunodeficiência;
  • Ocorrência de uma única infecção grave (como meningite, osteomielite ou sepse).

O tamanho do problema no Brasil:

As estatísticas revelam um cenário preocupante: estima-se que 170 mil brasileiros vivam com algum erro inato da imunidade, mas a vasta maioria — entre 70% e 90% — ainda não possui o diagnóstico correto. Sem saber da condição, esses pacientes enfrentam internações sucessivas e sofrem com sequelas irreversíveis nos pulmões ou ouvidos, quando um diagnóstico precoce poderia mudar drasticamente esse desfecho.

Idade não é barreira:

Diferente do que muitos acreditam, as IDPs não são restritas à idade pediátrica. Determinados defeitos genéticos tornam-se evidentes apenas na adolescência ou fase adulta. Portanto, adultos que apresentem infecções respiratórias graves de repetição também devem buscar investigação especializada com um imunologista.

Diagnóstico e tratamento – existe luz no fim do túnel:

Embora as sequelas da doença sejam severas, o caminho para a identificação é viável e muitas vezes se inicia com exames de sangue acessíveis, como o hemograma e a dosagem de anticorpos (imunoglobulinas). Uma vez diagnosticado, o tratamento evoluiu significativamente:

  • Reposição de imunoglobulina: Fornecimento de anticorpos via infusão (venosa ou subcutânea) para quem não os produz;
  • Antibióticos profiláticos: Uso de doses baixas para prevenir a instalação de bactérias;
  • Transplante de Medula Óssea (TMO): Indicado para casos gravíssimos (como os “bebês da bolha”), podendo representar a cura definitiva ao reiniciar o sistema imunológico.

O poder do diagnóstico precoce:

O diagnóstico correto transforma a vida do paciente, evitando a evasão escolar, aposentadorias precoces por invalidez e o isolamento social. Com o acompanhamento adequado, a pessoa com IDP pode ter uma vida plena, frequentando a escola, trabalhando e praticando esportes.

Esta semana de conscientização visa dar voz a quem está cansado de sempre estar doente. Se você identificou esses sinais em si mesmo ou em alguém próximo, procure ajuda especializada.

Divulgar essa informação é um ato de solidariedade que salva vidas.

 

Relator:
Pérsio Roxo Junior
Secretário do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP


  

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Cardiopatias congênitas – importância do diagnóstico precoce https://spsp.org.br/cardiopatias-congenitas-importancia-do-diagnostico-precoce/ Wed, 11 Jun 2025 19:11:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51708 Você sabia que as cardiopatias congênitas são as anomalias congênitas mais comuns ao nascimento? Estima-se que a cada 100 bebês nascidos vivos, 1 nasce com algum tipo de defeito]]>

Você sabia que as cardiopatias congênitas são as anomalias congênitas mais comuns ao nascimento? Estima-se que a cada 100 bebês nascidos vivos, 1 nasce com algum tipo de defeito estrutural no coração. Isso representa cerca de 29 mil novos casos por ano no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

O Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, celebrado em 12 de junho, tem como principal objetivo informar e sensibilizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do apoio às famílias que convivem com essa condição.

As cardiopatias congênitas são alterações na formação do coração e dos grandes vasos que ocorrem ainda na fase embrionária, durante a gestação. Essas alterações podem comprometer a oxigenação adequada do organismo e, se não identificadas precocemente, podem levar a complicações graves nos primeiros dias, semanas ou meses de vida.

E como detectar precocemente?

O diagnóstico pode ser feito ainda durante a gestação, por meio da ecocardiografia fetal, exame indicado para todos, mas principalmente quando há alterações no ultrassom morfológico, histórico familiar de cardiopatias ou fatores de risco maternos, como diabetes ou uso de medicamentos teratogênicos.

Após o nascimento, alguns sinais de alerta merecem atenção:

– Cianose (coloração arroxeada na pele, lábios ou unhas)

– Dificuldade para mamar

– Suor excessivo

– Dificuldade de ganho de peso

– Sopros cardíacos detectados na ausculta

Além disso, a realização do teste de oximetria de pulso, conhecido como teste do coraçãozinho, é fundamental. Esse exame, obrigatório por lei em todo o território nacional, deve ser feito nas primeiras 24 a 48 horas de vida e pode indicar a necessidade de investigação com ecocardiograma.

Ainda hoje, muitas crianças com cardiopatias congênitas recebem o diagnóstico tardiamente, o que pode comprometer a eficácia do tratamento. Conscientizar profissionais de saúde, pais e cuidadores sobre os sinais clínicos e a importância do rastreio precoce é uma das ferramentas mais poderosas que temos para mudar essa realidade.

A maioria das cardiopatias congênitas pode ser tratada, seja por meio de medicações, procedimentos intervencionistas ou cirurgias cardíacas. Crianças com cardiopatias podem sim ter um desenvolvimento dentro da normalidade e levar uma vida saudável quando recebem assistência adequada desde o início.

As famílias que recebem o diagnóstico de uma cardiopatia congênita enfrentam desafios emocionais, logísticos e, muitas vezes, financeiros. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar, com equipe composta por cardiopediatra, cirurgião cardíaco, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, é essencial.

Além disso, o acolhimento e a informação clara ajudam a reduzir o medo, fortalecer o vínculo familiar e melhorar os desfechos clínicos. A participação em grupos de apoio também pode ser uma fonte importante de troca e esperança.

Por esse motivo, neste dia 12 de junho renovamos o nosso compromisso com a conscientização, o diagnóstico precoce e o cuidado integral às crianças com cardiopatias congênitas. Que mais profissionais estejam capacitados, mais famílias sejam acolhidas, e mais crianças tenham acesso ao que é seu por direito.

 

Relator:
Gustavo Foronda
Presidente do Departamento Científico de Cardiologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Entendendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA): sinais, causas e a importância da intervenção precoce https://spsp.org.br/entendendo-o-transtorno-do-espectro-autista-tea-sinais-causas-e-a-importancia-da-intervencao-precoce/ Wed, 02 Apr 2025 14:14:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50823 No dia 2 de abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data estabelecida]]>

No dia 2 de abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data estabelecida pela ONU em 2007. A iniciativa busca promover a compreensão e a empatia em relação às pessoas no espectro autista, além de incentivar a criação de políticas públicas que garantam a inclusão e a proteção desses indivíduos. O símbolo da conscientização, representado por um laço colorido, reflete a diversidade e a importância de apoiar a causa.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que aparece de várias maneiras, podendo afetar a fala, o comportamento e as habilidades sociais da criança. A partir dos dois anos, os pais começam a notar alguns comportamentos que podem ser sinais do transtorno, como dificuldades para falar, repetir ações constantemente, ter hipersensibilidade a certos estímulos e dificuldades em interagir socialmente. Alguns sinais comuns incluem atraso na fala ou até uma fala muito repetitiva ou sem intenção comunicativa; não manter contato visual; inquietação motora, como balanceio do corpo para frente e para trás, flappings (chacoalhar as mãos ritmicamente). Além disso, é comum a criança rodar objetos, andar na ponta dos pés e a busca por objetos rígidos e aleatórios e brincadeiras que não envolvem um faz de conta.

Muitos desses comportamentos já haviam sido descritos e nomeados de autismo infantil precoce, em 1943, por Leo Kanner, psiquiatra austríaco naturalizado norte-americano.

O autismo se apresenta de formas variadas: pode-se dizer que são vários autismos, ainda que algumas características se apresentem em todos eles. Entendemos que todos os indivíduos são únicos, por isso há uma multiplicidade de fenômenos e várias formas e intensidade em que esses comportamentos se apresentam em cada criança. Assim, faz sentido falar em espectro.

As últimas pesquisas apontam para causas multifatoriais, em que há uma interação de causas orgânicas, genéticas, emocionais e ambientais. E as novas descobertas da Epigenética demonstram uma interação importante entre elementos genéticos e ambientais, chamando a atenção para os fatores que interferem na expressividade genética, sem que haja alterações no DNA. Além disso, a plasticidade neuronal, nos primeiros anos de vida, pode ajudar a modificar padrões neuronais.

Vários estudos já apontam para falhas precoces no desenvolvimento dos bebês, que seriam consideradas “portas abertas” para os TEAs. Assim, se pudermos intervir a tempo, em sessões conjuntas pais-bebê, muitas conquistas significativas podem ser alcançadas, fortalecendo os vínculos afetivos e, desta forma, propiciando um desenvolvimento mais satisfatório das funções psíquicas.

Existem cada vez mais estudos e investigações sobre o desenvolvimento dos bebês e as possíveis falhas nesse processo, se detectadas precocemente e trabalhadas, incidirão positivamente na saúde psíquica, muitas vezes desviando essas crianças de um caminho que as levaria ao autismo, ou ao menos amenizando um quadro que poderia vir a ser mais grave.

Muratori e Apicella, dois pesquisadores do autismo, acreditam que as anormalidades no desenvolvimento motor podem estar relacionadas às atipicidades sociais. Os autores postulam que a presença de habilidades motoras precoces fora do padrão, por exemplo, hipoatividade, repertório motor pobre e assimetria postural, pode ser entendida como possível precursora corporal das dificuldades sociais. Esses pesquisadores também salientaram que as intervenções psicanalíticas nas relações iniciais pais-bebês demonstram ganhos significativos nas funções sociais e cognitivas de crianças autistas, principalmente porque acontecem em um momento de maior plasticidade neuronal.

Ainda que seja importante pensarmos em desenvolvimento cognitivo e nos entraves que possam surgir nesse quesito, é imprescindível atentar ao fato de que o cognitivo se constrói junto ao desenvolvimento psíquico e emocional.

Dessa forma, é cada vez mais necessário o estudo do desenvolvimento psíquico e a maneira como trabalharmos com essas crianças, dentro desse referencial que considera a psique e o emocional. Essa abordagem é mais abrangente do que o mero foco na modificação padronizada de comportamentos sociais não adaptados, pois cada criança é única, tem uma história de desenvolvimento, uma família, um psiquismo que lhe é próprio.

 

Relatora:

Fátima Maria Vieira Batistelli
Psicanalista da SBPSP – Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Membro do GPPA – Grupo de Pesquisa e Psicanálise em Autismo.
Membro da Clínica 0 a 3 – Intervenção nas relações iniciais pais-bebê e criança pequena, da SBPSP.
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Conscientização e prevenção sobre os defeitos do nascimento https://spsp.org.br/conscientizacao-e-prevencao-sobre-os-defeitos-do-nascimento/ Mon, 03 Mar 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50422 No dia 3 de março é celebrado o Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, uma data criada para conscientização sobre condições que podem afetar a saúde e o desenvolvimento dos]]>

No dia 3 de março é celebrado o Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, uma data criada para conscientização sobre condições que podem afetar a saúde e o desenvolvimento dos bebês. Defeitos do nascimento, também conhecidos como anomalias congênitas, são alterações estruturais ou funcionais presentes desde a gestação, que podem impactar negativamente a qualidade de vida das crianças. Essas malformações são problemas estruturais ou funcionais que ocorrem durante o desenvolvimento do bebê, geralmente no início da gravidez. Elas podem afetar qualquer parte do corpo, incluindo coração, cérebro, pés, entre outros. Alguns exemplos comuns incluem:

  • Fendas labiopalatais: Abertura na boca ou no céu da boca.
  • Cardiopatias congênitas: Situação de gravidade que ocorre quando a formação do coração se faz de forma anormal.
  • Espinha bífida: Problema grave de desenvolvimento da coluna vertebral.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo reforça a importância da prevenção e do acompanhamento pré-natal, com consultas regulares e exames durante a gravidez, que colaboram para identificar precocemente possíveis defeitos do nascimento para reduzir as suas consequências. Fatores como a ingestão de ácido fólico antes e durante a gestação, vacinação adequada, controle de doenças crônicas e evitar o consumo de álcool, tabaco e outras substâncias nocivas são essenciais para uma gestação mais saudável.

Além disso, o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. Exames como o teste do pezinho, ultrassonografias e outros procedimentos podem identificar condições que necessitam de cuidados específicos logo nos primeiros momentos de vida, garantindo um melhor prognóstico e qualidade de vida para a criança se a intervenção for também precoce.

Neste Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, convidamos todas as famílias a se informarem e se engajarem nessa causa, lembrando que as famílias dessas crianças frequentemente precisam de apoio emocional e financeiro. O conhecimento e a prevenção são os melhores aliados para garantir um início de vida saudável para os bebês.

Neste sentido, a Sociedade de Pediatria de São Paulo segue comprometida em promover a saúde das nossas crianças e em apoiar as famílias nesse percurso, e através de campanhas, eventos educativos e orientações, buscamos proporcionar melhor qualidade de vida e inclusão para todos.

Junte-se a nós neste Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento.

 

Relator:
Celso Moura Rebello
Presidente do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Importância da lavagem das mãos na prevenção e controle das infecções https://spsp.org.br/importancia-da-lavagem-das-maos-na-prevencao-e-controle-das-infeccoes/ Tue, 15 Oct 2024 14:03:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48486 No dia 15 de outubro é lembrado e comemorado o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, uma data criada com três objetivos principais:]]>

No dia 15 de outubro é lembrado e comemorado o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, uma data criada com três objetivos principais: apoiar uma cultura mundial de lavagem das mãos com sabão, chamar a atenção dos governantes para a importância do ato e aumentar a conscientização sobre os seus benefícios.

A lavagem das mãos é, sem dúvida, a maneira mais simples, eficaz e de maior importância na prevenção e controle da disseminação de infecções virais e bacterianas, devendo ser realizada com frequência durante o dia, pois uma grande quantidade de organismos entra em contato com o nosso corpo inicialmente pela mão.

A adoção desse hábito – somada à descoberta das vacinas e dos antibióticos – foi a grande responsável pela queda vertiginosa das mortes por causas naturais no começo do século XX.

Nos nossos organismos existem micro-organismos que vivem em harmonia com nosso corpo, sem nos causar nenhuma doença. Algumas bactérias são essenciais para a manutenção da saúde de vários sistemas, como a microbiota intestinal e o microbioma da pele. Entretanto, também existem micro-organismos que podem causar problemas graves, e é contra esses agentes que devemos nos proteger. 

Até meados de 1800 nem as pessoas, nem os médicos se preocupavam em lavar as mãos – eles iam da dissecação de um cadáver ao parto de uma criança. 

Em 1848, um médico húngaro chamado Ignaz Semmelweis, do Hospital Geral de Viena, manifestou preocupação com esse hábito. Um dos problemas mais dramáticos que passavam as clínicas de obstetrícia era a altíssima incidência da infecção pós-parto. 

Naquela época ainda não haviam sido descobertos os micro-organismos e o médico húngaro decidiu realizar um experimento. Antes dos partos, os médicos deveriam higienizar as mãos e os seus instrumentos com uma solução de cloro. Depois de alguns meses, a taxa de mortalidade de mães após o parto, que era de assustadores 18%, caiu para 1%.

Infelizmente não deram muito crédito ao Dr. Semmelweis na época, e foi apenas nas décadas seguintes, com a evolução das pesquisas sobre micro-organismos, as descobertas de Louis Pasteur, famoso pela pasteurização, e de Robert Koch, com suas pesquisas sobre cólera, tuberculose, antraz e outros patógenos que aumentou a conscientização sobre a necessidade da prática da higienização de mãos, a ser adotada cada vez mais nas instituições hospitalares e pelas pessoas comuns. 

Hoje, lavar as mãos é ato reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais instrumentos contra epidemias e doenças em geral, podendo reduzir em até 40% a contaminação por vírus e bactérias que causam doenças como gripes, conjuntivites, diarreias, Covid, resfriados, estomatites, entre outras. 

Lamentavelmente, atualmente ainda é uma prática difícil de ser implementada. Uma pesquisa realizada com estudantes universitários em 2009, publicada na revista American Journal of Infection Control, mostrou que apenas 69% das mulheres e 43% dos homens lavavam as mãos após urinar, 84% das mulheres e 78% dos homens lavavam as mãos após defecar e, antes de comer — um momento crítico para lavar as mãos -, apenas 10% dos homens e 7% das mulheres lavavam as mãos.

A lavagem das mãos deve ser executada principalmente nas seguintes ocasiões:

  • Antes de preparar ou consumir alimentos;
  • Antes e depois de se entrar em contato com pessoas doentes ou acamadas;
  • Antes e depois de cuidar dos bebês, especialmente após a troca das fraldas;
  • Antes e depois de ir ao banheiro;
  • Depois de espirrar, tossir ou assoar o nariz;
  • Após entrar em contato com animais;
  • Após as crianças brincarem ou retornarem da escola;
  • Assim que chegamos em casa, vindos da rua;
  • Após manipular objetos potencialmente sujos ou contaminados (maçanetas, corrimão, interruptores, celulares, carros, elevadores, carrinhos de supermercado, sacolas de feira, dinheiro, objetos em consultórios médicos ou hospitais, etc.); 
  • Sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas.

 

É muito importante ensinarmos as crianças a lavarem as mãos com frequência, dando exemplos através do nosso comportamento, explicando sobre a existência de micro-organismos que não vemos e que podem nos causar doenças. 

A lavagem correta das mãos precisa seguir alguns passos importantes: deve-se fazer a fricção de toda a superfície das mãos, incluindo as pregas das palmas, o dorso das mãos, a região do polegar e a ponta dos dedos, removendo também a sujeira que fica sob as unhas.

Basta uma lavagem por 20-30 segundos, de forma eficaz com água e sabão e, na falta desses itens, usar álcool em gel 70%. 

Transformar a lavagem das mãos em um hábito frequente pode salvar mais vidas do que qualquer intervenção médica e está ao alcance de todos nós!

Vamos comemorar o Dia Mundial da Lavagem das Mãos ensinando nossos pequenos a importância desse hábito tão simples!

 

Relatora:
Silvia Bardella Marano
Membro dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Hoje o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento https://spsp.org.br/hoje-o-dia-mundial-da-prevencao-do-afogamento-2/ Thu, 25 Jul 2024 16:08:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47214 Celebrada em 25 de julho, essa data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021, com o intuito de aumentar a conscientização sobre o alto custo humano, social]]>

Celebrada em 25 de julho, essa data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021, com o intuito de aumentar a conscientização sobre o alto custo humano, social e econômico que o afogamento representa no mundo. Considerado uma das principais causas evitáveis de morte e de sequelas, o afogamento ocupa a 3ª colocação no ranking de óbitos por lesões não intencionais no mundo, ceifando a vida de milhares de indivíduos menores de 25 anos, com particular impacto na faixa etária pediátrica. Muitos sobreviventes ficam com danos cerebrais irreversíveis e incapacidades a longo prazo. O afogamento é uma tragédia totalmente evitável e um problema de desenvolvimento, com alguns países perdendo o equivalente a cerca de 3% do seu PIB anual (as comunidades mais pobres em todos os países são as mais atingidas).

Da conscientização da escala do problema ao reconhecimento e promoção de soluções testadas para prevenir o afogamento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) coordena ações baseadas em seis intervenções básicas e de baixo custo. Dentre elas, merecem destaque: a instalação de barreiras físicas para controlar o acesso às águas, a observação infantil direta com cuidadores treinados, e o ensino para crianças em idade escolar das habilidades básicas de natação.

 

Faça a sua parte:

  1. Coloque cercas de proteção em torno de reservatórios de água. Em piscinas, coloque cercas de proteção de pelo menos 1,5 m de altura, nos quatro lados da piscina, isolando-a da casa e com um portão que possa ser trancado. Se a cerca for vazada, que não tenha espaços maiores que 12 cm (sua conformação não deve permitir que crianças ou pets passem pelos espaços ou a escalem!). Previnem mais de 50% dos afogamentos.

  2. A supervisão deve ser atenta e constante à criança próxima a qualquer reservatório de água, principalmente às menores de 5 anos. O supervisor não deve estar envolvido em outra atividade ou distração (uso de celular, consumo de álcool) e deve saber nadar. A “supervisão de toque” deve ser realizada para crianças menores de 5 anos ou “nadadores inexperientes”, estando o adulto supervisor dentro da água “ao alcance de um braço” da criança (como exemplificado na foto de ilustração deste texto).

  3. Use dispositivos de flutuação pessoal tipo “coletes salva-vidas”, certificados de acordo com a NORMAM (Norma de Autoridade Marítima da Marinha do Brasil) e SOLAS (Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar). Devem ser utilizados em todas as formas de transporte ou esporte aquáticos e por crianças pequenas ou por pessoas sem habilidade para nadar quando próximas ou na água. Outros tipos de “boias” não são seguros, podendo desinsuflar ou se desprender do corpo inadvertidamente.

  4. Crianças de 4 anos ou mais devem ter aulas de natação. Aprender a nadar deve ser visto como um componente da “competência na água”, que também inclui conhecimento e consciência dos perigos locais e/ou riscos e de suas próprias limitações. Crianças acima de 1 ano conseguem aprender algumas habilidades na água, mas a aquisição de competência na água é um processo demorado, que requer aprendizagem e maturação do desenvolvimento da criança.

  5. Procure nadar (piscinas ou mares) onde haja salva-vidas (guarda-vidas) e sempre respeite as placas de advertência dos lugares.

  6. Treinamento em ressuscitação cardiopulmonar (RCP): recomenda-se que todas as pessoas saibam realizar as manobras e de forma segura, principalmente pais e cuidadores, uma vez que o início imediato das manobras de RCP demonstrou grande impacto na sobrevida e prognóstico da vítima afogada.

  7. Evite os comportamentos de risco na água: nadar sozinho, hiperventilar, usar álcool ou drogas, brincadeiras como dar caldo, empurrar, pular de cabeça em águas com baixa visibilidade. Coloque dispositivos anti sucção em ralos de piscinas, jacuzzis. Esvazie baldes, banheiras, piscinas portáteis que não estejam em uso e mantenha crianças menores de 5 anos afastadas.


Campanha “Não se Afogue”, do Departamento Científico de Segurança da SPSP, que traz as principais condutas e medidas de prevenção baseadas em cada letra do título:

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia Nacional do Teste do Pezinho https://spsp.org.br/dia-nacional-do-teste-do-pezinho/ Thu, 06 Jun 2024 16:30:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46538 ]]>

O “Dia Nacional do Teste do Pezinho”, uma data estabelecida para conscientizar a população sobre a importância desse exame essencial para a saúde dos recém-nascidos, é comemorado no Brasil no dia 6 de junho. O “Teste do Pezinho” é o nome que se popularizou para a triagem neonatal de uma série de doenças, sendo realizado a partir de uma gota de sangue retirada do calcanhar do bebê após o nascimento. Esse exame permite a detecção precoce de diversas doenças metabólicas, genéticas e infecciosas que podem comprometer o desenvolvimento infantil.

A triagem neonatal no Brasil teve início na década de 1970, inspirada por algumas iniciativas internacionais que já demonstravam a eficácia do teste em outros países. No ano de 1992, o Programa Nacional de Triagem Neonatal foi instituído pelo Ministério da Saúde, regulamentando a obrigatoriedade do Teste do Pezinho em todo o território nacional. Essa determinação tornou o exame uma prática comum e uma importante ferramenta de saúde pública, pois através dele é possível identificar doenças como o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a anemia falciforme, a fibrose cística, entre outras. A detecção precoce dessas condições permite não apenas que o tratamento seja iniciado nos primeiros meses de vida, prevenindo complicações graves e, muitas vezes, garantindo uma melhor qualidade de vida para as crianças afetadas, mas também reduzindo os custos associados às complicações das doenças não diagnosticadas e não tratadas a tempo, o que é importante em países com recursos limitados como o nosso.

Um dos aspectos mais importantes do “Dia Nacional do Teste do Pezinho” é a conscientização da sociedade sobre a necessidade de realização do exame. Muitas famílias, por desinformação ou falta de acesso aos serviços de saúde, acabam não realizando o teste ou o fazem fora do período ideal. Campanhas de conscientização, promovidas por órgãos de saúde e entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), são essenciais para informar a população e garantir que os recém-nascidos tenham acesso a esse importante exame.

A data também serve para reforçar a importância de investimentos contínuos em pesquisa e tecnologia para a ampliação do escopo do Teste do Pezinho. Atualmente, a versão básica do exame cobre seis doenças, mas versões ampliadas, que detectam até 50 doenças, estão disponíveis em algumas regiões e instituições privadas. A meta é que, no futuro, a versão ampliada seja acessível a toda a população brasileira, garantindo uma cobertura ainda maior e mais abrangente. Essa desigualdade é um importante desafio a ser superado, especialmente nas regiões mais remotas e carentes do país. Esforços para garantir a universalidade e a equidade no acesso ao Teste do Pezinho são essenciais para que todos os bebês brasileiros tenham um início de vida saudável e protegido contra doenças tratáveis.

 

Relator:
Celso Moura Rebello
Presidente do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial de Conscientização do Autismo 2024 https://spsp.org.br/dia-mundial-de-conscientizacao-do-autismo-2024/ Tue, 02 Apr 2024 17:41:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=44416 “Valorize as capacidades e respeite os limites” é o slogan que marca este ano o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Uma importante recomendação para nos lembrar]]>

“Valorize as capacidades e respeite os limites” é o slogan que marca este ano o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Uma importante recomendação para nos lembrar da importância da singularidade e do respeito às diferenças, que não estão presentes apenas nos transtornos, mas que ganham eloquência quando somos convocados a compreender um universo tão peculiar como o desses indivíduos.

No dia 2 de abril, a temática ganha destaque e com isso diminui o abismo separatista que pode tornar essa vivência ainda mais solitária, numa sociedade que tanto valoriza a adaptação e o desempenho.

Uma das importantes ressalvas é considerar que são “muitos autismos” e que um indivíduo com características de TEA – Transtorno do Espectro Autista precisa ser compreendido em sua individualidade, para que possamos facilitar sua inclusão e socialização. São ações que precisam estar nas prioridades das políticas públicas, mas que não deixam de ser responsabilidade de cada um de nós. E é nessa direção que o slogan nos convoca, para que possamos evitar os preconceitos e os estigmas.

Temos muito ainda a compreender. E muitos equívocos ainda impedem que essas crianças possam se desenvolver de forma mais rica, adquirindo capacidade de subjetivação, que faz com que elas se apropriem de sua existência e desejos. O engodo é muitas vezes se resignar na falsa informação de que é uma criança que só pode ser treinada e tornar-se apenas funcional.

O percurso histórico dos últimos 80 anos nos mostra o quanto já se avançou; mas é o interesse e o empenho de cada um de nós que permitirão que essas crianças que apresentam sinais de risco não sejam condenadas a um viver empobrecido.

O autismo foi primeiramente descrito e nomeado por Leo Kanner, em 1943, a partir da descrição de 11 casos de crianças que apresentavam forte tendência ao retraimento, sem, no entanto, terem características que justificassem um retardo mental. Kanner denominou essa síndrome de “autismo infantil precoce”.

Desde essa época, muitos estudos têm sido feitos com o intuito de compreender a etiologia do que hoje denominamos transtorno do espectro autista.

Pesquisas recentes falam a favor de causas multifatoriais para os TEAs, isto é, muitos são os elementos que podem compor a etiologia desse transtorno. Além de que por meio da epigenética (campo de pesquisa que investiga como os estímulos ambientais podem ativar determinados genes e silenciar outros), os estudos demonstram uma interação importante entre fatores genéticos e ambientais, reforçando consideravelmente o ponto de vista do ambiente da criança, tanto em termos gerais como emocionais.

O transtorno do espectro autista é considerado um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado pelos seguintes comportamentos, iniciados na infância:

  • Dificuldades ou incapacidade de se relacionar, isto é baixa interação social;
  • Ausência ou atraso na aquisição da linguagem;
  • Não dirige o olhar – esse muitas vezes é desviante ou é como se atravessasse o interlocutor;
  • Fala ecolálica, isto é, repetição de palavras ou frases ditas na TV ou em filmes que assiste, sem nenhuma intenção comunicativa;
  • Flappings (balanceio das mãos na altura dos ombros, como asas de pássaros) ou movimentos estereotipados (esses podem ser os mais variados: pular incessantemente, escrever no ar, etc.);
  • Manutenção rígida de rotinas, inclusive na alimentação;
  • Uso não simbólico dos brinquedos, isto é, esses não são usados para brincadeiras de faz de conta e nem utilizados para as funções às quais foram destinados;
  • Uso de pessoas como instrumento. É muito comum que em vez de pedir ajuda, a criança pegue a pessoa pela mão e a leve no lugar onde quer que ela faça alguma coisa. Por exemplo: pegar a mão e levar a uma gaveta ou porta para que seja aberta, sem nenhuma solicitação e nem mesmo um direcionamento de olhares
  • Não responde a um chamado;
  • Gira objetos ou gira em torno do próprio eixo;
  • Bastante sensibilidade a sons altos;
  • Preferência por objetos duros ou que causam sensações, muito mais do que usados com função lúdica

 

Muito tem sido estudado para compreender sua etiologia e saber como ajudar essas crianças e suas famílias. Alguns apontam para falhas precoces no desenvolvimento dos bebês antes mesmo de completarem um ano de idade, que podem ser consideradas portas abertas para os TEAs. No entanto, se detectadas a tempo e trabalhadas preferencialmente em sessões conjuntas pais-bebê, com o apoio de uma equipe multiprofissional, muitas conquistas significativas podem ser alcançadas. Há um fortalecimento dos vínculos, o que propicia um desenvolvimento mais satisfatório. Essa é a conduta adotada pela psicanálise.

Por muitos anos, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) foi o tipo de tratamento indicado para o autismo, por vários profissionais. Essa escolha devia-se à ideia de que o indivíduo dentro do espectro não teria condições de subjetivação, como proposta pela psicanálise, e deveria ser apenas treinado para uma adaptação. No ano passado a AMA (American Medical Association), compreendendo os avanços nas pesquisas psicanalíticas e as evidências de possibilidades de subjetivação e qualidade interativa, retirou seu apoio exclusivo à ABA por falta de evidências e por problemas que foram sendo evidenciados a longo prazo com crianças que haviam sido submetidas ao programa.

Torna-se, assim, imprescindível o estudo do desenvolvimento psíquico e como vamos trabalhar com essas crianças, dentro desse referencial que considera a psique e o emocional. Essa abordagem é mais abrangente do que o mero foco na modificação padronizada de comportamentos sociais não adaptados, pois, como vimos, cada criança é única, tem uma história de desenvolvimento, uma família, um psiquismo que lhe é próprio.

O atendimento dentro do referencial psicanalítico é erroneamente entendido como tratamento que conta apenas com comunicação verbal, uso do divã, análise de sonho, ou, no caso de análise infantil, de jogo simbólico, comunicação verbal. O exercício da psicanálise, principalmente para aqueles pacientes com questões sérias nas áreas emocional e cognitiva, relacionadas aos estágios iniciais do desenvolvimento, vai muito além disso. A ênfase recai sobre a técnica adaptada. O trabalho psicanalítico com crianças dentro do TEA vem sendo estudado e praticado com sucesso por profissionais qualificados, tanto no Brasil como em várias partes do mundo.

O grupo Prisma de Psicanálise e Autismo (GPPA), ligado à Sociedade de Psicanálise de São Paulo, desenvolveu uma pesquisa buscando analisar dados e material clínico do trabalho psicanalítico com crianças que apresentam TEA, avaliando as mudanças e os resultados em um período de 18 meses de tratamento. Ficou demonstrado que o tratamento psicanalítico oferece oportunidades efetivas para o desenvolvimento psíquico e emocional, com ganhos significativos em termos de habilidades sociais, sem treinamentos específicos e padronizado.

 

Saiba mais:

https://www.icdl.com/about/News/ama

 

Relatoras:

Denise de Sousa Feliciano
Psicóloga e Psicanalista pela International Psychoanalytical Association (IPA)
Membro Associado na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)
Professora e Coordenadora do curso Relação Pais-Bebê: Da Observação à Intervenção (Instituto Sedes Sapientiae)
Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Fatima Maria Vieira Batistelli
Psicóloga graduada pela Universidade de São Paulo (USP)
Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)
Membro da clínica 0 a 3 Intervenção nas relações iniciais pais\bebê-criança pequena do Centro de Atendimento Psicanalítico da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial da Saúde Bucal – 2024 https://spsp.org.br/dia-mundial-da-saude-bucal-2024/ Wed, 20 Mar 2024 11:42:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=43069 O Dia Mundial da Saúde Bucal foi criado em 20 de março de 2013 para conscientizar a população mundial sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal. A cada três anos, a Federa]]>

O Dia Mundial da Saúde Bucal foi criado em 20 de março de 2013 para conscientizar a população mundial sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal. A cada três anos, a Federação Dentária Internacional (FDI) lança um tema para ser desenvolvido. O tema para o triênio de 2024 a 2026 é “Uma boca feliz é …”.

Segundo estudo da Organização Mundial da Saúde, as doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas e podem estar associadas a problemas graves de saúde, além de causarem dor, desconforto, isolamento social, perda de autoconfiança, entre outros.

A saúde geral do paciente está relacionada com a saúde bucal. Algumas doenças podem se instalar e se agravar pela falta de cuidados odontológicos.

Vamos fazer uma reflexão juntando o tema “uma boca feliz” com o enfoque principal deste blog, de divulgar conhecimentos científicos de saúde da criança e do adolescente?

Será que podemos considerar uma boca feliz somente aquela que não tem cárie ou doenças da gengiva?

Na verdade, não é só isso, pois a saúde bucal compreende não somente a ausência destas condições e outras patologias, mas também um equilíbrio de funções orais, como a fala, mastigação e deglutição.

Uma boca feliz começa desde a gestação. Os dentes de leite já iniciam sua formação no segundo mês de vida intrauterina. Boa alimentação materna e cuidados com a sua saúde favorecem o desenvolvimento saudável da dentição.

Após o nascimento, o aleitamento materno tem um papel importantíssimo, não só para a saúde geral da criança, como também para a saúde bucal. O exercício que a criança realiza durante a amamentação favorece o crescimento e desenvolvimento harmonioso da oclusão, da face, além de preparar músculos e demais estruturas da face para as funções orais.

Durante a introdução da alimentação complementar, é importante haver uma evolução nas texturas e tamanhos dos alimentos, para que a criança inicie o treinamento da mastigação que, nesta fase, mesmo sem ter dentes erupcionados, precisa aprender a colocar e levar a comida de um lado para outro na boca.

O nascimento dos primeiros dentes implica em duas condutas importantes: 1. Visitar o cirurgião-dentista, de preferência o odontopediatra; 2. Iniciar a limpeza dos dentes com escova de cabeça pequena, cerdas macias e pasta de dentes com 1.100 partes por milhão (ppm) de flúor, sendo a quantidade da pasta equivalente a um grão de arroz para essa idade.

A conscientização das famílias sobre o impacto negativo do uso da mamadeira e chupeta faz parte da manutenção para uma “boca feliz”. Estes hábitos mantidos por tempo prolongado afetam fortemente a posição dos dentes, a deglutição, mastigação, fonação e podem aumentar o risco de a criança sofrer traumatismo dentários.

Conforme a criança vai crescendo, o monitoramento e acompanhamento do odontopediatra propiciará o desenvolvimento de “uma boca feliz” até a idade adulta. Várias situações podem ocorrer durante a troca dos dentes de leite (decíduos) pelos permanentes e, quando diagnosticadas precocemente, poderão favorecer o desenvolvimento saudável da boca.

A educação e conscientização da família é fundamental para conquista de “uma boca feliz”! Quando a promoção da saúde bucal segue no período da gestação, o resultado será uma família que cuida de seus filhos desde o início de forma saudável e ao longo da vida.

Hoje é possível viver sem a maioria das doenças bucais, que podem e devem ser prevenidas, de forma simples e com baixo custo, por meio da conscientização e de orientações atualizadas!

 

Relatoras:
Adriana Catia Mazzoni
Cristina Giovannetti Del Conte
Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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