Congênitas – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 25 Nov 2025 12:24:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Congênitas – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Doação de sangue: um compromisso social e humanitário https://spsp.org.br/doacao-de-sangue-um-compromisso-social-e-humanitario/ Tue, 25 Nov 2025 12:23:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54310 No dia 25 de novembro celebramos o Dia Nacional do Doador de Sangue, uma data que vai além da homenagem – é um convite à reflexão e à ação. Mais do que um ato de generosidade]]>

No dia 25 de novembro celebramos o Dia Nacional do Doador de Sangue, uma data que vai além da homenagem – é um convite à reflexão e à ação.

Mais do que um ato de generosidade, voluntário e altruísta, a doação é um compromisso social e humanitário imprescindível para garantir o cuidado de milhares de pacientes com diversas condições de saúde.

Na pediatria, as indicações de transfusão são múltiplas e variam conforme a idade e o diagnóstico. O ato transfusional é frequentemente realizado em recém-nascidos prematuros extremos, portadores de cardiopatias ou outras malformações congênitas que necessitam de tratamento cirúrgico e internação prolongada. Além disso, há elevada demanda entre crianças internadas em unidade de terapia intensiva, em serviços de urgência, portadores de doença renal crônica dialítica, transplantados, pacientes com hemoglobinopatias (como anemia falciforme, talassemias) ou outras anemias hemolíticas congênitas, como esferocitose, aplasias e doenças oncológicas.

É essencial destacar que a demanda por transfusões na população pediátrica tende a aumentar, dada a crescente prevalência de crianças com doenças crônicas complexas e à maior sobrevida desses pacientes nas últimas décadas. Além disso, a medicina altamente especializada – como os transplantes e as terapias celulares – só é possível quando há uma retaguarda segura e constante de hemocomponentes e hemoderivados.

A segurança transfusional é garantida por meio de protocolos rigorosos de triagem clínica e testagem laboratorial dos hemocomponentes, que visam minimizar riscos e garantir a integridade de doadores e receptores.

Apesar disso, apenas uma pequena parcela da população brasileira doa sangue regularmente. Estimativas indicam que cerca de 1,8% dos brasileiros são doadores habituais, percentual inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere uma taxa ideal entre 3% e 5% da população.

Além da baixa aderência, a prática da doação está sujeita às variações sazonais associadas ao clima, férias e feriados prolongados, o que pode levar à criticidade dos estoques e colocar em risco os atendimentos.

Os doadores de sangue devem ter boas condições de saúde e idade entre 16 e 69 anos. A primeira doação deve ser realizada antes dos 60 anos, e os doadores com 16 e 17 anos precisam de autorização do responsável legal. O peso mínimo é de 50 kg, e o limite anual de doações é de quatro para homens e três para mulheres. Outros fatores, como comorbidades, uso de medicamentos e procedimentos recentes são avaliados individualmente durante a triagem clínica para definir a aptidão.

A cada doação de uma unidade de sangue total, é possível produzir até quatro componentes diferentes (concentrado de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado). Há ainda a coleta por aférese, um procedimento automatizado que permite selecionar o tipo de componente sanguíneo a ser coletado.

Por fim, que a data de 25 de novembro não seja apenas motivo de celebração, mas também de promoção da consciência e do compromisso social necessários para assegurar a integralidade do cuidado a milhares de pacientes!

Cada doação é uma ponte entre desconhecidos – um gesto de amor sem rosto, mas de valor incalculável para os que dela necessitam!

 

Relatora:

Bruna Paccola Blanco
Membro do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP
Grupo GSH, São Paulo/SP
Instituto da Criança – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), São Paulo/SP
Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) – São Paulo/SP

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26 de março – Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia https://spsp.org.br/26-de-marco-dia-mundial-da-conscientizacao-da-epilepsia/ Tue, 26 Mar 2024 12:16:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=43148 ]]>

Hoje, 26 de março de 2024, Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia, é uma data significativa para o incentivo da consciência sobre essa doença disseminada e conhecida em todos os cantos deste nosso mundo. Sua ocorrência afeta pessoas de todas as raças e classes socioeconômicas, e de todas as idades, desde os recém-nascidos às pessoas idosas, homens e mulheres. Preferencialmente ocorre nos mais jovens e idosos.

Considera-se a epilepsia como doença cerebral crônica e persistente, na qual o indivíduo apresenta tendência a ter convulsões. Essa cronicidade, bem como a ocorrência permanente de crises convulsivas, nem sempre é definitiva, pois existem formas que podem regredir e desaparecer com tratamento.

Sua incidência média em crianças acontece em 7/100.000 e a prevalência é de 65,2/10.000, variando de acordo com a idade.

Nos casos mais brandos, com medicamentos adequados e com eficácia reconhecida, as convulsões poderão ficar controladas ou mesmo serem raras. Especialmente nessas crianças, o neurodesenvolvimento irá se processar de modo normal, tanto motor, psíquico, na aprendizagem e na sua socialização.

Nos casos mais severos, em que ocorrem episódios convulsivos frequentes e/ou demorados, por meses ou anos, determinados por lesões encefálicas pelos mesmos motivos já citados, pode-se verificar comprometimento funcional múltiplo, como deficiência mental, transtornos psiquiátricos com alterações comportamentais, com prejuízo importante em seu processo de desenvolvimento. São observados mais comumente em casos de lesões cerebrais determinadas por traumas, anoxia perinatal, doenças metabólicas congênitas, por anormalidades congênitas, malformações cerebrais.

Importante esclarecer que as ocorrências de convulsões eventuais nem sempre são consideradas epilepsia. Uma crise ocorrida em traumatismos cranianos leves, sem deixar lesão cerebral, poderá não mais se repetir se a criança tiver seus exames clínicos e laboratoriais normais no futuro, sem necessidade de tratamento. Do mesmo modo, convulsões ocorridas em transtornos eletrolíticos, como na hipocalcemia, e que foram corrigidas, as mesmas não se repetirão.

Com relativa frequência observamos em crianças convulsões determinadas por febre que se eleva rapidamente, mais comum na idade de 6 a 18 meses, em que não há doença cerebral concomitante. Constitui condição benigna na maior parte dos casos, mas sempre serão necessárias avaliação especializada e mesmo realização de exames laboratoriais pertinentes se anormalidades neurológicas forem constatadas.

A ocorrência de convulsão, principalmente o tipo leigo mais conhecido, é a crise tônico-clônica generalizada, na qual há perda de consciência, queda e movimentos sucessivos de flexão e extensão dos membros superiores e inferiores, com duração em torno de até três minutos. Em geral, os familiares são surpreendidos, ficam aflitos e procuram proteger a criança. Caso ocorra duração maior, a criança deverá ser levada para emergência médica de imediato. Nos casos de curta duração, após cessar a crise, deve-se procurar serviço médico para esclarecimento e conduta.

Fica o recado importante de que na maioria dos casos de epilepsia a evolução e o prognóstico são bons, com o esclarecimento da causa, com tratamento e controle dos episódios convulsivos. E que o futuro siga fazendo acenos otimistas.

 

Relator:
Saul Cypel
Membro do Departamento Científico de Neurologia e Neurocirurgia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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