Comportamento – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 12 Aug 2026 11:41:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Comportamento – SPSP https://spsp.org.br 32 32 As causas das expulsões na educação infantil e os caminhos possíveis https://spsp.org.br/as-causas-das-expulsoes-na-educacao-infantil-e-os-caminhos-possiveis/ Tue, 11 Aug 2026 11:40:26 +0000 https://spsp.org.br/?p=58197 Comportamentos desafiadores na primeira infância podem sinalizar necessidades que ainda não encontram palavras. Antes de afastar uma criança, precisamos compreender o que está acontecendo. Sem esquecer que proteger toda a comunidade escolar também é responsabilidade de todos. Uma criança de três, quatro ou cinco anos pode ser afastada da escola por seu comportamento? A pergunta incomoda. Talvez porque, quando pensamos em suspensão ou expulsão, imaginamos alguém que já deveria compreender regras, controlar impulsos e responder por suas escolhas. Mas estamos falando de crianças pequenas. Crianças que ainda estão aprendendo a esperar, dividir, perder, ouvir “não”, lidar com a frustração e transformar emoções em palavras. A primeira infância é um período de intenso desenvolvimento. Habilidades de autorregulação, linguagem, comunicação e convivência ainda estão em construção. É nesse contexto que precisamos discutir o afastamento de crianças pequenas de creches e pré-escolas em razão de comportamentos considerados difíceis de manejar. Em 2024, a Academia Americana de Pediatria publicou uma declaração de política sobre suspensão e expulsão escolar, incluindo a educação infantil. O documento alerta para os potenciais efeitos negativos de práticas disciplinares excludentes e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão. No Brasil, essa discussão precisa ser contextualizada à nossa realidade educacional e ao marco legal de proteção integral da criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a proteção integral e assegura à criança o direito à educação, com igualdade de condições para acesso e permanência na escola, além do direito de ser respeitada por seus educadores. Isso não significa que a escola deva ignorar comportamentos que coloquem outras crianças ou adultos em risco. A segurança de toda a comunidade escolar é fundamental. Mas significa que decisões que impliquem o afastamento de uma criança precisam ser analisadas com responsabilidade, considerando não apenas o comportamento apresentado, mas também os direitos da criança, seu estágio de desenvolvimento e as possibilidades de intervenção e suporte. Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: Quando uma criança pequena apresenta um comportamento difícil, estamos diante de uma criança que precisa ser afastada ou de uma criança que precisa ser compreendida e ajudada? Antes do comportamento, existe uma criança Uma criança que morde, bate, grita, empurra, entra em crise ou desafia regras pode estar expressando algo que ainda não consegue comunicar de outra maneira. Pode estar frustrada, cansada, assustada, sobrecarregada ou simplesmente sem recursos para lidar com uma situação. Isso não significa que todo comportamento deva ser aceito. Crianças precisam aprender limites. Bater ou machucar alguém não pode ser permitido. Mas também precisam de adultos que as ajudem, progressivamente, a desenvolver outras formas de expressar raiva, medo e frustração. Acolher não é permitir tudo. Estabelecer limites não é excluir. O comportamento infantil também não acontece no vazio. Pode estar relacionado ao desenvolvimento, a dificuldades de linguagem e comunicação, a desafios de autorregulação, a alterações sensoriais ou, em alguns casos, a condições do neurodesenvolvimento. Mas pode refletir também aquilo que acontece fora da escola: uma separação, a chegada de um irmão, uma perda, conflitos familiares, mudanças importantes ou uma experiência potencialmente traumática. Até fatores cotidianos, como privação de sono, fome, excesso de estímulos ou mudanças inesperadas na rotina podem interferir na capacidade de uma criança se autorregular. Por isso, diante de um comportamento que preocupa, precisamos ampliar o olhar. Quando acontece? O que aconteceu antes? O que desencadeia a crise? Como os adultos respondem? Essas perguntas ajudam a compreender a função daquele comportamento. Uma criança que entra em crise sempre que precisa interromper uma brincadeira pode precisar de mais previsibilidade. Outra que se desorganiza em ambientes muito barulhentos pode estar enfrentando uma dificuldade sensorial. Uma criança que parece não obedecer pode não estar compreendendo adequadamente uma instrução. O comportamento é um sinal que merece ser compreendido. Não necessariamente um diagnóstico. E, principalmente, não é uma identidade. Quando é preciso investigar Uma das armadilhas de uma abordagem exclusivamente disciplinar é punir antes de compreender. Uma criança com dificuldades persistentes de comunicação, interação social, atenção, impulsividade ou processamento sensorial pode ser rapidamente classificada como “malcriada”, “agressiva” ou “desobediente”. Mas nem todo comportamento difícil é sinal de um transtorno. E nem todo transtorno explica todo comportamento difícil. Quando os comportamentos são persistentes, intensos ou interferem significativamente na participação da criança, uma avaliação individualizada pode ser necessária. Nesse processo, o pediatra pode ter um papel importante: reunir informações da família e da escola, avaliar o desenvolvimento global, investigar sono, linguagem, comportamento e saúde emocional e, quando necessário, encaminhar para avaliação multiprofissional. Não se trata de procurar um rótulo. Trata-se de compreender melhor para cuidar melhor. A escola também precisa ser olhada Quando uma criança apresenta um comportamento desafiador, olhamos para ela. Precisamos também olhar para o ambiente em que esse comportamento acontece. Estudos mostram que decisões de suspensão e afastamento na educação infantil podem estar relacionadas não apenas ao comportamento da criança, mas também às preocupações com segurança, às políticas disciplinares e à disponibilidade de suporte para lidar com situações complexas. Isso não significa ignorar comportamentos que colocam outras pessoas em risco. Nem significa culpar professores. O professor também precisa de apoio. Uma equipe com formação, suporte e recursos pode ter melhores condições para identificar gatilhos, prevenir crises, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas. Talvez, diante de uma criança que apresenta comportamentos desafiadores, precisemos olhar para três histórias ao mesmo tempo: a história da criança, a história da família e a história da escola. Essa visão não retira a responsabilidade de ninguém. Amplia a responsabilidade de todos. E quando existe agressividade? Precisamos ter cuidado para não romantizar o comportamento infantil. Uma criança que machuca outra precisa ser contida. Uma criança que coloca colegas ou adultos em risco precisa de intervenção. A segurança de todos é inegociável. Mas existe uma diferença entre interromper um comportamento perigoso e afastar definitivamente uma criança. A primeira pode ser necessária. A segunda precisa ser cuidadosamente analisada. Pode ser necessário afastar momentaneamente a criança de uma situação de risco, garantir supervisão, mediar o conflito, conversar com a família, investigar os fatores envolvidos e construir um plano...]]>

Comportamentos desafiadores na primeira infância podem sinalizar necessidades que ainda não encontram palavras. Antes de afastar uma criança, precisamos compreender o que está acontecendo. Sem esquecer que proteger toda a comunidade escolar também é responsabilidade de todos.

Uma criança de três, quatro ou cinco anos pode ser afastada da escola por seu comportamento?

A pergunta incomoda. Talvez porque, quando pensamos em suspensão ou expulsão, imaginamos alguém que já deveria compreender regras, controlar impulsos e responder por suas escolhas.

Mas estamos falando de crianças pequenas. Crianças que ainda estão aprendendo a esperar, dividir, perder, ouvir “não”, lidar com a frustração e transformar emoções em palavras.

A primeira infância é um período de intenso desenvolvimento. Habilidades de autorregulação, linguagem, comunicação e convivência ainda estão em construção. É nesse contexto que precisamos discutir o afastamento de crianças pequenas de creches e pré-escolas em razão de comportamentos considerados difíceis de manejar.

Em 2024, a Academia Americana de Pediatria publicou uma declaração de política sobre suspensão e expulsão escolar, incluindo a educação infantil. O documento alerta para os potenciais efeitos negativos de práticas disciplinares excludentes e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão.

No Brasil, essa discussão precisa ser contextualizada à nossa realidade educacional e ao marco legal de proteção integral da criança.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a proteção integral e assegura à criança o direito à educação, com igualdade de condições para acesso e permanência na escola, além do direito de ser respeitada por seus educadores.

Isso não significa que a escola deva ignorar comportamentos que coloquem outras crianças ou adultos em risco. A segurança de toda a comunidade escolar é fundamental. Mas significa que decisões que impliquem o afastamento de uma criança precisam ser analisadas com responsabilidade, considerando não apenas o comportamento apresentado, mas também os direitos da criança, seu estágio de desenvolvimento e as possibilidades de intervenção e suporte.

Mas talvez a pergunta mais importante seja outra:

Quando uma criança pequena apresenta um comportamento difícil, estamos diante de uma criança que precisa ser afastada ou de uma criança que precisa ser compreendida e ajudada?

Antes do comportamento, existe uma criança

Uma criança que morde, bate, grita, empurra, entra em crise ou desafia regras pode estar expressando algo que ainda não consegue comunicar de outra maneira.

Pode estar frustrada, cansada, assustada, sobrecarregada ou simplesmente sem recursos para lidar com uma situação.

Isso não significa que todo comportamento deva ser aceito. Crianças precisam aprender limites. Bater ou machucar alguém não pode ser permitido.

Mas também precisam de adultos que as ajudem, progressivamente, a desenvolver outras formas de expressar raiva, medo e frustração.

Acolher não é permitir tudo. Estabelecer limites não é excluir.

O comportamento infantil também não acontece no vazio. Pode estar relacionado ao desenvolvimento, a dificuldades de linguagem e comunicação, a desafios de autorregulação, a alterações sensoriais ou, em alguns casos, a condições do neurodesenvolvimento.

Mas pode refletir também aquilo que acontece fora da escola: uma separação, a chegada de um irmão, uma perda, conflitos familiares, mudanças importantes ou uma experiência potencialmente traumática.

Até fatores cotidianos, como privação de sono, fome, excesso de estímulos ou mudanças inesperadas na rotina podem interferir na capacidade de uma criança se autorregular.

Por isso, diante de um comportamento que preocupa, precisamos ampliar o olhar.

Quando acontece? O que aconteceu antes? O que desencadeia a crise? Como os adultos respondem?

Essas perguntas ajudam a compreender a função daquele comportamento.

Uma criança que entra em crise sempre que precisa interromper uma brincadeira pode precisar de mais previsibilidade. Outra que se desorganiza em ambientes muito barulhentos pode estar enfrentando uma dificuldade sensorial. Uma criança que parece não obedecer pode não estar compreendendo adequadamente uma instrução.

O comportamento é um sinal que merece ser compreendido. Não necessariamente um diagnóstico. E, principalmente, não é uma identidade.

Quando é preciso investigar

Uma das armadilhas de uma abordagem exclusivamente disciplinar é punir antes de compreender.

Uma criança com dificuldades persistentes de comunicação, interação social, atenção, impulsividade ou processamento sensorial pode ser rapidamente classificada como “malcriada”, “agressiva” ou “desobediente”.

Mas nem todo comportamento difícil é sinal de um transtorno. E nem todo transtorno explica todo comportamento difícil.

Quando os comportamentos são persistentes, intensos ou interferem significativamente na participação da criança, uma avaliação individualizada pode ser necessária.

Nesse processo, o pediatra pode ter um papel importante: reunir informações da família e da escola, avaliar o desenvolvimento global, investigar sono, linguagem, comportamento e saúde emocional e, quando necessário, encaminhar para avaliação multiprofissional.

Não se trata de procurar um rótulo. Trata-se de compreender melhor para cuidar melhor.

A escola também precisa ser olhada

Quando uma criança apresenta um comportamento desafiador, olhamos para ela. Precisamos também olhar para o ambiente em que esse comportamento acontece.

Estudos mostram que decisões de suspensão e afastamento na educação infantil podem estar relacionadas não apenas ao comportamento da criança, mas também às preocupações com segurança, às políticas disciplinares e à disponibilidade de suporte para lidar com situações complexas.

Isso não significa ignorar comportamentos que colocam outras pessoas em risco. Nem significa culpar professores.

O professor também precisa de apoio.

Uma equipe com formação, suporte e recursos pode ter melhores condições para identificar gatilhos, prevenir crises, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas.

Talvez, diante de uma criança que apresenta comportamentos desafiadores, precisemos olhar para três histórias ao mesmo tempo:

a história da criança, a história da família e a história da escola.

Essa visão não retira a responsabilidade de ninguém.

Amplia a responsabilidade de todos.

E quando existe agressividade?

Precisamos ter cuidado para não romantizar o comportamento infantil.

Uma criança que machuca outra precisa ser contida. Uma criança que coloca colegas ou adultos em risco precisa de intervenção.

A segurança de todos é inegociável.

Mas existe uma diferença entre interromper um comportamento perigoso e afastar definitivamente uma criança.

A primeira pode ser necessária.

A segunda precisa ser cuidadosamente analisada.

Pode ser necessário afastar momentaneamente a criança de uma situação de risco, garantir supervisão, mediar o conflito, conversar com a família, investigar os fatores envolvidos e construir um plano de intervenção.

A criança precisa aprender:

“Eu não posso bater.”

Mas também precisa aprender:

“O que eu posso fazer quando estou com raiva?”

É nessa segunda pergunta que começa o verdadeiro trabalho educativo.

Afastar resolve?

Talvez resolva a crise daquele dia.

A criança sai. A sala fica mais tranquila. O professor retoma a rotina.

Mas o que acontece depois?

A criança leva consigo aquilo que originou o comportamento: a dificuldade de comunicação, a desregulação, a impulsividade, a ansiedade ou a sensação de não pertencer.

E, muitas vezes, o problema reaparece em outro lugar.

A Academia Americana de Pediatria destaca que práticas de suspensão e expulsão podem ter consequências negativas e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão.

Os estudos disponíveis vêm, em grande parte, da realidade norte-americana e não podem ser simplesmente transferidos para o Brasil. Mas ajudam a formular uma pergunta necessária:

Estamos certos de que o comportamento é o único problema?

Ou precisamos também olhar para a forma como interpretamos e respondemos a ele?

Antes de afastar, precisamos compreender

Encontrar alternativas não significa aceitar qualquer comportamento.

Significa ampliar o repertório de respostas: avaliar o desenvolvimento, investigar possíveis dificuldades, identificar gatilhos, antecipar mudanças, adaptar a rotina, ensinar habilidades sociais, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas.

Pode significar também buscar apoio especializado e envolver o pediatra e outros profissionais da saúde quando necessário.

Nenhum desses caminhos é simples. Nenhum funciona da mesma maneira para todas as crianças.

Mas todos partem de um princípio comum:

antes de afastar, precisamos tentar compreender.

Talvez seja hora de mudar a pergunta.

Em vez de:

“O que há de errado com essa criança?”

Perguntar:

“O que essa criança está tentando nos mostrar?”

E depois:

“O que nós, adultos, podemos fazer diferente?”

Isso não significa retirar da criança a responsabilidade de aprender regras e respeitar limites.

Significa reconhecer que educar é um processo. Que a autorregulação é ensinada. Que habilidades sociais são construídas. E que crianças pequenas precisam de adultos capazes de ensinar tudo isso.

A primeira infância é um período de construção: da linguagem, da autonomia, da autorregulação, das relações e da capacidade de conviver.

Talvez o maior desafio não seja encontrar uma forma de fazer uma criança difícil caber na escola.

Talvez seja construir escolas capazes de acolher diferentes crianças sem abrir mão dos limites, da segurança e do respeito.

Porque educar também é ensinar a conviver.

E, na primeira infância, ensinar a pertencer também faz parte de educar.


Relatora:

Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP

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É legal. Mas será que é legal? https://spsp.org.br/e-legal-mas-sera-que-e-legal/ Thu, 30 Apr 2026 13:13:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56793 Domingão ensolarado, amigos e famílias se reúnem. Braseiro acesso e aquele cheirinho de gordura de linguiça queimando no ar. Todo mundo animado e criançada brincando e correndo em ]]>

Domingão ensolarado, amigos e famílias se reúnem. Braseiro acesso e aquele cheirinho de gordura de linguiça queimando no ar. Todo mundo animado e criançada brincando e correndo em volta dos adultos. Ufa! Eles não estão na tela.

Som ligado e tocando – caipirinha e cerveja são temas de pagode ou música sertaneja cantada por todos. A animação do pessoal aumenta com o consumo de álcool. Conversa alta. Criançada na bagunça – Será que eles estão vendo?

Com certeza muitos já viveram momentos assim. Porém, se as crianças aprendem observando, precisamos com urgência rever nosso comportamento. Afinal, qual o problema? Não é ilegal e pode parecer divertido. Mas será que é legal?

Vejamos alguns dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III, 2023):

– O consumo de álcool é o principal fator de risco para mortalidade e morbidade associadas ao uso de substâncias psicoativas no Brasil. Aproximadamente 73,9 milhões de brasileiros (42,5% da população com 14 anos ou mais) relataram uso de bebidas alcoólicas, e cerca de 19,9 milhões apresentam critérios de uso problemático.

– Nenhuma outra substância ou comportamento analisado – como tabaco, cocaína, crack ou mesmo as apostas – alcança tamanha dimensão em termos de prevalência e carga para a saúde pública.

– O álcool tem aceitação social e ampla disponibilidade, o que torna difícil a implementação de políticas de prevenção e controle. A normalização do uso dificulta a percepção dos danos causados pelo seu consumo (mortes evitáveis, adoecimento físico e mental e repercussões sociais e econômicas).

O que acham? Vamos refletir? Vamos mudar?

 

Relator:

André P. L. Mattar
Membro do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Um convite ao cuidado, ao diálogo e à prevenção https://spsp.org.br/um-convite-ao-cuidado-ao-dialogo-e-a-prevencao/ Fri, 20 Feb 2026 12:09:09 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55136 O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre]]>

O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre um tema que começa cada vez mais cedo e pode impactar profundamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Por que falar sobre isso desde cedo?

O uso de álcool e outras drogas na adolescência traz riscos severos e muitas vezes irreversíveis, pois ocorre em uma fase crítica de maturação cerebral. O cérebro humano continua em desenvolvimento até cerca dos 25 anos. Durante a infância e a adolescência, áreas fundamentais para tomada de decisões, controle dos impulsos, planejamento e avaliação de riscos ainda estão amadurecendo. O uso precoce de álcool e outras drogas pode interferir nesse processo e aumentar o risco de desenvolver problemas de memória e atenção, ansiedade e depressão, psicose – incluindo esquizofrenia, comportamentos de risco e dependência química na vida adulta (quanto mais cedo o início de uso de drogas, maior o risco de dependência, do desenvolvimento de transtornos mentais associados e de alterações de comportamento).

Álcool também é droga e das mais perigosas para adolescentes. Existe uma falsa ideia de que o álcool é “menos grave” por ser legalizado. Seu uso está associado a maior impulsividade, redução da capacidade de julgamento, exposição a acidentes, violências, relações sexuais desprotegidas e a maior chance de experimentar outras substâncias. Nenhuma quantidade é segura para adolescentes.

O maior fator de proteção ainda mora dentro de casa: o vínculo familiar é uma das mais poderosas medidas de segurança. O adolescente que se sente ouvido, que tem espaço para conversar sem medo, apresenta menor risco de uso de álcool e drogas. O exemplo fala ainda mais alto. Crianças aprendem muito mais pelo que observam do que pelo que escutam. Portanto, vale a reflexão: como o álcool aparece na rotina da família? Ele está associado à diversão obrigatória? Existe consumo exagerado em frente aos filhos? A família é um espaço de proteção, quando os pais se preocupam com as atitudes dos filhos e os desencorajam a atitudes consideradas de risco.

Prevenir o uso de drogas não significa criar uma redoma, mas formar jovens capazes de fazer escolhas seguras mesmo quando os pais não estão por perto. Muitos pais têm receio de abordar o assunto por medo de “dar ideias”. A ciência mostra exatamente o oposto: crianças e adolescentes que conversam abertamente com seus pais têm menor risco de uso precoce de álcool e drogas. A disponibilidade de informações, adquiridas por diálogos e observação acerca do consumo de drogas e suas complicações, e os laços afetivos entre pais e filhos são importantes para a redução das possibilidades do uso das drogas.

Para você que é adolescente e está lendo este texto:

Ser independente não é fazer tudo que os outros fazem: é ter coragem de dizer não e de fazer o que é melhor para você. Você tem uma vida inteira pela frente. Não arrisque!!!

No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, transforme o silêncio em conversa, o medo em orientação e a informação em proteção.

De olho no vício!

 

Saiba mais:

  1. Alcohol e-cigarettes, cannabis: concerning trends in adolescent substance use, shows new WHO/Europe report. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/25-04-2024-alcohol–e-cigarettes–cannabis–concerning-trends-in-adolescent-substance-use–shows-new-who-europe-report
  2. Monteiro MG. Alcohol and public health in the Americas: a case for action. Washington, D.C: PAHO, © 2007. Disponível em -https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/alcohol-public-health-americas.pdf?sfvrsn=9227a4f_2
  3. WHO: Neurociencia del consumo y dependencia de sustancias psicoactivas. Washington, D.C: OPS© 2005. Disponível em: https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/neuroscience-spanish.pdf

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Muita tela, pouco sono! https://spsp.org.br/muita-tela-pouco-sono/ Mon, 08 Nov 2021 18:17:52 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30313 Os avanços tecnológicos nas últimas décadas impulsionaram o consumo de telas entre os jovens para o ponto mais alto da história. As estatísticas sobre o uso desse tipo de tecnologia entre crianças e adolescentes é alarmante e eles têm o hábito na hora de dormir.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 08/11/2021


Os avanços tecnológicos nas últimas décadas impulsionaram o consumo de telas entre os jovens para o ponto mais alto da história. As estatísticas sobre o uso desse tipo de tecnologia entre crianças e adolescentes é alarmante e a maior parte deles tem este hábito na hora de dormir.

Não restam dúvidas de que um sono adequado seja um ingrediente essencial para uma boa qualidade de vida. Os impactos negativos da privação de sono em crianças e adolescentes também são bem documentados, tais como prejuízo no desenvolvimento, na consolidação da memória, na atenção, no comportamento, além de reflexo direto na saúde dessas crianças.

A medida que o consumo de tecnologia pelos jovens aumentou, cada vez mais tem sido feitas pesquisas explorando o efeito do uso das telas nos hábitos e eficiência do sono, e de fato o impacto é grande. O que observamos é que a quantidade de tecnologia usada na hora antes de dormir é significativamente relacionada à dificuldade em adormecer e à frequência de relatos de sono “não reparador”, sugerindo que a estimulação causada por estes dispositivos certamente interfere no sono.

Isso se explica em parte pelo fato de, além da excitação psicológica, a luz brilhante emitida pelas telas interferir na produção e liberação da melatonina, um hormônio que, dentre diversas outras funções, é importantíssimo para a regulação do nosso ciclo sono-vigília.

Relatora
Renata Prado Gobetti
Departamento Científico de Medicina do Sono na Criança e no Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Foto: jekatarinka | depositphotos.com

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Campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas https://spsp.org.br/campanha-julho-branco-com-consciencia-sem-drogas-2-2/ Mon, 01 Jul 2019 18:17:19 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2866 A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove este mês a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas – mês do combate ao uso de drogas por crianças e adolescentes. Este é um tema de grande relevância para a SPSP, que vem trabalhando fortemente para colocar essa problemática em evidência, uma vez que a utilização de drogas ocorre cada vez mais cedo e as consequências são maiores na faixa etária pediátrica. “Dados de um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelam que 25% dos jovens até 17 anos experimentam tabaco, 20% maconha, 6% crack e 60% álcool. Destes, aproximadamente 20% já são usuários diários, muitas vezes mais de uma vez ao dia”, alerta João Becker Lotufo, coordenador da campanha e do Grupo de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP. Ele ressalta que ter um surto psicótico com o cérebro ainda em formação pode ser catastrófico. “É diferente de se ter um surto aos 30 anos de idade”, diz. Segundo Claudio Barsanti, coordenador das campanhas da SPSP, Julho Branco é uma chamada importante para toda a sociedade a respeito da necessidade de se combater o uso de drogas por crianças e adolescentes. “A iniciação do consumo dessas substâncias tem sido cada vez mais precoce e o impacto cada vez mais avassalador”, relata o pediatra, enfatizando que na prevenção o diálogo é fundamental. Para ele, é imprescindível que profissionais da saúde estejam preparados para abordar e orientar sobre essa questão, auxiliando também a conscientizar pais e cuidadores em relação ao problema. “Vale lembrar que as escolas também são muito importantes nesse processo”, afirma Barsanti.]]>

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove este mês a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas – mês do combate ao uso de drogas por crianças e adolescentes. Este é um tema de grande relevância para a SPSP, que vem trabalhando fortemente para colocar essa problemática em evidência, uma vez que a utilização de drogas ocorre cada vez mais cedo e as consequências são maiores na faixa etária pediátrica.

“Dados de um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelam que 25% dos jovens até 17 anos experimentam tabaco, 20% maconha, 6% crack e 60% álcool. Destes, aproximadamente 20% já são usuários diários, muitas vezes mais de uma vez ao dia”, alerta João Becker Lotufo, coordenador da campanha e do Grupo de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP. Ele ressalta que ter um surto psicótico com o cérebro ainda em formação pode ser catastrófico. “É diferente de se ter um surto aos 30 anos de idade”, diz.

Segundo Claudio Barsanti, coordenador das campanhas da SPSP, Julho Branco é uma chamada importante para toda a sociedade a respeito da necessidade de se combater o uso de drogas por crianças e adolescentes. “A iniciação do consumo dessas substâncias tem sido cada vez mais precoce e o impacto cada vez mais avassalador”, relata o pediatra, enfatizando que na prevenção o diálogo é fundamental. Para ele, é imprescindível que profissionais da saúde estejam preparados para abordar e orientar sobre essa questão, auxiliando também a conscientizar pais e cuidadores em relação ao problema. “Vale lembrar que as escolas também são muito importantes nesse processo”, afirma Barsanti.

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Momento Saúde: sono do bebê – colocando limites https://spsp.org.br/momento-saude-sono-do-bebe-colocando-limites/ Wed, 26 Jun 2019 18:17:14 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2857
saúde mental

Estabelecer um horário de dormir e seguir um ritual permite que a criança se prepare internamente para adormecer. Colocar pijama, escovar os dentes, contar uma história ou uma conversa de final do dia significa uma gradativa despedida do estado mental ativo. A criança se organiza e isso a conforta da sensação de caos que a falta de rotina e limite pode causar.

É preciso que ela sinta que dormir é prazeroso e que a brincadeira pode ser retomada no dia seguinte. É sempre difícil abandonar uma brincadeira e a companhia dos pais. A criança não tem noção de seus limites de cansaço. É o adulto que precisa ajudá-la, mesmo que ela proteste.

Se os pais não demonstrarem culpa ou hesitação, a criança geralmente acaba aceitando que o dia acabou e se entrega ao sono. A convicção firme dos pais é o termômetro. A criança sente quando seus pais têm dúvidas e tentam ludibriá-los. É importante não ceder, a não ser em situações de exceção, que devem ser explicadas a elas para que possam distinguir entre a rotina e os dias diferentes.


Os limites organizam e acalmam a criança, que ainda não sabe perceber seu cansaço


Mas também é importante que a hora de dormir não seja antes de os pais chegarem ou logo em seguida à sua chegada em casa. Se os filhos só encontram os pais no final do dia é preciso dar a eles um tempo de convivência antes de serem levados para dormir. Muitas vezes é necessário rever a própria rotina e horário de trabalho para reservar esse tempo familiar.

A criança é naturalmente insaciável e sempre vai querer mais. Entretanto, quando de fato os pais reservam pouco tempo do seu dia com elas, ocorre uma carência real, que certamente vai interferir na rotina do sono. Os limites começam pela própria rotina dos adultos de modo a dar um equilíbrio à vida familiar.


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Relatores:
Dra. Denise Feliciano
Dr. Eduardo Goldenstein

Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Momento Saúde: sono do bebê – observando os sinais https://spsp.org.br/momento-saude-sono-do-bebe-observando-os-sinais/ Wed, 19 Jun 2019 18:30:42 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2796
saúde mental

Saber sobre o desenvolvimento fisiológico de um bebê não substitui conhecer as peculiaridades de cada um. É importante observar como responde aos estímulos e criar uma rotina saudável, mas que respeite suas preferências. Cuidado para não achar que seu filho prefere dormir no colo, ser chacoalhado, dormir de luz acesa ou com música. Em geral, esses vícios são construídos pelos próprios pais quando estão aflitos para que a criança durma logo.

Os bebês assimilam rapidamente a maneira como são cuidados. Se forem ninados no colo até dormir, adotarão esse padrão como recurso único para adormecer. No começo, os pais acham gostoso, mas logo ficarão exaustos com a dependência e o bebê não desenvolve a autonomia. É importante que os pais não se desesperem apresentando muitos estímulos na tentativa de acalmá-lo ou fazê-lo adormecer rapidamente, mas criem um ritual que aos poucos o ensine a dormir sozinho.


Observe e conheça seu bebê, evitando um descompasso entre as necessidades dele e suas expectativas


Noites traumáticas, em geral, revelam o descompasso entre as necessidades do bebê e as expectativas dos pais. É a observação atenta de si mesmos e do bebê que ajuda a discriminar esses sinais. Assim como perceber quando estão doentes, assustados, agitados ou com outros desconfortos físicos.

A expectativa de acertar pode gerar insegurança nos pais e faz com que não acreditem em sua própria observação, supervalorizando a opinião do pediatra ou dos conselhos que buscam entre amigos ou na internet. Comparar seu filho com outras crianças só cria tensão. Ninguém melhor do que os pais para saber o que o filho quer, pois estão com ele o tempo todo. Mas precisam manter a calma e aprender a lidar com incertezas e momentos de desespero do bebê. Não é fácil. O choro do bebê pode gerar muito desconforto ao nos recordarmos das marcas da experiência de desamparo do bebê que todos nós fomos. São registros inconscientes de uma época remotíssima de vida que, embora não nos lembremos, pode ser evocada no contato próximo com uma criança.

Nem sempre dá para saber o que está acontecendo com o bebê. É um engano querer aplacar os desconfortos e a insônia com medicamentos. Uma noite sem dormir pode ser incômoda, mas nem sempre é preocupante.


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Relatores:
Dra. Denise Feliciano
Dr. Eduardo Goldenstein
Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 19/06/2019.


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


Licença Creative Commons

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Momento Saúde: sono do bebê – a importância de criar uma rotina https://spsp.org.br/momento-saude-sono-do-bebe-a-importancia-de-criar-uma-rotina/ Wed, 12 Jun 2019 18:45:17 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2788 saúde mental

A partir dos três meses é importante adotar rotinas que ajudem o bebê a saber quando é hora de dormir, estabelecendo um ritmo circadiano. A repetição prepara a criança emocionalmente para cada momento do dia e gradualmente ajuda a estabilizar o ritmo de sono.

Num determinado horário comece a desacelerar. Evite brincadeiras agitadas ou passeios noturnos. Um banho, uma mamada e, antes que pegue no sono, coloque-o no aconchego de seu berço em um quarto escuro e silencioso. Num ambiente propício, o bebê aprende a adormecer sozinho e o fará também nos breves despertares entre os ciclos do sono. É uma forma de dizer a ele que é bom dormir e que seu berço é o melhor lugar. O bebê aprende mais fácil quando há consistência e convicção nos pais.

A rotina gera segurança e prepara a criança emocionalmente para a hora de dormir, tonando-se algo prazeroso

Para isso, é importante que dormir seja, para os pais, um prazer e não o último recurso de um corpo exaurido. Dormir somente com o barulho da TV ou trabalhar no computador até a exaustão são exemplos de um conflito com o sono. Casais insones tendem a repetir o padrão de aceleração e vícios ao bebê sem que percebam. A insônia dos pais certamente camufla angústias e medos que nem se deram conta. Mas, por sua extrema sensibilidade, o bebê pode captá-los e trazê-los à tona quando não consegue dormir.

Para algumas pessoas, dormir pode evocar um sentimento de morte. São medos inconscientes, mas que podem se revelar nos cuidados com um bebê. Sem saber, os pais comunicam ao bebê que não estão tranquilos enquanto ele dorme e então ele passa a não dormir. É uma situação paradoxal – o psiquismo pode ser contraditório.

Para administrar essas situações é importante pensar no que está tirando o sono dos pais, e do bebê por extensão. Conversar com o pediatra ou mesmo com um psicólogo pode ajudar a reconhecer essas sutilezas.

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A coluna Momento Saúde foi criada para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Com uma postagem por semana, esta coluna será seu momento de dicas, alertas e cuidados.

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Relatores:
Dra. Denise Feliciano
Dr. Eduardo Goldenstein

Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 12/06/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Momento Saúde: sono do bebê – primeiros três meses de vida https://spsp.org.br/momento-saude-sono-do-bebe-primeiros-tres-meses-de-vida/ Wed, 05 Jun 2019 19:53:01 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2781 saúde mental

Noites mal dormidas podem ser, muitas vezes, a rotina dos pais nos primeiros meses de vida de seus bebês. Mas, para alguns casais, a fase torna-se tão traumática que hesitam em ter um segundo filho.

O primeiro trimestre é um período turbulento. O aparelho neurológico imaturo do bebê não tem ainda produção de melatonina estabilizada e os estados de sono e vigília são imprevisíveis, regulados pela fome e desconfortos. Ele não é capaz de se adaptar a outra rotina. Diante dessa instabilidade que se confronta com o ritmo biológico do adulto, muitos pais se apavoram achando que o bebê nunca mais os deixará dormir. No desespero, acabam adotando medidas que, além de ineficazes, criam um ambiente mais tenso, que não favorece o relaxamento do bebê.

No início é o bebê quem dá o ritmo e os pais aprendem os sinais do seu filho

Nesse período, é preciso aceitar desse ritmo de sono. Não é uma boa ideia querer manter o bebê desperto mais tempo de dia, esperando que ele durma a noite toda – exausto, ele terá mais dificuldades para dormir. A solução é acompanhá-lo em seu ritmo e procurar descansar também nos períodos diurnos para estar disponível à noite. Por mais cansativo que seja, esse é um período passageiro.

O bebê também não dorme se tiver desconfortos como dor, calor, frio, febre, fome. Para os pais, é o momento de conhecer os sinais do filho, de se adaptar ao novo papel e onde ocorrem mudanças significativas na rotina familiar. Muitas vezes se angustiam sem saber como acalmá-lo. A turbulência emocional faz parte desse início e traz alguns medos, inseguranças e conflitos. Bebês e crianças pequenas são suscetíveis, o cansaço e a tensão dos pais pode deixá-los inseguros, não conseguindo relaxar – torna-se um círculo vicioso.

É importante o casal se alternar quando a angústia limita a tolerância nos cuidados com o bebê. Pode ser desesperador ficar horas com um bebê com cólica. Uma pausa para poder se reorganizar emocionalmente também ajuda o bebê a se acalmar.
Antes de achar que seu filho tem um distúrbio de sono, pergunte a si mesmo quais são seus próprios medos e inseguranças e comece a cuidar deles. O bebê pode se tornar um aliado importante para perceber sutilezas na dinâmica familiar.

A coluna Momento Saúde foi criada para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Com uma postagem por semana, esta coluna será seu momento de dicas, alertas e cuidados.

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Relatores:
Dra. Denise Feliciano
Dr. Eduardo Goldenstein

Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 5/06/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Slime e seus riscos https://spsp.org.br/slime-e-seus-riscos/ Mon, 03 Jun 2019 21:37:04 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2775 Slime é a “onda do momento” e envolve muita brincadeira e diversão, mas não isentas de riscos. No Brasil e em outros países, há relatos de intoxicações pelos ingredientes utilizados no produto, uma massa “colorida e gosmenta” que pode ser comprada pronta ou feita em casa. Existem diversas receitas para o slime caseiro (incluindo vários tutoriais no YouTube), cada uma buscando desenvolver diferentes cores, texturas e temas. Muitos dos ingredientes são relativamente benignos, mas alguns apresentam riscos significativos de toxicidade. A receita combina ingredientes comuns, como cola branca escolar, água e uma substância ativadora que muda as características da cola, tornando-a elástica sem deixar que ela endureça. Podem ser adicionados corantes, espuma de barbear, glitter, esmalte, fragrâncias, miçangas, enfim, uma série de ingredientes que “personificam” o slime. A substância ativadora – o ácido bórico – geralmente é usada na forma do bórax em pó, mas também pode entrar na receita através do uso de soluções para lente de contato, água boricada ou detergentes. Em sua maioria, os casos de intoxicação estão relacionados à ingestão das substâncias por crianças pequenas, pets e também quem manipula o produto e coloca a mão suja na boca. Em baixas doses, o ácido bórico não costuma oferecer riscos à saúde, porém, por ser muito bem absorvido no sistema digestório, quantidades maiores podem causar vômitos, dor abdominal, diarreia, alterações neurológicas (dor de cabeça, irritabilidade ou sonolência profunda), queda da pressão arterial e até a morte. Pode, ainda, ser absorvido por inalação, pelas mucosas (passar a mão suja nos olhos), ou através da pele machucada. Casos de dermatites estão sendo reportados no mundo todo. Não apenas o ácido bórico pode causar irritação na pele, como vários outros ingredientes utilizados, como o lauril sulfato de sódio, componente da espuma de barbear. A exposição constante da pele a essas substâncias pode levar ao aparecimento de vermelhidão local, coceira ou sensação de queimação, descamação, vesículas e, em casos mais crônicos, pode deixar a pele mais grossa e rígida, além de causar alterações nas unhas e até o desprendimento das mesmas. O slime pode ser uma brincadeira saudável se forem seguidas normas de segurança para sua manipulação e preparo: • crianças e adolescentes devem ser supervisionados o tempo todo por um adulto atento; • deve-se evitar o uso dos ingredientes mais tóxicos (bórax, bicarbonato de sódio); • ao manipular e preparar o produto, usar material descartável (talheres, espátulas, pratos); • usar luvas (de preferência descartáveis e que não contenham látex, que podem ser substituídas por luvas de nitrilo ou silicone); • mesmo que não manipulem todos os produtos, após terminar a brincadeira (e toda vez que mexerem no slime) todos devem lavar muito bem as mãos e braços com água e sabão; • armazenar o slime e os ingredientes em local apropriado e seguro (longe de crianças pequenas e pets); • por último, mas não menos importante, limitar o tempo para confeccionar e brincar com o slime. ___ Relatores: Dra. Tania M. R. Zamataro Dra. Renata D. Waksman Departamento Científico de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo Publicado em 4/06/2019. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Slime é a “onda do momento” e envolve muita brincadeira e diversão, mas não isentas de riscos. No Brasil e em outros países, há relatos de intoxicações pelos ingredientes utilizados no produto, uma massa “colorida e gosmenta” que pode ser comprada pronta ou feita em casa.

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Existem diversas receitas para o slime caseiro (incluindo vários tutoriais no YouTube), cada uma buscando desenvolver diferentes cores, texturas e temas. Muitos dos ingredientes são relativamente benignos, mas alguns apresentam riscos significativos de toxicidade.
A receita combina ingredientes comuns, como cola branca escolar, água e uma substância ativadora que muda as características da cola, tornando-a elástica sem deixar que ela endureça. Podem ser adicionados corantes, espuma de barbear, glitter, esmalte, fragrâncias, miçangas, enfim, uma série de ingredientes que “personificam” o slime. A substância ativadora – o ácido bórico – geralmente é usada na forma do bórax em pó, mas também pode entrar na receita através do uso de soluções para lente de contato, água boricada ou detergentes.

Em sua maioria, os casos de intoxicação estão relacionados à ingestão das substâncias por crianças pequenas, pets e também quem manipula o produto e coloca a mão suja na boca. Em baixas doses, o ácido bórico não costuma oferecer riscos à saúde, porém, por ser muito bem absorvido no sistema digestório, quantidades maiores podem causar vômitos, dor abdominal, diarreia, alterações neurológicas (dor de cabeça, irritabilidade ou sonolência profunda), queda da pressão arterial e até a morte. Pode, ainda, ser absorvido por inalação, pelas mucosas (passar a mão suja nos olhos), ou através da pele machucada.

Casos de dermatites estão sendo reportados no mundo todo. Não apenas o ácido bórico pode causar irritação na pele, como vários outros ingredientes utilizados, como o lauril sulfato de sódio, componente da espuma de barbear. A exposição constante da pele a essas substâncias pode levar ao aparecimento de vermelhidão local, coceira ou sensação de queimação, descamação, vesículas e, em casos mais crônicos, pode deixar a pele mais grossa e rígida, além de causar alterações nas unhas e até o desprendimento das mesmas.

O slime pode ser uma brincadeira saudável se forem seguidas normas de segurança para sua manipulação e preparo:
• crianças e adolescentes devem ser supervisionados o tempo todo por um adulto atento;
• deve-se evitar o uso dos ingredientes mais tóxicos (bórax, bicarbonato de sódio);
• ao manipular e preparar o produto, usar material descartável (talheres, espátulas, pratos);
• usar luvas (de preferência descartáveis e que não contenham látex, que podem ser substituídas por luvas de nitrilo ou silicone);
• mesmo que não manipulem todos os produtos, após terminar a brincadeira (e toda vez que mexerem no slime) todos devem lavar muito bem as mãos e braços com água e sabão;
• armazenar o slime e os ingredientes em local apropriado e seguro (longe de crianças pequenas e pets);
• por último, mas não menos importante, limitar o tempo para confeccionar e brincar com o slime.

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Relatores:
Dra. Tania M. R. Zamataro
Dra. Renata D. Waksman
Departamento Científico de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Publicado em 4/06/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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