Cobertura Vacinal – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 24 Mar 2026 14:20:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Cobertura Vacinal – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Vacinação é fundamental para a erradicação da poliomielite https://spsp.org.br/vacinacao-e-fundamental-para-a-erradicacao-da-poliomielite/ Fri, 24 Oct 2025 11:33:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53777 A poliomielite é uma doença altamente infecciosa, causada por um poliovírus que afeta principalmente as crianças menores de cinco anos, sendo transmitida por via fecal-oral.]]>

A poliomielite é uma doença altamente infecciosa, causada por um poliovírus que afeta principalmente as crianças menores de cinco anos, sendo transmitida por via fecal-oral. O quadro clínico varia em gravidade, desde formas inaparentes ou com sintomas leves, como febre, mal-estar, cefaleia, sintomas gastrointestinais, até paralisia flácida e atrofia permanente, geralmente unilateral, em membros inferiores. Um em cada 200 infectados desenvolve uma paralisia irreversível e, dentre estes, 5%-10% morrem quando há o comprometimento da musculatura respiratória. Não há tratamento, mas há prevenção.

A vacina pólio oral (VOP) mudou o cenário mundial da poliomielite. A VOP é uma vacina produzida com o poliovírus enfraquecido que estimula a imunidade contra a poliomielite. A Iniciativa Global de Erradicação da Pólio criada em 1988 teve muito sucesso com a redução dos casos. Porém, dois países, Paquistão e Afeganistão, ainda apresentam casos. Até que a transmissão do poliovírus seja interrompida nesses países, todos os países permanecem em risco de importação de pólio.

O último caso de poliomielite registrado no Brasil foi em 1989, na cidade de Souza, na Paraíba, e o Brasil, com os demais países da América, obteve o certificado de área livre do poliovírus selvagem em seu território desde 1994, conferido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

A partir de então, o Brasil assumiu um compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de não permitir a reintrodução da doença no país. Para isto, precisamos manter altas coberturas vacinais, ou seja, que a população menor de cinco anos seja vacinada.

Com a vacinação, dos três tipos de poliovírus, o sorotipo 2 (P2) e o sorotipo 3 (P3) desapareceram em 1999 e 2012, respectivamente. O sorotipo 1 (P1) é o que tem causado os casos de poliomielite nos últimos anos em países endêmicos (Afeganistão e Paquistão). Além desses tipos selvagens, a poliomielite pode ser causada por um poliovírus derivado da vacina pólio oral (VDPV), quando o vírus vacinal excretado no ambiente, apesar de enfraquecido, readquire a capacidade de causar a doença, levando a surtos em locais onde há baixa cobertura vacinal.

Devido a isto, para manter o país livre da poliomielite, conforme a orientação da OMS, progressivamente a VOP foi retirada do calendário da criança e, desde novembro de 2024, as crianças recebem apenas a vacina pólio inativada (VIP) aos 2, 4 e 6 meses, com uma dose de reforço aos 15 meses. A VIP não causa poliomielite porque não é uma vacina viva. Então, no Brasil, a vacina pólio oral não é mais administrada. No entanto, o Zé Gotinha não se aposentou; ele é um símbolo das Campanhas Nacionais de Vacinação.

Há um esforço mundial para a erradicação da poliomielite, ou seja, para que o poliovírus não seja mais detectado, não circule mais e não ocorram mais casos da doença. O trabalho constante das equipes de saúde para garantir a vacinação mesmo em locais de difícil acesso, como locais acometidos por catástrofes naturais, enchentes, terremotos, ou guerras, é louvável. Em nosso meio, tem sido observada, desde 2016, uma queda progressiva na cobertura vacinal para poliomielite, assim como para outras vacinas, o que se agravou durante a pandemia da Covid-19. As campanhas de multivacinação para atualização vacinal são importantes para melhorar estes números.

É importante mantermos altas coberturas vacinais, porque se houver casos de pólio provenientes de outros países (casos importados), pode haver disseminação do vírus entre as crianças não vacinadas e surgirem casos após 36 anos sem registro de poliomielite em nosso país.

Então, neste Dia Mundial de Combate à Poliomielite, devemos lembrar da vacinação como medida fundamental para a prevenção de casos de pólio, uma doença que pode ser grave e deixar sequelas permanentes, e que está caminhando para a erradicação.

 

Saiba mais:

  1. World Health Organization Weekly epidemiological record. Polio vaccines: WHO position paper – June 2022; 97: 277-300.
  2. World Health Organization. Highlights of new wild poliovirus and cVDPV positives reported globally this week. Disponível em: application/pdf 44_Polio_Global_update_02Nov2022_.pdf — 1433 KB.
  3. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” – Divisão de Imunização. Documento Técnico: Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite e Multivacinação para Atualização da Caderneta de Vacinação da Criança e do Adolescente. 03/08/2022. Estado de São Paulo. Disponível em: https://www.cosemssp.org.br/wp-content/uploads/2022/08/Documento-Tecnico-Campanha-Polio-e-Multi_03-08-2022.pdf. Acesso em 05/12/2022.

 

Relatora:
Alessandra Ramos
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

 

 

 

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 24 de outubro – Dia Mundial de Combate à Poliomielite https://spsp.org.br/24-de-outubro-dia-mundial-de-combate-a-poliomielite/ Mon, 24 Oct 2022 18:48:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35087 A poliomielite, comumente chamada de pólio, é uma doença grave e altamente contagiosa, causada pelo poliovírus na sua forma selvagem e também por um poliovírus atenuado, que fica circula]]>

A poliomielite, comumente chamada de pólio, é uma doença grave e altamente contagiosa, causada pelo poliovírus na sua forma selvagem e também por um poliovírus atenuado, que fica circulando nos esgotos sofrendo mutações várias, chegando a readquirir a capacidade de neurovirulência, causando a doença.

Independentemente do tipo do poliovírus, a doença causada é semelhante na sua clínica, duração, gravidade e sequelas. Em 1 a 200 casos, o vírus destrói partes do sistema nervoso, causando paralisia irreversível nas pernas ou braços, podendo atacar as partes do cérebro que ajudam a respirar, o que pode levar à morte.

No Brasil não são notificados casos de pólio há mais de 30 anos. Seguramente a vacinação, que alcançava índices recomendados ao redor de 95% até pouco tempo atrás, é a responsável por isso!

Mas atualmente, o panorama mudou e o país corre o sério risco de voltar a notificar casos de pólio, porque sua cobertura vacinal tem sido baixíssima, não alcançando 70% na maioria dos Estados brasileiros, além da desigualdade na vacinação dentro das regiões. Lembrar que em um universo de quase 3.000.000 de crianças nascidas no país, com 30% de não vacinados ou com vacinação incompleta, em média teremos quase 1.000.000 de crianças suscetíveis à doença.

Embora o último caso confirmado de poliomielite por poliovírus selvagem na Região das Américas tenha ocorrido em 1991, a ameaça continua. Apesar dos esforços para sua erradicação, em dois países asiáticos (Afeganistão e Paquistão), além de dois países africanos (Malawi e Moçambique), ainda existem crianças com paralisia permanente pelo vírus selvagem. Até o dia 11 de outubro de 2022 foram notificados 29 casos de pólio nos países citados, pelo poliovírus selvagem sorotipo 1.

Mas a preocupação atual é também com os vírus atenuados mutantes que circulam livremente nos esgotos e águas residuais, como já mencionado, causando a mesma doença. Até 11 de outubro de 2022, foram notificados no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, 28 casos de pólio pelo vírus mutante sorotipo 1, 369 casos pelo vírus mutante sorotipo 2 e 1 caso pelo vírus mutante sorotipo 3. Este último caso ocorreu em Israel, país que não notificava nenhum caso da doença havia muitos anos.

Esses números são bastante expressivos quando lembramos que temos vacinas contra a pólio e a doença já estava a curto caminho da erradicação. E também chamou a atenção, causando uma enorme comoção social, o caso de pólio em um adulto, notificado recentemente em Nova York.

Vários fatores contribuem para o possível ressurgimento da doença nas Américas, sendo o Brasil um alvo bastante fácil, já que é considerado pela Organização Mundial da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde como o segundo país nas Américas de mais alto risco para seu retorno, antecedido apenas pelo Haiti.

Questões políticas, sociais, religiosas e de controle sistemático da vacinação têm colaborado no ressurgimento da pólio em alguns países. Hoje presenciamos um fluxo migratório intenso, além de um saneamento básico inadequado, facilitando a circulação dos vírus e a contaminação das pessoas.

Infelizmente também estamos vendo grupos antivacinas crescerem, não tendo em conta a gravidade da doença nas suas formas paralíticas, tornando os indivíduos acometidos aleijados. Não podemos esquecer um fator que se avoluma no mundo, que é a circulação dos vírus atenuados mutantes nos esgotos, favorecendo a contaminação dos suscetíveis. Entretanto, o principal fator de risco para que crianças menores de 5 anos adquiram a doença é, sem dúvida, a baixa cobertura vacinal. Se um indivíduo receber a vacina correta, estará imune aos três sorotipos de vírus. Caso contrário, tem chance de contrair a doença.

A poliomielite não tem cura. A única maneira de se evitar a doença é através da VACINAÇÃO.

Existem três sorotipos de vírus da pólio (sorotipos 1, 2 e 3), mas todos eles podem ser evitados com uma vacina chamada VIP, que contém vírus inativados de pólio, protegendo os vacinados, adultos ou crianças. Essa vacina é a única que protege contra os três sorotipos de vírus.

No Brasil, o calendário atual da vacina contra pólio recomenda três doses da VIP no primeiro ano de vida, na sua imunização básica e primária. As Sociedades Médicas recomendam reforços no segundo ano de vida com a vacina VIP. Dada a situação epidemiológica do momento, também os indivíduos adultos nunca vacinados com a vacina inativada e que se dirigem a regiões com casos de pólio devem ser informados sobre o risco de aquisição da doença e do benefício de sua proteção através das vacinas.

Pais e/ou cuidadores de crianças, sejam responsáveis e VACINEM SEUS FILHOS! Não importa que eles já tenham sido vacinados. Devem receber reforços para impedir o avanço dos vírus da pólio. Ninguém que voltar a ver uma criança paralisada, usando muletas e cadeira de rodas ou impedida de respirar e morrer, por uma doença que pode ser prevenida pela vacinação! Isso não é justo, nem com ela, nem com a sociedade. Mas a criança não consegue ir sozinha no centro de vacinação, seja ele qual for, privado ou público. A criança tem que ser acompanhada. Cabe aos responsáveis pelas crianças essa tarefa.

Estamos a um passo da erradicação de tão temida doença. Para isso é necessário completarmos a tarefa de vacinar contra pólio em, pelo menos, 95% da população-alvo e impedir sua disseminação.

É preciso combater esse flagelo da humanidade! Poliomielite: vacinar para a doença não voltar!

Saiba mais:

www.polioeradication.org

 

Relatora:
Luiza Helena Falleiros Arlant
Presidente da Câmara Técnica de Especialistas para Certificação da Erradicação da Pólio no Ministério da Saúde do Brasil
Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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