Cigarro – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 22 Jun 2026 18:29:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Cigarro – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Respirar bem também é coisa de criança https://spsp.org.br/respirar-bem-tambem-e-coisa-de-crianca/ Mon, 22 Jun 2026 18:29:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57548 ]]>

Em 21 de junho, lembramos o Dia Nacional de Controle da Asma, uma data importante para reforçar que a asma é comum, pode ser séria, mas tem tratamento eficaz. Para muitas crianças e famílias, a asma não significa apenas “chiado no peito”. Ela pode trazer noites mal dormidas, faltas à escola, limitação para brincar, medo de crises, idas frequentes ao pronto-atendimento e grande ansiedade para pais e responsáveis.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias. Isso significa que os brônquios ficam mais sensíveis e podem reagir exageradamente a vírus respiratórios, poeira, mofo, ácaros, fumaça, cheiros fortes, mudanças de temperatura, esforço físico e outros gatilhos. Durante uma crise, pode haver tosse persistente, chiado, falta de ar, cansaço, aperto no peito ou dificuldade para falar e se alimentar, podendo em casos graves necessitar de atendimento de urgência.

Apesar disso, a mensagem principal é positiva: a maioria das crianças com asma pode levar uma vida normal quando recebe diagnóstico adequado, acompanhamento regular e tratamento preventivo. Com a doença controlada, a criança dorme bem, brinca, pratica atividades físicas e frequenta a escola sem limitações importantes.

Ao longo da história, a asma já foi tratada de muitas formas. Algumas fazem sentido até hoje; outras ficaram no passado. Pode parecer absurdo, mas já existiram “cigarros para asma”, usados em uma época em que se entendia muito menos sobre a doença e sobre os riscos da fumaça. Hoje sabemos que qualquer exposição ao tabaco, inclusive fumo passivo, piora a saúde respiratória e deve ser evitada.

Por outro lado, alguns tratamentos antigos continuam atuais quando bem indicados. É o caso da imunoterapia alérgeno-específica, conhecida como “vacina para alergia”. Em pacientes com asma alérgica e com sensibilização comprovada (especialmente a ácaros, pólens ou outros alérgenos inalatórios), a imunoterapia pode reduzir sintomas, diminuir a necessidade de medicamentos e modificar a evolução da doença alérgica. Deve ser sempre indicada e acompanhada por especialista.

Nas últimas décadas, houve avanços importantes: medicamentos inalatórios mais seguros e eficazes, dispositivos melhores e, para casos selecionados de asma grave, medicamentos biológicos. Eles atuam em mecanismos específicos da inflamação e podem mudar a vida de crianças e adolescentes que continuam com sintomas ou crises apesar do tratamento convencional. Não são necessários para a maioria dos pacientes, mas representam uma grande conquista para os casos mais difíceis.

Um ponto essencial é evitar o tratamento inadequado baseado apenas em crises. Muitas crianças recebem repetidas doses de corticoide sistêmico, como prednisolona ou dexametasona, em pronto-atendimento, mas continuam sem tratamento preventivo adequado. O corticoide oral ou injetável pode ser necessário em algumas crises, porém seu uso repetido não é inofensivo. Quando usado com frequência, pode causar efeitos indesejáveis, como ganho de peso, alterações de comportamento e sono, aumento da pressão, alteração da glicemia, prejuízo ao crescimento e maior risco de outros problemas. Se a criança precisa ir muitas vezes ao pronto-atendimento, usar inalador de alívio com frequência ou receber corticoide sistêmico repetidamente, isso é sinal de alerta: a asma não está bem controlada.

Também é importante lembrar que o tratamento preventivo da asma não deve ser interrompido sem recomendação médica. Muitas vezes, quando a criança melhora, a família tem a impressão de que o medicamento não é mais necessário. No entanto, a melhora geralmente acontece justamente porque a inflamação dos brônquios está controlada. Quando o tratamento é suspenso antes da hora, essa inflamação pode voltar silenciosamente, aumentando o risco de novas crises, piora progressiva dos sintomas, faltas à escola, procura por pronto-atendimento e necessidade de corticoide sistêmico. Por isso, qualquer redução ou suspensão do tratamento deve ser planejada pelo médico, de forma segura e no momento adequado.

O pediatra tem papel central no cuidado da criança com asma. Ele pode reconhecer os sintomas, orientar o uso correto dos inaladores, acompanhar o crescimento, revisar gatilhos ambientais, tratar doenças associadas, como rinite alérgica, e ajustar o tratamento preventivo. Nos casos mais persistentes, graves, com dúvida diagnóstica, internações, uso frequente de corticoide sistêmico ou necessidade de terapias mais avançadas, a avaliação conjunta com alergista pediátrico e pneumologista pediátrico é muito importante.

Algumas atitudes simples ajudam muito: não expor a criança à fumaça de cigarro ou de cigarro eletrônico; manter acompanhamento regular, mesmo fora das crises; usar os medicamentos exatamente como prescritos; aprender a técnica correta dos inaladores, muitas vezes com espaçador; tratar a rinite quando presente; reconhecer sinais de piora; e ter um plano de ação para saber o que fazer em casa e quando procurar atendimento.

No Dia Nacional de Controle da Asma, vale lembrar: asma não deve ser tratada apenas na emergência. Controle de verdade acontece no acompanhamento, na prevenção e na parceria entre família, pediatra e especialistas quando necessário. Respirar bem é parte indispensável de uma infância feliz e ativa.

 

Relator:
Tim Markus Müller
Presidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP

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Dia do Pulmão: é hora de respirar esse assunto! https://spsp.org.br/dia-do-pulmao-e-hora-de-respirar-esse-assunto/ Thu, 25 Sep 2025 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53311 Todo mundo respira, todo dia, o tempo todo; mas será que a gente cuida mesmo dos nossos pulmões? No Dia do Pulmão, celebrado em 25 de setembro, é importante parar um pouco]]>

Todo mundo respira, todo dia, o tempo todo; mas será que a gente cuida mesmo dos nossos pulmões? No Dia do Pulmão, celebrado em 25 de setembro, é importante parar um pouco e refletir sobre isso. Muita gente está doente, sem saber, com problemas respiratórios sérios, que poderiam ser tratados ou até evitados, se a saúde funcionasse como deveria.

Doenças como asma, bronquiolite, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), fibrose pulmonar e até câncer de pulmão estão por aí, afetando milhões de pessoas. O problema é que grande parte dessas doenças não são diagnosticadas a tempo. A pessoa sente falta de ar, cansaço, tosse constante, esforço respiratório…, mas acha que é “da idade”, “do tempo seco”, ou “porque fuma um pouquinho só”. E aí, deixa pra lá.

Esse é o chamado subdiagnóstico, quando a doença existe, mas ninguém descobriu ainda e mesmo quando descobre, às vezes o tratamento não é o ideal. Seja por falta de acesso, seja por falta de informação. Aí entra outro problema: o subtratamento. Ou seja, a pessoa até sabe que está doente, mas não consegue tratar direito.

Além disso, o acesso aos exames e aos medicamentos ainda é um desafio. Muita gente espera meses por uma consulta com pneumologista, por um exame simples como espirometria (aquele que mede como você respira), ou por remédios que deveriam estar disponíveis no posto de saúde. E isso sem contar com os pacientes que precisam de oxigênio ou de remédios mais caros, que quase nunca estão ao alcance de todos.

Nem tudo é doença. Tem muita coisa que dá para fazer para cuidar do pulmão antes que o problema apareça. Desde o aleitamento materno, que diminui as taxas de infecções respiratórias agudas, até as vacinas: gripe, VSR, covid-19, pneumonia, todas essas doenças atacam o pulmão e podem complicar muito a vida, principalmente dos mais velhos e das pessoas com doenças crônicas. Vacinar é um jeito simples e eficiente de proteger o sistema respiratório.

Outra coisa fundamental é o exercício físico. Caminhar, nadar, pedalar, dançar… qualquer atividade que mexa com o corpo ajuda a fortalecer o pulmão, melhorar a respiração e aumentar a qualidade de vida. E o melhor, não precisa de academia chique nem de roupa cara. Um tênis no pé e vontade de se mexer já são um ótimo começo.

Não dá para falar de pulmão sem falar do ar que a gente respira. A poluição é um inimigo invisível que faz um estrago enorme. Queimadas, fumaça dos carros, poeira de obras, fumaça do cigarro – tudo isso agride os pulmões dia após dia. Por isso, é urgente que as cidades invistam em transporte público de qualidade, áreas verdes, energias limpas e políticas de controle da poluição do ar. Respirar bem deveria ser um direito de todo mundo, não um luxo.

E claro, não podemos esquecer do cigarro, que continua sendo um dos maiores vilões quando o assunto é saúde pulmonar. Fumar causa ou piora quase todas as doenças do pulmão. A política antitabagista do Brasil já avançou muito, proibiu propaganda, aumentou impostos, tirou o cigarro de lugares fechados, mas ainda tem muito trabalho pela frente, principalmente com os cigarros eletrônicos, que andam seduzindo os jovens com sabores doces e propaganda enganosa. Eles também fazem mal e não são “seguros” como muita gente pensa.

Cuidar do pulmão é cuidar da vida. E isso não é responsabilidade só de quem está doente. É um compromisso de todos: das famílias, das escolas, dos profissionais de saúde e, principalmente, do poder público. O diagnóstico tem que chegar mais rápido. O tratamento tem que ser acessível. O ambiente tem que ser mais limpo. E a informação tem que circular – clara, direta e sem enrolação.

No Dia do Pulmão, que tal começar a respirar diferente? Fazer uma caminhada, se vacinar, buscar ajuda médica se estiver com sintomas, conversar com aquele amigo que ainda fuma, cobrar do seu bairro mais verde e menos fumaça. A mudança começa no ar que você escolhe respirar e no que você faz com ele.

 

Relator:
Breno Giuseppe Lioi
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da SPSP

 

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Dia Nacional de Combate ao Tabagismo – Um problema de grande magnitude https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-ao-tabagismo-a-magnitude-do-problema-do-tabagismo-e-de-outras-drogas-na-infancia/ Mon, 29 Aug 2022 18:00:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34099 O Dia Nacional de Combate ao Tabagismo é comemorado no dia 29 de agosto e sabemos que temos muito a combater, uma vez que o tabagi]]>

O Dia Nacional de Combate ao Tabagismo é comemorado no dia 29 de agosto e sabemos que temos muito a combater, uma vez que o tabagismo ativo é a primeira e o passivo é a terceira causa de mortes evitáveis no mundo.

Em trabalho publicado em 2005, baseado em levantamento no Pronto-Socorro de Pediatria do Hospital Universitário da USP, realizado antes da Lei Ambiente Fechado Livre do Tabaco (2009), foi encontrado que: 51% das crianças eram fumantes passivas (segundo informações maternas); a cotinina urinária foi identificada em 23,8% das crianças de 0 a 5 anos de idade; filhos de mães fumantes apresentaram maiores níveis de cotinina urinária, sendo ainda mais elevados nos filhos de casais em que ambos os pais eram fumantes.

Estes dados evidenciam que o contato das crianças com a nicotina se inicia precocemente, o que é muito relevante, aliás, o contato com a nicotina, que é a droga que vicia, pode se iniciar antes do nascimento, pois se a grávida ou seu parceiro fumam, a primeira exposição ocorre intraútero.

O tabagismo é considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde desde 1992. Encará-lo desta maneira permitiu a implementação de programas de tratamento da dependência da nicotina no mundo. Dentro deste enfoque, a prevenção do tabaco é de extrema importância para a saúde das crianças. Estatísticas globais demonstram que 80 a 100 mil crianças no mundo iniciam todos os dias neste vício.

Um dos pilares da luta antitabágica no nosso meio foi a retirada da propaganda do cigarro da mídia. Anais de 1975 da indústria do tabaco dos Estados Unidos, recentemente tornados públicos, confirmam a intenção da indústria tabaqueira de atingir diretamente a criança e o adolescente, sendo encontradas frases como:

■ “Os jovens representam o negócio de cigarros amanhã”;

■ “À medida que o grupo etário de 14 a 24 anos amadurece, ele se tornará parte do volume total de cigarros nos próximos 25 anos”;

■ “Atingir os jovens pode ser mais eficiente, ainda que os custos sejam maiores, pois eles desejam experimentar, têm mais influência entre os pares de sua idade e são muito mais leais a sua primeira marca escolhida”.

O tabagismo já era considerado uma doença pediátrica, já citada pelo Prof. Dr. José Rosemberg, um dos pioneiros na luta antitabágica no Brasil. Hoje se considera que o vício em outras drogas, como o álcool e a maconha, também são doenças pediátricas, pois o seu consumo começa muito cedo, quando os adolescentes ainda estão sob os cuidados dos pais e dos pediatras.

A família com limites, a espiritualidade, as atividades culturais e esportivas e as amizades são os pilares da prevenção de sucesso realizada na Irlanda (Reino Unido), projeto já utilizado por vários países. Também aconselhamos incluir atividades sociais, pois a família deve dar o exemplo e envolver seus filhos desde a infância em projetos sociais.

Em relação ao narguilé, há muita desinformação. A maioria dos usuários acredita estar utilizando apenas a essência, desconhecendo o fato de que ela é colocada junto ao tabaco para facilitar o vício e a dependência, mascarando o gosto ruim das primeiras tragadas. Sobre a maconha, o processo de descriminalização no Uruguai, em alguns estados dos Estados Unidos e que está começando na Argentina, diminui o medo da droga e aumenta o seu uso.

Pesquisa em escolas que indagou sobre qual droga dentre quatro faria menos mal à saúde, as respostas em todas as escolas foram idênticas: maconha e álcool. Isso denota que a maioria das crianças e adolescentes enxerga essas duas drogas como “pouco perigosas” ou até “inofensivas”. Observa-se inclusive que muitos jovens têm iniciado a experimentação de drogas diretamente pela maconha, sem nunca terem fumado qualquer cigarro, que consideram mais prejudicial à saúde. Obviamente, essa visão “saudável” da maconha é equivocada, pois apesar de ser utilizada em menor quantidade do que as unidades de tabaco fumadas por dia, apresenta 50% mais substâncias cancerígenas e quatro vezes mais alcatrão do que o tabaco, não utiliza filtro e provoca prejuízos ao pulmão tanto quanto o tabaco, já lesando o pulmão de crianças e adolescentes. Como já dito, isso não é notado porque a quantidade de cigarros fumados costuma ser proporcionalmente muito superior à quantidade de maconha consumida.

O uso das drogas, inclusive o tabaco, pode começar dentro de casa de acordo com a postura dos pais. A presença de cigarros em casa é um fator facilitador da experimentação. A iniciação também costuma ter influência direta dos amigos mais próximos, auxiliada pela ideia irreal de poucos danos à saúde, associada ao marketing ainda existente de maneira indireta. Algumas pessoas ainda alimentam a ideia de que o “rito” de passagem da adolescência para a vida adulta teria que passar pela experimentação do tabaco e pela ingestão de álcool. Hoje muitos já incluem o uso da maconha.

Com o objetivo deliberado de confundir potenciais consumidores, a indústria tabaqueira promoveu o lançamento do cigarro eletrônico (CE). A ideia inicial era que fossem utilizados por adultos que não conseguissem parar de fumar o cigarro normal, dando a ideia de que faria menos mal à saúde. Só que a propaganda do CE foi direta para jovens em todo o mundo, acarretando forte dependência nicotínica e morte entre os jovens americanos por lesões pulmonares graves.

Pais fumantes aumentam 50 vezes a chance de os filhos fumarem. Vocês pais, são os primeiros professores de seus filhos. Repensem e incluam em suas famílias os 12 passos para diminuir o risco de problemas na vida de seus filhos. São eles:

  1. Família unida e com limites;
  2. Fazer as refeições com os filhos, dentro do possível;
  3. Saber o que seus filhos fazem nas horas vagas;
  4. Acompanhar os deveres dos filhos;
  5. Investir no relacionamento familiar: qualidade no relacionamento;
  6. Elogiar boas atitudes dos filhos e não os criticar ou corrigi-los em excesso;
  7. Não fumar e não beber antes ou em excesso depois dos 18 anos;
  8. Aumento de atividades culturais e esportivas;
  9. Envolvimento em atividades sociais;
  10. Espiritualidade;
  11. Bons amigos;
  12. Dar o exemplo.

Tudo começa desde pequeno. Se não for feito desde a primeira infância, dificilmente será feito na adolescência. A presença de discussão, aliada a trocas de ideias (diálogo) com a família, foi o único fator positivo na diminuição da experimentação de drogas pelos jovens. Comecem a dialogar já.

 

Relator:
J
oão Paulo Becker Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP

 

Foto: @andreycherkasov / br.freepik.com

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“Nosso cérebro é construído por nós mesmos” https://spsp.org.br/nosso-cerebro-e-construido-por-nos-mesmos/ Tue, 31 May 2022 18:21:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32746 Quanto mais precoce o início da experimentação dessas drogas, maior o risco da dependência. A fisiologia dessa indução ao vício é a mesma – satisfação do desejo determinante de prazer e a droga é usada para fazer esse papel.]]>

O cérebro vai sendo moldado pelo meio, pelas experiências e por meio de mediadores vai construindo canais neurais e modelando sua plasticidade. Charles Sherrington (Prêmio Nobel 1942) escreveu em Man on his nature: “o cérebro humano parece um tear encantado, em que milhões de lançadeiras muito velozes vão tecendo um padrão que se desfaz, um padrão sempre significativo, mas nunca permanente… Enfim, o cérebro humano acha-se sempre em estado de fluxo.”

Crianças e adolescentes, em especial, são mais suscetíveis a alguns fatores externos que podem interferir na construção dessa máquina extraordinária. 

O tabaco é uma droga, assim como a maconha, a cocaína, o álcool e os meios eletrônicos. Quanto mais precoce o início da experimentação dessas drogas, maior o risco da dependência. A fisiologia dessa indução ao vício é a mesma – satisfação do desejo determinante de prazer.

Aqui damos atenção especial ao tabaco, uma vez que no dia 31 de maio comemora-se o Dia Mundial sem Tabaco.

As primeiras publicações alertando sobre os efeitos do tabaco na saúde foram publicadas na Revista Lancet em 1858, daí em diante o mundo tem se conscientizado dos riscos que os fumantes correm, produzindo leis protetivas. 

 

Alertamos, a seguir, para alguns fatores de risco associados ao uso do tabaco:

 

1.Problemas cognitivos e mentais.

2.Déficit de atenção com hiperatividade.

3.Perda de memória.

4.QI mais baixo em adolescente.

5.Quanto mais se fuma menor é a atividade do córtex pré-frontal (região do cérebro determinante para a tomada de decisões).

6.Plasticidade neural afetada.

7.Transtornos do humor.

8.Nicotina na adolescência danifica as vias produtoras de serotonina no cérebro, facilitando o desenvolvimento de quadros depressivos.

9.A ingestão de nicotina a longo prazo aumenta a tolerância ao álcool, ou seja, é necessário ingerir mais álcool para produzir um mesmo efeito.

10.Adolescentes que fumam são 9 vezes mais suscetíveis a receber o diagnóstico de abuso de álcool e 13 vezes mais suscetíveis a receber o diagnóstico de abuso e dependência de outras drogas.

 

A fumaça de cigarros contém mais de 7.000 substâncias, dentre as quais pelo menos 69 são carcinogênicas, também afeta a saúde das crianças, podendo acarretar: síndrome da morte súbita, otites de repetição, bronquiolite, asma, prematuridade e prejuízo no desenvolvimento cerebral do feto.

A decisão de parar de fumar está também em nossas mãos, juntos devemos apoiar as pessoas com as ferramentas e os recursos necessários, com iniciativas que permitirão salvar vidas e criar sociedades mais saudáveis.

 

Saiba mais:

  1. LOTUFO, João Paulo Becker. Álcool, tabaco e maconha: drogas pediátricas: o envolvimento do pediatra e da família na prevenção. [S.l: s.n.], 2016.
  2. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Tabagismo. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tabagismo

 

Relator:

Fernando MF Oliveira

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: piotr marcinski | depositphotos.com

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31 de maio: Dia Mundial sem Tabaco https://spsp.org.br/31-de-maio-dia-mundial-sem-tabaco/ Tue, 31 May 2022 18:11:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32740 O Dia Mundial sem Tabaco, comemorado no mundo todo, relembra que o Brasil foi o segundo país a concluir todas as sugestões da Organização Mundial da Saúde. Com isso nos tornamos o quarto país em número de ex-tabagistas.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 31/05/2022


O Dia Mundial sem Tabaco, comemorado no mundo todo, relembra que o Brasil foi o segundo país a concluir todas as sugestões da Organização Mundial da Saúde. Com isso nos tornamos o quarto país em número de ex-tabagistas. Éramos 30% de fumantes e hoje somos 9,2%, ou seja, 40 milhões de pessoas pararam de fumar no Brasil.

Mas o lobby do tabaco, chefiado pela indústria tabaqueira, não mede esforços para reverter esta estatística. Assim foi criado o cigarro eletrônico (CE), com as mesmas técnicas de marketing usadas com o cigarro comum para atrair a juventude. Lançado como sendo benéfico para aqueles que não conseguem parar de fumar, foi lançado nos EUA patrocinando os acampamentos de verão das escolas de ensino fundamental e médio, acarretando em milhares de intoxicações nicotínicas em jovens. Aumentou os roubos de coisas de casa, fato este nunca visto com dependência de nicotina, apenas com drogas pesadas.

Uma ampola de nicotina líquida do CE pode conter até 15 vezes a nicotina de um cigarro normal. Isto é mais do que a tragada de um narguilé, onde 1 hora de consumo equivale a 100 cigarros consumidos.

Tive a oportunidade recente, representando as Sociedades Brasileira de Pediatria e Pediatria de São Paulo, de ir a uma escola pública em Guarulhos, convidado por uma professora de português, que articulou a possibilidade da apresentação do Projeto de Prevenção Dr Bartô (www.drbarto.com.br), os alunos já tinham entrado em contato com o material de prevenção, por meio desta professora, que já havia trabalhado algumas questões.

A atividade ocorreu no refeitório da escola, que foi adaptado para isto, para que eu pudesse transmitir o meu recado sobre as fake news relacionadas a drogas que enganam nossos jovens, fazendo-os perder o medo dessas substâncias.

A mensagem que fica desta atividade é que se a escola tem algum professor com “P” maiúsculo, isto faz a diferença.

A Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) fez uma reunião com a Secretaria de Educação de São Paulo para promovermos um movimento contra o CE nas escolas, além de outras drogas. Tive a oportunidade de trocar ideias com todos e colocar nossa experiência de prevenção: trabalho contínuo, perseverante e com muito material a ser utilizado.

A ideia foi de aproveitar o novo sistema de comunicação da secretaria por lives e divulgar aos professores das 5 mil escolas do estado de São Paulo ideias e subsídios para que possam desenvolver a prevenção de CE e outras drogas nas escolas.

Ficou claro para a Secretaria de Educação que qualquer trabalho no sentido de prevenção de drogas vem pra somar com o que já é feito e não disputar espaço com outros programas.

Apoiamos e podemos auxiliar a todos que queiram participar desta luta. O Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo oferece apoio para que esta mensagem atinja a todos que estão interessados em continuar ganhando esta luta contra o tabaco. E não se esqueçam: narguilé e cigarro eletrônico são nocivos porque contém tabaco. Mesmo a essência queimada sem tabaco é nociva ao pulmão.

O jovem precisa saber que CE é nicotina, vicia e causa dependência e vai vitimar uma boa parcela da população jovem. A escola, considerada por muitos como a segunda família, tem que abraçar a luta da orientação contra as fake news das drogas, muitas vezes lançadas pela própria indústria do tabaco.

 

Relator:

João Paulo Becker Lotufo

Coordenador do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: ulkas78 | depositphotos.com

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Dia Mundial sem Tabaco: 31 de maio https://spsp.org.br/dia-mundial-sem-tabaco-31-de-maio/ Mon, 31 May 2021 20:44:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28536 O Dia Mundial sem Tabaco – 31 de maio – foi criado em 1987 pela OMS para servir de alerta quanto as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. Em 2021, o tema da campanha da OMS é: Comprometa-se a parar de fumar durante a Covid-19.]]>

O Dia Mundial sem Tabaco – 31 de maio – foi criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para servir de alerta quanto as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. Em 2021, o tema da campanha da OMS é: Comprometa-se a parar de fumar durante a Covid-19.

Parar de fumar agora é um grande desafio, pois os fumantes também sentem o estresse social e econômico que surgiu como resultado da pandemia. Em todo o mundo, cerca de 780 milhões de pessoas dizem querer parar de fumar, mas apenas 30% delas têm acesso às ferramentas que podem ajudá-las a fazer isso. No Brasil, estima-se que o tabaco é responsável direto por 150 mil mortes por ano. O álcool, gatilho do tabagismo, é causa de mais 100 mil mortes. Se juntarmos as demais drogas, este número assustador assemelha-se às mortes do Covid-19 neste último ano.

De acordo com o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, “fumar mata 8 milhões de pessoas por ano, mas se as pessoas precisarem de mais motivação para largar o vício, a pandemia fornece o incentivo certo”. Os fumantes têm maior risco de desenvolver doença grave e morte por Covid-19. O tabaco também é um importante fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como doenças do coração, câncer, doenças respiratórias e diabetes. Além disso, as pessoas que vivem com essas condições são mais vulneráveis a desenvolver um quadro grave da Covid-19.

Nos documentos da indústria do tabaco tornados públicos pela sentença da juíza Gladys Kessler, em 2006, nos EUA, foram encontradas as seguintes frases:

  • “(As crianças e os jovens) representam o negócio de cigarros do amanhã.”
  • “À medida que o grupo etário de 14 a 24 anos amadurece, ele se torna parte chave do volume total de consumidores nos próximos 25 anos.”
  • “A pressão dos amigos é o fator mais importante para o tabagismo infantil.”
  • “Atingir os jovens pode ser mais eficiente, ainda que os custos sejam maiores, pois eles desejam experimentar, têm mais influência entre os pares de sua idade e são muito mais leais à sua primeira marca escolhida.”
  • “Se as empresas de tabaco realmente eliminassem o marketing voltado para crianças, estariam fora do mercado em 25 ou 30 anos, porque não teriam consumidores suficientes para manter seus negócios.” 

Pode uma indústria assim ser do bem????? Lógico que não!!!!! Ela agora quer tornar usual o cigarro eletrônico que intoxicou milhares de jovens nos EUA, acarretando dezenas de mortes e transplantes pulmonares em adolescentes, por causar uma intoxicação nicotínica nunca vista e problemas pulmonares gravíssimos.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) apoia o movimento “Aconselhamento Breve sobre Álcool e outras Drogas”. É um alerta para todos “gastarem” alguns minutos semanalmente com seus filhos, alunos ou pacientes, aconselhando-os sobre o problema do início precoce do uso de drogas. Foi lançado o livro infantil “12 Passos” para evitar que crianças e adolescentes entrem nas drogas, com o apoio das Sociedades de Pediatria. Numa linguagem infantil voltada para a criança, lá estão conselhos e atitudes fáceis para que as conversa com ela tenha êxito. 

Relator:

João Paulo Becker Lotufo

Coordenador do Grupo de Trabalho do Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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A criança fumante passiva e otites https://spsp.org.br/a-crianca-fumante-passiva-e-otites/ Wed, 19 Mar 2014 03:40:05 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=534 A fumaça do tabaco no ambiente contamina o ar, fica retida nas roupas, cabelos, cortinas etc. fazendo com que as crianças fiquem expostas a ela. Muito além do simples desconforto ou da irritação dos olhos, a fumaça do tabaco no ambiente representa um grave problema que afeta a saúde das pessoas. Muitas substâncias químicas são eliminadas no ambiente e estão relacionadas até mesmo com a causa de câncer. Comum em crianças pré-escolares, as infecções de ouvido também têm relação com fumaça do cigarro. As crianças que se expõem esta fumaça, mesmo que indiretamente, ou seja, no contato com a roupa da mãe que fuma, estão mais predispostas a um número maior de otites, assim como sua duração é em geral mais prolongada. A fumaça inalada irrita as mucosas da via respiratória, causando inchaço, também na região da tuba auditiva, onde os ouvidos se comunicam com o nariz, fazendo com que as secreções que se acumulam na orelha média durante um resfriado, lá permaneçam por mais tempo e assim acabam por se infectar por bactérias. Além da dor, febre e irritabilidade, estas crianças podem apresentar perda auditiva prolongada. Em adolescentes, a exposição ao cigarro também está relacionada a perdas auditivas neurossensoriais, ou seja, que afetam a cóclea e o nervo auditivo e muitas vezes são irreversíveis. Assim, todos devem sempre levar em conta que o cigarro não faz mal apenas para quem fuma, mas também para aqueles com quem convivem. O tabagismo deve ser desencorajado para todos, em especial aos pais. ___ Relatora: Dra. Renata C. Di Francesco Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP Publicado em 19/03/2014. photo credit: Denys Prokofyev | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

??????????????????????????????????????????????????????????????????????A fumaça do tabaco no ambiente contamina o ar, fica retida nas roupas, cabelos, cortinas etc. fazendo com que as crianças fiquem expostas a ela. Muito além do simples desconforto ou da irritação dos olhos, a fumaça do tabaco no ambiente representa um grave problema que afeta a saúde das pessoas. Muitas substâncias químicas são eliminadas no ambiente e estão relacionadas até mesmo com a causa de câncer.

Comum em crianças pré-escolares, as infecções de ouvido também têm relação com fumaça do cigarro. As crianças que se expõem esta fumaça, mesmo que indiretamente, ou seja, no contato com a roupa da mãe que fuma, estão mais predispostas a um número maior de otites, assim como sua duração é em geral mais prolongada.

A fumaça inalada irrita as mucosas da via respiratória, causando inchaço, também na região da tuba auditiva, onde os ouvidos se comunicam com o nariz, fazendo com que as secreções que se acumulam na orelha média durante um resfriado, lá permaneçam por mais tempo e assim acabam por se infectar por bactérias.

Além da dor, febre e irritabilidade, estas crianças podem apresentar perda auditiva prolongada. Em adolescentes, a exposição ao cigarro também está relacionada a perdas auditivas neurossensoriais, ou seja, que afetam a cóclea e o nervo auditivo e muitas vezes são irreversíveis.

Assim, todos devem sempre levar em conta que o cigarro não faz mal apenas para quem fuma, mas também para aqueles com quem convivem. O tabagismo deve ser desencorajado para todos, em especial aos pais.

___
Relatora:
Dra. Renata C. Di Francesco
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP

Publicado em 19/03/2014.
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