Cérebro – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 09 Sep 2026 16:09:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Cérebro – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Uma data para reforçar cuidados que devem ser diários https://spsp.org.br/uma-data-para-reforcar-cuidados-que-devem-ser-diarios/ Wed, 09 Sep 2026 16:09:49 +0000 https://spsp.org.br/?p=58947 Mais uma vez, somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) — entre os quais a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) representa o quadro mais grave e completo — podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, o dia 9 de setembro é celebrado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal. Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa exposta ao álcool durante o desenvolvimento uterino. Quando uma gestante consome álcool etílico (etanol), a substância atravessa a placenta e atinge diretamente o embrião ou feto. Essa droga lícita, presente em bebidas alcoólicas e também em preparações culinárias que as utilizam, interfere na multiplicação, organização e maturação celular. Com isso, o álcool pode comprometer o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, afetando principalmente o cérebro, cuja formação se inicia nas primeiras semanas de gestação e se estende até o período extrauterino. A exposição ao álcool na gestação pode causar sequelas permanentes. Além das malformações congênitas, a criança com TEAF pode apresentar atrasos em diversas áreas do neurodesenvolvimento, incluindo atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle de impulsos e emoções, linguagem, habilidades sociais e autonomia para atividades cotidianas. Muitas dessas dificuldades só se manifestam com o crescimento e acabam sendo erroneamente atribuídas a preguiça, desobediência ou desinteresse. Frequentemente, essas crianças são rotuladas como “mal-educadas”, quando, na realidade, possuem um cérebro com funcionamento atípico e, portanto, elas necessitam de compreensão para ser devidamente apoiadas ao longo de sua trajetória, já que o transtorno não tem cura. Não existe quantidade de álcool segura para o desenvolvimento fetal, assim como não há período da gestação em que o consumo seja isento de riscos. Como cada organismo é único e reage de forma particular, torna-se impossível prever a gravidade das repercussões ou quais indivíduos serão afetados. Diante disso, a conduta ideal é a abstinência total de álcool durante toda a gravidez. Caso a gestante já tenha consumido alguma dose, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Cessar o consumo reduz a exposição contínua do feto, atenuando significativamente a gravidade dos riscos. Nenhuma mulher deve ou precisa passar por esse processo sem apoio. Auxiliar a gestante a manter-se sóbria, oferecer opções de bebidas não alcoólicas de forma natural, reduzir as pressões sociais para o consumo e dialogar abertamente sobre o tema são atitudes preventivas que cabem aos parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e a toda sociedade. Nesse cenário, os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, exercem um papel essencial ao acolher e orientar a mulher com respeito, sensibilidade e sem julgamentos. Como grande parte das gestações não é planejada ou descoberta de imediato, debater o uso de álcool e a saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é um cuidado preventivo essencial para a saúde materna e infantil. Trata-se de uma medida indispensável para evitar danos que possam comprometer o indivíduo por toda a sua existência. O dia 9 de setembro transcende a conscientização temporária; é um convite para consolidar cuidados cotidianos: Relatora: Maria dos Anjos MesquitaVice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Mais uma vez, somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) — entre os quais a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) representa o quadro mais grave e completo — podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, o dia 9 de setembro é celebrado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa exposta ao álcool durante o desenvolvimento uterino. Quando uma gestante consome álcool etílico (etanol), a substância atravessa a placenta e atinge diretamente o embrião ou feto. Essa droga lícita, presente em bebidas alcoólicas e também em preparações culinárias que as utilizam, interfere na multiplicação, organização e maturação celular. Com isso, o álcool pode comprometer o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, afetando principalmente o cérebro, cuja formação se inicia nas primeiras semanas de gestação e se estende até o período extrauterino.

A exposição ao álcool na gestação pode causar sequelas permanentes. Além das malformações congênitas, a criança com TEAF pode apresentar atrasos em diversas áreas do neurodesenvolvimento, incluindo atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle de impulsos e emoções, linguagem, habilidades sociais e autonomia para atividades cotidianas. Muitas dessas dificuldades só se manifestam com o crescimento e acabam sendo erroneamente atribuídas a preguiça, desobediência ou desinteresse. Frequentemente, essas crianças são rotuladas como “mal-educadas”, quando, na realidade, possuem um cérebro com funcionamento atípico e, portanto, elas necessitam de compreensão para ser devidamente apoiadas ao longo de sua trajetória, já que o transtorno não tem cura.

Não existe quantidade de álcool segura para o desenvolvimento fetal, assim como não há período da gestação em que o consumo seja isento de riscos. Como cada organismo é único e reage de forma particular, torna-se impossível prever a gravidade das repercussões ou quais indivíduos serão afetados. Diante disso, a conduta ideal é a abstinência total de álcool durante toda a gravidez. Caso a gestante já tenha consumido alguma dose, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Cessar o consumo reduz a exposição contínua do feto, atenuando significativamente a gravidade dos riscos.

Nenhuma mulher deve ou precisa passar por esse processo sem apoio. Auxiliar a gestante a manter-se sóbria, oferecer opções de bebidas não alcoólicas de forma natural, reduzir as pressões sociais para o consumo e dialogar abertamente sobre o tema são atitudes preventivas que cabem aos parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e a toda sociedade. Nesse cenário, os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, exercem um papel essencial ao acolher e orientar a mulher com respeito, sensibilidade e sem julgamentos.

Como grande parte das gestações não é planejada ou descoberta de imediato, debater o uso de álcool e a saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é um cuidado preventivo essencial para a saúde materna e infantil. Trata-se de uma medida indispensável para evitar danos que possam comprometer o indivíduo por toda a sua existência.

O dia 9 de setembro transcende a conscientização temporária; é um convite para consolidar cuidados cotidianos:

  • Álcool e gestação não combinam.
  • Não existe quantidade nem momento seguro de consumo de álcool durante a gestação.
  • Informação não julga. Ela pode proteger vidas.
  • Prevenção começa antes da primeira dose. O cuidado é necessário por toda a vida.
  • Prevenir os TEAF, entre eles a SAF, é uma responsabilidade compartilhada.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Maconha: o que pouca gente te conta https://spsp.org.br/maconha-o-que-pouca-gente-te-conta/ Wed, 29 Apr 2026 11:10:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56769 A maconha costuma ser vista como algo “leve”, “natural” e sem grandes consequências. Mas a realidade, principalmente para quem ainda está em fase de crescimento, é bem diferen]]>

A maconha costuma ser vista como algo “leve”, “natural” e sem grandes consequências. Mas a realidade, principalmente para quem ainda está em fase de crescimento, é bem diferente. O cérebro de adolescentes e jovens continua em desenvolvimento até por volta dos 25 anos. E é exatamente nesse período que a maconha pode causar mais impacto.

O principal componente, o THC (tetra-hidrocanabinol), interfere em áreas importantes do cérebro, como memória, atenção, tomadas de decisões e controle de emoções.

Nem tudo acontece no momento do uso: alguns efeitos vão surgindo com o tempo, como ansiedade e crises de pânico, desmotivação, alterações de sono etc. Alguns jovens podem ter depressão e quadros psicóticos.

“Mas todo mundo usa…”

Mentira. Nem todo mundo usa! E quem usa, nem sempre está bem. Muitos escondem dificuldades na escola, problemas emocionais, dependência. Sim, dependência! Principalmente em quem iniciou o uso cedo.

Fique atento aos sinais de alerta: precisa usar com frequência, sem interesse por outras coisas, não consegue parar, mesmo querendo.

O uso também aumenta riscos de acidentes (dirigir ou andar de bike), decisões impulsivas e outras situações de risco.

A maconha sai caro – e vira prioridade sem você perceber! No começo parece pouco, mas vira gasto fixo. Dinheiro que poderia ser usado em viagens, esportes, namoro. E quando o uso aumenta, o custo acompanha, sendo que em alguns casos a pessoa começa a priorizar a droga acima de outras coisas.

No fim, você paga não só com dinheiro – mas com oportunidades.

Se você ainda não se convenceu que não é uma boa o uso, aqui vão mais alguns pontos:

  • O uso no Brasil não é liberado. A maconha está ligada à Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006). Porte para uso pessoal não é considerado crime com prisão, mas pode gerar abordagem policial, registro, advertência e comparecimento ao juiz. Pode trazer uma quantidade grande de problemas. E na prática, a distinção entre usuário e traficante nem sempre é clara.
  • Você não sabe nem o que está consumindo. Diferente de um remédio, não existe controle de qualidade. Pode ter concentração muito alta de THC, pode estar misturada a outras substâncias e ter até contaminação com bactérias, etc. Ou seja: você nunca sabe exatamente o que está entrando no seu corpo.

Se você está atrás de boas emoções, vá praticar esportes. Ao se exercitar, seu corpo libera endorfinas (causam sensação de bem-estar e redução da dor), dopamina (origina recompensa e motivação), serotonina (gera melhora do humor). É um prazer progressivo e duradouro, diferentemente do prazer artificial do uso da maconha e sem os efeitos deletérios mencionados acima.

Nem todo prazer vale o preço que cobra depois. Você não precisa de química para ser quem você pode ser.

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Conhecer, identificar e tratar a dislexia o mais precocemente possível é fundamental para se obter melhores resultados https://spsp.org.br/conhecer-identificar-e-tratar-a-dislexia-o-mais-precocemente-possivel-e-fundamental-para-se-obter-melhores-resultados/ Sun, 16 Nov 2025 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54208 16 de novembro é o Dia Nacional de Atenção à Dislexia, uma condição relacionada ao desenvolvimento ]]>

16 de novembro é o Dia Nacional de Atenção à Dislexia, uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que torna a leitura mais difícil do que o esperado, mesmo para crianças que têm inteligência normal, motivação e uma boa escolaridade. Na prática, ela causa dificuldades na hora de reconhecer palavras rapidamente, soletrar corretamente e entender o que se está lendo, o que pode ser frustrante, tanto para os pequenos quanto para os adultos.

Por que isso acontece? A dislexia tem uma origem neurológica, ou seja, ela está relacionada a diferenças na estrutura e funcionamento de algumas áreas do cérebro que lidam com a linguagem escrita. Além disso, ela costuma ser herdada, com uma chance de até 70% de passar de geração em geração.

Estudos mostram que a dislexia afeta cerca de 5% a 10% das crianças em idade escolar, podendo chegar a 17,5%, dependendo do grupo estudado. Acomete meninos e meninas, embora meninos sejam mais frequentemente encaminhados para avaliação, devido a outras dificuldades comportamentais que podem estar presentes.

O impacto da dislexia vai além da escola. Crianças e adultos com esse transtorno podem ter mais dificuldades na autoestima, sofrer de ansiedade ou até depressão, e encontrar dificuldades para manter boas relações com colegas, amigos e familiares. Quando o diagnóstico e o início do apoio chegam tarde, essas dificuldades podem se ampliar, levando a desigualdades na educação, problemas emocionais e maior estresse na família.

Por isso, conhecer e identificar a dislexia cedo é fundamental. Quanto mais cedo ela for reconhecida, maiores as chances de se oferecer o suporte adequado, ajudando a pessoa a superar essas dificuldades e a desenvolver todo seu potencial, com mais confiança e bem-estar, na escola e na vida.

Para entender como se identifica e se trata a dislexia, é importante saber que o diagnóstico envolve uma avaliação detalhada, realizada por uma equipe especializada. Essa avaliação inclui conversar com os pais e professores, observar o histórico escolar da criança e aplicar testes padronizados, que avaliam habilidades de leitura, escrita, linguagem e raciocínio. O objetivo é detectar dificuldades específicas na leitura e na escrita, que não sejam apenas decorrentes de questões sensoriais, neurológicas ou falta de oportuna instrução. A equipe recomendada é composta por educadores, psicólogos, fonoaudiólogos e médicos (pediatras, foniatras e neurologistas), trabalhando juntos para uma avaliação que permita identificar a dislexia cedo, oferecendo apoio antes que as dificuldades afetem seu desempenho escolar de forma mais grave.

O tratamento da dislexia é baseado em métodos educacionais desenvolvidos especialmente para cada pessoa. Essas intervenções focam na conscientização fonológica, no entendimento do princípio alfabético, na prática da fonética, na decodificação, na leitura fluente, no fortalecimento do vocabulário e na compreensão do texto. É fundamental que esse trabalho seja feito por profissionais treinados, com prática constante e feedbacks que ajudem a criança a evoluir. Quanto mais cedo a intervenção começar, melhores os resultados. A adaptação escolar também é importante: podem ser necessários tempo extra para provas, uso de tecnologia assistiva e materiais adaptados, tudo com o objetivo de garantir o aprendizado e a inclusão do aluno.

Quando a criança também apresenta dificuldades emocionais, como ansiedade ou depressão, o apoio psicológico pode ser necessário. Além disso, programas de exercícios visuais, atenção e recursos digitais vêm mostrando benefícios no desenvolvimento da fluência de leitura e na compreensão do texto. Vale destacar que, atualmente, não há evidências de que medicamentos ou terapias alternativas sejam eficazes para tratar a dislexia, recomendando-se a combinação de estratégias educativas e apoio terapêutico individualizado.Parte superior do formulário

 

Relatora:

Sulene Pirana
Médica Otorrinolaringologista e Foniatra
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP

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Ambliopia e desenvolvimento visual infantil: o olhar do pediatra no mês mundial da visão https://spsp.org.br/ambliopia-e-desenvolvimento-visual-infantil-o-olhar-do-pediatra-no-mes-mundial-da-visao/ Wed, 22 Oct 2025 17:50:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53753 O mês de outubro é internacionalmente reconhecido como o Mês da Visão, e nele celebra-se o Dia Mundial da Visão, uma oportunidade para reforçar]]>

O mês de outubro é internacionalmente reconhecido como o Mês da Visão, e nele celebra-se o Dia Mundial da Visão, uma oportunidade para reforçar a importância da detecção precoce das doenças oculares que afetam o desenvolvimento infantil. A infância é um período crítico para o amadurecimento do sistema visual, que depende de estímulos adequados para o pleno desenvolvimento das vias ópticas e da integração sensorial. Nesse contexto, o pediatra desempenha papel essencial como primeiro ponto de contato com a criança e sua família, sendo frequentemente o profissional que pode identificar os primeiros sinais de alterações visuais.

Entre as causas mais relevantes de deficiência visual evitável na infância, destaca-se a ambliopia, definida como a redução da acuidade visual causada por falta de estimulação adequada do olho em desenvolvimento. Ocorre durante o chamado período crítico de plasticidade neural, quando o cérebro aprende a processar as imagens recebidas dos olhos. Se um dos olhos envia uma imagem desfocada, o córtex visual passa a suprimir o estímulo proveniente dele, resultando em perda funcional.

A ambliopia pode ser classificada em três tipos principais.

  • Ambliopia estrábica, quando há desalinhamento ocular (estrabismo) e o cérebro “desliga” um dos olhos para evitar diplopia.
  • Ambliopia anisometrópica: decorrente de diferença significativa de grau entre os olhos, levando o cérebro a privilegiar a imagem do olho com melhor foco.
  • Ambliopia por privação, causada por dificuldade à formação da imagem, como catarata congênita, ptose (queda) palpebral severa ou opacidades corneanas.

A identificação precoce é determinante para o sucesso terapêutico, pois após o fechamento do período de plasticidade visual (em torno dos 7 a 8 anos de idade), o tratamento se torna muito menos eficaz. Por isso, a avaliação oftalmológica na infância deve ser parte do acompanhamento de rotina, iniciando-se ainda no período neonatal com o Teste do Reflexo Vermelho, conhecido como teste do olhinho. Esse exame é simples e indolor e quando alterado permite detectar alterações como catarata congênita, glaucoma e tumores intraoculares, possibilitando o encaminhamento imediato ao oftalmologista.

O acompanhamento oftalmológico periódico deve ser reforçado em crianças prematuras, com histórico familiar de doenças oculares, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor ou que apresentem sinais clínicos como estrabismo, nistagmo, lacrimejamento persistente ou fotofobia. Nesses casos, o pediatra é o profissional-chave para orientar a família e garantir o encaminhamento adequado.

A integração entre pediatria e oftalmologia, sobretudo no âmbito da atenção primária à saúde, é fundamental para que distúrbios visuais sejam identificados e tratados de forma rápida e eficiente. Quando o oftalmologista é incluído na rede de atenção básica, amplia-se o alcance da triagem, reduz-se o tempo até o diagnóstico e fortalecem-se as estratégias de prevenção da cegueira infantil.

Durante o Mês Mundial da Visão é essencial lembrar que ver bem é um processo que se constrói desde os primeiros dias de vida. A ambliopia, embora silenciosa, é tratável se reconhecida precocemente. Ao pediatra cabe o papel de vigilante do desenvolvimento global da criança e isso inclui o olhar, que é a janela mais importante para o aprendizado, o vínculo e o mundo.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Prevenir é sempre o melhor remédio! https://spsp.org.br/prevenir-e-sempre-o-melhor-remedio/ Thu, 20 Feb 2025 11:38:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50299 Em um cenário de crescentes desafios relacionados ao consumo de substâncias, o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo se apresenta como uma oportunidade]]>

Em um cenário de crescentes desafios relacionados ao consumo de substâncias, o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo se apresenta como uma oportunidade indispensável para refletirmos sobre a prevenção do uso indevido de drogas e álcool, sobretudo entre os jovens. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019 do IBGE revelou vários dados sobre o comportamento e a segurança de estudantes de 13 a 17 anos:

  • 22,6% dos estudantes já experimentaram cigarro
  • 26,9% dos estudantes já experimentaram narguilé
  • 16,8% dos estudantes já experimentaram cigarro eletrônico
  • 63,3% dos estudantes já experimentaram bebida alcoólica
  • 13% dos estudantes já experimentaram alguma droga ilícita

Em um contexto em que a adolescência é marcada por intensas transformações físicas e emocionais, a exposição a drogas e ao álcool pode causar consequências devastadoras, afetando não apenas a saúde física, mas também o desenvolvimento psicológico e social dos jovens:

  • Desenvolvimento Cerebral: O cérebro adolescente passa por importantes processos de maturação, especialmente nas áreas de controle de impulsos e funções executivas. A exposição a drogas pode interferir na formação de conexões sinápticas, afetando a aprendizagem, a tomada de decisões e o autocontrole.
  • Risco de Dependência: O sistema de recompensa do cérebro, fortemente influenciado pela dopamina, é particularmente sensível nessa fase, o que aumenta a vulnerabilidade à dependência e ao abuso de substâncias.
  • Consequências a Longo Prazo: Alterações no sistema nervoso central durante o desenvolvimento podem predispor o indivíduo a problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e outros transtornos neuropsiquiátricos.

A falta de informação dos pais e adolescentes é também responsável pelo aumento do uso de drogas. Ainda há um certo clima na sociedade de que o cigarro eletrônico não faz mal à saúde, mas isto não é verdade. As doenças relacionadas ao tabaco estão aparecendo mais cedo e mais intensamente. Será que os pais sabem que o álcool e a maconha podem diminuir o aprendizado e afastar os filhos das escolas? Será que os pais sabem que pode haver destruição cerebral com o uso de álcool e/ou maconha e esta é definitiva? Será que os pais sabem que, depois de grande ingestão de bebida alcoólica, o cérebro encolhe de 2 a 4 mm e demora 7 meses para voltar ao normal?

A Sociedade de Pediatria São Paulo reconhece a ameaça do uso de álcool e drogas na adolescência e apoia a iniciativa do Projeto Dr. Bartô para a prevenção de drogas lícitas e ilícitas.

Aumente seu conhecimento através de literatura médica confiável e tire dúvidas no site: https://www.drbarto.com.br/. Os 12 passos para pais prevenirem o uso de drogas na adolescência são:

  • Passo 1: Família unida e com limites
  • Passo 2: Estimular o diálogo em família
  • Passo 3: Refeição com a família unida
  • Passo 4: Ter o conhecimento do que as crianças fazem no tempo livre
  • Passo 5: Supervisionar os deveres de casa dos filhos
  • Passo 6: Demonstrar que tem orgulho dos filhos
  • Passo 7: Incentivar atividades artísticas, culturais e esportivas
  • Passo 8: Envolvimento em atividades voluntárias e sociais
  • Passo 9: Praticar a espiritualidade
  • Passo 10: Estimular boas amizades
  • Passo 11: Não fumar e não beber em excesso
  • Passo 12: Ser um bom exemplo em todos os sentidos

Em resumo, é fundamental que os pais se mantenham vigilantes e engajados na vida dos seus filhos, criando um ambiente de diálogo aberto e de apoio contínuo, que permita identificar precocemente sinais de risco e oferecer orientações claras sobre os perigos do consumo de drogas. Ao investir em educação, supervisão e comunicação honesta, os responsáveis podem fortalecer a autoestima e a resiliência dos jovens, capacitando-os a fazer escolhas mais conscientes. Dessa forma, o envolvimento parental torna-se um pilar essencial na prevenção do uso de substâncias, contribuindo para o desenvolvimento saudável dos filhos e para a construção de um futuro mais seguro e promissor.

 

Saiba mais:

  1. Brasil. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2020.
  2. Lotufo JPB. Álcool, tabaco, maconha e cigarro eletrônico são drogas pediátricas. 2a edição. 2024.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. 12 Passos. São Paulo: SBP; 2020. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/12_passos_final_06out2020_final_p_sbp_071020__002_.pdf.

 

Relatores:

Denise Swei Lo
João Paulo Lotufo
Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Riscos da gravidez precoce para a adolescente e seu filho https://spsp.org.br/riscos-da-gravidez-precoce-para-a-adolescente-e-seu-filho/ Fri, 31 Jan 2025 17:27:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50047 A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece de 1 a 8 de fevereiro. A gravidez na adolescência é um fenômeno global que possui causas muito bem conhecidas]]>

A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece de 1 a 8 de fevereiro. A gravidez na adolescência é um fenômeno global que possui causas muito bem conhecidas, assim como consequências sociais, econômicas e para a saúde. Tende a ser maior entre aquelas de menor grau de escolaridade ou menor status econômico e, embora se verifique diminuição na taxa da primeira gravidez, essa ainda se mantém muito alta no Brasil, se comparada a países desenvolvidos.

Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ao considerar meninas entre 10 e 19 anos, o Brasil é um dos países da América Latina com a maior prevalência de gravidez na adolescência (14%), ficando atrás do Paraguai (15%), Equador e Colômbia, ambos com 18%.

A denominação mais adequada é GRAVIDEZ PRECOCE, pois acontece em uma fase da vida da mulher na qual seu organismo está num período de intensas mudanças físicas, psíquicas e sociais, e para que se desenvolva plenamente, tais mudanças precisam acontecer com o menor número possível de intercorrências – e uma gravidez é uma grande intercorrência no desenvolvimento.

Estudos recentes demonstram que a gravidez em uma mulher adulta acarreta mudanças no cérebro semelhantes às que ocorrem na adolescência. Resumidamente, há uma diminuição da substância cinzenta, entre outras alterações significativas, possivelmente mediada pelos hormônios da gravidez. Adolescentes já estão naturalmente passando por mudanças relevantes no cérebro, iniciadas na puberdade e que se estendem até 20 anos ou mais. Neste sentido, gestantes adolescentes têm uma sobreposição de estímulos hormonais no cérebro.

Figura 1. Alterações no cérebro durante a adolescência

A massa cinzenta se reduz e a massa branca aumenta, fazendo com que as conexões cerebrais sejam mais específicas e mais rápidas. Essas alterações se iniciam no início da puberdade na região posterior do cérebro (occipital) e progridem para a região frontal (região mais elaborada do cérebro).

 

Figura 2. Alterações que ocorrem no cérebro de gestantes adultas, mostrando que a substância cinzenta também diminui

Carmona et al. A comparative analysis of cerebral morphometric changes. Hum Brain Mapp. 2019 May;40(7):2143-2152

 

Riscos intrauterinos para filhos de mães adolescentes 

É possível inferir que essa sobreposição de alterações no cérebro da mãe adolescente (i.e., alterações do cérebro adolescente somadas às alterações do cérebro materno), acrescida de pressões sociais e familiares, bem como as incertezas em relação ao futuro, podem gerar um estresse muito intenso (e tóxico), afetando de forma significativa o cérebro da adolescente e do feto.

Quando a mãe está sob estresse, seu corpo libera hormônios como o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios podem atravessar a placenta e afetar o desenvolvimento do cérebro do feto, interferindo na formação de sinapses, que são as conexões entre os neurônios. Essas alterações podem impactar a comunicação neuronal e, consequentemente, o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

Crianças expostas a altos níveis de estresse intrauterino podem ter maior risco de desenvolver problemas emocionais e comportamentais, como ansiedade e dificuldades de atenção à medida que crescem. E podem apresentar um aumento da vulnerabilidade a transtornos mentais na adolescência e na idade adulta.*

Para a gestante adolescente os riscos são amplos

As adolescentes já estão naturalmente em uma fase de crescimento e desenvolvimento e a gravidez precoce pode interferir nesse processo. Elas podem enfrentar complicações como hipertensão gestacional, anemia e pré-eclâmpsia, entre outras complicações relevantes.

  1. A gravidez em adolescentes está associada a um maior risco de parto prematuro, o que pode levar a complicações para o bebê, como baixo peso ao nascer e problemas de saúde a longo prazo.
  2. As adolescentes podem ter uma taxa mais alta de abortos espontâneos, especialmente se não receberem cuidados pré-natais adequados.
  3. Muitas adolescentes podem não ter uma nutrição adequada durante a gravidez, o que pode impactar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê. Uma alimentação inadequada pode resultar em deficiências nutricionais que afetam o desenvolvimento fetal. Para a adolescente há risco de uma menor aquisição de massa óssea, o que aumenta o risco de osteoporose na pós-menopausa.
  4. A gravidez na adolescência, além de limitar o desenvolvimento social da adolescente, pode causar estresse, ansiedade e depressão. A pressão social e as mudanças na vida podem ser difíceis de lidar, resultando em problemas de saúde mental.
  5. Muitas mães adolescentes enfrentam dificuldades financeiras, falta de apoio familiar e estigmas sociais, o que pode impactar ainda mais a sua saúde e bem-estar da mãe e do bebê.
  6. A gravidez pode interromper os estudos e limitar as oportunidades de carreira da adolescente, afetando seu futuro econômico e social.
  7. Mães adolescentes têm maior chance de trabalhar do que adolescentes não grávidas; entretanto, em sua maioria são empregos informais. E se comparadas a mulheres que tiveram filhos após os 20 anos, recebem 28% menos de salário.
  8. A gravidez na adolescência pode levar ao isolamento social, com a jovem mãe se afastando de amigos e atividades sociais, o que pode aumentar a sensação de solidão e depressão.

Os pais, professores e os pediatras devem fornecer informações corretas sobre sexualidade e prevenção da gravidez precoce. Falar sobre sexualidade, prevenção de gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis não induz adolescentes a iniciarem a vida sexual mais precocemente!

Pediatras têm papel fundamental nessa prevenção: têm a capacidade de atuar na diminuição da primeira gestação precoce. Precisam orientar tanto a família quanto os adolescentes sobre métodos contraceptivos e prescrevê-los quando indicado.

A prevenção não se restringe às adolescentes: todos os adolescentes sempre devem participar dessas orientações.

As gestantes adolescentes devem ser informadas sobre seus direitos referentes aos estudos e devem ser encorajadas e apoiadas a continuar estudando.

Saiba mais:

* Prenatal developmental origins of behavior and mental health: the influence of maternal stress in pregnancy. The influence of maternal stress in pregnancy. Neuroscience and Biobehavioral Reviews. 2020;117:26-64.

Relatora:
Elizete Prescinotti Andrade
Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Nosso cérebro ancestral https://spsp.org.br/nosso-cerebro-ancestral/ Fri, 04 Oct 2024 19:04:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48315 ]]>

Vovó dizia que ficava toda “pimpona” quando recebia um elogio. Ela gostava muito, pois sentia-se reconhecida, ficava alegre. Se o elogio era feito na presença de alguma testemunha, tinha um sabor muito mais gostoso. Afinal, quem não gosta de um “like”, como os jovens dizem hoje. 

Nossos filhos são jovens, mas o cérebro deles é ancestral. Ele é geneticamente programado para adquirir informação e receber uma “recompensa” – sob a forma de uma pequena dose de dopamina (é um neurotransmissor, uma substância química que transmite informações do cérebro para as demais partes do corpo e é conhecida como um dos “hormônios da felicidade”) – cada vez que consegue. A indústria do setor digital, com absoluta lucidez, explora essa vulnerabilidade da psicologia humana.

Esse sistema de recompensa é que mantém cativos os usuários nas redes sociais. Basta criar um mecanismo de liberação regular de dopamina em seus cérebros. O Facebook faz isso ao estimular o seu like em resposta a uma mensagem ou foto publicada (nós pensamos que fazer isso é uma atitude educada!). Isso retroalimenta o mecanismo, levando-o a contribuir cada vez mais e assim receber mais comentários e likes, um encadeamento sem fim. Sempre é bom recordar que esse mecanismo de recompensa é o mesmo que determina o vício de qualquer outra etiologia (cigarro, drogas, bebida, sexo, etc.).

Athena Chavarria, que trabalhou no Facebook, disse: “Estou convencida de que o diabo mora em nossos smartphones e está destruindo nossos filhos”. O desabafo pode ser exagerado, mas tem o mérito de soar como um alarme necessário.

A cada dia, em média, os indivíduos que possuem smartphones, adultos e adolescentes, submetem-se a algo entre 50 a 129 interrupções em sua atenção, ou seja, uma a cada 7 ou 20 minutos, durante o tempo em que estão acordados. O estímulo para verificar se alguma mensagem chegou ou se há uma informação nova vem do som do aparelho ou, simplesmente, pela vontade interna do usuário em saber o que está acontecendo. A simples presença do aparelho, ao alcance dos olhos, pode gerar essa curiosidade. Inconscientemente, tememos deixar passar uma informação vital, ou apenas queremos nos deleitar com mais uma dose de dopamina. Esse mecanismo, atualmente, recebeu o acrônimo FoMO (Fear of Missing Out – medo de perder alguma coisa).

Uma quantidade crescente de estudos mostra que os comportamentos de multitasking (realização de múltiplas tarefas), associadas às incessantes solicitações do mundo digital (em especial as redes sociais), contribuem negativamente para a fixação de dados na memória, no processo de aprendizagem, déficit de atenção e interferem no estabelecimento de hábitos comportamentais prejudiciais. O cérebro humano fica mais vulnerável quando submetido a esses estímulos continuados, especialmente na infância e adolescência, os quais agem negativamente sobre o desenvolvimento cerebral.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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A importância do teste da orelhinha https://spsp.org.br/a-importancia-do-teste-da-orelhinha/ Thu, 17 Aug 2023 20:09:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39025 Tão logo ocorre o nascimento do bebê, começam os exames diagnósticos: tipagem sanguínea, teste do pezinho, teste da orelhinha e outros. O objetivo é claro: evitar complicações e intervir]]>

Tão logo ocorre o nascimento do bebê, começam os exames diagnósticos: tipagem sanguínea, teste do pezinho, teste da orelhinha e outros. O objetivo é claro: evitar complicações e intervir precocemente caso exista alguma doença.

O sistema auditivo começa sua formação durante o período gestacional, mas apenas após o nascimento e com a exposição aos diferentes sons é que seu amadurecimento acontece. As informações recebidas pela cóclea, parte interna da orelha, são enviadas via nervo auditivo para o córtex auditivo, área do cérebro responsável pela audição.

É nesse local que as bases do sistema sensorial auditivo serão criadas, conferindo à criança a habilidade de compreender e discriminar os sons. Este aprendizado, no entanto, só é possível nos primeiros três anos de vida, período no qual o cérebro infantil possui grande plasticidade e por isso é capaz de formar conexões e caminhos nervosos para o córtex auditivo. Passado esse período, ocorre uma reorganização neural no cérebro e os estímulos sonoros provindos da cóclea não terão meios de atingir o córtex auditivo com a mesma eficiência, deixando o indivíduo incapaz de reconhecer os diferentes sons.

Portanto, não tratar uma perda auditiva precocemente pode implicar prejuízos irreparáveis na audição, além de outras consequências não menos importantes, como distúrbios no desenvolvimento da fala e da linguagem, impactos sociais e emocionais, bem como baixo rendimento escolar e de aprendizagem.

Assim, a Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), conhecida popularmente como “Teste da Orelhinha”, não poderia ficar de fora dos exames diagnósticos essenciais ao recém-nascido. Estatísticas mundiais apontam que 1 a 3 em cada 1.000 recém-nascidos são diagnosticados com perda auditiva moderada a severa nas maternidades e que esta prevalência aumenta para 2 a 4 em cada 100 bebês nas Unidades de Terapia Intensiva. Com esses dados confirmamos o grande impacto dos distúrbios de audição na população infantil e sua clara necessidade de investigação ao nascimento. No Brasil, a Triagem Auditiva Neonatal é obrigatória por lei em todos os hospitais desde 2010 (Lei Federal no 12.303).

O Teste da Orelhinha é, na realidade, composto por dois exames diferentes. Para bebês sem fatores de risco para perda auditiva, o teste de escolha é denominado Emissões Otoacústicas (EOA). Já nos recém-nascidos com fatores de risco, como histórico familiar de surdez, infecções gestacionais, alterações genéticas e outros, preconiza-se também a realização do Potencial Evocado de Tronco Encefálico (PEATE ou BERA).

Importante ressaltar que ambos os exames são indolores e gratuitos e devem ser realizados dentro dos primeiros 30 dias de vida do bebê, preferencialmente antes da alta da maternidade. Caso apresente alteração, o teste deve ser repetido e, se confirmado qualquer grau de surdez, é de extrema urgência que investigações e tratamentos sejam prontamente iniciados, não ultrapassando os seis meses de idade. Com a identificação precoce da perda auditiva e uma rápida intervenção, é possível proporcionar não apenas uma melhoria na audição e na linguagem, mas também no desenvolvimento global da criança.

 

Relatora:
Renata Christofe Garrafa
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial do Sonho https://spsp.org.br/dia-mundial-do-sonho/ Mon, 26 Sep 2022 11:23:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34600 ]]>

No dia 25 de setembro é comemorado o Dia Mundial do Sonho. A data foi criada em 2002, com o objetivo de refletirmos sobre os nossos sonhos e pensarmos como atingi-los.

Mas o que o sonho (desejo) tem a ver com os sonhos (do sono)? Muita coisa!

 

Sonhos – desejo
Para sonharmos no sentido de desejar, precisamos pensar e projetar o futuro. Partir do ponto de onde estamos, traçar um ponto de chegada e planejar como chegar até lá. Mas de nada adianta ter um excelente plano e não o colocar em execução. Para tudo isso, precisamos integrar várias partes do nosso cérebro: planejamento, foco e execução.

Sonhos – sono
A fase do sono mais relacionada ao aparecimento dos sonhos é o sono REM (do inglês rapid eye movement – movimento rápido dos olhos). Mas eles também podem acontecer em outras fases do sono. Durante o sono, liberamos nosso pensamento lógico e tudo é possível – o passado se mistura com o presente e com o futuro. Podemos fazer coisas nos sonhos que não poderíamos fazer na vida real, ou porque seguimos as regras da sociedade, ou porque não é possível ir contra as regras da natureza.

Psiquiatras e psicanalistas já usaram o estudo dos sonhos para terem acesso aos nossos desejos inconscientes.

 

A ponte entre os dois sonhos

Para além da análise psiquiátrica do sonho, sabemos que eles servem para ativar áreas cerebrais específicas – quando eu vejo algo no meu sonho, eu ativo a porção do cérebro responsável pela visão; quando eu ando, eu ativo as mesmas áreas responsáveis pelo movimento, que são ativadas quando eu realmente estou andando. Os sonhos mais intensos acontecem durante o sono REM, quando temos uma paralisia da musculatura. Por isso não saímos por aí atuando em nossos sonhos. Já durante o sonambulismo, parte do cérebro se encontra acordada e parte está dormindo. A parte que está dormindo está em sono profundo (sono N3, de ondas lentas) e temos atividades de sonho misturadas à realidade. Atuamos nesses sonhos porque nessa fase não temos a paralisia da musculatura.

Muito tem se discutido sobre a função dos sonhos durante o sono. Ao ativar áreas cerebrais diferentes, aumentamos o fluxo de sangue para essas regiões. Aumentamos e diminuímos nossa pressão arterial, batimentos cardíacos e frequência respiratória. Essas alterações para baixo e para cima ajudam a “recalibrar” nosso organismo, processo chamado de homeostase. Ao longo do dia, nossa pressão arterial vai aumentando e é esse processo homeostático, que acontece durante o sono, que faz com ela fique estável ao longo do tempo.

Durante o sono, relembramos tudo o que aconteceu durante o dia. Separamos as memórias importantes das não importantes e armazenamos as importantes. Mas não basta armazenar, é necessário organizar as memórias para que se consiga acessá-las quando necessário. Curiosamente, o processo de organização acontece durante o sono REM, o mesmo em que a maioria dos sonhos acontece.

O sono descansa nossa mente e nosso corpo, renovando nossas energias para o dia seguinte. Organiza nossas memórias e ajuda no nosso aprendizado. Para realizarmos qualquer sonho – aqueles dos desejos – precisamos planejar, aprender e executar. E o sono – e os sonhos que nele acontecem – podem ajudar a realizar os sonhos que temos acordados.

O que você vai sonhar hoje? Como você vai realizar? Um sono de boa qualidade vai ajudar você a realizar esses sonhos.

 

Relatora:
Cristiane Fumo dos Santos
Departamento Científico de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: @pvproductions / br.freepik.com

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