Cerebral – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 04 Apr 2024 15:49:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Cerebral – SPSP https://spsp.org.br 32 32 26 de março – Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia https://spsp.org.br/26-de-marco-dia-mundial-da-conscientizacao-da-epilepsia/ Tue, 26 Mar 2024 12:16:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=43148 ]]>

Hoje, 26 de março de 2024, Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia, é uma data significativa para o incentivo da consciência sobre essa doença disseminada e conhecida em todos os cantos deste nosso mundo. Sua ocorrência afeta pessoas de todas as raças e classes socioeconômicas, e de todas as idades, desde os recém-nascidos às pessoas idosas, homens e mulheres. Preferencialmente ocorre nos mais jovens e idosos.

Considera-se a epilepsia como doença cerebral crônica e persistente, na qual o indivíduo apresenta tendência a ter convulsões. Essa cronicidade, bem como a ocorrência permanente de crises convulsivas, nem sempre é definitiva, pois existem formas que podem regredir e desaparecer com tratamento.

Sua incidência média em crianças acontece em 7/100.000 e a prevalência é de 65,2/10.000, variando de acordo com a idade.

Nos casos mais brandos, com medicamentos adequados e com eficácia reconhecida, as convulsões poderão ficar controladas ou mesmo serem raras. Especialmente nessas crianças, o neurodesenvolvimento irá se processar de modo normal, tanto motor, psíquico, na aprendizagem e na sua socialização.

Nos casos mais severos, em que ocorrem episódios convulsivos frequentes e/ou demorados, por meses ou anos, determinados por lesões encefálicas pelos mesmos motivos já citados, pode-se verificar comprometimento funcional múltiplo, como deficiência mental, transtornos psiquiátricos com alterações comportamentais, com prejuízo importante em seu processo de desenvolvimento. São observados mais comumente em casos de lesões cerebrais determinadas por traumas, anoxia perinatal, doenças metabólicas congênitas, por anormalidades congênitas, malformações cerebrais.

Importante esclarecer que as ocorrências de convulsões eventuais nem sempre são consideradas epilepsia. Uma crise ocorrida em traumatismos cranianos leves, sem deixar lesão cerebral, poderá não mais se repetir se a criança tiver seus exames clínicos e laboratoriais normais no futuro, sem necessidade de tratamento. Do mesmo modo, convulsões ocorridas em transtornos eletrolíticos, como na hipocalcemia, e que foram corrigidas, as mesmas não se repetirão.

Com relativa frequência observamos em crianças convulsões determinadas por febre que se eleva rapidamente, mais comum na idade de 6 a 18 meses, em que não há doença cerebral concomitante. Constitui condição benigna na maior parte dos casos, mas sempre serão necessárias avaliação especializada e mesmo realização de exames laboratoriais pertinentes se anormalidades neurológicas forem constatadas.

A ocorrência de convulsão, principalmente o tipo leigo mais conhecido, é a crise tônico-clônica generalizada, na qual há perda de consciência, queda e movimentos sucessivos de flexão e extensão dos membros superiores e inferiores, com duração em torno de até três minutos. Em geral, os familiares são surpreendidos, ficam aflitos e procuram proteger a criança. Caso ocorra duração maior, a criança deverá ser levada para emergência médica de imediato. Nos casos de curta duração, após cessar a crise, deve-se procurar serviço médico para esclarecimento e conduta.

Fica o recado importante de que na maioria dos casos de epilepsia a evolução e o prognóstico são bons, com o esclarecimento da causa, com tratamento e controle dos episódios convulsivos. E que o futuro siga fazendo acenos otimistas.

 

Relator:
Saul Cypel
Membro do Departamento Científico de Neurologia e Neurocirurgia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Epilepsia: o que é e como tratar? https://spsp.org.br/epilepsia-o-que-e-e-como-tratar/ Mon, 27 Mar 2023 15:13:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36641 No dia 26 de março é comemorado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia. Considera-se um quadro de epilepsia duas ou mais crises não provocadas com intervalo maior que]]>

No dia 26 de março é comemorado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia. Considera-se um quadro de epilepsia duas ou mais crises não provocadas com intervalo maior que 24 horas entre elas ou crises associadas a lesões estruturais causadas por insulto cerebral remoto, como acidentes vasculares, infecção ou trauma ou diagnóstico de uma síndrome epiléptica.

O principal sintoma da epilepsia é a crise convulsiva. As causas podem ser estruturais, genéticas, infecciosas, metabólicas, imunológicas ou desconhecidas. Pode manifestar-se em qualquer idade, no entanto, sem dúvida, é mais preocupante em pacientes mais jovens.

O tratamento existe para todos os tipos de pacientes, entretanto não quer dizer que haja controle efetivo.

As principais recomendações durante uma crise são manter a calma, proteger o paciente, especialmente a cabeça, para que não bata contra o solo ou outra superfície, jamais colocar o dedo na boca de quem está tendo a crise, não fazer “respiração boca a boca”, jamais dar comida ou líquido para quem está tendo a crise e chamar socorro imediatamente. Deixar a cabeça sempre lateralizada.

Em alguns casos, quando não controlada, a epilepsia pode levar a distúrbio de aprendizado e muitas outras complicações de médio e longo prazo, de acordo com a etiologia. Há também descrição de morte súbita em epilepsia.

A criança não consegue controlar o quadro, por isso é importante tentar ensinar os pacientes a evitar possíveis desencadeantes de crise, como por exemplo: privação de sono, alguns estímulos luminosos, alterações de ciclo circadiano. Nos adolescentes, evitar uso de álcool e⁄ou drogas Ilícitas ou medicamentos.

Por fim, vale lembrar que é necessário acompanhamento com neurologista infantil, bem como realizar exames complementares, como ressonância e eletroencefalograma em sono e vigília.

 

Relator:
Carlos Takeuchi
Vice-Presidente do Departamento Científico de Neurologia e Neurocirurgia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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