cegueira – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 02 Dec 2025 11:22:51 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png cegueira – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Novembro Roxo: a prevenção da cegueira pela retinopatia da prematuridade https://spsp.org.br/novembro-roxo-a-prevencao-da-cegueira-pela-retinopatia-da-prematuridade/ Fri, 28 Nov 2025 11:19:19 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54380 Novembro Roxo é o mês dedicado à conscientização sobre a prematuridade e suas complicações, entre elas a Retinopatia da Prematuridade (ROP)]]>

Novembro Roxo é o mês dedicado à conscientização sobre a prematuridade e suas complicações, entre elas a Retinopatia da Prematuridade (ROP) – uma das principais causas de cegueira evitável na infância em todo o mundo.

A ROP é uma vasculopatia característica do recém-nascido prematuro, resultante da interrupção abrupta do desenvolvimento dos vasos normais da retina, que deveria ocorrer intraútero. A imaturidade, somada a condições clínicas associadas à prematuridade, cria um cenário em que a retina não vascularizada passa a liberar fatores de crescimento de novos vasos sanguíneos descontroladamente, desencadeando o surgimento de novos vasos e proliferação fibrovascular e, nos estágios mais graves, descolamento de retina e cegueira permanente.

O pediatra é quem define, orienta e cobra o rastreamento sistemático, garantindo que todo bebê prematuro seja avaliado pelo oftalmologista no momento adequado.

As recomendações atuais preconizam que sejam submetidos à triagem todos os bebês prematuros que nascem com menos de 32 semanas de gestação e ≤ 1.500 g, além de prematuros maiores, em algumas situações (oxigenoterapia prolongada, sepse, transfusões repetidas, ventilação mecânica, hemorragia intracraniana, etc.).

É essencial que o primeiro exame aconteça de acordo com a idade gestacional corrigida; em geral, entre 4 e 6 semanas de vida. O atraso no início da triagem ainda é um dos principais fatores associados à perda de visão evitável.

A importância do acompanhamento até a vascularização completa

O acompanhamento dos bebês não termina após a alta hospitalar. Muitos bebês ainda não têm a retina completamente vascularizada ao deixar a UTI, e a interrupção precoce do acompanhamento pode resultar em progressão silenciosa da doença. A continuidade das consultas oftalmológicas deve ocorrer durante todo o primeiro ano de vida.

O novo cenário do tratamento terapêutico:

Durante décadas, o tratamento padrão para ROP grave foi a fotocoagulação a laser, que permanece extremamente eficaz e ainda é amplamente utilizada. Porém, o laser destrói a retina avascular periférica, podendo gerar sequelas, como redução do campo visual, maior risco de miopia e alterações estruturais futuras.

Nos últimos anos uma revolução silenciosa transformou a abordagem da ROP: o uso dentro do corpo vítreo (substância gelatinosa que preenche o espaço entre a retina e o cristalino dentro do olho) de substâncias e medicamentos que agem neutralizando a produção e surgimento de novos vasos e permitindo que o desenvolvimento vascular fisiológico prossiga de forma mais natural.

Estes tratamentos modernos possibilitam uma vascularização da retina mais fisiológica, com potencial para melhor desenvolvimento visual a longo prazo. No entanto, exige seguimento prolongado, pois pode ocorrer meses após a aparente regressão inicial.

Desafios e considerações importantes

  • O acompanhamento oftalmológico pode se estender por até 12 a 24 meses, dependendo da evolução;
  • Pode haver recidiva silenciosa, que só é detectada com exames regulares;
  • A decisão terapêutica deve sempre envolver diálogo entre oftalmologista, neonatologista e família, considerando riscos, benefícios e particularidades clínicas do bebê.

Uma atuação integrada que salva vidas e a visão

No contexto do Novembro Roxo, é imprescindível reforçar que a ROP é uma doença quase totalmente prevenível, desde que o rastreamento seja rigoroso e o tratamento seja realizado em tempo hábil.

A prematuridade representa um desafio multidisciplinar, e a prevenção da cegueira por ROP é um dos maiores exemplos de como a integração entre pediatria, neonatologia e oftalmologia pode mudar de forma definitiva o futuro de uma criança.

Novembro Roxo nos lembra: cada dia conta. Cada exame conta. Cada olhar conta.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

 

 

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Glaucoma – diagnóstico precoce é fundamental para evitar perda da visão https://spsp.org.br/glaucoma-diagnostico-precoce-e-fundamental-para-evitar-perda-da-visao/ Mon, 26 May 2025 12:52:33 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51502 26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma como sendo a principal causa]]>

26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma como sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo, que afeta mais pessoas a partir dos 40 anos.

Apesar de mais raro (1 a cada 10 mil bebês), o glaucoma congênito ou infantil é muito grave e, se não for diagnosticado e tratado precocemente, leva à cegueira de forma muito rápida.

O glaucoma se deve a um desequilíbrio entre a formação e a drenagem de um líquido interno do olho, o humor aquoso. O acúmulo desse líquido gera um aumento da pressão ocular, que vai comprimir a cabeça do nervo óptico, levando à cegueira.

O bebê que nasce com obstrução do local de drenagem desse líquido tem sinais diferentes do glaucoma do adulto.

Como o olho do bebê é menos rígido que o do adulto, essa elevação da pressão interna do olho leva a um crescimento excessivo do globo ocular (buftalmo), e também a um edema (inchaço) da córnea, que dá um tom azulado da camada mais anterior do olho.

Os sintomas decorrentes dessas alterações nos olhos são: lacrimejamento excessivo, muita fotofobia (o bebê não consegue abrir os olhos diante de luminosidade), olhos irritados e vermelhos, aumento do diâmetro da córnea.

O tratamento na maioria dos casos é cirúrgico, com o intuito de baixar a pressão intraocular. E deve ser feito após o diagnóstico, com exame sob narcose para medida da pressão ocular e fundo de olho do bebê.

Mas o diagnóstico deve ser feito de forma rápida e precoce, pois reduzir a pressão ocular do bebê é fundamental para que não ocorra uma perda do nervo óptico e cegueira irreversível.

 

Relatora:

Márcia Keiko Uyeno Tabuse
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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26 de maio: Dia Nacional de Combate ao Glaucoma https://spsp.org.br/26-de-maio-dia-nacional-de-combate-ao-glaucoma/ Sun, 26 May 2024 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46224 A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma, como sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo, que afeta mais pessoas a partir dos 40 anos. Apesar de mais raro]]>

A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma, como sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo, que afeta mais pessoas a partir dos 40 anos.

Apesar de mais raro (1 a cada 10 mil bebês), o glaucoma congênito ou infantil é muito grave e, se não for diagnosticado e tratado precocemente, leva à cegueira de forma muito rápida.

O glaucoma se deve a um desequilíbrio entre a formação e a drenagem de um líquido interno do olho, o humor aquoso. O acúmulo desse líquido gera um aumento da pressão ocular, que vai comprimir a cabeça do nervo óptico, levando à cegueira.

O bebê que nasce com obstrução do local de drenagem desse líquido tem sinais diferentes do glaucoma do adulto.

Como o olho do bebê é menos rígido que o do adulto, essa elevação da pressão interna do olho leva a um crescimento excessivo do globo ocular (“buftalmo”), e também a um inchaço da córnea, que dá um tom azulado da camada mais anterior do olho.

Os sintomas decorrentes dessas alterações nos olhos são: lacrimejamento excessivo, muita fotofobia (o bebê não consegue abrir os olhos diante de luminosidade), olhos irritados e vermelhos, aumento do diâmetro da córnea.

O tratamento, na maioria dos casos, é com cirurgia, com o intuito de baixar a pressão intraocular, que deve ser feita após o diagnóstico, com exame sob narcose para a medida da pressão ocular e fundo de olho do bebê.

 

Relatora:
Márcia Keiko Uyeno Tabuse
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Glaucoma congênito e a importância da triagem oftalmológica em recém-nascidos https://spsp.org.br/glaucoma-congenito-e-a-importancia-da-triagem-oftalmologica-em-recem-nascidos/ Fri, 26 May 2023 15:51:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37576 Todo bebê deve ser avaliado para se detectar o glaucoma congênito. Esta condição rara, mas potencialmente gra]]>

Todo bebê deve ser avaliado para se detectar o glaucoma congênito. Esta condição rara, mas potencialmente grave, ocorre quando o olho não se desenvolve normalmente e a pressão dentro do olho aumenta, danificando o nervo óptico. Se não tratado a tempo, o glaucoma congênito pode levar à cegueira. Por isso, é importante que os bebês sejam examinados para se detectar o glaucoma congênito o mais cedo possível.

O glaucoma congênito é uma doença ocular grave, que muitas vezes é assintomático, ou seja, os sintomas podem não ser perceptíveis, tornando mais difícil seu diagnóstico, especialmente em recém-nascidos, que geralmente se desenvolve durante o período pré-natal ou no nascimento.

Estima-se que aproximadamente 1 em cada 5.000 crianças nascidas nos EUA tenham glaucoma congênito. A triagem oftalmológica é muito importante e é a melhor maneira para se detectar precocemente o glaucoma congênito e iniciar o tratamento adequado, logo sendo mais eficaz.

Essa triagem deve ser realizada logo após o nascimento, pois pode detectar precocemente qualquer problema ocular, evitando a perda da visão. E pode ser realizada por um médico oftalmologista ou um pediatra.

O que é o glaucoma congênito?

O glaucoma congênito é uma doença ocular rara, que afeta bebês e crianças pequenas.

Essa condição ocorre quando o olho não se desenvolve normalmente, resultando em um aumento na pressão dentro do olho, ou seja, é caracterizado pelo aumento da pressão intraocular, que pode levar a lesão do nervo óptico e à perda permanente da visão.

O glaucoma congênito ocorre quando o fluxo de líquido (chamado humor aquoso) que é produzido na parte anterior do olho não flui para fora corretamente através do sistema de drenagem para manter a pressão intraocular adequada. No entanto, em bebês com glaucoma congênito, o sistema de drenagem não se desenvolveu corretamente, o que leva a um acúmulo de fluido e aumento da pressão intraocular.

Se não tratado, isso pode levar a danos irreversíveis às células nervosas na parte posterior do olho (chamada retina) e à perda permanente da visão.

O glaucoma congênito é responsável por cerca de 1 a 2 casos de cegueira congênita em cada 10.000 nascimentos.

Quais são os sintomas do glaucoma congênito?
O glaucoma congênito geralmente não apresenta sintomas, e por isso é importante que os recém-nascidos sejam avaliados para se detectar a doença precocemente.

Se os sintomas estiverem presentes, eles podem incluir lacrimejamento excessivo, sensibilidade à luz, vermelhidão e aumento do tamanho do globo ocular; além disso, olhos vermelhos, inchaço e dor ao toque ou movimento dos olhos.

À medida que a pressão intraocular aumenta, a visão da criança pode ficar embaçada ou distorcida, e a córnea pode ficar embaçada ou opaca.

Como é detectado?

A triagem oftalmológica é a melhor maneira de detectar o glaucoma congênito.

Nessa triagem, os profissionais de saúde olham para o olho do bebê para avaliar se o olho está em boas condições.

Se o olho apresentar algum sinal de glaucoma, o bebê deve ser encaminhado para um oftalmologista para exames oftalmológicos completos, incluindo medição da pressão intraocular e avaliação do nervo óptico.

Quais são os tratamentos?

O tratamento do glaucoma congênito é baseado na causa subjacente.

Se a causa for desconhecida, o oftalmologista pode optar por abordagens cirúrgicas ou medicamentosas para melhorar o sistema de drenagem ou remover parte do tecido do olho para reduzir a pressão.

Se o glaucoma congênito for causado por uma anomalia congênita, o tratamento pode incluir cirurgia reconstrutiva.

É importante lembrar que quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhores serão os resultados do tratamento. O tratamento precoce é fundamental para evitar danos permanentes à visão.

Por isso, é importante que os bebês sejam submetidos à triagem oftalmológica o mais cedo possível (nos primeiros meses de vida), para se detectar o glaucoma congênito antes que possa causar danos aos olhos.

Conclusão

O glaucoma congênito é uma condição ocular grave, que pode levar à cegueira se não tratado a tempo. Embora seja uma condição rara, é importante estar ciente dos sintomas e procurar ajuda médica imediatamente se houver suspeita de um problema ocular em um bebê ou criança pequena.

 Por isso, é importante que os bebês sejam examinados para detectar o glaucoma congênito o mais cedo possível. A triagem oftalmológica é a melhor maneira de detectar esta condição.

Se o glaucoma congênito for detectado precocemente, o tratamento pode ser mais eficaz e ajudar a preservar a visão e melhorar a qualidade de vida da criança.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. C. Costa
Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma https://spsp.org.br/18-de-setembro-dia-nacional-de-conscientizacao-e-incentivo-ao-diagnostico-precoce-do-retinoblastoma/ Sun, 18 Sep 2022 13:32:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34427 Dia 18 de Setembro Quando o assunto é doença, uma coisa é certa: o atraso nos diagnósticos pode prejudicar e até mesmo impossibilitar a compl]]>

Dia 18 de Setembro.

Quando o assunto é doença, uma coisa é certa: o atraso nos diagnósticos pode prejudicar e até mesmo impossibilitar a completa recuperação de um órgão. Tratando-se do diagnóstico do retinoblastoma, isso não é em nada diferente.

É o tumor mais comum na infância, especialmente entre os recém-nascidos, e quanto mais cedo a doença for descoberta, melhores as chances de que o bebê não venha a acumular prejuízos que afetem sua visão pelo resto da vida.

 

Você sabe o que é retinoblastoma?

Primeiramente vale destacar que retinoblastoma é um tumor do tipo maligno intraocular que afeta a visão de bebês e crianças. Desenvolve-se na retina, que é uma estrutura de tecido neural responsável por detectar a luz e enviar para o cérebro para podermos enxergar. As células eventualmente formam um tumor e geralmente se espalham dentro e ao redor do olho. Eles também podem se espalhar para outras partes do corpo, incluindo o cérebro e a coluna.

Não é muito comum de ocorrer, nos Estados Unidos um a cada 20 mil bebês nasce com este problema.

Há dados de que nos países menos desenvolvidos são mais comuns. Entretanto, devido ao diagnóstico do retinoblastoma tardio, a grande maioria não é revertida em tempo hábil, deixando sinais e traumas para os olhos e visão da criança.

Existem duas formas clínicas de apresentação do retinoblastoma:

Retinoblastoma unilateral: Em cerca de 60% dos casos de retinoblastoma, as crianças têm retinoblastoma em um olho, com um único tumor. Este tipo de retinoblastoma geralmente é diagnosticado em uma idade mais avançada do que a forma genética, por volta dos 2 anos de idade.

Retinoblastoma bilateral ou multifocal: Crianças nascidas com alterações no gene RB1 geralmente desenvolvem retinoblastoma em ambos os olhos (retinoblastoma bilateral). Quando se apresenta unilateralmente e frequentemente evolui para múltiplos tumores, chama-se retinoblastoma multifocal. Essa forma é hereditária e é responsável por cerca de 40% dos casos de retinoblastoma. A maioria das crianças não tem histórico médico familiar deste tipo de câncer. Essas crianças também correm maior risco de desenvolvimento de câncer em outras partes do corpo quando adolescentes ou adultos. Um pequeno número de crianças com esta forma de retinoblastoma desenvolve outro tumor cerebral, geralmente na glândula pineal, também conhecido como retinoblastoma trilateral.

 

Como identificar e dar o diagnóstico do retinoblastoma?

O primeiro passo para o diagnóstico do retinoblastoma muitas vezes é dentro de casa. Os próprios pais, ao identificarem as dificuldades de visão do bebê ou da criança, devem solicitar uma avaliação e acompanhamento profissional para determinar se há ou não algum tipo de problema ou risco potencial para a visão.

Além disso, o pediatra, responsável pelo acompanhamento é um dos primeiros a observar as alterações que o retinoblastoma pode provocar, ao realizar o teste do reflexo vermelho.

Normalmente, quando se joga uma luz ou quando se tira fotos com flash, nos olhos da criança as pupilas parecem vermelhas. Em olhos com retinoblastoma, podemos ver um reflexo alterado, como uma mancha branca, que é chamada de reflexo pupilar branco (leucocoria). Também pode ser observado durante os exames oftalmológicos de rotina.

O pediatra e os pais também poderão notar alguma dificuldade ou distúrbio visual.

Essas alterações podem ser um sinal de retinoblastoma ou de outra doença.

Uma coisa é certa: ao menor sinal ou possível dúvida, a criança deverá ser encaminhada ao oftalmologista para uma análise mais aprofundada e assertiva. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico do retinoblastoma, melhores as chances de tratamento.

 

Sinais e sintomas do retinoblastoma

Mas existem sinais e sintomas que indiquem que a criança está desenvolvendo o retinoblastoma? Na verdade, em alguns casos sim, porém não em todos.

Entre os sinais mais comuns desta doença está o “olho do gato”, ou como é clinicamente chamada, leucocoria. Além disso, é possível observar hiperemia (vermelhidão) na conjuntiva, glaucoma (aumento da pressão no interior do olho, que pode danificar as fibras nervosas do nervo óptico), estrabismo e, nos casos mais sérios, até mesmo cegueira.

Muitos desses sinais e sintomas podem ser causados ​​por outras condições. No entanto, se a criança apresentar algum destes sinais, um oftalmologista infantil deverá ser consultado, para diagnosticar a causa e realizar o tratamento necessário.

Quando o diagnóstico do retinoblastoma é feito ainda na fase intraocular, as chances de cura são incrivelmente mais altas e as chances melhores. Todavia, se o diagnóstico for feito tardiamente, quando o tumor já estiver localizado na região extraocular, os prejuízos podem ser irreversíveis.

Nos casos mais graves é possível verificar sintomas como cefaleia, irritabilidade, anorexia e vômitos, tudo isso graças à grande massa orbitária. O tempo transcorrido na identificação do tumor, se for prolongado, ainda é um dos principais inimigos que dificultam o seu combate. Apesar de muitas campanhas já terem sido feitas, nem sempre os sinais são claros para os pais e até mesmo para médicos.

 

O retinoblastoma é dividido em dois grupos

Existem dois grupos para se fazer o diagnóstico do retinoblastoma, são eles: doença localizada, conhecida como intraocular, e a fase avançada, chamada de extraocular, quando o tumor vai além da cavidade ocular. Os lugares mais comuns de ocorrer a metástase são: órbita, nervo óptico, liquor, cérebro, medula óssea e fígado.

Os resultados das pesquisas e avaliações para o diagnóstico de retinoblastoma mostraram que o aparecimento e a descoberta da doença acontecem mais com crianças de 0 a 24 meses de idade. O tempo médio para o aparecimento da queixa varia bastante.

Apesar das tecnologias terem avançado muito, entender como prevenir e fazer o diagnóstico do retinoblastoma é indispensável para garantir a qualidade de vida das crianças afetadas.

Os principais exames utilizados para o diagnóstico e estadiamento do retinoblastoma são:

Fundo de olho: O exame é realizado por um oftalmologista, que utiliza um aparelho chamado retinógrafo. E é realizado sob anestesia geral.

Ressonância magnética: É necessária para determinar o tamanho e a localização do tumor, bem como a presença de metástases.

E quando há suspeita de retinoblastoma extraocular, outros exames devem ser realizados, como ultrassom de abdome, coleta de líquor (líquido da espinha) e mielograma (aspiração e biópsia da medula óssea).

 

A importância da avaliação oftalmológica neonatal

Atualmente as crianças passam por exame oftalmológico já dentro do ambiente hospitalar, antes de receber a alta. Esse é o teste do reflexo vermelho, conhecido como teste do olhinho simples, que é obrigatório e tem que ser realizado em todas as maternidades.

Esse teste será repetido pelo pediatra em várias consultas nos três primeiros anos de vida da criança. Caso seja notada qualquer anormalidade, a criança será encaminhada imediatamente para uma avaliação completa com um oftalmologista.

Outras avaliações oftalmológicas serão realizadas entre três e cinco anos.

 

Como o retinoblastoma é tratado?

O planejamento do tratamento de cada criança com retinoblastoma se faz levando em conta a idade, a presença de tumor em um ou nos dois olhos e o estadiamento, entre outros fatores.

O objetivo do tratamento é salvar a visão sempre que possível e preservar o bulbo ocular. O tratamento do retinoblastoma envolve uma equipe multidisciplinar especializada e engloba várias modalidades terapêuticas, como: quimioterapia (com medicamentos, chamados quimioterápicos), radioterapia (usa feixes de energia para matar células cancerígenas), laserterapia (uso de laser para destruir vasos sanguíneos que alimentam o tumor), crioterapia (para congelar células cancerígenas), termoterapia (calor extremo para matar as células cancerígenas).

Quando o tumor cresce demais, pode ser necessária uma cirurgia para remover o bulbo ocular, chamada de enucleação. Isso pode ajudar a evitar que se espalhe para outras áreas do corpo.

Depois de remover o globo ocular, o cirurgião coloca um implante artificial na órbita, ligando os músculos ao implante (eventualmente os músculos do olho vão mover este globo, podendo imitar o movimento de um olho normal). No entanto, o paciente perde a visão, ou seja, remover um olho afetará a visão da criança. Contudo, com o tempo, a maioria das crianças se adapta muito bem. Em muitos casos, a prótese é tão perfeita que nem parece que a criança tem um olho artificial.

 

Diagnóstico do retinoblastoma: Um cuidado hoje, para um dia melhor amanhã

Como vocês puderam perceber, ao ler este texto, o diagnóstico do retinoblastoma é realmente um assunto importante e que merece bastante atenção. O cuidado, que basicamente deve surgir dos pais, é a garantia de um amanhã melhor para os pequenos.

Mas caso percebam algo errado, conversem com seu pediatra, para que indique avaliação com oftalmologista infantil. Quanto antes o diagnóstico do retinoblastoma for feito, melhor será o futuro da criança.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. C. Costa
Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: Arquivo pessoal Dr. Marcelo Costa

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Dia Nacional de Combate ao Glaucoma – 26 de maio https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-ao-glaucoma-26-de-maio/ Thu, 26 May 2022 17:55:31 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32703 Apesar de mais raro (1 a cada 10 mil bebês), o glaucoma congênito ou infantil é muito grave e se não for diagnosticado e tratado precocemente leva à cegueira de forma muito rápida. Os sinais são diferentes do glaucoma do adulto. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 26/05/2022


A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma como sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo que afeta mais pessoas a partir dos 40 anos. 

Apesar de mais raro (1 a cada 10 mil bebês), o glaucoma congênito ou infantil é muito grave e se não for diagnosticado e tratado precocemente leva à cegueira de forma muito rápida. 

O glaucoma se deve a um desequilíbrio entre a formação e a drenagem de um líquido interno do olho, o humor aquoso. O acúmulo desse líquido gera um aumento da pressão ocular que vai comprimir a cabeça do nervo óptico levando à cegueira. 

A criança que nasce com obstrução do local de drenagem desse líquido tem sinais diferentes do glaucoma do adulto. 

Como o olho da criança é menos rígido que o do adulto, essa elevação da pressão interna do olho leva a um crescimento excessivo do globo ocular (buftalmo) e também um inchaço da córnea que dá um tom azulado da camada mais anterior do olho. 

Os sintomas decorrentes são: lacrimejamento excessivo, muita fotofobia (a criança não consegue abrir os olhos diante de luminosidade), olhos irritados e vermelhos, aumento do diâmetro da córnea. 

O tratamento na maioria dos casos é cirúrgico, com o intuito de abaixar a pressão intraocular. E deve ser feito após diagnóstico com exame sob narcose para medida da pressão ocular e fundo de olho do bebê. 

Relatora:
Márcia Keiko Uyeno Tabuse
Presidente do Departamento de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

romaset | depositphotos.com

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13 de Dezembro – Dia do Cego https://spsp.org.br/13-de-dezembro-dia-do-cego/ Mon, 13 Dec 2021 17:16:22 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30749 Nesse dia é importante alertarmos os pais sobre a cegueira infantil, suas principais causas, as consequências no desenvolvimento da criança e como podemos prevenir. O controle da cegueira infantil foi tema de da OMS no programa VISÃO 2020. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 13/12/2021


Nesse dia é importante alertarmos os pais sobre a cegueira infantil, suas principais causas, as consequências no desenvolvimento da criança e como podemos prevenir.

O controle da cegueira infantil foi tema de alta prioridade da Organização Mundial de Saúde no programa VISÃO 2020, que teve como objetivo avaliar e reduzir as causas de cegueira e baixa visão em crianças até 2020.

As causas variam conforme o nível socioeconômico do país, acometendo mais a córnea -por falta de vitamina A ou sarampo – na Índia e em outros países asiáticos, até comprometimento do nervo óptico nos países mais ricos.

No Brasil e na América Latina, ocorre uma mistura de prováveis causas, em que a retinopatia da prematuridade e a catarata congênita são as que mais prevalecem.

A maioria das causas de cegueira na criança pode ser evitada ou prevenida. Estima-se que metade das crianças cegas poderia ter tido a causa primária da cegueira evitada ou, se tratada precocemente, não chegaria a perda da visão.

O que pode ser feito para prevenir esta situação tão grave?


– Um atendimento perinatal evitando hipóxia ou falta de oxigênio na hora do parto pode evitar danos no cérebro e na visão central;

– Uma atenção adequada ao bebê prematuro, com exame da retina ainda no berçário, pode evitar danos na retina que, se tratados precocemente, evitam a cegueira;

– Um exame no berçário chamado teste do olhinho (Teste do Reflexo Vermelho), obrigatório por lei no Brasil, pode detectar alterações na transparência da córnea e do cristalino, como a catarata congênita, que deve ser avaliada e tratada pelo Oftalmologista o mais precocemente possível. Além da atenção no pré-natal à gestante com exames que detectam a rubéola, principal causa de catarata congênita no Brasil. 

A criança quando nasce não tem a visão completamente desenvolvida, por isso todo e qualquer problema que afete um ou ambos os olhos vai comprometer o desenvolvimento da visão de forma irreversível.

Esses cuidados que começam no berçário se estendem na primeira infância, quando a detecção precoce do glaucoma congênito e do retinoblastoma, que é o tumor da retina, quando tratados precocemente, podem evitar a cegueira.

O primeiro exame de refração para avaliar a necessidade de óculos, deve ser realizado antes dos três anos de idade, pois altos graus de ametropia (também conhecida como erro de refração, é um defeito de visão decorrente da focalização inadequada da luz que chega à retina – os tipos mais comuns de ametropia são: miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia) e diferença de grau entre um olho e outro, não percebidos sem um exame oftalmológico, podem levar a ambliopia que é o não desenvolvimento das vias visuais por falta de estímulo visual.

Crianças com cegueira ou baixa visão apresentam um desenvolvimento geral motor e cognitivo comprometidos, além do impacto emocional para a criança e seus pais. Por isso, se faz necessário e premente a especial atenção para essa questão tão grave e não só no Dia do Cego. 

Relator:

Márcia Keiko Uyeno Tabuse

Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: lucidwaters | depositphotos.com.br

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