Campanha contra álcool na infância e adolescência – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 06 Mar 2024 16:11:51 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Campanha contra álcool na infância e adolescência – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas https://spsp.org.br/campanha-julho-branco-com-consciencia-sem-drogas-2-2/ Mon, 01 Jul 2019 18:17:19 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2866 A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove este mês a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas – mês do combate ao uso de drogas por crianças e adolescentes. Este é um tema de grande relevância para a SPSP, que vem trabalhando fortemente para colocar essa problemática em evidência, uma vez que a utilização de drogas ocorre cada vez mais cedo e as consequências são maiores na faixa etária pediátrica. “Dados de um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelam que 25% dos jovens até 17 anos experimentam tabaco, 20% maconha, 6% crack e 60% álcool. Destes, aproximadamente 20% já são usuários diários, muitas vezes mais de uma vez ao dia”, alerta João Becker Lotufo, coordenador da campanha e do Grupo de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP. Ele ressalta que ter um surto psicótico com o cérebro ainda em formação pode ser catastrófico. “É diferente de se ter um surto aos 30 anos de idade”, diz. Segundo Claudio Barsanti, coordenador das campanhas da SPSP, Julho Branco é uma chamada importante para toda a sociedade a respeito da necessidade de se combater o uso de drogas por crianças e adolescentes. “A iniciação do consumo dessas substâncias tem sido cada vez mais precoce e o impacto cada vez mais avassalador”, relata o pediatra, enfatizando que na prevenção o diálogo é fundamental. Para ele, é imprescindível que profissionais da saúde estejam preparados para abordar e orientar sobre essa questão, auxiliando também a conscientizar pais e cuidadores em relação ao problema. “Vale lembrar que as escolas também são muito importantes nesse processo”, afirma Barsanti.]]>

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove este mês a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas – mês do combate ao uso de drogas por crianças e adolescentes. Este é um tema de grande relevância para a SPSP, que vem trabalhando fortemente para colocar essa problemática em evidência, uma vez que a utilização de drogas ocorre cada vez mais cedo e as consequências são maiores na faixa etária pediátrica.

“Dados de um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelam que 25% dos jovens até 17 anos experimentam tabaco, 20% maconha, 6% crack e 60% álcool. Destes, aproximadamente 20% já são usuários diários, muitas vezes mais de uma vez ao dia”, alerta João Becker Lotufo, coordenador da campanha e do Grupo de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP. Ele ressalta que ter um surto psicótico com o cérebro ainda em formação pode ser catastrófico. “É diferente de se ter um surto aos 30 anos de idade”, diz.

Segundo Claudio Barsanti, coordenador das campanhas da SPSP, Julho Branco é uma chamada importante para toda a sociedade a respeito da necessidade de se combater o uso de drogas por crianças e adolescentes. “A iniciação do consumo dessas substâncias tem sido cada vez mais precoce e o impacto cada vez mais avassalador”, relata o pediatra, enfatizando que na prevenção o diálogo é fundamental. Para ele, é imprescindível que profissionais da saúde estejam preparados para abordar e orientar sobre essa questão, auxiliando também a conscientizar pais e cuidadores em relação ao problema. “Vale lembrar que as escolas também são muito importantes nesse processo”, afirma Barsanti.

]]>
Álcool na adolescência: como lidar com isso? https://spsp.org.br/alcool-na-adolescencia-como-lidar-com-isso/ Fri, 10 Aug 2018 19:18:20 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2234 A bebida alcoólica representa um risco enorme para a nossa sociedade. É responsável, direta e indiretamente, pela maior parte das mortes entre adolescentes e causa de parcela expressiva dos problemas sociais. O momento da iniciação na bebida alcoólica é um dos pontos mais preocupantes. E a falta de conscientização a respeito — por parte dos pais e mesmo de alguns pediatras — tem chamado a atenção da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Em estudo piloto realizado no Ambulatório de Pediatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, mostrou-se que o consumo de álcool no ambiente familiar é bastante elevado (43,5%). A bebida alcoólica é seguida, nesse sentido, pelo cigarro (34,5%), pela maconha (27,5%) e pelo crack (11,5%). Os números obtidos em nossa pesquisa preocupam ainda mais porque indicam que o início no uso de álcool e outras drogas começa dentro de casa. A popularidade da bebida alcoólica se amplifica quando levamos em conta que muita gente não associa a cerveja ao álcool. A cerveja está fora, inclusive, da lei de propaganda que regula as bebidas alcoólicas — isso porque tem menos de 13 graus de teor alcoólico, limite a partir do qual se proíbe a veiculação de anúncios de bebida alcoólica na mídia. Sabemos que a propaganda nos horários em que as crianças assistem TV é fator de iniciação no uso precoce do álcool. Diante disso, quando me perguntam a partir de que idade devemos conversar com a família a respeito de álcool e drogas, respondo que isso deve começar desde a fase em que o bebê está no útero. Sim, se existem pessoas que têm problema com álcool no ambiente familiar, o médico precisa discutir isso com os pais. E estes com os filhos. Se a mãe for alcoolista, precisamos alertar e intervir porque o risco de síndrome alcoólica fetal é sério e irreversível. O álcool é um perigo na gestação. Hoje temos visto adolescentes grávidas só diagnosticadas como tal no terceiro ou no quarto mês de gestação. Muitas estão ingerindo álcool sem saber de sua condição, expondo bebê e elas próprias a danos. Quando pegamos a faixa etária de 17 anos, já temos 60% de experimentação de álcool nos jovens pesquisados em dez escolas do entorno da USP. O uso começa por volta dos 10 anos e em 20% dos casos já temos usuários de mais de uma dose diária. Isto é, já são dependentes. Se há consumo abusivo de álcool ou outras drogas na família, mais precoce tende a ser a iniciação da criança. E, para qualquer droga utilizada antes da maturação do cérebro (ao redor dos 21 anos), eleva-se o risco de dependência e problemas ligados a ela. Estar ciente disso e detectar as possíveis drogas lícitas ou ilícitas que entram em casa é fundamental para prevenir e saber como lidar com o uso do álcool na adolescência. Geralmente os pais só ficam sabendo que os filhos bebem quando estes chegam alcoolizados em casa. Não é possível que tenhamos casos de coma alcoólico aos 14 ou 15 anos nos consultórios pediátricos, consequência de jovens se embriagando em festas de 15 anos com bebidas oferecidas pelos próprios pais do aniversariante! Colocar em pauta essa discussão e incentivar a troca de ideias com a família foi o único fator positivo para reduzir a experimentação de álcool e drogas pelos jovens, segundo nossa pesquisa conduzida em escolas do Butantã, na capital paulista — esse fator superou a presença de espiritualidade, prática de esportes e participação em atividades culturais. Orientações na prática Listo, a seguir, nove recomendações para um bom aconselhamento voltado à prevenção no uso de álcool e outras drogas na adolescência. Lembre-se de que álcool é droga também — e cerveja tem álcool. 1. Pais, estejam sempre ao lado dos filhos. Isso vai levá-los a escutar vocês. 2. Os filhos se espelham no comportamento dos pais. Reflita sobre a oferta de bebidas que você disponibiliza nas festas e encontros em família. 3. Discuta os assuntos em família. Aproveite filmes, novelas, notícias de jornal e leituras para falar sobre a prevenção ao uso de drogas. Aquele sermão caso o filho chegue embriagado(a) de uma festa pouco adianta. 4. Não queira de imediato fazer a dosagem de drogas em seu filho. Muito melhor é gastar esse tempo em conversa e prevenção. 5. Traga os amigos dos seus filhos para dentro de sua casa. 6. Anote o que discutiu com eles para que você possa retomar o aconselhamento num bate-papo próximo e, assim, aprofundar o compartilhamento de informações e reflexões com a família. 7. Não importa a idade do seu filho ou filha. O aconselhamento se inicia ainda no útero. Se a mãe fuma ou o pai bebe em excesso, por exemplo, não há tempo a perder para rever esses hábitos e proteger a família. 8. Doenças como a dependência química podem ter aspecto genético. Então vale investigar os antecedentes familiares. Se há alcoolistas na família, não se deve ter bebida em casa. Em caso de pessoas com problemas psiquiátricos, saiba que o uso de maconha pode antecipar e potencializar alguns transtornos. 9. Seja amoroso e insistente nas questões e conversas sobre drogas. Nunca sabemos qual o ponto que vai pegar e fazer cair a ficha do seu filho. Minha experiência mostra, ainda, que a criança é um excelente veículo para tratar a dependência dos pais. Perguntei a um avô certa vez porque ele havia parado de fumar aos 70 anos. E ele respondeu que eu havia dado um livrinho para o seu neto sobre o malefício do cigarro. Toda vez que ele acendia um cigarro, seu neto o fazia ler o livreto. De tanto ler, uma hora resolveu parar de fumar. ___ Texto produzido por Dr. João Paulo Becker Lotufo para o site SAÚDE. Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/alcool-na-adolescencia-como-lidar-com-isso/ O Dr. João Paulo Becker Lotufo é pediatra, médico do Hospital Universitário da USP, representante para assuntos de drogas da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade de Pediatria de São Paul e criador do projeto Dr. Bartô de prevenção...]]>

A bebida alcoólica representa um risco enorme para a nossa sociedade. É responsável, direta e indiretamente, pela maior parte das mortes entre adolescentes e causa de parcela expressiva dos problemas sociais. O momento da iniciação na bebida alcoólica é um dos pontos mais preocupantes. E a falta de conscientização a respeito — por parte dos pais e mesmo de alguns pediatras — tem chamado a atenção da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Em estudo piloto realizado no Ambulatório de Pediatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, mostrou-se que o consumo de álcool no ambiente familiar é bastante elevado (43,5%). A bebida alcoólica é seguida, nesse sentido, pelo cigarro (34,5%), pela maconha (27,5%) e pelo crack (11,5%). Os números obtidos em nossa pesquisa preocupam ainda mais porque indicam que o início no uso de álcool e outras drogas começa dentro de casa.

Pexels | Pixabay

A popularidade da bebida alcoólica se amplifica quando levamos em conta que muita gente não associa a cerveja ao álcool. A cerveja está fora, inclusive, da lei de propaganda que regula as bebidas alcoólicas — isso porque tem menos de 13 graus de teor alcoólico, limite a partir do qual se proíbe a veiculação de anúncios de bebida alcoólica na mídia. Sabemos que a propaganda nos horários em que as crianças assistem TV é fator de iniciação no uso precoce do álcool.

Diante disso, quando me perguntam a partir de que idade devemos conversar com a família a respeito de álcool e drogas, respondo que isso deve começar desde a fase em que o bebê está no útero. Sim, se existem pessoas que têm problema com álcool no ambiente familiar, o médico precisa discutir isso com os pais. E estes com os filhos.

Se a mãe for alcoolista, precisamos alertar e intervir porque o risco de síndrome alcoólica fetal é sério e irreversível. O álcool é um perigo na gestação. Hoje temos visto adolescentes grávidas só diagnosticadas como tal no terceiro ou no quarto mês de gestação. Muitas estão ingerindo álcool sem saber de sua condição, expondo bebê e elas próprias a danos.

Quando pegamos a faixa etária de 17 anos, já temos 60% de experimentação de álcool nos jovens pesquisados em dez escolas do entorno da USP. O uso começa por volta dos 10 anos e em 20% dos casos já temos usuários de mais de uma dose diária. Isto é, já são dependentes. Se há consumo abusivo de álcool ou outras drogas na família, mais precoce tende a ser a iniciação da criança. E, para qualquer droga utilizada antes da maturação do cérebro (ao redor dos 21 anos), eleva-se o risco de dependência e problemas ligados a ela.

Estar ciente disso e detectar as possíveis drogas lícitas ou ilícitas que entram em casa é fundamental para prevenir e saber como lidar com o uso do álcool na adolescência. Geralmente os pais só ficam sabendo que os filhos bebem quando estes chegam alcoolizados em casa.

Não é possível que tenhamos casos de coma alcoólico aos 14 ou 15 anos nos consultórios pediátricos, consequência de jovens se embriagando em festas de 15 anos com bebidas oferecidas pelos próprios pais do aniversariante! Colocar em pauta essa discussão e incentivar a troca de ideias com a família foi o único fator positivo para reduzir a experimentação de álcool e drogas pelos jovens, segundo nossa pesquisa conduzida em escolas do Butantã, na capital paulista — esse fator superou a presença de espiritualidade, prática de esportes e participação em atividades culturais.

Orientações na prática

Listo, a seguir, nove recomendações para um bom aconselhamento voltado à prevenção no uso de álcool e outras drogas na adolescência. Lembre-se de que álcool é droga também — e cerveja tem álcool.

1. Pais, estejam sempre ao lado dos filhos. Isso vai levá-los a escutar vocês.
2. Os filhos se espelham no comportamento dos pais. Reflita sobre a oferta de bebidas que você disponibiliza nas festas e encontros em família.
3. Discuta os assuntos em família. Aproveite filmes, novelas, notícias de jornal e leituras para falar sobre a prevenção ao uso de drogas. Aquele sermão caso o filho chegue embriagado(a) de uma festa pouco adianta.
4. Não queira de imediato fazer a dosagem de drogas em seu filho. Muito melhor é gastar esse tempo em conversa e prevenção.
5. Traga os amigos dos seus filhos para dentro de sua casa.
6. Anote o que discutiu com eles para que você possa retomar o aconselhamento num bate-papo próximo e, assim, aprofundar o compartilhamento de informações e reflexões com a família.
7. Não importa a idade do seu filho ou filha. O aconselhamento se inicia ainda no útero. Se a mãe fuma ou o pai bebe em excesso, por exemplo, não há tempo a perder para rever esses hábitos e proteger a família.
8. Doenças como a dependência química podem ter aspecto genético. Então vale investigar os antecedentes familiares. Se há alcoolistas na família, não se deve ter bebida em casa. Em caso de pessoas com problemas psiquiátricos, saiba que o uso de maconha pode antecipar e potencializar alguns transtornos.
9. Seja amoroso e insistente nas questões e conversas sobre drogas. Nunca sabemos qual o ponto que vai pegar e fazer cair a ficha do seu filho. Minha experiência mostra, ainda, que a criança é um excelente veículo para tratar a dependência dos pais. Perguntei a um avô certa vez porque ele havia parado de fumar aos 70 anos. E ele respondeu que eu havia dado um livrinho para o seu neto sobre o malefício do cigarro. Toda vez que ele acendia um cigarro, seu neto o fazia ler o livreto. De tanto ler, uma hora resolveu parar de fumar.

___
Texto produzido por Dr. João Paulo Becker Lotufo para o site SAÚDE.
Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/alcool-na-adolescencia-como-lidar-com-isso/

O Dr. João Paulo Becker Lotufo é pediatra, médico do Hospital Universitário da USP, representante para assuntos de drogas da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade de Pediatria de São Paul e criador do projeto Dr. Bartô de prevenção ao uso de drogas em escolas.

___
Publicado em 10/08/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>
Campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas! https://spsp.org.br/campanha-julho-branco-com-consciencia-sem-drogas-2/ Tue, 03 Jul 2018 18:35:32 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2147 A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reinicia a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas. Será um mês voltado ao combate ao uso de drogas por crianças e adolescentes. Ativa desde 2016 e de modo perene, o objetivo central da campanha é alertar a população médica e não médica sobre o início precoce do consumo de álcool e drogas. Esse é um tema de grande relevância para a SPSP, que vem trabalhando forte no sentido de colocar em evidência essa problemática. As ações vêm se intensificando desde então. Em novembro de 2016, o presidente da SPSP, Dr. Claudio Barsanti, junto com o coordenador do Grupo de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes, Dr. João Becker Lotufo, e a Dra. Mônica Lopez Vazquez, do Grupo de Direito do Nascituro, das Crianças e dos Adolescentes da SPSP, participaram de uma reunião com o então governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. O foco da reunião foi a possibilidade de aumento do ICMS para bebidas alcoólicas; a proibição da venda em postos de gasolina e perto de escolas; e aumento da fiscalização e punição para quem vende ou oferece para menores de 18 anos. A luta e as sugestões de leis continuaram ativas e, nestes dois últimos anos, o Dr. Lotufo conduziu novas discussões, sempre com o apoio da SPSP. A SPSP tem promovido também muitos encontros entre pediatras para debater a questão do consumo de álcool entre crianças e adolescentes, além de produzir diversos materiais científicos sobre a temática, tal como o livro “Efeitos do Álcool na Gestantes, no Feto e no Recém-nascido”, coordenado pela Dra. Conceição Aparecida de Mattos Segre e pelo Grupo de Trabalho “Efeitos do Álcool na Gestantes, no Feto e no Recém-nascido” da SPSP. Dados preocupantes: a experimentação cada vez mais cedo Os dados realmente preocupam. Segundo o coordenador do Grupo de Combate às Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP, Dr. João Paulo Becker Lotufo, um trabalho desenvolvido no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) constatou que 25% dos jovens até 17 anos já experimentaram o tabaco, 20% a maconha, 6% o crack e 60% o álcool. “A faixa etária de experimentação vem diminuindo a cada ano. Muitas drogas têm aceitação de muitos pais que desconhecem o poder viciante das drogas e o malefício real que podem acarretar”, comenta Dr. Lotufo. O especialista alerta ainda que os pais devem estar perto dos filhos e discutir este assunto em cada oportunidade. “As escolas e as igrejas também são muito importantes no processo de conscientização. Alguns trabalhos mostram que tendo discussão do assunto das drogas nas famílias, ocorre uma diminuição em torno de 60% a experimentação do álcool, tabaco, maconha e crack”. As iniciativas não param! Recentemente Dr. Lotufo apresentou novas ideias e as agregou às sugestões já existentes para a criação de leis que diminuam o acesso dos jovens à bebida alcoólica, inclusive a cerveja. Tal ação conta com o apoio da SPSP e vários outras entidades de grande expressão na área médica. Dentre os pontos considerados pelo Dr. Lotufo: 1. Retirada da propaganda de cerveja da mídia, inclusive as chamadas de “baixos teores” ou de “zero teor” de álcool das 6 às 21 hs; 2. Adendo: restrição a publicidade indireta de cerveja e outras bebidas alcoólicas por atores nos programas de televisão; 3. Afastar pontos de venda na entrada/saída e no entorno de escolas, em um raio de 200 metros; 4. Proibição da venda de bebida alcoólica na rua, em peruas ou carros abertos; 5. Corresponsabilidade de quem vender bebidas alcoólicas para quem já estiver embriagado (multa para o estabelecimento); 6. Proibição de propaganda de bebidas alcoólicas (inclusive cerveja) em competições esportivas e atividades culturais endereçadas ao público jovem e adolescente; 7. Adendo: proibir a venda de bebidas em parques públicos, museus, estádios onde não haja limite de idade para ingresso de jovens e adolescentes; 8. Rotular com advertências de risco à saúde todas as embalagens de bebidas, a exemplo do cigarro; 9. Substituir o termo “beba com moderação”, por “beber traz riscos à saúde”; 10. Criar um Dia Nacional de Consciência dos Riscos do Álcool, de modo que os entes federativos realizem ampla campanha sobre os riscos de beber, especialmente voltada para o público jovem e grávidas; 11. Aumentar os impostos incidente sobre as bebidas alcoólicas em um fundo especial e vinculante, destinado a cobertura dos custos da saúde pública e das vítimas de acidentes de trânsito, no trabalho e de violência doméstica; 12. Proibir que os estabelecimentos coloquem as bebidas próximas a sorvetes, doces, balas e guloseimas em geral. A SPSP continua acompanhando os desdobramentos dessas iniciativas e preparou outras ações para a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas. “Discutir de modo contínuo, com a avaliação de dados e trabalhos, alertando para o problema, com a apresentação dos números e estatísticas que, infelizmente, se apresentam cada vez mais alarmantes, é fundamental para que se busque soluções para tão grave problema. Além de oferecer sugestões e caminhos, é uma obrigação da SPSP, dos pediatras e de todos os cidadãos de diferentes segmentos da sociedade estarem atentos e ativos na proposição de medidas eficazes. Nossa campanha busca caminhos e parceiros para que, juntos, tenhamos sucesso efetivo na diminuição do uso de drogas na infância e adolescência”, disse Dr. Claudio Barsanti, presidente da SPSP. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 3/07/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reinicia a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas. Será um mês voltado ao combate ao uso de drogas por crianças e adolescentes. Ativa desde 2016 e de modo perene, o objetivo central da campanha é alertar a população médica e não médica sobre o início precoce do consumo de álcool e drogas. Esse é um tema de grande relevância para a SPSP, que vem trabalhando forte no sentido de colocar em evidência essa problemática.

cuncon | Pixabay

As ações vêm se intensificando desde então. Em novembro de 2016, o presidente da SPSP, Dr. Claudio Barsanti, junto com o coordenador do Grupo de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes, Dr. João Becker Lotufo, e a Dra. Mônica Lopez Vazquez, do Grupo de Direito do Nascituro, das Crianças e dos Adolescentes da SPSP, participaram de uma reunião com o então governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. O foco da reunião foi a possibilidade de aumento do ICMS para bebidas alcoólicas; a proibição da venda em postos de gasolina e perto de escolas; e aumento da fiscalização e punição para quem vende ou oferece para menores de 18 anos. A luta e as sugestões de leis continuaram ativas e, nestes dois últimos anos, o Dr. Lotufo conduziu novas discussões, sempre com o apoio da SPSP.

A SPSP tem promovido também muitos encontros entre pediatras para debater a questão do consumo de álcool entre crianças e adolescentes, além de produzir diversos materiais científicos sobre a temática, tal como o livro “Efeitos do Álcool na Gestantes, no Feto e no Recém-nascido”, coordenado pela Dra. Conceição Aparecida de Mattos Segre e pelo Grupo de Trabalho “Efeitos do Álcool na Gestantes, no Feto e no Recém-nascido” da SPSP.

Dados preocupantes: a experimentação cada vez mais cedo

Os dados realmente preocupam. Segundo o coordenador do Grupo de Combate às Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP, Dr. João Paulo Becker Lotufo, um trabalho desenvolvido no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) constatou que 25% dos jovens até 17 anos já experimentaram o tabaco, 20% a maconha, 6% o crack e 60% o álcool. “A faixa etária de experimentação vem diminuindo a cada ano. Muitas drogas têm aceitação de muitos pais que desconhecem o poder viciante das drogas e o malefício real que podem acarretar”, comenta Dr. Lotufo.

O especialista alerta ainda que os pais devem estar perto dos filhos e discutir este assunto em cada oportunidade. “As escolas e as igrejas também são muito importantes no processo de conscientização. Alguns trabalhos mostram que tendo discussão do assunto das drogas nas famílias, ocorre uma diminuição em torno de 60% a experimentação do álcool, tabaco, maconha e crack”.

As iniciativas não param! Recentemente Dr. Lotufo apresentou novas ideias e as agregou às sugestões já existentes para a criação de leis que diminuam o acesso dos jovens à bebida alcoólica, inclusive a cerveja. Tal ação conta com o apoio da SPSP e vários outras entidades de grande expressão na área médica. Dentre os pontos considerados pelo Dr. Lotufo:

1. Retirada da propaganda de cerveja da mídia, inclusive as chamadas de “baixos teores” ou de “zero teor” de álcool das 6 às 21 hs;
2. Adendo: restrição a publicidade indireta de cerveja e outras bebidas alcoólicas por atores nos programas de televisão;
3. Afastar pontos de venda na entrada/saída e no entorno de escolas, em um raio de 200 metros;
4. Proibição da venda de bebida alcoólica na rua, em peruas ou carros abertos;
5. Corresponsabilidade de quem vender bebidas alcoólicas para quem já estiver embriagado (multa para o estabelecimento);
6. Proibição de propaganda de bebidas alcoólicas (inclusive cerveja) em competições esportivas e atividades culturais endereçadas ao público jovem e adolescente;
7. Adendo: proibir a venda de bebidas em parques públicos, museus, estádios onde não haja limite de idade para ingresso de jovens e adolescentes;
8. Rotular com advertências de risco à saúde todas as embalagens de bebidas, a exemplo do cigarro;
9. Substituir o termo “beba com moderação”, por “beber traz riscos à saúde”;
10. Criar um Dia Nacional de Consciência dos Riscos do Álcool, de modo que os entes federativos realizem ampla campanha sobre os riscos de beber, especialmente voltada para o público jovem e grávidas;
11. Aumentar os impostos incidente sobre as bebidas alcoólicas em um fundo especial e vinculante, destinado a cobertura dos custos da saúde pública e das vítimas de acidentes de trânsito, no trabalho e de violência doméstica;
12. Proibir que os estabelecimentos coloquem as bebidas próximas a sorvetes, doces, balas e guloseimas em geral.

A SPSP continua acompanhando os desdobramentos dessas iniciativas e preparou outras ações para a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas. “Discutir de modo contínuo, com a avaliação de dados e trabalhos, alertando para o problema, com a apresentação dos números e estatísticas que, infelizmente, se apresentam cada vez mais alarmantes, é fundamental para que se busque soluções para tão grave problema. Além de oferecer sugestões e caminhos, é uma obrigação da SPSP, dos pediatras e de todos os cidadãos de diferentes segmentos da sociedade estarem atentos e ativos na proposição de medidas eficazes. Nossa campanha busca caminhos e parceiros para que, juntos, tenhamos sucesso efetivo na diminuição do uso de drogas na infância e adolescência”, disse Dr. Claudio Barsanti, presidente da SPSP.

julho branco

___
Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 3/07/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>
A Pediatria, a propaganda do álcool na mídia e o Dr. Bartô https://spsp.org.br/a-pediatria-a-propaganda-do-alcool-na-midia-e-o-dr-barto/ Thu, 05 Feb 2015 15:36:22 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=830 São Paulo já é Ambiente Fechado Livre do Tabaco (AFLT) desde 2009, com diminuição das doenças relacionadas ao tabagismo passivo. Mesmo assim o Brasil tornou-se AFLT apenas no final de 2014. O lobby da indústria e o descaso de políticos e politiqueiros custou-nos quatro anos de atraso. Além da lei, o aumento do preço do tabaco, a proibição da propaganda, e o tratamento gratuito nos levaram a diminuição do consumo de cigarros em 50% e a sermos o quarto país no mundo em numero de ex-fumantes. Em estudo patrocinado pela pró-reitoria de Cultura e Extensão da USP, comprovamos que o uso das drogas lícitas se inicia aos 10 anos de idade, e no último ano do ensino médio, 25% dos jovens está fumando, 59% está bebendo (álcool), 20% já usou maconha e 5% já experimentou o crack. Tudo é muito precoce e 25% de jovens fumantes em escolas públicas no bairro do Butantã é um número bem superior ao de maiores de 18 anos fumantes (11 a 14%). Ou seja, há um risco de voltarmos para trás no quesito tabaco. Os parágrafos acima fazem parte de um texto escrito pelo Dr. João Paulo Becker Lotufo, membro da Sociedade de Pediatria de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Pediatria, e pelo Dr. Eduardo Vaz, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. O artigo é favorável à retirada da propaganda de bebidas alcoólicas em horários de crianças e adolescentes assistirem a mídia e o Dr. Lotufo é responsável pelo projeto Dr. Bartô para prevenção de drogas no ensino fundamental e médio. Leia o artigo na íntegra no site do Dr. Bartô: www.drbarto.com.br/pediatria-propagando-drbarto.html. ___ Publicado em 5/02/2015. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

DrBartoSão Paulo já é Ambiente Fechado Livre do Tabaco (AFLT) desde 2009, com diminuição das doenças relacionadas ao tabagismo passivo. Mesmo assim o Brasil tornou-se AFLT apenas no final de 2014. O lobby da indústria e o descaso de políticos e politiqueiros custou-nos quatro anos de atraso. Além da lei, o aumento do preço do tabaco, a proibição da propaganda, e o tratamento gratuito nos levaram a diminuição do consumo de cigarros em 50% e a sermos o quarto país no mundo em numero de ex-fumantes.

Em estudo patrocinado pela pró-reitoria de Cultura e Extensão da USP, comprovamos que o uso das drogas lícitas se inicia aos 10 anos de idade, e no último ano do ensino médio, 25% dos jovens está fumando, 59% está bebendo (álcool), 20% já usou maconha e 5% já experimentou o crack.

Tudo é muito precoce e 25% de jovens fumantes em escolas públicas no bairro do Butantã é um número bem superior ao de maiores de 18 anos fumantes (11 a 14%). Ou seja, há um risco de voltarmos para trás no quesito tabaco.

Os parágrafos acima fazem parte de um texto escrito pelo Dr. João Paulo Becker Lotufo, membro da Sociedade de Pediatria de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Pediatria, e pelo Dr. Eduardo Vaz, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. O artigo é favorável à retirada da propaganda de bebidas alcoólicas em horários de crianças e adolescentes assistirem a mídia e o Dr. Lotufo é responsável pelo projeto Dr. Bartô para prevenção de drogas no ensino fundamental e médio.

Leia o artigo na íntegra no site do Dr. Bartô: www.drbarto.com.br/pediatria-propagando-drbarto.html.

___
Publicado em 5/02/2015.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>