Camisinha – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 25 Oct 2018 17:10:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Camisinha – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Contracepção na adolescência https://spsp.org.br/contracepcao-na-adolescencia/ Thu, 25 Oct 2018 17:10:09 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2344 O desenvolvimento da sexualidade faz parte do adolescer, porém características próprias dessa fase podem levar a comportamentos de risco, resultando em altos índices de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST). A escolha do método anticoncepcional deve ser individual, reversível, baseada em avaliação clínica e com o conhecimento das contraindicações. As principais escolhas para adolescentes são: Métodos de barreira Os preservativos masculino e feminino são os dois únicos métodos que oferecem comprovadamente proteção contra gravidez e DST (dupla proteção), devendo ser encorajados. O primeiro tem alta eficácia (98%) se utilizado corretamente. O segundo oferece proteção ainda maior, pois protege também a parte externa dos genitais femininos, porém seu uso é mais complexo, uma vez que exige a manipulação genital para colocação correta. Métodos hormonais Existem vários métodos anticoncepcionais hormonais, sendo a pílula o mais comum e aceito. Compostas por estrógeno e progesterona nas mais diversas apresentações, elas devem ser tomadas diariamente conforme a recomendação de cada produto. O início da primeira cartela ocorre idealmente no primeiro dia do ciclo menstrual, mas se o risco de gravidez for alto, pode ser iniciado imediatamente, em qualquer momento do ciclo. Nos casos de contraindicação ao uso do estrogênio, podem ser prescritas pílulas com progesterona isolada. Os casos de falha estão relacionados a erros de uso, principalmente ao esquecimento de tomar os comprimidos diariamente. O anticoncepcional transdérmico, composto por estrogênio e progesterona, é uma outra opção e apresenta-se na forma de adesivo, que deve ser aplicado semanalmente, por 3 semanas, com pausa na quarta semana. Os possíveis locais de aplicação são: baixo ventre, nádegas, parte superior do braço e do tronco. Outro método existente é o anel vaginal. Composto de estrogênio e progesterona, trata-se de um dispositivo transparente e flexível, que deve ser inserido na vagina por 3 semanas e removido na quarta. Os métodos injetáveis são recomendados para as jovens com dificuldade de adesão à pílula. A injeção de estrógeno e progesterona é de frequência mensal, existindo também a injeção com progesterona isolada, de frequência trimestral. Essa última tem sido evitada devido ao impacto na densidade óssea das jovens, assim como pelo ganho de peso consequente ao seu uso. A tendência mundial atual é o uso da proteção de longa duração para adolescentes, representada pelo uso dos dispositivos intrauterinos (DIU) e pelo implante subcutâneo, de grande efetividade para o controle da gravidez não planejada. O DIU hormonal, inserido no útero por um médico ginecologista, contém apenas progesterona e deve ser trocado a cada 5 anos. Já o implante, dispositivo também composto por progesterona isolada, é colocado por esse mesmo profissional no tecido subcutâneo do antebraço da paciente, permanecendo ativo por 3 anos. DIU de cobre Não contém hormônio, deve ser inserido no útero por um médico ginecologista e tem duração de 10 anos. Anticoncepção de emergência É um método para ser utilizado em situações excepcionais, como após relação sexual sem proteção ou falha de um método anticoncepcional. A pílula deve ser tomada até cinco dias após relação sexual desprotegida, quanto antes maior a eficácia. Seu mecanismo de ação é fundamentalmente a inibição da ovulação, portanto, não é um método abortivo, pois não interfere na gestação já estabelecida. ___ Relatores: Dr. Alexandre M. Hirata Dra. Andrea Hercowitz Departamento Científico de Adolescência da SPSP. Publicado em 23/10/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O desenvolvimento da sexualidade faz parte do adolescer, porém características próprias dessa fase podem levar a comportamentos de risco, resultando em altos índices de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST). A escolha do método anticoncepcional deve ser individual, reversível, baseada em avaliação clínica e com o conhecimento das contraindicações.

As principais escolhas para adolescentes são:

Métodos de barreira

Os preservativos masculino e feminino são os dois únicos métodos que oferecem comprovadamente proteção contra gravidez e DST (dupla proteção), devendo ser encorajados. O primeiro tem alta eficácia (98%) se utilizado corretamente. O segundo oferece proteção ainda maior, pois protege também a parte externa dos genitais femininos, porém seu uso é mais complexo, uma vez que exige a manipulação genital para colocação correta.

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Métodos hormonais

Existem vários métodos anticoncepcionais hormonais, sendo a pílula o mais comum e aceito. Compostas por estrógeno e progesterona nas mais diversas apresentações, elas devem ser tomadas diariamente conforme a recomendação de cada produto. O início da primeira cartela ocorre idealmente no primeiro dia do ciclo menstrual, mas se o risco de gravidez for alto, pode ser iniciado imediatamente, em qualquer momento do ciclo. Nos casos de contraindicação ao uso do estrogênio, podem ser prescritas pílulas com progesterona isolada. Os casos de falha estão relacionados a erros de uso, principalmente ao esquecimento de tomar os comprimidos diariamente.

O anticoncepcional transdérmico, composto por estrogênio e progesterona, é uma outra opção e apresenta-se na forma de adesivo, que deve ser aplicado semanalmente, por 3 semanas, com pausa na quarta semana. Os possíveis locais de aplicação são: baixo ventre, nádegas, parte superior do braço e do tronco.

Outro método existente é o anel vaginal. Composto de estrogênio e progesterona, trata-se de um dispositivo transparente e flexível, que deve ser inserido na vagina por 3 semanas e removido na quarta.

Os métodos injetáveis são recomendados para as jovens com dificuldade de adesão à pílula. A injeção de estrógeno e progesterona é de frequência mensal, existindo também a injeção com progesterona isolada, de frequência trimestral. Essa última tem sido evitada devido ao impacto na densidade óssea das jovens, assim como pelo ganho de peso consequente ao seu uso.

A tendência mundial atual é o uso da proteção de longa duração para adolescentes, representada pelo uso dos dispositivos intrauterinos (DIU) e pelo implante subcutâneo, de grande efetividade para o controle da gravidez não planejada. O DIU hormonal, inserido no útero por um médico ginecologista, contém apenas progesterona e deve ser trocado a cada 5 anos. Já o implante, dispositivo também composto por progesterona isolada, é colocado por esse mesmo profissional no tecido subcutâneo do antebraço da paciente, permanecendo ativo por 3 anos.

DIU de cobre

Não contém hormônio, deve ser inserido no útero por um médico ginecologista e tem duração de 10 anos.

Anticoncepção de emergência

É um método para ser utilizado em situações excepcionais, como após relação sexual sem proteção ou falha de um método anticoncepcional. A pílula deve ser tomada até cinco dias após relação sexual desprotegida, quanto antes maior a eficácia. Seu mecanismo de ação é fundamentalmente a inibição da ovulação, portanto, não é um método abortivo, pois não interfere na gestação já estabelecida.

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Relatores:
Dr. Alexandre M. Hirata
Dra. Andrea Hercowitz

Departamento Científico de Adolescência da SPSP.

Publicado em 23/10/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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“Fadiga do Preservativo”: a crise dos métodos contraceptivos e da proteção na adolescência https://spsp.org.br/fadiga-do-preservativo-a-crise-dos-metodos-contraceptivos-e-da-protecao-na-adolescencia/ Thu, 08 Sep 2016 13:10:19 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1361 Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez. Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém, sob a ótica emocional e cognitiva, ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas. Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção. Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”. “Talvez os adolescentes já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes relacionados à questão. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica. Além de não demonstrar medo das DSTs, Dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros de contracepção e para evitar doenças também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo, portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez e não em uma questão de direitos e decisões”, alerta. Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias – pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável. “Prevenir gravidez na adolescência é um processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio, estarão melhor capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui o hebiatra. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 08/09/2016. photo credit: Phil Date | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Stripey 3Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez.

Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém, sob a ótica emocional e cognitiva, ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas. Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção.

Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”. “Talvez os adolescentes já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes relacionados à questão. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica.

Além de não demonstrar medo das DSTs, Dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros de contracepção e para evitar doenças também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo, portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez e não em uma questão de direitos e decisões”, alerta.

Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias – pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável.

“Prevenir gravidez na adolescência é um processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio, estarão melhor capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui o hebiatra.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 08/09/2016.
photo credit: Phil Date | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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