Bullying – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 10 Sep 2024 17:51:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Bullying – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia Mundial da Prevenção do Suicídio https://spsp.org.br/dia-mundial-da-prevencao-do-suicidio/ Tue, 10 Sep 2024 17:48:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47956 O Dia Mundial da Prevenção do Suicídio ocorre no dia 10 de setembro e visa ampliar a conscientização da população acerca do tema. Esse debate é cada vez mais importante, sendo essa]]>

O Dia Mundial da Prevenção do Suicídio ocorre no dia 10 de setembro e visa ampliar a conscientização da população acerca do tema. Esse debate é cada vez mais importante, sendo essa a percepção da Sociedade de Pediatria de São Paulo, pois o suicídio, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma das principais causas de morte em todo o mundo e, entre jovens de 15 a 29 anos, a quarta causa de morte.

De partida, é fundamental reforçar que o suicídio tem causa multifatorial, em que interferem elementos psicológicos, sociais e culturais. Entre os fatores de risco para o suicídio mais conhecidos estão: transtornos mentais, dependências químicas, abusos, traumas, perdas econômicas e tentativas anteriores.

Diante desse cenário, é inevitável nos perguntarmos se é possível falar em efetivas medidas de prevenção. Cuidar da saúde mental, não só da criança, mas de todos que a cercam, é o primeiro passo desse caminho. A saúde mental precisa estar ligada aos cuidados cotidianos, onde a presença do cuidador demanda ser além da presença física, uma presença implicada, emocionalmente presente. Esse primeiro cuidado pode contribuir para que mais tarde, na adolescência, mesmo diante de tantos desafios para crescer e construir sua subjetividade, o jovem encontre amparo psíquico que lhe permita fazer escolhas e suportar as adversidades. Não é incomum que casos de bullying estejam conectados e façam parte do cenário de agravamento da saúde mental de um adolescente. O enfrentamento a essas situações sem dúvida é necessário. Para uma criança ou adolescente que experimenta maior dificuldade no enfrentamento de situações de angústia psíquica, o bullying pode se tornar um excesso impossível de ser suportado.

Vivemos em um país marcado por diferenças sociais e econômicas drásticas, no qual o acesso aos recursos de saúde, educação e moradia são muito desiguais, sendo possível assim imaginar o quão desafiador pode ser para muitas famílias administrarem suas exigentes jornadas de trabalhos e ainda assim cuidarem da saúde e bem-estar de seus vínculos familiares. É um enorme desafio!

Quando assistimos entristecidos os casos de suicídio em jovens, surgem as inúmeras perguntas e apontamentos automáticos, culpas e recomendações. Todo cuidado é pouco ao abordarmos tema tão delicado e complexo. Ao observarmos os fatores de risco para o suicídio, surge a recomendação para que jovens que estejam em evidente sofrimento sejam acompanhados e recebam auxílio psicológico. Porém, quando levamos em consideração a adolescência e a velocidade de transformações que ela imprime no indivíduo, podemos considerar que mesmo um jovem aparentemente ‘’bem-sucedido’’ do ponto de vista dos anseios sociais pode estar sofrendo grande pressão. Somadas a isso temos as crescentes exigências dos mercados de trabalho, os apelos estéticos e de consumo (impulsionados e veiculados pelas redes sociais), encaixando o jovem num ‘‘padrão’’: um aluno de alta performance, por exemplo, mas em franco sofrimento, ainda que não aparente. É importante, nesse sentido, nos atentarmos enquanto pais, profissionais de saúde e de educação, para outras formas de adoecimento menos evidentes, mas com grande potencial de risco. Estas situações descritas já são potencialmente deletérias e vêm moldando a forma de ser e sofrer dos jovens e dos adultos na atualidade. Também observamos, com certa frequência, que tanto os pais quanto os profissionais de saúde e de educação se veem perdidos frente aos seus impactos. Há um esgarçamento social em curso, no qual há carência de recursos de amparo no meio social mais amplo. E no desamparo procuramos e precisamos de amparo.

É importante considerar que o desenvolvimento, desde a infância, não se processa de forma linear e que ao longo da vida crianças e adolescentes podem evoluir ou regredir em função do modo como são cuidados e das adversidades que encontram pelo caminho. Crescimento não significa apenas ganhos e é preciso estar atento, porque eles podem dar sinais sutis de que não estão conseguindo elaborar os desafios e as perdas que o crescimento também implica.

Uma dessas vias de expressão de sofrimento é o corpo, que o adolescente utiliza para várias coisas e que está no cerne de sua relação com o mundo, o que podemos constatar não apenas no modo como a imagem é cultuada, mas também nos comportamentos de autolesão, e em última instância, no suicídio.

Na autolesão, o corpo se torna o cenário de expressão dos conflitos internos e de descarga das experiências emocionais dolorosas, o que propicia um alívio momentâneo, frente a vivência de um caos emocional e da dificuldade de transformá-lo em palavras. Com isso, o jovem continua conseguindo se manter agarrado à vida, à realidade que o circunda e ao grupo ao qual pertence. Mas, como o alívio é transitório, o ato tende se repetir, agravando o sofrimento.

O suicídio é o desfecho mais grave da junção entre um excesso de dor, de perturbação e de pressão emocional, de falta de sentido no viver, e revela um enfraquecimento dos vínculos reais do jovem com as pessoas que lhe são significativas e que poderiam lhe proporcionar os recursos de proteção.

Os recursos de proteção são construídos no meio familiar e social e estão intimamente relacionados com os vínculos afetivos na família, na escola e na comunidade na qual o jovem se insere, mas também estão atrelados às percepções e senso de si que ele constrói desde a infância: os sentimentos de autoestima, autoconfiança, as perspectivas de futuro e as habilidades afetivas, sociais e cognitivas.

O principal fator de proteção é o sentimento de estar conectado, numa relação de intimidade e confiança, bem-estar e apoio, de referência para as escolhas e enfrentamento dos desafios que a vida coloca. Em suma, saber que pode contar com alguém, ao longo do percurso da vida e não apenas nos momentos de crise ou de enorme sofrimento.

Ter um sentido para a vida previne e protege do suicídio.

 

Relatoras:
Cristiane da Silva Geraldo Folino
Flávia Schimith Escrivão
Vera da Penha M. Ferrari Rego Barros
Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Por que falar de bullying? https://spsp.org.br/por-que-falar-de-bullying/ Fri, 20 Oct 2023 18:17:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40290 Chegamos a mais um Dia Mundial de Combate ao Bullying, instituído em 20 de outubro. E por que precisamos de um dia para isto? Por que falar de bullying? Isso não existe desde sempre? Bullying é]]>

Chegamos a mais um Dia Mundial de Combate ao Bullying, instituído em 20 de outubro. E por que precisamos de um dia para isto? Por que falar de bullying? Isso não existe desde sempre?

Bullying é a situação em que uma pessoa promove o abuso de outra através da desigualdade de forças, de papéis, em que o agressor usa força física, ou constrangimento, para receber favores da vítima. Este tipo de situação é bastante frequente no âmbito escolar e não é novidade para ninguém. O bullying existe há muito tempo.

Nas últimas décadas, o assunto tem ganho mais atenção, por estar cada vez mais presente nas escolas e ruas, além de ter ganho uma nova proporção com o “extravasamento” do bullying pelas redes sociais, o chamado cyberbullying.

Esta nova vertente traz um agravamento das consequências para o agredido, pois este fica exposto não apenas nas situações internas da escola, como pode ser vítima de agressão por pessoas desconhecidas.

Traumas psicológicos, baixa autoestima, dificuldade de reconhecimento de sua própria identidade acabam afetando as vítimas, podendo contribuir para situações como autoagressão, depressão e tentativas de suicídio.

Devemos lembrar que o agressor também costuma ser vítima de violência, às vezes em casa ou em outros locais. Por isso é preciso atenção tanto ao agressor quanto à vítima.

A triste realidade é que muitos pais estão fora de casa, trabalhando e acabam desconectados com o que está acontecendo com seus filhos. Os pais precisam participar da vida escolar de seus filhos e frequentar as escolas. As equipes escolares devem estar atentas a sinais de violência e de desigualdade. Propor atividades em grupos, exaltando a importância do companheirismo e da participação pode ajudar a atenuar o problema. Ter canais abertos para denúncias e acolhimento de quem vivencia situações de bullying é essencial para minimizar a questão.

 

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas Escolas https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-ao-bullying-e-a-violencia-nas-escolas-2/ Mon, 10 Apr 2023 18:07:34 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36926 Dia 7 de abril é o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência. Neste ano, a data nos leva a refletir sobre os casos ocorridos nas últimas semanas em São Paulo, no]]>

Dia 7 de abril é o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência. Neste ano, a data nos leva a refletir sobre os casos ocorridos nas últimas semanas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.

A violência que ocorre na escola é reflexa à violência que acontece na sociedade, pois a escola é apenas um ecossistema pertencente ao todo. E a forma mais frequente que se apresenta na escola é o bullying.

O bullying, termo usado na língua inglesa, identifica a situação em que uma ou mais pessoas são submetidas à agressão física, moral ou verbal e cujas vítimas são humilhadas, ameaçadas, maltratadas, podendo gerar sintomas físicos, psicológicos e até dificuldade de convívio social.

A escola costuma ser o primeiro ambiente social em que a criança convive fora do lar. Nela, precisa aprender a conviver com os colegas (seus pares) e passará da atenção individualizada da família para o convívio coletivo com uma supervisão mais generalizada.

No início da escolarização é comum a criança visualizar na professora/tutora uma “segunda mãe”, uma pessoa a quem é importante ter afeto e conquistar sua atenção – no entanto, terá que disputá-la com diversas crianças, o que pode facilitar o surgimento de atritos.

É essencial para evitar o bullying que pais e responsáveis convivam com seus filhos e que conheçam a equipe escolar, assim como participem das atividades que envolvam as crianças e as famílias.

Construir uma boa autoestima, trabalhar as inseguranças que são próprias da infância, mostrar respeito pelos professores e por toda a equipe escolar são fundamentais, pois as crianças aprendem pelo exemplo e pela confiança. Trabalhar atividades com outras crianças da mesma faixa etária com supervisão de adultos confiáveis também ajuda no processo de amadurecimento social.

Aproveitando a comoção social que vem acontecendo com os casos bárbaros de violência recente, é essencial que cada escola discuta internamente e com a sociedade ao seu entorno, com pais, com associações de bairros, como enfrentar as situações de violência.

A constituição de comissões permanentes de prevenção de acidentes e violência é uma estratégia interessante para trabalhar o tema.

Não existem respostas fáceis à violência, porém a construção de debates que possam permitir trocas é fundamental. Exercer a tolerância e a democracia é essencial nestes momentos e orientar os filhos para isto seja, talvez, a mais importante lição que podemos realizar, a fim de prevenir a escalada de violência que nos afeta.

 

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio https://spsp.org.br/dia-mundial-de-prevencao-ao-suicidio/ Thu, 15 Sep 2022 17:54:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34398 ]]>

O dia 10 de setembro foi instituído como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O suicídio é um fenômeno humano complexo que representa um problema de saúde pública em todo o mundo. Existem vários comportamentos a ele relacionados, que vão desde a autoagressão ao gesto suicida, passando por ideias e tentativas de autoextermínio. Nos jovens que apresentam tentativas de suicídio, a ambivalência é comum: ao lado do desejo de morte, pode haver um pedido de ajuda.

A impulsividade característica da adolescência e o envolvimento com drogas de abuso constituem fatores de risco para o suicídio, bem como os transtornos mentais, pois a depressão maior se liga a pelo menos um terço dos casos, na população geral. O abuso de substâncias (principalmente álcool) está presente em cerca de um quarto dos casos e o transtorno bipolar do humor, a esquizofrenia e os transtornos de personalidade também apresentam alto índice de suicídios.

É importante não rotular o adolescente que tenta o suicídio, num momento de crise. Certos quadros e características ligadas a problemas muito próprios da fase, como ansiedade, autopercepção negativa e insatisfação corporal, bem como ser vítima de bullying ou cyberbullying, podem levar um jovem a desejar tirar sua vida. Ser excluído em seu contexto social, seja por problemas socioeconômicos, características raciais e sexuais ou abandono familiar, também podem ser estressores ligados ao problema.

No Brasil, as taxas de suicídio vêm subindo. A pandemia de Covid-19 aumentou a prevalência de doenças mentais, levando à previsão de um aumento da taxa de tentativas suicidas na população pediátrica (e também de modo geral) nos próximos anos.

Precisamos entender as tentativas de suicídio como aspectos de um problema maior: o sofrimento psíquico que pode culminar em condutas autodestrutivas. A adolescência é um momento de vulnerabilidade, em que é necessário fazer muitos lutos: separar-se simbolicamente dos pais e encarar o desafio de crescer e lidar com a sexualidade. Um bom acompanhamento nessa fase se faz necessário para, entre outras coisas, identificar possíveis transtornos mentais surgidos nesse momento.

Os estudos mostram que para cada suicídio completado há, em geral, várias tentativas anteriores. Estas são mais frequentes em adolescentes do sexo feminino, mas a diferença entre os sexos, no que tange a esta proporção, tem se reduzido com o tempo. Na população geral, há cerca de oito a dez tentativas para cada suicídio completado. Entre adolescentes, o número de tentativas é muito maior, em relação ao desfecho fatal. Tais dados demonstram a importância do tratamento adequado, das campanhas de prevenção e psicoeducação, bem como do trabalho de posvenção (apoio à rede de amigos e familiares após o suicídio de um membro), para reduzir as taxas de suicídio nos mais jovens.

  • Pontos importantes:

1 – O suicídio ainda é visto como tabu. Por isso a informação e a abordagem do problema em todas as instâncias envolvidas (escola, família e equipamentos de saúde) são importantes para identificar os casos, acolher e oferecer ajuda e tratamento aos jovens e crianças em sofrimento psíquico.

2 – Alterações de comportamento, isolamento social, ideias de autopunição, verbalizações pessimistas e de desistência da vida ou comportamentos de risco, devem ser vistos como sinais de alerta. O desejo de autolesão pode se ligar à impossibilidade de identificar soluções viáveis para os conflitos, optando-se pela morte como resposta ao estresse. Detectar e tratar adequadamente a depressão reduz as taxas de suicídio.

3 – Os serviços de saúde e profissionais, que atendem pessoas com tentativa de suicídio devem acompanhar estes pacientes pós-evento. Em geral, 15% a 25% das pessoas que tentam suicídio repetem a tentativa em um ano. A capacitação técnica dos profissionais e escolas visa detectar sinais e sintomas de depressão, sofrimento psíquico, uso de substâncias e problemas de ajustamento social no histórico do adolescente e criança.

4 – Devemos estar atentos aos antecedentes de doença mental, comportamento suicida, violência e discórdia familiar e situações de abuso físico e sexual sofridas pelos pacientes. Estes são fatores de risco para o suicídio em todas as faixas etárias. Comportamentos de risco também envolvem atitudes violentas e transgressoras do adolescente, agravadas em situação de vulnerabilidade social. A atitude parassuicida, que consiste em colocar-se em risco de acidentes ou brigas, pode expressar um desejo inconsciente de autoextermínio.

5 – O bullying é um fator de muito estresse para crianças e adolescentes e é pior tolerado por eles se há questões de autoestima. Redes sociais podem consistir em uma arena para o maltrato, quando o jovem se expõe buscando reconhecimento. Conteúdos ridicularizantes e fotos comprometedoras (como nudes) geram desmoralização e podem configurar “testes” que os grupos de adolescentes e pré-adolescentes fazem entre si. Aos pais, é importante considerar a maturidade do filho para os conteúdos e a exposição a telas, frequentemente inadequadas à sua faixa etária.

6 – Há recomendações da OMS para evitar alarde e sensacionalismo sobre casos de suicídio, para evitar estimular pessoas a repetir o comportamento. Porém, isso não significa que não se deva falar sobre o assunto. É importante cuidar e acolher pais, cuidadores e pares de crianças e adolescentes que tentam ou cometem suicídio. Em países que realizam campanhas de prevenção e há sistema de saúde mental eficiente, nota-se redução das taxas de suicídio e menor cronificação do problema, nos pacientes em que se nota a tendência à autoagressão como forma de lidar com o estresse e a dor psíquica.

 

A construção da autoestima é um processo complexo que envolve fatores ambientais, contexto social e vulnerabilidade individual. A valorização da vida, o esporte e a religião, a comunicação intrafamiliar e o apoio e o suporte ao ser em desenvolvimento são responsabilidade de todos, pois crianças e adolescentes necessitam de referências estáveis e de um ambiente que os acolha e os estimule. A resiliência e a capacidade de lidar com as adversidades da vida são aprendizados iniciados nos primeiros anos de vida, por meio da confiança básica no cuidado ambiental que leva à introjeção da capacidade de acreditar em si mesmo.

Porém, até a adolescência, as crises e eventos que levam ao sofrimento psíquico são oportunidades para que o indivíduo receba a ajuda necessária, e o pediatra tem papel fundamental no encaminhamento dos casos que apresentam maior risco de adoecimento mental.

 

Saiba mais:

  1. Cais CFS, Mello TMV, Barbosa MK.Macro e micro-olhares na prevenção do suicídio: um aprendizado de mão dupla. Rev Bras Psicanal [online]. 2019;53(4)[citado 2022-08-31]:193-206. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0486-641X2019000400013&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0486-641X.
  2. Cassorla RMS. Estudos sobre suicídio: Psicanálise e saúde mental. São Paulo: Blucher 2021.

 

Relatora:
Arianne Monteiro Melo Angelelli
Psiquiatra da Infância e Adolescência
Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: @dashu83 / br.freepik.com

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Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas Escolas https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-ao-bullying-e-a-violencia-nas-escolas/ Wed, 06 Apr 2022 18:48:48 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31925 No relacionamento interpessoal, com colegas que apresentam a mesma idade, é que podem aparecer relações desiguais, com a imposição de um ou mais alunos sobre outro(s), o chamado bullying. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 06/04/2022


Com o avanço de estudos na área da saúde escolar, pensamos cada vez mais que a escola compõe um ecossistema único, com muitas características próprias.

Nossos filhos em casa apresentam um comportamento que reflete seu papel social e que segue as regras, implícitas ou explícitas, que a família já possui. Quando se tornam alunos, passam a conviver com colegas, seus pares, além de novas figuras que desempenham autoridade como professores, inspetores, monitores e coordenadores. Também precisam cumprir seus deveres que são apresentados pela escola.

No relacionamento interpessoal, com colegas que apresentam a mesma idade, é que podem aparecer relações desiguais, com a imposição de um ou mais alunos sobre outro(s), o chamado bullying. Está imposição sempre tem um caráter de domínio sobre o outro, usando atributos físicos, grupos de apoio, preconceitos, entre outros, como modo de controlar o comportamento daquele que sofre o bullying.

É de suma importância que pais e professores, assim como toda equipe escolar, entendam que no bullying precisamos dar atenção, acolher, apoiar e ajudar tanto o agredido quanto o agressor. Não é raro que aquele que agride já tenha sido agredido anteriormente ou que vivencie situações de agressão em seu núcleo familiar. Como já diz o ditado popular: violência gera violência.

Em tempos de tanta desigualdade e de preconceitos, precisamos resgatar o diálogo com o outro. Atividades pedagógicas em que alunos possam falar, se expressar e serem acolhidos são fundamentais. Acolhimento da família, convívio com os pais e a construção da personalidade da criança com incentivos são importantes para que as crianças e adolescentes tenham uma atitude positiva quando desafiados.

No dia 7 de abril é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola – todos nós temos que estar muito atentos a estas questões todos os dias, não só nesta data e em todos os lugares onde a criança está – em casa, na escola, no parque, no clube…para que não sofra bullying e/ou qualquer forma de violência.

Precisamos ainda destacar que com o advento e a massificação das mídias sociais, o bullying pode extrapolar os limites da escola, no que chamamos de cyberbullying. Os efeitos deste tipo de situação são exponenciais, causando traumas ainda mais graves do ponto de vista psíquico. Todos somos responsáveis na prevenção desta tragédia.

 

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Presidente do DC de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 Foto: mdegt | depositphotos.com

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Sobre segurança e saúde nas escolas https://spsp.org.br/sobre-seguranca-e-saude-nas-escolas/ Fri, 08 Oct 2021 16:29:41 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=29970 No dia 10 de outubro comemora-se o Dia Nacional de Segurança e de Saúde nas Escolas. Nada melhor do que pensarmos nesta data a partir da vivência extremamente nova e desafiadora trazida pela pandemia de covid-19.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 08/10/2021


A escola constitui um ecossistema que é a ampliação do lar para a criança, onde ela pode desenvolver-se e aprender a usar suas habilidades físicas, emocionais e sociais. É um ambiente de construção que marca definitivamente a vida dos alunos.

Por isso, é de suma importância o envolvimento dos pais e da comunidade com as unidades escolares. Mais do que um “depósito” de crianças e adolescentes, para que tenham ocupação enquanto os pais trabalham, a escola deve ser um ponto de encontro e de apoio para a comunidade desenvolver programas de saúde e de segurança.

Se considerarmos que os fatores externos (acidentes e violência) são as principais causas de morte de crianças e adolescentes em idade escolar, o comprometimento da família e da comunidade com a equipe escolar faz-se muito necessário. Recomenda-se a criação em cada escola de Comissões de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (CIPAVE), com participação de pais, alunos, profissionais e professores, a fim de discutir e exercer o importante papel da promoção de saúde e de prevenção da violência – como o bullying e cyberbullying, por exemplo. Assim, ao construir uma cultura de paz com a participação democrática de todos, podemos trazer para a escola o papel de fórum comunitário, onde se promove a saúde e a segurança.

Pais, participem ativamente da vida escolar de seus filhos e motivem a comunidade a fazer o mesmo. Todos só terão a ganhar com isso.

Relator
Fausto Flor Carvalho
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: fam veldman | depositphotos.com

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Mídia: jogos e desafios online entre adolescentes https://spsp.org.br/midia-jogos-e-desafios-online-entre-adolescentes/ Tue, 26 Feb 2019 18:20:37 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2463 Os desafios presentes na Internet, conhecidos na Língua Inglesa como challenges ou dares, são um fenômeno cultural que envolve a realização de tarefas inusitadas por usuários da rede, com posterior transmissão e veiculação das mesmas, através de posts, fotos e vídeos. Esse fenômeno tem como objetivos:

• inspirar e provocar outros usuários a repetirem as tarefas;
• ser recompensado pelas mídias sociais a ter um comportamento “no limite”, através de mais visualizações, viralização do conteúdo, curtidas (likes), comentários e seguidores.

Muitos desafios e jogos são antigos e, conforme o tempo passa, são reinventados e relançados. Os jovens, fazendo parte desse ambiente impulsivo e altamente rotativo, não querem ficar excluídos das novidades e acabam se rendendo às tarefas. Como exemplos, podemos citar desde desafios como ingestão de canela em pó ou cápsulas de sabão líquido, até os que começam inofensivamente e podem culminar com a morte do participante.

O fenômeno do “desafio da baleia azul”, com 50 tarefas progressivamente perigosas, foi difundido no mundo todo entre 2016 e 2017, com relatos consideráveis de suicídios. Mais recentemente, houve o “desafio Momo”, em que instruções eram dadas através de ameaças da personagem Momo, incluindo chantagens, frases e fotos aterrorizantes distribuídas através das mídias sociais. Já no ano de 2019, o “desafio Bird Box” – inspirado em filme homônimo em que personagens sobrevivem vendados – estimula a realização de tarefas como dirigir sem enxergar.

O fenômeno dos desafios online pode ser classificado como uma “autoagressão imitativa”, ou seja, a pessoa imita a agressão realizada por outra (disfarçada de “tarefa”). Outros métodos de autoagressão, como a automutilação ou mesmo de agressão a outros e suicídio acabam sendo banalizados, vistos como comuns.

O cérebro do jovem está em desenvolvimento e é importante que nessa fase existam novas experiências, para que se adquira conhecimento e aprendizado. No entanto, a região cerebral responsável pelos pensamentos racionais (córtex pré-frontal) só termina de se desenvolver entre 20 e 30 anos de idade. Dessa maneira, os jovens são naturalmente mais impulsivos e fazem muitas coisas sem notar as consequências negativas.

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Esteja perto e crie vínculos

Conhecer os “desafios” do momento é importante para pais e mães de todas as faixas etárias:
• informe-se sobre o desafio, suas propostas, consequências e perigos;
• inicie diálogo com seu/sua adolescente perguntando se já ouviu falar, viu ou conhece alguém que realizou o desafio;
• pergunte sua opinião sobre o challenge. Alerte sobre as consequências através de conversa aberta e franca e tente estimular a habilidade de julgamento do risco;
• se perceber que existe intenção de participar dos desafios, estimule a pensar em cada passo, inclusive com as piores consequências possíveis, como: ficar doente, se machucar, machucar outros e até morrer. Nas mídias sociais também estão presentes os desafios que deram errado, que podem ser utilizados como exemplo. Será que vale a pena? Faça um convite à reflexão;
• acompanhe seu/sua jovem nas mídias sociais e tente ficar por dentro das novidades digitais;
• exerça seu poder parental ou de responsável sobre aquele indivíduo: se necessário, limite contato com colegas e possíveis ameaças/ameaçadores. O melhor controle que pode existir é ser próximo e criar vínculos;
• sempre procurar ajuda de profissional capacitado para pesquisar outros comportamentos prejudiciais e de sofrimento psíquico, como bullying e transtornos de humor, entre outros.

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Relatoras:
Dra. Bianca Rodrigues de Godoy Lundberg
Dra. Carolina Maria Soares Cresciúlo

Departamento Científico de Adolescência da SPSP.

Publicado em 26/02/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Cyberbullying: presidente da Sociedade de Pediatra de SP fala dos riscos aos jovens https://spsp.org.br/cyberbullying-presidente-da-sociedade-de-pediatra-de-sp-fala-dos-riscos-aos-jovens/ Tue, 20 Feb 2018 18:25:43 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1960 O que antes era tido como uma brincadeira entre amigos e aceito por pais e professores, transformou-se em um problema de proporções gigantesca. Crianças e adolescentes estão sendo humilhados continuamente nas escolas, nas ruas e, principalmente, no meio virtual – as chamadas redes sociais. São vítimas do bullying (palavra em inglês que significa intimidar, amedrontar), quando acontece no colégio, por exemplo, e cyberbullying, quando as agressões são feitas na internet, em e-mails e posts. Segundo pesquisa da ONG Plan, 69% das vítimas do bullying tem entre 12 e 14 anos. “O bullying é uma forma de agressão física ou psicológica sempre intencional, às vezes repetidamente. Pode ser de uma pessoa ou de várias tendo como vítimas uma pessoa ou diversas e acontece nos mais diversos lugares da comunidade. Nos últimos anos, vimos o nascer do cyberbullying, que passa a existir como ferramenta de agressão nos meios eletrônicos. Na verdade, o bullying é uma prática – infelizmente – secular, embora esse nome tenha surgido na década de 1980”, constata o pediatra e advogado Claudio Barsanti, presidente da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo). Segundo ele, estudos apontam que essa prática já se transformou na mais comum forma de violência entre crianças e adolescentes. “O bullying e o cyberbullying tornaram-se um problema de saúde pública, pois temos visto até suicídio de adolescentes que foram vítimas desse tipo de agressão”, destaca. Em geral, as vítimas são aquelas que apresentam alguma diferença com os demais do grupo. Essas diferenças podem ser psicológicas, físicas ou biológicas. São tímidas ou pouco sociáveis e têm baixa autoestima, o que agrava a situação. São incapazes de reagir e não reclamam por medo de ficarem sem acesso à rede. Os agredidos podem desenvolver doenças como angústia, ataques de ansiedade, transtorno do pânico, depressão, anorexia e bulimia. Com a internet, o bullying passou de restrito a poucos para atingir um público incontável, pois as redes sociais disseminam as agressões de maneira incontrolável e com muita rapidez, além de permanecer nos meios virtuais para sempre. “A principal diferença entre o bulying e o cyberbullying é que no segundo existe a falsa ideia do anonimato, mas ele pode ser caracterizado como crime e os pais dos agressores podem ser responsabilizados”, explica Barsanti. Já o agressor, ressalta o presidente da SPSP, se sente mais importante e poderoso quando pratica esse tipo de ação. “O agressor tem dificuldade em assumir os problemas e os esconde agindo dessa maneira. Ele é incapaz de dialogar e pode ter sido vítima antes de se tornar um agressor”, informa. Além da vítima e do agressor, o bullying precisa de um terceiro personagem para sobreviver, o espectador – aquelas pessoas que assistem aos vídeos, leem os posts, riem das vítimas e divulgam as agressões. Barsanti adverte: “as mensagens podem ser utilizadas em juízo como prova de crime conforme previsto na lei 13.185, de 2015”.   ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 20/02/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O que antes era tido como uma brincadeira entre amigos e aceito por pais e professores, transformou-se em um problema de proporções gigantesca. Crianças e adolescentes estão sendo humilhados continuamente nas escolas, nas ruas e, principalmente, no meio virtual – as chamadas redes sociais.

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São vítimas do bullying (palavra em inglês que significa intimidar, amedrontar), quando acontece no colégio, por exemplo, e cyberbullying, quando as agressões são feitas na internet, em e-mails e posts. Segundo pesquisa da ONG Plan, 69% das vítimas do bullying tem entre 12 e 14 anos.

“O bullying é uma forma de agressão física ou psicológica sempre intencional, às vezes repetidamente. Pode ser de uma pessoa ou de várias tendo como vítimas uma pessoa ou diversas e acontece nos mais diversos lugares da comunidade. Nos últimos anos, vimos o nascer do cyberbullying, que passa a existir como ferramenta de agressão nos meios eletrônicos. Na verdade, o bullying é uma prática – infelizmente – secular, embora esse nome tenha surgido na década de 1980”, constata o pediatra e advogado Claudio Barsanti, presidente da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo).

Segundo ele, estudos apontam que essa prática já se transformou na mais comum forma de violência entre crianças e adolescentes. “O bullying e o cyberbullying tornaram-se um problema de saúde pública, pois temos visto até suicídio de adolescentes que foram vítimas desse tipo de agressão”, destaca.

Em geral, as vítimas são aquelas que apresentam alguma diferença com os demais do grupo. Essas diferenças podem ser psicológicas, físicas ou biológicas. São tímidas ou pouco sociáveis e têm baixa autoestima, o que agrava a situação. São incapazes de reagir e não reclamam por medo de ficarem sem acesso à rede. Os agredidos podem desenvolver doenças como angústia, ataques de ansiedade, transtorno do pânico, depressão, anorexia e bulimia.

Com a internet, o bullying passou de restrito a poucos para atingir um público incontável, pois as redes sociais disseminam as agressões de maneira incontrolável e com muita rapidez, além de permanecer nos meios virtuais para sempre. “A principal diferença entre o bulying e o cyberbullying é que no segundo existe a falsa ideia do anonimato, mas ele pode ser caracterizado como crime e os pais dos agressores podem ser responsabilizados”, explica Barsanti.

Já o agressor, ressalta o presidente da SPSP, se sente mais importante e poderoso quando pratica esse tipo de ação. “O agressor tem dificuldade em assumir os problemas e os esconde agindo dessa maneira. Ele é incapaz de dialogar e pode ter sido vítima antes de se tornar um agressor”, informa.

Além da vítima e do agressor, o bullying precisa de um terceiro personagem para sobreviver, o espectador – aquelas pessoas que assistem aos vídeos, leem os posts, riem das vítimas e divulgam as agressões.

Barsanti adverte: “as mensagens podem ser utilizadas em juízo como prova de crime conforme previsto na lei 13.185, de 2015”.

 

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 20/02/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Como lidar com o conflito de gênero em uma criança https://spsp.org.br/como-lidar-com-o-conflito-de-genero-em-uma-crianca/ Tue, 07 Nov 2017 18:41:25 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1846 Cada vez mais a questão da identidade de gênero vem deixando de ser um tabu para se firmar como um assunto sério a ser enfrentado pela família, com a necessidade de buscar apoio e acompanhamento de especialistas. Muitas vezes, esse tipo de transtorno se manifesta na infância, o que requer dos pais um cuidado especial para lidar com o caso e garantir um desenvolvimento saudável para os filhos. Por volta dos 3 ou 4 anos de idade, a criança já tem desenvolvida uma imagem de si mesma, uma percepção de sua individualidade e das diferenças com os outros a sua volta. É nesse período que se estabelece a noção de ser menino ou menina, a partir da identificação com o feminino, representado pela figura da mãe, ou ao masculino, que está relacionado ao pai. O fato de um menino gostar de brinquedos geralmente vistos como femininos, como bonecas ou utensílios de cozinha, ou de uma menina se sentir bem ao vestir ou usar acessórios ditos masculinos, mesmo após os 4 anos de idade, com essa noção já estabelecida, não indica, necessariamente, um conflito de gênero. Esse comportamento pode ser uma forma de buscar entender as diferenças se colocando no lugar do outro sexo, ou então uma maneira de refletir situações que vivem no dia a dia: as bonecas representam as pessoas que fazem parte do convívio, os pequenos fogões, panelas e xícaras reproduzem os objetos que os adultos usam nos cuidados com os filhos, os carrinhos imitam os veículos dos pais ou os que veem nas ruas e assim por diante. “O conflito se configura, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM V), quando essas manifestações ou atividades passam a ser constantes, persistentes e não esporádicas, quando estão associadas a outros sentimentos como ansiedade, desconforto consigo mesmo, agressividade no trato com as questões ligadas aos papéis de gênero, quando há manifestação de intenso sofrimento por pertencer ao sexo atribuído ao nascimento, quando há um desagrado quanto à sua própria anatomia e quando há um desejo, constantemente manifesto, em ser de outro sexo ou uma certeza de ser do sexo oposto. É preciso estar atento, pois essa condição pode estar associada não só a um significativo sofrimento, mas também a um prejuízo no funcionamento social ou em outras áreas importantes na vida da criança, uma vez que coloca em evidência questões muito complexas, frente às quais ainda encontramos muita desinformação, preconceito, pouca compreensão e pouco acolhimento”, explica a psicóloga Vera Ferrari Rego Barros, presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). O diagnóstico de conflito de gênero envolve não só a percepção, o entendimento e a aceitação da própria criança como também de seus pais e do círculo familiar mais amplo, além dos amigos, colegas e professores. Isso pode envolver, a longo prazo, uma mudança na forma de se vestir, agir, brincar e fazer parcerias, entre outras manifestações. Com esse novo comportamento, a criança pode ser isolada pelos colegas por puro desconhecimento, preconceito ou receio, e também ser discriminada, o que pode resultar em bullying na fase escolar. A posição da escola a esse respeito, aliás, é essencial para que os pais possam, juntamente com os educadores, encontrar uma forma de trabalhar a questão das diferenças de gênero com os alunos. Buscar ajuda “Os pais devem considerar buscar toda a ajuda de que precisarem para lidar com essa modificação que se introduziu na vida de todos e envolve ações para toda a vida. É um percurso trilhado em conjunto com o filho ou a filha, no qual a própria compreensão e aceitação das diferenças por eles poderá ser transmitida e trabalhada com a criança para que ela se tranquilize com a sua condição, não fazendo disso um entrave para o seu desenvolvimento psíquico e social. O fato de desejar ser de outro sexo com tanta força não é acompanhado, necessariamente, de tranquilidade para lidar com o seu novo visual, suas novas preferências, sua nova forma de brincar ou se relacionar com o meio social. As diferenças, de qualquer tipo, sempre podem causar desconforto em quem vive a situação e certa intolerância em quem convive com a criança, gerando reações ou brincadeiras potencialmente danosas”, acrescenta a especialista. Também é necessário, durante todo o período de desenvolvimento e maturação da criança, o acompanhamento de um pediatra. Com a ciência desse médico sobre a condição de transtorno de identidade de gênero, é possível uma intervenção com maior sucesso para ajudar a família a expressar e esclarecer suas dúvidas e reassegurar aos pais sua capacidade de criar e educar o filho ou a filha, mesmo com as diferenças trazidas pelo conflito. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 7/11/2017. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Cada vez mais a questão da identidade de gênero vem deixando de ser um tabu para se firmar como um assunto sério a ser enfrentado pela família, com a necessidade de buscar apoio e acompanhamento de especialistas. Muitas vezes, esse tipo de transtorno se manifesta na infância, o que requer dos pais um cuidado especial para lidar com o caso e garantir um desenvolvimento saudável para os filhos.

Por volta dos 3 ou 4 anos de idade, a criança já tem desenvolvida uma imagem de si mesma, uma percepção de sua individualidade e das diferenças com os outros a sua volta. É nesse período que se estabelece a noção de ser menino ou menina, a partir da identificação com o feminino, representado pela figura da mãe, ou ao masculino, que está relacionado ao pai.

menchu | Pixabay

O fato de um menino gostar de brinquedos geralmente vistos como femininos, como bonecas ou utensílios de cozinha, ou de uma menina se sentir bem ao vestir ou usar acessórios ditos masculinos, mesmo após os 4 anos de idade, com essa noção já estabelecida, não indica, necessariamente, um conflito de gênero. Esse comportamento pode ser uma forma de buscar entender as diferenças se colocando no lugar do outro sexo, ou então uma maneira de refletir situações que vivem no dia a dia: as bonecas representam as pessoas que fazem parte do convívio, os pequenos fogões, panelas e xícaras reproduzem os objetos que os adultos usam nos cuidados com os filhos, os carrinhos imitam os veículos dos pais ou os que veem nas ruas e assim por diante.

“O conflito se configura, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM V), quando essas manifestações ou atividades passam a ser constantes, persistentes e não esporádicas, quando estão associadas a outros sentimentos como ansiedade, desconforto consigo mesmo, agressividade no trato com as questões ligadas aos papéis de gênero, quando há manifestação de intenso sofrimento por pertencer ao sexo atribuído ao nascimento, quando há um desagrado quanto à sua própria anatomia e quando há um desejo, constantemente manifesto, em ser de outro sexo ou uma certeza de ser do sexo oposto. É preciso estar atento, pois essa condição pode estar associada não só a um significativo sofrimento, mas também a um prejuízo no funcionamento social ou em outras áreas importantes na vida da criança, uma vez que coloca em evidência questões muito complexas, frente às quais ainda encontramos muita desinformação, preconceito, pouca compreensão e pouco acolhimento”, explica a psicóloga Vera Ferrari Rego Barros, presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

O diagnóstico de conflito de gênero envolve não só a percepção, o entendimento e a aceitação da própria criança como também de seus pais e do círculo familiar mais amplo, além dos amigos, colegas e professores. Isso pode envolver, a longo prazo, uma mudança na forma de se vestir, agir, brincar e fazer parcerias, entre outras manifestações.

Com esse novo comportamento, a criança pode ser isolada pelos colegas por puro desconhecimento, preconceito ou receio, e também ser discriminada, o que pode resultar em bullying na fase escolar. A posição da escola a esse respeito, aliás, é essencial para que os pais possam, juntamente com os educadores, encontrar uma forma de trabalhar a questão das diferenças de gênero com os alunos.

Buscar ajuda

“Os pais devem considerar buscar toda a ajuda de que precisarem para lidar com essa modificação que se introduziu na vida de todos e envolve ações para toda a vida. É um percurso trilhado em conjunto com o filho ou a filha, no qual a própria compreensão e aceitação das diferenças por eles poderá ser transmitida e trabalhada com a criança para que ela se tranquilize com a sua condição, não fazendo disso um entrave para o seu desenvolvimento psíquico e social. O fato de desejar ser de outro sexo com tanta força não é acompanhado, necessariamente, de tranquilidade para lidar com o seu novo visual, suas novas preferências, sua nova forma de brincar ou se relacionar com o meio social. As diferenças, de qualquer tipo, sempre podem causar desconforto em quem vive a situação e certa intolerância em quem convive com a criança, gerando reações ou brincadeiras potencialmente danosas”, acrescenta a especialista.

Também é necessário, durante todo o período de desenvolvimento e maturação da criança, o acompanhamento de um pediatra. Com a ciência desse médico sobre a condição de transtorno de identidade de gênero, é possível uma intervenção com maior sucesso para ajudar a família a expressar e esclarecer suas dúvidas e reassegurar aos pais sua capacidade de criar e educar o filho ou a filha, mesmo com as diferenças trazidas pelo conflito.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 7/11/2017.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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