Brincar – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 26 Aug 2026 10:18:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Brincar – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Educação é direito e cuidado https://spsp.org.br/educacao-e-direito-e-cuidado/ Tue, 25 Aug 2026 17:37:53 +0000 https://spsp.org.br/?p=58538 Celebrar o Dia Nacional da Educação Infantil, em 25 de agosto, é lembrar que educar não significa apenas transmitir conteúdos. Desde os primeiros anos de vida, educação é cuidado, vínculo, estímulo à curiosidade e oportunidade de desenvolver capacidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas. A educação infantil, prevista na Lei de Diretrizes e Bases, deve promover o desenvolvimento integral da criança, em parceria com a família e a comunidade.1 O Brasil tem uma rede ampla e diversa. O Censo Escolar 2025 registrou 46 milhões de matrículas na educação básica, sendo 9,2 milhões na educação infantil e 25,8 milhões no ensino fundamental. Também contabilizou 2,5 milhões de matrículas na educação especial. Esses números revelam avanços, mas não garantem, sozinhos, uma experiência educacional de qualidade. Persistem diferenças importantes entre regiões, cidades, áreas urbanas e rurais, redes públicas e privadas e grupos definidos por renda, raça, deficiência e condições de moradia.2 Na infância, os desafios se tornam ainda mais complexos. Professores e profissionais de saúde acompanham crianças com diferentes ritmos de aprendizagem e transtornos do desenvolvimento, como autismo, deficiência intelectual, TDAH e dificuldades de linguagem. Identificar sinais precocemente é importante, mas não devemos transformar toda diferença em doença. O caminho é observar, escutar a família, avaliar com cuidado e construir, com a escola, estratégias individualizadas de apoio e inclusão. A criança precisa de recursos e oportunidades, não de rótulos que limitem seu futuro. Outro desafio atual é o uso excessivo de telas. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas até os dois anos e, dos dois aos cinco, limitar seu uso a até uma hora diária, sempre com a presença de um adulto. Mais importante que contar minutos é proteger o sono, as refeições, o movimento, a leitura, o brincar e a convivência olho no olho. A escola também pode estabelecer regras claras, formar educadores e orientar as famílias, sem culpar quem enfrenta rotinas exaustivas ou falta de espaços seguros para brincar.3 Solucionar esses problemas exige investimento contínuo em creches e escolas, valorização e formação dos professores, equipes multiprofissionais, acessibilidade, transporte, alimentação e políticas que reduzam a pobreza. Exige ainda aproximar pediatras, educadores e famílias, compartilhando observações e responsabilidades. Educação de qualidade não é privilégio nem tarefa isolada: é uma construção coletiva e um compromisso com a saúde, a autonomia e a cidadania. Defender esse direito é oferecer a cada criança a possibilidade real de aprender, participar e florescer. Saiba mais: Relator:Fausto Flor CarvalhoVice-Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

Celebrar o Dia Nacional da Educação Infantil, em 25 de agosto, é lembrar que educar não significa apenas transmitir conteúdos. Desde os primeiros anos de vida, educação é cuidado, vínculo, estímulo à curiosidade e oportunidade de desenvolver capacidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas. A educação infantil, prevista na Lei de Diretrizes e Bases, deve promover o desenvolvimento integral da criança, em parceria com a família e a comunidade.1

O Brasil tem uma rede ampla e diversa. O Censo Escolar 2025 registrou 46 milhões de matrículas na educação básica, sendo 9,2 milhões na educação infantil e 25,8 milhões no ensino fundamental. Também contabilizou 2,5 milhões de matrículas na educação especial. Esses números revelam avanços, mas não garantem, sozinhos, uma experiência educacional de qualidade. Persistem diferenças importantes entre regiões, cidades, áreas urbanas e rurais, redes públicas e privadas e grupos definidos por renda, raça, deficiência e condições de moradia.2

Na infância, os desafios se tornam ainda mais complexos. Professores e profissionais de saúde acompanham crianças com diferentes ritmos de aprendizagem e transtornos do desenvolvimento, como autismo, deficiência intelectual, TDAH e dificuldades de linguagem. Identificar sinais precocemente é importante, mas não devemos transformar toda diferença em doença. O caminho é observar, escutar a família, avaliar com cuidado e construir, com a escola, estratégias individualizadas de apoio e inclusão. A criança precisa de recursos e oportunidades, não de rótulos que limitem seu futuro.

Outro desafio atual é o uso excessivo de telas. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas até os dois anos e, dos dois aos cinco, limitar seu uso a até uma hora diária, sempre com a presença de um adulto. Mais importante que contar minutos é proteger o sono, as refeições, o movimento, a leitura, o brincar e a convivência olho no olho. A escola também pode estabelecer regras claras, formar educadores e orientar as famílias, sem culpar quem enfrenta rotinas exaustivas ou falta de espaços seguros para brincar.3

Solucionar esses problemas exige investimento contínuo em creches e escolas, valorização e formação dos professores, equipes multiprofissionais, acessibilidade, transporte, alimentação e políticas que reduzam a pobreza. Exige ainda aproximar pediatras, educadores e famílias, compartilhando observações e responsabilidades. Educação de qualidade não é privilégio nem tarefa isolada: é uma construção coletiva e um compromisso com a saúde, a autonomia e a cidadania. Defender esse direito é oferecer a cada criança a possibilidade real de aprender, participar e florescer.

Saiba mais:

  1. [gov](https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/saeb/dia-nacional-da-educacao-infantil-e-celebrado-nesta-segunda-25)
  2. [gov](https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/censo-escolar/conheca-o-perfil-dos-46-milhoes-de-estudantes-da-educacao-basica-no-dia-do-estudante/)
  3. [sbp.com](https://www.sbp.com.br/nova-lei-sobre-protecao-digital-reforca-recomendacoes-da-sbp-para-a-primeira-infancia/)

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Vice-Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Celebrar a diversidade é poder garantir plenitude e igualdade de direitos https://spsp.org.br/celebrar-a-diversidade-e-poder-garantir-plenitude-e-igualdade-de-direitos/ Tue, 09 Dec 2025 18:47:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54484 O Dia Nacional da Criança com Deficiência, instituído em 9 de dezembro, representa um marco significativo no calendário brasileiro]]>

O Dia Nacional da Criança com Deficiência, instituído em 9 de dezembro, representa um marco significativo no calendário brasileiro de conscientização social da neurodiversidade. A data apresenta o propósito fundamental de destacar o que a sociedade e o Estado podem fazer para que crianças com deficiência alcancem seu pleno desenvolvimento, inclusão e participação na sociedade.

Hoje, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), temos cerca de 4 milhões de crianças entre 0 e 14 anos com deficiência, um número significativo, que mostra o quanto podemos nos juntar por um Brasil mais inclusivo e conscientemente diverso.

Apesar dos avanços legislativos, as crianças com deficiência ainda enfrentam disparidades significativas. Pesquisas indicam que este grupo apresenta 24% menos probabilidade de receber intervenção precoce; 42% menos probabilidade de ter habilidades básicas de leitura; e maior propensão à desnutrição. Na educação, as disparidades são ainda mais preocupantes: 63,1% das pessoas com deficiência com 25 anos ou mais não completaram o ensino fundamental, comparadas a 32,3% entre pessoas sem deficiência. Apenas 7,4% das pessoas com deficiência concluíram o ensino superior, em contraste com 19,5% entre pessoas sem deficiência.

Esses números podem e devem mudar, não apenas pelo acesso das pessoas com deficiência, mas principalmente pela quebra de barreiras atitudinais de pessoas sem deficiência. Promover a inclusão pela diversidade de SER e viver o aprendizado é poder acreditar que porcentagens se multipliquem pelas oportunidades e resultem em equidade.

A importância do Dia Nacional da Criança com Deficiência transcende a data comemorativa, os ambientes verdadeiramente inclusivos quebram estereótipos e preconceitos, promovendo uma cultura de respeito à diferença. O brincar é essencial para o desenvolvimento pleno do ser humano e somente em ambientes inclusivos essas oportunidades são reais e impactam positivamente. 

Para que este dia promova transformações, é necessário investimento sistemático em capacitação de profissionais, infraestrutura de acessibilidade e políticas de sensibilização e ação. Esta data simboliza um compromisso coletivo com uma nação que respeita a diversidade, reconhece potencialidades e constrói oportunidades. Promover o brincar junto neste e em todos os outros dias é validar o mundo para TODOS!

 

Relatora:
Ana Claudia Brandão
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da SPSP

 

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Bem-estar mental da criança: um modo de existir, compreender e transformar a realidade https://spsp.org.br/bem-estar-mental-da-crianca-um-modo-de-existir-compreender-e-transformar-a-realidade/ Fri, 10 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53484 A Organização Mundial da Saúde define saúde mental como um estado de “bem-estar mental que permite à pessoa lidar com o estresse da ]]>

A Organização Mundial da Saúde define saúde mental como um estado de “bem-estar mental que permite à pessoa lidar com o estresse da vida, realizar as suas capacidades, aprender bem e trabalhar bem, e contribuir para a sua comunidade”.* Definir saúde mental, no entanto, não é tarefa fácil, pois para além do resultado produtivo (aprender bem, trabalhar bem e contribuir para a comunidade), ela se relaciona à maneira como as pessoas reagem às adversidades e a sua sensação de bem-estar no mundo.

Quando olhamos para a infância, esse conceito ganha novas nuances, referindo-se ao bem-estar emocional e social, que pode ser observado na maneira como a criança se desenvolve, aprende, relaciona-se com seus pares e familiares e lida com os problemas. A saúde mental da criança não se mede por desempenho ou obediência, mas pela sua capacidade de imaginar, de se expressar e brincar.

O brincar é, para ela, um modo de existir, compreender e transformar a realidade. A criança emocionalmente saudável sente-se segura para explorar o mundo e confia nos adultos que ama. Sabe que será acolhida quando os problemas aparecerem ou quando se sentir triste, com medo ou mesmo com raiva.

Ao nascer, embora já tenhamos uma série de experiências da nossa vida no útero materno, somos seres extremamente frágeis, totalmente dependentes dos cuidados de quem nos acolhe. Nascemos inacabados – e também assim partimos, pois nunca estamos prontos –, e será por meio das interações que vivenciamos que nos constituiremos.

Na nossa fragilidade inicial, entretanto, está nossa potência: nossa diversidade. Nascemos para todas as línguas, para todas as culturas, para todos os ambientes. As interações que experienciamos nos primeiros anos de vida formam caminhos que deixam uma assinatura única no nosso cérebro. Somos seres plurais, mas totalmente singulares – fruto da experiência dos que nos antecederam e do nosso tempo, porém completamente únicos. Nunca, em nenhum outro momento, existirá alguém igual a nós.

Somos seres geneticamente sociais, já dizia Wallon; a interdependência, portanto, não é uma característica apenas da criança. É um pressuposto do humano, aliás do universo.

No dia 10 de outubro, em que se comemora o Dia Mundial da Saúde Mental – no mesmo mês do Dia das Crianças -, desejamos que não falemos sobre doenças mentais, diagnósticos ou riscos. Desejamos que todas as mães e pais confiem na sua potencialidade e menos nas milhares de receitas sobre como criar as crianças, das quais eles, pais, são os maiores conhecedores. Desejamos que todos nós aceitemos que, algumas vezes, as coisas podem não dar certo – e que os erros também são importantes para a saúde mental humana. Desejamos que celebremos as pequenas alegrias, as conexões reais, a beleza da vida.

Que possamos nos encantar com os instantes do cotidiano sem que precisemos fotografá-los e que tenhamos uma imensa gratidão por termos a oportunidade de cuidar das crianças e, pelo menos em alguns momentos, olharmos o mundo com os olhares delas. Que possamos, enfim, “transver” o mundo!

 

Saiba mais:

* OMS, 2022: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-strengthening-our-response.

 

Relatora:
Rosa Resegue
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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O brincar como essência da infância – e da vida https://spsp.org.br/o-brincar-como-essencia-da-infancia-e-da-vida/ Wed, 28 May 2025 11:10:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51541 “A infância é um chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias” Lya Luft 28 de maio é o Dia Internacional do Brincar. Quando falamos sobre o desenvolvimento]]>

“A infância é um chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias”

Lya Luft

 28 de maio é o Dia Internacional do Brincar. Quando falamos sobre o desenvolvimento saudável das crianças, uma palavra se impõe com força e leveza ao mesmo tempo: brincar. Mais do que um passatempo, o brincar é linguagem, é afeto, é descoberta. Ele está presente desde os primeiros dias de vida – no sorriso que provoca o balbucio do bebê, na exploração das mãos, no esconder e aparecer do rosto etc. Cresce com a criança, transforma-se com ela e a acompanha até a vida adulta, ainda que em novas formas e “roupagens”.

Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, nomes como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Donald Winnicott ajudaram a consolidar a ideia de que o brincar não é apenas reflexo do desenvolvimento, mas também um motor fundamental para que ele aconteça. Piaget via no jogo simbólico uma forma de construção do pensamento. Vygotsky destacava a importância do faz-de-conta como espaço de criação de sentido e mediação cultural. Já Winnicott nos presenteou com a noção de “espaço potencial”, um território de transição entre o mundo interno e o mundo real, acessado justamente por meio do brincar.

Do olhar da educação, o brincar é campo de aprendizagem rica e espontânea. Crianças aprendem regras, limites, cooperação, criatividade e resiliência ao brincar – aspectos que nenhuma tela é capaz de transmitir com a mesma intensidade. Quando uma criança constrói com blocos, negocia papéis em uma brincadeira de faz-de-conta ou se equilibra em um tronco no parque, ela está desafiando a si mesma, desenvolvendo habilidades cognitivas, sociais e motoras. Aprendendo a viver em sociedade.

Num mundo cada vez mais digital, é urgente lembrar que brincar é também um antídoto. O excesso de telas tem se mostrado nocivo ao desenvolvimento infantil, afetando sono, atenção, linguagem e saúde emocional. Ao incentivar o brincar livre – dentro e fora de casa, com adultos ou com outras crianças – estamos não apenas resgatando a infância, mas oferecendo uma poderosa alternativa para reduzir o tempo de exposição às telas.

É papel de todos nós – pais, pediatras, educadores e profissionais da saúde – proteger esse tempo sagrado do brincar. Isso não exige brinquedos caros nem espaços sofisticados. Brincar pode ser inventar uma história com panos e almofadas, pular corda, criar uma cabana com cadeiras e lençóis ou simplesmente correr descalço no quintal. Mais do que o objeto, é o vínculo, o tempo disponível e o ambiente seguro que fazem do brincar uma experiência transformadora.

O brincar não se esgota na infância. Ele reaparece nas brincadeiras entre adolescentes, nos jogos de tabuleiro em família, no teatro, na música, nas expressões lúdicas da vida adulta. Manter viva essa dimensão do brincar é preservar o que há de mais humano em nós: a capacidade de criar, imaginar e se relacionar de forma genuína.

Em tempos de pressa, agendas cheias e estímulos digitais por todos os lados, brincar é também um ato de resistência, de permitir-se estar presente, de olhar nos olhos, de rir junto, de aprender com o outro.

E para a criança, isso não é um luxo. É uma necessidade.

 

Relator:

Fernando Lamano Ferreira
Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Brincar com as ideias https://spsp.org.br/brincar-com-as-ideias/ Fri, 28 Mar 2025 14:24:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50732 ]]>

Os contos de fadas descrevem “estados mentais” por meio de imagens e ações. Basta, por exemplo, dizer que “Cinderela todos os dias ia ao túmulo da mãe e chorava”, para externar o grau de infelicidade; ou, dizer que “o herói estava perdido numa floresta impenetrável e densa, sem saber que caminho tomar, desesperado para encontrar uma saída”, para descrever o estado de desconforto.

Um bom conto de fadas deve ter algumas características essenciais: fantasia, recuperação, escape, ameaça à existência física e moral do herói (ou heroína) e consolo profundo, características salientadas por Tolkien e Bruno Bettelheim*. Os contos de fadas apontam em geral, para uma reviravolta feliz, na qual o herói (ou heroína) se sente recompensado (após tanto desconforto e medo) e a pessoa má encontra a merecida sorte, a punição da maldade, para satisfazer o senso comum de justiça. O consolo se completa com a volta ao lar, com o encontro da(o) amada(o), a posse do reino – onde não há sensação de abandono algum.

Toda criança acredita em magia, mas deixa de fazê-lo quando cresce. Por isso, é infundada a preocupação de alguns pais de que a exposição aos contos de fadas possa levar ao arrebatamento de seus filhos pelas fantasias e que passem a crer em encantamentos. Outros temem que a saturação da mente infantil por contos de fadas as atrapalhe a lidar com a realidade. O oposto é que é verdadeiro: as fantasias contêm, sob a forma de imaginação, uma variedade de questões também encontradas na realidade. As fantasias alimentam o ego,  oferecendo um abundante material com que trabalhar, tornando-se essenciais para a formação da personalidade e ajudam a moldar a forma de como ver o mundo.

Os pensamentos de uma criança pequena não acontecem de um modo ordenado, como os do adulto – as fantasias da criança são seus pensamentos. Quando uma criança tenta entender a si própria e aos outros, ou imaginar quais as consequências possíveis de uma ação, ela tece fantasias em torno dessas questões. É sua maneira de “brincar com as ideias”.

Sem fantasias para nos dar esperanças, não temos força para enfrentar as adversidades da vida. A infância é a época em que essas fantasias precisam ser alimentadas. Os contos de fadas são uma ferramenta extraordinária para atingir esse objetivo.

 

Saiba mais:

– J. R. Tolkien. Tree and leaf. Boston: Houghton Mifflin, 1965.

– De Bettelheim, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2009.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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O poder transformador do brincar na vida de todos https://spsp.org.br/o-poder-transformador-do-brincar-na-vida-de-todos/ Tue, 28 May 2024 17:43:30 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46271 Você pode ter notado que, nos últimos tempos, grandes ou pequenas cidades vêm adotando em seus calendários o Dia ou até a Semana do Brincar. Pode ser difícil de entender que brincar]]>

Você pode ter notado que, nos últimos tempos, grandes ou pequenas cidades vêm adotando em seus calendários o Dia ou até a Semana do Brincar. Pode ser difícil de entender que brincar seja uma atividade que mereça passar por votação em Câmaras Municipais de Vereadores, mas isso vem ocorrendo, especialmente depois da pandemia que revolucionou o comportamento das pessoas.

O fato é que, no Brasil, a Associação Brasileira de Brinquedotecas é uma entidade sem fins lucrativos, que existe desde 1985, trabalhando para que as crianças tenham o direito de brincar em diversos ambientes, desde escolas até hospitais. Em função da importância que o brincar tem na vida de todos, comemora-se o Dia Mundial do Brincar no dia 28 de maio. O Dia Internacional do Brincar foi criado durante a 8ª Conferência Internacional de Ludotecas em Tóquio, no ano de 1999, por iniciativa da presidente da International Toy Library Association (ITLA), Freda Kim. Foi celebrado pela primeira vez em 2000 e reconhecido no calendário do UNICEF.

Atualmente, a compreensão da importância do brincar no desenvolvimento de cada um e da própria sociedade cresceu tanto que, agora, em 25 de março de 2024, a Assembleia das Nações Unidas (ONU) aprovou a resolução proposta pelo Vietnã de criar o Dia Internacional do Brincar, designando o dia 11 de junho como o Dia Internacional dos Jogos. Essa resolução foi patrocinada por 138 países. Representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) aplaudiram a iniciativa e comprometeram-se a facilitar a celebração para proteger os direitos das crianças e contribuir com a prevenção de conflitos e a construção da paz. O que faz com que nações inteiras se mobilizem em busca de um brincar saudável? Será um exagero relacionar o desenvolvimento sustentável com a simples ação de brincar?

Celebrar o Dia Mundial do Brincar é promover a consciência sobre o papel fundamental que o brincar desempenha no desenvolvimento integral da criança. São inúmeros os benefícios do Brincar no desenvolvimento de competências para a vida, promoção da tolerância, tudo isso de forma recreativa. É brincando que a criança descobre o mundo, imita papéis, aprende a dividir, a esperar a sua vez, a lidar com a frustração de perder num jogo e tentar de novo e, ainda, desenvolve habilidades espontâneas ao experimentar o prazer de fazer castelos de areia ou desenhos no papel, ou simplesmente ouvir histórias, subir em árvores, pular e rir, enquanto observa como fazem os bichinhos ou como cantam os pássaros.

O brincar é uma ferramenta poderosa para promover o bem-estar físico, emocional e social em todas as idades e permite transcender as experiências com imaginação e criatividade. Então, de verdade, brincar é coisa séria!

O jogo pode ser utilizado como ferramenta efetiva de aprendizagem, socialização e desenvolvimento de habilidades. É indispensável promover ações que impulsionem uma troca positiva de comunicação entre as pessoas. Tudo isso faz do Brincar um recurso universal e próprio da saúde.

O primeiro brincar se dá entre a mãe e o bebê. O bebê vai amadurecendo neurologicamente e vai ampliando o seu mundo, ousando novas experiências que se abrem dos vínculos afetivos estabelecidos. O núcleo familiar se torna referência nas novas ligações que se estabelecem na escola e nos grupos de amigos. Ao longo de seu desenvolvimento, a criança vai ampliando a noção de seu próprio corpo, sua relação com o espaço e o tempo, a sua capacidade de lidar com a ansiedade e de aprender a resiliência, vencendo o sofrimento quando algo não sai do seu agrado.

O conceito de resiliência na infância envolve bom ajustamento na presença de significativos fatores de estresse. Resiliência é a capacidade de proteção diante de fatores de risco e a Psicologia Positiva se volta para o fortalecimento das condições facilitadoras que promovem a prevenção, visando à saúde. O Brincar é tão importante na saúde que a Brinquedoteca Hospitalar é uma proposta regida pela lei nº 11.104, de 21 de março de 2005, que dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de brinquedotecas nas unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação. Por quê? Porque a criança adoecida torna-se mais vulnerável e insegura, ao ser afastada de seu ambiente conhecido e passar por desconfortos ou dores que ela não entende. Assim, há necessidade de utilizar a sua linguagem através do brinquedo, ajudando-a a vencer o medo e a se comunicar de forma lúdica: ela pode cuidar de sua boneca, invertendo o papel de passividade, distrair-se com o que lhe faz bem ou se sentir super-herói na superação de sua fragilidade diante da dor.

As Brinquedotecas podem ser organizadas em escolas, em parques, com brinquedos criativos ou ecológicos, o que a imaginação e o bom humor permitirem. O Dia Mundial do Brincar tem a meta de inspirar a socialização afetiva, o gosto pela atividade em interação com o outro, com a arte, cultura e natureza, desenvolvendo sentido e sensibilidade que, atualmente, são descartados pelas exigências nas rotinas diárias, em todas as idades.

A criatividade e a inovação, os sentimentos e expressão natural estão muito presentes nas brincadeiras com um significado ímpar.

Seja o gestor de sua alegria, nunca deixe de brincar!

 

Relatora:
Luiza Elena Leite Ribeiro do Valle
Psicóloga, Coordenadora do Núcleo do Brincar de Poços de Caldas (MG), filiado à ABBri: Brinquedoteca Girassol (institutomrvalle.com)

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No Dia Mundial da Síndrome de Down, proclamamos: brincar é um direito e ter tempo livre é perfeito! https://spsp.org.br/no-dia-mundial-da-sindrome-de-down-proclamamos-brincar-e-um-direito-e-ter-tempo-livre-e-perfeito/ Thu, 21 Mar 2024 15:57:45 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=43095 O brincar é o viver da criança… cada momento nos nossos primeiros anos de vida é encarado e escancarado pela nossa essência brincante de explorar, descobrir e nos transformar em cada]]>

O brincar é o viver da criança… cada momento nos nossos primeiros anos de vida é encarado e escancarado pela nossa essência brincante de explorar, descobrir e nos transformar em cada uma de nossas descobertas. O brincar é assegurado como direito na infância pelo Artigo 31, presente no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) desde 1990. Pela sua importância, é obrigatória a presença de brinquedotecas em hospitais pediátricos desde 2005.

Brincando, a criança tem movimento, ação, participação e diversão. Todas as crianças deveriam ter tempo para brincar, sem pressa.

Muitas crianças com T21 nos dias de hoje exibem uma agenda digna de executivos: aulas, exercícios, terapias, direcionamentos e comandos… dos mais diversos adultos, nos mais diversos ambientes. Falta tempo para “o brincar”. Que preço se paga por isso? Pesquisas mostram que nestes últimos anos temos o maior índice de depressão na infância, com reflexo na adolescência, com menos proatividade, criatividade e “satisfação” em SER quem somos.

Neste mês em que temos o Dia Internacional de Conscientização sobre a T21, lembramos que o brincar é livre-arbítrio, é essencial e, mais que isso, é crucial para nos conhecermos, nos amarmos e nos conectarmos. Baixo custo e alto impacto para o desenvolvimento humano é o que o brincar nos garante.

 

Relatora:
Dafne Herrero
Membro do Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Importância do meio ambiente e seu benefício para a prática de atividade física na infância https://spsp.org.br/importancia-do-meio-ambiente-e-seu-beneficio-para-a-pratica-de-atividade-fisica-na-infancia/ Mon, 05 Jun 2023 19:43:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37729 O pediatra deve orientar pais, responsáveis, adolescentes e até as crianças, se possível, quanto à preven]]>

Introdução

Hoje, 5 de junho, é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Os benefícios “do brincar” e das atividades de lazer ao ar livre na população pediátrica não são novidades e, apesar do bom senso e da prática clínica reconhecerem sua importância, vivemos em uma sociedade predominantemente urbana, onde as crianças têm cada vez menos possibilidades de usufruir desse privilégio.

A dinâmica familiar, o uso de eletrônicos, o planejamento urbano, a dificuldade de mobilização nas grandes cidades, bem como a dificuldade de acessibilidade a locais de conservação da natureza em ambientes densamente populosos são fatores responsáveis pelo maior tempo das crianças despendido dentro de casa. Os resultados desse confinamento vão desde obesidade, e síndrome metabólica, problemas cardiovasculares, a um aumento significativo da depressão e ansiedade infantil, transtornos de hiperatividade e atenção, transtornos do sono, piora da qualidade de vida, da saúde óssea, da psicomotricidade e aumento das doenças alergoimunomediadas.

 

A importância do cuidado com o meio ambiente

A cidade de São Paulo dispõe de 2,6 m2 de área verde por habitante, com grande variação entre as regiões, sendo que a Organização das Nações Unidas recomenda que haja 12 m2 de área verde por habitante. Pouco espaço associado ao abandono no cuidado e zelo com as praças públicas e parques, que frequentemente são utilizados para fins ilícitos, como tráfico de drogas ou refúgio para pessoas desabrigadas, dificultam o aproveitamento desses espaços abertos.

É recomendado que pelo menos uma hora do tempo livre da criança ocorra ao “ar livre”. Passeios na rua ou o pátio do prédio são opções plausíveis para os dias úteis de escola e trabalho.

É por meio das experiências que a criança vivencia que ela aprenderá a cuidar da natureza. A partir do momento que os pais, cuidadores e as escolas proporcionam experiências como plantar, colher, preparar o alimento, a criança se torna mais propensa a experimentar vegetais, hortaliças e frutas, bem como a ter uma maior conscientização ambiental.

 

Os benefícios do meio ambiente e os riscos de sua ausência para a saúde da criança

Exposição ao sol e saúde óssea

Ambientes ao ar livre, em meio à natureza, permitem a exposição ao sol, necessária para a síntese de vitamina D com ação importante na densidade mineral óssea. (A exposição ao sol deve ser orientada com os devidos cuidados pelo pediatra)

Sono

A maior exposição à natureza e a espaços verdes está associada a um menor risco de sono insuficiente. Além disso, é importante reiterar que a exposição às telas altera a liberação de melatonina, atrapalhando o sono adequado e seu uso deve ser desencorajado nos menores de dois anos e, para os mais velhos, desestimular seu uso após as 20:30 horas.

Psicomotricidade

O contato com a natureza ajuda a fomentar a criatividade, a iniciativa, a autoconfiança e o desenvolvimento da coordenação psicomotora. Brincar ao ar livre oferece a oportunidade de melhorar as habilidades de integração sensorial auxiliando os domínios motor, cognitivo, social e linguístico.

Depressão/ansiedade

Ao frequentar o ambiente ao ar livre, a criança tem a oportunidade de ter contato social, com potencial efeito positivo no humor e níveis de estresse, além de poder realizar atividade física, liberando hormônios que dão a sensação de prazer.

Resiliência e redução do estresse

Ambientes naturais permitem experiências corporais lúdicas, como correr e cair, desenvolvendo a habilidade de controlar emoções, resiliência e enfrentamento. As crianças que se envolvem em brincadeiras ativas ao ar livre demonstram mais resiliência, autorregulação e desenvolvem habilidades para lidar com o estresse mais tarde na vida.

Transtorno de déficit de atenção

A superestimulação do cérebro em desenvolvimento nos primeiros anos de vida leva a períodos de atenção mais curtos mais tarde, aumentando o risco de déficits de atenção na idade escolar, ao passo que a estimulação cognitiva durante esse mesmo período em termos de leitura, canto e brincadeiras com crianças diminui o risco de déficits de atenção.

Pandemia de obesidade

O emparedamento e o confinamento contribuem para o aumento da incidência e prevalência da obesidade, pela redução da prática de atividade física e consequente redução do gasto metabólico basal, bem como o aumento de consumo de alimentos, em sua maioria industrializados e multiprocessados.

 

Papel do pediatra na orientação dos benefícios da atividade ao ar livre

O pediatra deve orientar pais, responsáveis, adolescentes e até as crianças, se possível, quanto à prevenção de acidentes e perigo de lesões comuns na infância, como acidentes de trânsito, afogamento, traumas e fraturas, picadas de insetos e animais peçonhento, entre outros. Deve alertar sobre danos potenciais da Internet (por exemplo, violência, cyberbullying, pornografia), assim como os riscos da alimentação incidental desnecessária, motivada por anúncios ou pela ansiedade de permanecer em frente às telas por longos períodos.

O aconselhamento sobre a importância do brincar, bem como os benefícios que o contato com a natureza traz para as crianças e adolescentes devem ser ressaltados.

Após anamnese e exame físico, reiterar os benefícios da atividade física e do sono no desenvolvimento infantil e sua importância para a liberação do hormônio de crescimento, bem como na regulação dos hormônios do estresse e do ciclo sono-vigília. Além disso, relembrar o quão fundamental são as relações interpessoais das crianças com seus pares e a exposição ao sol para a saúde óssea ajudam as famílias a entenderem o real benefício disso para o crescimento e desenvolvimento de seus filhos.

 

Saiba mais:

  1. MCCORMACK, G. R. et al. A scoping review on the relations between urban form and health: a focus on Canadian quantitative evidence. Health Promot Chronic Dis Prev Can, 39, n. 5, p. 187-200, May 2019. ISSN 2368-738x.
  2. TREMBLAY, M. S. et al. Position Statement on Active Outdoor Play. Int J Environ Res Public Health, 12, n. 6, p. 6475-505, Jun 8 2015. ISSN 1661-7827 (Print) 1719-8429. 

 

Relatora

Júnia Ellen Simioni Leite
Médica Pediatra
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia da celebração do brincar https://spsp.org.br/dia-da-celebracao-do-brincar/ Mon, 29 May 2023 19:20:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37605 Brincar é a atividade fundamental de todas as crianças. Para que ela aconteça, nem sequer é preciso um brinquedo: basta se entreter ou se distrair com algum objeto ou com qualquer atividade. É]]>

Brincar é a atividade fundamental de todas as crianças. Para que ela aconteça, nem sequer é preciso um brinquedo: basta se entreter ou se distrair com algum objeto ou com qualquer atividade. É esse ato simples o que se celebra no dia 28 de maio, Dia Internacional do Brincar.

Sempre é ocasião para destacar a importância da brincadeira, algo tão presente e incorporado na vida de todos nós. É através dela que as crianças descobrem o mundo e se inserem no contexto cultural do lugar onde vivem.

Correr, conversar, interagir com os outros, explorar um brinquedo ou objeto, andar de bicicleta, jogar um jogo… existem muitas formas de brincar. Com elas podemos estimular várias funções importantes para o desenvolvimento das crianças: a inteligência, a memória, a habilidade manual e motora, a visão, a socialização e tantas outras. Brincar também pode deixar as pessoas mais felizes, fazer com que elas deem risadas e se divirtam umas com as outras, uma ótima promoção da saúde mental para todos.

Através das brincadeiras, podemos entender melhor as crianças, procurar saber o que estão pensando e o que estão querendo, nos relacionar com elas e analisar se está tudo bem ou não. Uma criança que não brinca chama a atenção, e é preciso ter um olhar atento para sua situação.

Atualmente, as crianças têm muito acesso a dispositivos eletrônicos portáteis e a vários programas de televisão. Acessá-los ou vê-los pode ser uma maneira de brincar, mas é fundamental evitar exageros. Ao ficar muito tempo diante das telas, as crianças acabam deixando de correr, de interagir, jogar com amigos, e isso pode prejudicar muito seu desenvolvimento. Assim como elas, vemos muitos adultos deixando de brincar ou de interagir com seus filhos ou com os demais, porque também estão alheios ao que se passa ao seu redor e fixados na tela de um celular.

É importante sair mais, interagir com os outros, ir a parques, encontrar amigos, reunir-se com a família, fazer esportes! Ao fazermos isso, estamos criando oportunidades de encontro e abrindo portas para as mais variadas brincadeiras. Vamos todos promover o brincar, com menos tempo de telas e mais tempo de interação entre todos nós, crianças e adultos!

 

Relator:
Luiz Guilherme Florence
Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Uma reflexão no Dia da Infância https://spsp.org.br/uma-reflexao-no-dia-da-infancia/ Wed, 24 Aug 2022 13:16:53 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33993 No dia 24 de agosto é celebrado o Dia da Infância. O objetivo desta data é promover uma reflexão sobre a defesa dos direitos das crianças. Embora saibamos da importância de muitos dos aspectos relacionados ao desenvolvimento saudável da criança, ainda há muito trabalho a ser feito no Brasil e no mundo. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi estabelecido há 32 anos propondo garantir os direitos na infância e juventude, mas ainda hoje aproximadamente 6 milhões de crianças no Brasil vivem em situação de extrema pobreza e mais da metade sem aporte nutricional suficiente, segundo a Unicef. Com a pandemia da Covid-19 essa situação se agravou, com prejuízos ainda maiores, tanto na nutrição quanto no aprendizado. Segundo relatório assinado pela Unicef e Unesco, estima-se que 80% das crianças ao final do ensino fundamental I não conseguem compreender um texto simples, comparado com 50% antes da pandemia; assim como também se agravou a desigualdade entre as diferentes classes sociais. Muito se fala sobre os primeiros mil dias de vida (período do início da gestação até os dois anos) serem fundamentais para o desenvolvimento da criança, com ênfase no aleitamento e nutrição de qualidade, mas a atenção à saúde integral deve ser acompanhada durante toda a infância e juventude. Para que uma criança atinja seu pleno potencial, o ambiente em que ela vive deve ser saudável e estimulante. O brincar é uma das principais atividades da infância e é fundamental para o amadurecimento e crescimento saudável. É tão necessário quanto o sono e a alimentação, pois impulsiona a criança a explorar o ambiente ao seu redor. A ausência ou diminuição da mobilidade, reflexos da oferta de brinquedos “prontos” ou de eletrônicos, reduz enormemente as oportunidades de desenvolvimento integral das crianças.  Nós pediatras podemos ajudar a modificar esse cenário, praticando boa medicina no nosso dia a dia e acolhendo nossos pacientes e familiares nas suas mais diversas necessidades, com exemplos como se segue: incentivar o aleitamento materno;  acompanhar o desenvolvimento global das crianças, tanto pôndero-estatural quanto seu desenvolvimento motor e cognitivo; orientar pais e cuidadores quanto à estimulação motora desde as primeiras consultas; estimular o livre brincar e o não uso de eletrônicos nos primeiros dois anos de vida; conhecer melhor os recursos que nossa comunidade pode propiciar aos nossos pacientes;  argumentar com naturalidade sem confrontar pacientes que hesitam em vacinar; manter-se sempre atualizado na área de atuação; engajar-se em ações comunitárias voluntárias “Quem salva uma vida, salva a humanidade” (Talmud)   Relator:Roberto BittarNúcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência   Foto: Little children hands up feliz | br.freepik.com]]>

No dia 24 de agosto é celebrado o Dia da Infância. O objetivo desta data é promover uma reflexão sobre a defesa dos direitos das crianças. Embora saibamos da importância de muitos dos aspectos relacionados ao desenvolvimento saudável da criança, ainda há muito trabalho a ser feito no Brasil e no mundo.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi estabelecido há 32 anos propondo garantir os direitos na infância e juventude, mas ainda hoje aproximadamente 6 milhões de crianças no Brasil vivem em situação de extrema pobreza e mais da metade sem aporte nutricional suficiente, segundo a Unicef.

Com a pandemia da Covid-19 essa situação se agravou, com prejuízos ainda maiores, tanto na nutrição quanto no aprendizado. Segundo relatório assinado pela Unicef e Unesco, estima-se que 80% das crianças ao final do ensino fundamental I não conseguem compreender um texto simples, comparado com 50% antes da pandemia; assim como também se agravou a desigualdade entre as diferentes classes sociais.

Muito se fala sobre os primeiros mil dias de vida (período do início da gestação até os dois anos) serem fundamentais para o desenvolvimento da criança, com ênfase no aleitamento e nutrição de qualidade, mas a atenção à saúde integral deve ser acompanhada durante toda a infância e juventude.

Para que uma criança atinja seu pleno potencial, o ambiente em que ela vive deve ser saudável e estimulante. O brincar é uma das principais atividades da infância e é fundamental para o amadurecimento e crescimento saudável. É tão necessário quanto o sono e a alimentação, pois impulsiona a criança a explorar o ambiente ao seu redor. A ausência ou diminuição da mobilidade, reflexos da oferta de brinquedos “prontos” ou de eletrônicos, reduz enormemente as oportunidades de desenvolvimento integral das crianças. 

Nós pediatras podemos ajudar a modificar esse cenário, praticando boa medicina no nosso dia a dia e acolhendo nossos pacientes e familiares nas suas mais diversas necessidades, com exemplos como se segue:

  • incentivar o aleitamento materno; 
  • acompanhar o desenvolvimento global das crianças, tanto pôndero-estatural quanto seu desenvolvimento motor e cognitivo;
  • orientar pais e cuidadores quanto à estimulação motora desde as primeiras consultas;
  • estimular o livre brincar e o não uso de eletrônicos nos primeiros dois anos de vida;
  • conhecer melhor os recursos que nossa comunidade pode propiciar aos nossos pacientes; 
  • argumentar com naturalidade sem confrontar pacientes que hesitam em vacinar;
  • manter-se sempre atualizado na área de atuação;
  • engajar-se em ações comunitárias voluntárias

“Quem salva uma vida, salva a humanidade” (Talmud)

 

Relator:
Roberto Bittar
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência

 

Foto: Little children hands up feliz | br.freepik.com

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