brincadeiras – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 22 Oct 2021 14:18:05 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png brincadeiras – SPSP https://spsp.org.br 32 32 O que a vovó nunca disse https://spsp.org.br/o-que-a-vovo-nunca-disse/ Wed, 20 Oct 2021 17:20:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30112 Com certeza a vovó nunca disse algumas das expressões que crianças e adolescentes vêm usando atualmente; se usou, foi em sentido completamente diferente do entendido hoje. É um novo léxico, que necessita ser compreendido pelos pais.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 20/10/2021


Episódio 7: O que a vovó nunca disse

PPRT: Abreviação para “papo reto”

Com certeza a vovó nunca disse algumas das palavras e expressões que crianças e adolescentes vêm usando atualmente; se usou, foi em sentido completamente diferente do entendido hoje. É um novo léxico, que necessita ser decodificado, compreendido por pais e adultos, para que possa haver uma comunicação adequada com as novas gerações. A língua é viva. Muda com o tempo. É necessário imergir nesse “dicionário” sem preconceito de nenhuma espécie. Mesmo sabendo de sua efemeridade, pode cair em desuso rapidamente, dando lugar a novas expressões, hashtags, etc.

Este texto nasceu motivado por uma mãe preocupada com a notícia de que na escola da filha de 7 anos estava tendo um tal de “crush”.  Bora! TMJ: “tamo junto”. Vamos a esse novo dicionário.

Azaração: ação ou tentativa de buscar companhia amorosa. Exemplo: “aquele bar virou ponto de azaração.”

Anotado, amore: equivale a um desprezo, demonstrando que a pessoa não se importa com a opinião que acaba de ouvir. Exemplo de diálogo: – “Você precisa mudar o visual logo.”  – “Ok, anotado amore.”

Biscoiteiro: é uma pessoa que posta algo para chamar mais atenção. A gíria “dar biscoito” pode ser utilizada como elogio ou como deboche, por meio de curtidas ou comentários, para responder às famosas pessoas biscoiteiras. Exemplos: “Olha lá a foto que postou, vou dar o biscoito que tá pedindo.”

BFF: “Best Friend Forever” – Declaração de amizade.

BV, BVL: “Boca Virgem”, aquele(a) que ainda não deu um beijo de boca ou beijo de língua.

Bolado: surpreso e confuso com determinada atitude ou reação de outrem; aborrecido, chateado. Exemplo: “ficou bolado com o fora que levou.”

Colar/constar: ir em algum lugar. Exemplo: – “Quer constar numa festa hoje?”

Cringe: gíria usada para mencionar ou lembrar de uma situação extremamente constrangedora e embaraçosa, referente à “vergonha alheia”. Exemplo: “Vamos mudar de assunto. Essa história é cringe.

Crush: palavra de origem inglesa que quer dizer “esmagar”. Como gíria é usada para se referir a uma pessoa por quem se está apaixonado(a) ou se sente atraído(a) ou que gostaria muito que fosse seu amigo(a). Substitui o bom e velho “paquera”. Exemplo: “Ele é meu crush da escola.”

Deitou/deitei: fazer uma coisa muito bem. Exemplo: – “Deitei na prova de Matemática.”

Fail: como a própria tradução em inglês diz, fail é o termo utilizado para dizer que algo não deu certo e a pessoa não conseguiu fazer aquilo que desejava. Exemplo: “Estudei muito para a prova, mas foi um fail!

Floppar: flip, em inglês, significa virar, tombar. Ou seja, “algo deu errado ou deu ruim”. Equivale a gíria tradicional “dançou/dancei”, “me dei mal” ou até mesmo “lascou”. Exemplo: “Ia pra festa ontem, aí choveu e flopou.”

Hype: gíria para dizer que algo está em alta, com muitos comentários e que chama muita atenção. É utilizada, principalmente, para falar sobre moda, séries, músicas e filmes. Exemplos: “Eu estou muito hypado naquela série.” ou “Você está no hype com esse tênis!”

Jantar/jantou: termo utilizado para dizer que uma pessoa respondeu à altura para alguém, ou seja, que verdades foram ditas e muitos concordaram com aquela opinião. Exemplo: “E aquele post? Jantou os preconceituosos!”

Laje: uma coisa ruim/difícil. Exemplo de um diálogo: – “Pode vir aqui em casa hoje? – Laje piá, não rola.”

Mec: algo que foi muito legal. Exemplo – “Essa festa foi Mec.”

PPRT: abreviação para “papo reto.”

Shippar: derivado da palavra inglesa “relationship”, que significa “relacionamento”. A gíria é muito utilizada na internet com o significado de aproximar um casal, ato normalmente representado por uma hashtag e a fusão dos nomes de quem se desejar juntar.

Stalker: stalkear em inglês tem o significado de perseguidor ou caçador. Virou sinônimo de “observar de maneira frenética” tudo que uma pessoa posta nas redes sociais – especialmente no Facebook e Instagram. Exemplo: “Já sei tudo sobre ele; estou sempre stalkeando suas páginas nas redes sociais.”

Suave: tudo bem?

Tô Pistola: essa gíria surgiu para abordar situações que deixam as pessoas irritadas. Alguém perde a razão, fica bravo e, por qualquer motivo, fica “pistola”, na linguagem dos jovens. Exemplo: “Nossa, hoje ele tá pistola.”

Tá na Disney: expressão equivalente a famosa gíria “pirando na batatinha” ou “viajando na maionese”, ou seja, indica que a pessoa fala ou faz algo fora da realidade ou está equivocada em alguma informação. Exemplo: “Meus pais estão na Disney achando que eu não vou à festa!”

Trollar: gíria que indica quando alguém vai tirar sarro de outra pessoa. Exemplo: “Vamos trollar meu irmão e esconder seu celular?”

Um nojo: utilizado normalmente para expressar repúdio a algo ou a alguém, o termo “nojo” virou uma gíria muito popular entre os jovens como um autoelogio em tom de deboche.  Exemplo: “Nossa, hoje eu tô um nojo de linda.”

Vem de Zap: surgiu nas comunicações da internet como forma de pedir o contato de WhatsApp, com o objetivo de iniciar uma conversa, quase sempre com intenções amorosas. Substitui o velho “passa seu contato” ou “me passa seu telefone”. Exemplo: “E aí bebê, vem de Zap.”

 

Fontes e saiba mais:

  1. Ribeiro SN. Um estudo sobre o vocabulário das revistas destinadas a adolescentes. Disponível em: http://www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno06-22.html
  2. Gíria adolescente. Disponível em:  https://por.psychology-ifk.com/teen-slang-76904?__cf_chl_jschl_tk__=pmd_2d2e2496482a546b560719ef4b19214b97c71a5c-1633734143-0-gqNtZGzNAg2jcnBszQc6
  3. Memes, hashtags, siglas e gírias da internet – conheça as 60 mais. Julho 2020 Disponível em: https://www.pravaler.com.br/memes-hashtags-siglas-e-girias-da-internet-conheca-as-60-mais-populares/

 

Relator:
Fernando M F Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: fizkes | depositphotos.com

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Vovó pop-it https://spsp.org.br/vovo-pop-it/ Mon, 18 Oct 2021 15:25:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30060 No tempo da vovó parece que criança não tinha estresse ou direito ao tédio. As suas missões eram estudar e brincar. O “dinheiro curto” da família não era um impedimento para brincar: se não dá pra comprar uma “pipa”, faz de jornal uma “capucheta”.]]>

Episódio 6: Vovó pop-it

“Vai brincar menino”. “Faça alguma coisa”. “Cabeça vazia é oficina do diabo”

No tempo da vovó parece que criança não tinha estresse ou direito ao tédio. As suas missões eram estudar e brincar. O “dinheiro curto” da família não era um impedimento para brincar:  

– Se não dá pra comprar uma “pipa”, faz de jornal uma “capucheta”;

– se não tem patinete, faz carrinho de rolimã – basta uma tábua, duas traves de madeira mais grossa e duas rolimãs que podem ser encontradas em qualquer oficina da esquina – é só procurar;

– uma bola de tênis já gasta, três pedaços de madeira apoiados uns nos outros, em posição vertical, pronto… está feito o jogo de “taco”.

Uma lata vazia, uma caixa de papelão, tudo pode virar brinquedo na imaginação da criança. Pintar na calçada, com giz branco ou amarelo, uma sequência para pular amarelinha.    

Quem não aproveitou uma embalagem de papel bolha para estourar e ouvir aquele “Poc-poc” delicioso? Crianças e adultos disputavam esse brinquedinho improvisado.

Hoje em dia esse brinquedo ganhou sofisticação e está servindo para movimentar o mercado de brinquedos. O pop-it é um sucesso de vendas após viralizar na internet, principalmente em aplicativos como o TikTok. Tornou-se a febre do momento, principalmente entre as crianças. O objeto é uma peça de silicone que imita um plástico-bolha: é cheio de bolinhas que, ao serem apertadas, fazem um leve barulho que soa como “pop”.

O brinquedo conta com diferentes formatos e cores, bem atrativos. A novidade faz parte de uma categoria denominada “fidget toys”, que significa “brinquedos de inquietação” ou “brinquedos sensoriais”.

Além do barulhinho, pode ter outras utilidades: ocupa a criança, retira-a do mundo virtual, acalma, estimula a coordenação motora fina, o raciocínio, a agilidade e a criatividade na interação com outras crianças.

Qualquer brinquedo, quando compartilhado ou brincado em grupo, pode estimular a competição. Aí entra um estresse bom: “quem estoura as bolinhas primeiro? Agora usando três dedos?  Só pode estourar as bolinhas azuis: quem estourar as de outra cor perde”… e assim vai. O lúdico estimula o espírito competitivo, aguça a criatividade, ultrapassando fronteiras. Pode ser utilizado como um artefato pedagógico em questões de contagem, padrões, agrupamentos, etc.

Esse brinquedo surgiu durante a pandemia, quando as crianças estavam confinadas dentro de casa, sofrendo de ansiedade, de tédio, da falta da companhia dos amigos e da interação social. Ouviram muitas vezes a palavra “morte”: o mundo real se tornou assustador, asfixiante. Brincar, além de ser uma válvula de escape, tornou-se uma maneira de organizar as ideias.

Quem diria que o “Poc-poc” seria tão divertido e tão importante?

O que é um brinquedo estimulante? O que é um brinquedo sem graça?

Só a criança tem a resposta. Há brinquedos caros e sofisticados que perdem a graça no primeiro dia de uso e outros, mais baratos, que jamais deixam de serem buscados e manipulados.

O “Poc-poc” de hoje tem sua aplicação especial para o momento. Amanhã…bem, amanhã é outro dia. As crianças vão descobrir o que lhes dá prazer, o que as faz felizes e empolgadas com alguma coisa.

Relator:
Fernando M F Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: wavebreakmedia | depositphotos.com

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Como lidar com o sedentarismo das crianças? Atividade física ou brincar? https://spsp.org.br/como-lidar-com-o-sedentarismo-das-criancas-atividade-fisica-ou-brincar/ Thu, 17 Sep 2020 11:30:00 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3375 Toda criança precisa tomar parte em jogos e brincadeiras que favoreçam seu crescimento e desenvolvimento. A atividade física natural da criança está justamente ligada ao fato de ela poder e ter que brincar.

Brincar implica em praticar atividades físicas, além de estimular funções sensoriais, cognitivas e criativas, indissociáveis no processo de aquisição de recursos mentais e emocionais do indivíduo em crescimento.

ed zbarzhyvetsky | depositphotos.com

Quando falamos de atividades físicas para crianças é importante destacar que podem ser de pouca ou grande intensidade, com carga ou sobrecarga, esta última compreendida como todo e qualquer peso além do próprio corpo. A sobrecarga é aconselhada apenas a partir dos 12 anos de idade, necessariamente controlada e observada pelo profissional de Educação Física, evitando assim o comprometimento do desenvolvimento físico da criança ou adolescente em crescimento.

Em tempos de isolamento social, sugerem-se brincadeiras e desafios que promovam atividades físicas, estimulando a criança a não se tornar sedentária, e consequentemente, inativa ou preguiçosa.

Como dica, utilize técnicas alegres e provocativas de desafios, que podem substituir a prática formal da atividade física orientada, como: correr, saltar, saltitar, transportar, virar cambalhota, pular corda, andar mais depressa, dançar, subir e descer escadas, ajudar na limpeza da casa, etc.

Lembre-se:

  • Toda atividade divertida deixa um gostinho de quero mais e provoca uma sensação de prazer.
  • É importante ter o acompanhamento e/ou orientação de um profissional de Educação Física, mas na situação de isolamento social, os adultos que acompanham as crianças em suas atividades cotidianas podem supervisionar as atividades físicas sem sobrecarga, criando situações de companheirismo e alegria.

Ao gastar mais energia, quer seja brincando ou fazendo atividade física, trabalhamos um dos pilares do estilo saudável de viver que contribui para a manutenção de um peso adequado.

O padrão alimentar adotado pela família é o segundo pilar que contribui para uma vida saudável. As escolhas alimentares compartilhadas por todos os integrantes da família servem de base para a formação do hábito alimentar da criança. Crianças e adolescentes não devem seguir dietas restritivas ou dietas da moda.

Para poder escolher, é importante a criança conhecer os alimentos. Esta etapa é trabalhosa, mas muito prazerosa também, pois envolve apresentar o alimento e sua história (nome, formato, textura, etc). Na etapa seguinte, mergulhar no universo das cores e sabores, viajando entre o doce, o salgado, o azedo, o amargo. Deve-se fazer da cozinha um espaço de criação, onde os ingredientes dão vida a novas preparações. O processo de aprendizado pode estar recheado de histórias da família, receitas tradicionais, pratos típicos.

Ensinar que cereais, grãos, leguminosas, tubérculos, legumes, verduras, frutas fazem parte da alimentação diária. Da mesma forma, carnes, leite e derivados precisam ser ingeridos todos os dias em função do aporte proteico, ferro e cálcio. Para os vegetarianos e veganos, fontes proteicas vegetais, além dos alimentos ricos em ferro e cálcio. Açúcar, gordura e sal com moderação.

Gerenciar as escolhas é uma lição de casa para toda a vida!

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Relatores:
Luciano F.A. Nardell
Professor de educação física, especialista em Recreação e Jogos, Lazer e Natação.
Dra. Sueli Longo
Nutricionista, especialista em Nutrição em Exercícios Físicos e Esporte.
Dr. Rubens Feferbaum
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo.



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