Bebê – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 17 Aug 2026 14:59:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Bebê – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Um dia para celebrar e cuidar da gestante  https://spsp.org.br/um-dia-para-celebrar-e-cuidar-da-gestante/ Sat, 15 Aug 2026 14:57:19 +0000 https://spsp.org.br/?p=58338 O dia 15 de agosto é dedicado à saúde e ao bem-estar das gestantes. Instituído pela Lei Estadual nº 10.822/2001 em São Paulo, o Dia da Gestante logo ganhou reconhecimento nacional. Recentemente, a Lei Federal nº 15.221/25 reforçou essa data ao instituir a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, celebrada anualmente na semana do dia 15 de agosto. A legislação tem como principais metas:  ● Divulgar os direitos e cuidados relacionados à saúde da mulher durante a gestação, o parto, o pós-parto e a primeira infância, com ênfase nos primeiros mil dias de vida do bebê  ● Valorizar o cuidado paterno e o envolvimento da família nesse momento tão especial ● Incentivar a amamentação, reconhecendo seus benefícios para a saúde da mãe e do bebê ● Prevenir acidentes domésticos e combater a exposição precoce das crianças a telas e a alimentos que contribuem para a obesidade, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. As consultas periódicas permitem identificar precocemente possíveis complicações e garantir um parto mais seguro. Toda gestante tem direitos garantidos por lei, incluindo: Assistência humanizada durante a gestação, pré-parto, parto e puerpério; Licença-maternidade e garantia de vínculo empregatício; Atendimento prioritário e reserva de assentos preferenciais em locais públicos e Acesso a um pré-natal de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A nova lei destaca a importância de prevenir a obesidade infantil desde os primeiros dias de vida. Durante a gestação, é essencial manter uma alimentação equilibrada, com orientação médica, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para problemas de saúde futuros. O Dia da Gestante é uma oportunidade para celebrar a vida, mas também para refletir sobre a importância dos cuidados adequados durante esse período transformador.  Informe-se, cuide-se e compartilhe essas orientações com outras gestantes. A gestação é um momento único, e cada gestante merece vivenciá-lo com saúde, respeito e acolhimento. Relator: Theo LernerPresidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP]]>

O dia 15 de agosto é dedicado à saúde e ao bem-estar das gestantes. Instituído pela Lei Estadual nº 10.822/2001 em São Paulo, o Dia da Gestante logo ganhou reconhecimento nacional. Recentemente, a Lei Federal nº 15.221/25 reforçou essa data ao instituir a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, celebrada anualmente na semana do dia 15 de agosto.

A legislação tem como principais metas: 

● Divulgar os direitos e cuidados relacionados à saúde da mulher durante a gestação, o parto, o pós-parto e a primeira infância, com ênfase nos primeiros mil dias de vida do bebê 

● Valorizar o cuidado paterno e o envolvimento da família nesse momento tão especial

● Incentivar a amamentação, reconhecendo seus benefícios para a saúde da mãe e do bebê

● Prevenir acidentes domésticos e combater a exposição precoce das crianças a telas e a alimentos que contribuem para a obesidade, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. As consultas periódicas permitem identificar precocemente possíveis complicações e garantir um parto mais seguro.

Toda gestante tem direitos garantidos por lei, incluindo: Assistência humanizada durante a gestação, pré-parto, parto e puerpério; Licença-maternidade e garantia de vínculo empregatício; Atendimento prioritário e reserva de assentos preferenciais em locais públicos e Acesso a um pré-natal de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A nova lei destaca a importância de prevenir a obesidade infantil desde os primeiros dias de vida. Durante a gestação, é essencial manter uma alimentação equilibrada, com orientação médica, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para problemas de saúde futuros.

O Dia da Gestante é uma oportunidade para celebrar a vida, mas também para refletir sobre a importância dos cuidados adequados durante esse período transformador. 

Informe-se, cuide-se e compartilhe essas orientações com outras gestantes.

A gestação é um momento único, e cada gestante merece vivenciá-lo com saúde, respeito e acolhimento.

Relator:

Theo Lerner
Presidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP

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Celebrar conquistas, combater a desinformação e proteger o futuro https://spsp.org.br/celebrar-conquistas-combater-a-desinformacao-e-proteger-o-futuro/ Tue, 09 Jun 2026 15:30:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57328 Relatores Tim MüllerPediatra Alergista e ImunologistaMembro do Departamento Científico de Imunizações da SPSPPresidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP Renato KfouriPediatra InfectologistaMembro da Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de ImunizaçõesPresidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP]]>

O Dia da Imunização, celebrado em 9 de junho, nos convida a recordar uma das maiores conquistas da Medicina e da Saúde Pública: as vacinas. Mas essa data também traz um alerta importante. Muitas doenças que hoje parecem distantes deixaram de fazer parte do cotidiano de muitas famílias porque gerações inteiras foram vacinadas. Quando o número de vacinados cai, essas doenças podem retornar.

A história da vacinação começou há mais de dois séculos, com a vacina contra a varíola. Edward Jenner desenvolveu essa vacina no final do século XVIII. A partir daí, a ciência iniciou uma revolução silenciosa. O objetivo era prevenir doenças antes que causassem sofrimento, sequelas e mortes.

No Brasil, a vacinação contra a varíola foi uma das primeiras grandes experiências de imunização em massa. Com o passar do tempo, o país criou instituições fundamentais para a produção e distribuição de vacinas, como a Fiocruz/Bio-Manguinhos e o Instituto Butantan. Essas instituições ainda desempenham um papel essencial na saúde pública brasileira.

Um dos maiores marcos dessa trajetória foi a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1973. Desde então, o Brasil construiu um dos maiores programas públicos de vacinação do mundo, oferecendo vacinas gratuitamente pelo SUS para crianças, adolescentes, gestantes, adultos, idosos e grupos com necessidades especiais. Esse é um patrimônio da população brasileira: um programa que garante que vacinas gratuitas, seguras e eficazes cheguem a milhões de pessoas em todas as regiões do país.

O calendário de vacinação vem mudando muito ao longo das décadas. Antes, havia poucas vacinas disponíveis; agora, temos proteção contra várias doenças graves. Além do calendário do PNI, que define as vacinas oferecidas gratuitamente na rede pública, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) oferecem informações para médicos e famílias, incluindo recomendações complementares com base em idade, condições de saúde, riscos individuais e disponibilidade de vacinas na rede privada.

É muito comum que algumas famílias tenham dúvidas diante de tanta informação. O calendário vacinal atual inclui mais vacinas do que no passado, mas isso não sobrecarrega o sistema imunológico. Pelo contrário, todos os dias, desde o nascimento, as crianças entram em contato com milhares de micro-organismos e partículas do ambiente. As vacinas apresentam apenas pequenas partes dos agentes infecciosos ou versões enfraquecidas ou inativadas deles, suficientes para ensinar o corpo a se defender. Estudos mostram que receber mais de uma vacina ao mesmo tempo é seguro e não causa problemas ou “enfraquece” a imunidade.

Um exemplo recente de avanço é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), recomendada para gestantes. O VSR é uma das principais causas de bronquiolite e internação em bebês pequenos. Ao vacinar a gestante, transferimos anticorpos para o bebê durante a gestação, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida, quando ele é mais vulnerável. Essa conquista mostra que a vacinação continua evoluindo para responder a problemas reais na pediatria.

Quando falamos de vacinas, devemos lembrar de doenças que muitos pais e mães jovens quase não conhecem mais. A poliomielite, por exemplo, podia causar paralisia permanente. O tétano pode surgir a partir de ferimentos e continua sendo uma doença grave. A difteria, hoje rara, pode comprometer a respiração e causar complicações severas. Essas doenças não desapareceram porque ficaram “fracas” ou porque simplesmente deixaram de existir; elas foram controladas porque a vacinação funcionou.

As vacinas também são essenciais no combate a epidemias e pandemias. Elas reduzem casos graves, internações e mortes, além de proteger os serviços de saúde contra sobrecarga. A experiência recente com a Covid-19 lembrou ao mundo que a ciência, a vigilância em saúde e a vacinação são ferramentas indispensáveis para responder a emergências sanitárias.

Outro ponto importante é entender que a vacinação não é apenas uma decisão individual. Quando uma pessoa se vacina, ela também contribui para proteger quem está ao seu redor: bebês que ainda não têm idade para receber algumas vacinas, pessoas com imunidade baixa, idosos e pacientes com doenças crônicas. Por isso, manter altas taxas de vacinação é um compromisso coletivo. O Ministério da Saúde considera a vacinação uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde da população e reduzir a disseminação de doenças infecciosas na comunidade.

Ao mesmo tempo, vivemos uma época em que informações falsas circulam rapidamente. Fake news sobre vacinas podem parecer convincentes, especialmente quando exploram o medo dos pais. Muitas vezes distorcem dados, ignoram evidências ou atribuem às vacinas problemas que não têm relação com elas. A hesitação vacinal deve ser recebida com escuta, orientação clara e informação confiável. Em caso de dúvida, a família deve conversar com o pediatra e buscar fontes reconhecidas, como sociedades científicas, o Ministério da Saúde e serviços de vacinação.

No Brasil, poucas imagens representam tão bem essa história quanto o Zé Gotinha. Criado em 1986, ele se tornou símbolo da vacinação infantil, ajudando a conectar as campanhas às crianças e suas famílias. Em 2026, o Zé Gotinha completará 40 anos, lembrando que uma comunicação clara, afetiva e confiável também faz parte da Saúde Pública.

Neste Dia da Imunização, a principal mensagem é simples: “Vacinas salvam vidas!” Vacinar é proteger. Proteger a criança, a família, a comunidade e as futuras gerações. Aproveitem a data para conferir a caderneta de vacinação de toda a família e atualizar as doses pendentes – de crianças, adolescentes, gestantes, adultos e idosos. Em caso de dúvida, procurem um médico da sua confiança.

As vacinas são vítimas do seu próprio sucesso: quando funcionam bem, tornam as doenças invisíveis. Mas é por isso que precisamos continuar vacinando. Celebrar a imunização é reconhecer o passado, combater a desinformação, cuidar do presente e proteger o futuro.

Relatores

Tim Müller
Pediatra Alergista e Imunologista
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Presidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP

Renato Kfouri
Pediatra Infectologista
Membro da Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de Imunizações
Presidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

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Informação que protege o futuro https://spsp.org.br/informacao-que-protege-o-futuro/ Sun, 01 Feb 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54904 ]]>

A gravidez na adolescência ainda é um tema de grande relevância, tanto pelos impactos na vida dos adolescentes e de suas famílias, quanto pelos possíveis riscos à saúde do bebê e da própria adolescente. Apesar da redução observada nos últimos anos, os índices continuam elevados: estima-se uma média de 43,6 nascimentos por mil adolescentes entre 15 e 19 anos, número quase duas vezes maior que o observado em países de renda média-alta.

A adolescência é um período marcado por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Quando a gravidez ocorre nessa fase, surgem desafios importantes, como a interrupção dos estudos, o afastamento do convívio social, dificuldades financeiras e responsabilidades precoces relacionadas à criação e aos cuidados com uma criança.

Assumir a maternidade ou a paternidade exige tempo, apoio emocional e condições adequadas para garantir o desenvolvimento saudável do bebê. Além disso, o adolescente precisa lidar com mudanças significativas na rotina, nos projetos de vida e nas relações sociais. Por isso, a prevenção é fundamental.

O acesso à informação correta e de qualidade sobre sexualidade, métodos contraceptivos e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) contribuem para que os jovens façam escolhas mais conscientes e responsáveis.

A orientação para a prevenção da gravidez precoce na adolescência começa na infância. Familiares que dialogam com os filhos sobre o exercício da sexualidade – prevenção de abuso, primeiras impressões sobre namoro ou sobre o gostar, os primeiros contatos com a intenção de paquera ou “crush”, intimidade com responsabilidade – tendem a lidar melhor com o que chamamos de primeiras experiências no exercício da sexualidade humana.

E elas são precoces em alguns adolescentes. A temática da criação de filhos com escuta e autocuidado está relacionada a maior responsabilidade afetiva de meninos e meninas no início da adolescência.

Dessa maneira, a prevenção da gravidez envolve o cuidado e a responsabilidade de meninos e meninas na jornada do adolescer com saúde. O convívio familiar e a parentalidade consciente traduzem todo o caminho que o jovem irá trilhar de sua sexualidade, inclusive para aqueles que pretendem não exercer a sexualidade em sua vida.

Um aspecto importante da prevenção é a dupla proteção, que consiste no uso do preservativo associado a outro método contraceptivo. Essa estratégia é eficaz tanto na prevenção da gravidez não planejada quanto das ISTs, promovendo maior segurança e cuidado com a saúde.

Também é essencial que o diálogo sobre sexualidade aconteça em diferentes ambientes sociais – escola, nos serviços de saúde e na comunidade – de forma clara, responsável e acolhedora.

Falar sobre o tema sem preconceito e sem pudor excessivo fortalece a confiança, estimula o autocuidado e favorece decisões mais seguras.

Durante a Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que acontece de 1º a 8 de fevereiro, reforçamos a importância da educação em saúde, do diálogo aberto entre adolescentes, famílias, escolas e serviços de saúde, além do apoio àqueles que já vivenciam essa realidade.

Prevenir é cuidar do presente e investir no futuro dos nossos jovens e das próximas gerações.

 

Relatoras:
Mariana Telles de Castro
Carolina Maria Soares Cresciulo
Departamento Científico de Adolescência da SPSP

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Sífilis na gestante e sífilis congênita: a urgência da prevenção materno-fetal https://spsp.org.br/sifilis-na-gestante-e-sifilis-congenita-a-urgencia-da-prevencao-materno-fetal/ Sat, 18 Oct 2025 12:04:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53680 A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora seja uma doença com tratamento]]>

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora seja uma doença com tratamento simples e eficaz (geralmente com penicilina), sua presença durante a gestação representa um grave risco para a saúde do bebê, podendo levar à sífilis congênita.

 Sífilis na gestante: um risco silencioso

Quando a sífilis afeta a gestante, a bactéria pode atravessar a placenta em qualquer fase da gravidez e infectar o feto. Muitas vezes, a sífilis materna pode ser assintomática ou apresentar sintomas leves (como feridas ou manchas na pele, que desaparecem sozinhas), levando a gestante a desconhecer a infecção. Isso torna o rastreamento pré-natal uma etapa crucial.

As consequências da sífilis não tratada na gestação são sérias e incluem:

  • Abortamento espontâneo ou natimorto (morte fetal).
  • Parto prematuro.
  • Hidropsia fetal (acúmulo de líquido em vários órgãos do feto).

 

Sífilis congênita: as consequências para o bebê

A sífilis congênita ocorre quando o bebê é infectado pela mãe durante a gestação. A doença pode se manifestar de diversas formas e em diferentes momentos após o nascimento.

Em alguns casos, o bebê pode nascer sem sinais visíveis da doença. No entanto, sem tratamento adequado, a sífilis congênita pode causar lesões graves e irreversíveis, como:

  • Problemas ósseos e articulares.
  • Anemia e icterícia (pele e olhos amarelados).
  • Neurossífilis (infecção do sistema nervoso central), podendo causar meningite.
  • Alterações dentárias e oftalmológicas (visão).
  • Surdez ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, manifestando-se anos após o nascimento.

 

A importância crítica da prevenção materno-fetal

A transmissão da sífilis da mãe para o bebê é totalmente evitável. A prevenção reside em três pilares fundamentais: diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento do parceiro.

  1. Diagnóstico oportuno e universal:
    • Toda gestante deve ser testada para sífilis já na primeira consulta do pré-natal.
    • O teste deve ser repetido no segundo e no terceiro trimestres da gestação e, novamente, no momento do parto. O teste rápido, de resultado imediato, é uma ferramenta essencial para o diagnóstico rápido em qualquer nível de atenção à saúde.
  2. Tratamento imediato e adequado:
    • Uma vez diagnosticada, a gestante deve ser tratada imediatamente com o esquema correto de penicilina benzatina, a única medicação que garante a cura materna e a prevenção da infecção fetal.
    • É imprescindível que o parceiro sexual também seja testado e tratado simultaneamente para evitar a reinfecção da gestante.
  3. Acompanhamento pós-tratamento:
    • A gestante e o parceiro devem ser acompanhados com exames de controle para monitorar a resposta ao tratamento e garantir a cura.
    • A efetividade do tratamento materno é o fator-chave para que o bebê nasça sem sífilis congênita.

Neste Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro, é importante enfatizar que a luta contra a sífilis congênita passa necessariamente pela qualidade da assistência pré-natal. Garantir que todas as gestantes sejam testadas, tratadas de forma completa e imediata, juntamente com o tratamento de seus parceiros, é a estratégia mais eficaz para que os bebês nasçam saudáveis e livres das consequências devastadoras dessa doença.

 

Relatora:

Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Coordenadora do Grupo de Trabalho da Prevenção e Tratamento da Sífilis Congênita da SPSP
Membro do Departamento Científico de Neonatologia da SPSP

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A jornada da amamentação e o papel do odontopediatra https://spsp.org.br/a-jornada-da-amamentacao-e-o-papel-do-odontopediatra/ Fri, 19 Sep 2025 11:53:43 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53252 A amamentação é uma jornada única e desafiadora, cheia de aprendizados para a mãe e para o bebê. O recém-nascido, mesmo que tenha nascido a termo, ainda está desenvolvendo]]>

A amamentação é uma jornada única e desafiadora, cheia de aprendizados para a mãe e para o bebê. O recém-nascido, mesmo que tenha nascido a termo, ainda está desenvolvendo a coordenação complexa de sugar, deglutir e respirar. Essa habilidade, que é essencial para extrair o leite, é aprendida e aprimorada a cada mamada.

Nos primeiros três meses, o aprendizado da amamentação passa por uma autorregulação. O bebê se adapta para coordenar a sucção e a deglutição, enquanto o corpo da mãe se ajusta para produzir leite de forma constante. Esse período nem sempre é simples, mas um manejo adequado da amamentação pode fazer toda a diferença. Dificuldades como a pega incorreta podem causar dor e ferimentos na mãe, podendo levar a um desmame precoce.

Em alguns casos, as dificuldades na amamentação podem estar relacionadas a problemas na cavidade oral do bebê. É aí que o odontopediatra se torna um aliado na equipe que atende a família, diagnosticando e tratando condições como:

  • Lesões na cavidade oral
  • Pouca abertura de boca, retrognatia mandibular (situação quando a mandíbula está posicionada mais para trás do que o normal, podendo resultar em recuo do queixo)
  • Dentes natais (presentes ao nascer) ou neonatais (que aparecem no primeiro mês de vida)
  • Anquiloglossia (a famosa “língua presa”), que limita os movimentos da língua, e outros freios orais que podem estar alterados e impactando na movimentação local.

 

Anquiloglossia: a “língua presa”

A anquiloglossia é um dos desafios de amamentação mais discutidos. O diagnóstico é complexo e deve ser feito por uma equipe transdisciplinar.

É crucial que o pediatra avalie o bebê, para que possa ser realizada qualquer intervenção, até mesmo uma simples manipulação.

O bebê é um paciente que deve ser considerado especial e, portanto, cuidados específicos devem ser tomados, como evitar excesso de manipulação, dor, etc., que possam causar estresse ao bebê e desorganizar o aprendizado de funções básicas!

Embora não exista consenso na literatura, muitos estudos e a prática clínica têm demonstrado que a liberação do freio lingual pode melhorar a pega do seio materno pelo bebê e a dor da mãe durante as mamadas. Em casos de dúvida, uma abordagem conservadora, com acompanhamento e suporte contínuos, é a mais indicada, conforme a Nota Técnica 52/2023 do Ministério da Saúde.

 

A importância do acompanhamento multidisciplinar

A língua é um órgão composto por vários músculos, que precisam trabalhar em equilíbrio e harmonia. A anquiloglossia pode afetar o desenvolvimento da língua na forma e função e, por isso, mesmo após a cirurgia de liberação do freio, o acompanhamento com um fonoaudiólogo é essencial. Esse profissional auxilia na reabilitação muscular e da mamada, garantindo que a língua ganhe a forma e função necessárias e a dupla mãe-bebê alcance uma amamentação eficiente.

Cada família é singular e o diagnóstico e plano de tratamento devem ser personalizados. É fundamental evitar o sobretratamento (procedimentos cirúrgicos desnecessários), quanto o subdiagnóstico e o subtratamento (falha em identificar e tratar problemas reais), que podem prejudicar o crescimento e desenvolvimento do bebê!

Atender uma família nesse momento vulnerável exige conhecimento, empatia e, acima de tudo, uma abordagem cuidadosa, criteriosa e transdisciplinar.

 

Relatora:
Adriana Cátia Mazzoni
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Oral da SPSP

Colaboradoras:
Cristina Giovannetti Del Conte
Mary Odete da Silva
Sylvia Lavínia Ferreira
Núcleo de Estudos de Saúde Oral da SPSP

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Importância do pré-natal https://spsp.org.br/importancia-do-pre-natal/ Fri, 15 Aug 2025 18:19:14 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52754 ]]>

No Dia da Gestante, celebrado em 15 de agosto, é imprescindível abordarmos a importância do pré-natal para a mãe e seu bebê.

Durante a gestação, a mulher passa por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, que podem influenciar o seu bem-estar e o desenvolvimento do bebê. O pré-natal é uma oportunidade valiosa para monitorar a saúde da gestante, detectar precocemente possíveis complicações e promover hábitos saudáveis em benefício tanto da mãe quanto da criança.

Nas consultas periódicas, o obstetra avalia o progresso da gravidez, solicita e analisa o resultado de exames laboratoriais e de imagem e oferece orientações sobre nutrição, atividade física e bem-estar emocional, entre outros. A detecção precoce de condições como anemia, diabetes gestacional, hipertensão arterial ou infecções pode ser decisiva para a saúde do binômio mãe-bebê, pois muitos problemas podem ser tratados de forma eficaz se identificados a tempo.

O pré-natal também tem papel educativo. Durante as consultas, as gestantes devem ser informadas sobre as mudanças que ocorrem em seus corpos, os cuidados necessários para uma gestação saudável e os sinais de alerta a serem observados. Isso contribui para as mães se sentirem mais seguras e preparadas para enfrentar os desafios da gravidez e do parto. A orientação sobre a importância da alimentação equilibrada, do repouso adequado e da prática de atividades físicas seguras é essencial para a manutenção da saúde.

A gravidez é um período repleto de ansiedades e preocupações, e o apoio psicológico é fundamental para ajudar a gestante a lidar com essas questões. Profissionais de saúde podem oferecer suporte emocional, abordando temas como o medo do parto e a adaptação à nova vida. Isso é particularmente importante, pois a saúde mental da mãe está diretamente relacionada ao desenvolvimento do bebê.

Durante o pré-natal, é importante que seja elaborado um “plano de parto”, uma ferramenta importante que permite que a gestante expresse suas preferências sobre o trabalho de parto e o nascimento. Durante as consultas de pré-natal, as gestantes podem discutir suas expectativas e preocupações com o obstetra, incluindo opções de alívio da dor, preferências sobre intervenções, ambiente do parto, cuidados imediatos com o bebê, como o contato pele a pele e a amamentação logo após o nascimento. Ter um plano de parto ajuda a gestante a se sentir mais segura e preparada, além de facilitar a comunicação com a equipe da maternidade.

Por outro lado, é importantíssimo que a grávida siga as recomendações médicas. Isso inclui não apenas comparecer às consultas de pré-natal, mas também seguir as orientações sobre medicamentos, vacinas e hábitos de vida saudáveis. A automedicação, por exemplo, pode representar riscos sérios tanto para a mãe quanto para a criança em desenvolvimento. As gestantes devem consultar seus médicos antes de tomar qualquer medicação ou suplemento, por mais comum que seja. Do mesmo modo, a gestante deve ser informada sobre os malefícios do consumo de álcool, por menor que seja, para si mesma e, principalmente, para o bebê em desenvolvimento, e orientada a abster-se de qualquer quantidade de bebida alcoólica durante toda a gestação e a lactação.

A adesão às orientações médicas também se estende ao cuidado com a saúde bucal e à realização de exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografias. A saúde bucal, em particular, tem sido correlacionada com a saúde geral da gestante, e cuidados adequados nessa área podem prevenir problemas que afetam tanto a mãe quanto o bebê. Esses exames ajudam a monitorar o desenvolvimento do feto, permitindo que os profissionais identifiquem possíveis anomalias ou complicações.

Também é imprescindível que a gestante receba apoio da família e da comunidade. A participação do parceiro e de outros membros da família no processo de pré-natal pode promover um ambiente mais seguro e acolhedor, além de ajudar a mãe a sentir-se mais amparada. O envolvimento da família nas consultas e no aprendizado sobre o que esperar durante a gravidez e após o nascimento do bebê é fundamental para o sucesso dessa experiência.

Finalmente, lembramos a consulta pré-natal com o pediatra, que deve ocorrer por volta da 32ª semana de gestação. Ela é um complemento importante à atuação do obstetra, pois permite que os pais recebam informações essenciais sobre cuidados com o bebê, vacinas e sinais de alerta de problemas de saúde. Essa consulta ajuda a identificar riscos, proporciona orientações sobre amamentação e desenvolvimento, e estabelece um relacionamento de confiança entre os pais e o pediatra, facilitando o acompanhamento da saúde da criança desde o nascimento. Além disso, preparar os pais para os desafios iniciais da paternidade pode garantir um ambiente mais saudável e seguro para o recém-nascido.

Em outras palavras, o pré-natal e o cumprimento das recomendações médicas são essenciais para garantir a saúde da gestante e do bebê. Esses cuidados não apenas promovem um desenvolvimento saudável durante a gestação, mas também preparam a mãe para a maternidade e ajudam a estabelecer um vínculo afetivo com o recém-nascido. O pré-natal é, portanto, um investimento no futuro, pois uma gestação saudável resulta em um bebê mais forte e em melhores condições para enfrentar os desafios da vida. Assim, é fundamental que todas as gestantes tenham acesso a esses cuidados e sejam encorajadas a buscar e seguir as orientações médicas ao longo de toda a gravidez.

 

Saiba mais:

– Ministério da Saúde do Brasil. (2021). Cuidado pré-natal: manual de orientações. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://sogirgs.org.br/pdfs/manual_assistencia_gestante_2021.pdf (atualização do Manual de 2016, publicado durante a pandemia: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf)

– Organização Mundial da Saúde (OMS). (2016). Diretrizes sobre cuidados durante a gravidez e o parto. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/250800/WHO-RHR-16.12-por.pdf?sequence=2&isAllowed=y

Do original em inglês:

chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/250796/9789241549912-eng.pdf?sequence=1

 

Relator:

Corintio Mariani Neto
Membro do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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Dentes de leite: como aliviar o desconforto do bebê https://spsp.org.br/dentes-de-leite-como-aliviar-o-desconforto-do-bebe/ Fri, 13 Jun 2025 13:29:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51725 Em primeiro lugar, é importante lembrar que seu bebê é único! Assim como o dia em que surgirá o primeiro e depois os demais dentes de leite serão únicos também! Entretanto]]>

Em primeiro lugar, é importante lembrar que seu bebê é único! Assim como o dia em que surgirá o primeiro e depois os demais dentes de leite serão únicos também!

Entretanto, esse momento pode ser influenciado por diversos fatores, como o histórico familiar, as alterações sistêmicas, metabólicas e nutricionais, bem como a prematuridade e a presença de síndromes. Para facilitar o monitoramento dos dentes de sua criança, veja a figura 1 abaixo.

O fato é que quando surge o primeiro dente de leite inicia-se um novo ciclo de desenvolvimento oral e um novo sorriso do bebê, registrando-se um momento muito comemorado pela família. Mas junto com toda essa alegria familiar, frequentemente é relatada a ocorrência de alguns sintomas, como desconforto gengival, irritabilidade, problemas com o sono, diminuição do apetite e a famosa “baba”.

É importante esclarecer: nem todo bebê tem desconfortos nesse período do surgimento dos dentes de leite. Fiquem atentos, pois a presença de outros desconfortos e sintomas pode não estar relacionada com a chegada dos dentes e necessita de avaliação médica!

 Orientações para alívio de sintomas da erupção dentária:

  1. O alívio natural é estimulado através do aleitamento materno e da introdução alimentar. Como o aprendizado da mastigação acontece gradualmente, esse período exige paciência e criatividade da família, sendo importante seguir os aconselhamentos profissionais.
  2. Quando o bebê estiver pronto para começar a experimentar alimentos macios e sólidos, a chegada dos dentes de leite será uma grande oportunidade para oferecer alimentos saudáveis, com diferentes sabores, texturas e cores, estimulando o bebê a morder e mastigar. Isso favorece a erupção e o desenvolvimento adequado das arcadas dentárias. Alguns pais gostam de oferecer picolés caseiros com leite materno e frutas, que são deliciosos para os bebês, mas requerem atenção para não machucar pele, lábios, gengiva e língua, pela baixa temperatura.
  3.  A massagem na gengiva feita com o próprio dedo ou com dedeiras de silicone, de maneira delicada e muito carinho, sempre é bem-vinda para relaxar e acolher o bebê.
  4. A família pode também utilizar como complemento os mordedores específicos para essa fase. Esses mordedores ou brinquedos levados à boca devem ter formato e composição que não coloquem em risco a segurança da criança ou que possam ser fonte de exposição a desreguladores (interferentes) endócrinos, como o bisfenol (BPA); e nunca colocá-los em freezer.
  5. Não aplicar produtos contendo anestésico local, por riscos de metemoglobinemia.
  6. Não usar colar ou pulseira de âmbar no bebê, porque não há comprovação de eficácia e há risco de aspiração e asfixia.
  7. Agendar nessa fase uma consulta com o odontopediatra, para que sejam realizadas as medidas que favoreçam o alívio desses desconfortos e a promoção da saúde oral.

Fiquem atentos em casa com as mudanças comportamentais e físicas do bebê! Em geral, para aliviar a irritação local, o bebê normalmente coloca espontaneamente tudo na boca e acaba se contaminando com vírus, bactérias e fungos. Desta forma, outros quadros sistêmicos podem ser observados e exigirem consulta com médico pediatra, em especial quando for observada a presença de febre, diarreia ou nos casos de urgência, quando o bebê acidentalmente colocar algo indevido na boca.

Figura 1

Época provável de surgimento dos dentes de leite na boca do bebê

Relatora:
Dóris Rocha Ruiz

Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

Colaboradoras:
Ana Flavia Calvo
Cristina Giovannetti Del Conte
Juliana Kimura
Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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Glaucoma – diagnóstico precoce é fundamental para evitar perda da visão https://spsp.org.br/glaucoma-diagnostico-precoce-e-fundamental-para-evitar-perda-da-visao/ Mon, 26 May 2025 12:52:33 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51502 26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma como sendo a principal causa]]>

26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma como sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo, que afeta mais pessoas a partir dos 40 anos.

Apesar de mais raro (1 a cada 10 mil bebês), o glaucoma congênito ou infantil é muito grave e, se não for diagnosticado e tratado precocemente, leva à cegueira de forma muito rápida.

O glaucoma se deve a um desequilíbrio entre a formação e a drenagem de um líquido interno do olho, o humor aquoso. O acúmulo desse líquido gera um aumento da pressão ocular, que vai comprimir a cabeça do nervo óptico, levando à cegueira.

O bebê que nasce com obstrução do local de drenagem desse líquido tem sinais diferentes do glaucoma do adulto.

Como o olho do bebê é menos rígido que o do adulto, essa elevação da pressão interna do olho leva a um crescimento excessivo do globo ocular (buftalmo), e também a um edema (inchaço) da córnea, que dá um tom azulado da camada mais anterior do olho.

Os sintomas decorrentes dessas alterações nos olhos são: lacrimejamento excessivo, muita fotofobia (o bebê não consegue abrir os olhos diante de luminosidade), olhos irritados e vermelhos, aumento do diâmetro da córnea.

O tratamento na maioria dos casos é cirúrgico, com o intuito de baixar a pressão intraocular. E deve ser feito após o diagnóstico, com exame sob narcose para medida da pressão ocular e fundo de olho do bebê.

Mas o diagnóstico deve ser feito de forma rápida e precoce, pois reduzir a pressão ocular do bebê é fundamental para que não ocorra uma perda do nervo óptico e cegueira irreversível.

 

Relatora:

Márcia Keiko Uyeno Tabuse
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dicas fundamentais para uma boa noite de sono https://spsp.org.br/dicas-fundamentais-para-uma-boa-noite-de-sono/ Fri, 14 Mar 2025 15:05:52 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50554 Dia 14 de março é o Dia Mundial do Sono, fase em que passamos 1/3 da vida de adultos e metade da vida quando crianças. Assim como alimentação saudável e prática]]>

Dia 14 de março é o Dia Mundial do Sono, fase em que passamos 1/3 da vida de adultos e metade da vida quando crianças.

Assim como alimentação saudável e prática de atividades físicas, o sono é um dos pilares de uma vida saudável e já deve ser praticado desde a infância.

Independentemente da idade, algumas dicas são fundamentais para uma boa noite de sono:

– o sono deve acontecer em ambiente escuro e silencioso. Sonecas não precisam ser feitas em escuridão total. Fechar a janela sem fechar o blackout já é suficiente;

– ruído branco só ajuda em caso de ruído externo e não deve ser mais alto que o tique-taque de um relógio;

– os horários de dormir e acordar devem ser mantidos constantes, tanto nos dias de semana quanto nos finais de semana, mesmo que a noite tenha sido “ruim”;

– exposição à luz solar pela manhã e redução da exposição às luzes artificiais (incluindo telas) ao menos 1 hora antes de dormir. Sempre obedecendo o tempo recomendado de acordo com a idade;

– não usar medicações para dormir sem recomendação médica.

Para as crianças menores de 1 ano, é importante pensarmos na segurança. Muitos passos podem prevenir a morte dos bebês durante o sono, cuidados que se iniciam com o pré-natal adequado e seguem com o local do sono:

– o lugar mais seguro para o bebê dormir é o berço. Berços em bom estado de conservação podem ser reaproveitados, mas os colchões devem ser novos, com densidade 18 ou superior;

– o berço deve ficar no quarto dos pais pelo menos até o bebê completar 6 meses. Em outras situações, como bebês prematuros, com algum problema de saúde, com vacinas atrasadas ou que não passaram pela estação da bronquiolite, devem ficar no quarto dos pais até os 12 meses ou até a situação se resolver;

– colocar o bebê para dormir sempre de barriga para cima. Mesmo que ele seja prematuro ou tenha refluxo gastroesofágico. Essa medida é a mais eficaz na prevenção de morte súbita, sendo responsável pela redução de cerca de 70% dos casos. Quando o bebê aprende a rolar, significa que seu sistema respiratório já está um pouco mais maduro. Continuamos a colocá-los de barriga para cima, mas se eles virarem durante o sono, não precisamos desvirar;

– a única coisa fofa que pode ter no berço é o bebê: protetores de berço, travesseiros, ninhos, naninhas, bichinhos de pelúcia e qualquer outro objeto fofo são contraindicados, pelo risco de o bebê se asfixiar. Para aquecimento nos dias frios, preferir camadas de roupas ou sacos de dormir (que deixem cabeça e braços livres) a lençóis ou cobertas soltas.

Para os escolares e adolescentes, vale ainda lembrar que:

– cafeína pode atrapalhar o sono. O ideal é, para quem já pode consumir, não tomar ao menos três horas antes de dormir. Lembrando que a cafeína é encontrada não só no café, mas também em refrigerantes, energéticos e muitos chás;

– cigarros eletrônicos, além de outros males à saúde, atrapalham o sono, por conterem nicotina;

– celulares, tablets, computadores e televisores fora do quarto contribuem para um sono melhor.

O exemplo dos pais para os filhos nesse tema é fundamental.

Em caso de dúvidas, converse com seu pediatra. E bons sonhos!

 

Relatora:

Cristiane Fumo dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Riscos da gravidez precoce para a adolescente e seu filho https://spsp.org.br/riscos-da-gravidez-precoce-para-a-adolescente-e-seu-filho/ Fri, 31 Jan 2025 17:27:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50047 A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece de 1 a 8 de fevereiro. A gravidez na adolescência é um fenômeno global que possui causas muito bem conhecidas]]>

A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece de 1 a 8 de fevereiro. A gravidez na adolescência é um fenômeno global que possui causas muito bem conhecidas, assim como consequências sociais, econômicas e para a saúde. Tende a ser maior entre aquelas de menor grau de escolaridade ou menor status econômico e, embora se verifique diminuição na taxa da primeira gravidez, essa ainda se mantém muito alta no Brasil, se comparada a países desenvolvidos.

Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ao considerar meninas entre 10 e 19 anos, o Brasil é um dos países da América Latina com a maior prevalência de gravidez na adolescência (14%), ficando atrás do Paraguai (15%), Equador e Colômbia, ambos com 18%.

A denominação mais adequada é GRAVIDEZ PRECOCE, pois acontece em uma fase da vida da mulher na qual seu organismo está num período de intensas mudanças físicas, psíquicas e sociais, e para que se desenvolva plenamente, tais mudanças precisam acontecer com o menor número possível de intercorrências – e uma gravidez é uma grande intercorrência no desenvolvimento.

Estudos recentes demonstram que a gravidez em uma mulher adulta acarreta mudanças no cérebro semelhantes às que ocorrem na adolescência. Resumidamente, há uma diminuição da substância cinzenta, entre outras alterações significativas, possivelmente mediada pelos hormônios da gravidez. Adolescentes já estão naturalmente passando por mudanças relevantes no cérebro, iniciadas na puberdade e que se estendem até 20 anos ou mais. Neste sentido, gestantes adolescentes têm uma sobreposição de estímulos hormonais no cérebro.

Figura 1. Alterações no cérebro durante a adolescência

A massa cinzenta se reduz e a massa branca aumenta, fazendo com que as conexões cerebrais sejam mais específicas e mais rápidas. Essas alterações se iniciam no início da puberdade na região posterior do cérebro (occipital) e progridem para a região frontal (região mais elaborada do cérebro).

 

Figura 2. Alterações que ocorrem no cérebro de gestantes adultas, mostrando que a substância cinzenta também diminui

Carmona et al. A comparative analysis of cerebral morphometric changes. Hum Brain Mapp. 2019 May;40(7):2143-2152

 

Riscos intrauterinos para filhos de mães adolescentes 

É possível inferir que essa sobreposição de alterações no cérebro da mãe adolescente (i.e., alterações do cérebro adolescente somadas às alterações do cérebro materno), acrescida de pressões sociais e familiares, bem como as incertezas em relação ao futuro, podem gerar um estresse muito intenso (e tóxico), afetando de forma significativa o cérebro da adolescente e do feto.

Quando a mãe está sob estresse, seu corpo libera hormônios como o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios podem atravessar a placenta e afetar o desenvolvimento do cérebro do feto, interferindo na formação de sinapses, que são as conexões entre os neurônios. Essas alterações podem impactar a comunicação neuronal e, consequentemente, o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

Crianças expostas a altos níveis de estresse intrauterino podem ter maior risco de desenvolver problemas emocionais e comportamentais, como ansiedade e dificuldades de atenção à medida que crescem. E podem apresentar um aumento da vulnerabilidade a transtornos mentais na adolescência e na idade adulta.*

Para a gestante adolescente os riscos são amplos

As adolescentes já estão naturalmente em uma fase de crescimento e desenvolvimento e a gravidez precoce pode interferir nesse processo. Elas podem enfrentar complicações como hipertensão gestacional, anemia e pré-eclâmpsia, entre outras complicações relevantes.

  1. A gravidez em adolescentes está associada a um maior risco de parto prematuro, o que pode levar a complicações para o bebê, como baixo peso ao nascer e problemas de saúde a longo prazo.
  2. As adolescentes podem ter uma taxa mais alta de abortos espontâneos, especialmente se não receberem cuidados pré-natais adequados.
  3. Muitas adolescentes podem não ter uma nutrição adequada durante a gravidez, o que pode impactar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê. Uma alimentação inadequada pode resultar em deficiências nutricionais que afetam o desenvolvimento fetal. Para a adolescente há risco de uma menor aquisição de massa óssea, o que aumenta o risco de osteoporose na pós-menopausa.
  4. A gravidez na adolescência, além de limitar o desenvolvimento social da adolescente, pode causar estresse, ansiedade e depressão. A pressão social e as mudanças na vida podem ser difíceis de lidar, resultando em problemas de saúde mental.
  5. Muitas mães adolescentes enfrentam dificuldades financeiras, falta de apoio familiar e estigmas sociais, o que pode impactar ainda mais a sua saúde e bem-estar da mãe e do bebê.
  6. A gravidez pode interromper os estudos e limitar as oportunidades de carreira da adolescente, afetando seu futuro econômico e social.
  7. Mães adolescentes têm maior chance de trabalhar do que adolescentes não grávidas; entretanto, em sua maioria são empregos informais. E se comparadas a mulheres que tiveram filhos após os 20 anos, recebem 28% menos de salário.
  8. A gravidez na adolescência pode levar ao isolamento social, com a jovem mãe se afastando de amigos e atividades sociais, o que pode aumentar a sensação de solidão e depressão.

Os pais, professores e os pediatras devem fornecer informações corretas sobre sexualidade e prevenção da gravidez precoce. Falar sobre sexualidade, prevenção de gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis não induz adolescentes a iniciarem a vida sexual mais precocemente!

Pediatras têm papel fundamental nessa prevenção: têm a capacidade de atuar na diminuição da primeira gestação precoce. Precisam orientar tanto a família quanto os adolescentes sobre métodos contraceptivos e prescrevê-los quando indicado.

A prevenção não se restringe às adolescentes: todos os adolescentes sempre devem participar dessas orientações.

As gestantes adolescentes devem ser informadas sobre seus direitos referentes aos estudos e devem ser encorajadas e apoiadas a continuar estudando.

Saiba mais:

* Prenatal developmental origins of behavior and mental health: the influence of maternal stress in pregnancy. The influence of maternal stress in pregnancy. Neuroscience and Biobehavioral Reviews. 2020;117:26-64.

Relatora:
Elizete Prescinotti Andrade
Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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