Ar Livre – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 04 Sep 2026 16:20:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Ar Livre – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Miopia em crianças: quando enxergar de longe começa a ficar difícil https://spsp.org.br/miopia-em-criancas-quando-enxergar-de-longe-comeca-a-ficar-dificil/ Fri, 04 Sep 2026 16:19:03 +0000 https://spsp.org.br/?p=58911 “Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.” “Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.” “Será que prejudica passar muito tempo no celular?” Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança. A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola. A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida. Como saber se uma criança está ficando míope? Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”. Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito. Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta: É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão. E o celular? Ele causa miopia? Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem. A resposta não é simplesmente “sim”. O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre. Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos. Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre. Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes. Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia. Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural. E se a criança já tem miopia? Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante. Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental. Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais. Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças. O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família: •Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias. •Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.  •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos. •Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar. •Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando. Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”. Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares. A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado. No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas. Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

“Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.”

“Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.”

“Será que prejudica passar muito tempo no celular?”

Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança.

A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola.

A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida.

Como saber se uma criança está ficando míope?

Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”.

Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito.

Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta:

  • apertar os olhos para enxergar de longe;
  • aproximar-se muito da televisão ou de outros objetos;
  • ter dificuldade para enxergar a lousa na escola;
  • sentar cada vez mais perto da tela;
  • apresentar dores de cabeça ou cansaço visual;
  • perder o interesse por atividades que dependem da visão de longe;
  • apresentar queda no rendimento escolar.

É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão.

E o celular? Ele causa miopia?

Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem.

A resposta não é simplesmente “sim”.

O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre.

Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos.

Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre.

Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes.

Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia.

Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural.

E se a criança já tem miopia?

Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante.

Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental.

Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais.

Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças.

O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família:

•Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias.

•Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.

 •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos.

•Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar.

•Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando.

Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”.

Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares.

A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado.

No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Combate ao sedentarismo: um alerta para a saúde de crianças e adolescentes https://spsp.org.br/combate-ao-sedentarismo-um-alerta-para-a-saude-de-criancas-e-adolescentes/ Mon, 10 Mar 2025 18:03:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50492 No dia 10 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um momento importante para refletirmos ]]>

No dia 10 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um momento importante para refletirmos sobre o impacto da falta de movimento na vida das crianças e adolescentes. Com o avanço da tecnologia e a rotina cada vez mais conectada, a infância ativa está sendo substituída por longos períodos diante das telas. Brincadeiras ao ar livre, que antes faziam parte do dia a dia, estão dando lugar a horas seguidas no celular, no videogame ou no computador. Mas o que parece inofensivo pode ter consequências sérias para a saúde.

O sedentarismo não se resume apenas à falta de exercício: ele é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares. Além disso, a ausência de atividade física compromete a saúde mental, contribuindo para quadros de ansiedade, estresse e depressão. O impacto também é notado na escola, já que crianças que se movimentam pouco podem apresentar dificuldades de concentração, pior rendimento acadêmico e maior propensão à fadiga.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças e adolescentes pratiquem pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a intensa. No entanto, estudos apontam que grande parte deles não atinge essa meta. O aumento do tempo de tela, a falta de espaços seguros para brincar e até a rotina acelerada das famílias são alguns dos fatores que levam ao sedentarismo infantil. O problema é sério, mas há uma boa notícia: reverter esse quadro é mais fácil do que parece!

Estimular o movimento desde cedo traz benefícios para a vida toda. Crianças ativas fortalecem músculos e ossos, desenvolvem melhor a coordenação motora e crescem com hábitos mais saudáveis. Além disso, o exercício físico libera hormônios do bem-estar, como a endorfina e a serotonina, ajudando a combater o estresse e promovendo mais alegria e disposição. Outro ponto essencial é a socialização: esportes coletivos e brincadeiras ao ar livre ensinam valores como disciplina, cooperação e respeito, fundamentais para a formação emocional dos pequenos.

Mas como incentivar as crianças e adolescentes a se movimentarem mais? Pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença. Atividades simples, como pular corda, brincar de pega-pega, andar de bicicleta e brincar de esconde-esconde são formas eficazes e naturais de combater o sedentarismo. Praticar esportes também é uma excelente alternativa, e há opções para todos os gostos, desde futebol, basquete e vôlei até natação e artes marciais. O importante é encontrar algo que a criança goste, para que o movimento se torne um hábito prazeroso e não uma obrigação.

O exemplo dos pais e responsáveis é fundamental. Crianças que veem seus familiares se exercitando têm maior tendência a seguir o mesmo caminho. Se a família caminha junta, passeia de bicicleta ou aproveita parques e praças nos momentos de lazer, as chances de a criança crescer ativa aumentam consideravelmente. Além disso, é essencial estabelecer limites para o tempo de tela. Definir horários para o uso de dispositivos eletrônicos e incentivar atividades físicas no tempo livre são atitudes que ajudam a equilibrar a rotina.

O Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo é um convite para refletirmos sobre os hábitos das novas gerações. Crianças precisam correr, brincar, gastar energia e explorar o mundo além das telas. Estimular a prática de atividades físicas não é apenas um conselho médico, mas uma necessidade real para garantir um futuro mais saudável e equilibrado. Pequenos gestos podem transformar a qualidade de vida dos jovens e prepará-los para a vida adulta com mais disposição e bem-estar. Afinal, o movimento não é só importante para o corpo – ele também faz bem para a mente e para o coração.

 

Relator:
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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