Apneia do sono – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 17 Mar 2021 18:10:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Apneia do sono – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Meu filho ronca. É normal? https://spsp.org.br/meu-filho-ronca-e-normal/ Tue, 05 Nov 2019 18:19:38 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2969 Apneia obstrutiva do sono na infância é relativamente comum e o tratamento é simples, além de necessário para o bom desenvolvimento da criança A respiração da criança durante o sono deve ser sempre silenciosa. Por isso, a criança que ronca ou tem respiração ruidosa enquanto dorme merece especial atenção. Outros sinais também devem ser observados: movimentação excessiva, sono agitado, transpiração, respiração oral, enurese (xixi na cama). Por trás de sintomas aparentemente comuns, pode estar a apneia obstrutiva do sono. O distúrbio respiratório do sono é uma condição relativamente comum na infância, sendo mais grave a apneia obstrutiva do sono, que acomete cerca de 1 a 3% das crianças na faixa etária pré-escolar (até dois anos). Os sintomas mais marcantes são noturnos: o ronco intenso, respiração oral, sono sem descanso e pequenas pausas respiratórias. Porém, há ainda sintomas diurnos relevantes: agitação ou sonolência e falta de atenção. A apneia obstrutiva do sono interfere potencialmente no desenvolvimento da criança, tanto em aspectos físicos, como déficit de crescimento, quanto cognitivos, que pode se expressar como déficit de atenção e/ou aprendizado. Além disso, em casos extremos, o esforço respiratório durante o sono pode levar a sequelas cardíacas. Os roncos e a apneia do sono na criança resultam de uma combinação entre um estreitamento anatômico das vias aéreas e função neuromuscular (tônus da musculatura da faringe). Na faixa etária pré-escolar, o principal fator associado é o aumento das amígdalas e da adenoide que obstruem as partes nasal e oral da faringe, respectivamente.  Além disso, rinites são fatores potencializados que contribuem para a obstrução nasal repercutindo também na qualidade do sono. Fazendo diagnóstico A investigação da apneia do sono deve iniciar com um relato detalhado dos sintomas. Em seguida, a avaliação da via aérea para determinar o grau de obstrução. Exames complementares podem ser solicitados, como radiografias de perfil da cabeça para análise das vias aéreas. A polissonografia (exame do sono) pode caracterizar a gravidade da apneia e o número de eventos obstrutivos. Entretanto, trata-se de exame demorado e caro e que não deve ser feito de rotina em todas as crianças; deve ser solicitado quando os sintomas não são bem caracterizados, quando há discrepância destes com o grau de obstrução, sendo obrigatório em crianças portadoras de síndromes ou doenças neuromusculares. Tratando as causas   Uma vez que os principais fatores são a hiperplasia (aumento) das amígdalas e adenoide, o tratamento inicial de escolha é a retirada dessas estruturas, ou seja, adenoamigdalectomia. O tratamento cirúrgico tem alta eficácia e leva à transformação da qualidade de vida da criança, com melhora não apenas no padrão respiratório, mas também no seu desenvolvimento, comportamento, atenção etc. Além disso, é obrigatório o tratamento de quadros complementares como rinite e alergia, entre outros. Em crianças com alterações da oclusão dental ou desarmonias do crescimento craniofacial é necessária avaliação do odontopediatra e/ou ortodontista para complementação com tratamento ortodôntico. Em crianças com hipotonia da musculatura perioral, postura de boca aberta, alterações das funções orofacias como deglutição e mastigação deve-se indicar a intervenção fonoaudiológica. A obesidade, cada vez mais frequente, é fator que influencia fortemente na apneia e é associada ao baixo sucesso do tratamento cirúrgico, sendo a orientação dietética obrigatória na apneia do sono. O tratamento precoce reverte as consequências, melhorando sobremaneira a qualidade de vida dessas crianças. RelatoraProfa. Dra. Renata C. Di FrancescoDepartamento de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.]]>

Apneia obstrutiva do sono na infância é relativamente comum e o tratamento é simples, além de necessário para o bom desenvolvimento da criança


A respiração da criança durante o sono deve ser sempre silenciosa. Por isso, a criança que ronca ou tem respiração ruidosa enquanto dorme merece especial atenção. Outros sinais também devem ser observados: movimentação excessiva, sono agitado, transpiração, respiração oral, enurese (xixi na cama). Por trás de sintomas aparentemente comuns, pode estar a apneia obstrutiva do sono.

O distúrbio respiratório do sono é uma condição relativamente comum na infância, sendo mais grave a apneia obstrutiva do sono, que acomete cerca de 1 a 3% das crianças na faixa etária pré-escolar (até dois anos). Os sintomas mais marcantes são noturnos: o ronco intenso, respiração oral, sono sem descanso e pequenas pausas respiratórias. Porém, há ainda sintomas diurnos relevantes: agitação ou sonolência e falta de atenção.

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A apneia obstrutiva do sono interfere potencialmente no desenvolvimento da criança, tanto em aspectos físicos, como déficit de crescimento, quanto cognitivos, que pode se expressar como déficit de atenção e/ou aprendizado. Além disso, em casos extremos, o esforço respiratório durante o sono pode levar a sequelas cardíacas.

Os roncos e a apneia do sono na criança resultam de uma combinação entre um estreitamento anatômico das vias aéreas e função neuromuscular (tônus da musculatura da faringe). Na faixa etária pré-escolar, o principal fator associado é o aumento das amígdalas e da adenoide que obstruem as partes nasal e oral da faringe, respectivamente.  Além disso, rinites são fatores potencializados que contribuem para a obstrução nasal repercutindo também na qualidade do sono.

Fazendo diagnóstico

A investigação da apneia do sono deve iniciar com um relato detalhado dos sintomas. Em seguida, a avaliação da via aérea para determinar o grau de obstrução. Exames complementares podem ser solicitados, como radiografias de perfil da cabeça para análise das vias aéreas. A polissonografia (exame do sono) pode caracterizar a gravidade da apneia e o número de eventos obstrutivos. Entretanto, trata-se de exame demorado e caro e que não deve ser feito de rotina em todas as crianças; deve ser solicitado quando os sintomas não são bem caracterizados, quando há discrepância destes com o grau de obstrução, sendo obrigatório em crianças portadoras de síndromes ou doenças neuromusculares.

Tratando as causas  

Uma vez que os principais fatores são a hiperplasia (aumento) das amígdalas e adenoide, o tratamento inicial de escolha é a retirada dessas estruturas, ou seja, adenoamigdalectomia. O tratamento cirúrgico tem alta eficácia e leva à transformação da qualidade de vida da criança, com melhora não apenas no padrão respiratório, mas também no seu desenvolvimento, comportamento, atenção etc. Além disso, é obrigatório o tratamento de quadros complementares como rinite e alergia, entre outros.

Em crianças com alterações da oclusão dental ou desarmonias do crescimento craniofacial é necessária avaliação do odontopediatra e/ou ortodontista para complementação com tratamento ortodôntico.

Em crianças com hipotonia da musculatura perioral, postura de boca aberta, alterações das funções orofacias como deglutição e mastigação deve-se indicar a intervenção fonoaudiológica.

A obesidade, cada vez mais frequente, é fator que influencia fortemente na apneia e é associada ao baixo sucesso do tratamento cirúrgico, sendo a orientação dietética obrigatória na apneia do sono.

O tratamento precoce reverte as consequências, melhorando sobremaneira a qualidade de vida dessas crianças.

Relatora
Profa. Dra. Renata C. Di Francesco
Departamento de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.



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Síndrome de Down e apneia obstrutiva do sono https://spsp.org.br/sindrome-de-down-e-apneia-obstrutiva-do-sono/ Thu, 21 Mar 2019 18:00:59 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2488 A apneia obstrutiva do sono é bastante prevalente na Síndrome de Down ou Trissomia do Cromossomo 21, afetando cerca de 50 a 100 % das crianças. Esse quadro caracteriza-se, principalmente, por roncos noturnos e pequenas pausas respiratórias durante o sono, as quais chamamos de apneia. Esses sintomas são os mais comuns, mas outros também podem estar presentes. É importante dizer que ronco é um ruído respiratório grave, mais ou menos forte, que aparece durante o sono. Além disso, qualquer ruído respiratório durante o sono deve ser investigado. Além do ronco, respiração ofegante, pausas respiratórias e aparentes engasgos podem fazer parte do quadro. As crianças apresentam sono agitado, com constantes mudanças de posição, ou mesmo estranhas posturas, tais como dormir de barriga para baixo com as pernas encolhidas, hiperextensão da cabeça etc. Destacam-se, também, alguns sintomas diurnos, relacionados à apneia, tais como: irritabilidade, impulsividade, concentração deficiente, sonolência diurna. A apneia do sono pode ainda sobrecarregar o sistema cardiorrespiratório, relembrando-se também que estas crianças apresentam maior prevalência de doenças cardíacas. Há ainda prejuízos para a memória de longo prazo e desenvolvimento da linguagem. Frente a esses sintomas, as crianças precisam ser investigadas. Muitas vezes os familiares não apresentam uma percepção detalhada dos sintomas respiratórios durante o sono, por isso, desde 2011, a Academia Americana de Pediatria recomenda a realização de polissonografia de rotina aos quatro anos de idade na Síndrome de Down. O principal fator a ser investigado é o aumento das amigdalas e adenoide, porém na Síndrome outros fatores também influenciam a apneia, tais como a macroglossia (língua maior que a cavidade bucal), hipoplasia do terço médio da face, hipotonia muscular (redução da força muscular) e sobrepeso. Tratamento O tratamento da apneia obstrutiva do sono é mandatório para melhorar a qualidade de vida e evitar sequelas a longo prazo, uma vez que a sobrevida desses pacientes hoje ultrapassa os 60 anos. O tratamento inicial de escolha é a adenoamigdalectomia (retirada das amigdalas e adenoide), que apresenta uma eficácia de 50 a 70 %. A cirurgia deve ser complementada, de acordo com cada caso, com tratamento ortodôntico para expansão dos arcos dentários, terapia fonoaudiológica miofuncional e fisioterapia para melhora do tônus muscular e, em casos mais graves, adaptação de CPAP (“Continuous Positive Airway Pressure” – Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas – aparelho que fornece fluxo contínuo e constante de ar pressurizado para as vias aéreas do paciente). Eventualmente podem ser necessários tratamentos cirúrgicos complementares abordando-se a hipertrofia de cornetos inferiores, macroglossia ou mesmo o palato mole. O controle de peso deve ser sempre rigoroso, uma vez que sobrepeso e obesidade são fatores que pioram o desconforto respiratório do sono, entre eles a apneia. O diagnóstico precoce e a boa condução no tratamento da apneia obstrutiva do sono resultam em melhora importante da qualidade de vida da criança, interferindo não apenas em seu desenvolvimento físico, como também cognitivo. ___ Relatora: Dra. Renata Di Francesco Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP Publicado em 21/03/2019. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A apneia obstrutiva do sono é bastante prevalente na Síndrome de Down ou Trissomia do Cromossomo 21, afetando cerca de 50 a 100 % das crianças. Esse quadro caracteriza-se, principalmente, por roncos noturnos e pequenas pausas respiratórias durante o sono, as quais chamamos de apneia. Esses sintomas são os mais comuns, mas outros também podem estar presentes.

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É importante dizer que ronco é um ruído respiratório grave, mais ou menos forte, que aparece durante o sono. Além disso, qualquer ruído respiratório durante o sono deve ser investigado.

Além do ronco, respiração ofegante, pausas respiratórias e aparentes engasgos podem fazer parte do quadro. As crianças apresentam sono agitado, com constantes mudanças de posição, ou mesmo estranhas posturas, tais como dormir de barriga para baixo com as pernas encolhidas, hiperextensão da cabeça etc.

Destacam-se, também, alguns sintomas diurnos, relacionados à apneia, tais como: irritabilidade, impulsividade, concentração deficiente, sonolência diurna. A apneia do sono pode ainda sobrecarregar o sistema cardiorrespiratório, relembrando-se também que estas crianças apresentam maior prevalência de doenças cardíacas. Há ainda prejuízos para a memória de longo prazo e desenvolvimento da linguagem.

Frente a esses sintomas, as crianças precisam ser investigadas. Muitas vezes os familiares não apresentam uma percepção detalhada dos sintomas respiratórios durante o sono, por isso, desde 2011, a Academia Americana de Pediatria recomenda a realização de polissonografia de rotina aos quatro anos de idade na Síndrome de Down. O principal fator a ser investigado é o aumento das amigdalas e adenoide, porém na Síndrome outros fatores também influenciam a apneia, tais como a macroglossia (língua maior que a cavidade bucal), hipoplasia do terço médio da face, hipotonia muscular (redução da força muscular) e sobrepeso.

Tratamento

O tratamento da apneia obstrutiva do sono é mandatório para melhorar a qualidade de vida e evitar sequelas a longo prazo, uma vez que a sobrevida desses pacientes hoje ultrapassa os 60 anos.

O tratamento inicial de escolha é a adenoamigdalectomia (retirada das amigdalas e adenoide), que apresenta uma eficácia de 50 a 70 %. A cirurgia deve ser complementada, de acordo com cada caso, com tratamento ortodôntico para expansão dos arcos dentários, terapia fonoaudiológica miofuncional e fisioterapia para melhora do tônus muscular e, em casos mais graves, adaptação de CPAP (“Continuous Positive Airway Pressure” – Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas – aparelho que fornece fluxo contínuo e constante de ar pressurizado para as vias aéreas do paciente). Eventualmente podem ser necessários tratamentos cirúrgicos complementares abordando-se a hipertrofia de cornetos inferiores, macroglossia ou mesmo o palato mole.

O controle de peso deve ser sempre rigoroso, uma vez que sobrepeso e obesidade são fatores que pioram o desconforto respiratório do sono, entre eles a apneia.

O diagnóstico precoce e a boa condução no tratamento da apneia obstrutiva do sono resultam em melhora importante da qualidade de vida da criança, interferindo não apenas em seu desenvolvimento físico, como também cognitivo.

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Relatora:
Dra. Renata Di Francesco
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP

Publicado em 21/03/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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