Aplicação – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 01 Jul 2026 19:58:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Aplicação – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Proteção desde os primeiros dias de vida https://spsp.org.br/protecao-desde-os-primeiros-dias-de-vida/ Wed, 01 Jul 2026 19:58:39 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57682 ]]>

Celebrado em 1º de julho, o Dia da Vacina BCG é uma oportunidade para lembrar a importância de uma das vacinas mais antigas e eficazes da história da saúde pública. Desenvolvida há mais de 100 anos pelos cientistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin, a vacina BCG (abreviação de Bacilo de Calmette-Guérin) continua sendo uma ferramenta fundamental para reduzir complicações e salvar vidas, especialmente na infância.

Aplicada logo nos primeiros dias de vida, a BCG protege crianças contra as formas mais graves da tuberculose, uma doença infecciosa que ainda representa um importante desafio para a saúde em todo o mundo.

O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A transmissão ocorre pelo ar, por meio da eliminação de pequenas partículas liberadas quando uma pessoa com a doença pulmonar ativa tosse, fala ou espirra.

Embora afete principalmente os pulmões, a tuberculose pode atingir praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Em crianças pequenas, a infecção pode evoluir para formas particularmente graves, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, que podem causar sequelas importantes e até levar ao óbito.

Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a tuberculose ainda está entre as doenças infecciosas que mais causam mortes no mundo. No Brasil, milhares de novos casos são registrados todos os anos, o que reforça a importância das medidas de prevenção.

Por que a vacina BCG é tão importante?

A principal função da BCG é proteger bebês e crianças pequenas contra as formas mais graves da tuberculose. Embora ela não impeça todos os casos da doença, sua eficácia na prevenção das complicações mais severas é amplamente reconhecida.

Estudos mostram que a vacina reduz significativamente o risco de meningite tuberculosa e tuberculose disseminada na infância, contribuindo para diminuir hospitalizações, sequelas e mortes relacionadas à doença.

Por esse motivo, a BCG faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quando a vacina deve ser aplicada?

A recomendação é que a vacina seja administrada preferencialmente ainda na maternidade ou nos primeiros dias de vida. Caso isso não seja possível, ela pode ser aplicada posteriormente, conforme as orientações do calendário vacinal vigente. A aplicação é feita no braço direito, por via intradérmica, utilizando uma técnica específica que permite uma resposta adequada do organismo. Quanto mais cedo a criança estiver protegida, menor será o risco de desenvolver as formas graves da doença durante os primeiros anos de vida.

O que acontece após a vacinação?

Muitos pais ficam preocupados ao observar alterações no local da aplicação, mas a maioria delas faz parte da resposta normal à vacina. Nas semanas seguintes à vacinação, é comum surgir uma pequena área avermelhada, que pode evoluir para uma lesão semelhante a uma pequena ferida. Com o tempo, essa região cicatriza e geralmente deixa uma pequena marca no braço, característica da BCG.

Todo esse processo pode levar alguns meses para ser concluído e normalmente não exige nenhum cuidado especial, além da higiene habitual com água e sabão. Não é recomendado espremer, cobrir ou aplicar pomadas sem orientação médica. É importante destacar que a ausência da cicatriz não significa falta de proteção, e, por isso, atualmente não existe mais recomendação de revacinação apenas porque a marca não apareceu.

Quando a BCG não deve ser aplicada?

A vacina é segura para a grande maioria dos recém-nascidos. No entanto, existem situações específicas em que sua aplicação deve ser adiada ou evitada, especialmente em crianças com suspeita ou diagnóstico de imunodeficiências graves. Por isso, a avaliação médica e os programas de triagem neonatal são tão importantes. Quando o teste de triagem neonatal para erros inatos da imunidade (chamado TREC/KREC) for coletado na maternidade, recomenda-se aguardar o resultado do exame para liberação da aplicação da BCG.

Quando existe histórico familiar de imunodeficiência ou alguma condição que possa comprometer o sistema imunológico do bebê, a vacinação deve ser analisada individualmente pelo especialista. Algumas medicações que impactam o sistema imunológico da gestante (como o Rituximabe) também interferem parcialmente na imunidade do recém-nascido, por isso a BCG deve ser adiada de acordo com a medicação utilizada.

Um compromisso com a saúde das crianças

O Dia da Vacina BCG reforça uma mensagem simples, mas muito importante: a vacinação continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves e proteger a infância. Ao garantir que os bebês recebam a BCG no momento adequado, pais, cuidadores e profissionais de saúde contribuem para reduzir o impacto da tuberculose e oferecem às crianças uma proteção essencial desde os primeiros dias de vida.

Vacinar é um gesto de cuidado, responsabilidade e amor. Afinal, proteger hoje é construir um futuro mais saudável para toda a sociedade.

 

Relatores:

Pedro Vale Bedê
Médico pela Universidade Federal do Ceará (UFC)
Infectologista Pediátrico pela Universidade de São Paulo (USP)
Médico Infectologista Pediátrico do Hospital Sírio-Libanês
Preceptor do Ambulatório de Infectologia Pediátrica do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ)
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

 

Daniel Jarovsky
Professor Instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSC-SP)
Infectologista Pediátrico do Sabará Hospital Infantil e do Hospital Israelita Albert Einstein
Vice-Presidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Dia da Vacina BCG https://spsp.org.br/dia-da-vacina-bcg/ Fri, 30 Jun 2023 17:31:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38153 A vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) é uma vacina indicada para prevenir as formas graves da tuberculose. A tuberculose é uma doença infecciosa de transmissão respiratória, causada por]]>

A vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) é uma vacina indicada para prevenir as formas graves da tuberculose.

A tuberculose é uma doença infecciosa de transmissão respiratória, causada por uma bactéria denominada Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch.

Apesar da doença afetar prioritariamente os pulmões, ela pode também acometer outros órgãos e/ou sistemas, causando as formas designadas miliar (quando um grande número de bactérias se desloca pela corrente sanguínea e se dissemina pelo corpo, atingindo vários órgãos) e a forma meníngea (quando afeta as meninges, que são membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal).

A vacina BCG destina-se, principalmente, para a prevenção das formas extrapulmonares graves, cujo risco de adoecimento é mais elevado nos primeiros anos de vida.

É uma vacina bacteriana viva atenuada (sem capacidade de produzir doença em indivíduos saudáveis), derivadas de Mycobacterium bovis (bactéria causadora de mastite tuberculosa bovina) e foi incluída no Calendário Básico de Vacinação do Brasil em 1977.

Ao longo dos anos, a BCG demonstrou eficácia significativa, porém, apesar de não se observar proteção consistente para todas as idades e nem para todas as formas da doença, vários estudos demonstraram que a vacinação neonatal proporcionava 82% de proteção contra a tuberculose grave.

Dessa forma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil preconizam a aplicação da BCG ao nascimento ou nos primeiros 30 dias de vida. Na rotina, a vacina é destinada a crianças na faixa etária de 0 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias.

É preconizado fazer no braço direito (região deltoide), via intradérmica (embaixo da pele), que resulta numa pequena elevação com aparência de casca de laranja, a qual desaparece logo após a aplicação (mais ou menos 8 horas).

Cerca de três semanas depois, o local começa a ficar vermelho e, possivelmente, formará uma ferida (com ou sem pus), que poderá demorar até três meses para cicatrizar (ferida abre, aparenta cicatriz, abre novamente).

Pode ocorrer coceira no local, e a ferida poderá ter até o tamanho de 1 cm de diâmetro, mas depois diminui e a cicatriz fica menor.

Os cuidados pós-vacinação consistem em lavar normalmente com água e sabão na hora do banho e secar com toalha limpa, sem esfregar. Manter a criança com camiseta de manga para proteger o local de poeira, insetos e para que a criança ou irmão não mexam no local. Manter as unhas cortadas e não deixar coçar.

Observações – gânglios embaixo do braço direito ou próximo ao pescoço (íngua) são reações normais, porém pouco frequentes. Se isso ocorrer, levar a criança ao pediatra ou à UBS para melhor avaliação e acompanhamento.

Cerca de 90% das pessoas que recebem a vacina desenvolvem reação no local da injeção, mas 10% não desenvolvem nenhuma alteração.

Importante entender que a cicatriz não representa necessariamente proteção, por isso a OMS, desde 2018, numa revisão das diretrizes de vacinação para bebês, enfatiza que os estudos não demonstraram benefício na repetição da vacinação com BCG; portanto, mesmo na falta de cicatriz, PPD negativo ou IGRA negativo, a revacinação não deve ser feita.

Dessa forma, a partir do posicionamento da OMS em 2018, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também não recomendam a revacinação com BCG.

Uma observação importante é não esquecer que a condição imunológica do indivíduo a ser vacinado também exige atenção antes da vacinação.

Pacientes com imunodeficiências primárias ou adquiridas graves, imunodeficiências combinadas (SCID), doenças granulomatosas, agamaglobulinemias congênitas, além de outras síndromes associadas a alterações da imunidade celular, não devem receber BCG.

As sociedades científicas de imunologia clínica preconizam, sempre que possível, fazer primeiro a triagem neonatal e depois aplicar a vacina BCG, especialmente se na família houver casos conhecidos de imunodeficiências.

No caso da mãe ter recebido biológicos durante a gestação, o bebê deve receber a vacina BCG quando completar seis meses.

Apesar de ser uma enfermidade antiga, a tuberculose continua sendo um importante problema de saúde pública.

No Brasil ocorrem cerca de 70 mil casos novos da doença ao ano e 4,5 mil mortes; portanto a vacina ainda se constitui como a única forma de proteção contra formas graves de tuberculose em crianças.

Vamos comemorar em 01/07/23 o Dia da Vacina BCG, oferecendo às crianças a oportunidade de se protegerem contra uma doença que é extremamente grave, que pode deixar muitas sequelas e até levar à morte.

Vacinas salvam vidas!

 

Saiba mais:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações. Nota Informativa nº10 de 24 de janeiro de 2019-CGPNI/DEVIT/SVS/MS. Atualização da recomendação sobre revacinação com BCG em crianças vacinadas que não desenvolveram cicatriz vacinal. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/nota-informativa-10-2019-cgpni.pdf

 

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-emite-nota-informativa-sobre-a-revacinacao-com-bcg-em-criancas-com-ausencia-de-cicatriz/

 

Controvérsia em Imunizações 2022 – editores Renato de Ávila Kfouri, Guido Carlos Levi, Juarez Cunha. 1ª edição. São Paulo: Segmento Farma Editores, 2023. Disponível em: https://sbim.org.br/images/books/controversias-imunizacoes-2022.pdf

 

Relatora:

Silvia Bardella Marano

Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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