AIDS – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 02 Dec 2025 14:03:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png AIDS – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Eliminação da transmissão vertical do HIV e certificação do Brasil https://spsp.org.br/eliminacao-da-transmissao-vertical-do-hiv-e-certificacao-do-brasil/ Mon, 01 Dec 2025 19:49:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54370 Dezembro é o mês de conscientização e luta contra a Aids. Os primeiros casos notificados de HIV/Aids são do início da década de 1980, sendo a primeira criança notificada no Brasil do ano]]>

Dezembro é o mês de conscientização e luta contra a Aids. Os primeiros casos notificados de HIV/Aids são do início da década de 1980, sendo a primeira criança notificada no Brasil do ano de 1987. Transcorridas quatro décadas desde então, assistimos a importantes avanços no diagnóstico, tratamento e monitoramento da infecção, convertendo a Aids de doença grave potencialmente fatal para infecção crônica controlável. Junto com esse avanço, houve toda uma mudança do perfil da doença na área materno-infantil.

É importante relembrar ou informar que temos formas bem definidas de transmissão e dentro da população pediátrica a principal é a chamada transmissão vertical, que é aquela transmitida da mãe para o filho, que pode acontecer na vida intraútero, durante o parto ou no aleitamento materno.

Assistimos ao aumento da sobrevida dos pacientes em geral, incluindo as crianças, e redução das infecções oportunistas, e com isso um “envelhecimento” da população pediátrica que nasceu com o vírus HIV, com 80%-90% dos pacientes pediátricos infectados hoje já adolescentes, jovens e muitos adultos. Muitos deles são já mães e pais, ou seja, já estamos frente à terceira geração que vive ou convive com o HIV e a excelente

notícia é que a imensa maioria dessas crianças, nascidas de pais que vivem com HIV por transmissão vertical, nasceram livres de HIV e saudáveis.

Tudo isso acontece graças ao protocolo de prevenção de transmissão vertical, que é um conjunto de medidas que começam antes mesmo da concepção, acontecendo durante toda a gestação, com tratamento contínuo da gestante e se mantendo com o bebê usando medicação por 28 dias, realizando exames e não sendo amamentado com leite materno.

Esse conjunto de medidas, quando realizadas na sua totalidade, faz com que a taxa de transmissão vertical seja reduzida de até 30% a 40% quando não acontece o tratamento, para taxas menores de 2%, quando todo o protocolo ocorre.

Em paralelo a esse crescimento da população pediátrica, com a maternidade e paternidade neles, tivemos também todo um incentivo à saúde sexual, reprodutiva e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, que associados aos avanços do protocolo de

prevenção da transmissão vertical, possibilitaram que muitas famílias que vivem com HIV realizassem o sonho de constituir uma família e ter filhos.

O Brasil é um país de referência mundial no tratamento de HIV/Aids e mostra-se também

como um país de ponta na abordagem da prevenção da transmissão vertical. Temos as medicações antirretrovirais distribuídas pelo SUS em 100% do território nacional. O cumprimento correto do protocolo e o trabalho incessante dos profissionais da saúde, associados a investimentos sustentáveis no diagnóstico, tratamento e manejo clínico do binômio mãe-filho, possibilitaram que o Brasil iniciasse o processo de certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV no nosso país em 2017, seguindo todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), iniciando a premiação para municípios que tivessem transmissão vertical menor que 2% e todo o cumprimento dos protocolos em diferentes níveis (gestão, processos, garantia de respeito aos direitos humanos, entre outros).

O processo se iniciou em 2017 certificando Curitiba (PR), mantendo-se o trabalho constante no transcorrer desses anos, atingindo em 2024 a marca de 151 municípios e 19 Estados com algum tipo de certificação pela eliminação ou selo de boas práticas para HIV, sífilis e/ou hepatite B. Importante ressaltar que o município de São Paulo está certificado da eliminação da transmissão vertical desde 2019 e o Estado de São Paulo desde 2023.

E o trabalho não acaba. O Brasil está requerendo à OMS a certificação nacional este ano, de país eliminado da transmissão vertical do HIV, estando toda a documentação em avaliação.

É importante ressaltar que eliminar o agravo não significa que não temos mais a transmissão, mas sim que esta atinge parâmetros muito baixos (menores de 2%), permitindo a avaliação da certificação. A transmissão infelizmente ainda existe em alguns casos e nós profissionais da saúde estamos sempre aqui, lutando contra ela.

E como pode ser a participação da população geral, que não vive com HIV nesse processo? Todos podem auxiliar muito, se aproximando do tema, lutando contra o estigma, preconceito e discriminação, que se mostram como os grandes obstáculos aos diagnósticos e tratamentos, incluindo as gestantes vivendo com HIV, interferindo diretamente no risco de transmissão vertical e na saúde do bebê.

 

Relatora:

Daniela Vinhas Bertolini
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Dia Mundial de Luta Contra a Aids https://spsp.org.br/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-2/ Fri, 01 Dec 2023 14:41:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40988 Dia 1º de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, não apenas lembrando e comemorando]]>

Dia 1º de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, não apenas lembrando e comemorando os avanços alcançados com o manejo da doença, mas também na luta contra o preconceito, o estigma e a discriminação das pessoas que vivem com HIV, melhorando dessa forma a compreensão da população sobre o vírus e suas repercussões, reconhecendo-o como um problema de saúde pública global.

Em todos esses anos de história, e já se vão quatro décadas, a doença assumiu novo perfil, tornando-se uma doença crônica controlável, graças à melhoria significativa da terapia antirretroviral que, desde o fim da década de 1990, consegue controlar de forma muito eficaz o vírus HIV, além do manejo e monitoramento mais precisos, com melhores exames laboratoriais e do investimento em medidas de proteção a esses pacientes, com uso de tratamento precoce e universal a todas as pessoas que vivem com HIV (independentemente de terem ou não manifestações da doença), prevenção de infecções oportunistas, além de vacinação ampla para diversas doenças. Tanto adultos quanto crianças que vivem com HIV se beneficiaram muito dessas mudanças, tornando os tratamentos mais simples de serem seguidos.

O último levantamento da OMS/UNAIDS contabiliza 39 milhões de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV no ano de 2022, com cerca de 35 mil novas infecções/ano em pessoas entre 15 e 24 anos. No Brasil, temos nas quatro décadas, 1.523.339 casos de HIV/Aids notificados, abrangendo todas as faixas etárias.

O relatório global divulgado este ano pela OMS/UNAIDS trouxe a proposta de eliminação da Aids como ameaça à saúde pública global até 2030, relatando que esse caminho ajudará o mundo a estar mais bem preparado para enfrentar futuras pandemias e a avançar no progresso em direção à conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O Brasil participa da proposta e tem se esforçado para que ela seja alcançada. Uma das grandes conquistas foi a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, ou seja, aquela transmitida da mãe para o filho, através da gestação, parto ou aleitamento materno, em 28 municípios, ressaltando aqui que a eliminação não é a erradicação da situação, mas sim atingir patamares muito baixos de transmissão, próximos de zero, que permitem essa certificação.

Todos os investimentos em conscientização e prevenção, além dos avanços no manejo da doença, devem ser amplamente divulgados à população, com o objetivo de redução de novas infecções.

Evidências científicas recentes corroboram a afirmação de que pessoas vivendo com HIV em terapia antirretroviral e com carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem o vírus HIV por via sexual. Hoje utiliza-se o termo Indetectável = Intransmissível, consenso entre os cientistas que vem sendo amplamente utilizado mundialmente por instituições de referência sobre o HIV.

Outro grande avanço é a possibilidade de que mulheres vivendo com HIV em terapia antirretroviral regular e carga viral indetectável engravidem normalmente, sem risco de transmissão do vírus para seus filhos. Essa grande notícia tem possibilitado a realização de sonhos das mulheres que vivem com HIV, tranquilizando-as a constituir suas famílias com crianças sem o vírus.

Como última e importante mensagem gostaríamos de lembrar que é recomendada também a testagem regular de mulheres negativas para o HIV que estejam em aleitamento materno. Temos de recordar que essas também são sexualmente ativas e apresentam risco de infecção, assim como a população geral. Havendo infecção nessa fase, o aleitamento deve ser imediatamente suspenso e a criança submetida ao tratamento profilático.

Devemos divulgar e veicular de forma ampla o assunto HIV/Aids não apenas neste 1º de dezembro, mas sempre e em todas as oportunidades. Isso facilita tanto a reflexão sobre as medidas de proteção para novas infecções, quanto o acolhimento e menor discriminação de quem vive com HIV.

 

Saiba mais:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/dezembro/ministerio-da-saude-certifica-municipios-por-eliminacao-da-transmissao-vertical-de-hiv-e-sifilis

 

Relatoras:
Daniela Vinhas Bertolini
Flavia Jacqueline Almeida
Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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1º de dezembro – Dia Mundial de Luta Contra a Aids https://spsp.org.br/1o-de-dezembro-dia-mundial-de-luta-contra-a-aids/ Thu, 01 Dec 2022 11:31:38 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35733 Temos vivenciado momentos difíceis em relação à saúde, seja pela pandemia pelo coronavírus, seja pela enorme quantidade de outros vírus que “enlouqueceram” desde 2021, com mudanças]]>

Temos vivenciado momentos difíceis em relação à saúde, seja pela pandemia pelo coronavírus, seja pela enorme quantidade de outros vírus que “enlouqueceram” desde 2021, com mudanças na sazonalidade, provocando epidemias fora de época, como o Vírus Sincicial Respiratório (de atenção fundamental para as crianças, principalmente as menores) e o Influenza. Mas não podemos esquecer de um vírus em particular, que desde as décadas de 80 e 90 trouxe uma enormidade de problemas, inclusive gerando intolerância de gênero, que é o HIV.

Importante mencionarmos que, de situações de intolerância de gênero, hoje o principal grupo acometido pelo HIV são os heterossexuais, ou seja, a população dominante de gênero. E isto representa um risco para outra população, que sequer tem a prerrogativa do gênero para sua contaminação, que são os recém-nascidos.

Lógico que não devemos tirar nossos olhos das crianças e adolescentes que podem se contaminar por uso de drogas e relações sexuais (hoje o risco nas transfusões é mínimo, devido à triagem no sangue dos doadores), e cabe a todos nós a orientação e o cuidado com estes indivíduos que estão começando suas vidas e, certamente, ainda não têm o discernimento suficiente para entender os riscos de seus atos. Precisamos estar lado a lado com eles, não para reprimi-los, mas para que tenham um caminho com o mínimo de riscos possível.

Mas gostaríamos também de comentar dos recém-nascidos, o que significa falarmos das gestantes.

É essencial que tenhamos cuidados completos no pré-natal, com as consultas e os exames para investigação, não só do HIV, mas de diversas outras doenças, como sífilis e hepatites. O Brasil tem se esforçado para a erradicação do HIV (e sífilis) de transmissão da mãe para o recém-nascido e muitas cidades, inclusive, serão homenageadas no dia 1/12 por conseguirem esse feito!

Nascer com qualquer doença é algo que jamais iremos querer para nossas crianças, e o pré-natal correto é um grande passo que podemos, e devemos, fazer para permitir qualidade de vida para essas crianças no início de suas vidas!

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial de Luta contra a AIDS https://spsp.org.br/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids/ Wed, 01 Dec 2021 13:10:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30613 Dia 01/12 é a data escolhida pela Organização Mundial de Saúde para que internacionalmente possamos unir no combate a AIDS, não só lembrando dos avanços alcançados com o manejo da doença, mas também na luta contra o preconceito.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 01/12/2021


Dia 01 de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate a AIDS, não apenas lembrando dos avanços alcançados com o manejo da doença, mas também na luta contra o preconceito, estigma e discriminação das pessoas que vivem com o HIV, melhorando dessa forma a compreensão da população sobre o vírus e suas repercussões, reconhecendo-o como um problema de saúde pública global. 

Após quatro décadas do início da descrição da AIDS, assistimos a uma enorme mudança no seu perfil: de uma doença grave para uma infecção crônica controlável. Isso foi possível graças à melhoria significativa do tratamento, ao manejo e monitoramento mais preciso e ao investimento em medidas de proteção aos pacientes com uso de tratamento precoce ao HIV, prevenção de infecções oportunistas, além de investimentos na vacinação das pessoas infectadas pelo vírus.

Situação atual

O último levantamento da OMS/UNAIDS contabilizou 38 milhões de pessoas em todo mundo vivendo com HIV no ano de 2019, sendo desses 1,8 milhões de crianças de 0 a 14 anos. No Brasil, nas quatro décadas, temos 1.011.617 casos, sendo 15.486 pessoas menores de 13 anos.

Todos os investimentos em conscientização e prevenção devem ser amplamente divulgados com objetivo de reduzir novas infecções. Testagem regular de toda pessoa sexualmente ativa, o que inclui mulheres com planejamento reprodutivo, é uma das estratégias de prevenção. Havendo o diagnóstico do HIV, essa mulher será imediatamente tratada e submetida ao protocolo de prevenção de transmissão vertical (da mãe para o filho), tornando a transmissão para o bebê bastante baixa, em torno de 0 a 3%.

Dessa forma, mulheres soropositivas podem ter filhos saudáveis. Esse é um enorme avanço no manejo da doença e tem possibilitado a realização dos sonhos das mulheres infectadas de constituir suas famílias com crianças sem HIV.

Relatora
Daniela Vinhas Bertolini
Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: andrew lozovyi | depositphotos.com

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