A(H1N1) – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 30 Mar 2016 13:47:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png A(H1N1) – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Circulação antecipada do vírus influenza A-H1N1 em 2016 https://spsp.org.br/circulacao-antecipada-do-virus-influenza-a-h1n1-em-2016/ Wed, 30 Mar 2016 13:47:49 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1115 Neste início de ano fomos surpreendidos pela circulação antecipada do vírus influenza: apenas no município de São Paulo foram notificados, nas primeiras semanas do ano, 103 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O número de casos de influenza A- do tipo H1N1 já é três vezes maior quando comparado a igual período de 2015. Os surtos de vírus influenza (que geralmente ocorrem entre os meses de maio e agosto) foram registrados mais cedo em 2016, podendo ser observados em diversas escolas públicas e privadas e nas estatísticas dos serviços sentinela. Os dados do Ministério da Saúde, até o dia 5 de março de 2016, também corroboram esta informação: foram notificados 1.189 casos de SRAG. Entre as amostras já processadas, 21,1% foram por influenza. Dentre os casos de influenza, a grande maioria – 83,2% – foi o A, tipo H1N1 pdm09. Gripe A gripe é uma doença aguda contagiosa e de início abrupto, que provoca febre alta, dores musculares, dores de cabeça, sintomas respiratórios como tosse e coriza, mal-estar geral e, em algumas pessoas, vômitos e diarreia. A gripe ocorre em surtos, principalmente nos meses do outono e inverno. É sempre importante lembrar que a gripe é causada somente pelo vírus influenza e não deve ser confundida com os resfriados comuns e com outras infecções respiratórias virais. Apesar de ser, na maioria das vezes, doença benigna e autolimitada, pode evoluir com complicações, como a pneumonia, e levar a hospitalização, especialmente em determinados grupos mais vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e pessoas portadoras de deficiência na imunidade. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, por meio de partículas aéreas formadas pela tosse e/ou espirro, além da transmissão ao tocar objetos contaminados com os vírus e depois colocar a mão na boca, olhos ou nariz. Os vírus dos tipos A e B, os maiores responsáveis pelas epidemias sazonais, podem apresentar mutações frequentes e são facilmente transmitidos em casas, creches, escolas e em ambientes fechados ou semifechados. Definições • O período de incubação do vírus da gripe, ou seja, o tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas, pode variar de 1 a 7 dias. • Período de transmissibilidade do vírus – inicia-se 24 horas antes do início dos sintomas, sendo a transmissão máxima nos três primeiros dias do sintomas. Em crianças, especialmente as pequenas, o período de transmissibilidade costuma ser mais prolongado. • Síndrome gripal: febre alta (até 40ºC) de aparecimento súbito, com duração de 3 a 5 dias, cefaleia, dor muscular, dor de garganta, tosse. Cansaço é o sintoma mais comum, podendo durar, com a tosse, por até 3 semanas. • SRAG: dificuldade para respirar e risco de morte (pneumonia é a complicação mais observada). O Informe Técnico da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza foi divulgado em 11 de março, no portal da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), e o Ministério da Saúde promoverá a campanha de 30 de abril a 20 de maio, com dia de mobilização nacional em 30 de abril. Grupos de risco (prioridades nessa campanha) para vacinação • Crianças de seis meses a cinco anos incompletos; • Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade, sob medidas socioeducativas; • Gestantes (em qualquer fase da gestação) e puérperas (até 45 dias após o parto); • Indivíduos com 60 anos ou mais de idade; • Povos indígenas; • Trabalhadores da área da saúde; • População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional; • Portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais. A vacina disponibilizada na campanha do Ministério da Saúde é produzida pelo Instituto Butantan e Instituto Butantan/Sanofi Pasteur-França. Ela será composta de três cepas: • A/California/7/2009 (H1N1) pdm09 • A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2) • B/Brisbane/60/2008 (linhagem Victoria) As clínicas privadas contarão com as vacinas trivalente (já disponíveis em algumas clínicas) e quadrivalente, que neste ano também apresenta mudanças: • A/California/7/2009 (H1N1) pdm09 • A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2) • B/Brisbane/60/2008 (linhagem Victoria) • B/Phuket/3073/2013 (Yamagata) Esquema vacinal orientado pelo Ministério da Saúde • 6 a 35 meses de idade: 2 doses de 0,25 ml (meia dose) com intervalo mínimo de 4 semanas (30 dias após a 1ª dose) • 3 a 8 anos de idade: 2 doses 0,5 ml com intervalo mínimo de 4 semanas (30 dias após a 1ª dose) • A partir de 9 anos de idade e adultos: 1 dose única – 0,5 ml. Observações • Criança que já recebeu uma ou duas doses em 2015, deve receber apenas 1 dose em 2016; • Crianças de seis meses a nove anos incompletos que não receberam vacina em 2015 (serão vacinadas pela primeira vez), devem receber uma segunda dose (30 dias após a primeira dose); • Aplicação é intramuscular. Precauções e contraindicações • Doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro. • Quem tem história de alergia a ovo, que apresente apenas urticária após a exposição, pode receber a vacina da influenza, observando-se o indivíduo vacinado por, pelo menos, 30 minutos em ambiente com condições de atendimento de reações anafiláticas. • A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores, bem como a qualquer componente da vacina ou alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados. • Reações anafiláticas graves a doses anteriores também contraindicam doses subsequentes. Informe Técnico – Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza – 2016: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/11/informe-tecnico-campanha-vacinacao-influenza-2016.pdf ___ Relatores: Dr. Moises Chencinski Departamento de Pediatria Ambulatorial da SPSP Dr. Marco Aurélio Safadi Comitê Permanente de Assessoria de Imunizações da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e do Ministério da Saúde do Brasil; Professor adjunto de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.   Publicado em 30/03/2016. photo credit: Fredleonero | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta...]]>

Neste início de ano fomos surpreendidos pela circulação antecipada do vírus influenza: apenas no município de São Paulo foram notificados, nas primeiras semanas do ano, 103 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O número de casos de influenza A- do tipo H1N1 já é três vezes maior quando comparado a igual período de 2015.

Os surtos de vírus influenza (que geralmente ocorrem entre os meses de maio e agosto) foram registrados mais cedo em 2016, podendo ser observados em diversas escolas públicas e privadas e nas estatísticas dos serviços sentinela. Os dados do Ministério da Saúde, até o dia 5 de março de 2016, também corroboram esta informação: foram notificados 1.189 casos de SRAG. Entre as amostras já processadas, 21,1% foram por influenza. Dentre os casos de influenza, a grande maioria – 83,2% – foi o A, tipo H1N1 pdm09.

Gripe
A gripe é uma doença aguda contagiosa e de início abrupto, que provoca febre alta, dores musculares, dores de cabeça, sintomas respiratórios como tosse e coriza, mal-estar geral e, em algumas pessoas, vômitos e diarreia. A gripe ocorre em surtos, principalmente nos meses do outono e inverno.

É sempre importante lembrar que a gripe é causada somente pelo vírus influenza e não deve ser confundida com os resfriados comuns e com outras infecções respiratórias virais. Apesar de ser, na maioria das vezes, doença benigna e autolimitada, pode evoluir com complicações, como a pneumonia, e levar a hospitalização, especialmente em determinados grupos mais vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e pessoas portadoras de deficiência na imunidade.

A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, por meio de partículas aéreas formadas pela tosse e/ou espirro, além da transmissão ao tocar objetos contaminados com os vírus e depois colocar a mão na boca, olhos ou nariz. Os vírus dos tipos A e B, os maiores responsáveis pelas epidemias sazonais, podem apresentar mutações frequentes e são facilmente transmitidos em casas, creches, escolas e em ambientes fechados ou semifechados.

Definições
• O período de incubação do vírus da gripe, ou seja, o tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas, pode variar de 1 a 7 dias.
• Período de transmissibilidade do vírus – inicia-se 24 horas antes do início dos sintomas, sendo a transmissão máxima nos três primeiros dias do sintomas. Em crianças, especialmente as pequenas, o período de transmissibilidade costuma ser mais prolongado.
• Síndrome gripal: febre alta (até 40ºC) de aparecimento súbito, com duração de 3 a 5 dias, cefaleia, dor muscular, dor de garganta, tosse. Cansaço é o sintoma mais comum, podendo durar, com a tosse, por até 3 semanas.
• SRAG: dificuldade para respirar e risco de morte (pneumonia é a complicação mais observada).

O Informe Técnico da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza foi divulgado em 11 de março, no portal da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), e o Ministério da Saúde promoverá a campanha de 30 de abril a 20 de maio, com dia de mobilização nacional em 30 de abril.

Grupos de risco (prioridades nessa campanha) para vacinação
• Crianças de seis meses a cinco anos incompletos;
• Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade, sob medidas socioeducativas;
• Gestantes (em qualquer fase da gestação) e puérperas (até 45 dias após o parto);
• Indivíduos com 60 anos ou mais de idade;
• Povos indígenas;
• Trabalhadores da área da saúde;
• População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional;
• Portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais.

A vacina disponibilizada na campanha do Ministério da Saúde é produzida pelo Instituto Butantan e Instituto Butantan/Sanofi Pasteur-França. Ela será composta de três cepas:
• A/California/7/2009 (H1N1) pdm09
• A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2)
• B/Brisbane/60/2008 (linhagem Victoria)

As clínicas privadas contarão com as vacinas trivalente (já disponíveis em algumas clínicas) e quadrivalente, que neste ano também apresenta mudanças:
• A/California/7/2009 (H1N1) pdm09
• A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2)
• B/Brisbane/60/2008 (linhagem Victoria)
• B/Phuket/3073/2013 (Yamagata)

Esquema vacinal orientado pelo Ministério da Saúde
• 6 a 35 meses de idade: 2 doses de 0,25 ml (meia dose) com intervalo mínimo de 4 semanas (30 dias após a 1ª dose)
• 3 a 8 anos de idade: 2 doses 0,5 ml com intervalo mínimo de 4 semanas (30 dias após a 1ª dose)
• A partir de 9 anos de idade e adultos: 1 dose única – 0,5 ml.

Observações
• Criança que já recebeu uma ou duas doses em 2015, deve receber apenas 1 dose em 2016;
• Crianças de seis meses a nove anos incompletos que não receberam vacina em 2015 (serão vacinadas pela primeira vez), devem receber uma segunda dose (30 dias após a primeira dose);
• Aplicação é intramuscular.

Precauções e contraindicações
• Doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro.
• Quem tem história de alergia a ovo, que apresente apenas urticária após a exposição, pode receber a vacina da influenza, observando-se o indivíduo vacinado por, pelo menos, 30 minutos em ambiente com condições de atendimento de reações anafiláticas.
• A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores, bem como a qualquer componente da vacina ou alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados.
• Reações anafiláticas graves a doses anteriores também contraindicam doses subsequentes.

Informe Técnico – Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza – 2016:
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/11/informe-tecnico-campanha-vacinacao-influenza-2016.pdf

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Relatores:
Dr. Moises Chencinski
Departamento de Pediatria Ambulatorial da SPSP
Dr. Marco Aurélio Safadi
Comitê Permanente de Assessoria de Imunizações da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e do Ministério da Saúde do Brasil; Professor adjunto de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

 

Publicado em 30/03/2016.
photo credit: Fredleonero | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Por que ampliar a vacinação contra influenza em crianças? https://spsp.org.br/por-que-ampliar-a-vacinacao-contra-influenza-em-criancas/ Mon, 14 Apr 2014 14:12:20 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=579 No Brasil, a vacinação contra influenza foi introduzida em 1999, inicialmente, sendo recomendada para idosos e grupos de risco, sendo raramente utilizada em crianças devido à escassez de dados sobre o impacto da doença na faixa etária pediátrica no nosso país, apesar de inúmeras publicações demonstrarem que a vacina era segura e efetiva. Depois da pandemia, ficou claro o alto risco associado à cepa A(H1N1) pdm09, não apenas para os grupos de risco, mas também para gestantes, crianças e adolescentes, sendo a vacina monovalente amplamente distribuída para esses grupos na campanha de 2010. Desde 2011, crianças de 6 a 24 meses, gestantes e puérperas foram incluídas nos grupos alvo da vacinação no Brasil e, em 2012, a Organização Mundial de Saúde colocou as gestantes como prioridade máxima para receber a vacina, considerando os benefícios à mãe e ao bebê. Outros grupos de risco, como idosos, crianças menores de cinco anos, profissionais de saúde, puérperas, obesos, indígenas, pessoas privadas de liberdade e portadores de comorbidades são listados em seguida, sem ordem de preferência. Em abril de 2014, foi anunciada a extensão da vacinação para crianças de 6 a 60 meses no Brasil, uma medida já preconizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que agora torna viável a vacinação sem custo para todas as crianças de 6 a 60 meses na rede pública. Diversos motivos justificam a ampliação da vacinação de crianças até cinco anos de idade, dentre eles, destacam-se: Crianças são mais infectadas e excretam os vírus influenza por tempo mais prolongado do que adultos; Crianças menores de cinco anos apresentam taxas de hospitalização tão altas quando idosos sem comorbidades; Crianças doentes são levadas à consulta médica com maior frequência do que adultos, apresentam com maior frequência febre, otite média e pneumonia, sendo frequentemente tratadas com antibióticos; Durante as epidemias de influenza o número de consultas médicas aumenta entre 30 e 50% e os atendimentos na emergência, entre 50-100%, gerando sobrecarga nos serviços ambulatoriais e hospitalares; Ao contrário dos adultos, a maioria das crianças menores de cinco anos que desenvolve complicações pós-influenza não apresenta qualquer doença de base; Medidas não-farmacêuticas, como uso de máscaras e higiene, e o uso de antivirais, podem reduzir a transmissão da influenza; entretanto, a efetividade desses recursos para controlar a disseminação dos vírus é variável e existem enormes dificuldades para sua implementação em tempo hábil, considerando-se que a excreção dos vírus tem início antes do aparecimento dos sintomas e que as crianças pequenas ainda não tem maturidade suficiente para seguir rigorosamente as normas de higiene; A vacinação de crianças gera economia, principalmente se forem considerados os custos decorrentes do absenteísmo dos pais ao trabalho para cuidar das crianças doentes e os benefícios da proteção indireta (herd protection), pois cada pessoa vacinada deixa de se infectar e de transmitir o vírus na comunidade; A vacinação de crianças reduz o absenteísmo entre escolares vacinados e seus colegas e professores não vacinados, assim como o uso de antibióticos; Frequentemente, as crianças têm contato com outros grupos de risco, como gestantes, irmãos menores de dois anos e avós, que apresentam menor resposta à vacina, em comparação com a observada em adultos; Modelos que avaliam o impacto da vacinação em massa demonstram que a vacinação de crianças é mais efetiva em reduzir o impacto da doença na comunidade do que a vacinação de grupos de risco. Os membros do Departamento de Pediatria Ambulatorial endossam esta medida, divulgando informações atualizadas sobre os riscos da influenza e benefícios da vacinação. ___ Relatora: Dra. Lucia F Bricks Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP. Publicado em 14/04/2014. photo credit: Fredleonero | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

??????????????????????????????????????????????????????????????????????No Brasil, a vacinação contra influenza foi introduzida em 1999, inicialmente, sendo recomendada para idosos e grupos de risco, sendo raramente utilizada em crianças devido à escassez de dados sobre o impacto da doença na faixa etária pediátrica no nosso país, apesar de inúmeras publicações demonstrarem que a vacina era segura e efetiva.

Depois da pandemia, ficou claro o alto risco associado à cepa A(H1N1) pdm09, não apenas para os grupos de risco, mas também para gestantes, crianças e adolescentes, sendo a vacina monovalente amplamente distribuída para esses grupos na campanha de 2010. Desde 2011, crianças de 6 a 24 meses, gestantes e puérperas foram incluídas nos grupos alvo da vacinação no Brasil e, em 2012, a Organização Mundial de Saúde colocou as gestantes como prioridade máxima para receber a vacina, considerando os benefícios à mãe e ao bebê. Outros grupos de risco, como idosos, crianças menores de cinco anos, profissionais de saúde, puérperas, obesos, indígenas, pessoas privadas de liberdade e portadores de comorbidades são listados em seguida, sem ordem de preferência. Em abril de 2014, foi anunciada a extensão da vacinação para crianças de 6 a 60 meses no Brasil, uma medida já preconizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que agora torna viável a vacinação sem custo para todas as crianças de 6 a 60 meses na rede pública.

Diversos motivos justificam a ampliação da vacinação de crianças até cinco anos de idade, dentre eles, destacam-se:

  1. Crianças são mais infectadas e excretam os vírus influenza por tempo mais prolongado do que adultos;
  2. Crianças menores de cinco anos apresentam taxas de hospitalização tão altas quando idosos sem comorbidades;
  3. Crianças doentes são levadas à consulta médica com maior frequência do que adultos, apresentam com maior frequência febre, otite média e pneumonia, sendo frequentemente tratadas com antibióticos;
  4. Durante as epidemias de influenza o número de consultas médicas aumenta entre 30 e 50% e os atendimentos na emergência, entre 50-100%, gerando sobrecarga nos serviços ambulatoriais e hospitalares;
  5. Ao contrário dos adultos, a maioria das crianças menores de cinco anos que desenvolve complicações pós-influenza não apresenta qualquer doença de base;
  6. Medidas não-farmacêuticas, como uso de máscaras e higiene, e o uso de antivirais, podem reduzir a transmissão da influenza; entretanto, a efetividade desses recursos para controlar a disseminação dos vírus é variável e existem enormes dificuldades para sua implementação em tempo hábil, considerando-se que a excreção dos vírus tem início antes do aparecimento dos sintomas e que as crianças pequenas ainda não tem maturidade suficiente para seguir rigorosamente as normas de higiene;
  7. A vacinação de crianças gera economia, principalmente se forem considerados os custos decorrentes do absenteísmo dos pais ao trabalho para cuidar das crianças doentes e os benefícios da proteção indireta (herd protection), pois cada pessoa vacinada deixa de se infectar e de transmitir o vírus na comunidade;
  8. A vacinação de crianças reduz o absenteísmo entre escolares vacinados e seus colegas e professores não vacinados, assim como o uso de antibióticos;
  9. Frequentemente, as crianças têm contato com outros grupos de risco, como gestantes, irmãos menores de dois anos e avós, que apresentam menor resposta à vacina, em comparação com a observada em adultos;
  10. Modelos que avaliam o impacto da vacinação em massa demonstram que a vacinação de crianças é mais efetiva em reduzir o impacto da doença na comunidade do que a vacinação de grupos de risco.

Os membros do Departamento de Pediatria Ambulatorial endossam esta medida, divulgando informações atualizadas sobre os riscos da influenza e benefícios da vacinação.

___
Relatora:
Dra. Lucia F Bricks
Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP.

Publicado em 14/04/2014.
photo credit: Fredleonero | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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