Água – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 14 Aug 2026 11:18:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Água – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Não à degradação da qualidade ambiental https://spsp.org.br/nao-a-degradacao-da-qualidade-ambiental/ Fri, 14 Aug 2026 11:17:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=58260 Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis. Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos. Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças. Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente. Relatora: Regina CarnaúbaMembro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP]]>

Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis.

Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos.

Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças.

  • Poluição do ar: É causada pela queima de combustíveis fósseis no transporte, pela indústria e pelas queimadas agrossilvipastoris. Segundo a OMS, mais de 99% da população mundial respira um ar considerado de qualidade inadequada, o que é responsável pela perda de 600.000 vidas ao ano. Provoca partos prematuros, crianças com baixo peso ao nascer, doenças respiratórias, endócrinas, reumatológicas, dermatológicas neurológicas e psiquiátricas.
  • Poluição da água: Causada pela presença de componentes químicos, elementos radioativos e organismos patógenos. Responsável pela morte anual de 4,6 milhões de crianças menores de cinco anos, devido a doenças diarreicas e infecções (OMS), além de comprometimento do desenvolvimento físico e cognitivo.
  • Poluição do solo: Causada pela presença de agrotóxicos, metais pesados e resíduos industriais, contaminando alimentos e levando a doenças neurológicas, hormonais e câncer.
  • Poluição sonora e luminosa: O ruído excessivo e a exposição exagerada à luz artificial, presentes principalmente em áreas urbanas, causam distúrbios do sono, estresse crônico, redução da capacidade cognitiva, obesidade e distúrbios endócrinos.

Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente.

Relatora:

Regina Carnaúba
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Um minuto de atenção pode salvar uma vida https://spsp.org.br/um-minuto-de-atencao-pode-salvar-uma-vida/ Sat, 25 Jul 2026 11:00:00 +0000 https://spsp.org.br/?p=57898 Todos os anos, em 25 de julho, o mundo celebra o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar sobre um problema que causa centenas de milhares de mortes todos os anos e que, na maioria das vezes, pode ser evitado. O afogamento, ao contrário do que muitos imaginam, é um evento rápido e silencioso. A pessoa que está se afogando geralmente não grita, não pede socorro, pois gasta toda sua energia na luta por manter nariz/boca acima da superfície: ela submerge e prende a respiração, enquanto tenta subir novamente à superfície. Nesses movimentos, engole água e pode também já “respirar” um pouco do líquido. Se não houver socorro, a pessoa entra em exaustão, não conseguindo mais emergir. Mesmo fazendo esforço para não respirar embaixo da água, esse mecanismo falha e o indivíduo acaba respirando líquido. Com essa falta de oxigenação adequada, ela perde a consciência. É assim que, em pleno século 21, em torno de 300 mil pessoas no mundo inteiro, principalmente crianças e jovens de 1 a 24 anos, perdem suas vidas ou mantêm sequelas físicas e emocionais que levarão para sempre. O afogamento não acontece apenas em praias e piscinas. Ele pode ocorrer em rios, lagos, represas, caixas d’água, baldes, banheiras e até em poucos centímetros de água. Bebês e crianças pequenas são os mais vulneráveis.  A prevenção é a forma mais eficaz de evitar que isso ocorra e está baseada em múltiplas camadas de proteção: Piscinas devem ser cercadas com grades de pelo menos 1,20 m de altura, sem que haja espaços para que se passe por entre elas, por baixo das mesmas ou que se escale para pulá-las, com um portão com autotravamento, evitando, assim, a entrada não autorizada. O mesmo deve ser feito para outros reservatórios de água que não possam ser esvaziados. Crianças menores de cinco anos, ou maiores que não saibam nadar, devem permanecer sempre a um braço de distância de um adulto quando estiverem na água ou próximos dela. A partir dos quatro anos de idade, a criança atinge um maior grau de maturidade cognitiva e capacidade de atenção (compreende e segue instruções com mais facilidade), melhor coordenação motora e equilíbrio corporal (mais força e controle postural) e autonomia (flutua, desloca-se e recupera a posição vertical com mais facilidade). A sobrevida no afogamento depende, em grande parte, da rapidez com que a oxigenação é restabelecida. Sendo assim, a melhor RCP é aquela iniciada imediatamente por quem presencia o acidente. Ensinar pais e cuidadores a reconhecer o afogamento, retirar a vítima da água com segurança e iniciar ventilações de resgate e RCP enquanto o serviço de emergência é acionado pode ser decisivo para salvar vidas. O uso de coletes salva-vidas certificados é uma das medidas mais eficazes para prevenir mortes por afogamento, especialmente em crianças, durante atividades em embarcações, esportes aquáticos e em ambientes naturais, como rios, lagos e mar. Nem todo dispositivo de flutuação oferece proteção adequada. Um colete salva-vidas certificado possui flutuabilidade testada conforme normas técnicas; mantém a flutuação mesmo após longo período na água; tem tamanho e capacidade compatíveis com o peso do usuário; utiliza fechos resistentes e seguros e é fabricado para evitar que a criança escorregue para fora durante o uso. Neste 25 de julho, o convite é simples: compartilhe informações, converse com sua família e amigos e reveja os cuidados ao redor da água. E lembre-se, antes de entrar na água: Saber agir também faz diferença. Relatora: Tania ZamataroMembro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSPCoordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

Todos os anos, em 25 de julho, o mundo celebra o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar sobre um problema que causa centenas de milhares de mortes todos os anos e que, na maioria das vezes, pode ser evitado.

O afogamento, ao contrário do que muitos imaginam, é um evento rápido e silencioso. A pessoa que está se afogando geralmente não grita, não pede socorro, pois gasta toda sua energia na luta por manter nariz/boca acima da superfície: ela submerge e prende a respiração, enquanto tenta subir novamente à superfície. Nesses movimentos, engole água e pode também já “respirar” um pouco do líquido. Se não houver socorro, a pessoa entra em exaustão, não conseguindo mais emergir. Mesmo fazendo esforço para não respirar embaixo da água, esse mecanismo falha e o indivíduo acaba respirando líquido. Com essa falta de oxigenação adequada, ela perde a consciência.

É assim que, em pleno século 21, em torno de 300 mil pessoas no mundo inteiro, principalmente crianças e jovens de 1 a 24 anos, perdem suas vidas ou mantêm sequelas físicas e emocionais que levarão para sempre.

O afogamento não acontece apenas em praias e piscinas. Ele pode ocorrer em rios, lagos, represas, caixas d’água, baldes, banheiras e até em poucos centímetros de água. Bebês e crianças pequenas são os mais vulneráveis.

 A prevenção é a forma mais eficaz de evitar que isso ocorra e está baseada em múltiplas camadas de proteção:

  • Instalar barreiras físicas que controlem o acesso à água (ex.: cercas em piscinas, poços, tanques).

Piscinas devem ser cercadas com grades de pelo menos 1,20 m de altura, sem que haja espaços para que se passe por entre elas, por baixo das mesmas ou que se escale para pulá-las, com um portão com autotravamento, evitando, assim, a entrada não autorizada. O mesmo deve ser feito para outros reservatórios de água que não possam ser esvaziados.

  • Prover supervisão próxima e constante de crianças em ambientes aquáticos.

Crianças menores de cinco anos, ou maiores que não saibam nadar, devem permanecer sempre a um braço de distância de um adulto quando estiverem na água ou próximos dela.

  • Ensinar habilidades de natação, flutuação e segurança na água para crianças.

A partir dos quatro anos de idade, a criança atinge um maior grau de maturidade cognitiva e capacidade de atenção (compreende e segue instruções com mais facilidade), melhor coordenação motora e equilíbrio corporal (mais força e controle postural) e autonomia (flutua, desloca-se e recupera a posição vertical com mais facilidade).

  • Ensinar reanimação cardiopulmonar (RCP) a pais, cuidadores, professores.

A sobrevida no afogamento depende, em grande parte, da rapidez com que a oxigenação é restabelecida. Sendo assim, a melhor RCP é aquela iniciada imediatamente por quem presencia o acidente. Ensinar pais e cuidadores a reconhecer o afogamento, retirar a vítima da água com segurança e iniciar ventilações de resgate e RCP enquanto o serviço de emergência é acionado pode ser decisivo para salvar vidas.

  • Fornecer equipamentos de segurança para atividades aquáticas, como coletes salva-vidas certificados.

O uso de coletes salva-vidas certificados é uma das medidas mais eficazes para prevenir mortes por afogamento, especialmente em crianças, durante atividades em embarcações, esportes aquáticos e em ambientes naturais, como rios, lagos e mar.

Nem todo dispositivo de flutuação oferece proteção adequada. Um colete salva-vidas certificado possui flutuabilidade testada conforme normas técnicas; mantém a flutuação mesmo após longo período na água; tem tamanho e capacidade compatíveis com o peso do usuário; utiliza fechos resistentes e seguros e é fabricado para evitar que a criança escorregue para fora durante o uso.

Neste 25 de julho, o convite é simples: compartilhe informações, converse com sua família e amigos e reveja os cuidados ao redor da água.

E lembre-se, antes de entrar na água:

  • escolha locais com guarda-vidas;
  • respeite as bandeiras de sinalização;
  • evite nadar sozinho;
  • nunca misture álcool com atividades aquáticas;
  • não mergulhe em locais cuja profundidade você desconhece.

Saber agir também faz diferença.

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Cuidar do que importa https://spsp.org.br/cuidar-do-que-importa/ Fri, 05 Jun 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57300 ]]>

O Dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia da Ecologia, ambos celebrados em 5 de junho, convidam à reflexão sobre a relação entre o ser humano e o planeta. Mais do que datas simbólicas, representam um chamado coletivo para repensarmos hábitos, escolhas e responsabilidades diante de um mundo que enfrenta mudanças climáticas, perda de biodiversidade, poluição e esgotamento de recursos naturais.

O meio ambiente enfrenta uma crise severa, caracterizada pelo aquecimento global acelerado, eventos climáticos extremos (secas e inundações) e perda rápida de biodiversidade, causados principalmente por atividades humanas como desmatamento, queimadas e emissão de gases de efeito estufa. O ano de 2023 teve a temperatura média mais alta que qualquer ano da história humana – foi o ano mais quente no planeta em 200 mil anos.

Quando florestas são destruídas, rios contaminados ou espécies desaparecem, os impactos ultrapassam a natureza e alcançam diretamente a vida das pessoas, especialmente das crianças, que são mais vulneráveis às consequências ambientais – três milhões de crianças com menos de cinco anos morrem anualmente devido a doenças relacionadas ao meio ambiente. Como exemplo, uma análise realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou que as mudanças climáticas aumentaram a suscetibilidade humana a infecções por patógenos. Os impactos na saúde ocorrem direta e indiretamente por meio de seus efeitos na produção de alimentos, na migração, na instabilidade econômica e nas desigualdades sociais.

Cuidar do meio ambiente não significa apenas preservar paisagens distantes. Significa também cultivar atitudes cotidianas: reduzir desperdícios, economizar água, reciclar, evitar o consumo excessivo, valorizar áreas verdes e ensinar às novas gerações o respeito pela natureza. Pequenas ações, quando compartilhadas coletivamente, têm força para transformar comunidades inteiras:

  • Reduza, Reutilize, Recicle: diminua o desperdício usando sacolas reutilizáveis, minimizando o uso de plásticos descartáveis ​​e separando corretamente os materiais recicláveis. O plástico é responsável por mais emissões ao ano do que a aviação e o transporte marítimo, principalmente devido à sua dependência do petróleo, contribuindo para as mudanças climáticas (são 353 milhões de toneladas de plástico descartadas por ano!).
  • Conserve Recursos: apague as luzes ao sair dos cômodos, conserte torneiras com vazamento e fique atento ao seu consumo diário de energia e água. Invista em energias renováveis ​​para sua casa.
  • Repense o Transporte: opte por caminhar, andar de bicicleta ou usar o transporte público em vez de dirigir sempre que possível para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
  • Apoie o Comércio Local e a Sustentabilidade: compre produtos cultivados localmente ou de empresas que utilizam práticas éticas e sustentáveis ​​para reduzir emissão de carbono. Reduza o consumo de carne (ou evite-a completamente) e evite o desperdício de alimentos.

A infância ocupa papel central nessa transformação. Crianças que crescem em contato com a natureza desenvolvem maior consciência ambiental, empatia e senso de responsabilidade. Educar para a sustentabilidade é investir em um futuro mais saudável, equilibrado e humano.

O planeta não precisa apenas de grandes discursos, mas de compromisso contínuo. O Dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia da Ecologia lembram que proteger a Terra é, acima de tudo, proteger a própria vida.

 

Saiba mais:

https://www.eea.europa.eu/en/newsroom/editorial/editorial-caring-for-the-environment

https://ccarbon.usp.br/the-importance-of-the-environment-for-global-sustainability/

https://www.wwf.org.uk/what-we-do/valuing-nature

https://www.fao.org/4/y4256e/y4256e04.htm

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Combate à dengue: protegendo nossas crianças e a comunidade https://spsp.org.br/combate-a-dengue-protegendo-nossas-criancas-e-a-comunidade/ Sat, 22 Nov 2025 15:03:31 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54299 No Dia Nacional de Combate à Dengue, celebrado no penúltimo sábado do mês de novembro – dia 22 neste ano –, a Sociedade de Pediatria de São Paulo reforça a importância da vigilância]]>

No Dia Nacional de Combate à Dengue, celebrado no penúltimo sábado do mês de novembro – dia 22 neste ano –, a Sociedade de Pediatria de São Paulo reforça a importância da vigilância e da ação conjunta de toda a população contra essa doença que, infelizmente, continua a ser um grave problema de saúde pública em nosso país.

A dengue é uma infecção viral séria, transmitida pela picada de um mosquito, que pode afetar qualquer pessoa, mas exige atenção redobrada quando se trata de crianças, que são mais vulneráveis e podem apresentar quadros mais graves.

A transmissão da dengue ocorre exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em locais com água parada. Com o clima tropical do Brasil, e especialmente em grandes centros urbanos de um Estado populoso como São Paulo, a proliferação do mosquito é facilitada, tornando a prevenção uma tarefa contínua.

Nossas crianças, com seu sistema imunológico em desenvolvimento e muitas vezes com dificuldade para expressar o que sentem, estão em maior risco e precisam da nossa proteção constante.

Os sintomas da dengue em crianças podem ser variados e, por vezes, confundidos com outras doenças comuns da infância. Deve-se ficar atento a febre alta repentina, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, cansaço extremo, náuseas, vômitos e dor abdominal.

É crucial procurar atendimento médico imediatamente se a criança apresentar sinais de alarme, como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos (nariz, gengiva), sonolência excessiva ou irritabilidade. A rapidez no diagnóstico e tratamento pode salvar vidas.

A melhor forma de combater a dengue é através da prevenção, eliminando os focos do mosquito. Dedique alguns minutos do seu dia para verificar e eliminar qualquer recipiente que possa acumular água: vasos de plantas, pneus, garrafas, calhas entupidas, caixas d’água destampadas.

Outras medidas importantes: usar repelentes adequados para a idade da criança, instalar telas em janelas e portas e vestir roupas que cubram braços e pernas, especialmente nos horários de maior atividade do mosquito (manhã e fim de tarde).

A participação de cada família e de toda a comunidade é fundamental. Em algumas cidades há a disponibilidade gratuita da vacinação para adolescentes de 10 a 14 anos, mas aqueles de 4 a 60 anos que não estiverem contemplados por gratuidade podem procurar a prevenção pela vacinação em serviços privados também.

Juntos, podemos construir um ambiente mais seguro e saudável para todos. A luta contra a dengue é um compromisso coletivo que exige informação, conscientização e atitude. Sua ação hoje, por menor que pareça, é um passo gigante na proteção da vida e na construção de um futuro livre dessa doença. Vamos juntos nessa batalha!

 

Relatora:

Melissa Palmieri
Secretária do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

 

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Vez ou outra, alguns modismos voltam… infelizmente! https://spsp.org.br/vez-ou-outra-alguns-modismos-voltam-infelizmente/ Thu, 04 Sep 2025 18:55:48 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53008 Há uns oito anos, mais ou menos, houve na Europa e nos EUA uma “febre do uso dos babies neck floats”, ou boias de pescoço, anéis de plástico infláveis usados ao redor do pescoço do]]>

Há uns oito anos, mais ou menos, houve na Europa e nos EUA uma “febre do uso dos babies neck floats”, ou boias de pescoço, anéis de plástico infláveis usados ao redor do pescoço do bebê, que permitiam que o mesmo flutuasse livremente na água. Algumas dessas boias eram comercializadas para bebês a partir de duas semanas de vida ou prematuros. Eram usadas durante o banho, na piscina ou como uma ferramenta de fisioterapia (intervenção de terapia aquática) para bebês com atrasos ou deficiências no desenvolvimento.

Esses produtos prometiam aumento do tônus muscular, maior flexibilidade e amplitude de movimento, aumento da capacidade pulmonar, melhor qualidade do sono e aumento da estimulação do cérebro e do sistema nervoso. Entretanto, a segurança e a eficácia das boias de pescoço para desenvolver força, promover o desenvolvimento motor ou como uma ferramenta de fisioterapia não foram estabelecidas. Além do mais, houve relatos de agravamento de lesões motoras, além de acidentes (que serão melhor explicados a seguir), o que fez com que o FDA (Food and Drug Administration) emitisse um alerta em 2022, contra o uso desses dispositivos em fisioterapia.

Mesmo para uso “recreacional”, os flutuadores de pescoço acabaram se mostrando perigosos, com risco de morte por afogamento e sufocamento, distensão e lesão no pescoço do bebê. Várias entidades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Pediatria, manifestaram repúdio ao uso.

Como foi dito no início, infelizmente, alguns modismos retornam… e parece ser o caso dessas boias. Alguns vídeos de bebês flutuando com o dispositivo retornaram às mídias sociais. Por isso, o Departamento de Segurança da SPSP achou por bem retomar as explicações dos malefícios do uso:

Risco de afogamento

Mesmo em banheiras ou piscinas rasas, o bebê pode deslizar para dentro do dispositivo ou virar, ficando com o rosto submerso. Bebês tiveram a boca, o nariz ou a cabeça inteira escorregando pelas aberturas e caindo na água quando as boias não estavam infladas o suficiente, quando apresentavam vazamentos por ficarem escorregadias com sabão ou por razões desconhecidas. O adulto pode ter uma falsa sensação de segurança e diminuir a supervisão, aumentando o risco de acidentes.

Risco de lesões no pescoço e coluna cervical

O pescoço do bebê é frágil e o peso da cabeça é desproporcional nessa idade. A boia exerce pressão inadequada na região do pescoço, podendo causar torcicolos, microlesões ou agravar problemas neurológicos e ortopédicos em crianças com doenças preexistentes. O uso frequente pode levar a alterações no desenvolvimento da coluna do bebê.

Risco de asfixia e estrangulamento

 Se o dispositivo esvaziar, furar ou não estiver bem ajustado, pode comprimir vias aéreas, dificultar respiração ou machucar o bebê, além de propiciar o afogamento.

Problemas no desenvolvimento

O uso de neck floats restringe movimentos naturais e não contribui para aprendizado motor saudável.

Ausência de regulação e normas de segurança

Esses flutuadores são vendidos como “brinquedos” ou “dispositivos terapêuticos”, mas sem estudos clínicos ou testes de segurança confiáveis.

Enfim, mediante vários relatos de acidentes no mundo e algumas mortes, as sociedades médicas e órgãos de saúde, entre outros, desencorajam completamente o uso dos “babies neck floats”, reforçando que a forma segura de estimular bebês na água é através de contato próximo e direto com os pais/cuidadores, em atividades supervisionadas e sempre com atenção total.

Babies neck floats” (boias de pescoço) não protegem: aumentam o risco de afogamento e lesões – mantenha seu bebê sempre nos seus braços, nunca dentro delas. Tire essa ideia da cabeça (e do pescoço)!

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Salvando vidas através da informação e mobilização coletiva https://spsp.org.br/salvando-vidas-atraves-da-informacao-e-mobilizacao-coletiva/ Fri, 25 Jul 2025 11:26:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52432 25 de julho é o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, instituído pela Assembleia Geral da ONU e OMS em 2021, não apenas uma data simbólica, mas sim uma oport]]>

25 de julho é o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, instituído pela Assembleia Geral da ONU e OMS em 2021, não apenas uma data simbólica, mas sim uma oportunidade para salvar vidas por meio da informação, da prevenção e da mobilização coletiva.

O afogamento continua sendo um grave problema de saúde pública mundial, matando principalmente crianças e jovens. Em contrapartida, é considerado uma das principais causas evitáveis de morte no mundo. Desde a publicação do “Global Report on Drowning” (2014, atualizado em 2021), a OMS recomenda intervenções preventivas eficazes, baseadas em evidência, sendo seis as principais:

  1. Instalar barreiras físicas que controlem o acesso à água (ex.: cercas em piscinas, poços, tanques).
  2. Prover supervisão próxima e constante de crianças em ambientes aquáticos.
  3. Ensinar habilidades de natação, flutuação e segurança na água para crianças em idade escolar.
  4. Ensinar reanimação cardiopulmonar (RCP) a cuidadores, professores e socorristas.
  5. Criar áreas seguras longe da água para crianças pequenas.
  6. Fornecer equipamentos de segurança para atividades aquáticas, como coletes salva-vidas certificados.

Além dessas medidas, também recomenda que haja elaboração de planos nacionais de prevenção ao afogamento, com cooperação intersetorial, sistemas de vigilância epidemiológica e campanhas de conscientização pública regulares nos países.

Atualmente, o Brasil não possui uma política pública nacional exclusiva e consolidada para a prevenção de afogamentos. Porém, ações isoladas integram programas de segurança, saúde e educação: algumas escolas incluem noções básicas de primeiros-socorros e prevenção de acidentes em projetos pedagógicos, mas isso não é obrigatório no currículo nacional; há propostas para integrar a prevenção de afogamento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Diante das falhas ou limitações das políticas públicas brasileiras fragmentadas para a prevenção de afogamentos, diversas entidades civis e organizações não governamentais assumem papel central.

A SOBRASA – Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático – é a principal organização civil brasileira dedicada exclusivamente à prevenção de afogamentos. Sua atuação é essencial ao promover educação, capacitação, estatísticas e campanhas nacionais voltadas à redução de mortes evitáveis por afogamento.

A Cruz Vermelha Brasileira atua na capacitação em primeiros socorros e RCP, incluindo manobras específicas em caso de afogamento; realiza projetos em escolas e comunidades sobre segurança aquática e resgate básico, trabalhando especialmente com populações vulneráveis em regiões ribeirinhas, áreas alagadas e periferias.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) desempenha também um papel ativo e relevante na prevenção do afogamento infantil, em especial através das ações do seu Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente. Em julho de 2024, para o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento (25 de julho), a SPSP divulgou a campanha “Não se Afogue”, com orientações baseadas em práticas simples e aplicáveis, como: instalação de barreiras físicas, supervisão próxima, uso de coletes salva-vidas certificados e treinamentos em RCP. Essa campanha é permanente e será veiculada até atingir o objetivo tão sonhado, de diminuir agressivamente as taxas de mortalidade e de sequelas que o afogamento traz para crianças e jovens brasileiros.

Falar sobre o afogamento infantil é o primeiro passo para evitá-lo.

Informe-se.

Saiba mais:

1) https://www.spsp.org.br/hoje-o-dia-mundial-da-prevencao-do-afogamento-2/

2) https://sobrasa.org/afogamento-boletim-epidemiologico-no-brasil-ano-2025-ano-base-de-dados-2023

3) https://cruzvermelha.org.br/pb/campanhas/primeiros-socorros/

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Efeitos na saúde das crianças causados pela poluição https://spsp.org.br/efeitos-na-saude-das-criancas-causados-pela-poluicao/ Wed, 21 Aug 2024 13:18:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47647 De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas]]>

De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas pela poluição ambiental, que inclui a poluição do ar em ambientes fechados e ao ar livre, o fumo passivo, a água contaminada, a falta de saneamento e a higiene inadequada. Crianças são particularmente vulneráveis à poluição atmosférica, desde o útero até à idade adulta, sofrem mais significativamente o impacto da poluição, em comparação com os adultos. Há razões fisiológicas para isso:

  • As crianças ingerem mais água e alimentos e respiram maior quantidade de ar por unidade de peso corporal que um adulto. Isto pode permitir que agentes químicos presentes na água, como metais (chumbo) ou compostos orgânicos lipossolúveis absorvidos pela mãe e veiculados ligados à gordura no leite materno, sejam detectados em fluidos biológicos do lactente amamentado ao seio; pode, ainda, expor mais a criança a poluentes presentes no ar do ambiente doméstico e do ambiente externo.
  • Características próprias do desenvolvimento dos lactentes, que respiram mais próximo do solo (engatinham, ficam mais sentados, baixa estatura), aumentando o risco de exposição a material particulado e alguns gases (como monóxido de carbono e radônio) que se acumulam nesta zona ambiental.
  • As crianças tendem a levar a mão à boca com mais facilidade, por isso podem contaminar-se mais por essa via.
  • A via aérea infantil tem menor calibre e maior resposta irritativa, o que faz com que a obstrução e a inflamação sejam mais relevantes quando em contato com a poluição. Esse detalhe explica a elevada incidência de casos de asma, no mundo todo, em crianças.
  • Convém salientar a importância da qualidade do ar intradomiciliar que pode ser afetado por fumaça de cigarro, lareiras, fogões a lenha, fogões a gás mal instalados, poeira doméstica, além dos poluentes externos que invadem esse espaço. Têm importância, também, compostos voláteis oriundos de várias fontes (tintas, colas, perfumes, propelentes de sprays e produtos de limpeza). Cronicamente, essa exposição repercute em menor crescimento pulmonar com comprometimento de sua função e aumento da suscetibilidade a doenças.
  • A umidade no ambiente domiciliar facilita a proliferação de fungo, ácaros e bactérias. Colchões, tapetes, móveis costumam ser os principais reservatórios desses agentes.
  • O tabagismo passivo é responsável por muitos problemas causados à criança. As crianças cujas mães são fumantes têm cerca de 70% mais problemas respiratórios e maior número de hospitalizações ao longo do primeiro ano de vida. O tabagismo intraútero aumenta a mortalidade infantil em até 80%. A fumaça liberada pelos cigarros, charutos ou cachimbos é composta por mais de 3800 substâncias diferentes e os níveis de matéria particulada chegam a ser 3 vezes maiores em casas com tabagistas.

Em adultos, podem afetar a função pulmonar, desencadear asma, provocar exacerbações da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves, como o infarto do miocárdio e acidentes vasculares encefálicos e o desenvolvimento de doença coronariana, além de câncer de pulmão.

Nós podemos fazer uma grande diferença para ajudar o meio ambiente. Seguem dez escolhas simples para um planeta mais saudável:

  • Reduza o que joga fora, reutilize e recicle;
  • Faça trabalho voluntário;
  • Eduque-se e ensine os outros da importância e o valor dos nossos recursos naturais;
  • Economize água;
  • Faça escolhas sustentáveis;
  • Compre com sabedoria – menos plástico e use sacolas reutilizáveis;
  • Use lâmpadas de longa duração e desligue a luz quando sair da sala;
  • Plante uma árvore;
  • Não envie produtos químicos para os cursos de água, escolha produtos químicos não tóxicos;
  • Ande mais de bicicleta e de transporte público, dirija menos.

As políticas de qualidade do ar devem proteger a saúde das crianças e adolescentes, tendo explicitamente em conta as diferenças na sua biologia e vias de exposição.

Crianças e adolescentes não podem proteger-se da poluição atmosférica, nem votar ou influenciar políticas relevantes; só os adultos podem e devem fazer isso por eles, e é urgente.

Precisamos responder com esforços concentrados e nos unir por meio de ações coletivas e coordenadas.

Saiba mais:

  1. OMS: 99% da população mundial respira ar “tóxico”. 4 de março de 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828507
  2. World Health Organization. Children’s environmental health. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/children-environmental-health#tab=tab_
  3. No Brasil, doenças associadas à poluição do ar matam cerca de 465 crianças menores de cinco anos por dia. 08/07/2024. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/no-brasil-doencas-associadas-a-poluicao-do-ar-matam-cerca-de-465-criancas-menores-de-cinco-anos-por-dia/
  4. Como as mudanças climáticas impactam a nossa saúde. Disponível em: https://doareassets.s3.sa-east-1.amazonaws.com/Como+as+mudan%C3%A7as+clim%C3%A1ticas+impactam+a+nossa+sa%C3%BAde.pdf
  5. Air pollution and children’s health. Disponível em: https://www.eea.europa.eu/publications/air-pollution-and-childrens-health
  6.  Ten simple choices for a healthier planet. https://oceanservice.noaa.gov/ocean/earthday.html

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia do Combate à Poluição https://spsp.org.br/dia-do-combate-a-poluicao/ Wed, 14 Aug 2024 14:15:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47539 ]]>

No dia 14 de agosto é celebrado o Dia do Combate à Poluição, que tem como objetivo alertar a todos sobre os problemas ambientais que estamos enfrentando e debater critérios, soluções e respostas para evitar que o meio ambiente sofra ainda mais a degradação que vem sofrendo.

Belém, a capital do Pará, no ano de 2025 será sede da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que é o fórum mundial para discussão das alterações climáticas no planeta. Um grave problema, que já está nos afetando intensamente e pode afetar, ainda mais, as gerações futuras.

Segundo Marcelo Gleiser: “Um planeta com vida é uma entidade dinâmica, onde processos geológicos e biológicos agem e interagem conjuntamente. Quando a vida se espalha por um planeta, os dois se tornam inseparáveis, formando uma entidade única. A Terra respira e pulsa com a respiração das plantas e dos animais. A vida migra de acordo com o clima e, por sua vez, o afeta. A vida transforma o planeta e o planeta transforma a vida.”

A poluição leva à degradação física e química do meio ambiente; seus diversos tipos, como a atmosférica, a hídrica, a poluição do solo, a radioativa, a sonora e a visual, têm o poder de afetar, de alguma forma, a saúde humana.

A intervenção humana é a grande causa para os diferentes tipos de poluição: indústrias, como a automotiva, que emitem resíduos e gases de efeito estufa, despejo de substâncias particuladas em suspensão no ar (como as indústrias de cimento), extração de minério irregular, despejo inadequado do lixo, não preservação das nascentes dos rios, ocupação irregular do solo das cidades, utilização de agrotóxicos, viagens aéreas, desmatamento, queimadas provocadas, utilização de combustíveis de matriz fóssil, agropecuária, etc. Fenômenos naturais, como as atividades vulcânicas, por exemplo, também contribuem para a poluição atmosférica, porém são em número muitíssimo menor que as intervenções humanas.

Dióxido de nitrogênio, ozônio, monóxido de carbono, óxido de enxofre, hidrocarbonetos, partículas em suspensão, encabeçam uma grande lista de substâncias na atmosfera, que podem provocar danos à saúde.

Com a poluição hídrica, pode ocorrer o desequilíbrio ecológico, prejudicando a biodiversidade e a vida aquática. As substâncias poluentes afetam o ciclo de vida das espécies, causando desde a morte de peixes e animais aquáticos até a extinção de espécies inteiras. A poluição de rios e lagos compromete a qualidade da água para consumo seguro e afeta toda a cadeia alimentar aquática. A ingestão de água contaminada com bactérias, vírus, parasitas e fungos pode levar a infecções gastrointestinais, como diarreia, cólera, febre tifoide e hepatite A, dermatites, micose e infecções fúngicas. A água contaminada com metais pesados e pesticidas pode levar ao desenvolvimento de doenças neurológicas, com danos cerebrais, gerando disfunções cognitivas e distúrbios do desenvolvimento.

O combate à poluição exige a implementação de políticas públicas de Estado que promovam a preservação dos recursos hídricos, a criação de áreas de preservação ambiental, o estabelecimento de normas mais rigorosas para o descarte de resíduos industriais, a fiscalização efetiva das atividades que podem causar poluição hídrica e atmosférica, o incentivo ao uso de tecnologias mais sustentáveis quanto ao uso da água e o descarte de rejeitos, tanto em residências como nas indústrias, o investimento em tratamento de água e rede de esgoto, o uso responsável dos defensivos agrícolas, o manejo adequado do solo na agricultura.

A conscientização do indivíduo e das famílias para auxiliar no combate à poluição é outro pilar no enfrentamento desse problema. Veja algumas dicas simples:

  • Separar o lixo orgânico e reciclável (medida que reduz significativamente a quantidade de resíduos que acabam em aterros);
  • Evitar o uso de sacolas plásticas (o plástico representa 80% de todo o lixo marinho);
  • Reutilizar embalagens sempre que possível;
  • Evitar utilizar o carro, preferindo sempre caminhadas, bicicletas e transporte público (transporte sustentável para reduzir emissões de gás carbônico);
  • Não jogar lixo nas ruas;
  • Não realizar queimadas;
  • Sempre que possível levar o óleo utilizado na cozinha para postos de coleta apropriados;
  • Economizar água: torneiras fechadas ao escovar os dentes e banhos mais rápidos;
  • Plantar árvores e manter pequenos jardins contribui para a melhoria da qualidade do ar;
  • Utilizar produtos de limpeza biodegradáveis.

 

Saiba mais:

 

  1. Marcelo Gleiser. O despertar do universo consciente. Um manifesto para o futuro da humanidade. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2024. Pg. 162/163.
  2. A Lei nº 6938, criada em 31 de agosto de 1981 e nomeada como ‘Política Nacional do Meio Ambiente’ (PNMA) é referida quando se trata de proteção ambiental.
  3. OMS: 99% da população mundial respira ar “tóxico”. 4 de março de 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828507
  4. Ambient (outdoor) air pollution. 19 December 2022.Disponível em:

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/ambient-(outdoor)-air-quality-and-health?gad_source=1&gclid=Cj0KCQjwiOy1BhDCARIsADGvQnA45jsW987g69dHiqu86f18vMuS3xtTd7kGoOtOz-ncCDHyhpkRx28aAsQgEALw_wcB

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Hoje o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento https://spsp.org.br/hoje-o-dia-mundial-da-prevencao-do-afogamento-2/ Thu, 25 Jul 2024 16:08:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47214 Celebrada em 25 de julho, essa data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021, com o intuito de aumentar a conscientização sobre o alto custo humano, social]]>

Celebrada em 25 de julho, essa data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021, com o intuito de aumentar a conscientização sobre o alto custo humano, social e econômico que o afogamento representa no mundo. Considerado uma das principais causas evitáveis de morte e de sequelas, o afogamento ocupa a 3ª colocação no ranking de óbitos por lesões não intencionais no mundo, ceifando a vida de milhares de indivíduos menores de 25 anos, com particular impacto na faixa etária pediátrica. Muitos sobreviventes ficam com danos cerebrais irreversíveis e incapacidades a longo prazo. O afogamento é uma tragédia totalmente evitável e um problema de desenvolvimento, com alguns países perdendo o equivalente a cerca de 3% do seu PIB anual (as comunidades mais pobres em todos os países são as mais atingidas).

Da conscientização da escala do problema ao reconhecimento e promoção de soluções testadas para prevenir o afogamento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) coordena ações baseadas em seis intervenções básicas e de baixo custo. Dentre elas, merecem destaque: a instalação de barreiras físicas para controlar o acesso às águas, a observação infantil direta com cuidadores treinados, e o ensino para crianças em idade escolar das habilidades básicas de natação.

 

Faça a sua parte:

  1. Coloque cercas de proteção em torno de reservatórios de água. Em piscinas, coloque cercas de proteção de pelo menos 1,5 m de altura, nos quatro lados da piscina, isolando-a da casa e com um portão que possa ser trancado. Se a cerca for vazada, que não tenha espaços maiores que 12 cm (sua conformação não deve permitir que crianças ou pets passem pelos espaços ou a escalem!). Previnem mais de 50% dos afogamentos.

  2. A supervisão deve ser atenta e constante à criança próxima a qualquer reservatório de água, principalmente às menores de 5 anos. O supervisor não deve estar envolvido em outra atividade ou distração (uso de celular, consumo de álcool) e deve saber nadar. A “supervisão de toque” deve ser realizada para crianças menores de 5 anos ou “nadadores inexperientes”, estando o adulto supervisor dentro da água “ao alcance de um braço” da criança (como exemplificado na foto de ilustração deste texto).

  3. Use dispositivos de flutuação pessoal tipo “coletes salva-vidas”, certificados de acordo com a NORMAM (Norma de Autoridade Marítima da Marinha do Brasil) e SOLAS (Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar). Devem ser utilizados em todas as formas de transporte ou esporte aquáticos e por crianças pequenas ou por pessoas sem habilidade para nadar quando próximas ou na água. Outros tipos de “boias” não são seguros, podendo desinsuflar ou se desprender do corpo inadvertidamente.

  4. Crianças de 4 anos ou mais devem ter aulas de natação. Aprender a nadar deve ser visto como um componente da “competência na água”, que também inclui conhecimento e consciência dos perigos locais e/ou riscos e de suas próprias limitações. Crianças acima de 1 ano conseguem aprender algumas habilidades na água, mas a aquisição de competência na água é um processo demorado, que requer aprendizagem e maturação do desenvolvimento da criança.

  5. Procure nadar (piscinas ou mares) onde haja salva-vidas (guarda-vidas) e sempre respeite as placas de advertência dos lugares.

  6. Treinamento em ressuscitação cardiopulmonar (RCP): recomenda-se que todas as pessoas saibam realizar as manobras e de forma segura, principalmente pais e cuidadores, uma vez que o início imediato das manobras de RCP demonstrou grande impacto na sobrevida e prognóstico da vítima afogada.

  7. Evite os comportamentos de risco na água: nadar sozinho, hiperventilar, usar álcool ou drogas, brincadeiras como dar caldo, empurrar, pular de cabeça em águas com baixa visibilidade. Coloque dispositivos anti sucção em ralos de piscinas, jacuzzis. Esvazie baldes, banheiras, piscinas portáteis que não estejam em uso e mantenha crianças menores de 5 anos afastadas.


Campanha “Não se Afogue”, do Departamento Científico de Segurança da SPSP, que traz as principais condutas e medidas de prevenção baseadas em cada letra do título:

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia Mundial do Meio Ambiente e Ecologia https://spsp.org.br/dia-mundial-do-meio-ambiente-e-ecologia/ Wed, 05 Jun 2024 12:24:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46525 A ferida ainda está aberta. Imagens da tragédia “apocalíptica” que acometeu o Rio Grande do Sul estão impressas em nossas retinas. A realidade parece inacreditável]]>

A ferida ainda está aberta.
Imagens da tragédia “apocalíptica” que acometeu o Rio Grande do Sul estão impressas em nossas retinas. A realidade parece inacreditável. Tudo virou de cabeça para baixo ou, simplesmente, o que era já não é mais. Em junho de 2024, nada que se escreva sobre o tema Meio Ambiente e Ecologia deixará de estar afetado por esse acontecimento climático. Os números são superlativos, tanto em termos de destruição, de vidas ceifadas, de prejuízos sociais e econômicos.
Mais uma tragédia ambiental.
Ainda nos lembramos de outras anteriores e recentes: Brumadinho (2019), Petrópolis (2022), incêndio florestal no Pantanal (2022), Caraguatatuba (2023), seca no Amazonas (2023).

Parece que não é mais necessário gastar o verbo alertando sobre a necessidade de rever modelos de ocupação do solo, cuidados com nascentes e florestas, exploração do subsolo, poluição ambiental, utilização de energia fóssil, impermeabilização do solo nas ruas das cidades, destruição da camada de ozônio, aquecimento global, etc., etc., etc….

Muitos cientistas de conhecimento inquestionável, no mundo todo, há muito tempo vinham expondo os cenários climáticos possíveis que nos aguardavam caso não mudássemos nossos hábitos de vida. Estabeleceram “profecias” com um calendário previsível para a sua realização.

A frase “Protect me from what I want” (Proteja-me do que eu quero) é uma obra da artista contemporânea britânica Jenny Holzer. Essa expressão pode ser interpretada de várias maneiras, mas geralmente sugere uma reflexão sobre o desejo humano e como, muitas vezes, aquilo que desejamos ou escolhemos, pode não ser o melhor para nós a longo prazo.

“Profecias” não ouvidas, transformam-se em tragédias anunciadas.

Infelizmente, esta é mais uma oportunidade de aprendizado e conscientização. A concretude dessa ferida aberta é suficiente para reforçar o ensino, já antes ministrado pelos diversos “profetas”.

Vai passar! Assim a frase estampada nos viadutos estimulava o ânimo, a resiliência do povo gaúcho, de todo bagual. Sim, vai passar, apesar das lágrimas que continuarão a rolar, apesar das memórias que asfixiam, apesar das muitas perdas.

A cada nascimento de uma criança se renova a esperança. Uma criança traz em si a possibilidade de transformação, crescimento e aperfeiçoamento. As crianças de agora estão lendo o mundo que as acolhe, com suas alegrias e suas tragédias e, também, com as diversas expressões de solidariedade.

Qual o impacto desses acontecimentos trágicos na vida das crianças? Como elas entendem o que está ocorrendo? O que podemos fazer para que essa tragédia não acarrete mais dor, destrua sonhos, interrompa projetos, frustre potenciais da vida de nossas crianças?

Podemos ouvi-las com atenção. Deixar que a seu tempo falem, e expressem suas emoções a seu modo. Podemos ajudá-las em suas perguntas. Podemos cultivar a esperança através do abraço, da brincadeira em família, da leitura de livros.

Algum dia, os piás e as gurias poderão ver a margem do lado direito do rio, a margem esquerda do rio…

Algum dia, os patos da lagoa voltarão a deslizar pelas águas calmas…

Algum dia, a chuva cairá formando apenas poças de água nas quais poderemos pular e espalhar gotas alegres de água…

Algum dia, o matungo e o pingo, todos os cavalos e os animais de estimação estarão cada um em seu espaço…

Algum dia, comeremos um belo churrasco no quintal de casa e tomaremos chimarrão, tchê!!! Nesse dia, será trilegal!!!

“Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.”

 

Esta poesia de Fernando Pessoa está na primeira “orelha” da capa do livro Um Dia, Um Rio, de Leo Cunha e André Neves (2016), que fala sobre o Rio Doce e a tragédia de Brumadinho. Recomendo esta leitura, em família.
Glossário gaúcho:

  • Bagual: homem valente e corajoso.
  • Guria: menina
  • Piá: menino
  • Matungo: cavalo velho
  • Pingo: cavalo jovem

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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