Adultos – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 31 Jul 2026 18:27:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Adultos – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Aprender a ser amigo é aprender a ser humano https://spsp.org.br/aprender-a-ser-amigo-e-aprender-a-ser-humano/ Thu, 30 Jul 2026 18:25:11 +0000 https://spsp.org.br/?p=57999 “Ninguém escolheria viver sem amigos, ainda que possuísse todos os outros bens” (Aristóteles). Essa observação permanece atual para qualquer indivíduo em todas as idades. A amizade é uma das experiências mais importantes do desenvolvimento humano. Se a família representa o primeiro espaço de acolhimento, é na amizade que a criança e o adolescente aprendem a construir relações escolhidas, baseadas na confiança, na reciprocidade e no respeito. O amigo é muito mais do que um companheiro de brincadeiras. É alguém com quem a criança aprende a dividir, esperar sua vez, negociar regras, lidar com frustrações, pedir desculpas e perdoar. Essas experiências, aparentemente simples, constituem um verdadeiro laboratório para o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais. É brincando com outras crianças que ela aprende a reconhecer emoções, desenvolver empatia e compreender que o mundo não gira apenas em torno de seus desejos. Durante essa fase, a amizade também exerce um papel protetor. Crianças que possuem vínculos afetivos consistentes tendem a apresentar maior autoestima, melhor adaptação escolar, menor risco de ansiedade e isolamento – sua sensação de pertencimento é fortalecida. A amizade também favorece o desenvolvimento cognitivo. Conversar, brincar, discutir ideias, resolver conflitos e cooperar em tarefas escolares estimulam linguagem, criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas. Na adolescência, a amizade adquire um significado ainda mais profundo. Enquanto a família continua sendo a principal referência de segurança, os amigos tornam-se parceiros na construção da identidade. É entre os pares que o adolescente experimenta ideias, valores, opiniões e projetos de vida. Compartilha dúvidas, medos, sonhos e descobertas que, muitas vezes, não consegue expressar aos adultos. Naturalmente, nem toda influência dos amigos é positiva. O grupo pode favorecer comportamentos de risco, especialmente quando há necessidade excessiva de aceitação. Entretanto, amizades saudáveis funcionam justamente no sentido contrário: promovem apoio emocional, estimulam escolhas responsáveis, reduzem sentimentos de solidão e ajudam o jovem a enfrentar situações difíceis. Vivemos, contudo, um tempo em que as amizades enfrentam novos desafios. As redes sociais permitem manter muitos contatos, mas nem sempre aprofundam vínculos. Crianças e adolescentes podem acumular centenas de “amigos” virtuais e, paradoxalmente, sentir-se profundamente sozinhos. A verdadeira amizade exige tempo, presença, escuta, confiança e disponibilidade – elementos que nenhuma tecnologia consegue substituir completamente. É fundamental que pais e educadores criem oportunidades para que crianças e adolescentes convivam, brinquem, conversem e desenvolvam amizades presenciais. Essa participação ativa e amorosa dos adultos, nesse processo, os ajudará a reconhecer relações tóxicas, lidar com conflitos e cultivar amizades baseadas no respeito mútuo. A melhor maneira de comemorar o Dia Internacional da Amizade, instituído em 30 de julho, é celebrar a vida entre amigos. Relator: Fernando MF OliveiraCoordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

“Ninguém escolheria viver sem amigos, ainda que possuísse todos os outros bens” (Aristóteles). Essa observação permanece atual para qualquer indivíduo em todas as idades.

A amizade é uma das experiências mais importantes do desenvolvimento humano. Se a família representa o primeiro espaço de acolhimento, é na amizade que a criança e o adolescente aprendem a construir relações escolhidas, baseadas na confiança, na reciprocidade e no respeito. O amigo é muito mais do que um companheiro de brincadeiras. É alguém com quem a criança aprende a dividir, esperar sua vez, negociar regras, lidar com frustrações, pedir desculpas e perdoar. Essas experiências, aparentemente simples, constituem um verdadeiro laboratório para o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais. É brincando com outras crianças que ela aprende a reconhecer emoções, desenvolver empatia e compreender que o mundo não gira apenas em torno de seus desejos.

Durante essa fase, a amizade também exerce um papel protetor. Crianças que possuem vínculos afetivos consistentes tendem a apresentar maior autoestima, melhor adaptação escolar, menor risco de ansiedade e isolamento – sua sensação de pertencimento é fortalecida. A amizade também favorece o desenvolvimento cognitivo. Conversar, brincar, discutir ideias, resolver conflitos e cooperar em tarefas escolares estimulam linguagem, criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas.

Na adolescência, a amizade adquire um significado ainda mais profundo. Enquanto a família continua sendo a principal referência de segurança, os amigos tornam-se parceiros na construção da identidade. É entre os pares que o adolescente experimenta ideias, valores, opiniões e projetos de vida. Compartilha dúvidas, medos, sonhos e descobertas que, muitas vezes, não consegue expressar aos adultos.

Naturalmente, nem toda influência dos amigos é positiva. O grupo pode favorecer comportamentos de risco, especialmente quando há necessidade excessiva de aceitação. Entretanto, amizades saudáveis funcionam justamente no sentido contrário: promovem apoio emocional, estimulam escolhas responsáveis, reduzem sentimentos de solidão e ajudam o jovem a enfrentar situações difíceis.

Vivemos, contudo, um tempo em que as amizades enfrentam novos desafios. As redes sociais permitem manter muitos contatos, mas nem sempre aprofundam vínculos. Crianças e adolescentes podem acumular centenas de “amigos” virtuais e, paradoxalmente, sentir-se profundamente sozinhos. A verdadeira amizade exige tempo, presença, escuta, confiança e disponibilidade – elementos que nenhuma tecnologia consegue substituir completamente. É fundamental que pais e educadores criem oportunidades para que crianças e adolescentes convivam, brinquem, conversem e desenvolvam amizades presenciais. Essa participação ativa e amorosa dos adultos, nesse processo, os ajudará a reconhecer relações tóxicas, lidar com conflitos e cultivar amizades baseadas no respeito mútuo.

A melhor maneira de comemorar o Dia Internacional da Amizade, instituído em 30 de julho, é celebrar a vida entre amigos.

Relator:

Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia do “Desarmamento Infantil” https://spsp.org.br/dia-do-desarmamento-infantil/ Wed, 15 Apr 2026 16:22:25 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56339 ]]>

Desde 2001, no dia 15 de abril é comemorado o Dia do Desarmamento Infantil, data criada com o objetivo principal de debater as consequências que o uso de armas por crianças (incluindo as de brinquedo e as virtuais) pode causar em relação ao aumento da violência.

As armas de fogo são a principal causa de morte entre crianças e adolescentes nos EUA e em vários países do mundo. A maioria dos ferimentos, em crianças, está relacionada ao armazenamento inadequado das mesmas em casa.

Muito se fala a respeito de segurança com arma de fogo. O que se tem bem estabelecido é que a forma mais segura de proteger uma criança/adolescente de lesões é não ter armas em casa.

  • Crianças pequenas são curiosas, exploram e diante de uma arma não têm capacidade de entender o perigo.
  • Adolescentes, por outro lado, vivem fases de impulsividade, conflitos emocionais e busca por identidade. Nesse contexto, o acesso a uma arma pode transformar um momento passageiro em uma tragédia irreversível.

Se houver arma em casa, ela deverá estar armazenada adequadamente –

em cofre com chave ou segredo (que a criança/adolescente desconheçam) e estar descarregada (a munição deverá ser guardada separadamente).

Portanto, nem crianças nem adolescentes devem ter acesso a armas de fogo. Devem ser ensinados a não mexer caso encontrem uma arma, sair da área e avisar um adulto.

Mas e quanto à premissa de que crianças e adolescentes que brincam com armas de brinquedo ou virtuais podem se tornar adultos violentos?

Não há estudos consistentes mostrando que crianças que brincam com armas de brinquedo (revólveres, espingardas, espadas etc.) serão adultos mais violentos ou terão comportamento criminoso na vida adulta. Elas aprendem educando o imaginário, ao representar papéis como herói, polícia, vilão. Exploram conceitos de certo e errado, de justiça, poder e proteção. Brincar dessa forma pode ajudar a controlar impulsos agressivos e a aprender a autorregulação em um ambiente controlado.

A expressão de agressividade depende de uma série de fatores ambientais durante o desenvolvimento do indivíduo. Essa é a base da psicologia do desenvolvimento: o comportamento agressivo não nasce de um único fator, mas sim da interação entre a criança e o ambiente em que ela cresce. O modelo dos adultos com quem ela convive (pais, cuidadores, responsáveis), seu ambiente emocional (seguro x instável), a exposição à violência real (doméstica, comunitária), suas relações sociais (acolhimento x rejeição), cultura e valores familiares, essa interação de fatores, ensinam a criança como expressar emoções (inclusive raiva). Portanto, não é a arma de brinquedo que ensina violência – é o contexto que molda o significado da brincadeira.

Contudo, a segurança física é indispensável. Responsáveis devem garantir que os brinquedos sejam adequados à faixa etária e não se assemelhem excessivamente a armas reais. Equipamentos que disparam projéteis não devem ser utilizados em crianças de qualquer idade – e exigem dispositivos de proteção e supervisão, pois podem causar ferimentos graves.

O Dia do “Desarmamento Infantil” deve focar na prevenção de acidentes com armas de fogo, através da premissa bem estabelecida de que crianças não têm maturidade para lidar com armas reais

A prevenção deve estar em: reduzir acesso a armas reais, ensinar diferença entre fantasia e realidade e supervisão ativa.

 

Saiba mais:

. Smith S, Ferguson CJ, Beaver KM. Learning to blast a way into crime, or just good clean fun? Examining aggressive play with toy weapons and its relation with crime. Crim Behav Ment Health. 2018;28:313–323. https://doi.org/10.1002/cbm.2070

. Ferguson CJ. Does media violence predict societal violence? It depends on what you look at and when. Journal of Communication, November 2014. https://doi.org/10.1111/jcom.12129

. AAP – Pediatric patient education. A parent’s guide to toy safety. Apr 03 2025 Disponível em: https://www.pediatrust.com/safety/a-parents-guide-to-toy-safety

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

 

 

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Lúpus eritematoso sistêmico juvenil https://spsp.org.br/lupus-eritematoso-sistemico-juvenil/ Sat, 10 May 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51325 ]]>

No dia 10 de maio celebramos o Dia Mundial do Lúpus.

Apesar de o lúpus ser mais frequente em indivíduos adultos, em cerca de 20% dos casos essa doença autoimune já se manifesta na faixa etária pediátrica, iniciando-se habitualmente no começo da adolescência. A doença acomete principalmente crianças e adolescentes do sexo feminino, numa proporção aproximada de sete meninas para cada menino afetado.

O lúpus juvenil costuma ser mais sintomático do que em pacientes adultos com a doença. Sintomas gerais, como febre intermitente, perda de peso e dores articulares são as manifestações mais frequentemente observadas. Comprometimento de pele também é comum. O característico eritema em asa de borboleta, com manchas vermelhas nas regiões malares (nas bochechas, abaixo dos olhos) e no nariz, é observado em menos de 30% dos casos, mas outras lesões cutâneas e de mucosas, como vasculites (manchas violáceas), nódulos subcutâneos e úlceras, podem ser encontradas em qualquer parte do corpo.

Diferentemente da população adulta, crianças e adolescentes com lúpus costumam apresentar maior comprometimento renal, hematológico e neurológico. Desta forma, sinais como inchaço nos olhos ao acordar ou nas pernas no final de dia, assim como aumento da pressão arterial, podem ser indicativos de inflamação renal. Um simples exame de urina com presença de sangue ou proteínas pode auxiliar na suspeita dessa doença. Do ponto de vista hematológico, o lúpus se caracteriza por presença de anemia ou diminuição de outras células sanguíneas, como leucócitos, linfócitos e plaquetas.

O exame do fator antinuclear, também conhecido como FAN, é positivo em praticamente todos os casos. No entanto, esse exame não é específico de lúpus, podendo estar presente em diversas outras doenças reumáticas e autoimunes, assim como em processos infecciosos, oncológicos e inclusive pode ser detectado em cerca de 12% de crianças e adolescentes saudáveis.

Existem diferentes critérios para auxiliar no diagnóstico do lúpus na faixa etária pediátrica, tendo sido o mais recente deles desenvolvido em 2019. Ele compreende diversas manifestações clínicas e laboratoriais, que, caso presentes, recebem uma pontuação específica e que, quando somadas, serão mais ou menos sugestivas dessa doença.

O tratamento do lúpus se baseia no uso de corticosteroides, hidroxicloroquina e medicamentos imunossupressores, visando inibir a produção exacerbada de autoanticorpos. O médico responsável vai estabelecer o tratamento mais indicado para cada caso, com base no quadro clínico do paciente. Além do tratamento medicamentoso, medidas complementares como dieta balanceada, prática de atividade física, suplementos vitamínicos e proteção solar são de grande importância, colaborando para o melhor controle da doença.

A adesão ao tratamento é fundamental para se obter o melhor resultado. Lembrem-se que paciente, família e profissional de saúde se tornam um time, com base na confiança mútua, em que cada um deve fazer sua parte para que a doença seja controlada da melhor forma possível e com o menor risco de complicações a curto e longo prazos.

O objetivo primordial é que o paciente mantenha uma boa qualidade de vida, que se torne gradualmente responsável pelos seus próprios cuidados e que conquiste sua autonomia, traçando planos pessoais e profissionais para o seu futuro.

A melhor forma de celebrar o Dia Mundial do Lúpus é com a divulgação de suas características, provendo ferramentas que permitam seu reconhecimento e tratamento mais precoces e com o que há de mais eficaz, promovendo assim a saúde de nossos pacientes. Essa é a nossa missão.

Relatora:

Lúcia Maria de Arruda Campos
Professora Livre-Docente da FMUSP
Membro do Departamento Científico de Reumatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Câncer infantil: avanços científicos e terapêuticos https://spsp.org.br/cancer-infantil-avancos-cientificos-e-terapeuticos/ Fri, 14 Feb 2025 14:05:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50243 Em 15 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, data que une a comunidade médica e científica para promover discussões sobre epidemiologia]]>

Em 15 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, data que une a comunidade médica e científica para promover discussões sobre epidemiologia, inovações terapêuticas e desafios enfrentados na oncologia pediátrica. Criado em 2002 pela Childhood Cancer International (CCI), o dia visa incentivar políticas públicas, investimentos em pesquisa e o aprimoramento das estratégias de diagnóstico e tratamento.

O câncer infantil representa cerca de 3% dos casos de câncer no mundo, com 8.500 novos casos anuais no Brasil (na faixa etária de 0 a 19 anos), em comparação com quase 500.000 casos anuais entre adultos. Diferente do câncer em adultos, em que predominam os carcinomas (tumores epiteliais), nas crianças as leucemias agudas (tumores das células sanguíneas) são mais comuns, seguidas por tumores no sistema nervoso central, linfomas (gânglios linfáticos) e tumores abdominais, como o neuroblastoma (suprarrenal) e o tumor de Wilms (renal).

Ao contrário dos adultos, no câncer infantil não há prevenção primária, como a adoção de hábitos saudáveis (não fumar, alimentação balanceada, proteção solar), que pode ajudar a prevenir o aparecimento de diferentes tipos de câncer.

Os cânceres infantis surgem devido a mutações em células imaturas, o que faz com que esses tumores cresçam rapidamente e de forma agressiva, mas ao mesmo tempo respondam bem ao tratamento. Com o avanço das terapias quimioterápicas, técnicas cirúrgicas e radioterápicas, além dos estudos genômicos (genômica é um campo da ciência que avalia a interação entre os genes e o meio ambiente), hoje é possível identificar mutações e vias metabólicas alteradas, permitindo abordagens mais precisas para diagnóstico precoce e classificação molecular na oncogenética (uma área da medicina que estuda a predisposição genética ao câncer), possibilitando o desenvolvimento de diferentes formas de terapia-alvo (é um tratamento que usa medicamentos para atacar células cancerígenas, poupando as células saudáveis), tais como os inibidores de tirosina quinase, e a imunoterapia através do uso de anticorpos monoclonais (proteínas que ajudam a combater doenças cancerígenas) e terapia CAR-T cell (células de defesa do organismo que são geneticamente modificadas para combater o câncer) que revolucionaram a oncologia pediátrica, proporcionando, quando bem indicados, estratégias menos tóxicas e mais eficazes.

 A implementação de biomarcadores moleculares e técnicas avançadas de imagem, como PET Scan e ressonância magnética de alta resolução, têm melhorado significativamente a precisão e a rapidez do diagnóstico, o que impacta positivamente as taxas de sobrevida. Quando diagnosticado precocemente, o câncer infantil tem taxas alvissareiras de cura superiores a 80%.

No entanto, no Brasil ainda há desafios relacionados ao atraso no diagnóstico, muitas vezes devido ao desconhecimento dos sinais de alerta ou ao receio de se pensar na possibilidade de câncer. É importante reconhecer alguns sintomas de alerta, como:

  • Hematomas e equimoses que aparecem rapidamente, associados a palidez e febre;
  • Dor de cabeça persistente, acompanhada de vômitos e, por vezes, alterações na marcha ou no comportamento;
  • Aumento progressivo dos linfonodos (ínguas) que não estão associados a processos infecciosos e não reduzem com o tempo;
  • Aumento do volume abdominal ou a presença de uma massa (tumor) na barriga da criança;
  • Aparecimento de uma mancha esbranquiçada na pupila quando exposta à luz, conhecida como leucocoria (o reflexo do olho do gato).

Esses são apenas alguns dos sinais, mas existem outros. O câncer infantil tem cura, e para melhorar as chances de sucesso no tratamento é fundamental que o diagnóstico seja feito de forma precoce. Para isso, é necessário promover campanhas de conscientização sobre os sinais e sintomas precoces da doença, aumentar a disseminação de conhecimento sobre oncologia pediátrica, apoiar pesquisas e ampliar a rede de hospitais e centros especializados em tratamento do câncer infantil no país. Fique atento à presença ou persistência desses sinais e, na dúvida, procure rapidamente um pediatra ou um hospital especializado.

 

Relator:
Roberto Augusto Plaza Teixeira
Secretário do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Efeitos na saúde das crianças causados pela poluição https://spsp.org.br/efeitos-na-saude-das-criancas-causados-pela-poluicao/ Wed, 21 Aug 2024 13:18:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47647 De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas]]>

De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas pela poluição ambiental, que inclui a poluição do ar em ambientes fechados e ao ar livre, o fumo passivo, a água contaminada, a falta de saneamento e a higiene inadequada. Crianças são particularmente vulneráveis à poluição atmosférica, desde o útero até à idade adulta, sofrem mais significativamente o impacto da poluição, em comparação com os adultos. Há razões fisiológicas para isso:

  • As crianças ingerem mais água e alimentos e respiram maior quantidade de ar por unidade de peso corporal que um adulto. Isto pode permitir que agentes químicos presentes na água, como metais (chumbo) ou compostos orgânicos lipossolúveis absorvidos pela mãe e veiculados ligados à gordura no leite materno, sejam detectados em fluidos biológicos do lactente amamentado ao seio; pode, ainda, expor mais a criança a poluentes presentes no ar do ambiente doméstico e do ambiente externo.
  • Características próprias do desenvolvimento dos lactentes, que respiram mais próximo do solo (engatinham, ficam mais sentados, baixa estatura), aumentando o risco de exposição a material particulado e alguns gases (como monóxido de carbono e radônio) que se acumulam nesta zona ambiental.
  • As crianças tendem a levar a mão à boca com mais facilidade, por isso podem contaminar-se mais por essa via.
  • A via aérea infantil tem menor calibre e maior resposta irritativa, o que faz com que a obstrução e a inflamação sejam mais relevantes quando em contato com a poluição. Esse detalhe explica a elevada incidência de casos de asma, no mundo todo, em crianças.
  • Convém salientar a importância da qualidade do ar intradomiciliar que pode ser afetado por fumaça de cigarro, lareiras, fogões a lenha, fogões a gás mal instalados, poeira doméstica, além dos poluentes externos que invadem esse espaço. Têm importância, também, compostos voláteis oriundos de várias fontes (tintas, colas, perfumes, propelentes de sprays e produtos de limpeza). Cronicamente, essa exposição repercute em menor crescimento pulmonar com comprometimento de sua função e aumento da suscetibilidade a doenças.
  • A umidade no ambiente domiciliar facilita a proliferação de fungo, ácaros e bactérias. Colchões, tapetes, móveis costumam ser os principais reservatórios desses agentes.
  • O tabagismo passivo é responsável por muitos problemas causados à criança. As crianças cujas mães são fumantes têm cerca de 70% mais problemas respiratórios e maior número de hospitalizações ao longo do primeiro ano de vida. O tabagismo intraútero aumenta a mortalidade infantil em até 80%. A fumaça liberada pelos cigarros, charutos ou cachimbos é composta por mais de 3800 substâncias diferentes e os níveis de matéria particulada chegam a ser 3 vezes maiores em casas com tabagistas.

Em adultos, podem afetar a função pulmonar, desencadear asma, provocar exacerbações da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves, como o infarto do miocárdio e acidentes vasculares encefálicos e o desenvolvimento de doença coronariana, além de câncer de pulmão.

Nós podemos fazer uma grande diferença para ajudar o meio ambiente. Seguem dez escolhas simples para um planeta mais saudável:

  • Reduza o que joga fora, reutilize e recicle;
  • Faça trabalho voluntário;
  • Eduque-se e ensine os outros da importância e o valor dos nossos recursos naturais;
  • Economize água;
  • Faça escolhas sustentáveis;
  • Compre com sabedoria – menos plástico e use sacolas reutilizáveis;
  • Use lâmpadas de longa duração e desligue a luz quando sair da sala;
  • Plante uma árvore;
  • Não envie produtos químicos para os cursos de água, escolha produtos químicos não tóxicos;
  • Ande mais de bicicleta e de transporte público, dirija menos.

As políticas de qualidade do ar devem proteger a saúde das crianças e adolescentes, tendo explicitamente em conta as diferenças na sua biologia e vias de exposição.

Crianças e adolescentes não podem proteger-se da poluição atmosférica, nem votar ou influenciar políticas relevantes; só os adultos podem e devem fazer isso por eles, e é urgente.

Precisamos responder com esforços concentrados e nos unir por meio de ações coletivas e coordenadas.

Saiba mais:

  1. OMS: 99% da população mundial respira ar “tóxico”. 4 de março de 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828507
  2. World Health Organization. Children’s environmental health. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/children-environmental-health#tab=tab_
  3. No Brasil, doenças associadas à poluição do ar matam cerca de 465 crianças menores de cinco anos por dia. 08/07/2024. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/no-brasil-doencas-associadas-a-poluicao-do-ar-matam-cerca-de-465-criancas-menores-de-cinco-anos-por-dia/
  4. Como as mudanças climáticas impactam a nossa saúde. Disponível em: https://doareassets.s3.sa-east-1.amazonaws.com/Como+as+mudan%C3%A7as+clim%C3%A1ticas+impactam+a+nossa+sa%C3%BAde.pdf
  5. Air pollution and children’s health. Disponível em: https://www.eea.europa.eu/publications/air-pollution-and-childrens-health
  6.  Ten simple choices for a healthier planet. https://oceanservice.noaa.gov/ocean/earthday.html

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia da celebração do brincar https://spsp.org.br/dia-da-celebracao-do-brincar/ Mon, 29 May 2023 19:20:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37605 Brincar é a atividade fundamental de todas as crianças. Para que ela aconteça, nem sequer é preciso um brinquedo: basta se entreter ou se distrair com algum objeto ou com qualquer atividade. É]]>

Brincar é a atividade fundamental de todas as crianças. Para que ela aconteça, nem sequer é preciso um brinquedo: basta se entreter ou se distrair com algum objeto ou com qualquer atividade. É esse ato simples o que se celebra no dia 28 de maio, Dia Internacional do Brincar.

Sempre é ocasião para destacar a importância da brincadeira, algo tão presente e incorporado na vida de todos nós. É através dela que as crianças descobrem o mundo e se inserem no contexto cultural do lugar onde vivem.

Correr, conversar, interagir com os outros, explorar um brinquedo ou objeto, andar de bicicleta, jogar um jogo… existem muitas formas de brincar. Com elas podemos estimular várias funções importantes para o desenvolvimento das crianças: a inteligência, a memória, a habilidade manual e motora, a visão, a socialização e tantas outras. Brincar também pode deixar as pessoas mais felizes, fazer com que elas deem risadas e se divirtam umas com as outras, uma ótima promoção da saúde mental para todos.

Através das brincadeiras, podemos entender melhor as crianças, procurar saber o que estão pensando e o que estão querendo, nos relacionar com elas e analisar se está tudo bem ou não. Uma criança que não brinca chama a atenção, e é preciso ter um olhar atento para sua situação.

Atualmente, as crianças têm muito acesso a dispositivos eletrônicos portáteis e a vários programas de televisão. Acessá-los ou vê-los pode ser uma maneira de brincar, mas é fundamental evitar exageros. Ao ficar muito tempo diante das telas, as crianças acabam deixando de correr, de interagir, jogar com amigos, e isso pode prejudicar muito seu desenvolvimento. Assim como elas, vemos muitos adultos deixando de brincar ou de interagir com seus filhos ou com os demais, porque também estão alheios ao que se passa ao seu redor e fixados na tela de um celular.

É importante sair mais, interagir com os outros, ir a parques, encontrar amigos, reunir-se com a família, fazer esportes! Ao fazermos isso, estamos criando oportunidades de encontro e abrindo portas para as mais variadas brincadeiras. Vamos todos promover o brincar, com menos tempo de telas e mais tempo de interação entre todos nós, crianças e adultos!

 

Relator:
Luiz Guilherme Florence
Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Meningites. Um problema só da infância? https://spsp.org.br/meningites-um-problema-so-da-infancia/ Mon, 24 Apr 2023 18:04:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37123 Talvez nem todos saibam, mas são diversos os agentes que causam meningites. A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite]]>

Talvez nem todos saibam, mas são diversos os agentes que causam meningites.

A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite considerada “benigna”, pois geralmente não determinam complicações maiores ou deixam sequelas. No quadro agudo há febre, cefaleia e vômitos, sintomas mais frequentes, que incomodam e podem levar à desidratação e ocasionar internação.

Nem todos os vírus são tão “benignos” (se é que podemos dizer que as manifestações descritas acima são tranquilas); por exemplo, o herpes (sim… aquele mesmo que provoca as feridas na boca!). Em raros casos, como em imunodeprimidos e recém-nascidos, o herpes pode determinar um quadro grave, com crises convulsivas e até coma e óbito, com possibilidade real de sequelas gravíssimas no sistema nervoso. Requer tratamento imediato.

Mas na nossa realidade, a maior preocupação, sem dúvida, são as clássicas meningites bacterianas. As vacinas para esses agentes diminuíram bastante os quadros (felizmente!), mas quando a doença ocorre, leva a quadros gravíssimos, determinando não só morte em até 30% das crianças, como diversas sequelas, que vão de déficits auditivos a crises convulsivas, sequelas motoras e neurológicas e lesões de órgãos importantes, como rins e fígado.

As crianças são as mais acometidas, mas engana-se quem julga que são só elas. Os idosos que desenvolvem meningites têm mortalidade que beira 50% no Brasil, além, claro, de todas as sequelas já descritas aqui.

Um grupo que parece não ser muito comentado é o dos adolescentes e adultos jovens (não podemos esquecer deles!). Apesar de serem menos acometidos e terem menor gravidade, podem desenvolver todas essas sequelas e apresentam óbito entre 20% e 30% dos casos (ou seja, alarmante!).

Há um outro problema nessa história… Todos os estudos demonstram que os adolescentes e adultos jovens têm um papel fundamental no ciclo das meningites bacterianas. Principalmente dos meningococos, eles são os principais reservatórios, isto é, a bactéria coloniza suas nasofaringes, de onde existe a transmissão para todos os outros grupos – crianças, demais adultos e idosos. A implantação da vacinação no adolescente como estratégia de controle da disseminação das meningites demonstrou bons resultados na redução da doença meningocócica nos demais grupos etários.

A vacinação contra algumas bactérias, a citar o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), o Haemophilus influenzae b e o meningococo C nas crianças, que faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI), recomendada pelas Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), pôde reduzir drasticamente as meningites por esses agentes. Mas ainda há necessidade de intensificar a vacinação do adolescente, hoje com baixíssimas taxas de cobertura.

Atualmente faz parte do calendário vacinal do adolescente (pelo PNI, pela SBP e SBIm) a administração da vacina meningocócica ACWY (que protege para esses quatro sorogrupos do meningococo), tanto pelo SUS como em clínicas privadas. Também há a recomendação pela SBP e SBIm para vacinação contra o meningococo B (somente nas clínicas privadas).

A vacinação deve começar nas crianças pequenas e o mais brevemente possível, por serem o grupo com maior taxa de infecção e alta morbimortalidade.  Entretanto, jamais devemos negligenciar a vacinação do adolescente, o que infelizmente tem ocorrido nos tempos atuais.

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Um terreno que ninguém quer pisar https://spsp.org.br/um-terreno-que-ninguem-quer-pisar/ Wed, 12 Apr 2023 19:28:11 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36948 O poder curativo e analgésico de uma ‘assoprada’ de mãe sobre um arranhão ou sobre o local de uma pancadinha qualquer, que um filho tenha sofrido, tem um tempo de eficácia restrito na vida de]]>

O poder curativo e analgésico de uma ‘assoprada’ de mãe sobre um arranhão ou sobre o local de uma pancadinha qualquer, que um filho tenha sofrido, tem um tempo de eficácia restrito na vida de uma criança. É igualmente limitado como a crença que a criança tem em Papai Noel ou no Coelhinho da Páscoa ou na fada do dente. Esse tempo simbólico, da fantasia, do ‘faz de conta’, da magia, é traço característico da primeira infância (até 6 anos de idade). Gradativamente, o pensamento concreto vai perdendo densidade. Na adolescência, o pensamento abstrato, próprio ao adulto, vai ganhando espaço.

É importante entender essas variações de percepção do mundo pela criança, especialmente quando há necessidade de se lidar com perdas, sejam elas de um brinquedo de estimação, ou de um animal da família e, em particular, da morte de um familiar próximo.

O luto infantil é um tema desafiador para uma família. Como e quando dar a notícia terrível sobre a morte de um parente muito querido? A criança deve ou não assistir à cerimônia de enterro?

Algumas premissas básicas:

  • A criança é capaz de perceber a ausência de alguém querido e as reações dos adultos à sua volta.
  • A criança vive no mesmo mundo que os adultos, estando, portanto, sujeita às mesmas vulnerabilidades, incertezas e possibilidades de sofrimento.
  • O tempo de luto é um tempo de sentimentos e experiências; por isso, é totalmente individual, tem a sua própria cronologia e, em cada indivíduo, a sua singularidade.
  • O luto infantil é diferente do luto do adulto porque o desenvolvimento psicoemocional da criança ainda está acontecendo, por isso se estende ao longo do período de seu crescimento e amadurecimento.
  • A criança pode se sentir desamparada, solitária, se os adultos não a ajudarem a entender a situação. Esse silêncio pode contribuir para que interprete de forma errada, por exemplo: sentir-se culpada pela pessoa querida ter partido.
  • O luto é um processo natural, não é uma doença. Pode, entretanto, ser “complicado”, seja pelo prolongamento do sofrimento, seja pela sua ausência.
  • As eventuais alterações de comportamento da criança, tanto no ambiente intrafamiliar, quanto na escola ou nos espaços sociais que frequenta, são de fundamental valor para indicar aos pais a necessidade de buscar o auxílio de um profissional da área de psicologia infantil.

Caminhando nesse terreno que ninguém quer pisar.

Com o medo de aumentar o sofrimento da criança, tentando protegê-la ou na crença de que ela é incapaz de entender o que está acontecendo, os adultos evitam falar sobre morte com a criança. É um erro, pois o falar sobre o assunto ajuda a elaborar a perda.

Nessa conversa, sempre difícil mas necessária, é condição básica que o adulto seja verdadeiro e claro. Não deve esconder seus próprios sentimentos, nem ter receio de manifestá-los. É importante, acima de tudo, criar um espaço amoroso, de acolhimento, para que a criança possa verbalizar o que está sentindo, expor a sua percepção sobre aquele momento. É fundamental usar as palavras corretas, como “morreu” e “morte”. Muito cuidado com termos como “viajou”, “partiu”, “virou uma estrelinha” ou “Papai do Céu a levou para morar com ele”, pois talvez gerem confusão e falsas expectativas para a criança. Satisfaça a curiosidade da criança quanto aos detalhes do ocorrido, sempre, adequando sua fala à capacidade de entendimento inerente à faixa etária em que ela está. Não é preciso saber as respostas para todas as perguntas que possam surgir. Mas é importante deixar claro que o corpo não funciona mais depois da morte. Não há problema em dizer à criança “não sei”, ou “nunca pensei sobre isso” e abrir espaço para a construção conjunta de um entendimento. (*)

 

Saiba mais

(*) recomendamos para o aprofundamento do assunto: “Cartilha de orientações sobre o luto das crianças [livro eletrônico]: grupo de estudos em luto. [Alessandra Aguiar Vieira, Leila Costa Volpon, Paula da Silva Kioroglo Reine; ilustração Marina da Costa Marques]. Ribeirão Preto, SP: Ed. dos Autores, 2022. PDF”.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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