Adolescência – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 10 Sep 2026 19:56:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Adolescência – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Um chamado à escuta e à conexão https://spsp.org.br/um-chamado-a-escuta-e-a-conexao/ Thu, 10 Sep 2026 19:56:56 +0000 https://spsp.org.br/?p=58975 Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual. De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis. O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente. Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado. A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas. O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive. Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar. De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares. Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento. Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros. As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos. A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas. Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais...]]>

Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual.

De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis.

O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente.

Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado.

A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas.

O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive.

Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar.

De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares.

Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento.

Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros.

As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos.

A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas.

Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais disponíveis para acolhimento e escuta em situações-limite. Um jovem cercado de múltiplas referências, conexões e possibilidades de escuta terá maiores chances de ser acolhido em um eventual momento de maior desamparo.

Relatora:

Flavia Schimith Escrivão
Psicóloga e Psicanalista
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Um convite ao cuidado, ao diálogo e à prevenção https://spsp.org.br/um-convite-ao-cuidado-ao-dialogo-e-a-prevencao/ Fri, 20 Feb 2026 12:09:09 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55136 O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre]]>

O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre um tema que começa cada vez mais cedo e pode impactar profundamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Por que falar sobre isso desde cedo?

O uso de álcool e outras drogas na adolescência traz riscos severos e muitas vezes irreversíveis, pois ocorre em uma fase crítica de maturação cerebral. O cérebro humano continua em desenvolvimento até cerca dos 25 anos. Durante a infância e a adolescência, áreas fundamentais para tomada de decisões, controle dos impulsos, planejamento e avaliação de riscos ainda estão amadurecendo. O uso precoce de álcool e outras drogas pode interferir nesse processo e aumentar o risco de desenvolver problemas de memória e atenção, ansiedade e depressão, psicose – incluindo esquizofrenia, comportamentos de risco e dependência química na vida adulta (quanto mais cedo o início de uso de drogas, maior o risco de dependência, do desenvolvimento de transtornos mentais associados e de alterações de comportamento).

Álcool também é droga e das mais perigosas para adolescentes. Existe uma falsa ideia de que o álcool é “menos grave” por ser legalizado. Seu uso está associado a maior impulsividade, redução da capacidade de julgamento, exposição a acidentes, violências, relações sexuais desprotegidas e a maior chance de experimentar outras substâncias. Nenhuma quantidade é segura para adolescentes.

O maior fator de proteção ainda mora dentro de casa: o vínculo familiar é uma das mais poderosas medidas de segurança. O adolescente que se sente ouvido, que tem espaço para conversar sem medo, apresenta menor risco de uso de álcool e drogas. O exemplo fala ainda mais alto. Crianças aprendem muito mais pelo que observam do que pelo que escutam. Portanto, vale a reflexão: como o álcool aparece na rotina da família? Ele está associado à diversão obrigatória? Existe consumo exagerado em frente aos filhos? A família é um espaço de proteção, quando os pais se preocupam com as atitudes dos filhos e os desencorajam a atitudes consideradas de risco.

Prevenir o uso de drogas não significa criar uma redoma, mas formar jovens capazes de fazer escolhas seguras mesmo quando os pais não estão por perto. Muitos pais têm receio de abordar o assunto por medo de “dar ideias”. A ciência mostra exatamente o oposto: crianças e adolescentes que conversam abertamente com seus pais têm menor risco de uso precoce de álcool e drogas. A disponibilidade de informações, adquiridas por diálogos e observação acerca do consumo de drogas e suas complicações, e os laços afetivos entre pais e filhos são importantes para a redução das possibilidades do uso das drogas.

Para você que é adolescente e está lendo este texto:

Ser independente não é fazer tudo que os outros fazem: é ter coragem de dizer não e de fazer o que é melhor para você. Você tem uma vida inteira pela frente. Não arrisque!!!

No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, transforme o silêncio em conversa, o medo em orientação e a informação em proteção.

De olho no vício!

 

Saiba mais:

  1. Alcohol e-cigarettes, cannabis: concerning trends in adolescent substance use, shows new WHO/Europe report. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/25-04-2024-alcohol–e-cigarettes–cannabis–concerning-trends-in-adolescent-substance-use–shows-new-who-europe-report
  2. Monteiro MG. Alcohol and public health in the Americas: a case for action. Washington, D.C: PAHO, © 2007. Disponível em -https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/alcohol-public-health-americas.pdf?sfvrsn=9227a4f_2
  3. WHO: Neurociencia del consumo y dependencia de sustancias psicoactivas. Washington, D.C: OPS© 2005. Disponível em: https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/neuroscience-spanish.pdf

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Por que ter um dia para chamar a atenção sobre a saúde de adolescentes e jovens? https://spsp.org.br/por-que-ter-um-dia-para-chamar-a-atencao-sobre-a-saude-de-adolescentes-e-jovens/ Mon, 22 Sep 2025 11:44:38 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53260 O Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens, comemorado em 22 de setembro, serve para reforçar a necessidade de atenção especial]]>

O Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens, comemorado em 22 de setembro, serve para reforçar a necessidade de atenção especial às pessoas desse grupo populacional, que engloba a adolescência (10 a 19 anos e 11 meses) e juventude (15 a 24 anos).

A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, cognitivas, emocionais e sociais. É um período delicado da vida, em que mudanças hormonais, busca por identidade, influências de amigos e descobertas de novas responsabilidades podem gerar inseguranças, afetando a saúde mental e aumentando a exposição a situações de risco. Além disso, é uma oportunidade para orientar e corrigir hábitos adquiridos na infância, como padrões alimentares inadequados, sedentarismo, excesso de tempo diante de telas, dificuldades relacionadas ao sono e habilidades sociais. É na juventude que se inicia a prática de todo aprendizado dos anos anteriores, o exercício da autonomia e do autocuidado.

Como ensinar adolescentes e jovens a cuidarem de sua saúde?

Para formar adultos saudáveis e autônomos é preciso que exista uma rede de apoio, composta por famílias, escolas e profissionais de saúde. Quando essa rede atua de forma articulada, o adolescente encontra suporte para enfrentar dilemas, buscar ajuda diante de dificuldades e adotar hábitos que favoreçam um futuro mais saudável. Quando se sentem ouvidos e apoiados, os adolescentes tornam-se capazes de tomar boas decisões e construir projetos de vida.

Crescer em ambiente com diálogo aberto, escuta e ausência de julgamentos facilita ao adolescente tirar dúvidas e falar sobre medos e dificuldades. Conversas sobre autocuidado, respeito ao corpo, privacidade e sexualidade contribuem para escolhas mais seguras. O convívio familiar abre oportunidades de conversas, fortalece vínculos e exerce um fator protetor para o envolvimento em comportamentos de risco. Pais e responsáveis precisam ficar atentos a mudanças bruscas de condutas, como isolamento social, queda no rendimento escolar, alterações no sono ou alimentação, entre outras, pois são sinais que podem indicar sofrimento emocional e, quando percebidos, eles devem buscar ajuda profissional.

As escolas, além de serem locais para o aprendizado acadêmico, podem ser espaços de promoção de saúde e bem-estar. Incentivar rodas de conversa sobre saúde física e mental, sexualidade, prevenção de violência e projetos de vida permite aos alunos acesso à informação de qualidade e esclarece mitos. A instituição deve oferecer um ambiente acolhedor, onde estudantes sintam-se seguros para fazer perguntas, expressar sentimentos e procurar apoio sem medo de julgamento ou punição. É fundamental que exista um posicionamento antibullying, com políticas que incluam normas explícitas de convivência, com canais de escuta e denúncia, acompanhamento psicológico quando necessário e ações educativas contínuas. Quando a escola assume postura firme e transmite a mensagem de que violência e discriminação não são permitidas, fortalece vínculos e previne problemas de saúde emocional que poderiam causar impactos até a vida adulta.

Profissionais de saúde precisam adotar uma abordagem centrada no indivíduo, considerando suas necessidades, seus direitos e sua autonomia crescente. O atendimento deve ser feito com respeito, sigilo e empatia, favorecendo o vínculo de confiança. Adolescentes têm o direito de serem atendidos desacompanhados, desde que apresentem condições de compreender o que lhes é explicado e, mesmo quando acompanhados, é desejável que tenham um momento de privacidade, para que possam tirar dúvidas e receber orientações baseadas em suas vivências. O desenvolvimento da autonomia nos cuidados em saúde deve começar nessa fase da vida.

Fase de transição para a vida adulta

No fim da adolescência e início da juventude ocorre a finalização da escola, a entrada na faculdade, ingresso no mercado de trabalho e às vezes a saída de casa. É o início da vida adulta, com menos dependência da família. A liberdade adquirida nesse momento de vida é tentadora, sendo comum que se priorizem as festas, relacionamentos amorosos e saídas com amigos, em detrimento dos cuidados em saúde. O preparo para esse momento deve ser construído gradativamente no decorrer da adolescência, focando no desenvolvimento de autonomia com responsabilidade. Aprender a marcar consultas, compreender receitas, gerenciar as medicações, reconhecer sinais de alerta e saber onde buscar ajuda são competências tão importantes quanto aprender a administrar finanças e um lar. Quando esse treinamento não é feito, pode resultar em abandono das visitas médicas e de tratamentos, com grande impacto na saúde, principalmente naqueles com doenças crônicas e que necessitam de cuidados contínuos.

Com a atuação conjunta da família, escola e profissionais de saúde que ofereçam informações de qualidade, acolhimento e oportunidades de desenvolvimento seguro, criam-se condições para que adolescentes e jovens façam escolhas conscientes, enfrentem desafios com resiliência e tornem-se adultos saudáveis, autônomos e preparados para participar plenamente da vida social e profissional.

 

Relatora:

Andrea Hercowitz
Coordenadora do Grupo de Trabalho da Fase de Transição para a Vida Adulta da SPSP
Membro do Departamento Científico de Adolescência da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos dos Direitos da Criança e do Adolescente da SPSP

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Qual o valor da sua vida? https://spsp.org.br/qual-o-valor-da-sua-vida/ Wed, 10 Sep 2025 15:36:39 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53107 ]]>

O dia 10 de setembro foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela International Association for Suicide Prevention (IASP) como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, mobilizando profissionais de saúde e a sociedade em torno de ações de conscientização, prevenção do suicídio e valorização da vida. A campanha Setembro Amarelo é realizada desde 2015 no Brasil. A cor amarela, inspirada na história de Mike Emme e seu Mustang amarelo, nos EUA, tornou-se símbolo de esperança e acolhimento, representando a luz que atravessa as sombras da depressão e do sofrimento psíquico. Seu objetivo principal é reduzir o estigma, promover a discussão aberta sobre saúde mental e divulgar canais de apoio para pessoas em risco.

No Brasil, observa-se aumento das taxas de suicídio entre adolescentes e jovens, representando a terceira maior causa de morte entre a população masculina na faixa etária de 15 a 29 anos e a oitava maior causa de mortalidade entre a população feminina nessa mesma faixa.

A adolescência é um período de intensas mudanças, marcado por busca de identidade, maior sensibilidade a pressões externas e vulnerabilidade emocional. Assim, a travessia entre a infância e a vida adulta é, ao mesmo tempo, uma aventura e uma tormenta. Durante a adolescência, tudo parece girar depressa demais – o corpo se expande, as emoções se chocam e velhos referenciais desmoronam. É nesse momento que muitos jovens esbarram na pergunta: “para que tudo isso?” Quando a resposta não vem, o vazio existencial se torna terreno fértil para a depressão.

A depressão vai muito além da tristeza. Pode se manifestar como apatia, irritabilidade, alterações de humor, sentimento de desesperança e falta de motivação para o futuro, dificuldade em sentir prazer em atividades do dia a dia.

O adolescente vive um ciclo da falta de sentido, de falta de propósito na vida e de pertencimento e isso pode agravar a depressão. A depressão, por sua vez, obscurece a busca por sentido e o encontro de um propósito. E a ausência de propósito contribui para a solidão e o isolamento.

Hoje a depressão é denominada como transtorno no DSMV, porém é importante dizer que não foi sempre assim. Os sintomas e o tratamento da depressão na Idade Média eram objeto de disputa de padres e médicos, descritos pela Igreja como obra do demônio. Atualmente, vários medicamentos estão disponíveis e, quando bem indicados, melhoram os sintomas que surgem e persistem decorrentes da depressão. Apesar de não termos um exame laboratorial ou de imagem capaz de diagnosticar essa entidade nosológica, o insight psiquiátrico pode salvar uma vida – um indivíduo prestes a saltar de uma ponte, certo de que só assim pode se livrar de seu sofrimento, precisa saber que seu cérebro não está funcionando bem e que há possibilidades diversas de tratamento.

A depressão nunca tem causa única: biologia, ambiente, história pessoal e cultural se entrelaçam. Todavia, existe um elo invisível que frequentemente passa despercebido – a falta de sentido. Sem um “porquê”, cada obstáculo parece insuportável, cada vitória soa vazia. Valores que antes forneciam bússola (família, religião, amizades estáveis) entram em choque. A formação da identidade – inacabada – carece de algo novo para colocar no lugar. Redes sociais amplificam o desconforto: comparações constantes, pressa pelo “sucesso” e relações descartáveis reforçam o sentimento de não pertencimento. Surge o trio clássico da depressão existencial: isolamento, inutilidade e desesperança. O mundo interno perde “o norte”, tornando-se demasiadamente pesado e sem sentido para o adolescente, causando um insustentável sentimento de não pertencimento.

Assim, vêm os questionamentos: Qual seu valor na vida? O que faz a vida valer a pena?

Numa tentativa de suicídio, o desejo não é realmente acabar com a vida, mas com o sofrimento e a angústia na qual está mergulhado. Esse gesto sinaliza que o jovem está enfrentando um sofrimento intenso, com ideias e impulsos de autodestruição que não devem ser minimizados ou rotulados como simples “dramatização”. A sensação de vazio que atravessa essas vivências não só impede a descoberta de novos caminhos como também obstrui a percepção de que a vida pode ter valor e significado. É importante, sempre, se lembrar de transmitir aos jovens o valor de ser e não apenas de ter, especialmente através de exemplos que falam mais que mil palavras.

Descobrir um propósito na vida passa pela redescoberta de si mesmo.

A presença de um sentido pessoal – um propósito – funciona como um mecanismo protetor, que oferece a possibilidade de transformar a dor em uma oportunidade de crescimento.

O apego exerce um papel essencial como fator de proteção. O apego refere-se ao vínculo emocional que o adolescente estabelece com figuras de cuidado, principalmente pais ou responsáveis, e se forma nos primeiros anos de vida, por meio de interações que combinam sensibilidade, disponibilidade e resposta consistente às necessidades básicas e afetivas do jovem. Fortalecer o apego seguro não apenas diminui o risco de suicídio, mas também potencializa o desenvolvimento emocional saudável. O suporte social – compreendendo qualidade de amizades, envolvimento escolar e coesão familiar – é um fator protetor robusto contra a ideação e tentativas de suicídio.

Qual o valor da vida? A resposta se encontra em um processo íntimo e contínuo de autoconstrução, não pode ser imposto de fora para dentro. Cada indivíduo precisa descobrir seus próprios motivos para persistir – seja ele o amor, a paixão por uma causa, a busca por conhecimento ou a simples alegria de viver. O enfrentamento e o confronto com a própria vulnerabilidade são uma oportunidade para o jovem, gradativamente, reescrever sua história e encontrar um pertencimento.

Esse caminho envolve o autoconhecimento, mas também a coragem de buscar  apoio, da família, da escola, de profissionais de saúde, o que pode se tornar difícil para o jovem, quando ele percebe seus sentimentos e seus atos como algo que os outros desaprovam, julgam, repudiam. É fundamental a presença de um outro, capaz de escutá-lo sem pressa e sem exigências, sem atribuição de culpa ou desvalorização, para permitir que, ao contar, ao falar sobre o que o aflige, isso permita que ele “se escute” e possa construir novos significados para suas vivências. Ter ferramentas capazes de ajudar na construção da autoestima e de uma identidade faz a diferença no vínculo com os familiares, os profissionais de saúde e a sociedade.

Mas é preciso destacar que indivíduos que se sentem sobrecarregados e com muita dificuldade, e principalmente os deprimidos, muitas vezes comunicam seu sofrimento e seu apelo por ajuda de forma não tão escancarada; eles vão dando sinais sutis. Então, cabe ao interlocutor – seja a família, o educador ou o pediatra – estar muito atento aos sinais e manifestações que indiquem essa sobrecarga e esse sofrimento.

A prevenção começa com escuta, vínculo e presença.

Pais e educadores não precisam ter todas as respostas, mas precisam estar disponíveis para caminhar junto com o adolescente, sustentando e acompanhando a busca por ajuda, que representa a possibilidade de encontrar novas razões para viver, para fazer a vida valer a pena.

Propiciar a construção de uma narrativa pessoal que ressignifique a própria existência é dar ao adolescente uma oportunidade para descobrir um verdadeiro valor para sua vida, aquele que ilumina o futuro.

 

Relatoras:

Cristiane da Silva Geraldo Folino
Fernanda Pilate Kardosh
Vera Ferrari Rego Barros
Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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A influência das mídias digitais na saúde mental dos adolescentes: reflexões a partir da série ‘Adolescência’ https://spsp.org.br/a-influencia-das-midias-digitais-na-saude-mental-dos-adolescentes-reflexoes-a-partir-da-serie-adolescencia/ Fri, 11 Apr 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50956 A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, nas quais ]]>

A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, nas quais os jovens buscam compreender a própria identidade e estabelecer conexões significativas com o mundo ao seu redor. Em tempos modernos, as mídias digitais desempenham um papel central nesse processo, oferecendo tanto oportunidades quanto riscos ao desenvolvimento psíquico e social. Para muitos adolescentes, as redes sociais não são apenas um espaço de convivência, mas um refúgio emocional e uma plataforma para construir e expressar suas identidades. É nesse contexto que surge um delicado paradoxo: ao mesmo tempo em que as mídias digitais proporcionam um espaço para expressão e conexão, também podem desencadear processos de isolamento, radicalização e prejuízos à saúde mental.

A série da Netflix ‘Adolescência’ provoca uma reflexão contundente sobre os impactos da radicalização e do uso problemático das redes sociais entre jovens. Para entender melhor esse processo, podemos nos basear no livro ‘Handbook of Adolescent Digital Media Use and Mental Health’, organizado por Nesi, Telzer e Prinstein (2022), que apresenta uma análise teórica aprofundada sobre como as plataformas digitais podem influenciar a saúde mental dos adolescentes. A convergência entre a ficção e a realidade evidencia como os adolescentes podem ser tragados por dinâmicas digitais que moldam identidades frágeis e em formação.

O livro explora como as mídias digitais influenciam a formação identitária por meio de processos psicológicos fundamentais: introspecção, narrativa pessoal e diálogo. A introspecção, que deveria ser um exercício de autoconhecimento, torna-se nas redes sociais, muitas vezes, um ciclo de ruminação e reforço de pensamentos negativos, especialmente quando realizada em espaços digitais permeados por discursos extremistas. Fóruns radicais e comunidades fechadas reforçam preconceitos e ampliam sentimentos de revolta e inadequação, validando percepções distorcidas e intensificando emoções negativas. A narrativa pessoal, por sua vez, envolve a construção de histórias que representam a forma como os jovens se percebem e se apresentam ao mundo. Contudo, quando essa expressão depende excessivamente de curtidas, comentários e validações digitais, há o risco de consolidar identidades frágeis e suscetíveis à manipulação externa. O diálogo digital é um espaço para o confronto de ideias e a construção de perspectivas diversas. No entanto, muitas vezes ele se transforma em bolhas de opinião e câmaras de eco que reforçam convicções perigosas, reduzindo a capacidade de empatia e comprometendo o desenvolvimento saudável da identidade.

A série ‘Adolescência’ traz à tona a jornada de Jamie Miller, um adolescente que, ao enfrentar o isolamento social e o bullying, busca refúgio nas redes digitais. No entanto, em vez de encontrar suporte, ele se depara com conteúdos que reforçam uma masculinidade tóxica e discursos de ódio, levando-o a um processo de radicalização. Uma cena mostra Jamie criando um diário digital onde compartilha pensamentos sombrios, expressando sua frustração e seu desejo de aceitação. A presença constante de mensagens extremistas distorce sua capacidade de reflexão crítica e alimenta um senso de injustiça e ressentimento. A criação de vídeos e textos em fóruns radicais reforça uma identidade negativa e fortalece um ciclo de ódio e isolamento, enquanto o contato com colegas e amigos se torna cada vez mais distante e conflituoso.

Esse processo reflete diretamente as teorias discutidas no livro, mostrando como o diálogo digital, quando restrito a bolhas de opinião, se converte em um ambiente de eco que reforça convicções perigosas e limita a empatia. O ambiente digital se torna um terreno fértil para a radicalização, onde as emoções são manipuladas por discursos polarizados e narrativas agressivas. No entanto, a realidade mostrada na série não é apenas um alerta sobre os perigos das mídias digitais, mas também uma reflexão sobre a falta de apoio emocional e intervenções adequadas que poderiam ter evitado o aprofundamento do sofrimento de Jamie, tanto em casa, quanto na escola e nos lugares da comunidade frequentado pelo jovem.

Para profissionais da saúde mental, pediatras e educadores, a análise conjunta da série e do livro evidencia a urgência de criar estratégias que favoreçam o uso responsável das mídias digitais pelos adolescentes. Isso inclui fomentar discussões abertas com jovens e suas famílias sobre os riscos e as armadilhas emocionais das redes sociais, incentivando práticas que valorizem a autenticidade e o senso crítico. Também é fundamental compreender os sinais de isolamento e comportamentos radicais como possíveis manifestações de um processo de vulnerabilidade emocional agravada pelas interações digitais.

Assim, somos todos desafiados a repensarmos o papel das mídias digitais na vida dos adolescentes, enfatizando que a tecnologia, em si, não é um vilão ou uma solução mágica, mas um recurso que precisa ser compreendido e manejado com cautela. Para mitigar os danos e potencializar os benefícios, é essencial que educadores, pais e profissionais de saúde promovam o diálogo aberto, a escuta ativa e o apoio emocional, para que as experiências digitais possam ser aproveitadas de maneira positiva e segura.

 

Relatora:
Bianca Seixas Soares Sgambatti
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Prevenir é sempre o melhor remédio! https://spsp.org.br/prevenir-e-sempre-o-melhor-remedio/ Thu, 20 Feb 2025 11:38:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50299 Em um cenário de crescentes desafios relacionados ao consumo de substâncias, o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo se apresenta como uma oportunidade]]>

Em um cenário de crescentes desafios relacionados ao consumo de substâncias, o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo se apresenta como uma oportunidade indispensável para refletirmos sobre a prevenção do uso indevido de drogas e álcool, sobretudo entre os jovens. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019 do IBGE revelou vários dados sobre o comportamento e a segurança de estudantes de 13 a 17 anos:

  • 22,6% dos estudantes já experimentaram cigarro
  • 26,9% dos estudantes já experimentaram narguilé
  • 16,8% dos estudantes já experimentaram cigarro eletrônico
  • 63,3% dos estudantes já experimentaram bebida alcoólica
  • 13% dos estudantes já experimentaram alguma droga ilícita

Em um contexto em que a adolescência é marcada por intensas transformações físicas e emocionais, a exposição a drogas e ao álcool pode causar consequências devastadoras, afetando não apenas a saúde física, mas também o desenvolvimento psicológico e social dos jovens:

  • Desenvolvimento Cerebral: O cérebro adolescente passa por importantes processos de maturação, especialmente nas áreas de controle de impulsos e funções executivas. A exposição a drogas pode interferir na formação de conexões sinápticas, afetando a aprendizagem, a tomada de decisões e o autocontrole.
  • Risco de Dependência: O sistema de recompensa do cérebro, fortemente influenciado pela dopamina, é particularmente sensível nessa fase, o que aumenta a vulnerabilidade à dependência e ao abuso de substâncias.
  • Consequências a Longo Prazo: Alterações no sistema nervoso central durante o desenvolvimento podem predispor o indivíduo a problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e outros transtornos neuropsiquiátricos.

A falta de informação dos pais e adolescentes é também responsável pelo aumento do uso de drogas. Ainda há um certo clima na sociedade de que o cigarro eletrônico não faz mal à saúde, mas isto não é verdade. As doenças relacionadas ao tabaco estão aparecendo mais cedo e mais intensamente. Será que os pais sabem que o álcool e a maconha podem diminuir o aprendizado e afastar os filhos das escolas? Será que os pais sabem que pode haver destruição cerebral com o uso de álcool e/ou maconha e esta é definitiva? Será que os pais sabem que, depois de grande ingestão de bebida alcoólica, o cérebro encolhe de 2 a 4 mm e demora 7 meses para voltar ao normal?

A Sociedade de Pediatria São Paulo reconhece a ameaça do uso de álcool e drogas na adolescência e apoia a iniciativa do Projeto Dr. Bartô para a prevenção de drogas lícitas e ilícitas.

Aumente seu conhecimento através de literatura médica confiável e tire dúvidas no site: https://www.drbarto.com.br/. Os 12 passos para pais prevenirem o uso de drogas na adolescência são:

  • Passo 1: Família unida e com limites
  • Passo 2: Estimular o diálogo em família
  • Passo 3: Refeição com a família unida
  • Passo 4: Ter o conhecimento do que as crianças fazem no tempo livre
  • Passo 5: Supervisionar os deveres de casa dos filhos
  • Passo 6: Demonstrar que tem orgulho dos filhos
  • Passo 7: Incentivar atividades artísticas, culturais e esportivas
  • Passo 8: Envolvimento em atividades voluntárias e sociais
  • Passo 9: Praticar a espiritualidade
  • Passo 10: Estimular boas amizades
  • Passo 11: Não fumar e não beber em excesso
  • Passo 12: Ser um bom exemplo em todos os sentidos

Em resumo, é fundamental que os pais se mantenham vigilantes e engajados na vida dos seus filhos, criando um ambiente de diálogo aberto e de apoio contínuo, que permita identificar precocemente sinais de risco e oferecer orientações claras sobre os perigos do consumo de drogas. Ao investir em educação, supervisão e comunicação honesta, os responsáveis podem fortalecer a autoestima e a resiliência dos jovens, capacitando-os a fazer escolhas mais conscientes. Dessa forma, o envolvimento parental torna-se um pilar essencial na prevenção do uso de substâncias, contribuindo para o desenvolvimento saudável dos filhos e para a construção de um futuro mais seguro e promissor.

 

Saiba mais:

  1. Brasil. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2020.
  2. Lotufo JPB. Álcool, tabaco, maconha e cigarro eletrônico são drogas pediátricas. 2a edição. 2024.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. 12 Passos. São Paulo: SBP; 2020. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/12_passos_final_06out2020_final_p_sbp_071020__002_.pdf.

 

Relatores:

Denise Swei Lo
João Paulo Lotufo
Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/dia-mundial-de-prevencao-da-gravidez-na-adolescencia/ Tue, 26 Sep 2023 19:40:43 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39475 A gravidez na adolescência ou gravidez precoce, é aquela que ocorre antes dos 20 anos. Independentemente de ser planejada, desejada ou não, causará]]>

A gravidez na adolescência ou gravidez precoce, é aquela que ocorre antes dos 20 anos. Independentemente de ser planejada, desejada ou não, causará sempre repercussões negativas para a saúde física e psíquica da adolescente, repercutindo também no recém-nascido. O ônus de uma gravidez na adolescência, embora recaia tanto para o adolescente quanto para a adolescente, será sempre maior para a gestante e sua família.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, por dia, 1.043 adolescentes se tornam mães no Brasil; por hora, são 44 bebês que nascem de mães adolescentes, sendo que dessas, duas têm idade entre 10 e 14 anos. A taxa está caindo, mas ainda é muito alta.

E por que engravidar antes dos 20 anos causa tantos problemas?

Nessa fase da vida, nosso corpo cresce e se desenvolve, preparando-se para a vida adulta. Usando o cálcio como exemplo: na puberdade ocorre seu acúmulo nos ossos. Caso ocorra uma gravidez, o desenvolvimento do feto ao recrutar o cálcio materno, impedirá que se deposite no osso da adolescente, aumentando o risco de osteoporose quando ela estiver na menopausa. Além disso, as demandas psicológicas, sociais e acadêmicas da adolescência, que não são poucas nesses dias atuais, serão sobrecarregadas pelo estresse de estar grávida. Dessas demandas, a primeira a ser impactada será a acadêmica, expressa pelo abandono escolar. Para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a gravidez precoce continua sendo um dos principais fatores que contribuem para a mortalidade materna e infantil e para o ciclo de doenças e pobreza.

Para a mulher, ter um filho antes dos 20 anos se relaciona com uma diminuição na escolaridade em 1,3 anos de estudos. Aumenta a chance de ela entrar para o mercado de trabalho mais precocemente, mas esse ingresso, na grande maioria das vezes, ocorrerá por meio do trabalho informal, que exige menos habilidades e é mais flexível no tempo. No entanto, empregos informais não têm a proteção e os benefícios que os formais têm. Comparando os rendimentos de mães adolescentes com mães que tiveram o primeiro filho após os 20 anos, observa-se uma redução de 28% no salário médio por hora. Ainda, se forem pretas ou pardas, bem como aquelas que vivem nas regiões mais pobres do Brasil, as probabilidades de trabalharem e terem salários significativamente mais baixos serão maiores ainda.

Gestação precoce está associada a riscos obstétricos maiores, principalmente em gestantes com menos de 15 anos. Existem maiores chances de anemia, hipertensão na gestação, incluindo pré-eclâmpsia e eclâmpsia, partos prematuros, recém-nascidos pequenos para a idade gestacional e retardo de crescimento fetal. Para quem engravida antes dos 20 anos e tem um bebê prematuro, a chance de na próxima gravidez isso voltar a acontecer é de 37%, enquanto se isso ocorrer em uma gestante com mais de 20 anos, essa chance é de 8%.

Quanto aos recém-nascidos de mães adolescentes, em decorrência dos problemas acima, eles podem ter nota de nascimento (Apgar) menor que 5, com maior chance de precisarem ficar na UTI neonatal e apresentarem problemas crônicos de saúde, pela prematuridade, baixo peso ou pela necessidade de ventilação mecânica nos primeiros dias de vida. Ainda podem apresentar anomalias ou síndromes congênitas (síndrome de Down, defeitos do tubo neural, gastrosquise entre outras).

Como os pais, professores e a sociedade podem atuar para prevenir a gestação precoce?

Em casa: mantenha diálogo com os filhos sobre sexualidade e meios de prevenção. O ideal é iniciar o tema por volta dos 10 anos, adequando o diálogo à compreensão de seu filho. Os ensinamentos sobre prevenção, para serem mais efetivos, deverão ser feitos antes que o(a) adolescente inicie suas atividades sexuais. Dessa forma, saberão o que e como devem fazer quando chegar a hora de tornar a vida sexual ativa, diferentemente daqueles que não tiveram contato ou conversa nenhuma sobre o assunto. É importante que saibam sobre o risco de infecções sexualmente transmissíveis e como se prevenir. Se os pais não se sentirem seguros para falar sobre o tema com sua filha, deverão conversar com seu pediatra e pedir orientações.

Nas escolas: a educação em sexualidade deve fazer parte do currículo de todas as escolas. Ela possibilita que adolescentes cuidem de sua saúde e façam escolhas saudáveis, que repercutirão para a vida deles e para a sociedade. As escolas podem fazer parcerias com profissionais de saúde, que esclarecerão os riscos da gravidez precoce e poderão falar sobre métodos contraceptivos e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis.

Caso uma adolescente engravide, é importante ajudá-la a não abandonar os estudos e protegê-la de bullying, o que é relatado por muitas estudantes que engravidam.

Direitos da gestante que estuda

No Brasil, a Lei nº 6.202/1975 garante à estudante grávida o direito à licença maternidade sem prejuízo do período escolar. A partir do oitavo mês de gestação, a gestante estudante poderá cumprir os compromissos escolares em casa, de acordo com o Decreto-Lei nº 1.044/1969. Além disso, o início e o fim do período de afastamento serão determinados por atestado médico a ser apresentado à direção da escola. E, finalmente, é assegurado às estudantes grávidas o direito à prestação dos exames finais.

Sociedade: O que previne a gravidez precoce de forma mais eficaz é a perspectiva de um futuro feliz. À sociedade, cabe propiciar aos adolescentes a possibilidade de completar os estudos e realizar seus projetos de vida.

Saiba mais:

https://www.paho.org/pt/topicos/saude-do-adolescente

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Adolescencia_-_21621c-GPA_-_Prevencao_Gravidez_Adolescencia.pdf

 

Relatores:
Elizete Prescinotti Andrade
Carlos Alberto Landi
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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31 de maio – Dia Mundial sem Tabaco https://spsp.org.br/31-de-maio-dia-mundial-sem-tabaco-2/ Wed, 31 May 2023 18:04:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37633 Os jovens, em idade cada vez mais precoce, encantam-se com o mundo mágico de novidades. Na adolescência, a busca pelo conhecimento, o aprendizado pela experimentação e o gosto pela]]>

Os jovens, em idade cada vez mais precoce, encantam-se com o mundo mágico de novidades. Na adolescência, a busca pelo conhecimento, o aprendizado pela experimentação e o gosto pela aventura são um terreno propício para a iniciação, além da influência genética, pelas facilidades socioambientais e familiares. Apesar de ser proibido no Brasil pela Anvisa desde 2009, adolescentes e jovens têm acesso fácil ao cigarro eletrônico por meio da comercialização na internet, no comércio informal ou adquirido no exterior. O líquido contido no cigarro eletrônico (também chamado Vapers, Pod) possui nicotina e outros produtos químicos, inclusive THC (componente psicoativo da maconha). Os adolescentes podem começar a usar o cigarro eletrônico por curiosidade ou atraídos pela ideia de que ele pode ajudar a deixar o tabagismo.

O risco de iniciação ao tabagismo é significativamente maior entre usuários de cigarro eletrônico. Pesquisadores do INCA avaliaram através de revisão sistemática e metanálise mostrando que o uso dos cigarros eletrônicos aumenta em quase três vezes e meia o risco de o indivíduo experimentar o cigarro convencional, e em mais de quatro o risco de passar a utilizar, posteriormente, cigarro convencional.

A OMS já listou mais de 100 razões para parar de fumar, dentre elas que “o cigarro é responsável por 25% das mortes por câncer e pelo risco aumentado de doenças cardiovasculares”.

Não menos importante é o tabagismo passivo: quando um cigarro é aceso, somente uma parte da fumaça é tragada pelo fumante, o restante é lançado ao ambiente pela ponta acesa. O perigo é ainda maior aos bebês fumantes passivos, pois o desenvolvimento incompleto do aparelho respiratório e a relação entre o volume de substâncias tóxicas inaladas e o peso da criança tornam a exposição ao cigarro ainda mais maléfica durante a infância. As crianças maiores expostas à fumaça têm maior frequência de resfriados, otites, bronquites, pneumonias e piora das crises de asma.

As gestantes expostas à fumaça correm o risco de ter bebês com malformações congênitas, baixo peso ao nascer ou ainda natimortos. Em relação aos bebês em fase de amamentação, estudos apresentados pela Sociedade Brasileira de Pediatria sugerem que eles podem ter menor capacidade intelectual, maior risco de morte súbita e grave acometimento respiratório e imunológico.

 O tabagismo é uma doença inscrita na Classificação Internacional de Doenças e merece nossa atenção, combate e cuidados redobrados, por suas danosas consequências. A potencialização das ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde, junto com o apoio à adoção ou cumprimento de medidas legislativas e econômicas devem ser feitas para prevenir a iniciação do tabagismo, principalmente entre crianças, adolescentes e adultos jovens.

 

Saiba mais:

https://www.who.int/news-room/spotlight/more-than-100-reasons-to-quit-tobacco

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-parar-de-fumar/noticias/2021/criancas-que-convivem-com-fumantes-que-consequencias-podem-sofrer

 

Relatora:
Karina Pierantozzi Vergani
Pneumologista Pediátrica
Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial da Juventude https://spsp.org.br/dia-mundial-da-juventude/ Thu, 30 Mar 2023 17:40:45 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36713 No dia 30 de março comemora-se o Dia Mundial da Juventude, data marcada para celebrar a contribuição dos jovens na criação da sociedade. São considerados jovens todos aqueles com idade entre]]>

No dia 30 de março comemora-se o Dia Mundial da Juventude, data marcada para celebrar a contribuição dos jovens na criação da sociedade. São considerados jovens todos aqueles com idade entre 15 e 29 anos: pessoas em fase de transição de ciclo de vida, que vivenciam realidades diferentes na busca da constru­ção de sua identidade, autonomia, aprendizagem, profissão, independência financeira, possibilidade de inovação e participação ativa na economia.

Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2021 os jovens entre 15 e 29 anos correspondiam a 23% da população brasileira, ou seja, mais de 47 milhões de pessoas.

Apesar de na juventude as pessoas terem menos problemas de saúde do que na infância, esse é um momento delicado. Longe de seus responsáveis, os jovens tendem a priorizar outros aspectos da vida, como amizades, relacionamentos, hobbies e estudos, deixando de lado os cuidados clínicos preventivos. Além disso, podem apresentar dificuldades financeiras, prejudicando o acesso ao transporte e à medicação. A situação torna-se ainda mais grave quando os jovens são portadores de doenças crônicas, pois necessitam de acompanhamento contínuo e muitas vezes frequente.

Países que não investem e não cuidam da saúde de seus jovens têm seu futuro como nação comprometido em curto espaço de tempo. É preciso ensinar-lhes autocuidado e autogestão, assim como estimular que lutem por seus direitos.

No Brasil, a Constituição Federal, o Estatuto da Juventude e outros documentos oficiais, tanto nacionais quanto internacionais nos quais o país é signatário, garantem diversos direitos aos jovens. Infelizmente, nem tudo que está no papel acontece na realidade. São adquiridos, por exemplo, o direito à diversidade e à igualdade de direitos e de oportunidades, independentemente de cor/raça, sexo, gênero e orientação sexual. No entanto, dados oficiais mostram que:

  • Jovens do sexo masculino têm uma taxa de mortalidade 3,5 vezes maior do que jovens do sexo feminino;
  • Jovens do sexo masculino de 20 a 24 anos têm 11 vezes mais chances de sofrerem uma morte violenta se comparados às jovens do sexo feminino na mesma idade;
  • As estatísticas oficiais tendem a invisibilizar a juventude não binária e a indígena.

 

A juventude brasileira sempre precisou de um olhar atento de toda a sociedade no que diz respeito à sua saúde, mas isso tornou-se ainda mais urgente, levando-se em consideração a pandemia do coronavírus, que impactou gravemente a saúde física e mental dos jovens, como descrito no quadro 1.

 

Quadro 1

 

 

Para 29% dos jovens entrevistados, a pandemia piorou muito seu estado emocional e 41% referiram que piorou um pouco. Isso, somado às incertezas e inseguranças dessa fase da vida, levou a um aumento expressivo das taxas de depressão, principalmente entre pessoas de 18 a 24 anos, como pode ser visto no quadro 2.

 

Quadro 2

 

Outro importante marcador em saúde é a gravidez na adolescência. Apesar dos índices estarem, aos poucos, regredindo no Brasil, isso vem acontecendo de forma mais lenta do que nos outros países. Enquanto 46 a cada mil partos no mundo são de meninas entre 15 e 19, em nosso país ela é de 68,4 nascimentos a cada mil partos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

E a educação integrada é vista como uma das melhores ferramentas para a prevenção da gravidez na adolescência; entretanto, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a taxa de desistência no ensino médio na rede pública mais do que dobrou entre 2020 (2,3%) e 2021 (5,6%). Segundo pesquisa do IBGE, a faixa etária com maior número de pessoas fora das escolas é justamente a de jovens entre 15 e 17 anos de idade (quadro 3).

 

Quadro 3

 

Ciente das peculiaridades que envolvem a juventude, a Sociedade de Pediatria de São Paulo criou um grupo de estudos voltado para orientar e ajudar pediatras, pais, escola e sociedade no processo de transição dos cuidados da infância e adolescência para a vida adulta.

Promover discussões, elaborar protocolos e advogar em prol dos jovens, são ações que devem ser vistas como prioridades, pois com o crescente envelhecimento da população brasileira, a juventude será segmento estratégico, responsável pela geração de recursos. Para que possam exercer seu papel, os jovens precisam ter as condições necessárias para se desenvolverem de forma saudável, com acesso a todos os direitos garantidos formalmente em nosso país.

A juventude tem o potencial de protagonizar agendas globais e locais de desenvolvimento social, mas, para isso, precisa do apoio de suas famílias, escolas, sociedade, governos e outros parceiros.

 

Saiba mais:

  1. https://juventudesdoagora.com.br/wp-content/uploads/2022/08/doc-atualizado-16-08.pdf
  2. https://atlasdasjuventudes.com.br/
  3. https://www.feac.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Guia-Juventudes-e-os-DSR-Revisao-Julho-2019.pdf

 

Relatoras:
Andrea Hercowitz
Coordenadora do Grupo de Trabalho da Fase de Transição para a Vida Adulta
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Elizete Prescinotti Andrade
Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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Dia do Adolescente https://spsp.org.br/dia-do-adolescente/ Wed, 21 Sep 2022 16:41:07 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34493 ]]>

No dia 21 de setembro é comemorado o Dia do Adolescente. Essa data foi instituída há alguns anos para celebrar esse processo de transição tão esperado e, ao mesmo tempo, tão temido pelas famílias e pelos adolescentes.

A adolescência deve ser motivo de celebração, por ser um rito de passagem da infância para a vida adulta. Adolescer é crescer e esse crescimento não se resume à primeira menstruação, ao primeiro beijo, ou a passar em uma faculdade – adolescer é metamorfose. E a única certeza que temos da vida é a nossa mudança. Somente quando somos fetos dentro do útero de nossas mães crescemos tanto quanto na adolescência.

É o chamado estirão de crescimento e junto dele temos o desenvolvimento do cérebro de uma maneira incrivelmente complexa. Nossas memórias da infância reaparecem na adolescência, sejam elas boas ou ruins. O corpo físico e o comportamento mudam em uma velocidade tão grande que os jovens ‘dormem de um jeito e acordam de outro’. Toda essa transformação pode até assustar. Divergências com a família e na escola são desafios diários dessa fase de transição.

Mas como estabelecer relações humanas entre as famílias para que esse rito seja vivido com leveza em uma sociedade tão preocupada com o “ter” em vez do “ser”? Em tempos pós-pandêmicos com horas ilimitadas de telas, excesso de ansiedade e sintomas depressivos, pouco convívio familiar, você faz ao menos uma refeição à mesa com sua família?

Existe fórmula mágica para manter uma escuta efetiva com seu jovem? Devemos lembrar que a adolescência é um caminho que começa antes da concepção e muitas questões virão à tona nesse momento de mudanças físicas e psíquicas. Estamos preparados para tudo isso?

Por vezes parece difícil olhar aquele ser humano que antes pedia para amarrar os cadarços e agora nos impede de entrar em seu quarto, não pede opinião sobre suas roupas, músicas e escolhe sozinho seus amigos. Tarefa difícil para a maioria das famílias.

Podemos refletir sobre todos estes aspectos e criar um ambiente de diálogo em casa, sem preconceitos, deixando qualquer juízo de valor de lado e estabelecer uma escuta ativa, baseada no amor, a fim de conseguirmos efetivamente uma parceria harmoniosa, onde a empatia predomine.

Famílias, procurem ajuda! Terapias e aconselhamentos sempre que for possível poderão ser valiosos nesse momento. Sabemos que o contato com a natureza melhora o desempenho emocional. O ócio – não fazer nada – é um bom elemento de reflexão para todos da família.

Controle parental de telas sempre: limites e combinados são fundamentais.

Ouçam os sinais que os adolescentes deixam nas entrelinhas – as mensagens subliminares: eles são craques neste quesito.

Bom adolescer a você e seu jovem, com muita vida e alegrias nesse processo belo e desafiador.

Vamos juntos comemorar este dia?

Relatora:
Carolina Cresciulo
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: @freepik / freepik.com

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