Açúcar – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 17 May 2024 13:23:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Açúcar – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia Mundial da Hipertensão Arterial https://spsp.org.br/dia-mundial-da-hipertensao-arterial/ Fri, 17 May 2024 10:00:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46100 Hoje, 17 de maio, é o Dia Mundial da Hipertensão Arterial, e este tema voltado para a pediatria é algo pouco abordado e conhecido, porém é necessário que pais, cuidadores e sociedade saibam que crianças podem ter pressão alta, e que um estilo de vida saudável é necessário desde a infância. A hipertensão na faixa etária pediátrica pode estar relacionada com algumas cardiopatias congênitas; portanto, se seu filho estiver hipertenso é necessário que se exclua essa possibilidade. No entanto, a falta de atividade física associada a uma alimentação rica em sal, açúcar e excesso de peso são responsáveis pela maior parte dos casos de pressão alta em crianças e adolescentes. Nitidamente há uma piora alimentar muito grande nos últimos anos, e por isso os níveis de obesidade estão crescendo absurdamente, e consequentemente os níveis de pressão arterial também. A prevalência de hipertensão infantil aumentou de 75% a 79% nas últimas duas décadas, sendo um alerta aos pais e pediatras, pois a hipertensão e a obesidade são fatores de risco para as doenças do coração. Uma dúvida recorrente dos pais e cuidadores é quando a pressão arterial deve ser aferida nas crianças. De acordo com o manual de orientação sobre hipertensão arterial na infância e adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pressão arterial deve ser verificada: – Em todas as crianças maiores de 3 anos pelo menos uma vez por ano; – Para crianças menores de 3 anos, a avaliação da pressão arterial está indicada em condições especiais, como: – Doenças cardíacas; – Doenças renais; – Transplante; – Uso de medicações que alteram a pressão arterial; – Prematuros < 32 semanas; – Muito baixo peso ao nascer; – Crianças que fizeram uso de cateter umbilical; – Crianças que tiveram outras complicações no período neonatal necessitando de internação em UTI; – Crianças que tiveram aumento da pressão intracraniana; – Outras doenças associadas à hipertensão (neurofibromatose, esclerose tuberosa, anemia falciforme, etc.). É importante reforçar que para aferir a pressão arterial em pediatria deve-se possuir o manguito adequado para o braço; além disso, o parâmetro de normalidade muda de acordo com a faixa etária; portanto, manter a consulta em dia com o pediatra é algo fundamental para a manutenção da saúde das crianças. Frente a esta problemática muito atual, a principal orientação e o pilar da prevenção de hipertensão arterial na infância é a mudança de hábitos de toda a família, pois a criança sedentária, obesa ou hipertensa, normalmente é um reflexo dos hábitos familiares. As principais recomendações são Ao menos uma hora de atividade física moderada a intensa por dia; Dieta rica em vegetais, frutas e alimentos ricos em fibra; Limitar a ingestão de sal; Evitar o consumo de açúcar e gordura saturada. Relator: Gustavo Foronda Presidente do Departamento Científico de Cardiologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

Hoje, 17 de maio, é o Dia Mundial da Hipertensão Arterial, e este tema voltado para a pediatria é algo pouco abordado e conhecido, porém é necessário que pais, cuidadores e sociedade saibam que crianças podem ter pressão alta, e que um estilo de vida saudável é necessário desde a infância.

A hipertensão na faixa etária pediátrica pode estar relacionada com algumas cardiopatias congênitas; portanto, se seu filho estiver hipertenso é necessário que se exclua essa possibilidade.

No entanto, a falta de atividade física associada a uma alimentação rica em sal, açúcar e excesso de peso são responsáveis pela maior parte dos casos de pressão alta em crianças e adolescentes.

Nitidamente há uma piora alimentar muito grande nos últimos anos, e por isso os níveis de obesidade estão crescendo absurdamente, e consequentemente os níveis de pressão arterial também. A prevalência de hipertensão infantil aumentou de 75% a 79% nas últimas duas décadas, sendo um alerta aos pais e pediatras, pois a hipertensão e a obesidade são fatores de risco para as doenças do coração.

Uma dúvida recorrente dos pais e cuidadores é quando a pressão arterial deve ser aferida nas crianças. De acordo com o manual de orientação sobre hipertensão arterial na infância e adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pressão arterial deve ser verificada:

– Em todas as crianças maiores de 3 anos pelo menos uma vez por ano;

– Para crianças menores de 3 anos, a avaliação da pressão arterial está indicada em condições especiais, como:

– Doenças cardíacas;

– Doenças renais;

– Transplante;

– Uso de medicações que alteram a pressão arterial;

– Prematuros < 32 semanas;

– Muito baixo peso ao nascer;

– Crianças que fizeram uso de cateter umbilical;

– Crianças que tiveram outras complicações no período neonatal necessitando de internação em UTI;

– Crianças que tiveram aumento da pressão intracraniana;

– Outras doenças associadas à hipertensão (neurofibromatose, esclerose tuberosa, anemia falciforme, etc.).

É importante reforçar que para aferir a pressão arterial em pediatria deve-se possuir o manguito adequado para o braço; além disso, o parâmetro de normalidade muda de acordo com a faixa etária; portanto, manter a consulta em dia com o pediatra é algo fundamental para a manutenção da saúde das crianças.

Frente a esta problemática muito atual, a principal orientação e o pilar da prevenção de hipertensão arterial na infância é a mudança de hábitos de toda a família, pois a criança sedentária, obesa ou hipertensa, normalmente é um reflexo dos hábitos familiares.

As principais recomendações são

  • Ao menos uma hora de atividade física moderada a intensa por dia;
  • Dieta rica em vegetais, frutas e alimentos ricos em fibra;
  • Limitar a ingestão de sal;
  • Evitar o consumo de açúcar e gordura saturada.

Relator:
Gustavo Foronda
Presidente do Departamento Científico de Cardiologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Diabetes na infância https://spsp.org.br/diabetes-na-infancia/ Tue, 27 Jun 2023 18:56:07 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37986 27 de junho é o Dia Internacional do Diabético e a data de celebração nasceu com o objetivo de promover conscientização sobre a doença e suas formas de tratamento. O diabetes é]]>

27 de junho é o Dia Internacional do Diabético e a data de celebração nasceu com o objetivo de promover conscientização sobre a doença e suas formas de tratamento. O diabetes é uma das doenças crônicas mais importantes e se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue. Estimam-se 1,2 milhão de crianças e adolescentes com diabetes no mundo. Os diagnósticos de diabetes tipo 2 (DM2) entre os adolescentes vêm aumentando, mas o diabetes tipo 1 (DM1) ainda é o mais comum na infância.

Mas qual a diferença entre eles? O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o corpo produz anticorpos que atacam as células do pâncreas que produzem insulina. Quando restam poucas células produtoras de insulina, o açúcar começa a se acumular no sangue. A maioria dos casos ocorre na infância e adolescência em famílias que não têm nenhum caso de diabetes conhecido. Ainda não há cura para interromper ou reverter esse processo.

O diabetes tipo 2 é causado por resistência à ação da insulina, quando a insulina tem dificuldade de agir, resultando no acúmulo de açúcar no sangue. Existe uma propensão genética, mas hábitos de vida sedentários e o excesso de peso aumentam muito o risco de se desenvolver o DM2 em adolescentes e adultos jovens. Manter o peso adequado, uma alimentação saudável e praticar atividades físicas regulares reduz significativamente o risco de desenvolver esse tipo de diabetes.

 

Quais são os sintomas de diabetes?

  • Muita sede
  • Aumento da diurese
  • Muita fome
  • Perda de peso
  • Hálito cetônico (cheiro de maçã podre ou vinagre)

Se essas alterações persistirem por um tempo prolongado, outros sintomas podem aparecer, como dor na barriga, vômitos, muito cansaço, respiração muito rápida. Nesses casos, é importante buscar avaliação médica com urgência.

 

O diagnóstico de diabetes

A medida de glicose no sangue acima de 200 mg/dl é considerada elevada – procure avaliação médica.

Em casos de DM1 é possível medir os anticorpos no sangue, aqueles que prejudicam a produção de insulina pelo pâncreas.

No DM2 esses anticorpos não estão presentes, mas hiperglicemias associadas a obesidade e história familiar são suficientes para o diagnóstico.

 

Qual o tratamento?

Nos casos de DM1, o tratamento é a aplicação de insulina, desde o momento do diagnóstico. A insulina pode ser aplicada com seringas, canetas de insulina ou sistemas de infusão contínua (“bombas” de insulina). São utilizados dois tipos de insulina, uma lenta e outra insulina de ação rápida. Para manter os níveis de glicose dentro do alvo recomendado é necessário monitoramento dos valores de açúcar no sangue, que pode ser feito com medidas do açúcar no sangue ou com sensores do líquido intersticial.

Para o DM2 são fundamentais mudanças no estilo de vida (com uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares). O uso de medicamentos via oral ou injetáveis também é indicado, sendo que a insulina também pode ser necessária, dependendo dos valores de glicemia e da capacidade de produção de insulina que cada pessoa tem no momento do diagnóstico.

É importante ter atenção para a ocorrência de hipoglicemias – açúcar baixo no sangue. Os sintomas podem variar muito e conforme a glicemia vai ficando mais baixa, sintomas mais importantes podem aparecer. É importante agir rapidamente para que esse quadro não piore. Os sintomas mais comuns de hipoglicemia nas crianças:

  • Tremores
  • Suor frio
  • Sonolência
  • Irritabilidade
  • Muita fome
  • Alterações na visão
  • Dor de cabeça
  • Desmaio
  • Convulsão

Em casos de sintomas, deve-se medir a glicose e oferecer açúcar de rápida absorção – água com açúcar, refrigerante ou suco não diet, mel, ou glicose em sachês. É importante ter fácil acesso a esses alimentos, pois a hipoglicemia pode evoluir rapidamente se não reconhecida e tratada adequadamente.

 

E as complicações crônicas?

O risco de evoluir com complicações está diretamente relacionado aos níveis de glicemia ao longo dos anos. Manter os níveis de glicose dentro do alvo (70 a 180 mg/dL) a maior parte do tempo reduz significativamente o risco de problemas de saúde no futuro.

A glicemia elevada por longos períodos faz com que o açúcar do sangue se ligue aos tecidos de órgãos e promova alterações que podem ser progressivas e irreversíveis. Essas são chamadas complicações microvasculares e macrovasculares.

  • Retinopatia diabética: alterações na visão
  • Nefropatia diabética: problemas renais
  • Neuropatia diabética: alterações na sensibilidade de mãos e pés

 

E como podemos ajudar a criança com diabetes?

  1. Procure um médico: em casos de emergência (mal-estar, palidez, dores abdominais, vômitos, falta de ar) busque atendimento imediatamente. Informe sobre sintomas de diabetes (emagrecimento, aumento da sede, aumento da diurese). O Pediatra pode iniciar o tratamento até a consulta com o Endocrinologista Pediátrico.
  2. Posto de saúde: Informe-se quais os serviços gratuitos para o tratamento do diabetes.
  3. Educação em diabetes: procure especialistas capacitados: enfermeiras, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos. A Sociedade Brasileira de Diabetes (sbd.org.br) e a Associação de Diabetes Juvenil (www.adj.com.br) são bons pontos de partida para aprender sobre diabetes.
  4. Organize a rotina e os cuidados: uma rotina organizada deixa tudo mais fácil. Estabeleça horários para refeições, manter insumos necessários próximos de onde se realizam as refeições, tenha carboidratos de rápida absorção em fácil acesso. Com isso os cuidados do diabetes se adaptam à rotina da família.
  5. Converse com a escola: informe sobre o diagnóstico do diabetes e os cuidados necessários nos horários da escola. A equipe de saúde deve fornecer um Plano de Cuidados de Diabetes para a escola saber como proceder em diferentes situações. Você encontra essas informações no site http://diabeteseaescola.com.br e no aplicativo gratuito Diabetes e a Escola.
  6.  
  7. Mantenha a calma! Com o apoio da equipe de saúde, família e amigos, com certeza vocês conseguem vencer os desafios do diabetes para uma vida cheia de saúde e realizações.

           

Relatora:
Laura de Freitas Pires Cudizio
Médica Colaboradora do Ambulatório de Diabetes Pediátrico da Santa Casa de São Paulo
Membro do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial do Diabetes – Educação Para Proteger o Amanhã https://spsp.org.br/dia-mundial-do-diabetes-educacao-para-proteger-o-amanha/ Fri, 11 Nov 2022 14:33:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35435 O Dia Mundial do Diabetes foi criado em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É comemorado todos os anos em 14 de novembro. A campa]]>

O Dia Mundial do Diabetes foi criado em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É comemorado todos os anos em 14 de novembro. A campanha é representada por logotipo de círculo azul, que foi adotado em 2007. O círculo azul é o símbolo global da conscientização sobre o diabetes.

Todos os anos, a campanha do Dia Mundial do Diabetes se concentra em um tema. Este ano o tema é: “Educação Para Proteger o Amanhã”. O foco deste ano será, portanto, o acesso à educação em diabetes. Esse tema é de importância extrema, visto que as pessoas com diabetes, na maior parte do tempo, são cuidadas por seus familiares ou cuidam de si mesmas. O acesso à educação em diabetes é essencial para a manutenção de uma vida saudável e evitar complicações na pessoa, criança ou adulto que recebeu este diagnóstico.

Em 2021, o número de pessoas com diabetes no mundo era por volta de 537 milhões. A maioria apresentava DM do tipo 2. Já o diabetes do tipo 1 estava presente em mais de 1,2 milhão de crianças e adolescentes (0-19 anos). Segundo dados da IDF de 2019, o Brasil é o terceiro país no mundo com maior número de crianças e adolescentes com diabetes do tipo 1.

 

Sobre o diabetes

O diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica, na qual ocorre a deficiência na produção de insulina. Esta, por sua vez, é um hormônio produzido pelo pâncreas e que regula a entrada de glicose (açúcar) para dentro das células do corpo. Nosso organismo necessita de glicose para produzir energia a ser utilizada pelas células. Quando ocorre falta da insulina, o açúcar não pode entrar nas células para ser consumido e se acumula no sangue, elevando assim a sua concentração e causando a hiperglicemia. O excesso de açúcar no sangue, além de causar danos ao organismo, leva o organismo a tentar se adaptar e com isto a pessoa com hiperglicemia começa a ter alguns sintomas. Destes, os mais típicos são: urinar muito, a fim de eliminar o açúcar em excesso; sentir muita sede e beber muita água, para compensar a água perdida ao urinar; apresentar um hálito com cheiro de vinagre ou maçã podre e perder peso. Estes sintomas nem sempre estão tão evidentes, principalmente dependendo da idade e do tipo de diabetes. Existem vários tipos de DM. O diabetes tipo 1 (DM1), o diabetes tipo 2 (DM2), o diabetes neonatal, o diabetes gestacional (DMG) e os outros tipos de diabetes menos comuns. Esta denominação depende de algumas características, como o momento do início do diabetes, a história familiar, o funcionamento do pâncreas, se está associado a obesidade, se existe presença de autoanticorpos e até mesmo se está associado a outras doenças ou síndromes genéticas. Na maioria das vezes, as características clínicas são suficientes para diferenciar entre os principais tipos de DM. Porém, em alguns casos, a apresentação clínica nem sempre é suficiente para esta diferenciação, pois pode haver sobreposição das características clínicas de DM1 e DM2.

O DM2 é o tipo mais comum em adultos. Está frequentemente associado à obesidade e ao envelhecimento. Tem início lento e é caracterizado pela deficiência parcial na produção de insulina pelas células do pâncreas. Este tipo de diabetes está cada vez mais frequente na infância, devido ao aumento do número de casos de crianças com obesidade. O DM2 deve ser suspeitado principalmente em adolescentes afrodescendentes com obesidade, com história familiar de DM2, e que apresentem glicemia elevada ou perda de glicose na urina. Na maioria das vezes a perda de peso e o uso de antidiabéticos orais podem resolver este tipo de diabetes.

O DM1 é mais comum em crianças e adolescentes. Apresenta deficiência grave de insulina devido à destruição das células pancreáticas e está associado à autoimunidade. Os sintomas em geral começam de forma abrupta. Pode evoluir para cetoacidose (maior acidez do sangue), que leva a desidratação grave e muitas vezes necessidade de tratamento em unidade de terapia intensiva. Neste tipo de DM há necessidade de insulina desde o diagnóstico. Para os raros casos de crianças em que a elevação da glicemia aparece antes de 6 meses de vida, a investigação genética deve ser realizada, pois isso pode nortear o melhor tratamento e permitir o aconselhamento genético.

 

Os sintomas do DM1 começam a aparecer em geral quando 80% do pâncreas já está destruído pelos autoanticorpos, ou seja, no início do DM1 pode não aparecer sintomas ou os sintomas serem muito sutis. O reconhecimento dos sintomas em crianças muito pequenas às vezes é difícil, pois podem ser inespecíficos, como sentir mais fome, voltar a ter diurese na cama, não ganhar peso adequadamente, referir dor abdominal. Na maioria das vezes o reconhecimento do DM em crianças pequenas acontece quando o quadro já está mais grave, como na cetoacidose.

Tratamento

Após a confirmação do diagnóstico, iniciar o tratamento adequado é fundamental para evitar a progressão do DM, controlar os sintomas e impedir agravos futuros. Não é fácil receber o diagnóstico de DM na infância ou adolescência. Muitas vezes o entendimento e a aceitação são inicialmente bastante difíceis, principalmente porque ainda existe um conceito errado de que a criança com DM1 não vai poder ter uma infância e adolescência normais, e isso não é verdade. Nas últimas décadas houve grande evolução no tratamento do DM1, com novas insulinas, novos dispositivos e novas tecnologias, que permitem um melhor controle do DM e maior flexibilidade na rotina do dia a dia da criança.

 

Educação em Diabetes: Educação Para Proteger o Amanhã

A educação em diabetes é conquistada através de uma rede de apoio ao paciente diabético. Essa rede é composta pelo endocrinologista infantil; pediatra; nutricionista; psicólogo; educador físico; associações, tais como a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD), Associação de Diabetes Juvenil (ADJ) e a IDF. Também é composta por aqueles que convivem e conhecem uma pessoa diabética e podem ser facilitadores quanto ao acesso a essa informação.

É muito importante que as pessoas diabéticas, familiares e amigos não tenham uma atitude passiva quanto à doença. Mas sim busquem acesso à informação junto à rede de apoio. Mais do que isso, aproveitem essa informação para benefício do seu tratamento. Sempre se aprende mais, sempre se pode cuidar mais.

 

Saiba mais:

Idf.org – International Diabetes Federation
sbd.org.br – Sociedade Brasileira de Diabetes
endócrino.org.br – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
diabetes.org – American Diabetes Association
adj.org.br – Associação de Diabetes Juvenil
anad.org.br – Associação Nacional de Atenção ao Diabetes

 

Relatoras:
Albertina Gomes Rodrigues
Ruth Rocha Franco
Louise Cominato
Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Diabetes em crianças e adolescentes https://spsp.org.br/diabetes-em-criancas-e-adolescentes/ Mon, 27 Jun 2022 12:28:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33101 O diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica, na qual ocorre a deficiência na produção de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e que regula a entrada de glicose (açúcar) para dentro das células do corpo. Nosso organismo necessita de glicose para produzir energia a ser utilizada pelas células. Quando ocorre falta da insulina, o açúcar não pode entrar nas células e se acumula no sangue, elevando assim a sua concentração e causando a hiperglicemia. O excesso de açúcar no sangue, além de causar danos sistêmicos, leva o organismo a tentar se adaptar e, com isto a pessoa com hiperglicemia começa a ter alguns sintomas, tais como: ter muita diurese (aumento da quantidade de urina, a fim de eliminar o açúcar em excesso), sentir muita sede, beber muita água (para compensar a água perdida pela diurese), apresentar um hálito com cheiro de vinagre ou maçã podre (hálito cetônico) e perder peso. Estes sintomas nem sempre estão tão evidentes, principalmente dependendo da idade e do tipo de diabetes. Existem vários tipos de DM. O diabetes tipo 1 (DM1), o diabetes tipo 2 (DM2), o diabetes neonatal, o diabetes gestacional (DMG) e os outros tipos de diabetes menos comuns. Esta denominação depende de algumas características como o momento do início do diabetes, a história familiar, o funcionamento do pâncreas, se está associado à obesidade, se existe presença de autoanticorpos e até mesmo se está associado a outras doenças ou síndromes genéticas. Na maioria das vezes, as características clínicas são suficientes para diferenciar entre os principais tipos de DM. Porém, em alguns casos, a apresentação clínica nem sempre é suficiente para esta diferenciação, pois pode haver sobreposição das características clínicas de DM1 e DM2. O DM2 é o tipo mais comum em adultos. Está frequentemente associado à obesidade e ao envelhecimento. Tem início lento e é caracterizado pela deficiência parcial na produção de insulina pelas células do pâncreas, associado com resistência insulínica prévia. Este tipo de diabetes está cada vez mais frequente na infância, especialmente na adolescência, devido ao aumento do número de casos de crianças com obesidade. O DM2 deve ser suspeitado principalmente em adolescentes afrodescendentes com obesidade, com história familiar de DM2, e que apresentem glicemia elevada ou perda de glicose na urina. Na maioria das vezes, a perda de peso e o uso de antidiabéticos orais podem resolver este tipo de diabetes. O DM1 é mais comum em crianças e adolescentes. Apresenta deficiência grave de insulina devido à destruição das células pancreáticas e está associado à autoimunidade. Os sintomas em geral começam de forma abrupta. Pode evoluir para cetoacidose (maior acidez do sangue), que leva a desidratação grave e muitas vezes necessidade de tratamento em unidade de terapia intensiva. Neste tipo de DM há necessidade de insulina desde o diagnóstico. Para os raros casos de crianças em que a elevação da glicemia aparece antes de seis meses de vida, a investigação genética deve ser realizada, pois isso pode nortear o melhor tratamento e permitir o aconselhamento genético. Os sintomas do DM1 começam a aparecer em geral quando 80% do pâncreas já está destruído pelos autoanticorpos, ou seja, no início do DM1 pode não aparecer sintomas ou os sintomas serem muito sutis. O reconhecimento dos sintomas em crianças muito pequenas às vezes é difícil, pois podem ser inespecíficos, como sentir mais fome, voltar a urinar na cama, não ganhar peso adequadamente, referir dor abdominal. Na maioria das vezes o reconhecimento do DM em crianças pequenas acontece quando o quadro já está mais grave, como na cetoacidose. O diagnóstico pode ser realizado com glicemia em qualquer momento ≥200mg/dL, na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia. Em casos assintomáticos, o diagnóstico de DM é feito quando a glicemia plasmática de jejum estiver ≥126mg/dL, a glicemia após 2h de sobrecarga de glicose estiver ≥200mg/dL ou hemoglobina glicada (HbA1) ≥6,5%. Nesta situação, será necessário ter dois exames alterados. Se somente um exame estiver alterado, recomenda-se que este seja repetido para confirmação. Devemos lembrar que existem situações em que a dosagem de HbA1 não deve ser utilizada: hemoglobinopatias, deficiência de G6PD, anemias agudas, transfusões sanguíneas, insuficiência renal dialítica e uso de eritropoetina. Quando há dúvidas diagnósticas entre o tipo DM1 e tipo DM2, pode-se realizar a dosagem de autoanticorpos (anti-GAD, anti IA-2, anti-ZnT8 e o anti-insulina). Em jovens com DM2, os anticorpos não estão presentes e os níveis de peptídeo C são normais ou elevados. Após a confirmação do diagnóstico, iniciar o tratamento adequado é fundamental para evitar a progressão do DM, controlar os sintomas e impedir agravos futuros. Não é fácil receber o diagnóstico de DM na infância ou adolescência. Muitas vezes o entendimento e aceitação são inicialmente bastante difíceis, principalmente porque ainda existe um conceito errado de que a criança com DM1 não vai poder ter uma infância e adolescência normal, e isso não é verdade. Nas últimas décadas houve grande evolução no tratamento do DM1, com novas insulinas, novos dispositivos e novas tecnologias que permitem um melhor controle do DM e maior flexibilidade na rotina do dia a dia da criança. Mas se você acaba de receber o diagnóstico de DM1 de seu filho o que você deve fazer? Quais os caminhos a seguir? Se seu filho está internado, haverá necessidade de ficar uns dias no hospital para que vocês possam aprender sobre os tipos de insulinas e como fazer as aplicações corretamente. Isto é necessário para a segurança de seu filho(a). Fazer dose errada de insulina pode ser grave e até mesmo fatal. Veja aqui 10 importantes dicas: Não se culpe e não se desespere: vai dar tudo certo e seu filho(a) vai crescer e se desenvolver como qualquer outra criança. Você não poderia ter evitado o desenvolvimento do DM. Apesar do DM1 não ter cura, os avanços terapêuticos permitem um ótimo controle da doença. Os esquemas de insulinoterapia para pessoas com DM1 devem simular a secreção normal de insulina que ocorre em pessoas sem diabetes. Desta forma, a melhor estratégia é a terapia chamada basal-bolus que deve ser instituída precocemente, com...]]>

O diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica, na qual ocorre a deficiência na produção de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e que regula a entrada de glicose (açúcar) para dentro das células do corpo. Nosso organismo necessita de glicose para produzir energia a ser utilizada pelas células. Quando ocorre falta da insulina, o açúcar não pode entrar nas células e se acumula no sangue, elevando assim a sua concentração e causando a hiperglicemia. O excesso de açúcar no sangue, além de causar danos sistêmicos, leva o organismo a tentar se adaptar e, com isto a pessoa com hiperglicemia começa a ter alguns sintomas, tais como: ter muita diurese (aumento da quantidade de urina, a fim de eliminar o açúcar em excesso), sentir muita sede, beber muita água (para compensar a água perdida pela diurese), apresentar um hálito com cheiro de vinagre ou maçã podre (hálito cetônico) e perder peso. Estes sintomas nem sempre estão tão evidentes, principalmente dependendo da idade e do tipo de diabetes. Existem vários tipos de DM. O diabetes tipo 1 (DM1), o diabetes tipo 2 (DM2), o diabetes neonatal, o diabetes gestacional (DMG) e os outros tipos de diabetes menos comuns. Esta denominação depende de algumas características como o momento do início do diabetes, a história familiar, o funcionamento do pâncreas, se está associado à obesidade, se existe presença de autoanticorpos e até mesmo se está associado a outras doenças ou síndromes genéticas. Na maioria das vezes, as características clínicas são suficientes para diferenciar entre os principais tipos de DM. Porém, em alguns casos, a apresentação clínica nem sempre é suficiente para esta diferenciação, pois pode haver sobreposição das características clínicas de DM1 e DM2.

O DM2 é o tipo mais comum em adultos. Está frequentemente associado à obesidade e ao envelhecimento. Tem início lento e é caracterizado pela deficiência parcial na produção de insulina pelas células do pâncreas, associado com resistência insulínica prévia. Este tipo de diabetes está cada vez mais frequente na infância, especialmente na adolescência, devido ao aumento do número de casos de crianças com obesidade. O DM2 deve ser suspeitado principalmente em adolescentes afrodescendentes com obesidade, com história familiar de DM2, e que apresentem glicemia elevada ou perda de glicose na urina. Na maioria das vezes, a perda de peso e o uso de antidiabéticos orais podem resolver este tipo de diabetes.

O DM1 é mais comum em crianças e adolescentes. Apresenta deficiência grave de insulina devido à destruição das células pancreáticas e está associado à autoimunidade. Os sintomas em geral começam de forma abrupta. Pode evoluir para cetoacidose (maior acidez do sangue), que leva a desidratação grave e muitas vezes necessidade de tratamento em unidade de terapia intensiva. Neste tipo de DM há necessidade de insulina desde o diagnóstico. Para os raros casos de crianças em que a elevação da glicemia aparece antes de seis meses de vida, a investigação genética deve ser realizada, pois isso pode nortear o melhor tratamento e permitir o aconselhamento genético.

Os sintomas do DM1 começam a aparecer em geral quando 80% do pâncreas já está destruído pelos autoanticorpos, ou seja, no início do DM1 pode não aparecer sintomas ou os sintomas serem muito sutis. O reconhecimento dos sintomas em crianças muito pequenas às vezes é difícil, pois podem ser inespecíficos, como sentir mais fome, voltar a urinar na cama, não ganhar peso adequadamente, referir dor abdominal. Na maioria das vezes o reconhecimento do DM em crianças pequenas acontece quando o quadro já está mais grave, como na cetoacidose.

O diagnóstico pode ser realizado com glicemia em qualquer momento ≥200mg/dL, na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia. Em casos assintomáticos, o diagnóstico de DM é feito quando a glicemia plasmática de jejum estiver ≥126mg/dL, a glicemia após 2h de sobrecarga de glicose estiver ≥200mg/dL ou hemoglobina glicada (HbA1) ≥6,5%. Nesta situação, será necessário ter dois exames alterados. Se somente um exame estiver alterado, recomenda-se que este seja repetido para confirmação. Devemos lembrar que existem situações em que a dosagem de HbA1 não deve ser utilizada: hemoglobinopatias, deficiência de G6PD, anemias agudas, transfusões sanguíneas, insuficiência renal dialítica e uso de eritropoetina. Quando há dúvidas diagnósticas entre o tipo DM1 e tipo DM2, pode-se realizar a dosagem de autoanticorpos (anti-GAD, anti IA-2, anti-ZnT8 e o anti-insulina). Em jovens com DM2, os anticorpos não estão presentes e os níveis de peptídeo C são normais ou elevados.

Após a confirmação do diagnóstico, iniciar o tratamento adequado é fundamental para evitar a progressão do DM, controlar os sintomas e impedir agravos futuros. Não é fácil receber o diagnóstico de DM na infância ou adolescência. Muitas vezes o entendimento e aceitação são inicialmente bastante difíceis, principalmente porque ainda existe um conceito errado de que a criança com DM1 não vai poder ter uma infância e adolescência normal, e isso não é verdade. Nas últimas décadas houve grande evolução no tratamento do DM1, com novas insulinas, novos dispositivos e novas tecnologias que permitem um melhor controle do DM e maior flexibilidade na rotina do dia a dia da criança.

Mas se você acaba de receber o diagnóstico de DM1 de seu filho o que você deve fazer? Quais os caminhos a seguir?

Se seu filho está internado, haverá necessidade de ficar uns dias no hospital para que vocês possam aprender sobre os tipos de insulinas e como fazer as aplicações corretamente. Isto é necessário para a segurança de seu filho(a). Fazer dose errada de insulina pode ser grave e até mesmo fatal.

Veja aqui 10 importantes dicas:

  1. Não se culpe e não se desespere: vai dar tudo certo e seu filho(a) vai crescer e se desenvolver como qualquer outra criança. Você não poderia ter evitado o desenvolvimento do DM. Apesar do DM1 não ter cura, os avanços terapêuticos permitem um ótimo controle da doença. Os esquemas de insulinoterapia para pessoas com DM1 devem simular a secreção normal de insulina que ocorre em pessoas sem diabetes. Desta forma, a melhor estratégia é a terapia chamada basal-bolus que deve ser instituída precocemente, com múltiplas aplicações diárias de insulina ou com a bomba de infusão de insulina.
  2. Faça o cadastro de seu filho(a) no SUS, ele tem direito de pegar os insumos e as insulinas no posto de saúde.
  3. Procure entrar em grupos de apoio e associações que ajudam na troca de experiência e fornecem muitas informações sobre tudo que está relacionado ao DM.
  4. Procure um endocrinologista pediátrico que vai acompanhar e orientar sobre o DM e sobre o melhor tratamento para seu filho(a). Sempre que for a consulta não esqueça de levar o monitor de glicemia e os registros das glicemias. Saiba quais as medicações que seu filho(a) está usando, além das doses de insulina e quais os horários habituais.
  5. Procure um nutricionista com experiência em DM, pois futuramente vocês deverão aprender sobre contagem de carboidrato. Todas as pessoas, principalmente as com DM, devem ter uma alimentação saudável, controlar a quantidade de doces e gordura ingeridas e manter o peso adequado.
  6. Comunique aos familiares, às pessoas que convivem com seu filho(a) e à escola sobre esta nova condição. Todos devem saber como agir, principalmente nos momentos em que ocorrer hiperglicemia (elevação da glicose) e hipoglicemia (queda da glicose).
  7. Mantenha uma rotina bem estabelecida com horários para refeições, atividade física e lazer. Exercícios regulares ajudam a controlar a glicemia.
  8. Não tenha medo e comece a treinar a aplicação da insulina e como fazer o controle de glicemia capilar, quanto mais vocês treinarem, mais fácil serão as próximas aplicações. Encoraje seu filho(a) a fazer a autoaplicação, isto lhe dará mais autonomia.
  9. Tenha sempre junto com seu filho(a) um cartão de identificação de diabético com um número de contato para uso em situações de emergência, leve sempre o glicosímetro, as insulinas, comprimidos ou gel de glicose ou lanches para os episódios de hipoglicemia.
  10. Fique ligado nas novidades sobre DM, veja alguns links de interesse no site: https://adj.org.br/fique-ligado/links-uteis/. Acompanhe as novidades!

Relatora:
Ruth Rocha Franco
Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: belchonock | depositphotos.com

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Aumento do consumo de doces durante a pandemia https://spsp.org.br/aumento-do-consumo-de-doces-durante-a-pandemia/ Mon, 16 May 2022 19:09:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32511 Durante a pandemia, as pessoas ficaram com maior dificuldade para ir ao supermercado ou feiras livres, passando a optar por alimentos industrializados por serem mais duráveis e baratos que os alimentos saudáveis. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 16/05/2022


Durante a pandemia, as pessoas ficaram confinadas em casa, com maior dificuldade para ir ao supermercado ou feiras livres, então, muitos optaram por alimentos industrializados por serem mais duráveis e mais baratos. Segundo o UNICEF, 54% das pessoas que participaram de uma pesquisa relacionada à alimentação durante este período reportaram mudanças de hábitos alimentares e 34% das famílias com crianças relataram aumento do consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas.

A infância, principalmente os primeiros anos, é um período importante para o desenvolvimento de preferências e do autocontrole de ingestão de alimentos. Os hábitos alimentares se constroem nos primeiros anos de vida. O açúcar é altamente calórico, desprovido de nutrientes e é hiperpalatável, levando a um desequilíbrio do paladar, fazendo com que a criança passe a preferir alimentos doces. Por ser hipercalórico leva ao ganho de peso e até à obesidade, se não houver gasto energético suficiente através das atividades físicas. Pode levar também à resistência à insulina, diabetes tipo II, hipertensão arterial, problemas ortopédicos e ainda causar danos aos dentes. Por tudo isso, é importante uma dieta equilibrada. O açúcar (hidrato de carbono) deve fazer parte da dieta e pode ser consumido de forma saudável através das frutas, cereais, sementes e legumes.

A alimentação na primeira infância inicia-se com o leite materno, que na sua constituição tem açúcar – a lactose – que tem muitas funções e, dentre elas, uma muito importante, a de estabelecer uma flora intestinal saudável. Por outro lado, o açúcar pode levar a um ganho de peso inadequado e causar doenças crônicas no adulto. A criança, segundo o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras menores de 2 anos – versão resumida (Ministério da Saúde/2021, pág. 40), já apresenta uma tendência natural a aceitar o paladar doce; se for acostumada a receber alimentos adoçados, poderá rejeitar aqueles que despertam outros sabores, podendo vir a ter dificuldade de comer verduras e legumes. Nessa fase é muito importante a construção do paladar. A alimentação variada estimula os sentidos com as cores, sabores e texturas diferentes.

O hidrato de carbono faz parte da nossa alimentação e não deve ser supervalorizado. A proibição exacerba a curiosidade e a criança entende que esse alimento dá prazer. O doce industrializado pode ser trocado por frutas, bolachinhas integrais e doces caseiros com ingredientes saudáveis. Deve-se evitar a frequência exagerada de alguns hábitos rotineiros, como a sobremesa doce ou fazer lanches contendo doce. Os pais podem variar usando açúcar de coco ou mascavo e ainda frutas de paladar doce nas preparações de sobremesas, a banana é uma ótima opção, além de sorvete de frutas, como o de manga. Se a criança já está acostumada a comer doces, a redução deve ser gradual. Precisamos lembrar também que o exemplo é uma forma muito importante de estímulo. 

O organismo da criança que recebe doce como prêmio estimula áreas do hipotálamo relacionadas ao prazer e ao sistema de recompensa. Desta forma, por entender que comer doce é uma forma de prazer, poderá ter consumo exagerado em situações de estresse ou tristeza.

A alimentação equilibrada deve ser preocupação de todos os indivíduos, em especial mulheres grávidas. Durante o desenvolvimento fetal, a mãe, através de ganho adequado de peso, dieta equilibrada e vida saudável, permitirá que seus filhos obtenham modificações no seu DNA (Ácido Desoxirribonucleico – é uma molécula que está presente em todas as células dos seres vivos e carrega toda a informação genética), que os protegerá das doenças crônicas do adulto. A continuidade dessa ação de proteção se dá através do leite materno, por mecanismos epigenéticos (são aqueles que podem ser herdados e não alteram a sequência do DNA na expressão dos genes), principalmente pela ação dos micro-RNAs (RNA é a sigla para o ácido ribonucleico, molécula responsável pela codificação da síntese de proteínas – que transmite informações genéticas do DNA) do leite humano. A má nutrição no início da vida pode contribuir para o maior risco de doenças crônicas no adulto. O nosso material genético é especialmente plástico em algumas fases do desenvolvimento, como a pré-concepção, desenvolvimento fetal, infância e puberdade, daí a necessidade de nutrição correta, exercícios físicos e ambientes adequados, fundamentais para o crescimento e a vida feliz e saudável.

 

Relatora:
Marisa da Matta Aprile
Membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Fonte: spotmatikphoto | depositphotos.com

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Infância doce, com cuidado no açúcar https://spsp.org.br/infancia-doce-com-cuidado-no-acucar/ Thu, 13 Apr 2017 18:40:47 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1608 Avó é mãe com açúcar. Que beijinho doce que ele tem. Mamãe passou açúcar em mim. Isso é tão fácil quanto mamão com mel. Ele é uma pessoa tão doce. O açúcar e o doce estão sempre relacionados a coisas boas e positivas, sensações agradáveis e lembranças gostosas. Culturalmente e através dos tempos, a doçura é sempre elogiada, estimulada e melhor aceita do que seu oposto: o amargo. Mas será que isso é sempre verdade? Doçura sempre é favorável, mesmo em forma de açúcar? A infância é um período muito bom na vida da criança, com muitas brincadeiras e muita alegria. Porém, associar satisfação ao consumo de alimentos doces é um equívoco. Uma vez que a criança não entre em contato com o doce artificial dos açúcares, ela pode sempre gostar do doce natural dos alimentos e das frutas. A alimentação, principalmente no primeiro ano de vida, é fator determinante na saúde da criança. Por isso, é importante o conhecimento correto e atualizado acerca do assunto, principalmente após os seis meses de aleitamento materno exclusivo, no momento da introdução dos novos alimentos (alimentação complementar), que determinarão os hábitos de vida para o resto da vida desta criança e do adulto. A criança nasce com capacidade para identificar quatro sabores: doce, salgado, amargo e azedo. Quem determina essa diferença são as papilas gustativas que estão distribuídas ao redor da língua da seguinte forma: doce na ponta, amargo no fundo e salgado e azedo nas laterais. Pesquisas mostram que as crianças sentem o doce de forma mais agradável do que o amargo (apesar de existirem exceções). Só para ilustrar, essa é uma defesa do ser humano desde a pré-história, porque como muitos venenos têm o sabor amargo e as papilas gustativas sensíveis a esse sabor ficam no fundo da língua, a natureza deu a nós uma última chance de cuspir o veneno. Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, três ovos assim! Com a chegada da Páscoa, a preocupação sobre o consumo de açúcares e gorduras na forma do tão “querido chocolate” aumenta, especialmente para os pediatras. Assim, é importante passarmos algumas informações e orientações sobre este tema, para conhecimento das mães, pais e avós, de forma simples e clara. Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu uma diretriz a respeito do consumo do açúcar (Sugars intake for adults and children), recomendando fortemente a redução, tanto em adultos como em crianças, da ingestão de açúcares livres para menos de 10% da ingestão total de energia e que até dois anos de idade não seja usado nenhum açúcar de adição. Os açúcares livres incluem monossacarídeos e dissacarídeos adicionados aos alimentos e bebidas pelo fabricante, cozinheiro ou consumidor e açúcares naturalmente presentes no mel, xaropes (de milho), sucos de frutas, mel ou melaço e concentrados de suco de frutas. Essas recomendações basearam-se na totalidade das evidências revisadas sobre a relação entre ingestão de açúcares livres e peso corporal (evidência de qualidade baixa e moderada) e cárie dentária (evidência de qualidade muito baixa e moderada). Essa orientação cabe também – e especialmente – aos pediatras, desde a primeira consulta ainda no último trimestre do pré-natal da gestante (a partir da 32ª semana de gestação), assim como em todas as consultas de puericultura. Dados de uma pesquisa realizada no Brasil, em 2008/09 pelo IBGE, verificou que uma boa parte dos açúcares consumidos pela população brasileira está “escondida” em alimentos ultra processados, como refeições prontas, temperos, sucos industrializados e refrigerantes. O açúcar presente naturalmente nas frutas, verduras, legumes e leite fresco não deve ser computados nesta restrição. O consumo destes alimentos in natura deve ser promovido e estimulado, para toda a população, em todas as faixas etárias. Acima de dois anos, a quantidade máxima de açúcar de adição deve ser de até 25 gramas por dia (5% das calorias diárias ingeridas). Essa quantidade está contida, por exemplo, em aproximadamente 240 ml de refrigerante e em 40 gramas de chocolate ao leite. Vale lembrar e reforçar que essa é uma recomendação baseada em estudos que mostram a influência negativa do abuso do açúcar na saúde infantil (sobrepeso, obesidade, cáries dentárias, entre outras) que pode trazer consequências tanto para as crianças quanto para os adolescentes e adultos. Cuidar da saúde é importante, mas é difícil, requer atenção constante, cuidados regulares, apoio e informação. E quanto antes tivermos essa consciência, mais efetiva é a ação de promoção à saúde e prevenção de doenças. ___ Relatores: Dra. Cátia R.B. Fonseca e Dr. Yechiel Moises Chencinski Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP. Publicado em 13/04/2017. photo credit: © Didesign021 | Dreamstime.com – Smiling Happy Mother And Child Enjoy And Eating Fruits Photo Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Avó é mãe com açúcar.
Que beijinho doce que ele tem.
Mamãe passou açúcar em mim.
Isso é tão fácil quanto mamão com mel.
Ele é uma pessoa tão doce.

O açúcar e o doce estão sempre relacionados a coisas boas e positivas, sensações agradáveis e lembranças gostosas. Culturalmente e através dos tempos, a doçura é sempre elogiada, estimulada e melhor aceita do que seu oposto: o amargo. Mas será que isso é sempre verdade? Doçura sempre é favorável, mesmo em forma de açúcar?

A infância é um período muito bom na vida da criança, com muitas brincadeiras e muita alegria. Porém, associar satisfação ao consumo de alimentos doces é um equívoco. Uma vez que a criança não entre em contato com o doce artificial dos açúcares, ela pode sempre gostar do doce natural dos alimentos e das frutas.

A alimentação, principalmente no primeiro ano de vida, é fator determinante na saúde da criança. Por isso, é importante o conhecimento correto e atualizado acerca do assunto, principalmente após os seis meses de aleitamento materno exclusivo, no momento da introdução dos novos alimentos (alimentação complementar), que determinarão os hábitos de vida para o resto da vida desta criança e do adulto.

A criança nasce com capacidade para identificar quatro sabores: doce, salgado, amargo e azedo. Quem determina essa diferença são as papilas gustativas que estão distribuídas ao redor da língua da seguinte forma: doce na ponta, amargo no fundo e salgado e azedo nas laterais. Pesquisas mostram que as crianças sentem o doce de forma mais agradável do que o amargo (apesar de existirem exceções). Só para ilustrar, essa é uma defesa do ser humano desde a pré-história, porque como muitos venenos têm o sabor amargo e as papilas gustativas sensíveis a esse sabor ficam no fundo da língua, a natureza deu a nós uma última chance de cuspir o veneno.

Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, três ovos assim!

Com a chegada da Páscoa, a preocupação sobre o consumo de açúcares e gorduras na forma do tão “querido chocolate” aumenta, especialmente para os pediatras. Assim, é importante passarmos algumas informações e orientações sobre este tema, para conhecimento das mães, pais e avós, de forma simples e clara.

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu uma diretriz a respeito do consumo do açúcar (Sugars intake for adults and children), recomendando fortemente a redução, tanto em adultos como em crianças, da ingestão de açúcares livres para menos de 10% da ingestão total de energia e que até dois anos de idade não seja usado nenhum açúcar de adição. Os açúcares livres incluem monossacarídeos e dissacarídeos adicionados aos alimentos e bebidas pelo fabricante, cozinheiro ou consumidor e açúcares naturalmente presentes no mel, xaropes (de milho), sucos de frutas, mel ou melaço e concentrados de suco de frutas.

Essas recomendações basearam-se na totalidade das evidências revisadas sobre a relação entre ingestão de açúcares livres e peso corporal (evidência de qualidade baixa e moderada) e cárie dentária (evidência de qualidade muito baixa e moderada). Essa orientação cabe também – e especialmente – aos pediatras, desde a primeira consulta ainda no último trimestre do pré-natal da gestante (a partir da 32ª semana de gestação), assim como em todas as consultas de puericultura.

Dados de uma pesquisa realizada no Brasil, em 2008/09 pelo IBGE, verificou que uma boa parte dos açúcares consumidos pela população brasileira está “escondida” em alimentos ultra processados, como refeições prontas, temperos, sucos industrializados e refrigerantes. O açúcar presente naturalmente nas frutas, verduras, legumes e leite fresco não deve ser computados nesta restrição. O consumo destes alimentos in natura deve ser promovido e estimulado, para toda a população, em todas as faixas etárias.

Acima de dois anos, a quantidade máxima de açúcar de adição deve ser de até 25 gramas por dia (5% das calorias diárias ingeridas). Essa quantidade está contida, por exemplo, em aproximadamente 240 ml de refrigerante e em 40 gramas de chocolate ao leite.

Vale lembrar e reforçar que essa é uma recomendação baseada em estudos que mostram a influência negativa do abuso do açúcar na saúde infantil (sobrepeso, obesidade, cáries dentárias, entre outras) que pode trazer consequências tanto para as crianças quanto para os adolescentes e adultos.

Cuidar da saúde é importante, mas é difícil, requer atenção constante, cuidados regulares, apoio e informação. E quanto antes tivermos essa consciência, mais efetiva é a ação de promoção à saúde e prevenção de doenças.

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Relatores:
Dra. Cátia R.B. Fonseca e Dr. Yechiel Moises Chencinski

Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP.

Publicado em 13/04/2017.
photo credit: © Didesign021 | Dreamstime.com – Smiling Happy Mother And Child Enjoy And Eating Fruits Photo

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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