O Dia Mundial da Juventude, celebrado em 30 de março, convida-nos a refletir sobre a saúde e os desafios enfrentados pelos jovens na atualidade. Entre esses desafios, o sedentarismo e os transtornos de saúde mental se destacam, criando um cenário preocupante. O aumento da inatividade física está diretamente relacionado ao crescimento dos índices de obesidade, doenças metabólicas e transtornos emocionais, como ansiedade e depressão.
A geração ansiosa e a epidemia do sedentarismo
Vivemos em uma era hiperconectada, em que o tempo de tela e a vida digital estão substituindo, cada vez mais, as interações presenciais e a prática de atividades ao ar livre. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 80% dos adolescentes entre 11 e 17 anos não atingem o nível recomendado de atividade física, que é de pelo menos 60 minutos diários de exercícios moderados a intensos. Esse comportamento sedentário compromete não apenas a saúde física, mas também contribui para o aumento dos casos de ansiedade e depressão.
Um estudo publicado no JAMA Pediatrics revelou que jovens que passam mais de sete horas diárias em dispositivos eletrônicos têm o dobro do risco de desenvolver sintomas ansiosos e depressivos em comparação a aqueles com menos tempo de exposição. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) apontou que quase 30% dos adolescentes relataram se sentir tristes ou desesperançosos de forma recorrente: um número alarmante!
O poder transformador da atividade física
Se o sedentarismo e a ansiedade são problemas crescentes, a boa notícia é que a solução está ao alcance de todos. A prática esportiva tem um papel essencial na promoção da saúde física e mental, ajudando a juventude a construir um futuro mais equilibrado e cheio de vitalidade.
A atividade física regular traz inúmeros benefícios, como melhoria do condicionamento físico, fortalecimento dos músculos, aumento da resistência e melhora da circulação sanguínea. Além disso, reduz o risco de obesidade, diabetes, problemas cardíacos e hipertensão, além de proporcionar mais energia e disposição para as atividades diárias.
Além dos impactos no corpo, a atividade física exerce uma influência direta na saúde mental. Estudos demonstram que praticar esportes reduz em até 30% os sintomas de ansiedade e depressão em adolescentes. Isso acontece porque o exercício libera hormônios como endorfina, serotonina e dopamina, neurotransmissores fundamentais para a regulação do humor e do bem-estar.
A prática esportiva também melhora a autoestima e a confiança, fortalece os laços sociais e promove valores como disciplina, respeito e cooperação. Outro ponto positivo é o impacto no desempenho acadêmico, pois a atividade física contribui para um cérebro mais ativo e preparado para aprender.
O papel da família e do pediatra: como incentivar o adolescente a se movimentar?
A adolescência é um período de transição, no qual os jovens buscam autonomia e identidade. Por isso, impor regras rígidas pode ser menos eficaz do que estimular o engajamento e a descoberta de uma atividade prazerosa. O incentivo deve vir tanto da família quanto dos pediatras e profissionais de saúde.
Para os pais, ser exemplo é essencial. Crianças e adolescentes que crescem em um ambiente familiar ativo têm mais chances de valorizar o exercício físico. Apresentar diferentes esportes, equilibrar o tempo de telas e transformar a atividade física em um momento de conexão familiar são estratégias fundamentais para que o jovem se envolva no processo.
Para os pediatras, a recomendação de atividade física deve fazer parte da rotina de avaliação da saúde dos adolescentes. A cada consulta, é importante questionar sobre o nível de atividade do paciente e reforçar os benefícios do movimento. Além disso, o profissional pode sugerir modalidades esportivas adaptadas ao perfil do jovem, mostrar que a atividade física traz benefícios além da saúde física e incentivar metas realistas para manter o engajamento ao longo do tempo.
Juntos, podemos transformar o futuro da juventude
A juventude é uma fase de crescimento, descobertas e aprendizado. E nada melhor do que garantir que essa geração tenha saúde, energia e equilíbrio emocional para enfrentar os desafios da vida. Como pais, educadores e pediatras, temos um papel essencial em incentivar hábitos saudáveis desde cedo.
Ao proporcionar oportunidades para o movimento, estimular o esporte como parte da rotina e apoiar os jovens na escolha de uma atividade física de que gostem, estamos investindo não apenas na saúde presente, mas no futuro deles. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer toda a diferença na prevenção do sedentarismo e na promoção do bem-estar.
Que tal começar hoje? Incentive, apoie e faça parte dessa mudança. A juventude precisa de movimento, e o primeiro passo pode começar com você. Vamos juntos construir uma geração mais saudável, ativa e equilibrada.
Relator:
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo