Saúde Mental – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 10 Sep 2026 19:56:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Saúde Mental – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Um chamado à escuta e à conexão https://spsp.org.br/um-chamado-a-escuta-e-a-conexao/ Thu, 10 Sep 2026 19:56:56 +0000 https://spsp.org.br/?p=58975 Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual. De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis. O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente. Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado. A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas. O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive. Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar. De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares. Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento. Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros. As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos. A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas. Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais...]]>

Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual.

De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis.

O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente.

Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado.

A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas.

O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive.

Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar.

De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares.

Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento.

Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros.

As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos.

A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas.

Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais disponíveis para acolhimento e escuta em situações-limite. Um jovem cercado de múltiplas referências, conexões e possibilidades de escuta terá maiores chances de ser acolhido em um eventual momento de maior desamparo.

Relatora:

Flavia Schimith Escrivão
Psicóloga e Psicanalista
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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As causas das expulsões na educação infantil e os caminhos possíveis https://spsp.org.br/as-causas-das-expulsoes-na-educacao-infantil-e-os-caminhos-possiveis/ Tue, 11 Aug 2026 11:40:26 +0000 https://spsp.org.br/?p=58197 Comportamentos desafiadores na primeira infância podem sinalizar necessidades que ainda não encontram palavras. Antes de afastar uma criança, precisamos compreender o que está acontecendo. Sem esquecer que proteger toda a comunidade escolar também é responsabilidade de todos. Uma criança de três, quatro ou cinco anos pode ser afastada da escola por seu comportamento? A pergunta incomoda. Talvez porque, quando pensamos em suspensão ou expulsão, imaginamos alguém que já deveria compreender regras, controlar impulsos e responder por suas escolhas. Mas estamos falando de crianças pequenas. Crianças que ainda estão aprendendo a esperar, dividir, perder, ouvir “não”, lidar com a frustração e transformar emoções em palavras. A primeira infância é um período de intenso desenvolvimento. Habilidades de autorregulação, linguagem, comunicação e convivência ainda estão em construção. É nesse contexto que precisamos discutir o afastamento de crianças pequenas de creches e pré-escolas em razão de comportamentos considerados difíceis de manejar. Em 2024, a Academia Americana de Pediatria publicou uma declaração de política sobre suspensão e expulsão escolar, incluindo a educação infantil. O documento alerta para os potenciais efeitos negativos de práticas disciplinares excludentes e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão. No Brasil, essa discussão precisa ser contextualizada à nossa realidade educacional e ao marco legal de proteção integral da criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a proteção integral e assegura à criança o direito à educação, com igualdade de condições para acesso e permanência na escola, além do direito de ser respeitada por seus educadores. Isso não significa que a escola deva ignorar comportamentos que coloquem outras crianças ou adultos em risco. A segurança de toda a comunidade escolar é fundamental. Mas significa que decisões que impliquem o afastamento de uma criança precisam ser analisadas com responsabilidade, considerando não apenas o comportamento apresentado, mas também os direitos da criança, seu estágio de desenvolvimento e as possibilidades de intervenção e suporte. Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: Quando uma criança pequena apresenta um comportamento difícil, estamos diante de uma criança que precisa ser afastada ou de uma criança que precisa ser compreendida e ajudada? Antes do comportamento, existe uma criança Uma criança que morde, bate, grita, empurra, entra em crise ou desafia regras pode estar expressando algo que ainda não consegue comunicar de outra maneira. Pode estar frustrada, cansada, assustada, sobrecarregada ou simplesmente sem recursos para lidar com uma situação. Isso não significa que todo comportamento deva ser aceito. Crianças precisam aprender limites. Bater ou machucar alguém não pode ser permitido. Mas também precisam de adultos que as ajudem, progressivamente, a desenvolver outras formas de expressar raiva, medo e frustração. Acolher não é permitir tudo. Estabelecer limites não é excluir. O comportamento infantil também não acontece no vazio. Pode estar relacionado ao desenvolvimento, a dificuldades de linguagem e comunicação, a desafios de autorregulação, a alterações sensoriais ou, em alguns casos, a condições do neurodesenvolvimento. Mas pode refletir também aquilo que acontece fora da escola: uma separação, a chegada de um irmão, uma perda, conflitos familiares, mudanças importantes ou uma experiência potencialmente traumática. Até fatores cotidianos, como privação de sono, fome, excesso de estímulos ou mudanças inesperadas na rotina podem interferir na capacidade de uma criança se autorregular. Por isso, diante de um comportamento que preocupa, precisamos ampliar o olhar. Quando acontece? O que aconteceu antes? O que desencadeia a crise? Como os adultos respondem? Essas perguntas ajudam a compreender a função daquele comportamento. Uma criança que entra em crise sempre que precisa interromper uma brincadeira pode precisar de mais previsibilidade. Outra que se desorganiza em ambientes muito barulhentos pode estar enfrentando uma dificuldade sensorial. Uma criança que parece não obedecer pode não estar compreendendo adequadamente uma instrução. O comportamento é um sinal que merece ser compreendido. Não necessariamente um diagnóstico. E, principalmente, não é uma identidade. Quando é preciso investigar Uma das armadilhas de uma abordagem exclusivamente disciplinar é punir antes de compreender. Uma criança com dificuldades persistentes de comunicação, interação social, atenção, impulsividade ou processamento sensorial pode ser rapidamente classificada como “malcriada”, “agressiva” ou “desobediente”. Mas nem todo comportamento difícil é sinal de um transtorno. E nem todo transtorno explica todo comportamento difícil. Quando os comportamentos são persistentes, intensos ou interferem significativamente na participação da criança, uma avaliação individualizada pode ser necessária. Nesse processo, o pediatra pode ter um papel importante: reunir informações da família e da escola, avaliar o desenvolvimento global, investigar sono, linguagem, comportamento e saúde emocional e, quando necessário, encaminhar para avaliação multiprofissional. Não se trata de procurar um rótulo. Trata-se de compreender melhor para cuidar melhor. A escola também precisa ser olhada Quando uma criança apresenta um comportamento desafiador, olhamos para ela. Precisamos também olhar para o ambiente em que esse comportamento acontece. Estudos mostram que decisões de suspensão e afastamento na educação infantil podem estar relacionadas não apenas ao comportamento da criança, mas também às preocupações com segurança, às políticas disciplinares e à disponibilidade de suporte para lidar com situações complexas. Isso não significa ignorar comportamentos que colocam outras pessoas em risco. Nem significa culpar professores. O professor também precisa de apoio. Uma equipe com formação, suporte e recursos pode ter melhores condições para identificar gatilhos, prevenir crises, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas. Talvez, diante de uma criança que apresenta comportamentos desafiadores, precisemos olhar para três histórias ao mesmo tempo: a história da criança, a história da família e a história da escola. Essa visão não retira a responsabilidade de ninguém. Amplia a responsabilidade de todos. E quando existe agressividade? Precisamos ter cuidado para não romantizar o comportamento infantil. Uma criança que machuca outra precisa ser contida. Uma criança que coloca colegas ou adultos em risco precisa de intervenção. A segurança de todos é inegociável. Mas existe uma diferença entre interromper um comportamento perigoso e afastar definitivamente uma criança. A primeira pode ser necessária. A segunda precisa ser cuidadosamente analisada. Pode ser necessário afastar momentaneamente a criança de uma situação de risco, garantir supervisão, mediar o conflito, conversar com a família, investigar os fatores envolvidos e construir um plano...]]>

Comportamentos desafiadores na primeira infância podem sinalizar necessidades que ainda não encontram palavras. Antes de afastar uma criança, precisamos compreender o que está acontecendo. Sem esquecer que proteger toda a comunidade escolar também é responsabilidade de todos.

Uma criança de três, quatro ou cinco anos pode ser afastada da escola por seu comportamento?

A pergunta incomoda. Talvez porque, quando pensamos em suspensão ou expulsão, imaginamos alguém que já deveria compreender regras, controlar impulsos e responder por suas escolhas.

Mas estamos falando de crianças pequenas. Crianças que ainda estão aprendendo a esperar, dividir, perder, ouvir “não”, lidar com a frustração e transformar emoções em palavras.

A primeira infância é um período de intenso desenvolvimento. Habilidades de autorregulação, linguagem, comunicação e convivência ainda estão em construção. É nesse contexto que precisamos discutir o afastamento de crianças pequenas de creches e pré-escolas em razão de comportamentos considerados difíceis de manejar.

Em 2024, a Academia Americana de Pediatria publicou uma declaração de política sobre suspensão e expulsão escolar, incluindo a educação infantil. O documento alerta para os potenciais efeitos negativos de práticas disciplinares excludentes e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão.

No Brasil, essa discussão precisa ser contextualizada à nossa realidade educacional e ao marco legal de proteção integral da criança.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a proteção integral e assegura à criança o direito à educação, com igualdade de condições para acesso e permanência na escola, além do direito de ser respeitada por seus educadores.

Isso não significa que a escola deva ignorar comportamentos que coloquem outras crianças ou adultos em risco. A segurança de toda a comunidade escolar é fundamental. Mas significa que decisões que impliquem o afastamento de uma criança precisam ser analisadas com responsabilidade, considerando não apenas o comportamento apresentado, mas também os direitos da criança, seu estágio de desenvolvimento e as possibilidades de intervenção e suporte.

Mas talvez a pergunta mais importante seja outra:

Quando uma criança pequena apresenta um comportamento difícil, estamos diante de uma criança que precisa ser afastada ou de uma criança que precisa ser compreendida e ajudada?

Antes do comportamento, existe uma criança

Uma criança que morde, bate, grita, empurra, entra em crise ou desafia regras pode estar expressando algo que ainda não consegue comunicar de outra maneira.

Pode estar frustrada, cansada, assustada, sobrecarregada ou simplesmente sem recursos para lidar com uma situação.

Isso não significa que todo comportamento deva ser aceito. Crianças precisam aprender limites. Bater ou machucar alguém não pode ser permitido.

Mas também precisam de adultos que as ajudem, progressivamente, a desenvolver outras formas de expressar raiva, medo e frustração.

Acolher não é permitir tudo. Estabelecer limites não é excluir.

O comportamento infantil também não acontece no vazio. Pode estar relacionado ao desenvolvimento, a dificuldades de linguagem e comunicação, a desafios de autorregulação, a alterações sensoriais ou, em alguns casos, a condições do neurodesenvolvimento.

Mas pode refletir também aquilo que acontece fora da escola: uma separação, a chegada de um irmão, uma perda, conflitos familiares, mudanças importantes ou uma experiência potencialmente traumática.

Até fatores cotidianos, como privação de sono, fome, excesso de estímulos ou mudanças inesperadas na rotina podem interferir na capacidade de uma criança se autorregular.

Por isso, diante de um comportamento que preocupa, precisamos ampliar o olhar.

Quando acontece? O que aconteceu antes? O que desencadeia a crise? Como os adultos respondem?

Essas perguntas ajudam a compreender a função daquele comportamento.

Uma criança que entra em crise sempre que precisa interromper uma brincadeira pode precisar de mais previsibilidade. Outra que se desorganiza em ambientes muito barulhentos pode estar enfrentando uma dificuldade sensorial. Uma criança que parece não obedecer pode não estar compreendendo adequadamente uma instrução.

O comportamento é um sinal que merece ser compreendido. Não necessariamente um diagnóstico. E, principalmente, não é uma identidade.

Quando é preciso investigar

Uma das armadilhas de uma abordagem exclusivamente disciplinar é punir antes de compreender.

Uma criança com dificuldades persistentes de comunicação, interação social, atenção, impulsividade ou processamento sensorial pode ser rapidamente classificada como “malcriada”, “agressiva” ou “desobediente”.

Mas nem todo comportamento difícil é sinal de um transtorno. E nem todo transtorno explica todo comportamento difícil.

Quando os comportamentos são persistentes, intensos ou interferem significativamente na participação da criança, uma avaliação individualizada pode ser necessária.

Nesse processo, o pediatra pode ter um papel importante: reunir informações da família e da escola, avaliar o desenvolvimento global, investigar sono, linguagem, comportamento e saúde emocional e, quando necessário, encaminhar para avaliação multiprofissional.

Não se trata de procurar um rótulo. Trata-se de compreender melhor para cuidar melhor.

A escola também precisa ser olhada

Quando uma criança apresenta um comportamento desafiador, olhamos para ela. Precisamos também olhar para o ambiente em que esse comportamento acontece.

Estudos mostram que decisões de suspensão e afastamento na educação infantil podem estar relacionadas não apenas ao comportamento da criança, mas também às preocupações com segurança, às políticas disciplinares e à disponibilidade de suporte para lidar com situações complexas.

Isso não significa ignorar comportamentos que colocam outras pessoas em risco. Nem significa culpar professores.

O professor também precisa de apoio.

Uma equipe com formação, suporte e recursos pode ter melhores condições para identificar gatilhos, prevenir crises, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas.

Talvez, diante de uma criança que apresenta comportamentos desafiadores, precisemos olhar para três histórias ao mesmo tempo:

a história da criança, a história da família e a história da escola.

Essa visão não retira a responsabilidade de ninguém.

Amplia a responsabilidade de todos.

E quando existe agressividade?

Precisamos ter cuidado para não romantizar o comportamento infantil.

Uma criança que machuca outra precisa ser contida. Uma criança que coloca colegas ou adultos em risco precisa de intervenção.

A segurança de todos é inegociável.

Mas existe uma diferença entre interromper um comportamento perigoso e afastar definitivamente uma criança.

A primeira pode ser necessária.

A segunda precisa ser cuidadosamente analisada.

Pode ser necessário afastar momentaneamente a criança de uma situação de risco, garantir supervisão, mediar o conflito, conversar com a família, investigar os fatores envolvidos e construir um plano de intervenção.

A criança precisa aprender:

“Eu não posso bater.”

Mas também precisa aprender:

“O que eu posso fazer quando estou com raiva?”

É nessa segunda pergunta que começa o verdadeiro trabalho educativo.

Afastar resolve?

Talvez resolva a crise daquele dia.

A criança sai. A sala fica mais tranquila. O professor retoma a rotina.

Mas o que acontece depois?

A criança leva consigo aquilo que originou o comportamento: a dificuldade de comunicação, a desregulação, a impulsividade, a ansiedade ou a sensação de não pertencer.

E, muitas vezes, o problema reaparece em outro lugar.

A Academia Americana de Pediatria destaca que práticas de suspensão e expulsão podem ter consequências negativas e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão.

Os estudos disponíveis vêm, em grande parte, da realidade norte-americana e não podem ser simplesmente transferidos para o Brasil. Mas ajudam a formular uma pergunta necessária:

Estamos certos de que o comportamento é o único problema?

Ou precisamos também olhar para a forma como interpretamos e respondemos a ele?

Antes de afastar, precisamos compreender

Encontrar alternativas não significa aceitar qualquer comportamento.

Significa ampliar o repertório de respostas: avaliar o desenvolvimento, investigar possíveis dificuldades, identificar gatilhos, antecipar mudanças, adaptar a rotina, ensinar habilidades sociais, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas.

Pode significar também buscar apoio especializado e envolver o pediatra e outros profissionais da saúde quando necessário.

Nenhum desses caminhos é simples. Nenhum funciona da mesma maneira para todas as crianças.

Mas todos partem de um princípio comum:

antes de afastar, precisamos tentar compreender.

Talvez seja hora de mudar a pergunta.

Em vez de:

“O que há de errado com essa criança?”

Perguntar:

“O que essa criança está tentando nos mostrar?”

E depois:

“O que nós, adultos, podemos fazer diferente?”

Isso não significa retirar da criança a responsabilidade de aprender regras e respeitar limites.

Significa reconhecer que educar é um processo. Que a autorregulação é ensinada. Que habilidades sociais são construídas. E que crianças pequenas precisam de adultos capazes de ensinar tudo isso.

A primeira infância é um período de construção: da linguagem, da autonomia, da autorregulação, das relações e da capacidade de conviver.

Talvez o maior desafio não seja encontrar uma forma de fazer uma criança difícil caber na escola.

Talvez seja construir escolas capazes de acolher diferentes crianças sem abrir mão dos limites, da segurança e do respeito.

Porque educar também é ensinar a conviver.

E, na primeira infância, ensinar a pertencer também faz parte de educar.


Relatora:

Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP

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Portal Dráuzio Varella – Consequências do estresse tóxico na infância, com Fernando Lamano e Arianne Angelelli https://spsp.org.br/portal-drauzio-varella-consequencias-do-estresse-toxico-na-infancia-com-fernando-lamano-e-arianne-angelelli/ Fri, 03 Jul 2026 18:49:39 +0000 https://spsp.org.br/?p=58016 Veículo: Portal Dráuzio Varella

Data: 03/07/2026

O portal Dráuzio Varella entrevistou Fernando Lamano e Arianne Angelelli, respectivamente presidente e vice-presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP, sobre as consequências do estresse tóxico na infância. Lamano explica que o estresse tóxico acontece quando a criança passa por adversidades intensas, frequentes e/ou prolongadas sem o suporte de um adulto cuidador, o que pode aumentar o risco de doenças físicas e transtornos mentais no decorrer do tempo. Segundo Arianne, o estresse tóxico é um fator de risco para várias doenças psiquiátricas, inclusive a depressão e o abuso de substâncias na vida adulta, e pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, a memória, a aprendizagem e o comportamento ao longo da vida.

Leia mais: https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/estresse-toxico-na-infancia-aumenta-o-risco-de-doencas-cronicas-e-transtornos-mentais-no-futuro/

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Quando o corpo diz “não” https://spsp.org.br/quando-o-corpo-diz-nao/ Tue, 16 Jun 2026 15:12:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57471 ]]>

Este mês é dedicado à Conscientização dos Transtornos Alimentares e, no que diz respeito a estas condições, proponho uma reflexão a partir de um caso clínico.

Marina, 15 anos, comparece à consulta acompanhada da mãe, cuja principal preocupação é o fato de a filha ter interrompido os ciclos menstruais há alguns meses. A adolescente veste um moletom largo estampado com o personagem Mickey Mouse. Durante a anamnese alimentar, mãe e filha entram em discussão sobre os hábitos alimentares. Marina acusa a mãe de também restringir a alimentação.

Ao abordar aspectos comportamentais, a mãe relata que Marina tem extrema dificuldade em se posicionar diante dos outros. Na escola, costuma responder “tanto faz” às perguntas e evita expressar preferências ou discordâncias, mesmo em situações que lhe causam sofrimento. Quando pergunto sobre o que vê nas redes sociais, responde sem muita personalidade: “o mesmo que minhas amigas”.

Na segunda parte da consulta, realizada sem a presença da mãe, observa-se uma mudança marcante em sua postura. A adolescente, antes hesitante e pouco assertiva, passa a se expressar de forma rígida e categórica. Ao falar sobre alimentação, afirma: “Não como nada que tenha mais de 200 kcal”. 

Discussão do caso clínico

O caso de Marina suscita uma questão frequente na clínica dos transtornos alimentares: em que medida o sintoma anoréxico pode expressar uma recusa das transformações inerentes à adolescência?

A adolescência exige a elaboração de importantes perdas psíquicas, frequentemente descritas como lutos pelo corpo infantil, pelo lugar protegido da infância e pelos pais idealizados. As transformações da puberdade tornam visível a perda do corpo infantil e anunciam a entrada em um corpo sexuado, submetido a novas e complexas exigências sociais, relacionais e subjetivas. Nesse contexto, o desenvolvimento corporal pode ser vivido não apenas como crescimento, mas também como legitimação da perda do lugar seguro da infância.

No caso de Marina, a amenorreia (falta da menstruação) secundária e os marcadores hormonais pré-púberes permitem pensar o sintoma alimentar como uma tentativa inconsciente de interromper ou retardar esse processo. Ao impedir a maturação corporal, a anorexia preserva características infantis do corpo e afasta, simbolicamente, aspectos da sexualidade e da feminilidade associados à puberdade. Nessa perspectiva, em alguns casos, a recusa alimentar pode ser compreendida como uma recusa do próprio crescimento.

Diante das incertezas próprias da adolescência no contexto de um mundo cheio de contradições e efemeridades, o sintoma alimentar pode funcionar como uma defesa psíquica. Em um momento marcado por mudanças corporais, conflitos de identidade e sentimentos de vulnerabilidade, a restrição alimentar proporciona uma sensação ilusória de controle. Compreender essa dimensão subjetiva não significa desconsiderar os graves riscos clínicos do transtorno, mas sim ampliar o olhar para além do sintoma alimentar, reconhecendo-o como uma expressão complexa do sofrimento psíquico.

A dinâmica familiar observada durante a consulta chama a atenção para a centralidade da alimentação nas relações interpessoais da paciente. O embate entre mãe e filha sobre quem come menos sugere um ambiente em que restrições alimentares e preocupações com peso e dieta desempenham papel relevante. Embora não se possa atribuir causalidade direta, tais modelos familiares podem influenciar a forma como adolescentes percebem alimentação, corpo e controle.

Outro aspecto marcante é a discrepância de comportamento apresentada por Marina na presença e na ausência da mãe. Inicialmente, mostra-se passiva, indecisa e excessivamente preocupada em agradar aos outros. Quando entrevistada sozinha, porém, revela rigidez cognitiva, pensamento obsessivo e regras alimentares extremamente restritivas, expressas na afirmação: “Não como nada que tenha mais de 200 kcal”. Essa mudança evidencia a importância da entrevista individual com adolescentes, permitindo o acesso a conteúdos que muitas vezes não emergiriam na presença dos pais.

Essa dinâmica parece encontrar eco no relato de Marina. Descrita como alguém que tem dificuldade em dizer “não” aos outros e frequentemente se submete às vontades alheias, incapaz de expressar seus desejos nas relações interpessoais. Se, por um lado, temos um apagamento do Eu, por outro, ele compensa quando o tema é alimentação: o que Marina não consegue negar aos outros, ela nega ao próprio corpo.

Assim, através desse caso clínico, entende-se que os transtornos alimentares, especificamente a anorexia, se apresentam como uma formação complexa, na qual se articulam conflitos relacionados ao crescimento, à sexualidade, à autonomia, à dinâmica familiar, ao se colocar perante os outros e ao controle. Mais do que um problema exclusivamente alimentar, os sintomas expressam tentativas singulares de enfrentar os desafios psíquicos impostos pela adolescência.

 

Relatora:

Maíra Terra Cunha Di Sarno
Secretária do Departamento de Adolescência da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Revista Crescer – Quando os filhos se tornam independentes, com Denise de Sousa Feliciano https://spsp.org.br/revista-crescer-quando-os-filhos-se-tornam-independentes-com-denise-de-sousa-feliciano/ Mon, 01 Jun 2026 12:22:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57619 Veículo: Revista Crescer

Data: Junho/2026

Para falar sobre a autonomia dos filhos, que costuma chegar acompanhada de sentimentos contraditórios de pais e mães, a revista Crescer entrevistou, entre outros especialistas, a psicanalista Denise de Sousa Feliciano, membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP. Para a psicóloga, a fase dos primeiros passos pode servir de bússola para os pais que, em algum momento, se veem dividi­dos entre proteger e encorajar a independência. A reportagem revela que independência não é o oposto de vínculo; a infância termina, mas o vínculo continua existindo em outros lugares: nas conversas, nos retornos espontâ­neos, nos pequenos gestos de pre­sença.

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Como apoiar uma família após a morte de uma criança ou de um adolescente https://spsp.org.br/como-apoiar-uma-familia-apos-a-morte-de-uma-crianca-ou-de-um-adolescente/ Tue, 05 May 2026 15:18:39 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56819 Pensar e falar sobre a morte é sempre uma tarefa penosa e difícil. Mais difícil ainda é falar do sofrimento causado]]>

Pensar e falar sobre a morte é sempre uma tarefa penosa e difícil. Mais difícil ainda é falar do sofrimento causado pela morte de uma criança, tanto em sua família quanto em seu entorno. No entanto, é justamente o falar e refletir sobre essa dor, como veremos no decorrer do texto, que nos leva a uma possibilidade de lidar melhor com essa situação tão estressante.

O suporte teórico aqui apresentado baseia-se nas ideias de Cyrulnik, neuropsiquiatra, etólogo e psicanalista. Ainda criança, ele sobreviveu a um campo de concentração nazista e, mais tarde, já em liberdade, desenvolveu a Teoria da Resiliência. Nessa teoria, propõe que o trauma não é um destino, não é um “determinismo psicológico”, e muito menos um evento que condena alguém a uma vida futura de sofrimento. A resiliência é entendida como um processo de cicatrização dessa ferida, no qual cérebro e psique têm uma capacidade extraordinária de reorganização, desde que encontrem um ambiente propício.

Reforçando: a resiliência deve ser compreendida como a capacidade de retomar o desenvolvimento psíquico e o prazer de viver após um trauma, restabelecendo a convivência entre a dor da ferida e prazer de voltar a viver.

O autor trabalha com o conceito de Biologia do Apego, isto é, a ideia de que o contorno social altera a química cerebral. Palavras adequadas e gestos de cuidado influenciam o corpo e a própria resposta biológica ao trauma. O afeto e a palavra têm poder regulador sobre hormônios e neurotransmissores, organizando o cérebro, que não se desenvolve sozinho e depende sempre da relação com o outro. Como ele afirma, “não existe vida psíquica” sem encontro. Todo ser humano é biologicamente dependente de outro, é o vínculo que une o cérebro ao corpo.

Assim, o trauma desorganiza, mas não determina essa desorganização. Paradoxalmente, é essa desorganização que pode impulsionar a reparação biológica necessária. O luto, portanto, é sempre necessário. Falar do sofrimento também é fundamental, pois é por meio da fala e da escuta que se constrói o acolhimento do outro.

A morte deve ser encarada como um evento inexorável da vida e, portanto, precisa ser incorporada à existência. Fica claro que o luto pela perda de um filho não é um estado de “cura”, mas um processo de metamorfose. A dor da perda não é algo a ser simplesmente superado, mas algo que possibilita a retomada da vida cotidiana. Em outras palavras, é essa dor que permite a reconstrução do viver após a ruptura: o “fio” da vida precisa ser retomado.

Não se trata de esquecer, mas de reintegrar a perda à história da família. A resiliência não é uma característica individual, mas um fenômeno que acontece entre as pessoas. É exatamente o ambiente social, constituído por amigos e comunidade, que irá servir como um porto seguro para que a morte da criança seja expressa de uma maneira a não trazer em si um julgamento prévio que possa prolongar o sofrimento de todos.

O luto torna-se mais suportável à medida que o trauma deixa de ser um evento sem sentido e passa a ser transformado em narrativa dos próprios envolvidos. Dar nome à dor, falar sobre o filho falecido, recordar histórias e manter a memória viva são aspectos essenciais. O silêncio imposto pela sociedade, o tabu da morte infantil, constitui nesse sentido um “segundo trauma”, pois dificulta o processo de resiliência.

 

Resumo do pensamento:

  • “O encontro humano é o principal agente de cura.”
  • O trauma não é destino, mas um “azar da vida” que não determina o fim. É real e doloroso, mas não condena a pessoa a ser vítima para sempre. A resiliência é sempre a capacidade de retomar desenvolvimento apesar da ferida.
  • É possível ser feliz mesmo carregando uma memória de dor.
  • Ninguém se recupera sozinho. Há sempre a necessidade de um “Tutor de Resiliência”, uma figura (professor, vizinho, avô ou até mesmo um personagem de um livro) que proporciona um olhar de segurança. O tutor é o ponto de apoio indispensável para que se dê o processo de resiliência.
  • Eventos traumáticos, como a morte de uma criança, podem se tornar um “silêncio assassino”. A transformação do trauma em narrativa é fundamental para a elaboração. Quando a criança consegue desenhar, escrever ou falar sobre sua dor ela deixa de ser escrava do evento e passa a ser autora da sua própria narrativa.
  • O estresse traumático “atrofia” áreas cerebrais ligadas à memória e à emoção, enquanto um ambiente afetuoso e seguro atua como um “nutriente biológico”, favorecendo a recuperação.
  • A resiliência resulta do encontro entre a vontade de viver, o apoio de um tutor e a capacidade cultural de acolher e escutar a dor.
  • “O corpo fala o que a boca cala.”
  • Cérebro social: O isolamento emocional compromete o funcionamento cerebral, enquanto o vínculo seguro estimula novas conexões.
  • Um ambiente seguro e relações de apoio (Tutor de Resiliência) podem impedir que predisposições genéticas negativas se manifestem.
  • O encontro humano é o principal agente de cura.

Recomendações finais:

  • Evitar o “fantasma”: há o risco de transformar o filho que partiu em um mito intocável, o que pode fazer com que os irmãos sobreviventes se sintam invisíveis ou menos amados.
  • Sinceridade parcial: a verdade deve ser dita às crianças sobre a morte, com linguagem adaptada à idade, mas o fato nunca deve ser escondido. O não dito tende a gerar angústias profundas.
  • A perda de um filho representa uma ruptura no real, que pode ser “costurada” pela palavra e pela solidariedade, permitindo que a vida volte a fluir de forma saudável.

 

Relator:

Eduardo Goldenstein
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Encontro com o Especialista – Depressão dos Pais e Impactos na Saúde da Criança https://spsp.org.br/encontro-com-o-especialista-depressao-dos-pais-e-impactos-na-saude-da-crianca/ Tue, 14 Apr 2026 11:24:31 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55537 Aconteceu, no dia 14 de abril, o Encontro com o Especialista, ao vivo, com transmissão pela plataforma Zoom da SPSP, a respeito do tema Depressão dos Pais e Impactos na Saúde da Criança. O evento, dirigido a pediatras, foi organizado pela Diretoria de Cursos e Eventos e Núcleo de Estudos (NE) de Saúde Mental da SPSP, com o objetivo de auxiliar o pediatra a entender as possíveis implicações na criança e no ambiente familiar nos casos de depressão materna e paterna. O Encontro foi coordenado por Fernando Lamano, presidente do NE de Saúde Mental da SPSP, que também realizou a abertura da atividade, e teve como palestrantes Arianne Angelelli e Cristiane da Silva Geraldo Folino, respectivamente vice-presidente e membro do NE de Saúde Mental da SPSP. Os tópicos discutidos foram: Reconhecendo a depressão paterna e seus impactos e Reconhecendo a depressão materna e seus impactos. Ao final do evento, houve uma sessão de discussão com perguntas do público aos especialistas. A gravação deste Encontro com o Especialista estará disponível em até 10 dias depois do evento no portal SPSP Educa (www.spspeduca.org.br).   – Programação 19h30 – 21h30 – Mesa: Depressão dos Pais e Impactos na Saúde da Criança 19h30 – 19h35 – AberturaDr. Fernando Lamano 19h35 – 20h05 – Reconhecendo a depressão paterna e seus impactosDra. Arianne Angelelli 20h05 – 20h35 – Reconhecendo a depressão materna e seus impactosDra. Cristiane da Silva Geraldo Folino 20h35 – 21h30 – Discussão e perguntas – Dr. Fernando LamanoPresidente do Núcleo de Estudos em Saúde Mental da SPSPMembro do Departamento de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da SBP Dra. Arianne AngelelliVice-Presidente do NE de Saúde Mental da SPSPPsiquiatra. Autora do livro “Paternidade e Saúde Mental: Parentalidade, Psiquismo e Transformações” Dra. Cristiane da Silva Geraldo FolinoMembro do Núcleo de Saúde Mental da SPSPPsicanalista Doutora pela USP]]>

Aconteceu, no dia 14 de abril, o Encontro com o Especialista, ao vivo, com transmissão pela plataforma Zoom da SPSP, a respeito do tema Depressão dos Pais e Impactos na Saúde da Criança. O evento, dirigido a pediatras, foi organizado pela Diretoria de Cursos e Eventos e Núcleo de Estudos (NE) de Saúde Mental da SPSP, com o objetivo de auxiliar o pediatra a entender as possíveis implicações na criança e no ambiente familiar nos casos de depressão materna e paterna.

O Encontro foi coordenado por Fernando Lamano, presidente do NE de Saúde Mental da SPSP, que também realizou a abertura da atividade, e teve como palestrantes Arianne Angelelli e Cristiane da Silva Geraldo Folino, respectivamente vice-presidente e membro do NE de Saúde Mental da SPSP.

Os tópicos discutidos foram: Reconhecendo a depressão paterna e seus impactos e Reconhecendo a depressão materna e seus impactos. Ao final do evento, houve uma sessão de discussão com perguntas do público aos especialistas.

A gravação deste Encontro com o Especialista estará disponível em até 10 dias depois do evento no portal SPSP Educa (www.spspeduca.org.br).  

Programação
19h30 – 21h30 – Mesa: Depressão dos Pais e Impactos na Saúde da Criança
19h30 – 19h35 – Abertura
Dr. Fernando Lamano
19h35 – 20h05 – Reconhecendo a depressão paterna e seus impactos
Dra. Arianne Angelelli
20h05 – 20h35 – Reconhecendo a depressão materna e seus impactos
Dra. Cristiane da Silva Geraldo Folino
20h35 – 21h30 – Discussão e perguntas

Dr. Fernando Lamano
Presidente do Núcleo de Estudos em Saúde Mental da SPSP
Membro do Departamento de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da SBP

Dra. Arianne Angelelli
Vice-Presidente do NE de Saúde Mental da SPSP
Psiquiatra. Autora do livro “Paternidade e Saúde Mental: Parentalidade, Psiquismo e Transformações”

Dra. Cristiane da Silva Geraldo Folino
Membro do Núcleo de Saúde Mental da SPSP
Psicanalista Doutora pela USP

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Encontro com Especialista – Integrando questões de Saúde Mental na Consulta Pediátrica https://spsp.org.br/encontro-com-especialista-integrando-questoes-de-saude-mental-na-consulta-pediatrica/ Thu, 30 Oct 2025 19:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52738 Realizado:  30 de outubro de 2025 Realização: SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo Organização: Diretoria de Cursos e Eventos e DC Saúde Mental da SPSP Coordenação: Dr. Fernando Lamano Público-alvo: Pediatras Objetivo: Capacitar o pediatra a incluir e abordar o tema da saúde mental de forma mais objetiva dentro da sua atuação. – Programação 19h30 – 21h30 – Mesa – Integrando a Saúde Mental na consulta pediátricaCoordenação: Dr. Fernando Lamano Ferreira Moderação: Dra. Arianne Angelelli 19h30 – 19h40 – AberturaDra. Arianne Angelelli 19h40 – 20h30 – Integrando a Saúde Mental na consulta pediátricaDra. Rosa Resegue 20h30 – 21h30 – Comentários, discussão e perguntas – Dr. Fernando Lamano FerreiraPresidente do NE de Saúde Mental da SPSPPediatra e Neonatologista Dra. Arianne AngelelliVice-presidente do NE de Saúde Mental da SPSPPsiquiatra Especialista em Infância e Adolescência pela Associação Brasileira de Psiquiatria Dra. Rosa ResegueMembro do NE de Saúde Mental da SPSPDoutora em Ciências da Saúde pelo Departamento de Pediatria da UNIFESP]]>

Realizado:  30 de outubro de 2025

Realização: SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo

Organização: Diretoria de Cursos e Eventos e DC Saúde Mental da SPSP

Coordenação: Dr. Fernando Lamano

Público-alvo: Pediatras

Objetivo: Capacitar o pediatra a incluir e abordar o tema da saúde mental de forma mais objetiva dentro da sua atuação.

Programação
19h30 – 21h30 – Mesa – Integrando a Saúde Mental na consulta pediátrica
Coordenação: Dr. Fernando Lamano Ferreira
Moderação: Dra. Arianne Angelelli
19h30 – 19h40 – Abertura
Dra. Arianne Angelelli
19h40 – 20h30 – Integrando a Saúde Mental na consulta pediátrica
Dra. Rosa Resegue
20h30 – 21h30 – Comentários, discussão e perguntas

Dr. Fernando Lamano Ferreira
Presidente do NE de Saúde Mental da SPSP
Pediatra e Neonatologista

Dra. Arianne Angelelli
Vice-presidente do NE de Saúde Mental da SPSP
Psiquiatra Especialista em Infância e Adolescência pela Associação Brasileira de Psiquiatria

Dra. Rosa Resegue
Membro do NE de Saúde Mental da SPSP
Doutora em Ciências da Saúde pelo Departamento de Pediatria da UNIFESP

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Bem-estar mental da criança: um modo de existir, compreender e transformar a realidade https://spsp.org.br/bem-estar-mental-da-crianca-um-modo-de-existir-compreender-e-transformar-a-realidade/ Fri, 10 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53484 A Organização Mundial da Saúde define saúde mental como um estado de “bem-estar mental que permite à pessoa lidar com o estresse da ]]>

A Organização Mundial da Saúde define saúde mental como um estado de “bem-estar mental que permite à pessoa lidar com o estresse da vida, realizar as suas capacidades, aprender bem e trabalhar bem, e contribuir para a sua comunidade”.* Definir saúde mental, no entanto, não é tarefa fácil, pois para além do resultado produtivo (aprender bem, trabalhar bem e contribuir para a comunidade), ela se relaciona à maneira como as pessoas reagem às adversidades e a sua sensação de bem-estar no mundo.

Quando olhamos para a infância, esse conceito ganha novas nuances, referindo-se ao bem-estar emocional e social, que pode ser observado na maneira como a criança se desenvolve, aprende, relaciona-se com seus pares e familiares e lida com os problemas. A saúde mental da criança não se mede por desempenho ou obediência, mas pela sua capacidade de imaginar, de se expressar e brincar.

O brincar é, para ela, um modo de existir, compreender e transformar a realidade. A criança emocionalmente saudável sente-se segura para explorar o mundo e confia nos adultos que ama. Sabe que será acolhida quando os problemas aparecerem ou quando se sentir triste, com medo ou mesmo com raiva.

Ao nascer, embora já tenhamos uma série de experiências da nossa vida no útero materno, somos seres extremamente frágeis, totalmente dependentes dos cuidados de quem nos acolhe. Nascemos inacabados – e também assim partimos, pois nunca estamos prontos –, e será por meio das interações que vivenciamos que nos constituiremos.

Na nossa fragilidade inicial, entretanto, está nossa potência: nossa diversidade. Nascemos para todas as línguas, para todas as culturas, para todos os ambientes. As interações que experienciamos nos primeiros anos de vida formam caminhos que deixam uma assinatura única no nosso cérebro. Somos seres plurais, mas totalmente singulares – fruto da experiência dos que nos antecederam e do nosso tempo, porém completamente únicos. Nunca, em nenhum outro momento, existirá alguém igual a nós.

Somos seres geneticamente sociais, já dizia Wallon; a interdependência, portanto, não é uma característica apenas da criança. É um pressuposto do humano, aliás do universo.

No dia 10 de outubro, em que se comemora o Dia Mundial da Saúde Mental – no mesmo mês do Dia das Crianças -, desejamos que não falemos sobre doenças mentais, diagnósticos ou riscos. Desejamos que todas as mães e pais confiem na sua potencialidade e menos nas milhares de receitas sobre como criar as crianças, das quais eles, pais, são os maiores conhecedores. Desejamos que todos nós aceitemos que, algumas vezes, as coisas podem não dar certo – e que os erros também são importantes para a saúde mental humana. Desejamos que celebremos as pequenas alegrias, as conexões reais, a beleza da vida.

Que possamos nos encantar com os instantes do cotidiano sem que precisemos fotografá-los e que tenhamos uma imensa gratidão por termos a oportunidade de cuidar das crianças e, pelo menos em alguns momentos, olharmos o mundo com os olhares delas. Que possamos, enfim, “transver” o mundo!

 

Saiba mais:

* OMS, 2022: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-strengthening-our-response.

 

Relatora:
Rosa Resegue
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Encontro com Especialista – Distúrbios do Eixo Cérebro-Intestino https://spsp.org.br/encontro-com-especialista-disturbios-do-eixo-cerebro-intestino/ Tue, 09 Sep 2025 20:20:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50947 A atividade, que contou com 29 participantes,  foi coordenada por Regis Ricardo Assad, presidente do DC de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP, que também moderou a mesa do evento, e teve a presença de Lygia Mendes dos Santos Border, Adriana Cristina Viesti Domingues e Tadeu Fernando Fernandes, respectivamente vice-presidente e membros do DC de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP. A programação contemplou os tópicos Introdução alimentar e Cólica, APLV, Regurgitação, DRGE. Após as palestras, foi realizada uma discussão e os participantes responderam perguntas do público. A gravação deste Encontro com o Especialista estará disponível em até 10 dias depois do evento no portal SPSP Educa (www.spspeduca.org.br).  Programação 19h30 – 21h30 – Mesa – Distúrbios do Eixo Cérebro-IntestinoCoordenação e Moderação: Dr. Regis Ricardo Assad 19h30 – 19h35 – AberturaDra. Lygia Mendes dos Santos Border 19h35 – 20h05 – Introdução alimentarDra. Adriana Cristina Viesti Domingues 20h05 – 20h35 – Cólica, APLV, Regurgitação, DRGE Dr. Tadeu Fernando Fernandes 20h35 – 21h30 – Discussão e perguntas Dr. Regis Ricardo AssadPresidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPTítulo de Especialista em Pediatria pela SBP e AMB Dra. Lygia Mendes dos Santos BorderVice-presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPTítulo de Especialista em Pediatria pela SBP e AMB Dra. Adriana Cristina Viesti DominguesMembro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPPós-graduada em docência e preceptoria médica pelo Hospital Israelita Albert Einstein Dr. Tadeu Fernado FernandesMembro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPPresidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBPTítulo de Especialista em Pediatria pela SBP e AMB]]>

Foi realizado, no dia 9 de setembro, o Encontro com o Especialista, ao vivo, com transmissão pela plataforma Zoom da SPSP, em que foi abordado o tema Distúrbios do Eixo Cérebro-Intestino. Organizado pela Diretoria de Cursos e Eventos e Departamento Científico (DC) de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP, o evento teve por objetivo atualizar os pediatras, público-alvo do Encontro, a respeito dos novos protocolos.

A atividade, que contou com 29 participantes,  foi coordenada por Regis Ricardo Assad, presidente do DC de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP, que também moderou a mesa do evento, e teve a presença de Lygia Mendes dos Santos Border, Adriana Cristina Viesti Domingues e Tadeu Fernando Fernandes, respectivamente vice-presidente e membros do DC de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP.

A programação contemplou os tópicos Introdução alimentar e Cólica, APLV, Regurgitação, DRGE. Após as palestras, foi realizada uma discussão e os participantes responderam perguntas do público.

A gravação deste Encontro com o Especialista estará disponível em até 10 dias depois do evento no portal SPSP Educa (www.spspeduca.org.br). 

Programação
19h30 – 21h30 – Mesa – Distúrbios do Eixo Cérebro-Intestino
Coordenação e Moderação: Dr. Regis Ricardo Assad
19h30 – 19h35 – Abertura
Dra. Lygia Mendes dos Santos Border
19h35 – 20h05 – Introdução alimentar
Dra. Adriana Cristina Viesti Domingues
20h05 – 20h35 – Cólica, APLV, Regurgitação, DRGE
Dr. Tadeu Fernando Fernandes
20h35 – 21h30 – Discussão e perguntas

Dr. Regis Ricardo Assad
Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Título de Especialista em Pediatria pela SBP e AMB

Dra. Lygia Mendes dos Santos Border
Vice-presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Título de Especialista em Pediatria pela SBP e AMB

Dra. Adriana Cristina Viesti Domingues
Membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Pós-graduada em docência e preceptoria médica pelo Hospital Israelita Albert Einstein

Dr. Tadeu Fernado Fernandes
Membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP
Título de Especialista em Pediatria pela SBP e AMB

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