Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 23 Jun 2026 18:41:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Esporte é essencial para formar crianças mais saudáveis e confiantes https://spsp.org.br/esporte-e-essencial-para-formar-criancas-mais-saudaveis-e-confiantes/ Tue, 23 Jun 2026 18:41:19 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57566 ]]>

Para a criança, brincar para se movimentar e crescer com saúde é inicialmente o melhor esporte.

A atividade física faz parte do desenvolvimento saudável de toda criança, tanto para a parte motora quanto para a neurológica.

Mais do que melhorar o condicionamento físico, movimentar-se ajuda o crescimento dos ossos e músculos, o desenvolvimento da coordenação motora, da autoestima, da socialização e até do desempenho escolar.

Em uma época em que telas ocupam cada vez mais espaço no dia a dia, incentivar a prática de esportes tornou-se uma missão importante para pais, familiares e cuidadores.

Correr, pular, arremessar, pedalar e nadar são os chamados gestos olímpicos; estando também presentes no brincar ao ar livre, são atividades que ajudam a criança a descobrir suas capacidades, desenvolver confiança e criar hábitos saudáveis, que poderão acompanhá-la por toda a vida adulta.

O esporte também ensina valores fundamentais. Através dele, nossos filhos aprendem sobre disciplina, respeito às regras, trabalho em equipe, superação de desafios e convivência com vitórias e derrotas. Essas experiências contribuem para a formação de cidadãos mais resilientes e preparados para enfrentar as dificuldades da vida.

É importante lembrar que nem toda criança precisa ser atleta. O principal objetivo deve ser o prazer de se movimentar, de participar das atividades, sem a obrigação do bom desempenho.

Cada criança possui interesses, habilidades e ritmos diferentes. Algumas se identificam mais com esportes coletivos, como futebol, vôlei ou basquete. Outras preferem atividades individuais, como natação, ginástica, dança, artes marciais ou ciclismo. O mais importante é encontrar uma atividade que proporcione alegria e motivação.

Pais e cuidadores têm papel essencial nesse processo. O exemplo dos adultos costuma ser uma das maiores fontes de incentivo. Quando a família valoriza a atividade física e participa de momentos de lazer ativo, a criança tende a incorporar esses hábitos de forma mais natural.

Dicas para pais e cuidadores:

Incentive pelo exemplo; pratique atividades físicas sempre que possível; valorize a participação, não apenas os resultados; respeite os limites físicos e emocionais da criança/adolescente, evitando cobranças excessivas e comparações com outras crianças.

Certifique-se de que a criança esteja bem hidratada e utilize equipamentos de proteção quando necessários. Procure orientação médica caso haja dúvidas sobre a prática esportiva. Escolha uma atividade que ela goste.

Lembre-se de que aprender e se divertir são mais importantes do que vencer.

Neste Dia Nacional do Esporte, celebrado em 23 de junho, é essencial falar que este não forma apenas atletas; forma crianças mais saudáveis, confiantes e preparadas para os desafios da vida.

 

Relator:

Nei Botter Montenegro
Presidente do Departamento Científico de Ortopedia da SPSP

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Desporto escolar: uma ferramenta de saúde e desenvolvimento https://spsp.org.br/desporto-escolar-uma-ferramenta-de-saude-e-desenvolvimento/ Mon, 25 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57045 ]]>

O Dia Nacional do Desporto Escolar, celebrado em 25 de maio e instituído pela Lei nº 14.579/2023, reforça um ponto essencial: o esporte na escola não é complemento. É parte da formação.

Quando falamos em desporto escolar, não estamos falando de rendimento ou de formar atletas. Estamos falando de um espaço educativo – onde a criança experimenta o movimento, aprende regras, convive, erra, tenta de novo e se desenvolve.

É nesse contexto que entra um conceito ainda pouco explorado na prática: a alfabetização física.

Alfabetizar fisicamente significa dar à criança as ferramentas básicas para se movimentar com confiança e competência: correr, saltar, arremessar, receber, equilibrar, mudar de direção. Essas habilidades motoras fundamentais têm uma janela de desenvolvimento privilegiada entre os 3 e 8 anos de idade – período em que a plasticidade motora é maior e a base se consolida para toda a vida ativa que virá.

E os números mostram por que isso importa. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. No Brasil, a maioria não chega perto desse alvo e o tempo de tela em pré-escolares, com frequência, ultrapassa três horas diárias – o triplo do limite recomendado para essa faixa etária.

Crianças que não desenvolvem competência motora tendem a evitar a atividade física. E esse afastamento não atinge apenas o corpo: impacta a autoestima, a função executiva, gera sintomas ansiosos e depressivos, atrapalha o sono e convivência social. A literatura é consistente em mostrar que crianças mais ativas apresentam melhor desempenho cognitivo e maior bem-estar emocional.

O desporto escolar tem papel central nesse cenário. É, muitas vezes, o primeiro – e em alguns casos o único – contato estruturado da criança com o esporte. Quando bem conduzido, ensina a lidar com frustração, respeitar regras, trabalhar em grupo e persistir. Valores que não aparecem em boletins, mas formam comportamento, autonomia e convivência.

Diferente do esporte competitivo, aqui o foco não é resultado. É vivência. É processo.

O que cada um de nós pode fazer

  • Pediatras: incluir, na puericultura de rotina, perguntas sobre tempo ativo, aulas de Educação Física e tempo de tela – com a mesma naturalidade com que perguntamos sobre alimentação e sono.
  • Famílias: valorizar e priorizar a Educação Física escolar; criar oportunidades diárias de brincar ativo, ao ar livre sempre que possível.
  • Escolas: garantir tempo, espaço e qualidade nas aulas de Educação Física, e formar professores capazes de promover alfabetização física com prazer e segurança.

No fim, não é só sobre esporte. É sobre promover saúde e formar crianças mais seguras, confiantes e preparadas para a vida.

 

Relatora:
Brizza Valeria Foianini Biassi
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da SPSP

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Sedentarismo: um problema de saúde pública que começa na infância https://spsp.org.br/sedentarismo-um-problema-de-saude-publica-que-comeca-na-infancia/ Tue, 10 Mar 2026 13:40:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55376 O sedentarismo já é uma das principais causas de adoecimento e morte no mundo e começa cada vez mais cedo. Segundo a Organização Mundial]]>

O sedentarismo já é uma das principais causas de adoecimento e morte no mundo e começa cada vez mais cedo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente um terço da população adulta mundial é fisicamente inativa e cerca de 5 milhões de mortes por ano estão associadas à inatividade física. Estima-se ainda que, entre 2020 e 2030, quase 500 milhões de pessoas poderão desenvolver doenças cardiovasculares, obesidade ou outras condições relacionadas à inatividade física, caso não haja mudanças estruturais nas políticas públicas globais.

No Brasil, o cenário também preocupa: cerca de 47% dos adultos são sedentários, e aproximadamente 300 mil mortes anuais estão associadas a doenças relacionadas à inatividade física. O dado mais alarmante, porém, está entre os jovens: aproximadamente 84% não atingem níveis adequados de atividade física.

O problema começa cedo

A recomendação é clara: crianças e adolescentes devem acumular pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Entretanto, análise global publicada no The Lancet Child & Adolescent Health, envolvendo 1,6 milhão de adolescentes de 146 países, demonstrou que 81% dos jovens entre 11 e 17 anos são insuficientemente ativos. Entre meninas, esse percentual chega a 84,7%, sem melhora significativa ao longo dos anos.

Além da baixa prática de atividade física, observa-se aumento progressivo do tempo em comportamento sedentário, especialmente diante de telas. É importante destacar que comportamento sedentário e atividade física não são opostos absolutos: longos períodos sentados representam fator de risco independente para doenças crônicas, mesmo entre pessoas que praticam exercício regularmente. Ou seja, não basta “fazer exercício” algumas vezes por semana; é necessário reduzir o tempo total de inatividade ao longo do dia.

Muito além das doenças no futuro

Quando falamos em sedentarismo, muitas vezes pensamos apenas nas doenças crônicas da vida adulta. No entanto, seus efeitos já são observados na infância e adolescência.

A prática regular de atividade física está associada a melhor aptidão cardiorrespiratória, maior força e resistência muscular, melhor mineralização óssea, melhora do perfil metabólico, redução da pressão arterial, melhor desempenho cognitivo e maior autoestima.

Por outro lado, a prática insuficiente de atividade física está relacionada ao aumento do sobrepeso e obesidade, prejuízo funcional musculoesquelético, piora da qualidade do sono, maior vulnerabilidade emocional e redução da competência motora. São impactos que já se manifestam no presente e podem se perpetuar ao longo da vida.

Não é só sedentarismo

O problema não é apenas “não praticar esporte”, mas as consequências desse padrão de comportamento. Nos últimos anos, o conceito de Tríade da Inatividade Pediátrica tem ampliado a compreensão sobre os impactos do sedentarismo na infância. Essa tríade é composta por três elementos inter-relacionados:

  1. Transtorno do Déficit de Exercício – níveis de atividade física abaixo do recomendado, configurando condição pré-mórbida;
  2. Dinapenia Pediátrica – baixos níveis de força e potência muscular;
  3. Analfabetismo físico (ou motor) – falta de competência, confiança e motivação para se engajar em atividades físicas.

Essa abordagem mostra que não estamos falando apenas de ausência de movimento, mas de um comprometimento progressivo do desenvolvimento motor, musculoesquelético, cardiometabólico e psicossocial. Crianças com baixa competência motora tendem a evitar atividades físicas, e ao evitar o movimento desenvolvem menor força, menor desempenho e maior frustração, entrando em um ciclo de inatividade que se retroalimenta.

O papel do pediatra

Diante desse cenário, o pediatra ocupa posição estratégica. Assim como avaliamos peso, estatura e pressão arterial, o nível de atividade física deve ser considerado um indicador essencial da saúde pediátrica. A avaliação da prática de atividade física precisa fazer parte da anamnese de rotina, incluindo investigação do tempo de tela e do padrão de movimento da criança e da família. Mais do que identificar “sedentarismo”, é fundamental reconhecer o Transtorno do Déficit de Exercício como condição prevenível.

A consulta pediátrica é um espaço privilegiado para:

  • Detectar precocemente fatores de risco cardiometabólicos;
    • Estabelecer metas progressivas e realistas;
    • Engajar pais como modelos ativos;
    • Identificar e trabalhar barreiras familiares e sociais;
    • Incentivar experiências motoras positivas desde a primeira infância.

Promover atividade física não é recomendação acessória. É intervenção clínica estruturante.

Um compromisso coletivo

Se mantido o ritmo atual, a meta global de redução da inatividade física até 2030 dificilmente será alcançada. O enfrentamento do sedentarismo pediátrico exige integração entre saúde, escola e família; ampliação de espaços seguros; educação motora desde os primeiros anos de vida; redução do tempo de tela; e fortalecimento de políticas públicas intersetoriais.

Neste 10 de março, o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo nos convida à reflexão. Combater o sedentarismo não é apenas prevenir doenças futuras. É proteger o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de uma geração. E o pediatra tem papel fundamental nessa transformação.

 

Relatora:

Brizza Valeria Foianini Biassi
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da SPSP 

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Lesões esportivas da criança e do adolescente https://spsp.org.br/lesoes-esportivas-da-crianca-e-do-adolescente/ Thu, 17 Jul 2025 14:01:22 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52293 O esporte é a maneira mais frequentemente utilizada para que a atividade física das crianças e adolescentes seja realizada. A diferença entre a atividade física pura e o]]>

O esporte é a maneira mais frequentemente utilizada para que a atividade física das crianças e adolescentes seja realizada.

A diferença entre a atividade física pura e o esporte é a competição associada.

Até a faixa etária dos seis a sete anos, essas atividades ocorrem através de escolas de esporte, onde vários tipos de modalidade são apresentados à criança.

Com isso, elas aprendem os cinco gestos esportivos com os quais podemos realizar quase todas as modalidades. São eles: a corrida, o salto, o arremesso, o nadar e o pedalar.

Após a escolha de uma modalidade, crianças e adolescentes então iniciam a prática nas suas escolas, em escolas específicas ou em clubes. Ultimamente há uma tendência à especialização cada vez mais precoce nas modalidades esportivas, visando competições e maior frequência nos treinos. Isso acaba sendo, por vezes, uma situação ruim, pois quanto mais competitiva é a atividade, mais lesiva ela acaba se tornando. Uma das situações vistas nos consultórios, atendendo esses atletas em formação, é que se ensina técnica e tática do esporte, deixando-se de lado a atividade fundamental, o condicionamento físico.

É um erro supor que as crianças e adolescentes têm condição física já preparada para todas essas atividades: força, resistência, alongamento muscular, assim como o condicionamento cardiorrespiratório, não são especificamente trabalhados previamente ao início da prática da modalidade na formação desses atletas mirins. Com isso, lesões acabam sendo frequentes, principalmente quando ocorre excesso de treinos.

As lesões típicas da atividade ocorrem quando crianças e adolescentes são submetidos à capacitação esportiva em escolas diferentes, não sendo as mesmas planejadas e executadas pelo mesmo treinador. Assim, elas são submetidas a atividades que, repetidamente, utilizam as regiões mais exigidas para determinado tipo de esporte.

Como o corpo dos atletas está em desenvolvimento, em muitas ocasiões eles acabam apresentando lesões nas áreas de crescimento, onde os principais grupos musculares são unidos aos ossos. Essas regiões são chamadas apófises. Como essas áreas estão em desenvolvimento, existe uma menor resistência mecânica. O excesso de uso e tração muscular desproporcional, geram lesões dolorosas, culminando na incapacidade de fazer as atividades antes realizadas, piorando a performance, quando então os pais os levam aos consultórios médicos.

Assim sendo, o excesso de treino e a prática em diferentes escolas de esporte ou em diferentes modalidades acabam por se tornar uma das principais causas de lesões ósseas, tendíneas e musculares dos atletas mirins.

A especialização precoce, a não individualização dos atletas e a falta de exame físico dos mesmos, para investigar a condição física, acabam por facilitar a ocorrência de lesões das regiões em crescimento, ósseas ou musculotendíneas e ligamentares, podendo ocorrer fraturas de estresse, inflamações nas regiões de crescimento, lesões musculares por falta de alongamento, aquecimento inadequado e excesso de atividades esportivas, o que acaba retirando o atleta da sua prática, sendo prejudicial a ele.

Lesões articulares como entorses e lesões ligamentares, assim como fraturas, também ocorrem por uso inadequado dos equipamentos (tamanho de bola, campo e tempo de jogo), assim como pela falta de técnicas protetivas para esportes específicos.

A própria FIFA, preocupada com lesões ocorridas nas categorias de base, criou, por exemplo, um tipo de aquecimento conhecido como FIFA 11+ Kids, para prevenir lesões que retirassem os jogadores por um ou mais meses do futebol, com êxito de 50% quando colocado em prática.

Em conclusão, em vez de ser uma boa prática, o excesso de atividades oferecidas por muitos pais a seus filhos, no intuito de melhorar a performance deles, acaba por prejudicá-los, necessitando interromper a prática desportiva para que seja feito o tratamento.

Com isso, o ideal para que a criança e o adolescente diminuam a chance da ocorrência de lesões, é fazer uma atividade esportiva principal, de sua escolha ou em conjunto com sua família, com dias de descanso entre os treinos, para que o sistema musculoesquelético tenha uma recuperação plena e melhora do seu condicionamento físico, o que na verdade é a intenção inicial dessa atividade.

Temos como pontos principais para evitar um maior número de lesões nos atletas em crescimento:

  • Desestimular a especialização precoce; não fazer treinos repetidos por uma ou por várias instituições; escolher apenas um esporte como principal; ter apenas um treinador responsável pela atividade do atleta mirim; realizar exame físico e clínico para detectar eventuais faltas de condicionamento físico, alongamento, resistência e de força muscular; descanso entre as atividades físicas principais e, também, uma vez por ano, não realizar a mesma atividade para que as regiões ósseas e musculares em crescimento possam se refazer.

O treino é gasto (catabolismo), mas o intervalo com repouso é ganho (anabolismo). De qualquer maneira, as atividades físicas dentro dos esportes são benéficas para o ser humano em crescimento. Por outro lado, as lesões advêm do excesso, o que acaba por anular esse benefício.

Relator:

Nei Botter Montenegro

Médico da Clínica de Especialidades Pediátricas do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) e Coordenador do Programa de Esportes para Crianças e Adolescentes do HIAE

Chefe do Grupo de Ortopedia Pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Vice-Presidente do Departamento Científico de Ortopedia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

]]> Movimento, educação e cidadania em campo https://spsp.org.br/movimento-educacao-e-cidadania-em-campo/ Sun, 25 May 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51496 O dia 25 de maio marca mais do que uma simples comemoração: é uma oportunidade de refletir sobre o papel do esporte na escola e tudo o que ele representa na formação de crianças]]>

O dia 25 de maio marca mais do que uma simples comemoração: é uma oportunidade de refletir sobre o papel do esporte na escola e tudo o que ele representa na formação de crianças e adolescentes. Em tempo de tantas transformações sociais e educacionais, o desporto escolar se reafirma como um momento de convivência, aprendizado e saúde.

A conexão entre movimento e educação não é recente – já era valorizada na Antiguidade. Mas foi a partir do século XIX, especialmente na Inglaterra, que o esporte começou a ser integrado à vida escolar com objetivos pedagógicos mais claros. Nas chamadas public schools, atividades esportivas passaram a ser usadas como ferramentas de disciplina e formação moral.

No Brasil, o crescimento do desporto escolar se deu ao longo do século XX, impulsionado por políticas públicas, competições regionais e pela fundação da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), em 2000. Desde então, a CBDE atua para promover o desenvolvimento esportivo com foco não apenas no desempenho, mas também na cidadania, no lazer e na inclusão.

O dia 25 de maio foi escolhido justamente por marcar a criação da CBDE, sendo oficializado como o Dia Nacional do Desporto Escolar pela Lei nº 14.579, sancionada em 2023.

Na prática, o esporte dentro das escolas vai muito além dos pódios: ajuda no desenvolvimento motor e cognitivo, melhora a concentração, favorece o desempenho escolar e contribui para a construção de valores importantes, como empatia, respeito às regras, cooperação e resiliência. Para muitos alunos, as aulas de Educação Física e os jogos são os momentos mais esperados do dia — e não é à toa. Ali, eles se sentem parte de algo, criam vínculos e aprendem na prática o que significa conviver.

Fora do Brasil, o desporto escolar também tem um papel de destaque. A International School Sport Federation (ISF), criada em 1972, reúne mais de 130 países e organiza a Gymnasiade — uma espécie de olimpíada estudantil internacional que combina esporte, intercâmbio cultural e amizade entre jovens. O Brasil participa ativamente, e a edição de 2023 foi sediada no Rio de Janeiro. Já em 2025, a Gymnasiade aconteceu em abril, em Belgrado, na Sérvia.

Esses eventos mostram que o esporte escolar pode – e deve – ser uma ponte entre educação e cidadania, com alcance global. No entanto, por aqui, o modelo ainda está distante dessa realidade. Muitos desafios permanecem: escolas sem quadras adequadas, falta de materiais, desvalorização da Educação Física e desigualdades no acesso às práticas esportivas.

Mudar esse cenário exige mais do que boa vontade. É preciso investir em infraestrutura, capacitar profissionais e criar políticas públicas consistentes, que reconheçam o valor do esporte como parte integrante do projeto pedagógico de cada escola.

O Dia Nacional do Desporto Escolar é um momento para celebrar quem já faz a diferença: professores, coordenadores, gestores e alunos que acreditam no poder transformador do movimento. Mais do que formar atletas, o que está em jogo é formar cidadãos ativos, saudáveis e preparados para os desafios da vida dentro e fora das quadras.

 

Relatores:

Rubens Romualdo da Silva
Diego Lopes Valiukevicius
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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Juventude em movimento: o papel do esporte na saúde física e mental https://spsp.org.br/juventude-em-movimento-o-papel-do-esporte-na-saude-fisica-e-mental/ Fri, 28 Mar 2025 19:27:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50758 O Dia Mundial da Juventude, celebrado em 30 de março, convida-nos a refletir sobre a saúde e os desafios enfrentados pelos jovens na atualidade. Entre esses desafios, o sedentarismo]]>

O Dia Mundial da Juventude, celebrado em 30 de março, convida-nos a refletir sobre a saúde e os desafios enfrentados pelos jovens na atualidade. Entre esses desafios, o sedentarismo e os transtornos de saúde mental se destacam, criando um cenário preocupante. O aumento da inatividade física está diretamente relacionado ao crescimento dos índices de obesidade, doenças metabólicas e transtornos emocionais, como ansiedade e depressão.

A geração ansiosa e a epidemia do sedentarismo

Vivemos em uma era hiperconectada, em que o tempo de tela e a vida digital estão substituindo, cada vez mais, as interações presenciais e a prática de atividades ao ar livre. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 80% dos adolescentes entre 11 e 17 anos não atingem o nível recomendado de atividade física, que é de pelo menos 60 minutos diários de exercícios moderados a intensos. Esse comportamento sedentário compromete não apenas a saúde física, mas também contribui para o aumento dos casos de ansiedade e depressão.

Um estudo publicado no JAMA Pediatrics revelou que jovens que passam mais de sete horas diárias em dispositivos eletrônicos têm o dobro do risco de desenvolver sintomas ansiosos e depressivos em comparação a aqueles com menos tempo de exposição. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) apontou que quase 30% dos adolescentes relataram se sentir tristes ou desesperançosos de forma recorrente: um número alarmante!

O poder transformador da atividade física

Se o sedentarismo e a ansiedade são problemas crescentes, a boa notícia é que a solução está ao alcance de todos. A prática esportiva tem um papel essencial na promoção da saúde física e mental, ajudando a juventude a construir um futuro mais equilibrado e cheio de vitalidade.

A atividade física regular traz inúmeros benefícios, como melhoria do condicionamento físico, fortalecimento dos músculos, aumento da resistência e melhora da circulação sanguínea. Além disso, reduz o risco de obesidade, diabetes, problemas cardíacos e hipertensão, além de proporcionar mais energia e disposição para as atividades diárias.

Além dos impactos no corpo, a atividade física exerce uma influência direta na saúde mental. Estudos demonstram que praticar esportes reduz em até 30% os sintomas de ansiedade e depressão em adolescentes. Isso acontece porque o exercício libera hormônios como endorfina, serotonina e dopamina, neurotransmissores fundamentais para a regulação do humor e do bem-estar.

A prática esportiva também melhora a autoestima e a confiança, fortalece os laços sociais e promove valores como disciplina, respeito e cooperação. Outro ponto positivo é o impacto no desempenho acadêmico, pois a atividade física contribui para um cérebro mais ativo e preparado para aprender.

O papel da família e do pediatra: como incentivar o adolescente a se movimentar?

A adolescência é um período de transição, no qual os jovens buscam autonomia e identidade. Por isso, impor regras rígidas pode ser menos eficaz do que estimular o engajamento e a descoberta de uma atividade prazerosa. O incentivo deve vir tanto da família quanto dos pediatras e profissionais de saúde.

Para os pais, ser exemplo é essencial. Crianças e adolescentes que crescem em um ambiente familiar ativo têm mais chances de valorizar o exercício físico. Apresentar diferentes esportes, equilibrar o tempo de telas e transformar a atividade física em um momento de conexão familiar são estratégias fundamentais para que o jovem se envolva no processo.

Para os pediatras, a recomendação de atividade física deve fazer parte da rotina de avaliação da saúde dos adolescentes. A cada consulta, é importante questionar sobre o nível de atividade do paciente e reforçar os benefícios do movimento. Além disso, o profissional pode sugerir modalidades esportivas adaptadas ao perfil do jovem, mostrar que a atividade física traz benefícios além da saúde física e incentivar metas realistas para manter o engajamento ao longo do tempo.

Juntos, podemos transformar o futuro da juventude

A juventude é uma fase de crescimento, descobertas e aprendizado. E nada melhor do que garantir que essa geração tenha saúde, energia e equilíbrio emocional para enfrentar os desafios da vida. Como pais, educadores e pediatras, temos um papel essencial em incentivar hábitos saudáveis desde cedo.

Ao proporcionar oportunidades para o movimento, estimular o esporte como parte da rotina e apoiar os jovens na escolha de uma atividade física de que gostem, estamos investindo não apenas na saúde presente, mas no futuro deles. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer toda a diferença na prevenção do sedentarismo e na promoção do bem-estar.

Que tal começar hoje? Incentive, apoie e faça parte dessa mudança. A juventude precisa de movimento, e o primeiro passo pode começar com você. Vamos juntos construir uma geração mais saudável, ativa e equilibrada.

 

Relator:
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo
 

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Combate ao sedentarismo: um alerta para a saúde de crianças e adolescentes https://spsp.org.br/combate-ao-sedentarismo-um-alerta-para-a-saude-de-criancas-e-adolescentes/ Mon, 10 Mar 2025 18:03:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50492 No dia 10 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um momento importante para refletirmos ]]>

No dia 10 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um momento importante para refletirmos sobre o impacto da falta de movimento na vida das crianças e adolescentes. Com o avanço da tecnologia e a rotina cada vez mais conectada, a infância ativa está sendo substituída por longos períodos diante das telas. Brincadeiras ao ar livre, que antes faziam parte do dia a dia, estão dando lugar a horas seguidas no celular, no videogame ou no computador. Mas o que parece inofensivo pode ter consequências sérias para a saúde.

O sedentarismo não se resume apenas à falta de exercício: ele é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares. Além disso, a ausência de atividade física compromete a saúde mental, contribuindo para quadros de ansiedade, estresse e depressão. O impacto também é notado na escola, já que crianças que se movimentam pouco podem apresentar dificuldades de concentração, pior rendimento acadêmico e maior propensão à fadiga.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças e adolescentes pratiquem pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a intensa. No entanto, estudos apontam que grande parte deles não atinge essa meta. O aumento do tempo de tela, a falta de espaços seguros para brincar e até a rotina acelerada das famílias são alguns dos fatores que levam ao sedentarismo infantil. O problema é sério, mas há uma boa notícia: reverter esse quadro é mais fácil do que parece!

Estimular o movimento desde cedo traz benefícios para a vida toda. Crianças ativas fortalecem músculos e ossos, desenvolvem melhor a coordenação motora e crescem com hábitos mais saudáveis. Além disso, o exercício físico libera hormônios do bem-estar, como a endorfina e a serotonina, ajudando a combater o estresse e promovendo mais alegria e disposição. Outro ponto essencial é a socialização: esportes coletivos e brincadeiras ao ar livre ensinam valores como disciplina, cooperação e respeito, fundamentais para a formação emocional dos pequenos.

Mas como incentivar as crianças e adolescentes a se movimentarem mais? Pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença. Atividades simples, como pular corda, brincar de pega-pega, andar de bicicleta e brincar de esconde-esconde são formas eficazes e naturais de combater o sedentarismo. Praticar esportes também é uma excelente alternativa, e há opções para todos os gostos, desde futebol, basquete e vôlei até natação e artes marciais. O importante é encontrar algo que a criança goste, para que o movimento se torne um hábito prazeroso e não uma obrigação.

O exemplo dos pais e responsáveis é fundamental. Crianças que veem seus familiares se exercitando têm maior tendência a seguir o mesmo caminho. Se a família caminha junta, passeia de bicicleta ou aproveita parques e praças nos momentos de lazer, as chances de a criança crescer ativa aumentam consideravelmente. Além disso, é essencial estabelecer limites para o tempo de tela. Definir horários para o uso de dispositivos eletrônicos e incentivar atividades físicas no tempo livre são atitudes que ajudam a equilibrar a rotina.

O Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo é um convite para refletirmos sobre os hábitos das novas gerações. Crianças precisam correr, brincar, gastar energia e explorar o mundo além das telas. Estimular a prática de atividades físicas não é apenas um conselho médico, mas uma necessidade real para garantir um futuro mais saudável e equilibrado. Pequenos gestos podem transformar a qualidade de vida dos jovens e prepará-los para a vida adulta com mais disposição e bem-estar. Afinal, o movimento não é só importante para o corpo – ele também faz bem para a mente e para o coração.

 

Relator:
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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Importância do meio ambiente e seu benefício para a prática de atividade física na infância https://spsp.org.br/importancia-do-meio-ambiente-e-seu-beneficio-para-a-pratica-de-atividade-fisica-na-infancia/ Mon, 05 Jun 2023 19:43:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37729 O pediatra deve orientar pais, responsáveis, adolescentes e até as crianças, se possível, quanto à preven]]>

Introdução

Hoje, 5 de junho, é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Os benefícios “do brincar” e das atividades de lazer ao ar livre na população pediátrica não são novidades e, apesar do bom senso e da prática clínica reconhecerem sua importância, vivemos em uma sociedade predominantemente urbana, onde as crianças têm cada vez menos possibilidades de usufruir desse privilégio.

A dinâmica familiar, o uso de eletrônicos, o planejamento urbano, a dificuldade de mobilização nas grandes cidades, bem como a dificuldade de acessibilidade a locais de conservação da natureza em ambientes densamente populosos são fatores responsáveis pelo maior tempo das crianças despendido dentro de casa. Os resultados desse confinamento vão desde obesidade, e síndrome metabólica, problemas cardiovasculares, a um aumento significativo da depressão e ansiedade infantil, transtornos de hiperatividade e atenção, transtornos do sono, piora da qualidade de vida, da saúde óssea, da psicomotricidade e aumento das doenças alergoimunomediadas.

 

A importância do cuidado com o meio ambiente

A cidade de São Paulo dispõe de 2,6 m2 de área verde por habitante, com grande variação entre as regiões, sendo que a Organização das Nações Unidas recomenda que haja 12 m2 de área verde por habitante. Pouco espaço associado ao abandono no cuidado e zelo com as praças públicas e parques, que frequentemente são utilizados para fins ilícitos, como tráfico de drogas ou refúgio para pessoas desabrigadas, dificultam o aproveitamento desses espaços abertos.

É recomendado que pelo menos uma hora do tempo livre da criança ocorra ao “ar livre”. Passeios na rua ou o pátio do prédio são opções plausíveis para os dias úteis de escola e trabalho.

É por meio das experiências que a criança vivencia que ela aprenderá a cuidar da natureza. A partir do momento que os pais, cuidadores e as escolas proporcionam experiências como plantar, colher, preparar o alimento, a criança se torna mais propensa a experimentar vegetais, hortaliças e frutas, bem como a ter uma maior conscientização ambiental.

 

Os benefícios do meio ambiente e os riscos de sua ausência para a saúde da criança

Exposição ao sol e saúde óssea

Ambientes ao ar livre, em meio à natureza, permitem a exposição ao sol, necessária para a síntese de vitamina D com ação importante na densidade mineral óssea. (A exposição ao sol deve ser orientada com os devidos cuidados pelo pediatra)

Sono

A maior exposição à natureza e a espaços verdes está associada a um menor risco de sono insuficiente. Além disso, é importante reiterar que a exposição às telas altera a liberação de melatonina, atrapalhando o sono adequado e seu uso deve ser desencorajado nos menores de dois anos e, para os mais velhos, desestimular seu uso após as 20:30 horas.

Psicomotricidade

O contato com a natureza ajuda a fomentar a criatividade, a iniciativa, a autoconfiança e o desenvolvimento da coordenação psicomotora. Brincar ao ar livre oferece a oportunidade de melhorar as habilidades de integração sensorial auxiliando os domínios motor, cognitivo, social e linguístico.

Depressão/ansiedade

Ao frequentar o ambiente ao ar livre, a criança tem a oportunidade de ter contato social, com potencial efeito positivo no humor e níveis de estresse, além de poder realizar atividade física, liberando hormônios que dão a sensação de prazer.

Resiliência e redução do estresse

Ambientes naturais permitem experiências corporais lúdicas, como correr e cair, desenvolvendo a habilidade de controlar emoções, resiliência e enfrentamento. As crianças que se envolvem em brincadeiras ativas ao ar livre demonstram mais resiliência, autorregulação e desenvolvem habilidades para lidar com o estresse mais tarde na vida.

Transtorno de déficit de atenção

A superestimulação do cérebro em desenvolvimento nos primeiros anos de vida leva a períodos de atenção mais curtos mais tarde, aumentando o risco de déficits de atenção na idade escolar, ao passo que a estimulação cognitiva durante esse mesmo período em termos de leitura, canto e brincadeiras com crianças diminui o risco de déficits de atenção.

Pandemia de obesidade

O emparedamento e o confinamento contribuem para o aumento da incidência e prevalência da obesidade, pela redução da prática de atividade física e consequente redução do gasto metabólico basal, bem como o aumento de consumo de alimentos, em sua maioria industrializados e multiprocessados.

 

Papel do pediatra na orientação dos benefícios da atividade ao ar livre

O pediatra deve orientar pais, responsáveis, adolescentes e até as crianças, se possível, quanto à prevenção de acidentes e perigo de lesões comuns na infância, como acidentes de trânsito, afogamento, traumas e fraturas, picadas de insetos e animais peçonhento, entre outros. Deve alertar sobre danos potenciais da Internet (por exemplo, violência, cyberbullying, pornografia), assim como os riscos da alimentação incidental desnecessária, motivada por anúncios ou pela ansiedade de permanecer em frente às telas por longos períodos.

O aconselhamento sobre a importância do brincar, bem como os benefícios que o contato com a natureza traz para as crianças e adolescentes devem ser ressaltados.

Após anamnese e exame físico, reiterar os benefícios da atividade física e do sono no desenvolvimento infantil e sua importância para a liberação do hormônio de crescimento, bem como na regulação dos hormônios do estresse e do ciclo sono-vigília. Além disso, relembrar o quão fundamental são as relações interpessoais das crianças com seus pares e a exposição ao sol para a saúde óssea ajudam as famílias a entenderem o real benefício disso para o crescimento e desenvolvimento de seus filhos.

 

Saiba mais:

  1. MCCORMACK, G. R. et al. A scoping review on the relations between urban form and health: a focus on Canadian quantitative evidence. Health Promot Chronic Dis Prev Can, 39, n. 5, p. 187-200, May 2019. ISSN 2368-738x.
  2. TREMBLAY, M. S. et al. Position Statement on Active Outdoor Play. Int J Environ Res Public Health, 12, n. 6, p. 6475-505, Jun 8 2015. ISSN 1661-7827 (Print) 1719-8429. 

 

Relatora

Júnia Ellen Simioni Leite
Médica Pediatra
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Atividade física na infância e adolescência https://spsp.org.br/atividade-fisica-na-infancia-e-adolescencia/ Thu, 06 Apr 2023 15:08:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36892 A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta o desenvolvimento sustentável até 2030, e entre seus objetivos (ODS 3) está o de saúde e bem]]>

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta o desenvolvimento sustentável até 2030, e entre seus objetivos (ODS 3) está o de saúde e bem-estar.

Promover a atividade física e reduzir o comportamento sedentário pode ajudar a alcançar estes objetivos. Quatro a cinco milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas se a população global fosse mais ativa fisicamente. Estimativas globais indicam que 1 em cada 4 adultos e 3 em cada 4 adolescentes (11 a 17 anos), mais precisamente 27% de adultos e 81% de 11 a 17 anos, não atendem às recomendações de atividades físicas definidas pela OMS.

Diante deste cenário, a OMS lançou o “Let’s be active” (Vamos ser ativos), um plano global para estimular a atividade física. De maneira geral, a meta é reduzir a prevalência do sedentarismo entre adolescentes e adultos em 10% até 2025 e em 15% até 2030.

Sabemos que a prática regular de atividade física contribui para a prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, tais como doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, diabetes, alguns tipos de câncer, bem como ajuda a prevenir a hipertensão, o sobrepeso e a obesidade e contribui para a saúde mental, melhoria da qualidade de vida e bem-estar.

Em crianças e adolescentes, a atividade física proporciona benefícios como melhora da aptidão física, saúde cardiometabólica, saúde óssea, cognitiva, contribuindo para melhor desempenho acadêmico e função executiva, saúde mental com a redução dos sintomas de depressão e redução de obesidade.

Segundo a OMS, crianças acima de cinco anos e adolescentes devem fazer pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a rigorosa intensidade, dentre elas atividades aeróbicas e aquelas que fortalecem os músculos e ossos.

 

Diminuir o comportamento sedentário

Devemos estimular a criança à atividade física desde o nascimento.

Os primeiros 1.000 dias de vida, considerados os primeiros 3 anos de vida da criança, são cruciais para o crescimento e desenvolvimento, uma “janela de oportunidades” na qual os hábitos e as atividades irão influenciar o futuro da criança.

O brincar em movimento é fundamental para o amadurecimento saudável. Brincar é se movimentar e é tão necessário quanto o sono e a alimentação. Brincando, a criança põe o seu corpo em movimento, utiliza recursos motores e cognitivos, desenvolve coordenação, tonicidade muscular, equilíbrio, noção de espaço e tem consciência de suas possibilidades.

Temos o conceito de “Alfabetização Física” (“Physical Literacy”) definido como a habilidade, confiança e o desejo de ser fisicamente ativo por toda a vida. Inclui competência e habilidade de movimento fundamental, como pegar, pular, correr, chutar, aprimorar a agilidade, equilíbrio e coordenação.

É necessário que a criança se movimente de acordo com sua capacidade motora e cognitiva sob supervisão do adulto e sempre em ambiente seguro.

A competência e a confiança nas habilidades motoras são um forte protetor para a manutenção de níveis de atividade física na infância, adolescência e na vida adulta.

Em suma, nos primeiros anos de vida devem ser introduzidas atividades lúdicas; os bebês devem ser estimulados a se movimentar em curtos períodos de tempo várias vezes ao dia. Crianças com mais de dois anos e que já conseguem andar, devem ser estimuladas a fazer atividades fracionadas (brincadeiras) durante 180 minutos por dia, como ficar em pé, andar, saltar, correr, à medida que forem adquirindo coordenação e habilidade para tal função.

Crianças maiores, de 3 a 5 anos de idade, devem também ter pelo menos 180 minutos fracionados durante o dia. Os adultos devem oferecer oportunidades para brincadeiras livres e atividades não estruturadas, com uma variedade de movimentos e em ambientes variados, com atividades ao ar livre e contato com a natureza, em ambiente seguro.

Crianças acima de 5 anos, como recomenda a OMS, devem acumular 60 minutos de atividades diárias de moderada a rigorosa intensidade, incluindo um programa de fortalecimento muscular e flexibilidade três vezes por semana, intercalando com as atividades aeróbicas. As atividades já podem ser mais estruturadas.

Fundamental é evitar o comportamento sedentário!

Até 2 anos, o tempo de tela deve ser zero.

De 3 a 5 anos de idade, o tempo de tela deve ser de até 2 horas por dia. Acima de 6 anos esse tempo pode ser de até 2 horas por dia além das horas necessárias para trabalhos escolares.

Muito importante incluir uma avaliação médica pré-participação esportiva, como avaliação cardiológica, puberal, nutricional. Avaliação da composição corporal e características anatômicas e mecânicas que possam facilitar a ocorrência de lesões. Identificar doenças preexistentes e⁄ou deficiências.

Uma atenção especial deve ser dada à hidratação durante os exercícios.

Cuidados também envolvem a prática de exercícios de alta intensidade. Evitar a especialização precoce. Respeitar a individualidade de cada jovem. Os exercícios mais elaborados devem ser supervisionados e prescritos por profissionais capacitados e especializados em crianças e adolescentes.

As crianças e os adolescentes precisam principalmente ser expostos a atividades prazerosas. O mundo tecnológico é imediatista e atraente, mas também tem sua importância; contudo, brincar, exercitar-se e interagir com outras pessoas no mundo físico é fundamental (e os adultos precisam participar).

Estamos diante da geração que viverá 100 anos. Devemos, portanto, incentivar e orientar de forma adequada hábitos saudáveis, priorizando a atividade física e o exercício, para que essa geração cresça e entre na maturidade com qualidade de vida e em movimento por 100 anos ou mais.

Viva o Dia Mundial da Atividade Física!

 

Relatora:
Denise Derani Gomes
Secretária do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Benefícios da atividade física na infância https://spsp.org.br/beneficios-da-atividade-fisica-na-infancia/ Mon, 27 Feb 2023 20:12:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36307 O exercício tem um importante papel no bem estar físico e mental de adultos e crianças. Nestas, auxiliam no desenvolvimento físico e psicológi]]>

O exercício tem um importante papel no bem estar físico e mental de adultos e crianças. Nestas, auxiliam no desenvolvimento físico e psicológico, respeitando-se as particularidades que as diferenciam do adulto. Não devemos aplicar nas crianças a mesma cobrança de resultados que em um indivíduo adulto, com o risco de, entre outros problemas, causar desestímulo.

Vale ressaltar os inúmeros benefícios da atividade física na infância: promoção de saúde e bem-estar, redução da gordura corporal, aumento da autoestima, autoconfiança, senso de responsabilidade e de grupo, diminuição do estresse e ansiedade, diminuição da delinquência e do uso de álcool e drogas. Além disso, a atividade física melhora as habilidades motoras, melhora a expressão pessoal, leva a criança a um maior desenvolvimento espaço-temporal e ocasiona melhoria na adaptação social.

Um estilo de vida ativo depende de muitos fatores, entre eles: a cultura, a conscientização, os valores, as crenças, o conhecimento, o ambiente, as atitudes, as habilidades, a vida social e a influência dos amigos e da família.

A quantidade de exercício necessária para uma capacidade funcional adequada e promoção da saúde nas várias idades não é precisamente definida. As atuais recomendações preconizam que crianças realizem entre 20 a 30 minutos de atividade física ao dia.

Deve-se estimular a atividade física nas crianças de uma forma individualizada: a prescrição de atividade física tem como objetivo principal criar o hábito e o interesse pela atividade de forma lúdica, com integração e sem discriminação, não visando desempenho competitivo. A atividade física de forma agradável e prazerosa deve ser incluída no cotidiano, para toda a vida.

Oferecer alternativas para a prática desportiva é igualmente importante, contemplando interesses individuais e o desenvolvimento de diferentes habilidades motoras, contribuindo para o despertar de talentos.

A seguir, algumas dicas que podem ajudar no incentivo da prática de esporte nas crianças.

  • Comece o quanto antes: quanto mais cedo a criança se envolver em atividades esportivas, maior a probabilidade de criar afetividade ao esporte, mantendo um estilo de vida ativo na idade adulta.
  • Foque no divertimento: enfatize a importância da diversão e do jogo e não na competição em si. As crianças ficarão mais motivadas. A cobrança de resultados deve ser feita quando existir desenvolvimento emocional para isso.
  • Diversifique os esportes: permita que a criança experimente diferentes modalidades e escolha aquela que mais goste. Não force uma modalidade específica.
  • Sempre ofereça suporte: esteja presente dando apoio emocional durante a prática esportiva, independentemente do desempenho da criança. Seja sempre positivo e incentive a participação em equipe e a amizade.
  • Mantenha o equilíbrio: Intercale a prática desportiva com outras atividades, como leitura, artes, trabalhos manuais, assim incentiva-se o desenvolvimento geral da criança.
  • Pratique atividades juntos: incentive caminhadas, passeios de bicicleta ou mesmo a prática desportiva em conjunto com seu filho; essa é uma ótima maneira de incentivá-lo.
  • Atenção com a segurança: certifique-se do uso de equipamentos de proteção adequados ao esporte em questão, assim como um ambiente seguro e supervisionado.
  • Atenção aos sinais de sobrecarga: a dor é sempre o primeiro sinal de uma possível sobrecarga. Muitas vezes a criança não expressa verbalmente, mas devemos notar sinais como mancar ou diminuição do desempenho. Nesta situação, procure um profissional de saúde.
  • Comemore os resultados: celebre as pequenas vitórias e os progressos da criança, independentemente do resultado.

Vale lembrar que o exemplo deve ser dado em casa: foi observado que filhos de pais sedentários têm mais chances de se tornarem adultos sedentários. A criação de hábitos saudáveis os perpetuará por toda a vida.

 

Relator:
Miguel Akkari
Presidente do Departamento Científico de Ortopedia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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