Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 22 Oct 2025 18:42:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Sífilis na gestante e sífilis congênita: a urgência da prevenção materno-fetal https://spsp.org.br/sifilis-na-gestante-e-sifilis-congenita-a-urgencia-da-prevencao-materno-fetal/ Sat, 18 Oct 2025 12:04:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53680 A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora seja uma doença com tratamento]]>

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora seja uma doença com tratamento simples e eficaz (geralmente com penicilina), sua presença durante a gestação representa um grave risco para a saúde do bebê, podendo levar à sífilis congênita.

 Sífilis na gestante: um risco silencioso

Quando a sífilis afeta a gestante, a bactéria pode atravessar a placenta em qualquer fase da gravidez e infectar o feto. Muitas vezes, a sífilis materna pode ser assintomática ou apresentar sintomas leves (como feridas ou manchas na pele, que desaparecem sozinhas), levando a gestante a desconhecer a infecção. Isso torna o rastreamento pré-natal uma etapa crucial.

As consequências da sífilis não tratada na gestação são sérias e incluem:

  • Abortamento espontâneo ou natimorto (morte fetal).
  • Parto prematuro.
  • Hidropsia fetal (acúmulo de líquido em vários órgãos do feto).

 

Sífilis congênita: as consequências para o bebê

A sífilis congênita ocorre quando o bebê é infectado pela mãe durante a gestação. A doença pode se manifestar de diversas formas e em diferentes momentos após o nascimento.

Em alguns casos, o bebê pode nascer sem sinais visíveis da doença. No entanto, sem tratamento adequado, a sífilis congênita pode causar lesões graves e irreversíveis, como:

  • Problemas ósseos e articulares.
  • Anemia e icterícia (pele e olhos amarelados).
  • Neurossífilis (infecção do sistema nervoso central), podendo causar meningite.
  • Alterações dentárias e oftalmológicas (visão).
  • Surdez ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, manifestando-se anos após o nascimento.

 

A importância crítica da prevenção materno-fetal

A transmissão da sífilis da mãe para o bebê é totalmente evitável. A prevenção reside em três pilares fundamentais: diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento do parceiro.

  1. Diagnóstico oportuno e universal:
    • Toda gestante deve ser testada para sífilis já na primeira consulta do pré-natal.
    • O teste deve ser repetido no segundo e no terceiro trimestres da gestação e, novamente, no momento do parto. O teste rápido, de resultado imediato, é uma ferramenta essencial para o diagnóstico rápido em qualquer nível de atenção à saúde.
  2. Tratamento imediato e adequado:
    • Uma vez diagnosticada, a gestante deve ser tratada imediatamente com o esquema correto de penicilina benzatina, a única medicação que garante a cura materna e a prevenção da infecção fetal.
    • É imprescindível que o parceiro sexual também seja testado e tratado simultaneamente para evitar a reinfecção da gestante.
  3. Acompanhamento pós-tratamento:
    • A gestante e o parceiro devem ser acompanhados com exames de controle para monitorar a resposta ao tratamento e garantir a cura.
    • A efetividade do tratamento materno é o fator-chave para que o bebê nasça sem sífilis congênita.

Neste Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro, é importante enfatizar que a luta contra a sífilis congênita passa necessariamente pela qualidade da assistência pré-natal. Garantir que todas as gestantes sejam testadas, tratadas de forma completa e imediata, juntamente com o tratamento de seus parceiros, é a estratégia mais eficaz para que os bebês nasçam saudáveis e livres das consequências devastadoras dessa doença.

 

Relatora:

Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Coordenadora do Grupo de Trabalho da Prevenção e Tratamento da Sífilis Congênita da SPSP
Membro do Departamento Científico de Neonatologia da SPSP

]]>
Sífilis congênita: um desafio à saúde pública https://spsp.org.br/sifilis-congenita-um-desafio-a-saude-publica/ Sat, 19 Oct 2024 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48529 A sífilis congênita é uma infecção transmitida da mãe para o bebê durante a gestação, causada pela bactéria Treponema pallidum. Essa transmissão pode ocorrer ]]>

A sífilis congênita é uma infecção transmitida da mãe para o bebê durante a gestação, causada pela bactéria Treponema pallidum. Essa transmissão pode ocorrer em qualquer período da gravidez e se não tratada de forma correta pode levar a sérias complicações, incluindo aborto, morte fetal, nascimento prematuro, baixo peso ao nascer e problemas de saúde em longo prazo, como surdez, alterações visuais e atraso no desenvolvimento.

A sífilis congênita é considerada um grave problema de saúde pública por todas essas complicações que ela pode ocasionar à criança, e por ser uma doença evitável, mas que infelizmente vem num aumento crescente do número de casos no nosso país.

Esse fato alerta para a necessidade de estratégias contínuas de prevenção, e neste sentido, desde 2016, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), em parceria com o Programa Estadual de IST/Aids de São Paulo, promove a Campanha do “Outubro Verde – Mês do Combate à Sífilis Congênita”.

Em 2017, foi sancionada a Lei nº 13.430, de 31 de março, instituindo o “Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita”, comemorado no terceiro sábado do mês de outubro. Essas iniciativas têm por objetivo alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento da sífilis na gestante, pois essa é a melhor forma de prevenir que a doença seja transmitida ao recém-nascido.

Um dos principais desafios no combate à sífilis congênita é a falta de acesso a serviços de saúde adequados. Muitas gestantes não realizam o pré-natal, ou não fazem os testes necessários para detectar a sífilis, ou quando fazem o teste, acabam demorando para receber o resultado e consequentemente atrasando o tratamento. O diagnóstico precoce da sífilis na gestante é crucial, pois quando a infecção é identificada e tratada no início da gestação, o risco de transmissão ao bebê é drasticamente reduzido.

Por isso a testagem para sífilis deve ser realizada no início do pré-natal, no meio da gestação e no momento do parto. O tratamento da gestante é realizado com a administração de penicilina, que é altamente eficaz e pode evitar a transmissão da infecção ao feto. Entretanto, é importante a gestante saber que se ela tratar, mas não houver o tratamento das suas parcerias sexuais, ela pode se reinfectar e transmitir a doença para o bebê. É vital que as mulheres em idade fértil e as gestantes sejam informadas sobre a importância do pré-natal, dos exames de sífilis e do tratamento correto da doença para protegerem seus filhos.

Também é necessário que o bebê da mãe que apresentou sífilis na gestação seja testado ao nascer, para ver se ele tem a doença ou não, pois muitas vezes a doença é traiçoeira e o bebê pode nascer inicialmente sem sinais ou sintomas e vir a desenvolver a doença e suas complicações mais tardiamente.

O tratamento do bebê também é feito com penicilina; o tipo da penicilina a ser utilizada vai depender da clínica do bebê e dos resultados dos exames realizados, que podem incluir hemograma, raio X de ossos longos, exame do liquor, entre outros.

Após a alta da maternidade, todos os bebês de mães que tiveram sífilis na gravidez, independente de terem recebido ou não o tratamento, precisam de seguimento pediátrico, para as mães acompanharem o desenvolvimento da criança, repetirem a testagem para sífilis para ter certeza de que estão protegidos da doença e para fazerem outros exames sempre que necessário, incluindo a avaliação da visão e da audição.

A eliminação da sífilis congênita é um desafio porque requer um trabalho conjunto, que vai desde a conscientização das mulheres em idade fértil e gestantes, das suas parcerias sexuais, da realização de um pré-natal de fato adequado, da qualificação constante de profissionais de saúde, da participação ativa da rede de atenção básica no seguimento da gestante e da criança, da atuação das sociedades de classe, da participação de gestores no sentido de priorizarem políticas públicas e linhas de cuidado. Somente desta forma, integrada e consciente, é que conseguiremos modificar o cenário da sífilis congênita no nosso país.

 

Relatoras:

Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Maria Regina Bentlin
Grupo de Trabalho da Prevenção e Tratamento da Sífilis Congênita da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Campanha Outubro Verde: para eliminação da sífilis congênita https://spsp.org.br/campanha-outubro-verde-para-eliminacao-da-sifilis-congenita/ Fri, 29 Oct 2021 16:00:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30292 A sífilis congênita é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. O bebê se infecta pela bactéria ainda na vida intrauterina, quando a mãe com sífilis não é diagnosticada.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 29/10/2021


Um grande problema de saúde pública que deve ser enfrentado!

O que é sífilis congênita?

A sífilis congênita é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. O bebê se infecta pela bactéria ainda na vida intrauterina, quando a mãe com sífilis não é diagnosticada ou não é tratada adequadamente.

Como ocorre a transmissão da sífilis congênita?

A transmissão ocorre pela passagem do Treponema pallidum da mãe para o feto, através da placenta. A taxa de transmissão, no caso da gestante não tratada, pode variar de 10-70%, dependendo da fase da doença que a gestante está. Quanto menor o tempo que ela adquiriu a bactéria, maior será a taxa de transmissão.

Como prevenir a sífilis congênita?

A prevenção pode ser feita com o tratamento adequado da gestante. O difícil é saber se a mãe tem ou não sífilis. Muitas gestantes não sabem que estão com a doença, pois, na maioria das vezes, não apresentam nenhum sinal ou sintoma. Portanto, todas as gestantes devem coletar exame de sangue para sífilis, durante o pré-natal no 1º trimestre e, se possível, no 2º e 3º trimestres de gestação.

Se confirmar a sífilis na gestante, seu tratamento e do parceiro devem ser iniciados o mais rápido possível, com injeção de penicilina. O antibiótico deve ser aplicado no serviço de saúde onde ela faz o pré-natal. Depois, a gestante deverá repetir mensalmente o exame, para avaliar se está curada.

Quando a mãe é tratada adequadamente durante a gestação, especialmente quando iniciou a medicação antes do último mês de gravidez, está prevenindo ou diminuindo o risco do seu filho nascer com sífilis congênita.

Quais os sinais e sintomas do bebê com sífilis congênita?

Os sinais mais frequentes ao nascimento são:

  • Prematuridade
  • Baixo peso
  • Manchas brancas e vermelhas com descamação da pele
  • Descamação das palmas das mãos e plantas dos pés
  • Aumento do fígado e do baço
  • Icterícia
  • Inchaço
  • Rinite mucosanguinolenta
  • Anemia
  • Petéquias (diminuição de plaquetas)
  • Problemas respiratórios, podendo haver pneumonia

Geralmente, essas alterações desaparecem após o tratamento adequado. No entanto, alguns bebês podem apresentar quadros mais graves, com risco de morrer.

É importante salientar que mais de 50% dos bebês irão nascer assintomáticos, evoluindo silenciosamente, com o aparecimento de lesões tardias, muitas vezes irreversíveis mesmo com o tratamento adequado. Estas alterações podem aparecer por volta dos dois anos de idade, afetando o sistema nervoso e se manifestando com retardo mental, convulsões, alterações ósseas, dos dentes superiores, da visão e da audição.

Como saber se o bebê tem sífilis congênita?

Quando o bebê nasce com os sinais descritos acima, deve-se suspeitar de sífilis congênita. Para confirmar o diagnóstico, será necessário coletar exames laboratoriais tanto da mãe, quanto do recém-nascido. O problema é que muitos bebês podem nascer sem sintomas. Nesses casos, o diagnóstico só poderá ser feito através da coleta de exame de sangue do binômio mãe-bebê. Para tentar detectar todos os recém-nascidos com sífilis congênita, na maternidade deve ser coletado exame de sangue para sífilis da mãe e do bebê, cujo resultado deve sair antes da alta hospitalar.

Como tratar o bebê com sífilis congênita?

O tratamento do bebê varia de acordo com o risco de infecção e do comprometimento do sistema nervoso. Será feito com penicilina aplicada na veia ou no músculo, geralmente por 10 dias. O bebê será acompanhado, após a alta hospitalar, com retornos mensais com o pediatra. Serão realizados exames de sangue seriados e avalição do sistema nervoso, da visão e da audição, até os dois anos de idade, para confirmar o tratamento e garantir que não evolua com lesões permanentes.

Para enfrentarmos esse grande desafio, que é a eliminação da sífilis congênita, são necessários a conscientização e o envolvimento dos profissionais da saúde, das gestantes e seus familiares. A gestante deve realizar todos os exames solicitados desde o 1º trimestre e, caso tenha sífilis, fazer o tratamento correto. Essa medida poderá prevenir a doença no seu filho.

Venha fazer parte dessa campanha – Outubro verde!

Relatora:
Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Coordenadora da Campanha Outubro Verde: combate à sífilis congênita – Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: andrew lozovyi | depositphotos.com

]]>
Sífilis congênita: o problema não termina na maternidade https://spsp.org.br/sifilis-congenita-o-problema-nao-termina-na-maternidade/ Mon, 19 Oct 2020 13:13:20 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3455 Campanha Outubro Verde – combate à sífilis congênita

O problema da sífilis congênita não termina depois que o recém-nascido recebe alta da maternidade. Uma vez exposto a essa doença, tratada ou não na maternidade, o bebê precisa da avaliação pediátrica para garantir sua cura.
A sífilis é uma doença muitas vezes silenciosa, tanto para a mãe quanto para o bebê, pois eles podem já estar com a doença, mas ainda não apresentarem sinais dela. Assim, fica difícil saber, só pela clínica, se o bebê está bem e se está curado ou não. É nesse sentido que o acompanhamento com pediatra se torna tão importante, principalmente nos primeiros dois anos de vida.

privilege | depositphotos.com

A sífilis pode afetar a visão e a audição, passando por quadros leves ou até levar à cegueira e surdez. O bebê também pode ter atraso no seu desenvolvimento, como dificuldade para sentar, andar e falar. O pediatra é o profissional adequado para avaliar se o bebê tem algum desses acometimentos e se precisa de algum exame mais específico.
Se a sífilis acometeu o cérebro, mesmo ela tendo sido tratada na  maternidade e mesmo sem nenhuma alteração clínica,  um outro exame do líquido da espinha (o líquor) precisará ser coletado até o sexto mês de vida, para saber se de fato ele está curado. Nas consultas, o pediatra ainda deverá solicitar várias vezes o exame que foi feito na maternidade, o chamado VDRL, até que ele seja negativo. Somente após 2 coletas com resultados negativos na sequência podem garantir a cura da doença. Se algum desses exames estiver alterado, a criança deverá ser tratada novamente, para garantir que tenha um bom desenvolvimento.
Muitas crianças com quadro de sífilis ao nascimento não têm um acompanhamento adequado. Muitas dessas alterações aparecem apenas após o nascimento e a alta da maternidade e, sem o tratamento inicial e o seguimento, se perdem as chances de que essas crianças tenham uma vida normal e saudável.
O pai também deve ser lembrado que existe pré-natal para homens e é importante a sua participação, para realizar exames de sífilis e de outras doenças. Após o nascimento do bebê, a mãe com sífilis durante a gestação precisa continuar o  acompanhamento médico, com exames de VDRL, até receber alta por cura da doença. Assim, será possível quebrar a cadeia de transmissão da sífilis e evitar que bebês nasçam com sífilis congênita.  
Ter conhecimento que a sífilis é doença silenciosa, grave e que pode deixar sequelas por uma vida toda, que tem tratamento disponivel, mas que precisa ser vigiado e acompanhado  nos primeiros dois anos de vida, é a chave  de uma vida saudável para nossas crianças.

___
Relatores:
Dra. Carmen Silvia Bruniera Domingues
Dra. Lilian Sadeck
Dra. Maria Regina Bentlin
Departamento Científico de Neonatologia e Grupo de Trabalho da Sífilis Congênita da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Sífilis congênita: ainda um grande problema de saúde pública https://spsp.org.br/sifilis-congenita-ainda-um-grande-problema-de-saude-publica/ Tue, 06 Oct 2020 11:00:46 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3422 Campanha Outubro Verde – combate à sífilis congênita

A sífilis congênita ainda é um grande problema. É uma doença causada pela passagem do Treponema pallidum da gestante infectada, não tratada ou inadequadamente tratada, para o feto, através da placenta. Portanto, o bebê só irá se infectar se a mãe estiver com sífilis durante a gestação e não se tratar adequadamente durante o pré-natal. Na maioria das vezes a gestante com sífilis não apresenta nenhum sintoma e só vai saber que tem se fizer um exame de sangue. A detecção da gestante com sífilis durante o pré-natal permite tratá-la adequadamente, evitando a passagem para o feto. Tratando a gestante prevenimos a sífilis congênita no bebê!

Existem vários fatores associados que aumentam o risco da gestante se infectar e desenvolver sífilis, entre eles: não fazer pré-natal ou fazê-lo de forma inadequada, quando a gestante é adolescente, quando utiliza drogas ilícitas, ou tem múltiplos parceiros sexuais e baixo nível socioeconômico e cultural.

bartoshd | depositphotos.com

A transmissão materno-fetal pode ocorrer em qualquer fase da gestação ou estágio clínico da doença materna sendo que, aprobabilidade de sua ocorrência vai variar, principalmente, com o tempo de exposição do feto e doestágio clínico da doença materna.Assim, quanto mais recente a infecção materna não tratada, tanto maior o risco, variando as taxas de 60% a 100% na sífilis primária ou secundária, reduzindo para cerca de 30%, nas fases de latência (precoce ou tardia). 

A gestante deve saber como prevenir a sífilis congênita e tornar-se parceira dos profissionais de saúde, com o objetivo de evitar ou minimizar o risco do seu bebê adquirir a doença. As ações de responsabilidade da gestante são apresentadas no quadro abaixo.

                                                                                                  

É importante reforçar que a única forma de reduzir o risco de passar a sífilis para o bebê é iniciar o tratamento da mãe o mais cedo possível, assim que confirmado pelo exame de sangue. A grávida deve fazer todas as consultas de pré-natal, nas quais serão feitos esses exames de sangue para sífilis e outros com o objetivo de identificar possíveis infecções maternas que, se não tratadas durante a gestação, podem afetar o bebê. O pré-natal iniciado precocemente e de qualidade previne não só a sífilis congênita como vários outros problemas da mãe ou do feto, sem dúvida melhorando a vida da mãe e do seu bebê.

___
Relator:
Dra. Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Departamento Científico de Neonatologia e Grupo de Trabalho da Sífilis Congênita da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Campanha Outubro Verde – Mês do Combate à Sífilis Congênita https://spsp.org.br/campanha-outubro-verde-mes-do-combate-a-sifilis-congenita/ Mon, 30 Sep 2019 19:03:45 +0000 http://www.spsp.org.br/?p=12879 SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo Texto divulgado em 30/09/2019 A Campanha Outubro Verde – Mês do Combate à Sífilis Congênita, promovida pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), foi lançada em 2016 com o objetivo de trazer para discussão a situação da sífilis congênita, que representa um enorme desafio aos médicos pediatras, devido ao aumento progressivo das taxas de transmissão vertical. Desde então, a campanha visa chamar a atenção da população para a importância do diagnóstico e do tratamento da sífilis congênita na gestante, pois é a melhor forma de prevenir ou tratar a doença. Para a neonatologista Lilian dos Santos R. Sadeck, coordenadora do Grupo de Prevenção e Tratamento da Sífilis Congênita da SPSP e da Campanha Outubro Verde, a escolha desse tema para uma das campanhas da SPSP se deve ao fato de que a doença ainda é muito prevalente em nosso meio, apesar dos vários esforços conjuntos de obstetras, pediatras e equipe de enfermagem, que atuam na atenção primária, secundária e terciária. “É necessário ter um momento para rever as estatísticas, quais os pontos que não avançaram e propor novas estratégias”, avalia a médica. Para Lilian, o maior desafio dos pediatras em relação à situação da sífilis congênita é detectar a doença ainda na gestante e tratá-la adequadamente. “Se for diagnosticada no pré-natal, conseguimos evitar a transmissão da sífilis para o feto. Por isso, também, temos uma interface com a obstetrícia, por meio de uma parceria com a SOGESP (Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), e com a Coordenação Estadual de DST-Aids”, esclarece.   Números preocupantes Devido à alta prevalência da doença, o Ministério da Saúde (MS) lançou, em 1993, um projeto de eliminação da sífilis congênita em consonância com a proposta formulada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS), que definia como meta a redução na incidência da doença a valores menores ou iguais a um caso por mil nascidos vivos (NV). “Mas a despeito desta iniciativa, observou-se um recrudescimento da sífilis e, além de não se conseguir erradicar a doença, houve também um aumento no número de casos”, comenta Claudio Barsanti, coordenador das campanhas da SPSP. “Esse aumento na incidência de uma doença que é facilmente prevenível e tratada, desde que seja feito o diagnóstico, é realmente preocupante, uma vez que a falta de tratamento pode levar desde sequelas irreversíveis até a morte do bebê, tanto intraútero quanto após o seu nascimento”, afirma o pediatra, salientando que a campanha visa alertar a população a respeito da doença. “Queremos fazer esse alerta à população, chamar a atenção para a importância do acompanhamento adequado do pré-natal pela gestante e, assim, realizar o diagnóstico e o tratamento da sífilis o mais cedo possível”, enfatiza.   Cenário em São Paulo e ações da SPSP Dados atuais (do Sinan-DVE/Covisa; SINASC/CEInfo/SMS-SP) apontam que, no município de São Paulo, a taxa de incidência de sífilis congênita aumentou de 2/1000 NV em 2007 para 6,8/1000 NV em 2017. No Estado de São Paulo também se observou esse aumento, porém o último dado é de 2015, com taxa de incidência de 5,4/1000 NV. Em todas as regiões do Brasil, a taxa de incidência também é elevada. “Dessa maneira, ainda é um grande desafio tentar baixar essa curva ascendente de casos de sífilis congênita. Esperamos ansiosamente por dados de 2018 para verificar se todas as medidas que têm sido tomadas estão realmente surtindo efeito e essa taxa tenha começado a cair”, ressalta Lilian. Como parte da campanha, a SPSP promoverá um evento voltado para a comunidade médica, no qual serão discutidos os dados epidemiológicos, as dificuldades no diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento. O Café da Manhã com o Professor Outubro Verde – Eliminação da sífilis congênita: é possível?, que terá a participação dos Departamentos de Neonatologia e de Infectologia da SPSP e da Coordenação de DST-Aids do Estado de São Paulo, será realizado no dia 5 de outubro. O objetivo é atualizar os pediatras sobre a situação atual da doença. “Além deste evento para os médicos, estamos preparando uma atividade para a população por meio de gravação pelo Facebook”, conclui Lilian.]]>

SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 30/09/2019

A Campanha Outubro Verde – Mês do Combate à Sífilis Congênita, promovida pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), foi lançada em 2016 com o objetivo de trazer para discussão a situação da sífilis congênita, que representa um enorme desafio aos médicos pediatras, devido ao aumento progressivo das taxas de transmissão vertical. Desde então, a campanha visa chamar a atenção da população para a importância do diagnóstico e do tratamento da sífilis congênita na gestante, pois é a melhor forma de prevenir ou tratar a doença.

Para a neonatologista Lilian dos Santos R. Sadeck, coordenadora do Grupo de Prevenção e Tratamento da Sífilis Congênita da SPSP e da Campanha Outubro Verde, a escolha desse tema para uma das campanhas da SPSP se deve ao fato de que a doença ainda é muito prevalente em nosso meio, apesar dos vários esforços conjuntos de obstetras, pediatras e equipe de enfermagem, que atuam na atenção primária, secundária e terciária. “É necessário ter um momento para rever as estatísticas, quais os pontos que não avançaram e propor novas estratégias”, avalia a médica.

Para Lilian, o maior desafio dos pediatras em relação à situação da sífilis congênita é detectar a doença ainda na gestante e tratá-la adequadamente. “Se for diagnosticada no pré-natal, conseguimos evitar a transmissão da sífilis para o feto. Por isso, também, temos uma interface com a obstetrícia, por meio de uma parceria com a SOGESP (Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), e com a Coordenação Estadual de DST-Aids”, esclarece.

 

Números preocupantes

Devido à alta prevalência da doença, o Ministério da Saúde (MS) lançou, em 1993, um projeto de eliminação da sífilis congênita em consonância com a proposta formulada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS), que definia como meta a redução na incidência da doença a valores menores ou iguais a um caso por mil nascidos vivos (NV). “Mas a despeito desta iniciativa, observou-se um recrudescimento da sífilis e, além de não se conseguir erradicar a doença, houve também um aumento no número de casos”, comenta Claudio Barsanti, coordenador das campanhas da SPSP.

“Esse aumento na incidência de uma doença que é facilmente prevenível e tratada, desde que seja feito o diagnóstico, é realmente preocupante, uma vez que a falta de tratamento pode levar desde sequelas irreversíveis até a morte do bebê, tanto intraútero quanto após o seu nascimento”, afirma o pediatra, salientando que a campanha visa alertar a população a respeito da doença. “Queremos fazer esse alerta à população, chamar a atenção para a importância do acompanhamento adequado do pré-natal pela gestante e, assim, realizar o diagnóstico e o tratamento da sífilis o mais cedo possível”, enfatiza.

 

Cenário em São Paulo e ações da SPSP

Dados atuais (do Sinan-DVE/Covisa; SINASC/CEInfo/SMS-SP) apontam que, no município de São Paulo, a taxa de incidência de sífilis congênita aumentou de 2/1000 NV em 2007 para 6,8/1000 NV em 2017. No Estado de São Paulo também se observou esse aumento, porém o último dado é de 2015, com taxa de incidência de 5,4/1000 NV. Em todas as regiões do Brasil, a taxa de incidência também é elevada.

“Dessa maneira, ainda é um grande desafio tentar baixar essa curva ascendente de casos de sífilis congênita. Esperamos ansiosamente por dados de 2018 para verificar se todas as medidas que têm sido tomadas estão realmente surtindo efeito e essa taxa tenha começado a cair”, ressalta Lilian. Como parte da campanha, a SPSP promoverá um evento voltado para a comunidade médica, no qual serão discutidos os dados epidemiológicos, as dificuldades no diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento.

O Café da Manhã com o Professor Outubro Verde – Eliminação da sífilis congênita: é possível?, que terá a participação dos Departamentos de Neonatologia e de Infectologia da SPSP e da Coordenação de DST-Aids do Estado de São Paulo, será realizado no dia 5 de outubro. O objetivo é atualizar os pediatras sobre a situação atual da doença. “Além deste evento para os médicos, estamos preparando uma atividade para a população por meio de gravação pelo Facebook”, conclui Lilian.

]]>