Pneumologia – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 28 Aug 2026 19:14:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Pneumologia – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Por uma geração livre de nicotina https://spsp.org.br/por-uma-geracao-livre-de-nicotina/ Fri, 28 Aug 2026 17:01:09 +0000 https://spsp.org.br/?p=58668 Quando pensamos em tabagismo, é comum lembrarmos imediatamente das doenças que podem atingir quem fuma. Mas, quando existem crianças e adolescentes por perto, a questão vai muito além: eles também podem sofrer as consequências do cigarro, mesmo sem nunca terem fumado. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas. Quando uma pessoa fuma perto de uma criança, ela respira parte dessas substâncias. É o chamado tabagismo passivo. Essa exposição está associada a maior risco respiratório, com crises de asma, infecções respiratórias, além de otites e outros agravos à saúde. Para os bebês, além de tudo, aumenta o risco da síndrome da morte súbita. Não há uma quantidade de fumaça considerada segura para uma criança. “Puxa, eu nunca fumo perto do meu filho!” Isso é muito importante, mas existe outro problema menos conhecido: o chamado tabagismo de terceira mão. Depois que o cigarro é apagado, resíduos de nicotina e de outras substâncias permanecem no ambiente, podendo se depositar nas roupas, cabelos, sofás, cortinas, tapetes, paredes e bancos dos automóveis. Crianças pequenas são particularmente vulneráveis porque engatinham, brincam no chão, colocam objetos e as próprias mãos na boca e têm contato muito próximo com os adultos. A propósito: abrir a janela, fumar em outro cômodo, ligar o ventilador ou usar spray aromatizante não transformam o ambiente em um local livre de tabaco. A recomendação mais segura é simples: casa e carro devem ser ambientes 100% livres de cigarro … e vapes.! Isso mesmo: vapes (cigarros eletrônicos). O aerossol produzido pelos dispositivos eletrônicos pode conter nicotina, partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis, metais e outras substâncias potencialmente prejudiciais. Além do fato de que muitos dispositivos conseguem fornecer grandes quantidades de nicotina: aparelhos descartáveis ou recarregáveis de grande capacidade (com 10 ml a 20 ml de líquido) acumulam uma carga de nicotina equivalente a dezenas de maços de cigarro tradicional! O adolescente pode começar experimentando por curiosidade, influência dos amigos, pelos sabores atrativos ou pela ideia de que “vape não faz mal”. A nicotina chega ao cérebro em cerca de oito segundos após a tragada e gera uma sensação de prazer. Com o uso repetido, porém, pode surgir a necessidade de consumir nicotina em quantidade e frequência cada vez maior para conseguir o mesmo efeito, fenômeno conhecido como TOLERÂNCIA. A dependência química está instalada: quando o nível da substância cai no sangue, o corpo reage com irritação, ansiedade, insônia e falta de concentração, fenômenos de abstinência. A dependência de nicotina é real e parar pode ser difícil. Por isso, a conversa sobre vape não deve começar apenas quando os pais descobrem um dispositivo escondido na mochila. A prevenção deve começar antes da primeira experimentação. E lembre-se: o exemplo dos adultos também importa. O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, não deve ser apenas uma data para falar com quem já fuma. É também uma oportunidade para falar sobre prevenção. Proteger crianças da fumaça e dos resíduos do tabaco, impedir o acesso precoce à nicotina e conversar abertamente com adolescentes sobre cigarros eletrônicos são medidas que podem ter repercussões por toda a vida. “A melhor relação de uma criança ou adolescente com a nicotina é aquela que nunca começa”. Relatora: Tania ZamataroPresidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSPCoordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

Quando pensamos em tabagismo, é comum lembrarmos imediatamente das doenças que podem atingir quem fuma. Mas, quando existem crianças e adolescentes por perto, a questão vai muito além: eles também podem sofrer as consequências do cigarro, mesmo sem nunca terem fumado.

A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas. Quando uma pessoa fuma perto de uma criança, ela respira parte dessas substâncias. É o chamado tabagismo passivo. Essa exposição está associada a maior risco respiratório, com crises de asma, infecções respiratórias, além de otites e outros agravos à saúde. Para os bebês, além de tudo, aumenta o risco da síndrome da morte súbita.

Não há uma quantidade de fumaça considerada segura para uma criança. “Puxa, eu nunca fumo perto do meu filho!”

Isso é muito importante, mas existe outro problema menos conhecido: o chamado tabagismo de terceira mão. Depois que o cigarro é apagado, resíduos de nicotina e de outras substâncias permanecem no ambiente, podendo se depositar nas roupas, cabelos, sofás, cortinas, tapetes, paredes e bancos dos automóveis. Crianças pequenas são particularmente vulneráveis porque engatinham, brincam no chão, colocam objetos e as próprias mãos na boca e têm contato muito próximo com os adultos.

A propósito: abrir a janela, fumar em outro cômodo, ligar o ventilador ou usar spray aromatizante não transformam o ambiente em um local livre de tabaco.

A recomendação mais segura é simples: casa e carro devem ser ambientes 100% livres de cigarro … e vapes.!

Isso mesmo: vapes (cigarros eletrônicos). O aerossol produzido pelos dispositivos eletrônicos pode conter nicotina, partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis, metais e outras substâncias potencialmente prejudiciais. Além do fato de que muitos dispositivos conseguem fornecer grandes quantidades de nicotina: aparelhos descartáveis ou recarregáveis de grande capacidade (com 10 ml a 20 ml de líquido) acumulam uma carga de nicotina equivalente a dezenas de maços de cigarro tradicional!

O adolescente pode começar experimentando por curiosidade, influência dos amigos, pelos sabores atrativos ou pela ideia de que “vape não faz mal”. A nicotina chega ao cérebro em cerca de oito segundos após a tragada e gera uma sensação de prazer. Com o uso repetido, porém, pode surgir a necessidade de consumir nicotina em quantidade e frequência cada vez maior para conseguir o mesmo efeito, fenômeno conhecido como TOLERÂNCIA. A dependência química está instalada: quando o nível da substância cai no sangue, o corpo reage com irritação, ansiedade, insônia e falta de concentração, fenômenos de abstinência.

A dependência de nicotina é real e parar pode ser difícil. Por isso, a conversa sobre vape não deve começar apenas quando os pais descobrem um dispositivo escondido na mochila. A prevenção deve começar antes da primeira experimentação.

E lembre-se: o exemplo dos adultos também importa.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, não deve ser apenas uma data para falar com quem já fuma. É também uma oportunidade para falar sobre prevenção.

Proteger crianças da fumaça e dos resíduos do tabaco, impedir o acesso precoce à nicotina e conversar abertamente com adolescentes sobre cigarros eletrônicos são medidas que podem ter repercussões por toda a vida.

A melhor relação de uma criança ou adolescente com a nicotina é aquela que nunca começa”.

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Revista Crescer – Os riscos de engasgos e a importância de observar sinais persistentes, com Albin Eugenio Augustin https://spsp.org.br/revista-crescer-os-riscos-de-engasgos-e-a-importancia-de-observar-sinais-persistentes-com-albin-eugenio-augustin/ Fri, 10 Apr 2026 11:09:54 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56866 Veículo: Revista Crescer

Data: 10/04/2026

A revista Crescer entrevistou o pneumologista pediátrico Albin Eugenio Augustin, presidente do Departamento Científico de Pneumologia da SPSP, para falar sobre o caso de uma menina de 1 ano e 9 meses, que engasgou com uma pipoca que foi parar no pulmão. Segundo o especialista, os acidentes por aspiração de corpo estranho (ACE) são mais comuns entre 0 e 3 anos, especialmente os que envolvem alimentos como feijão, amendoim e milho, além de objetos pequenos. Ele revela que, felizmente, na maioria das vezes, o quadro é leve e passageiro, e orienta que alimentos duros e secos, como castanhas, sementes e pipoca, não sejam oferecidos às crianças antes dos 3 anos de idade.

Leia mais: https://revistacrescer.globo.com/maes-e-pais/historias/noticia/2026/04/crianca-engasga-com-pipoca-que-parou-no-pulmao-e-familia-so-descobre-dois-meses-depois-em-mg.ghtml

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Dia do Pulmão: é hora de respirar esse assunto! https://spsp.org.br/dia-do-pulmao-e-hora-de-respirar-esse-assunto/ Thu, 25 Sep 2025 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53311 Todo mundo respira, todo dia, o tempo todo; mas será que a gente cuida mesmo dos nossos pulmões? No Dia do Pulmão, celebrado em 25 de setembro, é importante parar um pouco]]>

Todo mundo respira, todo dia, o tempo todo; mas será que a gente cuida mesmo dos nossos pulmões? No Dia do Pulmão, celebrado em 25 de setembro, é importante parar um pouco e refletir sobre isso. Muita gente está doente, sem saber, com problemas respiratórios sérios, que poderiam ser tratados ou até evitados, se a saúde funcionasse como deveria.

Doenças como asma, bronquiolite, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), fibrose pulmonar e até câncer de pulmão estão por aí, afetando milhões de pessoas. O problema é que grande parte dessas doenças não são diagnosticadas a tempo. A pessoa sente falta de ar, cansaço, tosse constante, esforço respiratório…, mas acha que é “da idade”, “do tempo seco”, ou “porque fuma um pouquinho só”. E aí, deixa pra lá.

Esse é o chamado subdiagnóstico, quando a doença existe, mas ninguém descobriu ainda e mesmo quando descobre, às vezes o tratamento não é o ideal. Seja por falta de acesso, seja por falta de informação. Aí entra outro problema: o subtratamento. Ou seja, a pessoa até sabe que está doente, mas não consegue tratar direito.

Além disso, o acesso aos exames e aos medicamentos ainda é um desafio. Muita gente espera meses por uma consulta com pneumologista, por um exame simples como espirometria (aquele que mede como você respira), ou por remédios que deveriam estar disponíveis no posto de saúde. E isso sem contar com os pacientes que precisam de oxigênio ou de remédios mais caros, que quase nunca estão ao alcance de todos.

Nem tudo é doença. Tem muita coisa que dá para fazer para cuidar do pulmão antes que o problema apareça. Desde o aleitamento materno, que diminui as taxas de infecções respiratórias agudas, até as vacinas: gripe, VSR, covid-19, pneumonia, todas essas doenças atacam o pulmão e podem complicar muito a vida, principalmente dos mais velhos e das pessoas com doenças crônicas. Vacinar é um jeito simples e eficiente de proteger o sistema respiratório.

Outra coisa fundamental é o exercício físico. Caminhar, nadar, pedalar, dançar… qualquer atividade que mexa com o corpo ajuda a fortalecer o pulmão, melhorar a respiração e aumentar a qualidade de vida. E o melhor, não precisa de academia chique nem de roupa cara. Um tênis no pé e vontade de se mexer já são um ótimo começo.

Não dá para falar de pulmão sem falar do ar que a gente respira. A poluição é um inimigo invisível que faz um estrago enorme. Queimadas, fumaça dos carros, poeira de obras, fumaça do cigarro – tudo isso agride os pulmões dia após dia. Por isso, é urgente que as cidades invistam em transporte público de qualidade, áreas verdes, energias limpas e políticas de controle da poluição do ar. Respirar bem deveria ser um direito de todo mundo, não um luxo.

E claro, não podemos esquecer do cigarro, que continua sendo um dos maiores vilões quando o assunto é saúde pulmonar. Fumar causa ou piora quase todas as doenças do pulmão. A política antitabagista do Brasil já avançou muito, proibiu propaganda, aumentou impostos, tirou o cigarro de lugares fechados, mas ainda tem muito trabalho pela frente, principalmente com os cigarros eletrônicos, que andam seduzindo os jovens com sabores doces e propaganda enganosa. Eles também fazem mal e não são “seguros” como muita gente pensa.

Cuidar do pulmão é cuidar da vida. E isso não é responsabilidade só de quem está doente. É um compromisso de todos: das famílias, das escolas, dos profissionais de saúde e, principalmente, do poder público. O diagnóstico tem que chegar mais rápido. O tratamento tem que ser acessível. O ambiente tem que ser mais limpo. E a informação tem que circular – clara, direta e sem enrolação.

No Dia do Pulmão, que tal começar a respirar diferente? Fazer uma caminhada, se vacinar, buscar ajuda médica se estiver com sintomas, conversar com aquele amigo que ainda fuma, cobrar do seu bairro mais verde e menos fumaça. A mudança começa no ar que você escolhe respirar e no que você faz com ele.

 

Relator:
Breno Giuseppe Lioi
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da SPSP

 

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Avanços no tratamento da fibrose cística https://spsp.org.br/avancos-no-tratamento-da-fibrose-cistica/ Mon, 08 Sep 2025 11:55:05 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53023 A fibrose cística (FC), historicamente conhecida como a “doença do beijo salgado”, devido à maior perda de sal no suor que é percebida ao se beijar a criança e/ou visualização de cristais ]]>

A fibrose cística (FC), historicamente conhecida como a “doença do beijo salgado”, devido à maior perda de sal no suor que é percebida ao se beijar a criança e/ou visualização de cristais de sal, principalmente na testa, foi reconhecida como nova entidade de doença em 1938, pela patologista americana Dra. Dorothy H. Andersen, que já ressaltava que se repetia na mesma família.

Cinquenta e um anos depois, em 8 de setembro de 1989, comemorou-se a identificação do gene causador da doença e a alteração (variável) mais comum em pessoas com FC. Essa alteração acarreta a falta da produção de uma proteína ou que ela seja disfuncional. No organismo, a proteína forma um canal para o transporte de sal nas células epiteliais e a ausência ou desregulação da sua função acarreta secreções desidratadas e espessas em vários órgãos. Porém, além dessa primeira variável descrita, denominada como deleção F508 (falta do aminoácido fenilalanina na proteína), foram identificadas muitas outras alterações que causam doença leve ou grave. No Brasil, apenas cerca de 50% dos pacientes têm uma cópia F508.

Nos pulmões, o muco obstrui as vias aéreas e aprisiona germes como bactérias, favorecendo infecção e inflamação, que se manifestam como tosse crônica, confundida com diversas doenças das vias aéreas inferiores, como pneumonia, bronquite ou asma, e superiores, como sinusite crônica e pólipos nasais.

No pâncreas, os canais obstruídos pela secreção espessa impedem a liberação de enzimas digestivas essenciais na digestão de alimentos e nutrientes, resultando em desnutrição e crescimento deficiente, apesar de um apetite voraz e fezes gordurosas e volumosas frequentes ou dificuldade para evacuar.

No fígado, o muco espesso pode bloquear o ducto biliar, causando doença hepática. Nos homens, a FC pode afetar sua capacidade de ter filhos.

A apresentação clínica da doença é extremamente variável, mas a maioria apresenta sintomas ao nascimento ou logo após; infecções respiratórias frequentes e baixo ganho de peso são as manifestações mais comuns.

A FC é uma doença genética. Pessoas com FC herdaram duas cópias do gene com defeitos, uma cópia de cada progenitor (portadores), mas que não têm a doença. Cada vez que dois portadores de FC geram uma criança, as chances são: 25% (1 em 4) terá FC; 50% (1 em 2) será portadora, mas não terá FC; 25% (1 em 4) não será portadora e não terá FC. Porém, esse risco é considerado alto e se repete a cada gestação.

 A doença afeta ambos os sexos, todas as etnias, porém é vista mais frequentemente em brancos.

A FC é uma doença complexa. Os sintomas e a gravidade podem diferir muito de pessoa para pessoa e mesmo entre irmãos. Muitos fatores influenciam o curso da doença, incluindo a idade do diagnóstico, início precoce do tratamento e adesão.

No Brasil, existe registro de mais de seis mil pessoas com a doença e um a cada dez mil nascidos vivos possui a doença, segundo o Registro Brasileiro de Fibrose Cística (REBRAFC) – mas supõe-se que existam muitas pessoas subdiagnosticadas.

Há cerca de 40 mil crianças e adultos vivendo com FC nos EUA e cerca de 105 mil pessoas foram diagnosticadas com FC no mundo.

Enormes avanços nos cuidados especializados em FC acrescentaram anos na sobrevida e melhoraram a qualidade de vida das pessoas com fibrose cística. Durante a década de 1950, uma criança com FC raramente vivia o suficiente para frequentar a escola primária.

Nas duas últimas décadas, o conhecimento dos mecanismos da doença e a descoberta de drogas denominadas de moduladoras (corretoras) da proteína defeituosa, isto é, corretoras do defeito básico, mostraram eficácia surpreendente, com melhorias no ganho de peso, doença pulmonar, “crises de piora” respiratória e qualidade de vida, constituindo um novo marco histórico.

No Brasil foram aprovadas duas drogas moduladoras, uma delas direcionada à variável genética mais comum (deleção F508) para pacientes maiores de seis anos. Para as crianças entre dois e seis anos e pacientes com variáveis diversas, ainda se aguarda incorporação pelo Ministério da Saúde, embora já estejam aprovadas e em uso em vários países no mundo. Com esse novo tratamento, estima-se que a sobrevida de pacientes nascidos com fibrose cística será equivalente à de pessoas sem a doença.

A ampla instalação do programa de triagem neonatal proporciona o diagnóstico precoce e consequentemente o tratamento, mas é urgente e justo fornecer o tratamento direcionado ao defeito básico a todos os pacientes que possam ser beneficiados.

 

Relatora:

Neiva Damaceno
Professora Assistente de Pneumologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de SP e Coordenadora do Serviço de Referência de FC
Membro do Departamento Científico de Pneumologia da SPSP

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Vacina BCG: história e sua importância na luta contra a tuberculose https://spsp.org.br/vacina-bcg-historia-e-sua-importancia-na-luta-contra-a-tuberculose/ Tue, 01 Jul 2025 16:19:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52062 O Dia da Vacina BCG é celebrado em 1º de julho e chama atenção para o papel crucial dessa vacina na prevenção das formas graves da tuberculose]]>

O Dia da Vacina BCG é celebrado em 1º de julho e chama atenção para o papel crucial dessa vacina na prevenção das formas graves da tuberculose. Desenvolvida em 1921 pelos cientistas Albert Calmette e Camille Guérin, ela é uma das vacinas mais antigas ainda em uso e desempenha uma função vital na saúde pública, especialmente em países onde a doença é endêmica.

A tuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), é uma doença infecciosa que se transmite pelo ar. Embora afete principalmente os pulmões, pode comprometer outros órgãos, levando a casos clínicos graves. 

Por que a BCG é tão importante?

A BCG é aplicada principalmente em recém-nascidos e protege contra formas severas da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar em crianças. Em média, previne cerca de 82% dos casos graves, sendo essencial para reduzir complicações e a mortalidade infantil. 

No Brasil, a vacina foi incluída no Calendário Nacional de Vacinação em 1977 e está disponível gratuitamente nos postos de saúde. A recomendação é que seja administrada logo após o nascimento ou até os 30 dias de vida. A aplicação é feita no braço direito, diretamente na camada intradérmica.

Efeitos esperados após a vacinação

É comum que, vários dias até semanas após a vacinação, o local apresente vermelhidão, apareça uma pequena ferida e, eventualmente, deixe uma cicatriz. Esse processo pode levar até três meses para cicatrizar totalmente. Caso ocorra, basta lavar com água e sabão e evitar coçar a área. 

Aproximadamente 90% das pessoas desenvolvem algum tipo de reação no local, mas isso não significa que quem não observa as alterações (os 10%) esteja sem proteção. Por isso, nesses raros casos em que a marquinha não ocorreu não é indicada a revacinação. 

Vale lembrar que a vacina não deve ser aplicada em bebês com imunodeficiências graves. Nesse caso, os testes de triagem neonatal (teste do pezinho básico com pesquisa para as imunodeficiências), além de avaliações cuidadosas são indispensáveis quando há histórico familiar de imunodeficiências.

Impacto no combate à tuberculose

A comemoração do Dia da Vacina BCG reforça a relevância da vacinação como ferramenta para salvar vidas e prevenir doenças graves. Além disso, a data serve para lembrar a importância dos programas de vacinação e promover o desenvolvimento de soluções ainda mais eficazes para erradicar a tuberculose. 

No Brasil, os números da tuberculose são alarmantes: cerca de 70 mil novos casos e 4,5 mil mortes ocorrem a cada ano. Por isso, a BCG permanece como recurso fundamental para a proteção das crianças, evitando formas agressivas da doença.

Vacina BCG: uma proteção para o futuro

A vacinação é um ato de amor e cuidado. Ao proteger nossas crianças contra a tuberculose, estamos oferecendo a elas a chance de crescerem saudáveis e livres dos riscos dessa doença tão severa.

Vacinas salvam vidas!  

Saiba mais sobre a vacina BCG e a prevenção da tuberculose:

Relatora:
Melissa Palmieri

Membro dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Asma – conhecimento, cuidado e qualidade de vida! https://spsp.org.br/asma-conhecimento-cuidado-e-qualidade-de-vida/ Sat, 21 Jun 2025 12:55:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51860 Hoje, 21 de junho, celebramos o Dia Nacional de Controle da AsmaTrata-se de uma oportunidade importante para lembrar que, mesmo sendo uma doença crônica, a asma pode]]>


Hoje, 21 de junho, celebramos o Dia Nacional de Controle da Asma
Trata-se de uma oportunidade importante para lembrar que, mesmo sendo uma doença crônica, a asma pode (e deve) ser bem controlada.

Asma: cada paciente, uma história diferente
A asma não tem cura, mas tem tratamento! E hoje falamos muito em medicina de precisão: um tratamento feito sob medida para cada pessoa, levando em conta as características de sua doença.
Desde os casos leves — que podem ser controlados com medidas simples e medicamentos preventivos — até os casos mais graves, em que, se necessário, o médico pode indicar o uso de imunobiológicos: medicamentos modernos e altamente eficazes para quem tem asma grave não controlada.

Olhar o paciente como um todo: as comorbidades importam!
Para controlar bem a asma, precisamos cuidar de todo o corpo. Muitas vezes, a rinite alérgica — que causa espirros, coriza e congestão nasal — passa despercebida ou mal controlada. Mas ela pode agravar muito a asma se não for tratada.
Além disso, a obesidade, cada vez mais comum na infância e na adolescência, também pode dificultar o controle da asma e aumentar a frequência das crises. Por isso, o cuidado com o peso saudável desde cedo é fundamental.

Atividade física: um grande aliado
Incentivar as crianças (e adultos!) a se manterem ativas desde cedo é um dos pilares no manejo da asma.
A prática regular de exercícios melhora o condicionamento pulmonar e ajuda a reduzir o uso de medicamentos.
Sedentarismo e asma não combinam!

Vacinas em dia, sempre!
Outro ponto importante no cuidado com a asma é manter a carteira de vacinação atualizada.
A vacina contra a gripe, por exemplo, deve ser feita todos os anos.
As infecções respiratórias são um dos principais gatilhos de crises de asma, e prevenir essas infecções ajuda muito a manter a doença sob controle.

A asma ao longo da vida
A asma pode se manifestar de formas diferentes ao longo da vida. É mais comum em meninos na infância, e na fase adulta torna-se mais frequente nas mulheres.
Felizmente, com o avanço da ciência, já há estudos mostrando que, em alguns casos, pode haver até mesmo remissão da doença.
A medicina personalizada tem um papel fundamental para entendermos melhor cada paciente e as diferentes formas de expressão da asma.

O futuro é promissor
Embora a asma ainda não tenha cura, o conhecimento científico e os avanços da medicina de precisão nos trazem cada vez mais opções para personalizar o tratamento, controlar os sintomas, reduzir crises e melhorar a qualidade de vida.

No Dia Nacional de Controle da Asma, vamos reforçar uma mensagem importante: asma controlada significa liberdade, segurança e qualidade de vida. Procure seu médico, siga o tratamento, mantenha-se ativo e cuide de sua saúde integralmente. Respirar bem é viver bem!

#DiaNacionalDeControleDaAsma #AsmaTemControle #MedicinaDePrecisão #VacinasEmDia #AtividadeFísica #RiniteControlada #ObesidadeInfantil #QualidadeDeVida

Relatora:
Marina Buarque de Almeida
Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Encontro com o Especialista – Atualização sobre asma em pediatria – GINA 2024 https://spsp.org.br/encontro-com-o-especialista-atualizacao-sobre-asma-em-pediatria-gina-2024/ Tue, 29 Oct 2024 18:58:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47845 Data: 29 de outubro 2024 Realização: SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo Organização: Diretoria de Cursos e Eventos e DC Pneumologia da SPSP Coordenação: Dra. Marina Buarque de Almeida Público-alvo: Pediatras Objetivo: Atualização sobre asma em pediatria – GINA 2024 – Programação 19h00 – 21h00 – Atualização sobre asma em pediatria – GINA 2024Coordenação e Moderação: Dra. Marina Buarque de Almeida   19h00 – 19h15 – Abertura Dra. Marina Buarque de Almeida   19h15 – 20h00 – Manejo ambulatorial da asma – GINA 2024Dr. Alfonso Eduardo Alvarez   20h00 – 20h30 – Caso clínico desafiador Dra. Marina Buarque de Almeida   20h30 – 21h00 – Colóquio de perguntas e respostas Dr. Alfonso e Dra. Marina   Dr. Alfonso Eduardo AlvarezMembro do DC de Pneumologia da SPSPPneumologista Pediátrico Dra. Marina Buarque de AlmeidaPresidente do DC de Pneumologia da SPSPMestre e Doutora em Ciências pela FMUSP]]>

Data: 29 de outubro 2024

Realização: SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo

Organização: Diretoria de Cursos e Eventos e DC Pneumologia da SPSP

Coordenação: Dra. Marina Buarque de Almeida

Público-alvo: Pediatras

Objetivo: Atualização sobre asma em pediatria – GINA 2024

Programação
19h00 – 21h00 – Atualização sobre asma em pediatria – GINA 2024
Coordenação e Moderação:
Dra. Marina Buarque de Almeida  
19h00 – 19h15 – Abertura
Dra. Marina Buarque de Almeida  
19h15 – 20h00 – Manejo ambulatorial da asma – GINA 2024
Dr. Alfonso Eduardo Alvarez  
20h00 – 20h30 – Caso clínico desafiador
Dra. Marina Buarque de Almeida  
20h30 – 21h00 – Colóquio de perguntas e respostas
Dr. Alfonso e Dra. Marina  

Dr. Alfonso Eduardo Alvarez
Membro do DC de Pneumologia da SPSP
Pneumologista Pediátrico

Dra. Marina Buarque de Almeida
Presidente do DC de Pneumologia da SPSP
Mestre e Doutora em Ciências pela FMUSP

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AtaNews – Tratamento da asma na infância e adolescência, com Marina Buarque de Almeida https://spsp.org.br/atanews-tratamento-da-asma-na-infancia-e-adolescencia-com-marina-buarque-de-almeida/ Thu, 03 Oct 2024 14:40:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48335 Veículo: Portal AtaNews

Data: 03/10/2024

O portal de notícias AtaNews publicou entrevista com Marina Buarque de Almeida, presidente do Departamento Científico de Pneumologia da SPSP, a respeito do tratamento da asma na infância e adolescência. A médica enfatizou que para um bom controle da doença é preciso que o pediatra converse com pacientes e familiares sobre diversos aspectos, como por exemplo alinhar com eles as expectativas a respeito do tratamento, focar em minimizar os riscos da asma a longo prazo e investigar os fatores de risco para desfechos desfavoráveis. Ela ressaltou, ainda, que é fundamental fazer o acompanhamento correto, com consultas programadas para um adequado seguimento e, assim, manter a doença controlada.

Leia mais: https://atanews.com.br/noticia/76577/tratamento-da-asma-na-infancia-e-adolescencia

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Fibrose cística: uma nova era no tratamento https://spsp.org.br/fibrose-cistica-uma-nova-era-no-tratamento/ Fri, 06 Sep 2024 11:13:49 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47909 Comemoramos agora 35 anos da descoberta do gene que determina a fibrose cística, ocorrida em 8 de setembro de 1989, encerrando uma década de ouro no avanço]]>

Comemoramos agora 35 anos da descoberta do gene que determina a fibrose cística, ocorrida em 8 de setembro de 1989, encerrando uma década de ouro no avanço dos conhecimentos que embasam novas pesquisas buscando tratamentos mais eficientes e a cura.

Conhecida também como “doença do beijo salgado”, mucoviscidose e fibrose cística (FC), é considerada a mais comum das doenças raras; é genética, crônica, não contagiosa e foi reconhecida em 1938, há 86 anos, como uma nova entidade de doença que acomete todo o organismo.

É herdada dos pais que são saudáveis, mas portadores de uma única variável genética, que quando transmitida por ambos na concepção da criança acarreta a doença. No Brasil, afeta uma criança a cada 7.500 a 10.000 nascimentos, porém ainda é pouco conhecida.

A fibrose cística caracteriza-se pela perda excessiva de sal no suor, o que pode causar desidratação e conferir sabor salgado quando a criança é beijada e a visualização de cristais de sal, principalmente na testa.

O gene mutado causa a ausência ou baixa produção de uma proteína existente em todas as células e que é responsável pelo movimento e equilíbrio do sal e água em todo o corpo.

Esse desequilíbrio altera a composição das secreções, tornando o suor salgado, muco espesso no sistema respiratório, sistema gastrointestinal e secreções viscosas nos canais pancreáticos e hepáticos, impedindo a função normal.

Com isso, o pâncreas, já acometido desde o nascimento, não produz a quantidade necessária de enzimas para a digestão normal, causando evacuações frequentes, com fezes malformadas, gordurosas, prejudicando o ganho de peso e podendo causar grave desnutrição, quando a doença não é tratada.

No sistema respiratório, o muco leva à obstrução dos canais condutores de ar (brônquios e bronquíolos), favorecendo a instalação de inflamação e infecções bacterianas crônicas, evoluindo para destruição dessas vias, com perda progressiva da função pulmonar.

O diagnóstico da FC pode e deve ser realizado já no primeiro mês de vida, através do teste do pezinho positivo (triagem neonatal), oferecido pelo SUS, e que detecta o aumento de uma enzima pancreática no sangue, levantando a suspeita da doença, que deverá ser confirmada pelo teste do suor, que constata a perda muito elevada de sal.

O diagnóstico precoce é fundamental para o prognóstico de vida, pois propicia o tratamento antes das manifestações da doença.

Atualmente, cerca de 70% dos novos diagnósticos são feitos pela triagem neonatal, que no Estado de São Paulo se iniciou em fevereiro de 2010. É importante ressaltar que o teste de triagem pode resultar em falsos negativos e que sintomas da doença, como tosse crônica e diagnósticos como “sibilos ou chiado’, pneumonias de repetição, baixo ganho de peso associado a fezes gordurosas e fétidas, desidratação pela perda de sal, devem alertar para a pesquisa da doença.

A melhora na mediana de sobrevida em países desenvolvidos tem sido progressiva e já atinge 50 anos; porém, no Brasil ainda temos a maioria dos indivíduos portadores da doença com menos de 18 anos.

O tratamento durante décadas foi dirigido às consequências da doença e envolve muitos medicamentos orais, inalatórios e fisioterapia, demandando muitas horas a cada dia, acarretando grande carga ao paciente e família. Porém, os últimos nove anos trouxeram conquistas que podem ser consideradas como novos marcos históricos, os moduladores das proteínas não funcionais, atuando para correção do transporte anormal do sal.

Em 2022, o SUS iniciou o fornecimento de um desses moduladores e, em maio deste ano, um outro modulador, que contempla cerca de 50% dos portadores da doença.

Esse tratamento inovador e revolucionário traz redução da carga do tratamento e perspectiva de melhora significativa na expectativa de vida.

Como essas drogas moduladoras da proteína agem em mutações específicas, outras alterações genéticas que também causam a doença estão sendo testadas para avaliar se são responsivas, propiciando que todos os pacientes portadores de fibrose cística recebam esse tratamento corretor.

O futuro é promissor para os portadores de fibrose cística e o sonho da cura parece mais próximo.

 

Relatora:

Neiva Damaceno
Professora Assistente de Pneumologia Pediátrica e Coordenadora do Centro de Diagnóstico e Tratamento da Fibrose Cística do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Record News – Sintomas e prevenção da coqueluche em crianças, com Marina Buarque de Almeida https://spsp.org.br/record-news-sintomas-e-prevencao-da-coqueluche-em-criancas-com-marina-buarque-de-almeida/ Mon, 29 Jul 2024 17:58:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47508 Veículo: Record News

Data: 29/07/2024

A pneumopediatra Marina Buarque de Almeida, presidente do Departamento Científico de Pneumologia da SPSP, concedeu entrevista à Record News para falar sobre os sintomas e prevenção da coqueluche em crianças. Ela enfatizou a importância da vacinação contra a doença, ressaltando que as gestantes que tomam o imunizante conferem uma proteção nos primeiros seis meses de vida aos seus bebês, que é o período em que a coqueluche pode ser mais grave. Entre os sintomas da doença, a médica destacou um quadro catarral e, posteriormente, crises de tosse intensas com possíveis episódios de vômito.

Assista à entrevista: 

 

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