Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 26 Aug 2026 13:22:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Colesterol alto também é coisa de criança: a prevenção começa na infância https://spsp.org.br/colesterol-alto-tambem-e-coisa-de-crianca-a-prevencao-comeca-na-infancia/ Fri, 07 Aug 2026 13:54:13 +0000 https://spsp.org.br/?p=58126 Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares. O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor. Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão. No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo. Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável. Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior. Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas. Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra. A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico. Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida. Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente. A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo. Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural. Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário. O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro. Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável. Relatoras: Natália Tonon DominguesMédica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESPMembro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSPMembro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP Lygia Mendes dos Santos BörderMédica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público EstadualVice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPMembro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares.

O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor.

Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão.

No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo.

Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável.

Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior.

Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas.

Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra.

A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico.

Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida.

Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente.

A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo.

Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural.

Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário.

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro.

Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável.

Relatoras:

Natália Tonon Domingues
Médica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)
Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESP
Membro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP

Lygia Mendes dos Santos Börder
Médica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)
Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Colesterol alto na população pediátrica: orientações para prevenção e controle https://spsp.org.br/colesterol-alto-na-populacao-pediatrica-orientacoes-para-prevencao-e-controle/ Fri, 08 Aug 2025 13:36:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52666 O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol foi instituído em 8 de agosto com o objetivo conscientizar a população sobre a importância]]>

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol foi instituído em 8 de agosto com o objetivo conscientizar a população sobre a importância de prevenir e controlar os níveis de colesterol no organismo, visando reduzir os riscos de doenças cardiovasculares.

Você sabia que criança também pode ter colesterol alto? Não pense que esse assunto merece atenção só entre os adultos; as crianças também estão no grupo de alerta desse problema.

Manter cronicamente o nível de colesterol alto no sangue é um fator de risco para as doenças cardiovasculares, tanto em crianças como em adultos. Quando a elevação ocorre precocemente na infância, há maior risco de termos adultos jovens doentes no futuro.

O colesterol é um tipo de gordura importante para o funcionamento do nosso corpo, pois participa da formação da parede das células de todo o organismo, além da formação de hormônios e vitaminas, como a vitamina D.

O colesterol presente em nosso sangue vem dos alimentos que ingerimos e também da produção do nosso corpo, principalmente no fígado e intestino.

O colesterol total avalia a quantidade total de colesterol no sangue, incluindo o LDL (colesterol ruim) e o HDL (colesterol bom). Valores elevados podem indicar risco cardiovascular.

O LDL é a fração “ruim” porque pode se depositar na parede dos vasos sanguíneos, formando placas e iniciando o processo de aterosclerose (inflamação dos vasos sanguíneos), que pode causar infarto ou AVC (derrame cerebral).

Já o HDL é o colesterol “bom”, pois tem capacidade de remover o colesterol da parede dos vasos (limpando-os) e transportá-lo de volta para o fígado, onde será eliminado.

Um outro tipo de gordura presente no sangue chama-se triglicerídeo. Os triglicerídeos são gorduras essenciais armazenadas nas células de gordura do corpo, que servem como reserva de energia. O corpo converte calorias não utilizadas imediatamente em triglicerídeos durante a digestão, e vai liberando essas calorias para fornecer energia para as células do corpo durante o dia. Níveis elevados de triglicerídeos podem aumentar o risco de doenças cardíacas.

As principais causas de colesterol alto na criança são: a alimentação rica em gorduras, o excesso de peso e o sedentarismo (rotina corrida, excesso de alimentos industrializados). Entretanto, algumas crianças e adolescentes terão colesterol alto mesmo seguindo uma dieta e vida saudável e apresentando peso adequado. Isso acontece nos casos de dislipidemia familiar, uma doença genética que vem da família.

O colesterol alto em crianças geralmente não causa sintomas visíveis no início, por isso ele é considerado uma condição silenciosa. Então, quando se preocupar? Quando devemos medir o colesterol de uma criança?

Devemos nos preocupar sempre que exista histórico familiar de colesterol alto, infarto ou AVC precoce (antes dos 55 anos em homens e 65 anos em mulheres) e na criança se houver obesidade ou sobrepeso, alimentação rica em gorduras saturadas e processadas e sedentarismo. Assim, devemos dosar o colesterol em:

*Crianças saudáveis: teste de triagem entre 9 e 11 anos (antes da puberdade) e depois entre 17 e 21 anos.

*Crianças com risco aumentado (obesidade, diabetes, hipertensão, histórico familiar): podem ser testadas a partir dos 2 anos de idade.

Na grande maioria das crianças podemos controlar o colesterol e prevenir seu aumento, com mudanças simples no estilo de vida e na alimentação. Poucas crianças serão medicadas, principalmente na hipercolesterolemia familiar, dependendo do nível de alteração do colesterol e triglicerídeos.

1) Alimentação:

– Alimentos Recomendados:

  • Ricos em fibras: aveia, frutas com casca (maçã, pera), legumes e verduras (espinafre, cenoura, brócolis), feijão, lentilha, grão-de-bico
  • Fontes de gorduras boas: azeite de oliva extravirgem (cru, em pequenas quantidades), abacate, oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas – pequenas porções)
  • Fontes de proteína magra: peixes (atum, sardinha, salmão – ricos em ômega-3), frango sem pele, ovos (com moderação, se recomendados pelo médico), leite desnatado ou semidesnatado, queijo branco

– Alimentos a EVITAR

Frituras, embutidos (salsicha, presunto, mortadela, nuggets), fast food, doces industrializados e biscoitos recheados, manteiga, creme de leite, leite integral em excesso, produtos com gordura trans ou óleo vegetal hidrogenado

2) Atividade física:

– Evitar: muito tempo de tela (TV, videogame, iPad, smartphones)

– Preferir: brincadeiras ao ar livre, corridas, esporte

3) Manutenção de peso saudável.

Resumindo, o aumento de colesterol e triglicerídeos também é um problema na faixa etária pediátrica, mas geralmente pode ser prevenido e controlado com uma alimentação balanceada e com a prática regular de atividade física.

 

Relatora:

Adriana Monteiro de Barros Pires
Membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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5 de agosto é o Dia Nacional da Saúde. Com destaque para a saúde das crianças https://spsp.org.br/5-de-agosto-e-o-dia-nacional-da-saude-com-destaque-para-a-saude-das-criancas/ Fri, 05 Aug 2022 15:48:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33631 Em 1947, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausê]]>

Em 1947, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença.”

Este é um conceito válido até os dias de hoje; entretanto, quando falamos em SAÚDE DA CRIANÇA, vários adendos merecem destaque. Ser criança no século 21 significa ter uma série de direitos que ultrapassa o básico conceito de saúde, sendo essencial oferecer à criança uma educação plena, respeito, boa nutrição e o fundamental direito à vida com dignidade.

Entre os séculos 19 e 20 foram criados os primeiros Estatutos da Criança. São conjuntos de regras que determinam os direitos e as metas para seu desenvolvimento pleno. A infância passou a ser dividida por fases e foi criado o conceito de adolescência. Em 1959, a ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a “Declaração Universal dos Direitos da Criança”, que inclui direitos como cidadania, igualdade, escolaridade gratuita e alimentação.

Desde 2008, quando a tradicional revista de publicações médicas Lancet publicou uma série de artigos abordando a importância de um conjunto de intervenções ou “janelas de oportunidades”, no período dos “primeiros mil dias da vida de uma criança”, compreendidos entre o tempo da gestação a termo (280 dias) somado aos primeiros dois anos de idade (730 dias), que apresentam alto impacto na redução da mortalidade e morbidade, incluindo danos ao crescimento pôndero-estatural e ao desenvolvimento neurológico da criança, houve uma grande mudança no acompanhamento da saúde das crianças.

Uma das grandes novidades foi a inserção da consulta com o pediatra no terceiro trimestre do pré-natal, fato que representa uma oportunidade de antecipação de riscos e um dos pilares de uma tríade para redução da morbimortalidade perinatal, juntamente com a assistência ao recém-nascido (RN) em sala de parto e a consulta pós-natal dentro da primeira semana de vida.

Além da antecipação de riscos nessa consulta, o pediatra desmistifica temores da família em torno do nascimento e do período neonatal e disponibiliza informações e recursos estratégicos para o enfrentamento e a resolução de situações do cotidiano das famílias e dos bebês.

Posteriormente, seguem-se as consultas periódicas com o pediatra, chamadas de consulta de Puericultura, que podem ser classificadas como uma “arte de promover e proteger a saúde das crianças”, através de uma atenção integral, compreendendo a criança como um ser em desenvolvimento com suas particularidades.

A Puericultura é como se fosse uma especialidade médica contida na Pediatria, que leva em conta a criança, sua família e o entorno, analisando todo o conjunto biopsicossociocultural.

Nessas consultas periódicas, o pediatra observa a criança, indaga aos pais sobre as atividades do filho, suas reações frente a estímulos e realiza o exame clínico. Quanto mais nova a criança, mais frágil e vulnerável ela é, daí a necessidade de consultas mais frequentes. Em cada consulta, o pediatra vai pedir informações sobre como a criança se alimenta, se as vacinas estão em dia, como ela brinca, sobre condições de higiene, seu cotidiano.

O acompanhamento do crescimento, através da aferição periódica do peso, da altura e do perímetro cefálico, e sua análise em gráficos são indicadores das condições de saúde das crianças. Sempre, a cada consulta, bebês, pré-escolares, escolares e jovens devem ter seu crescimento e seu desenvolvimento avaliados.

Crescimento é o ganho de peso e altura, um fenômeno quantitativo, que termina ao final da adolescência. Por outro lado, o desenvolvimento é qualitativo, significa aprender a fazer coisas, evoluir, tornar-se independente e, geralmente, é um processo contínuo.

Veja como falar e escrever sobre SAÚDE DA CRIANÇA é complexo, pois envolve toda uma integração do pediatra com os pais, cuidadores, escola, parentes, comunidade, sociedade, enfim, temos muitos entraves que ainda separam as crianças brasileiras de um cenário onde todas elas possam desenvolver seu potencial e receber todo o afeto de que precisam. São obstáculos novos e antigos que permeiam as áreas socioeconômicas, educacionais e aquelas que envolvem saúde ou políticas públicas.

Mas nós, pediatras, acreditamos que com muito trabalho, persistência e perseverança podemos, sim, realmente, incluir a SAÚDE DA CRIANÇA no estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas na ausência de doenças.

Relator:
Tadeu Fernando Fernandes
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: belchonock | depositphotos.com

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Dia Mundial da Saúde https://spsp.org.br/dia-mundial-da-saude/ Wed, 06 Apr 2022 18:38:33 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31919 Dia 7 de abril de 2022 comemoramos mais um Dia Mundial da Saúde, data que coincide com a criação da OMS em 1948. O objetivo principal da comemoração é conscientizar sobre os aspectos envolvidos com a saúde de um indivíduo. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 06/04/2022


No dia 7 de abril de 2022 comemoramos mais um Dia Mundial da Saúde, data que coincide com a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1948. O objetivo principal da comemoração é conscientizar a população sobre os aspectos envolvidos com a saúde de um indivíduo. O tema deste ano é Nosso planeta, nossa saúde.

A mudança climática é a maior ameaça à saúde global do século XXI. A saúde é e será afetada pela mudança climática por meio de impactos diretos (ondas de calor, secas, tempestades pesadas e elevação do nível do mar) e indiretos (doenças transmitidas por vetores e por vias aéreas, insegurança alimentar e hídrica, desnutrição e deslocamentos forçados).

 

Segundo a OMS, saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças. 

De acordo com a Constituição Federal de 1988, artigo 196, “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”

A ideia de um bem-estar completo, isto é, saúde, só será atingido quando houver condições socioeconômicas, ambientais e saneamento básico; especialmente tratando-se de países em desenvolvimento. A conscientização e políticas de saúde em todos os níveis, incluindo as entidades civis e públicas são necessárias. E também precisamos elencar a prevenção, como peça fundamental para aquisição de saúde.

 

Nosso planeta, nossa saúde

Precisamos imaginar um mundo onde ar limpo, água e comida estejam disponíveis para todos, onde as economias estejam focadas na saúde e onde as cidades sejam habitáveis e as pessoas tenham controle sobre sua saúde e a saúde do planeta.

Com relação às nossas crianças, vale reforçar o conceito da alimentação saudável, tão escassa na vida atual e também a importância da realização de atividade física, num momento em que as diferentes telas (celulares, tablets, computadores, televisões) estão invadindo a vida de todos. O acesso à escola e a todas as atividades escolares, culturais e esportivas também é fundamental para o desenvolvimento e crescimento completo na infância.

Atualmente, estamos, ainda, sofrendo os impactos causados pela pandemia da covid-19, que atingiu nosso planeta nos últimos dois anos. Falar hoje em saúde é falar de proteção. Devemos manter as medidas de proteção com relação à covid-19 e continuar a usar o álcool gel e a máscara em locais fechados.

 

Relatores:
Ana Paula Lerner Marques
José Gabel
Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: serrnovik | depositphotos.com

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Anemia: causas, consequências e prevenção https://spsp.org.br/anemia-causas-consequencias-e-prevencao/ Mon, 29 Nov 2021 18:06:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30526 A anemia é o maior problema nutricional no Brasil, com causa multifatorial e que acarreta prejuízos na vida das crianças. É a condição na qual a concentração de hemoglobina está abaixo dos valores esperados. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 29/11/2021


A anemia é o problema nutricional de maior magnitude no Brasil e no mundo, com causa multifatorial e que acarreta prejuízos a curto, médio e longo prazos na vida das crianças. É definida como a condição na qual a concentração de hemoglobina está abaixo dos valores esperados (inferior a –2 desvios padrão de acordo com a idade da criança) como resultado da carência de um ou mais nutrientes essenciais, principalmente do ferro, sendo a anemia ferropriva a mais comum (representa 90% das anemias).

O que provoca a anemia?

A hemoglobina é responsável pelo transporte de oxigênio no sangue e sua escassez traz repercussões no crescimento e desenvolvimento da criança, o que representa grande problema de saúde pública infantil. O ferro é fundamental para o metabolismo celular, influenciando no desenvolvimento mental e psicomotor na infância, atuando em funções imunológicas, endocrinológicas, bioquímicas e clínicas, diminuindo internações e mortalidade a longo prazo.

No Brasil, um estudo recente concluiu que uma entre cada três crianças apresentava anemia ferropriva (prevalência de 33%), e há estudos que estimam que a prevalência de anemia por deficiência de ferro possa chegar até a 60% da população mundial.

Quais as consequências?

Nas crianças, a presença de anemia é de grande relevância, sendo considerada um problema de saúde pública pelos efeitos danosos no desenvolvimento cognitivo e psicomotor, além de favorecer o aparecimento de infecções e contribuir como fator de risco para mortalidade infantil. Acarreta prejuízos na saúde, aumenta a chance do desenvolvimento de doenças, favorece o aparecimento de infecções (algumas com necessidade de internações hospitalares), contribui para o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e, como atua na fisiologia celular, leva a um desequilíbrio em todo o organismo.

Para prevenirmos a anemia são fundamentais orientações pediátricas:

  • Incentivar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e mantido até os dois anos de idade
  • Orientar a mãe sobre uma adequada nutrição materna e suplementação de ferro na lactação
  • Fazer uma dieta com ingestão de ferro, obtido através da ingesta principalmente de carnes vermelhas, aves e peixes.
  • Diminuir a ingestão de leite de vaca (principalmente nos menores de um ano de idade).

Além disso, é fundamental também a suplementação vitamínica que prescrevemos ao bebê, pois ela atua na prevenção da anemia.

O quadro clínico da deficiência de ferro pode ser gradual, insidioso e evolutivo. Muitas crianças podem ser assintomáticas, sendo diagnosticada esta condição apenas com a realização de exames laboratoriais. As manifestações podem ser leves até graves (principalmente se forem de aparecimento precoce, e se intensa e prolongada a perda de ferro), levando até a um atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, alterações comportamentais e de linguagem.

Quando há manifestações clínicas da deficiência de ferro, já podem ser instaladas consequências graves e duradouras. Sua deficiência deve ser prontamente reconhecida e tratada, uma vez que seus efeitos danosos podem impactar por toda a vida do indivíduo (há impacto negativo por décadas mesmo após o tratamento).

Dada a importância do ferro para o adequado crescimento e desenvolvimento, é fundamental o seguimento de puericultura de forma regular e adequada, com a realização de exames em momento oportuno, conforme preconizam as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria. O pediatra é o profissional capacitado para orientar as mães sobre a alimentação, prevenção de anemia, investigação com exames laboratoriais, e tratamento adequado da condição.

Relatora
Natália Tonon Domingues
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Fonte: bit245 | depositphotos.com

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Dicas para o desfralde bem-sucedido https://spsp.org.br/dicas-para-o-desfralde-bem-sucedido/ Wed, 24 Nov 2021 14:13:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30437 O controle esfincteriano é um marco importante do desenvolvimento cognitivo e social da criança e deve acontecer de forma adequada. Muitas vezes a expectativa de parentes interferem de forma negativa neste aprendizado.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 24/11/2021


O controle esfincteriano é um marco importante do desenvolvimento neuropsicomotor, cognitivo e social da criança e, portanto, deve acontecer de forma adequada. Muitas vezes a expectativa, a ansiedade e pressões externas de parentes ou escola interferem de forma negativa neste aprendizado.

Para adquiri-lo a criança precisa estar física e emocionalmente preparada e, como qualquer estágio do desenvolvimento infantil, não deve ser forçado ou acelerado. A criança deve aprender a reconhecer a sensação de que precisa esvaziar a bexiga ou o intestino e também como e onde fazê-lo. Tudo isso é fortemente influenciado por fatores educacionais, ambientais, sociais, familiares e psicológicos.

Tanto o início precoce quanto o atraso neste processo podem trazer consequências negativas para a criança – a retirada inadequada da fralda pode trazer dificuldades e consequências, como: constipação intestinal, disfunção miccional, infecção urinária recorrente, conflitos familiares e repercussões sociais. Os pais devem ser orientados para que a aquisição dessa habilidade transcorra de forma tranquila, sem traumas para a criança.

A criança, na idade entre 18 meses e 3 anos, passa a ter consciência que sua bexiga está cheia, mas ainda não consegue o seu controle. Nesta fase, quando a criança passa a avisar que a fralda está molhada ou suja de fezes, é a idade de iniciar o treinamento.

Idealmente, o processo de retirada da fralda deve começar quando a criança já anda, fala, senta-se por 5 a 10 minutos, tira suas roupas, entende o que significam “xixi e cocô” e sabe que existem locais apropriados, socialmente aceitos, para suas eliminações.

Para muitas crianças é mais fácil iniciar o treinamento usando o penico do que o vaso sanitário, que deve estar equipado com um redutor de assento e uma escadinha ou banco de apoio para os pés.

Em sequência, a criança adquire o controle noturno das fezes, seguido pelo diurno, posteriormente o urinário diurno e finalmente o urinário noturno. O controle noturno da diurese ocorre, em média, um ano após o diurno, mas pode acontecer até os 5 ou 6 anos de idade. O melhor sinal para o desfralde noturno é o fato de a criança acordar com as fralda seca.

Dicas que auxiliam no desfralde bem-sucedido:

– Compre um penico e comece a colocar a criança aos poucos, em qualquer horário, para que acostume. Faça isso por períodos curtos;

– Não force a retirada antes que a criança esteja pronta;

– Converse com a criança, dê exemplos;

– A alimentação deve ser rica em fibras e água, para evitar a constipação e retenção das fezes. Se ocorrer constipação, esta deve ser tratada antes;

– Nunca force ou ameace a criança. Punição e castigo só atrapalham;

– Tenha paciência. Acidentes fazem parte do processo de aprendizado e são normais nos primeiros meses;

– Se o treinamento e o controle não ocorrerem, devido à fatores familiares, como mudança de residência, nascimento de irmão ou recusa da criança, adie temporariamente.

Após a aquisição do controle esfincteriano, deve-se valorizar a rotina de utilização do penico ou vaso sanitário, com calma e sem adiar ou atrasar. Escolher horários após as refeições, para a criança ficar sentada sem pressa é uma medida importante na formação do hábito intestinal e prevenção da constipação.

Relator
Regis Ricardo Assad
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: panther media seller | depositphotos.com

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16 de outubro de 2021 – Dia Mundial da Alimentação https://spsp.org.br/16-de-outubro-de-2021-dia-mundial-da-alimentacao/ Fri, 15 Oct 2021 14:44:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30028 Você sabia que mais de 3 bilhões de pessoas não conseguem dispor de uma dieta saudável? E que quase 2 bilhões de pessoas estão acima do peso ou obesas, devido a uma dieta pobre e estilo de vida sedentário?]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 15/10/2021


Você sabia que mais de 3 bilhões de pessoas (quase 40% da população mundial) não conseguem dispor de uma dieta saudável? E que quase 2 bilhões de pessoas estão acima do peso ou obesas, devido a uma dieta pobre e estilo de vida sedentário?

Pensando nisso, e em outras questões, destacamos a importância de falarmos sobre o Dia Mundial da Alimentação, comemorado no dia 16 de outubro.

A data foi escolhida para lembrar a criação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations), em 1945, em Quebec, Canadá. Um dos principais papéis da FAO é liderar esforços para erradicação da fome e combate à pobreza.

O Dia Mundial da Alimentação traz temas que nos fazem pensar a respeito da população menos favorecida, sua segurança alimentar e nutrição. Entende-se por segurança alimentar uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. Essa realidade, infelizmente, não é vivida por uma grande parte da população brasileira e mundial.

Destaca-se, então, a necessidade de um trabalho coletivo, envolvendo governo, setor privado, a sociedade civil, as organizações internacionais e a academia.

Temos a responsabilidade de orientar e também adotar em nossas ações diárias um estilo de vida saudável e sustentável. Em primeiro lugar, reduzindo a perda e o desperdício de alimentos. Em segundo, influenciando o que é produzido e aumentando a demanda por alimentos nutritivos produzidos de forma ecológica.

Nós, da SPSP, queremos celebrar o Dia Mundial da Alimentação e reforçamos que alimentação saudável e estilo de vida sustentável são importantes nas diferentes etapas da vida da criança e do adolescente. 

“Que o teu alimento seja o teu remédio e que o teu remédio seja o teu alimento” (Hipócrates)

Relatoras:
Ana Paula Lerner Marques
Gabriela Bonciani
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: artur verkhovetskiy | depositphotos.com

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Álcool e adolescência https://spsp.org.br/alcool-e-adolescencia/ Fri, 26 Feb 2021 15:59:22 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3622 O álcool é a substância psicoativa mais consumida pelos adolescentes, superando o cigarro e outras drogas, com uso cada vez mais precoce e prevalente.

A adolescência é a fase de transição da infância para a vida adulta, sendo um importante momento de desenvolvimento de habilidades e aquisição de autonomia para assumir responsabilidades no futuro. Nesta fase, há alterações psicossociais, hormonais, emocionais, corporais e neuropsicológicas, que despertam no indivíduo curiosidade e desejo de conhecer novas vivências. Essas mudanças podem acarretar uma maior vulnerabilidade para experimentar álcool e outras drogas. Isso aumenta os riscos de desenvolvimento de hábitos inadequados, que podem trazer prejuízos à saúde e se estender por toda vida.

ronstik | depositphotos.com

Os fatores genéticos, ambientais e sociais influenciam no uso do álcool pelos adolescentes, sendo um fenômeno multifatorial. Destaca-se a atitude permissiva dos pais como um dos principais determinantes para sua utilização
ao longo da vida.

O consumo do álcool pode levar a prejuízos biológicos, cognitivos, emocionais e sociais na adolescência. Atua de forma negativa no desenvolvimento do sistema nervoso central, que ocorre até os 25 anos de idade, com alterações e lesões principalmente no último lobo cerebral a ser desenvolvido, que é o frontal. O lobo frontal é responsável pelo controle das atitudes, desenvolvimento da moral, capacidade de organização e tomada das decisões, controle dos impulsos e elaboração de planos para o futuro.

Em curto prazo, essas lesões podem levar a comportamentos agressivos, maior risco de violência, inclusive sexual, com mais exposição às doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada, associação com acidentes automobilísticos, aumentando a possibilidade de óbito e de lesões permanentes e uma predisposição ao consumo de outras substâncias psicoativas. Já em longo prazo pode levar a distúrbios na aprendizagem, memória, queda no rendimento escolar e maior risco de dependência de substâncias psicoativas ao longo da vida, favorecendo a aquisição de hábitos inadequados.

Apesar de no Brasil estar liberado o consumo de álcool acima dos 18 anos, devemos orientar os pais quanto ao risco de seu uso abaixo dos 25 anos. O uso de álcool nesta fase deve ser desencorajado, uma vez que é altamente prejudicial à saúde física e mental do adolescente e sua família, com repercussões negativas durante toda a vida adulta. Os adolescentes tendem a acreditar que nada de errado acontecerá com eles, além de ter a tendência a comportamentos que desafiem as regras e a necessidade de aceitação por parte dos amigos e grupos sociais, levando ao consumo de substâncias nocivas. Além disso, pela fase de desenvolvimento, não há uma percepção clara da repercussão de suas atitudes, cabendo aos pais e profissionais de saúde fornecerem suporte com orientações adequadas.

O pediatra, por atuar no período de maior desenvolvimento da potencialidade humana, tem a função de criar condições de proteção e defesa àqueles que venham a se encontrar em situações de risco e vulnerabilidades específicas. Em conjunto com a família, deve acolher, apoiar e orientar o adolescente quanto aos riscos da exposição ao álcool. Quanto mais estruturada for a rede de apoio e a assistência nesta fase, maior a chance de construção de hábitos adequados de vida, com repercussões muito positivas durante a existência do indivíduo.

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Relatora:
Natália Tonon Domingues
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Em primeiro lugar, o que é febre? https://spsp.org.br/em-primeiro-lugar-o-que-e-febre/ Fri, 09 Oct 2020 21:22:28 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3445 Uma das muitas frases que as vovós diziam é esta: 
Episódio 1: “Bota esse menino no chuveiro pra tomar um banho de água fria. Esse febrão não pode continuar!”
Vamos conversar sobre ela:


Em primeiro lugar, o que é febre?  

É um sinal de que algo está acontecendo no organismo e que ele está tentando lidar com a situação.  Esse mecanismo de defesa é controlado, necessariamente, pelo centro termorregulador – um verdadeiro termostato que controla a temperatura do corpo e que fica localizado numa região do cérebro chamada hipotálamo.
Isso acontece em resposta a fatores, tanto internos, quanto externos ao organismo, levando à produção de uma série de mediadores bioquímicos. A elevação da temperatura pode ser medida por diversos tipos de termômetro. Para cada método utilizado, há um patamar de referência acima do qual se diz que alguém está com febre. Para simplificar nossa conversa, digamos que acima de 37,8ºC alguém está febril.

SergeyNivens I depositphotos.com

Por que tentar baixar a febre se ela é um mecanismo natural de defesa?

A pergunta tem lógica. Há pensamentos diferentes dentre as várias “artes de curar” sobre esse tema. Nós recomendamos baixar a temperatura por uma razão simples: porque a criança vai ficar mais confortável e os pais não ficarão tão ansiosos.

Por que a febre assusta tanto?

Esse medo está muito associado à crise convulsiva relacionada a um episódio febril. Quem vê uma criança convulsionando se impressiona. Calma! Temos boas notícias: 
1.  Nem toda criança com febre tem convulsão.
2.  Ocorre, em geral, em crianças entre 6 meses de vida e 5 anos de idade. 
3. A subida muito rápida (e bem menos frequente o contrário – a queda da temperatura em tempo muito curto) pode estar relacionada à convulsão febril e, ao colocar a criança no banho com água fria, a temperatura pode baixar muito rápido.
4. Um banho rápido em água morna pode ajudar a baixar a temperatura. Entretanto, se a criança tiver muitos tremores durante o banho, interrompa essa ação. Não adicionar, também, álcool na água do banho, pois além de ser ineficiente, a criança pode inalar e beber a substância.
5. Em até 40% dos casos de convulsão febril, há um componente familiar (genético), por isso é importante saber se na família alguém já passou por essa experiência.
6.  A grande maioria das crises tem curta duração e resolvem-se sozinhas.
7.  Pode haver recidivas (outros episódios) em apenas 30% das crianças.
8.  A grande maioria não necessita de tratamento algum.
9.  Para as crianças com recaídas, vale a pena dar antitérmico logo no início do aparecimento da febre.
10. O antitérmico deve ser indicado com critério pelo pediatra que segue a criança, pois, às vezes, esse tratamento traz mais malefícios que benefícios. 

Lembrete: a temperatura corporal pode subir por excesso de agasalho, exposição prolongada ao sol, ficar por muito tempo em ambiente aquecido. Nestes casos (de hipertermia), um banho morno pode ser um alívio.

Se você deseja saber mais sobre esse tema, leia o texto: Febre não é doença, é um sinal

O que fazer quando a criança tem convulsão?

É mais importante que você saiba o que NÃO deve fazer! 
1.  Não tente abrir à força a boca da criança, ou tentar colocar algo para que ela não morda a língua (você poderá se machucar e ferir a criança).
2. Não deixe a criança em nenhum lugar de onde possa cair ou na posição de barriga para cima (vire-a de lado).
3. Não pegue a criança e saia correndo. Espere um pouco – geralmente as crises duram menos de 5 minutos.

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Relator:
Fernando Manuel Freitas de Oliveira
Membro da Comissão de Ensino e Pesquisa da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Covid-19: o que você precisa saber https://spsp.org.br/covid-19-o-que-voce-precisa-saber/ Thu, 09 Apr 2020 18:23:10 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3124 O que é?

O coronavírus doença 2019 – ou Covid-19 – é uma infecção específica por um vírus chamado Sars-CoV-2. Esse vírus iniciou a atual pandemia no final do ano de 2019, em Wuhan, na China. Desde então, ele vem se espalhando pelo mundo: Europa, Estados Unidos e, agora, na América Latina e no Brasil.

oksun70 | depositphotos.com

Quais os sintomas?

Os sintomas dessa infecção – chamada de síndrome respiratória – lembram os de uma gripe comum: tosse, espirros, coriza ou congestão nasal, febre, dores musculares e sensação leve de cansaço.

Os casos graves evoluem com dificuldade respiratória, pois a infecção pode acometer os pulmões, causando uma pneumonia viral, com dificuldade de oxigenação e até problemas cardíacos de forma secundária. Isso é mais comum em idosos ou pessoas com outros problemas de saúde, como doenças cardíacas, diabetes, doenças pulmonares e câncer.

Alguns sintomas menos comuns que podem aparecer são: dor de cabeça, dor de garganta, alterações no olfato (dificuldade para sentir cheiros) e alguns apresentam náuseas ou diarreia. Algumas pessoas que entram em contato com o vírus podem não apresentar sintomas – são os chamados casos assintomáticos.

Como se contrai esse vírus?

Pelo que pesquisadores e especialistas conhecem até o momento (abril de 2019), o Sars-CoV-2 parece se espalhar mais facilmente quando as pessoas estão apresentando os sintomas, mas há indícios de que é possível transmitir a doença mesmo sem apresentá-los. A transmissão ocorre principalmente pelas gotículas de saliva e por aerossóis que são expelidos através da tosse e espirros, além da utilização de utensílios comuns, apertos de mão, beijos ou contato com objetos ou superfícies contaminadas.

Adaptado de Sui Hang – medium@arvoreagua

Quanto tempo dura o quadro de gripe?

Para a maioria das pessoas, os sintomas desaparecem dentro de uma a duas semanas, como uma gripe comum, e não geram problemas de saúde crônicos.

E as crianças?

As crianças podem contrair o vírus, mas a apresentação do quadro é em geral mais leve e, mesmo nos casos graves, a recuperação parece ser melhor que em adultos e idosos, principalmente.

Qual o tratamento?

Não há tratamento específico, por isso a prevenção é a melhor forma de se manter saudável.

As pessoas que apresentam sintomas leves e sem falta de ar ou dificuldade para respirar devem se manter em casa, com isolamento social, repouso, hidratação e uso de medicamentos sintomáticos (para tosse e febre). Sempre pode consultar um médico, mas nesse momento o melhor é fazer a consulta pelo telefone, disponível em todo o Brasil, pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também para os profissionais particulares ou conveniados. A pessoa deve ser monitorada a cada um ou dois dias por esse sistema de atendimento.

Os casos que apresentam sintomas mais graves, com falta de ar e dificuldade para respirar, devem consultar o médico presencialmente e, muito provavelmente, serão internados. Esses pacientes serão mantidos em quartos de isolamento e, em alguns casos, irão precisar de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

A PREVENÇÃO É ESSENCIAL!

• Lave as mãos com água e sabão com frequência. Quando isso não for possível, utilize o álcool 70%. As técnicas de lavagem estão bastante difundidas pela mídia e devem ser seguidas rigorosamente, o mesmo valendo para o uso do álcool.
• Evite tocar o rosto (especialmente boca, nariz e olhos) com as mãos.
• Fique longe de pessoas que têm algum sintoma. O isolamento em casa sem o compartilhamento de ambientes, talheres, toalhas, entre outros, é fundamental e será orientado pelo profissional de saúde diante de um caso suspeito.

Pratique o isolamento social. Se onde você vive há casos confirmados, fique em casa!

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Relatora:
Dra. Cátia Regina Branco da Fonseca
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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