Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 24 Mar 2026 14:18:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Meu filho está gaguejando – e agora? https://spsp.org.br/meu-filho-esta-gaguejando-e-agora/ Thu, 26 Feb 2026 14:22:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55207 O que é gagueira? é uma alteração da fluência da fala, caracterizada por repetições (por exemplo, “-pa-pa-papai”), prolongamentos de sons (“ssssala”) ou bloqueios (pausas em]]>

O que é gagueira? é uma alteração da fluência da fala, caracterizada por repetições (por exemplo, “-pa-pa-papai”), prolongamentos de sons (“ssssala”) ou bloqueios (pausas em que a palavra não sai). É comum em crianças pequenas, enquanto a fala e o controle da linguagem estão em desenvolvimento. Nem toda gagueira na infância vira gagueira persistente (aquela que acompanha a pessoa por mais tempo).

As causas prováveis, baseadas em evidências, incluem

  1. Alteração ou imaturidade do desenvolvimento neurológico: algumas crianças têm um padrão de desenvolvimento da fala mais sensível; há diferenças na forma como o cérebro processa a linguagem e a coordenação motora da fala.
  2. Genética: estudos mostram maior risco em famílias com histórico de gagueira.
  3. Fatores linguísticos e do ambiente: períodos de rápido ganho de linguagem, falar muito rápido ou frases complexas podem sobrecarregar a criança. Não é culpa dos pais, mas o ambiente pode influenciar a expressão.

Fatores emocionais e de temperamento, ansiedade e frustração, eventos estressantes podem agravar a gagueira, mas não são a causa dela.

Eventos estressantes: grandes modificações na vida da criança (mudança, chegada de irmão) podem coincidir com o início, mas também não são a causa da gagueira.

 

Como agir quando a criança começa a gaguejar

  • Manter a calma: reações de nervosismo ou correção imediata aumentam a pressão sobre a criança.
  • Escutar com atenção e paciência: oferecer tempo para que termine, manter contato visual e não completar as palavras.
  • Reduzir a pressa: falar de forma lenta e relaxada com a criança; usar frases curtas e pausas para modelar o ritmo natural.
  • Evitar cobrar falando: “diga certo” ou corrigir a fala durante a conversa. Elogiar tentativas de comunicação, não a fluência.
  • Criar momentos de interação tranquila: leitura conjunta, brincadeiras que valorizem a comunicação sem pressão.
  • Procurar orientação profissional se houver dúvida: foniatras e fonoaudiólogos.

 

Quando se preocupar (procurar avaliação em curto prazo)

  • Início após os 4–5 anos sem sinais de melhora em 3–6 meses.
  • A criança evita falar em situações sociais, demonstra angústia significativa, ou a gagueira aumenta em frequência/intensidade.
  • Há bloqueios longos, esforço evidente, sons cortados ou tremores na fala.
  • Histórico familiar de gagueira persistente.
  • Desenvolvimento da linguagem atrasado, problemas auditivos ou outras condições neurológicas/psicológicas associadas.

 

Quando é razoável aguardar (observação ativa)

  • Início entre 18 meses e 4 anos, especialmente durante um período de rápido desenvolvimento da linguagem.
  • Gagueira intermitente, com intensidade baixa e sem sinais de angústia ou evitação.
  • Melhora observada em semanas a poucos meses. Nesses casos, acompanhamento cuidadoso (monitoramento por pais e, se possível, por fonoaudiólogo) é apropriado. Manter estratégias de comunicação calmas e apoio emocional costumam ajudar.

 

A gagueira na infância é comum e muitas vezes melhora com apoio e tempo. Agir com calma, oferecer um ambiente de fala seguro e buscar avaliação profissional quando houver sinais de risco são as melhores atitudes.

 

Relatora:

Sulene Pirana

Médica Otorrinolaringologista com Área de Atuação em Foniatria e Medicina do Sono

Membro do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP

Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP

 

 

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10 de novembro – Uma data para escutarmos o silêncio https://spsp.org.br/10-de-novembro-uma-data-para-escutarmos-o-silencio/ Mon, 10 Nov 2025 13:48:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54089 O dia 10 de novembro é mais do que uma data no calendário. É um convite para uma pausa, uma reflexão profunda sobre um sentido que, muitas vezes, damos como certo: a audição]]>

O dia 10 de novembro é mais do que uma data no calendário. É um convite para uma pausa, uma reflexão profunda sobre um sentido que, muitas vezes, damos como certo: a audição. O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, instituído pelo Ministério da Saúde, é um farol que ilumina a importância de cuidarmos da saúde auditiva das nossas crianças e adolescentes.

Entendendo a Audição – A Orquestra Interna

Para cuidar, é preciso entender. Nosso sistema auditivo é uma obra-prima da engenharia biológica, uma orquestra perfeitamente sincronizada que transforma ondas sonoras em informações compreensíveis para o cérebro.

As Partes do Ouvido: Uma Jornada do Som

  • Ouvido Externo: É a parte visível (o pavilhão auricular, ou “orelha”) e o canal auditivo. Sua função é simples, mas vital: coletar as ondas sonoras e conduzi-las para dentro, como uma concha acústica natural.
  • Ouvido Médio: Uma câmara cheia de ar que abriga os três menores ossos do corpo humano: o martelo, a bigorna e o estribo. Quando as ondas sonoras chegam, eles entram em vibração, amplificando e transmitindo o som para o ouvido interno. A Trompa de Eustáquio, que liga o ouvido médio à garganta, é a responsável por equalizar a pressão.
  • Ouvido Interno (Cóclea ou Caracol): Aqui, a mágica acontece. A cóclea é um tubo em espiral preenchido por líquido e forrado por milhares de células ciliadas microscópicas. As vibrações do estribo movem esse líquido, que, por sua vez, faz as células ciliadas se curvarem. Esse movimento é transformado em impulsos elétricos.
  • Nervo Auditivo: É o cabo de transmissão. Ele leva esses impulsos elétricos diretamente para o cérebro.
  • Cérebro: O maestro da orquestra. É ele que decodifica esses sinais, interpretando-os como a voz da mãe, uma música, o barulho do carro ou o canto dos pássaros.

Qualquer interrupção nesse caminho, por mais mínima que seja, pode resultar em uma perda auditiva.

 

Os Diferentes Tipos e Graus da Surdez

A perda auditiva, especialmente na infância e adolescência, pode ser silenciosa, mas suas consequências são profundas, afetando a comunicação, o aprendizado, a socialização e a autoestima. A boa notícia é que, em muitos casos, ela pode ser prevenida, identificada precocemente e tratada com sucesso.

 

Graus de Perda Auditiva (o quanto se ouve):

  • Leve (20 a 40 decibels – dB): Dificuldade para ouvir sons fracos ou distantes. Em sala de aula, a criança pode perder até 50% do conteúdo.
  • Moderada (41 a 70 dB): Dificuldade com conversas em volume normal. O desenvolvimento da fala e da linguagem pode ser seriamente afetado se não for tratado.
  • Severa (71 a 90 dB): A criança só ouve sons muito altos. A fala espontânea não se desenvolve sem intervenção.
  • Profunda (acima de 91 dB): Não consegue ouvir até mesmo sons muito altos. A comunicação se dá principalmente pela Língua de Sinais (Libras) e leitura labial.

Fonte: Hearing First – hearingfirst.org – [email protected]

 

Sinais de Alerta – Aprendendo a “ouvir” o que a criança não diz

Reações que a criança com perda auditiva pode apresentar, por faixa etária:

A detecção precoce é a nossa maior arma. Muitas vezes, a criança não sabe ou não consegue comunicar que não está ouvindo bem. Cabe a nós, adultos atentos, observar os sinais.

Recém-Nascido e Bebê (0 a 2 anos):

  • Não se assusta ou acorda com sons altos e repentinos.
  • Não vira a cabeça na direção de um som após os 4 meses.
  • Não balbucia (“ahh”, “ohh”, “gugu”) ou para de balbuciar.
  • Não responde quando chamado pelo nome.
  • Não reconhece e não reage a palavras familiares (“mamá”, “papá”, “não”) por volta de 1 ano.

Criança Pequena (2 a 5 anos):

  • Atraso no desenvolvimento da fala ou fala muito “enrolada”, de difícil entendimento.
  • Fala muito alto ou muito baixo.
  • Precisa que as instruções sejam repetidas constantemente (“o quê?”).
  • Aumenta excessivamente o volume da TV ou tablet.
  • Parece desatenta ou “no mundo da lua” em ambientes barulhentos.
  • Tem frequentes infecções de ouvido (otites).

Criança em Idade Escolar e Adolescente (6 a 18 anos):

  • Dificuldade de acompanhar as aulas e queda no rendimento escolar.
  • Solicita frequentemente a repetição do que foi dito.
  • Tem dificuldade em localizar a origem de um som.
  • Apresenta comportamento retraído ou tímido em grupos.
  • Queixa de zumbido constante (“um barulhinho no ouvido”).
  • Sinal CRÍTICO na adolescência: Uso constante de fones de ouvido em volume alto (outras pessoas conseguem ouvir o que está saindo do fone).

Se você observar qualquer um desses sinais, não espere. Procure um profissional!

 

Atenção, Pais e Cuidadores!

Se o seu filho apresenta vários dos sinais de alerta listados acima para a faixa etária dele, ou se você tem uma preocupação intuitiva sobre a audição ou a fala dele, confie nos seus instintos! Procure um profissional. O pediatra é o primeiro passo, que poderá encaminhar para uma avaliação mais detalhada com um fonoaudiólogo e/ou um otorrinolaringologista. Lembre-se: a intervenção precoce faz toda a diferença no futuro da criança.

 

Prevenção – A Chave Mestra da Saúde Auditiva

Este é o coração da nossa missão no dia 10 de novembro. A prevenção começa antes mesmo do nascimento e se estende por toda a vida.

A Primeira Linha de Defesa: A Triagem Auditiva Neonatal (Teste da Orelhinha)

O que é? Um exame rápido, indolor e obrigatório por lei, realizado preferencialmente nos primeiros dias de vida, ainda na maternidade.

Sinais de alerta:

Os especialistas criaram uma lista de situações que aumentam a chance de uma criança ter perda auditiva. São os chamados indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA). Se seu filho se enquadra em algum deles, é preciso redobrar a atenção e garantir que a avaliação auditiva seja feita o quanto antes.

Pode-se utilizar 2 tipos de testagem:

  1. Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA)
  • O que é? É o teste mais comum na triagem inicial, conhecido por ser rápido (dura de 5 a 10 minutos) e indolor.
  • Como funciona? Um pequeno fone é colocado no canal auditivo do bebê, que emite estímulos sonoros de baixa intensidade. Se a cóclea (o “caracol” do ouvido interno) estiver saudável, ela produzirá uma resposta, uma espécie de “eco” quase imperceptível, que é captado pelo aparelho. É um teste que verifica a integridade da parte mais periférica do sistema auditivo.
  • Resultado: Quando esse “eco” é detectado, o resultado é “passou” ou “presente”. Isso indica que a cóclea está funcionando adequadamente naquele momento. Se o “eco” não for detectado (“reprovou” ou “ausente”), não significa necessariamente que o bebê tem surdez. Pode indicar que há líquido ou restos de vérnix no canal auditivo, comuns nos primeiros dias de vida. Por isso, uma nova triagem será necessária.
  1. Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE ou BERA)
  • O que é? Este é o exame de confirmação e maior profundidade e de escolha para as crianças com IRDA. Ele é mais completo e é obrigatório para bebês que permanecem com resultado “reprovado” na reavaliação das EOA, ou mesmo como primeiro exame em recém-nascidos de alto risco (ex.: histórico familiar de surdez, infecções congênitas, baixo peso, icterícia grave).
  • Como funciona? São colocados pequenos eletrodos adesivos na cabeça do bebê e fones nos ouvidos. Os estímulos sonoros são apresentados, e o aparelho registra a atividade elétrica do nervo auditivo e das vias nervosas no tronco encefálico em resposta a esses sons. É como se o exame “escutasse” o cérebro para ver se o sinal sonoro está chegando até lá. Este exame é capaz de identificar o tipo e o grau da perda auditiva.
  • Por que é tão importante? O PEATE é a ferramenta definitiva para triar, com precisão, uma perda auditiva neurossensorial (quando o dano está no ouvido interno ou no nervo auditivo). Quando uma bebê falha no teste e reteste do PEATE, ele deve ser encaminhado para a confirmação diagnóstica (com uma avaliação audiológica mais complexa e completa). Isso permite que a intervenção (com aparelhos auditivos, terapia) comece o mais cedo possível, antes dos 6 meses de idade, que é o período crítico para o desenvolvimento da linguagem.

Se seu bebê não fez o teste, ou se falhou e não fez a reavaliação, procure um pediatra ou serviço de saúde IMEDIATAMENTE.

 

Cuidados no Dia a Dia: Do Berço à Adolescência

  • Cuidado com as Otites: Infecções de ouvido são comuns, mas não podem ser negligenciadas. Sempre siga o tratamento prescrito pelo médico até o fim e faça as revisões. Amamentar o bebê em posição semielevada ajuda a prevenir otites.
  • Higiene Correta: Limpe apenas a parte externa da orelha com uma toalha. NUNCA use hastes flexíveis (cotonetes) dentro do canal auditivo. Elas empurram a cera para dentro e podem perfurar o tímpano.
  • Vacinação em Dia: Manter a carteira de vacinação atualizada protege contra doenças como caxumba, sarampo e rubéola, que podem causar perda auditiva.
  • Cuidados na Gestação: Pré-natal rigoroso para prevenir infecções como a rubéola e sífilis, que podem afetar a audição do feto.

 

Proteção em Ambientes Ruidosos

Festas infantis barulhentas, shows, fogos de artifício, cinemas. Em situações com ruído intenso, considere o uso de protetores auriculares. Existem modelos específicos para crianças, confortáveis e que diminuem o volume sem cortar completamente o som.

 

E Se a Perda Auditiva For Identificada? O Caminho da Intervenção

Receber o diagnóstico de que uma criança tem perda auditiva pode ser assustador, mas é importante saber que há um caminho bem estabelecido e cheio de esperança.

  1. A Equipe Multidisciplinar:
  • Otorrinolaringologista: é o especialista que fará o diagnóstico definitivo, investigará as causas e indicará o tratamento clínico ou cirúrgico.
  • Fonoaudiólogo: profissional fundamental para a (re)habilitação. Ele trabalhará o desenvolvimento da linguagem (oral ou de sinais), a leitura labial e a adaptação aos aparelhos de amplificação.
  • Pediatra: é quem acompanha o desenvolvimento global da criança.
  1. Opções de tratamento e tecnologia:
  • Aparelhos Auditivos: São amplificadores de som personalizados. Quanto mais cedo forem adaptados, melhor para o desenvolvimento da criança. Eles evoluíram muito, sendo hoje discretos e muito eficientes.
  • Implantes Cocleares: Um dispositivo eletrônico complexo que é implantado cirurgicamente e substitui a função da cóclea danificada. É indicado para perdas auditivas de severas a profundas que não são beneficiadas por aparelhos auditivos convencionais.
  1. Abordagens de (re)habilitação e comunicação:

Aqui, a jornada se personaliza. Não existe uma única forma “correta” de se comunicar. A escolha da abordagem deve considerar o tipo e grau da perda auditiva, o contexto familiar e as necessidades individuais da criança. O trabalho do fonoaudiólogo é essencial em todas elas.

  • Abordagem Oral: O foco é desenvolver a linguagem oral (fala) e a competência auditiva. Utiliza-se, de forma intensiva, a amplificação sonora (aparelhos ou implante), a leitura labial e o treinamento auditivo para que a criança aprenda a ouvir e a se expressar verbalmente.
  • Comunicação Total (ou Bilinguismo/Bimodalismo):
    Esta é uma filosofia inclusiva que defende o uso de todas as formas de comunicação disponíveis para garantir que a criança se expresse e compreenda o mundo ao seu redor, sem restrições. É um conceito que empodera a criança e a família.

 

Além da Prevenção e da Intervenção – Inclusão, Cidadania e a Riqueza da Diversidade

Combater a surdez vai muito além dos cuidados médicos e terapêuticos. É um trabalho contínuo de construir uma sociedade verdadeiramente acessível, que não apenas “aceite”, mas valorize ativamente as diferentes formas de se comunicar e experienciar o mundo.

 

Respeitando e Incluindo Todas as Formas de Comunicação

A jornada de uma criança com perda auditiva é única. Como vimos, algumas famílias e indivíduos focam na reabilitação oral, outras adotam a Comunicação Total e outras ainda mergulham na Língua de Sinais como base de sua identidade. Todas essas escolhas são válidas e merecem respeito.

  • Para famílias que optam pela Abordagem Oral: A inclusão significa garantir que a criança tenha acesso a tecnologia de ponta (aparelhos, implantes), que os professores saibam da necessidade de falar de frente, em um ambiente com menos ruído, e que os colegas sejam ensinados sobre paciência e repetição.
  • Para famílias que adotam a Comunicação Total: A inclusão é sobre flexibilidade. É criar espaços onde a criança possa usar um gesto, um sinal, a fala ou uma expressão facial para se fazer entender, sem barreiras. É incentivar que a família e os amigos mais próximos aprendam sinais básicos para enriquecer a comunicação.
  • Para famílias e indivíduos da Comunidade Surda: A inclusão se baseia no reconhecimento da Libras não como uma “ajuda”, mas como uma Língua completa, complexa e com status igual ao do Português. É sobre identidade e cultura.

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) como Direito e Patrimônio

A Libras é um pilar de acessibilidade e cidadania para milhões de brasileiros.

  • É uma Língua, não um gesto: Possui gramática, sintaxe e estrutura próprias, totalmente independente do Português.
  • Acesso à Informação e Educação: A presença de intérpretes de Libras em salas de aula, universidades, consultórios médicos e eventos públicos não é um favor; é um direito garantido por lei. É o que permite a plena participação social e acadêmica.
  • Incentive o Aprendizado: Encorajar que familiares, educadores e outras crianças aprendam o básico de Libras (cumprimentos, cores, frases do dia a dia) é um ato profundo de inclusão que quebra barreiras e constrói pontes.

 

Acessibilidade: Um Dever de Todos

A inclusão também é prática e está nos detalhes do dia a dia:

  • Legendagem e Closed Caption (“Legenda oculta”): Exigir e utilizar a legenda em TODOS os vídeos, filmes e programas de TV, não apenas para quem tem perda auditiva, mas também em ambientes barulhentos ou para auxiliar na alfabetização de todas as crianças.
  • Ambientes Acessíveis: Buscar locais que ofereçam loops de indução (sistema que transmite o som diretamente para o aparelho auditivo) em balcões de atendimento e teatros.
  • Tecnologia Assistiva: Aplicativos de transcrição de fala em tempo real, alertas visuais para campainhas e telefones, são ferramentas que promovem autonomia.

A Semente da Empatia: Ensinando Nossos Filhos

A construção de um mundo mais inclusivo começa em casa. Podemos ensinar nossas crianças, com ou sem perda auditiva, a:

  • Falar de frente, com clareza e paciência.
  • Repetir ou reformular a frase se notar que não foram compreendidas, sem demonstrar irritação.
  • Valorizar a comunicação para além da fala, observando gestos, expressões e a Língua de Sinais com curiosidade e respeito.
  • Enxergar a diversidade humana – incluindo o uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares – como algo natural e enriquecedor.

Cuidar da saúde auditiva é um ato de amor. Escolher uma abordagem de comunicação é um ato de autonomia. E construir uma sociedade inclusiva é um ato de cidadania.

 

Nossa Voz no Mundo

No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, somos lembrados de que a audição é uma ponte vital para o mundo. É pela audição que uma criança aprende a falar, que um adolescente compartilha suas descobertas, que nos conectamos com a música, a natureza e com quem amamos.

Como pais e cuidadores, temos o poder e a responsabilidade de proteger essa ponte. Através da informação, da observação atenta e da adoção de hábitos saudáveis, podemos garantir que as futuras gerações possam desfrutar da riqueza do mundo sonoro em toda a sua plenitude.

A saúde auditiva não é um detalhe. É fundamental para uma vida plena. Vamos fazer do dia 10 de novembro um ponto de partida, não apenas uma data no calendário. Vamos espalhar essa conscientização, conversar com nossos filhos, exigir os exames preventivos e buscar ajuda sempre que necessário.

Juntos, podemos fazer a diferença. Um som de cada vez.

 

Relator:
Manoel de Nobrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP

 

 

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Avaliação auditiva – Recomendações atuais para recém-nascidos e crianças maiores https://spsp.org.br/avaliacao-auditiva-recomendacoes-atuais-para-recem-nascidos-e-criancas-maiores/ Thu, 02 Oct 2025 18:10:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53384 Por que a audição do seu filho é tão importante? Vamos conversar sobre um tema fundamental para o desenvolvimento saudável das]]>

Por que a audição do seu filho é tão importante?

Vamos conversar sobre um tema fundamental para o desenvolvimento saudável das crianças: a audição.

A capacidade de ouvir é a porta de entrada para a linguagem, a fala, a aprendizagem e a interação social. Quando uma deficiência auditiva não é identificada e tratada precocemente, pode impactar significativamente a vida da criança. Hoje em dia, com os avanços da medicina, temos condições de detectar problemas auditivos nos primeiros dias de vida e intervir de maneira eficaz.

O objetivo principal deste texto é esclarecer, de forma simples e prática, as principais causas da perda auditiva, os indicadores de risco que pediatras e famílias devem observar, os exames de triagem disponíveis e as opções de tratamento.

 

Entendendo a perda auditiva: tipos e causas

Antes de tudo, é importante saber que existem diferentes tipos de perda auditiva:

  • Perda Auditiva Condutiva: Ocorre quando há um problema no ouvido externo ou médio que impede que o som seja conduzido adequadamente até o ouvido interno. Pode ser causada por acúmulo de cera, infecções (otite) ou malformações. Muitas vezes, esse tipo de perda é temporário e tratável com medicamentos ou cirurgia.
  • Perda Auditiva Sensorioneural: É a mais comum das perdas permanentes. Acontece quando há dano no ouvido interno (cóclea) ou no nervo que leva o som ao cérebro. Geralmente é irreversível, mas, com o uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares, pode ser reabilitada.
  • Perda Auditiva Mista: Como o nome sugere, é uma combinação das duas anteriores.
  • Espectro da Neuropatia Auditiva (ENA): Nesse caso, a cóclea pode estar funcionando, mas o nervo auditivo não transmite o sinal sonoro corretamente ao cérebro. É uma condição mais complexa, que requer avaliação especializada.

E o que pode causar essas perdas? As causas são divididas entre congênitas (presentes ao nascimento) e adquiridas (que surgem após o nascimento).

 

Sinais de alerta: os indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA)

Os especialistas criaram uma lista de situações que aumentam a chance de uma criança ter perda auditiva. São os chamados indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA). Se seu filho se enquadra em algum deles, é preciso redobrar a atenção e garantir que a avaliação auditiva seja feita o quanto antes.

Os principais IRDA são:

A preocupação dos pais é o IRDA mais importante!

Este é o ponto número um por um motivo muito simples: os pais são os maiores especialistas em seus filhos. Se você, mãe ou pai, tem qualquer preocupação sobre a audição, a fala ou o desenvolvimento da linguagem do seu bebê ou criança, mesmo que ela tenha passado na triagem auditiva neonatal, deve procurar um especialista (otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo) imediatamente. Nunca ignore seu instinto.

Histórico familiar

Se existe na família (pais, irmãos, avós, tios) algum caso de surdez ou perda auditiva permanente que começou na infância, o risco é maior. Muitas formas de perda auditiva são hereditárias.

Problemas durante a gravidez e o parto:

  • Internação em UTI Neonatal por mais de 5 dias: Bebês nesta situação têm um risco aumentado. Os motivos são vários: uso de ventilação mecânica, medicamentos, prematuridade, entre outros.
  • Peso de nascimento muito baixo (menos de 1.500 gramas): Bebês prematuros e com baixo peso são mais vulneráveis.
  • Complicações no parto: Como falta de oxigênio (anoxia perinatal), Apgar baixo (nota abaixo de 4 no 1º minuto ou 6 no 5º minuto), ou icterícia grave que necessitou de tratamento especial (exsanguinotransfusão).
  • Infecções congênitas (as famosas “infecções da gestação”): Durante a gravidez, algumas infecções podem ser transmitidas para o bebê e causar problemas, incluindo a perda auditiva. O grupo é conhecido pela sigla STORCH+Z, sendo:
  • Sífilis
  • Toxoplasmose
  • Rubéola (felizmente, o Brasil eliminou a rubéola em 2015!)
  • Citomegalovírus (CMV) – uma das causas mais comuns de perda auditiva adquirida na infância
  • Herpes
  • HIV
  • Zika Vírus

O pré-natal é fundamental para prevenir, diagnosticar e tratar essas infecções.

Características físicas e síndromes

  • Anomalias craniofaciais: Bebês com lábio leporino/fenda palatina, microtia (orelha malformada), apêndices pré-auriculares (pequenas “bolinhas” perto da orelha) têm maior risco.
  • Síndromes genéticas conhecidas: Algumas síndromes, como Down, Waardenburg, Usher e outras, frequentemente estão associadas à perda auditiva.

Uso de medicamentos ototóxicos

Certos medicamentos, embora necessários para tratar infecções graves ou câncer, podem prejudicar a audição. Os principais são alguns antibióticos e quimioterápicos.

Causas adquiridas na infância

  • Infecções graves: Meningite bacteriana é uma causa muito importante de perda auditiva pós-natal. Manter a carteira de vacinação em dia é a melhor prevenção!
  • Traumatismo craniano: Pancadas fortes na cabeça podem lesionar o ouvido.
  • Otite média secretora (OMS): Extremamente comum na infância, é o acúmulo de líquido atrás do tímpano. Pode causar perda auditiva condutiva temporária. Se persistir por mais de três meses, pode precisar de tratamento com cirurgia para colocar tubo de ventilação.

 

A triagem auditiva neonatal: o primeiro e fundamental exame

Todas as crianças devem fazer o teste da orelhinha ainda na maternidade, preferencialmente nas primeiras 48 horas de vida. É um exame rápido, indolor e que não incomoda o bebê.

  • Como é feito? Coloca-se uma pequena sonda no canal auditivo do bebê, que emite sons e capta a resposta do ouvido interno (as “emissões otoacústicas evocadas”).
  • E se o bebê “falhar” no teste? Isso não significa que ele é surdo. Pode ser que havia líquido no ouvido ou o bebê estava se mexendo muito. O importante é repetir o teste em até um mês. Se a falha persistir, a criança deve ser encaminhada para uma avaliação audiológica completa.

Lembre-se: Passar no teste da orelhinha é ótimo, mas não descarta 100% a possibilidade de uma perda auditiva se desenvolver mais tarde. Por isso, a observação contínua dos pais é insubstituível.

 

O que esperar da consulta com o especialista (otorrinolaringologista)

Se houver suspeita de perda auditiva, o médico fará uma avaliação completa:

  • Histórico detalhado: Perguntará sobre a gravidez, o parto, a triagem auditiva, o desenvolvimento da criança e o histórico familiar.
  • Exame físico minucioso: Olhará as orelhas, o rosto e a cabeça do bebê em busca de sinais que possam estar associados à perda auditiva.
  • Solicitação de exames: Pode pedir exames de sangue (para investigar infecções congênitas), exames de imagem (como tomografia) e, o mais importante, exames audiológicos específicos para a idade da criança.

 

Opções de tratamento e reabilitação:

O diagnóstico de perda auditiva não é o fim da linha. Pelo contrário, é o início de uma jornada de reabilitação com resultados fantásticos, especialmente quando iniciada cedo. As opções dependem do tipo e grau da perda:

  • Aparelhos de amplificação sonora individual (AASI)

São os conhecidos aparelhos auditivos. Eles amplificam o som e são a primeira opção para a maioria das crianças com perda auditiva sensorioneural. A adaptação deve ser feita por um fonoaudiólogo especializado.

  • Próteses auditivas ancoradas no osso (PAAO)

Indicadas para casos em que o som não consegue chegar ao ouvido interno pela via normal, como em algumas malformações de orelha ou após cirurgias. Elas vibram o osso do crânio, que por sua vez estimula a cóclea diretamente.

  • Implante coclear

É uma tecnologia incrível para crianças com perdas auditivas severas a profundas, que não se beneficiam suficientemente dos aparelhos convencionais. É um dispositivo eletrônico implantado cirurgicamente que substitui a função da cóclea danificada, enviando sinais elétricos diretamente para o nervo auditivo.

  • A idade importa: O ideal é que o implante seja feito antes dos 12 meses de vida, pois o cérebro está no período de maior plasticidade para aprender a ouvir. Os resultados em termos de desenvolvimento de linguagem são espetaculares.
  • É um processo: Após a cirurgia, a criança precisa de uma intensa terapia fonoaudiológica para aprender a interpretar os sons que agora consegue ouvir.

Outros implantes

Existem também implantes de orelha média e até implantes no tronco cerebral para casos muito específicos em que o implante coclear não é possível.

 

O papel da família e a importância da intervenção precoce

A família é o pilar mais importante da reabilitação. O envolvimento dos pais no processo de terapia, a criação de um ambiente rico em estímulos sonoros e linguísticos, muito amor e paciência fazem toda a diferença.

Estudos mostram que crianças com perda auditiva identificada e tratada antes dos 6 meses de idade desenvolvem habilidades de linguagem muito melhores do que aquelas identificadas tardiamente. Cada dia conta!

Conclusão: fique atento e converse com seu pediatra

A audição é um sentido precioso. Conhecer os indicadores de risco e acompanhar de perto o desenvolvimento do seu filho são as melhores formas de garantir que qualquer problema seja detectado a tempo.

Em resumo:

  1. Faça o teste da orelhinha no recém-nascido.
  2. Observe os marcos do desenvolvimento da fala e da audição.
  3. Conheça os IRDA e, se seu filho se enquadrar em algum, converse com o pediatra.
  4. Confie no seu instinto: se desconfiar de algo, procure ajuda especializada sem demora.

A medicina avança a cada dia, e as possibilidades de reabilitação auditiva são vastas e cheias de sucesso. Com informação, cuidado e apoio, seu filho terá todas as ferramentas para desenvolver todo o seu potencial.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta com o pediatra ou otorrinolaringologista. Para qualquer dúvida específica sobre a saúde do seu filho, procure sempre um profissional de saúde.

 

Relator:
Manoel de Nóbrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP

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Prevenção da surdez começa no pré-natal https://spsp.org.br/prevencao-da-surdez-comeca-no-pre-natal/ Fri, 08 Nov 2024 12:04:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48812 Em 10 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez. A prevenção da surdez começa no período pré-natal – saber se existe na família algum caso de surdez]]>

Em 10 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez. A prevenção da surdez começa no período pré-natal – saber se existe na família algum caso de surdez presente ao nascimento; se os pais são parentes entre si (parentesco de primeiro e segundo graus). Para estes casos, a orientação do geneticista pode ser muito útil.

No período gestacional é fundamental a realização das consultas pré-natais. O acompanhamento com o obstetra é importante para garantir uma evolução sadia do seu futuro bebê!

Deve-se fazer os testes sorológicos na gestante para afastar o risco de infecções maternas durante a gestação, que podem passar despercebidas. São elas: toxoplasmose, citomegalovirose, rubéola, herpes, Aids, sífilis, zika vírus, chikungunya, Covid-19.

O período que envolve o parto e a alta hospitalar do bebê são momentos críticos para a audição. Bebês que nascem prematuros e/ou com baixo peso também podem ter risco para a surdez. Internação em UTI por mais de cinco dias, problemas de oxigenação que necessitam de entubação, aumento da bilirrubina em que existe a necessidade de exsanguinotransfusão, uso de antibióticos ototóxicos, meningite, hemorragia periventricular também são fatores de risco.

Deve sempre ser solicitada a avaliação audiológica de seu bebê antes da alta hospitalar – o que é conhecido como o “Teste da Orelhinha”. É seu direito e é lei. Os testes são simples, rápidos, não invasivos, não dolorosos e permitem avaliar com muita precisão se o seu bebê “passou” na triagem auditiva.

Se existe suspeita de falha no “Teste da Orelhinha”, seu bebê deve ser encaminhado para as unidades de referência para confirmação da surdez e se iniciar de forma precoce o processo da reabilitação auditiva.

Quando um diagnóstico e a reabilitação da perda auditiva são feitos de forma precoce, as chances de o recém-nascido desenvolver a fala e a linguagem são muito maiores.

Durante o período pré-escolar e escolar, as infecções de ouvido são mais frequentes e podem causar perda auditiva temporária, que pode afetar o bom desenvolvimento da criança. Por isso o acompanhamento periódico com o pediatra e a realização de avaliações audiológicas seriadas são importantes.

Nas crianças maiores é importante estar atento ao uso de fones de ouvido em volume aumentado. Mesmo a música alta pode causar perda auditiva irreversível.

Que a audição de seu filho não se restrinja apenas ao dia 10 de novembro. A audição que nos permite estar na “presença intelectual dos homens” (Hellen Keller). É graças a audição que iremos desenvolver a fala, a linguagem, que iremos aprender e ensinar.

 

Relator:

Manoel de Nóbrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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A criança rouca: disfonia na infância https://spsp.org.br/a-crianca-rouca-disfonia-na-infancia/ Fri, 12 Apr 2024 13:41:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=45083 A disfonia, ou rouquidão, é um distúrbio vocal, dificuldade ou alteração na emissão da voz (fonação) e está presente na maioria das afecções da laringe, onde estão as pregas vocais.]]>

A disfonia, ou rouquidão, é um distúrbio vocal, dificuldade ou alteração na emissão da voz (fonação) e está presente na maioria das afecções da laringe, onde estão as pregas vocais. A laringe, além da fonação, conduz o ar que respiramos para o pulmão e atua como um “cão de guarda”, protegendo as vias respiratórias inferiores através da tosse. Se a rouquidão persistir mais do que 14 dias é sinal de alerta e o paciente deverá ser avaliado pelo pediatra que, se julgar necessário, encaminhará para o otorrinolaringologista pediátrico.

A rouquidão pode estar acompanhada de tosse, estridor ou chiado, desconforto respiratório e engasgos nos quadros mais graves, com movimentação (batimento) das asas do nariz e palidez cutânea, os quais são sinais de alarme. Assim, a disfonia deve ser abordada pelo otorrinolaringologista com o compromisso de explorá-la através da anamnese, do exame físico e do exame endoscópico, que permite a visualização da laringe. O exame da nasofibrolaringoscopia, realizado pelo otorrinolaringologista, auxiliará no diagnóstico diferencial das possíveis alterações a serem encontradas nas pregas vocais e que estejam causando a rouquidão. Em algumas situações, outros exames complementares, como exames laboratoriais e/ou de imagem tornam-se relevantes na investigação da causa da disfonia e associações com outras doenças.

Importante frisar que não é correto, por parte do médico especialista, justificar a rouquidão como algo que vai melhorar com o crescimento do paciente, ou após a adolescência, ou que esteja ocorrendo pelo uso errado da voz. É necessário saber a causa. A disfonia pode estar presente desde o nascimento até a vida adulta e são múltiplas as causas, sendo as mais frequentes:

  • Ao nascimento: laringomalácia (alteração congênita que se caracteriza pelo amolecimento das estruturas da laringe, que caem sobre a abertura das vias aéreas e a bloqueiam parcialmente, e sua manifestação característica é o estridor [ruído] inspiratório intermitente), malformações congênitas (vasculares, tumorais, cistos, atresia – condição na qual um órgão ou orifício do corpo está ausente ou anormalmente fechado), paralisia laríngea;
  • Na infância: laringites agudas (inflamatória, infecciosa, sendo a maioria causada por vírus), abuso vocal, com formação do nódulo vocal, o famoso “calo vocal”;
  • Na adolescência: nódulo vocal, muda vocal (“oitavando a voz”), que é uma disfunção da fonação durante o crescimento da laringe;
  • E ainda: pólipos, cistos, alterações relacionadas com doenças autoimunes e, também, estenoses (estreitamentos) laríngeas pós-intubação endotraqueal.

Inicialmente, o importante é tratar a causa da disfonia. Muitas vezes demanda tempo e dedicação dos profissionais envolvidos no diagnóstico e na conduta. Todas essas afecções são passíveis de tratamento, muitas vezes em conjunto com a Fonoaudiologia. A abordagem na criança é a mais conservadora possível. O tratamento cirúrgico é raro e fica reservado para os casos em que a disfonia prejudica a criança; sendo importante associar com fonoterapia. O fonoaudiólogo é o terapeuta responsável pela reabilitação da voz e contribui para introduzir novos padrões e hábitos vocais saudáveis.

A família deve ajudar a criança a dar continuidade na terapia de fala e facilitar novos hábitos vocais. Isso aumenta a eficácia do tratamento. A qualidade da voz é importante na vida social, na capacidade de comunicação e no desenvolvimento das relações sociais.

 

Relatora:
Janaina Carneiro de Resende
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Síndrome PFAPA https://spsp.org.br/sindrome-pfapa/ Tue, 28 Nov 2023 18:21:34 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40874 A síndrome PFAPA (abreviatura do inglês Periodic fever accompanied by aphthous stomatitis, pharyngitis and cervical adenitis syndrome, significa em português: Febre Periódica, Aftas]]>

A síndrome PFAPA (abreviatura do inglês Periodic fever accompanied by aphthous stomatitis, pharyngitis and cervical adenitis syndrome, significa em português: Febre Periódica, Aftas, Faringite e Adenite) é uma inflamação sem causa específica ou aparente. A febre aparece com periodicidade, acompanhada por amigdalite/faringite em 90% dos casos, gânglios aumentados na região do pescoço (adenite) em 70% e aftas em 50% das vezes.

É uma doença benigna, que aparece após o primeiro ano de idade e tende a desaparecer após os 10 anos, com resolução espontânea.

Nos primeiros episódios febris, quando a criança vai aos Serviços de Emergência, a doença pode passar despercebida. Em muitos casos, pode até receber antibióticos frequentemente, sem necessidade. Somente após vários surtos é que se começa a pensar na possibilidade da PFAPA. A febre é súbita, subindo rapidamente (39-40oC), com duração entre 4-5 dias e frequência entre 3-6 semanas. O intervalo entre as crises pode ser mais longo ou mais curto.

A doença será diagnosticada com base na combinação da clínica, exame físico e testes laboratoriais. Antes de confirmar o diagnóstico, é obrigatório excluir todas as outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes.

Que tipo de testes laboratoriais são necessários?

Não existem exames de laboratório ou de imagem específicos para o diagnóstico de PFAPA. Os valores dos testes, tal como a velocidade de hemossedimentação (VHS) ou os níveis de Proteína C Reativa (PCR) no sangue aumentam durante os episódios, mas voltam a ficar normais nos períodos entre eles.

Como a PFAPA não é uma doença infecciosa, a pesquisa de agentes virais ou bacterianos sempre é negativa, sendo de suma importância excluir essas infecções durante as crises. O tratamento com 1-2 doses de corticoide, orientado pelo médico (pediatra e/ou otorrinolaringologista) que está acompanhando a criança é um sinal importante para confirmar o diagnóstico.

Existe também tratamento profilático com alguns medicamentos, que podem ser prescritos pelo otorrinolaringologista que está acompanhando a criança. Em alguns casos, quando o intervalo entre as crises de febre e a administração de corticoide ficar cada vez mais curta, a cirurgia de amigdalectomia – retirada das amígdalas – pode levar a um bom desfecho, com o desaparecimento da doença.

É importante considerar o tratamento medicamentoso somente quando a qualidade de vida dos pacientes e familiares estiver muito impactada, e a decisão da indicação de cirurgia deverá ser tomada em conjunto pelos pais, pediatra e otorrinolaringologista que acompanham a criança, para se encerrar, através da cirurgia, em caráter definitivo, essas crises febris.

 

Relatoras:
Tania Sih
Renata Di Francesco
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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10/11 – Dia Nacional de Prevenção e Combate da Surdez https://spsp.org.br/10-11-dia-nacional-de-prevencao-e-combate-da-surdez/ Fri, 10 Nov 2023 17:29:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40643 Definir o que é ouvir ou escutar é extremamente complexo, pois esta capacidade se adapta a muitas funções banais e importantes do nosso dia a dia.]]>

Definir o que é ouvir ou escutar é extremamente complexo, pois esta capacidade se adapta a muitas funções banais e importantes do nosso dia a dia. Consultando o dicionário, pode-se observar quantos significados há de ouvir, inclusive com sentidos opostos. O som produzido pela fala carinhosa da mãe pode induzir o sono em seu bebê, enquanto os gritos produzidos por ele podem facilmente tirar a mãe de seu sono tranquilo. O som pode transmitir segurança, medo ou pavor.

Ouvir, para o ser humano, implica fala; dois indivíduos ouvintes e falantes implicam troca. Pode-se ouvir e aprender, como também ensinar. O indivíduo ouvinte tem acesso ao mundo intelectual dos homens, onde a maioria das informações entre dois indivíduos são trocadas oralmente.

Já o não ouvir significa banir o indivíduo desse meio, privá-lo dessas trocas, interferindo no seu desenvolvimento e na formulação da sua linguagem interior e exterior. Interfere também de maneira definitiva na estrutura familiar e no meio em que o indivíduo vive, na maioria das vezes de forma negativa, pelas dificuldades e preconceitos que acarreta.

A prevenção da surdez em crianças envolve cuidados que pais e cuidadores podem tomar desde o nascimento, para garantir que seus filhos desenvolvam uma audição saudável.

Aqui estão algumas orientações importantes:

  • Pré-natal:

A realização das consultas de pré-natal é fundamental para acompanhar o bom desenvolvimento do seu bebê. Realizar testes sorológicos, aconselhamento genético nos casos de perda auditiva familiar presentes desde o nascimento ou que acometeram crianças pequenas na família, são fundamentais.

  • Teste da audição ao nascimento:

O teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal universal) é um procedimento padrão obrigatório por lei e que deve ser realizado em todos os recém-nascidos, para identificar problemas auditivos precocemente. Certifique-se de que o teste seja realizado e, se algum problema for detectado, siga as orientações dos profissionais de saúde.

  • Amamentação:

A amamentação é benéfica para a saúde geral do bebê, incluindo a audição. O leite materno oferece proteção contra infecções e inflamações que podem afetar os ouvidos.

  • Vacinas e cuidados de saúde:

Manter as crianças saudáveis é fundamental para prevenir infecções que possam afetar a audição (como por exemplo sarampo, rubéola, caxumba, meningite). Certifique-se de que seu filho receba todas as vacinas recomendadas que constam do calendário vacinal proposto pela Sociedade de Pediatria. E faça as consultas médicas regulares de seu filho. Seu pediatra sabe o que é melhor para cada idade de seu filho.

  • Evitar exposição a ruídos altos:

Proteja os ouvidos de seu filho de ruídos intensos, como música alta, fones de ouvido em volume excessivo, brinquedos e máquinas barulhentas. Use protetores auriculares, se necessário, durante eventos barulhentos, como shows ou festas.

  • Cuidado com as infecções do ouvido:

Infecções da orelha média podem ser prejudiciais para a audição. Esteja atento a sinais de infecção, como dor no ouvido, febre e irritabilidade, e procure tratamento médico sempre que necessário. Mesmo na ausência de infecções ativas a criança poderá estar com a audição prejudicada. Portanto, faça audiometria todos os anos até seu filho completar os sete anos. A partir daí o número de infecções de ouvido nas crianças diminui drasticamente.

  • Evite o uso de cotonetes:

Não use cotonetes para limpar os ouvidos das crianças, pois isso pode empurrar cera ou objetos estranhos para dentro do canal auditivo, causando danos. A orelha externa não precisa ser limpa – a cera da orelha não é sujeira; é proteção!

  • Educação sobre ruído:

Ensine seus filhos sobre os perigos do ruído alto, fones de ouvido em volumes elevados e a importância de proteger a audição. Use jogos e atividades educacionais para tornar o aprendizado divertido.

  • Verificação da audição:

Realize verificações periódicas da audição de seu filho, especialmente se houver histórico de problemas auditivos na família. Isso pode ajudar a identificar problemas precocemente.

  • Desenvolvimento da linguagem:

Estimule o desenvolvimento da linguagem de seu filho, já que a audição desempenha um papel fundamental na aquisição da linguagem. Converse, leia e cante para seu filho desde cedo.

  • Consulta a um especialista:

Se você suspeitar de problemas auditivos em seu filho, consulte um otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo, parceiros do seu pediatra. Quanto mais cedo os problemas forem identificados, mais eficaz será o tratamento.

Lembre-se de que a prevenção da surdez começa na barriga da mãe e é um esforço contínuo. A conscientização e a educação dos pais e cuidadores desempenham um papel crucial na proteção da audição das nossas crianças.

 

Relator:
Manoel de Nóbrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Diminuição da imunidade após amigdalectomia e adenoidectomia: mito ou realidade? https://spsp.org.br/diminuicao-da-imunidade-apos-amigdalectomia-e-adenoidectomia-mito-ou-realidade/ Fri, 06 Oct 2023 20:01:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39694 Como as tonsilas palatinas (amígdalas) e tonsilas faríngeas (adenoide) desempenham um papel no sistema]]>

Como as tonsilas palatinas (amígdalas) e tonsilas faríngeas (adenoide) desempenham um papel no sistema imunológico, é compreensível que haja preocupações sobre a diminuição da imunidade após amigdalectomia.

A amigdalectomia é um procedimento cirúrgico que envolve a remoção das amígdalas, enquanto a adenoidectomia refere-se à remoção das adenoides, sendo uma das cirurgias em crianças mais realizadas no mundo. Popularmente, existe uma crença de que esses procedimentos podem levar a uma diminuição da imunidade da criança, com aumento das dores de garganta ou faringites no período após a cirurgia. Isso pode confundir alguns pais e pacientes. Vamos explorar se essa crença é mito ou realidade.

As amígdalas e adenoide são formações de tecido linfoide, semelhantes a linfonodos, localizadas na parte posterior da garganta e do nariz, que fazem parte do sistema imunológico e desempenham um papel na proteção do corpo contra infecções. Essas estruturas produzem anticorpos que combatem bactérias, fungos e vírus que entram no corpo pela boca, durante a alimentação, e pelo nariz, por inalação. Isto posto, principalmente na infância, a remoção das amígdalas e adenoides produz uma diminuição da produção de anticorpos num período curto, até outras estruturas do sistema de defesa assumirem essa função. Desta forma, em situações como pandemias ou endemias, essas cirurgias devem ser postergadas.

A adenoamigdalectomia é indicada numa série de afecções, que são bem definidas, sendo que as mais prevalentes são o crescimento importante das amígdalas e adenoide, que induz ao distúrbio respiratório do sono e apneia obstrutiva do sono (pausas respiratórias durante o sono), infecções bacterianas frequentes (amigdalites e adenoidites), abscesso periamigdaliano (coleções de pus na garganta), casos severos da Síndrome de Febre Periódica (picos febris sem outra causa aparente), aftas, faringites e aumento crônico dos gânglios linfáticos. A decisão pela cirurgia deve ser avaliada caso a caso e decidida de comum acordo com os responsáveis pela criança, o médico otorrino e o pediatra.

Ocorre diminuição da imunidade após a cirurgia de amigdalectomia?

Vários estudos relacionados a esse tema foram realizados e analisados e concluíram que não há evidências científicas que apoiem a crença de que a remoção das tonsilas palatinas leve a uma piora da imunidade de forma duradoura ou a longo prazo.

As amígdalas e adenoides são apenas uma parte do sistema imunológico e sua remoção não parece afetar a função geral da nossa imunidade. Esse sistema é uma rede complexa de células, tecidos e órgãos, que trabalham juntos para proteger o corpo de patógenos nocivos, como vírus e bactérias. Além das amígdalas e adenoides, existem muitos outros componentes que trabalham unidos para combater infecções, como gânglios linfáticos, glóbulos brancos, fígado e baço, que compensam o papel desempenhado pelas amígdalas e adenoides.

Então fique tranquilo, se existe indicação para a remoção das amígdalas e/ou da adenoide, o procedimento deve ser realizado. Na dúvida, não deixe de procurar seu pediatra, que, em conjunto com o otorrinolaringologista, fornecerão as respostas e orientações corretas sobre suas questões.

 

Relator:
Bruno de Almeida Antunes Rossini
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional do Surdo: compreensão profunda e caminhos para uma intervenção pedagógica inclusiva na infância https://spsp.org.br/dia-nacional-do-surdo-compreensao-profunda-e-caminhos-para-uma-intervencao-pedagogica-inclusiva-na-infancia/ Tue, 26 Sep 2023 20:02:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39486 A celebração do Dia Nacional do Surdo, em 26 de setembro, evoca a importân]]>

A celebração do Dia Nacional do Surdo, em 26 de setembro, evoca a importância de uma profunda compreensão sobre as experiências, direitos e desafios da comunidade surda. Dentro da pediatria, a abordagem precoce e sensível da surdez se mostra crucial para as trajetórias de vida desses indivíduos.

Surdez infantil: uma realidade complexa

Não existe uma única causa para a surdez. Desde questões genéticas até complicações no parto, passando por infecções maternas durante a gravidez ou exposição a medicamentos específicos. Em cenários como o Brasil, a incidência de perda auditiva congênita flutua entre 1 a 3 por 1.000 nascidos vivos. A compreensão dessa diversidade é vital para orientar as abordagens de intervenção.

 A detecção precoce: porta de entrada para ações eficazes

A Triagem Auditiva Neonatal, frequentemente denominada Teste da Orelhinha, é mais do que um procedimento padrão: é uma janela crucial para a identificação de alterações auditivas. Esse rastreio, ao ser realizado nas primeiras 48 horas de vida, pode desencadear uma série de intervenções que impactarão o desenvolvimento global da criança.

Intervenção diversificada: oportunidades e escolhas

No universo de opções terapêuticas, os aparelhos auditivos tradicionais têm sido aliados de longa data. No entanto, a evolução médica trouxe o implante coclear, que se tornou uma ferramenta revolucionária para muitas crianças e suas famílias. Independentemente das escolhas tecnológicas, é essencial considerar as abordagens pedagógicas: a oralização e a alfabetização em Libras, juntamente com o Português, são caminhos que devem ser discutidos e personalizados para cada criança.

Educação e Surdez: um mosaico de desafios e triunfos

Educar crianças surdas em escolas regulares é um desafio enriquecedor e as necessidades vão além da presença de intérpretes de Libras. Materiais didáticos adaptados, formação continuada de educadores e uma cultura escolar inclusiva são essenciais. Além disso, é crucial que as escolas reconheçam e valorizem a cultura e identidade surdas, promovendo ambientes em que a criança surda se sinta acolhida e respeitada.

Educação e língua brasileira de sinais

Segundo a Federação Mundial de Surdos, estima-se que existam mais de 70 milhões de pessoas surdas ao redor do mundo. Mais de 80% destes vivem em países subdesenvolvidos e em conjunto, utilizam mais de 300 línguas de sinais diferentes. A Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência reconhece e promove o uso da língua brasileira de sinais, enfatizando sua importância de igual maneira à linguagem falada. Portanto, é dever do Estado assegurar e facilitar seu ensino como ponto-chave na promoção da identidade da comunidade surda. A língua brasileira de sinais engloba uma diversidade linguística e cultural rica e preservá-la é essencial.

Sociedade e Surdez: ressignificando visões e quebrando paradigmas

A realidade da surdez não se limita a escolhas terapêuticas ou educacionais: é fundamental confrontar e desconstruir preconceitos sociais. A comunidade surda não é homogênea e a surdez não define a totalidade de sua experiência de vida. Celebrar a diversidade, promover a conscientização e garantir direitos são etapas indispensáveis para uma sociedade verdadeiramente inclusiva.

Conclusão

O Dia Nacional do Surdo é mais do que uma data no calendário. É um convite à reflexão, ao comprometimento e à ação. A Sociedade de Pediatria de São Paulo reitera seu compromisso com uma abordagem sensível, informada e inclusiva para todas as crianças surdas, garantindo que elas tenham a oportunidade de viver plenamente em uma sociedade que as reconheça e valorize.

Saiba mais:

  1. World Health Organization. (2021). Deafness and hearing loss.
  1. Olusanya BO, Davis AC & Wertlieb D. (2007). Developmental Disabilities in Our World. Karger Publishers.
  2. Ministério da Saúde. (2012). Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva.
  3. Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. (2020). Implante Coclear.
  4. Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). (2020). A Educação do Surdo no Brasil.
  5. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), Lei nº 13.146 de 6 de julho de 2015.

 

Relatora:
Carolina Videira
Neurocientista, Educadora e Membro do Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Revista Crescer – Prevenção de acidentes domésticos, com Luciana Issa https://spsp.org.br/revista-crescer-prevencao-de-acidentes-domesticos-com-luciana-issa/ Fri, 01 Sep 2023 12:57:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39451 ]]>

Veículo: Revista Crescer

Data: Set/2023

Luciana Issa, membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP, concedeu entrevista à revista Crescer, em que deu dicas de como evitar acidentes domésticos com as crianças. Entre outras recomendações, a médica falou sobre a importância de instalação de redes ou telas de proteção nas janelas da casa, inclusive nas do banheiro e da cozinha; de manter longe do alcance dos pequenos remédios, cosméticos, objetos cortantes e elétricos; e de colocar panelas nas bocas de trás do fogão, com os cabos virados para dentro e para trás.  

Leia mais: PDF

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