Oncologia – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 18 Sep 2026 18:41:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Oncologia – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retinoblastoma: o tumor ocular da primeira infância https://spsp.org.br/retinoblastoma-o-tumor-ocular-da-primeira-infancia/ Fri, 18 Sep 2026 18:40:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=59096 O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro. O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo. Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam. O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça. O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes. Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal. O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado. O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados. A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão. A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro.

O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo.

Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam.

O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça.

O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes.

Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal.

O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado.

O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados.

A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Linfomas são altamente curáveis na infância https://spsp.org.br/linfomas-sao-altamente-curaveis-na-infancia/ Tue, 15 Sep 2026 14:07:54 +0000 https://spsp.org.br/?p=59023 No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos. Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer. Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso. O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares. A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia. O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica. Relatora:Ethel F. GorenderPresidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP]]>

No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos.

Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer.

Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso.

O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares.

A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia.

O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica.

Relatora:
Ethel F. Gorender
Presidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP

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Recomendações: Artigos de atenção Domiciliar, Otorrinolaringologia e Oncologia https://spsp.org.br/recomendacoes-artigos-de-atencao-domiciliar-otorrinolaringologia-e-oncologia/ Mon, 24 Aug 2026 18:48:43 +0000 https://spsp.org.br/?p=58518 O fascículo 109 de Recomendações traz atualização de condutas em Pediatria. No primeiro artigo, o Departamento Científico (DC) de Atenção Domiciliar aborda o artigo vacinação em condições crônicas e de complexidade médica]]>

Texto divulgado em 24/08/26


O fascículo 109 de Recomendações traz atualização de condutas em Pediatria. No primeiro artigo, o Departamento Científico (DC) de Atenção Domiciliar aborda o artigo vacinação em condições crônicas e de complexidade médica. O segundo texto do DC de Otorrinolaringologia fala sobre vertigem na infância. Por fim, o DC de Oncologia destaca sinais e sintomas clínicos de atenção para predisposição ao câncer.

Os fascículos Recomendações são coordenados pela Diretoria de Publicações da SPSP. Os artigos são elaborados pelos Departamentos Científicos, Grupos de Trabalhos e Núcleos de Estudo da SPSP e têm por objetivo promover atualização contínua sobre temas específicos nas diversas áreas de atuação da Pediatria.

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A importância da triagem oftalmológica neonatal na detecção precoce do retinoblastoma https://spsp.org.br/a-importancia-da-triagem-oftalmologica-neonatal-na-deteccao-precoce-do-retinoblastoma/ Thu, 18 Sep 2025 11:49:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53214 A saúde ocular na infância é um tema que merece cada vez mais atenção dentro da pediatria e da oftalmologia]]>

A saúde ocular na infância é um tema que merece cada vez mais atenção dentro da pediatria e da oftalmologia. Cuidar dos olhos desde os primeiros dias de vida não é apenas uma medida preventiva para garantir boa visão, mas também uma estratégia eficaz para identificar doenças graves, que podem comprometer não só o desenvolvimento visual, mas a vida da criança. Entre essas doenças, o retinoblastoma ocupa um lugar de destaque, tanto por sua gravidade quanto pela possibilidade de ser diagnosticado precocemente por meio de um exame simples: o teste do olhinho simples.

O que é o retinoblastoma?

O retinoblastoma é um tumor maligno que se origina na retina, estrutura localizada no fundo do olho, responsável por captar a luz e formar as imagens que enxergamos. Trata-se do tumor intraocular mais comum na infância, com maior incidência em crianças pequenas, geralmente antes dos cinco anos de idade.

Embora seja considerado um câncer raro, sua relevância clínica é imensa. Em parte dos casos, o retinoblastoma está relacionado a alterações genéticas hereditárias, o que significa que pode ocorrer em mais de um olho (forma bilateral) e até mesmo em mais de um membro da mesma família. Já nos casos não hereditários, o tumor tende a surgir de maneira unilateral.

O grande desafio é que, nas fases iniciais, o retinoblastoma pode passar despercebido, pois muitas vezes não apresenta sintomas evidentes para os pais. No entanto, com a evolução da doença, sinais como o aparecimento de um reflexo branco na pupila (leucocoria, popularmente conhecida como “olho de gato” em fotos com flash), estrabismo, vermelhidão ocular persistente ou baixa visual podem se manifestar. Infelizmente, nesses estágios, a doença já pode estar mais avançada.

Gravidade e impacto da doença

A gravidade do retinoblastoma vai além da perda visual. Em casos avançados, as células tumorais podem ultrapassar os limites do olho e se disseminar para o sistema nervoso central e outras partes do corpo, representando risco de vida para a criança. Assim, a detecção precoce é a chave para mudar o desfecho clínico.

Quando diagnosticado cedo, é possível oferecer tratamentos menos invasivos e com maior chance de preservar a visão. Os recursos terapêuticos incluem quimioterapia sistêmica ou intra-arterial, fotocoagulação a laser, crioterapia e, em alguns casos, radioterapia. Já em situações em que o tumor ocupa grande parte do olho ou ameaça à vida, pode ser necessária a enucleação (remoção cirúrgica do globo ocular). Ainda que esse procedimento salve vidas, seu impacto emocional e social é significativo, tanto para a criança quanto para a família.

Portanto, cada mês de atraso no diagnóstico pode significar uma diferença importante entre salvar a visão ou apenas conseguir salvar a vida.

O papel da triagem oftalmológica neonatal

Para que a detecção precoce seja uma realidade, é essencial que todas as crianças passem pela triagem oftalmológica neonatal, realizada com o teste do olhinho (ou teste do reflexo vermelho). Esse exame, que deve ser realizado ainda na maternidade e repetido durante o acompanhamento pediátrico, é simples, rápido, indolor e de baixo custo.

O teste consiste na observação do reflexo vermelho das pupilas, utilizando um oftalmoscópio. Quando esse reflexo aparece de maneira uniforme e simétrica, geralmente indica normalidade. Alterações como reflexo branco, ausente ou irregular podem ser sinais de doenças graves, incluindo o retinoblastoma, a catarata congênita e outras patologias que comprometem a visão.

A simplicidade do exame contrasta com seu enorme valor: por meio dele, é possível identificar precocemente condições que podem levar à cegueira ou até ameaçar a vida da criança.

A responsabilidade do pediatra

Embora o oftalmologista seja o especialista indicado para diagnosticar e tratar as doenças oculares, é o pediatra quem tem contato mais frequente com o bebê nos primeiros meses e anos de vida. Por isso, é essencial que esse profissional esteja capacitado e atento para realizar corretamente o teste do olhinho em todas as consultas de rotina.

O pediatra não precisa ser um especialista em oftalmologia para fazer o teste, mas deve ser criterioso na observação e, principalmente, responsável por encaminhar imediatamente ao oftalmologista toda criança com resultado suspeito. O tempo é um fator decisivo: quanto mais cedo o encaminhamento, maiores as chances de preservar a visão e salvar a vida da criança.

Conscientização e a data de 18 de setembro

No Brasil, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma é celebrado em 18 de setembro. A criação dessa data representa um marco importante, pois amplia a visibilidade do tema e reforça a necessidade de mobilizar profissionais de saúde, famílias e a sociedade em geral.

Campanhas educativas em torno desse dia têm como objetivo informar sobre os sinais de alerta do retinoblastoma, estimular a realização do teste do olhinho em todas as maternidades e consultas pediátricas, além de destacar a importância do acompanhamento oftalmológico infantil.

A conscientização também tem impacto social: ao compreender que doenças oculares graves podem ser identificadas cedo, os pais se tornam aliados fundamentais dos médicos, atentos a sinais como reflexo branco nas fotos, estrabismo ou alterações visuais inesperadas.

Para concluir, o retinoblastoma é um tumor raro, mas de alta gravidade, que exige vigilância constante e diagnóstico precoce. O teste do olhinho é a principal ferramenta de triagem, acessível e indispensável para detectar a doença logo no início. O pediatra tem papel central nesse processo, sendo o primeiro guardião da saúde ocular da criança.

A lembrança do 18 de setembro como o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma deve servir como um chamado à ação: não se trata apenas de salvar olhos, mas de salvar vidas.

Investir na triagem oftalmológica neonatal é investir no futuro das crianças, garantindo não apenas a visão, mas também a chance de um desenvolvimento pleno, saudável e feliz.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Encontro com Especialista – Risco de Câncer na Infância https://spsp.org.br/encontro-com-especialista-risco-de-cancer-na-infancia/ Thu, 14 Aug 2025 15:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51018 Realizado: 14 de agosto de 2025 Realização: SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo Organização: Diretoria de Cursos e Eventos e DC de Oncologia da SPSP Coordenação: Dr. Flavio Augusto Vercillo Luisi Público-alvo: Pediatras Objetivo:  Atualidades no Câncer na Infância: Risco X Medicina de Precisão Programação 19h30 – 21h30 – Mesa – Risco de Câncer na InfânciaCoordenação e Moderação: Dr. Flavio Augusto Vercillo Luisi 19h30 – 19h35 – AberturaDra. Ethel Gorender 19h35 – 20h05 – Síndromes de Predisposição Genética ao Câncer InfantilDr. Neviçolino de Carvalho 20h05 – 20h35 – Como a medicina de precisão transformou o tratamento do Câncer Infantil Dra. Carolina Sgarioni Camargo Vince 20h35 – 21h30 – Discussão e perguntas Dr. Flavio Augusto Vercillo LuisiPresidente do DC de Oncologia da SPSP Cancerologista Pediátrico pela AMB – Sociedade Brasileira de CancerologiaMédico do GRAAC – Instituto de Oncologia Pediátrica – Unifesp Dra. Ethel Fernandes GorenderVice-Presidente do DC de Oncologia da SPSPOncologista Pediatra do Hospital Santa Marcelina Dr. Neviçolino de CarvalhoMembro do DC de Oncologia da SPSPEspecialista em Oncologia Pediátrica – Hospital Santa Marcelina Dra. Carolina Sgarioni Camargo VinceOncologista Pediátrica pelo HC-FMUSPEspecialista em Oncologia Pediátrica pela SBOCPediatra Oncologista do ITACI – Instituto de tratamento do Câncer Infantil – USP]]>

Realizado: 14 de agosto de 2025

Realização: SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo

Organização: Diretoria de Cursos e Eventos e DC de Oncologia da SPSP

Coordenação: Dr. Flavio Augusto Vercillo Luisi

Público-alvo: Pediatras

Objetivo:  Atualidades no Câncer na Infância: Risco X Medicina de Precisão

Programação
19h30 – 21h30 – Mesa – Risco de Câncer na Infância
Coordenação e Moderação: Dr. Flavio Augusto Vercillo Luisi
19h30 – 19h35 – Abertura
Dra. Ethel Gorender
19h35 – 20h05 – Síndromes de Predisposição Genética ao Câncer Infantil
Dr. Neviçolino de Carvalho
20h05 – 20h35 – Como a medicina de precisão transformou o tratamento do Câncer Infantil
Dra. Carolina Sgarioni Camargo Vince
20h35 – 21h30 – Discussão e perguntas

Dr. Flavio Augusto Vercillo Luisi
Presidente do DC de Oncologia da SPSP 
Cancerologista Pediátrico pela AMB – Sociedade Brasileira de Cancerologia
Médico do GRAAC – Instituto de Oncologia Pediátrica – Unifesp

Dra. Ethel Fernandes Gorender
Vice-Presidente do DC de Oncologia da SPSP
Oncologista Pediatra do Hospital Santa Marcelina

Dr. Neviçolino de Carvalho
Membro do DC de Oncologia da SPSP
Especialista em Oncologia Pediátrica – Hospital Santa Marcelina

Dra. Carolina Sgarioni Camargo Vince
Oncologista Pediátrica pelo HC-FMUSP
Especialista em Oncologia Pediátrica pela SBOC
Pediatra Oncologista do ITACI – Instituto de tratamento do Câncer Infantil – USP

 

 

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Câncer infantil: avanços científicos e terapêuticos https://spsp.org.br/cancer-infantil-avancos-cientificos-e-terapeuticos/ Fri, 14 Feb 2025 14:05:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50243 Em 15 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, data que une a comunidade médica e científica para promover discussões sobre epidemiologia]]>

Em 15 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, data que une a comunidade médica e científica para promover discussões sobre epidemiologia, inovações terapêuticas e desafios enfrentados na oncologia pediátrica. Criado em 2002 pela Childhood Cancer International (CCI), o dia visa incentivar políticas públicas, investimentos em pesquisa e o aprimoramento das estratégias de diagnóstico e tratamento.

O câncer infantil representa cerca de 3% dos casos de câncer no mundo, com 8.500 novos casos anuais no Brasil (na faixa etária de 0 a 19 anos), em comparação com quase 500.000 casos anuais entre adultos. Diferente do câncer em adultos, em que predominam os carcinomas (tumores epiteliais), nas crianças as leucemias agudas (tumores das células sanguíneas) são mais comuns, seguidas por tumores no sistema nervoso central, linfomas (gânglios linfáticos) e tumores abdominais, como o neuroblastoma (suprarrenal) e o tumor de Wilms (renal).

Ao contrário dos adultos, no câncer infantil não há prevenção primária, como a adoção de hábitos saudáveis (não fumar, alimentação balanceada, proteção solar), que pode ajudar a prevenir o aparecimento de diferentes tipos de câncer.

Os cânceres infantis surgem devido a mutações em células imaturas, o que faz com que esses tumores cresçam rapidamente e de forma agressiva, mas ao mesmo tempo respondam bem ao tratamento. Com o avanço das terapias quimioterápicas, técnicas cirúrgicas e radioterápicas, além dos estudos genômicos (genômica é um campo da ciência que avalia a interação entre os genes e o meio ambiente), hoje é possível identificar mutações e vias metabólicas alteradas, permitindo abordagens mais precisas para diagnóstico precoce e classificação molecular na oncogenética (uma área da medicina que estuda a predisposição genética ao câncer), possibilitando o desenvolvimento de diferentes formas de terapia-alvo (é um tratamento que usa medicamentos para atacar células cancerígenas, poupando as células saudáveis), tais como os inibidores de tirosina quinase, e a imunoterapia através do uso de anticorpos monoclonais (proteínas que ajudam a combater doenças cancerígenas) e terapia CAR-T cell (células de defesa do organismo que são geneticamente modificadas para combater o câncer) que revolucionaram a oncologia pediátrica, proporcionando, quando bem indicados, estratégias menos tóxicas e mais eficazes.

 A implementação de biomarcadores moleculares e técnicas avançadas de imagem, como PET Scan e ressonância magnética de alta resolução, têm melhorado significativamente a precisão e a rapidez do diagnóstico, o que impacta positivamente as taxas de sobrevida. Quando diagnosticado precocemente, o câncer infantil tem taxas alvissareiras de cura superiores a 80%.

No entanto, no Brasil ainda há desafios relacionados ao atraso no diagnóstico, muitas vezes devido ao desconhecimento dos sinais de alerta ou ao receio de se pensar na possibilidade de câncer. É importante reconhecer alguns sintomas de alerta, como:

  • Hematomas e equimoses que aparecem rapidamente, associados a palidez e febre;
  • Dor de cabeça persistente, acompanhada de vômitos e, por vezes, alterações na marcha ou no comportamento;
  • Aumento progressivo dos linfonodos (ínguas) que não estão associados a processos infecciosos e não reduzem com o tempo;
  • Aumento do volume abdominal ou a presença de uma massa (tumor) na barriga da criança;
  • Aparecimento de uma mancha esbranquiçada na pupila quando exposta à luz, conhecida como leucocoria (o reflexo do olho do gato).

Esses são apenas alguns dos sinais, mas existem outros. O câncer infantil tem cura, e para melhorar as chances de sucesso no tratamento é fundamental que o diagnóstico seja feito de forma precoce. Para isso, é necessário promover campanhas de conscientização sobre os sinais e sintomas precoces da doença, aumentar a disseminação de conhecimento sobre oncologia pediátrica, apoiar pesquisas e ampliar a rede de hospitais e centros especializados em tratamento do câncer infantil no país. Fique atento à presença ou persistência desses sinais e, na dúvida, procure rapidamente um pediatra ou um hospital especializado.

 

Relator:
Roberto Augusto Plaza Teixeira
Secretário do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Rádio Jornal Indaiatuba – Conscientização sobre as leucemias, com Flavio Augusto Luisi https://spsp.org.br/radio-jornal-indaiatuba-conscientizacao-sobre-as-leucemias-com-flavio-augusto-luisi/ Tue, 11 Feb 2025 14:02:41 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50432 Veículo: Rádio Jornal Indaiatuba

Data: 11/02/2025

O oncologista pediátrico Flavio Augusto Luisi, presidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP, foi entrevistado pela Rádio Jornal Indaiatuba, em que falou a  respeito das leucemias, em função da campanha Fevereiro Laranja, mês dedicado à conscientização da doença. O médico explicou que existem 4 tipos principais de leucemias, conhecidas como leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfoide aguda (LLA) e leucemia linfoide crônica (LLC), sendo a mais comum em crianças as leucemias agudas, sobretudo a LLA. Além de falar sobre os sintomas, o médico ressaltou que, se tratada a tempo e adequadamente, as chances de cura na população infantil chegam a quase 90%.

Assista à entrevista: 

 

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Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea https://spsp.org.br/mobilizacao-nacional-para-doacao-de-medula-ossea/ Tue, 17 Dec 2024 15:22:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49614 A Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, celebrada anualmente entre 14 e 21 de dezembro, é um momento dedicado a conscientizar a população sobre]]>

A Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, celebrada anualmente entre 14 e 21 de dezembro, é um momento dedicado a conscientizar a população sobre a importância desse ato de solidariedade. A semana comemorativa foi instituída pela Lei nº 11.930/2009 e orienta que, nesse período, sejam desenvolvidas atividades de esclarecimento e incentivo à doação de medula óssea e à captação de doadores.

Para muitas pessoas com doenças onco-hematológicas, como leucemias, linfomas e anemias severas, o transplante de medula óssea pode ser a sua única chance de cura. E você pode ser a pessoa que fará a diferença na vida desse paciente.

No Brasil, o transplante de medula óssea (TMO) tem desempenhado um papel fundamental no tratamento de diversas doenças hematológicas, oncológicas e genéticas. Desde 2000, o número de transplantes realizados anualmente no Brasil tem aumentado significativamente.

Em 2021, foram realizados mais de 2.500 transplantes, um aumento em relação às décadas anteriores, graças à expansão da rede de atendimento e à conscientização sobre a doação.

O Brasil possui o terceiro maior banco de doadores voluntários de medula óssea do mundo, o REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), com mais de 5 milhões de doadores cadastrados, aumentando as chances de encontrar doadores compatíveis para pacientes que não têm doador compatível na família. A chance de encontrar um doador compatível no REDOME varia. Para pacientes de etnia miscigenada, como a maioria dos brasileiros, essa probabilidade pode ser menor devido à maior complexidade genética da população.

Fonte: Dados – REDOME – Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Site Oficial

 

O Brasil também participa de redes internacionais de doação, permitindo a busca de doadores no exterior quando são encontradas pessoas compatíveis no país. Cerca de 25% dos transplantes alogênicos (de doadores não aparentados) realizados no Brasil envolvem doadores estrangeiros.

Existem mais de 70 centros especializados em transplantes de medula óssea no Brasil, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul, mas com expansão gradual para outras áreas do país.

 

O que é o Transplante de Medula Óssea?

A medula óssea é o tecido esponjoso encontrado dentro dos ossos, responsável pela produção das células do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Em algumas doenças, essa função é prejudicada, e o transplante de medula óssea se torna uma forma importante de tratamento.

O transplante de medula óssea é um tratamento que substitui uma medula óssea doente ou debilitada por células-tronco saudáveis, capazes de produzir novos componentes do sangue. Ele envolve dois lados importantes: o doador e o receptor.

A doação de medula óssea pode ser realizada de duas formas principais:

1 – Por punção direta na pelve (sob anestesia). O doador é levado a um hospital e recebe anestesia geral ou raquidiana. Uma agulha especial retira aproximadamente de 500 a 700 ml de medula óssea do osso da pelve (quadril). Os doadores retornam às suas atividades habituais cerca de uma a duas semanas após a doação. O tempo mínimo de internação hospitalar é de 24 horas. O procedimento dura cerca de 90 minutos e, no mesmo dia ou no dia seguinte, o doador pode voltar para casa.

A medula óssea retirada se regenera em algumas semanas, e o doador pode sentir leve dor no local, mas nada grave.

2 – Por aférese, uma doação automatizada, diretamente do sangue periférico. O doador recebe uma medicação que estimula a produção de células-tronco hematopoiéticas, que são coletadas posteriormente por uma máquina semelhante à de doação de plaquetas. Esse método não envolve cirurgia e dura cerca de três a quatro horas.

Importante enfatizar que ambos os métodos são seguros e realizados sempre com todo cuidado sob supervisão de equipe médica especializada.

Essas células, após serem coletadas do doador, são preservadas em uma bolsa de criopreservação, congeladas e transportadas em condições especiais até o dia e hospital em que ocorrerá o transplante.

Quanto ao paciente, o TMO é um processo mais complexo, que ocorre em várias etapas:

  • Preparação (Condicionamento): antes de receber as novas células, o receptor passa por quimioterapia (e, às vezes, radioterapia) para destruir a medula óssea doente e criar espaço para as novas células-tronco. Esse processo também reduz o risco de rejeição.
  • Transplante: após o condicionamento, as células-tronco do doador são infundidas no receptor por meio de uma transfusão simples, semelhante a uma doação de sangue. As células infundidas migram para a medula óssea do receptor e começam a produzir novas células do sangue.
  • Recuperação: o processo de “pegar” as novas células na medula óssea leva cerca de 15 a 30 dias. Durante esse período, o receptor fica sob observação rigorosa em um ambiente protegido, já que seu sistema imunológico está muito fraco. Os médicos monitoram para prevenir e tratar possíveis complicações, como infecções ou rejeição (chamada doença do enxerto contra o hospedeiro).

Quais são as doenças que podem ser tratadas com o transplante de medula óssea?

As principais doenças que podem ser tratadas com o transplante de medula óssea incluem:

Doenças hematológicas malignas:

  1. Leucemias:
  • Leucemia mieloide aguda (LMA).
  • Leucemia linfoblástica aguda (LLA).
  • Leucemia mieloide crônica (LMC) em fases avançadas.
  1. Linfomas:
  • Linfoma de Hodgkin.
  • Linfoma não Hodgkin.
  1. Síndromes mielodisplásicas (SMDs).
  2. Síndromes mieloproliferativas (SMPs).
  3. Doenças hematológicas não malignas
  4. Anemia aplástica severa: doença em que a medula óssea para de produzir células do sangue.
  5. Anemias hereditárias:
  • Anemia falciforme.
  • Talassemias maiores.

Doenças imunológicas e metabólicas

  1. Imunodeficiências primárias:
  • Síndrome de Wiskott-Aldrich.
  • Imunodeficiência combinada severa (SCID).
  1. Erros inatos do metabolismo:
  • Doença de Hurler (mucopolissacaridose tipo I).
  • Doença de adrenoleucodistrofia.

Essas condições, muitas vezes graves e sem outras opções terapêuticas efetivas, encontram no transplante de medula óssea uma chance de cura ou controle significativo. O sucesso do transplante depende da compatibilidade entre doador e receptor, reforçando a importância de aumentar o número de doadores cadastrados.

Quem pode ser doador de medula óssea?

Os requisitos para se cadastrar como doador são:

✔ Ter entre 18 e 35 anos (para cadastro inicial, embora a doação possa ser feita até os 60 anos).

✔ Estar em boas condições de saúde.

✔ Não apresentar doenças infecciosas transmissíveis, câncer ou doenças autoimunes.

✔ Ter peso corporal acima de 50 kg.

Quem não pode ser doador?

Existem alguns impeditivos permanentes e temporários para a doação:

❌ Pessoas com histórico de câncer ou doenças hematológicas graves.

❌ Indivíduos com doenças infecciosas transmissíveis, como HIV e hepatites.

❌ Pacientes com doenças autoimunes ou condições clínicas que comprometam a saúde do doador ou do receptor.

❌ Pessoas que usam medicamentos imunossupressores ou apresentam condições crônicas descontroladas, como diabetes ou hipertensão severa.

É importante conversar com os profissionais de saúde nos hemocentros para esclarecer dúvidas específicas.

Como e onde se cadastrar como doador?

O cadastro pode ser feito em hemocentros e instituições especializadas em todo o Brasil. O procedimento é simples:

  • Procure um hemocentro ou unidade habilitada. O cadastro é feito em hemocentros e unidades de coleta vinculadas ao REDOME, presentes em todo o Brasil. É possível consultar os locais no site do Ministério da Saúde ou em páginas de hemocentros estaduais.
  • Preencha o formulário de identificação com seus dados pessoais e informações de saúde.
  • É coletada uma pequena amostra de sangue ou saliva para testes de compatibilidade, análise do HLA (antígenos leucocitários humanos), que identifica sua “impressão genética”. Essa informação será registrada no REDOME.

Caso você seja compatível com algum paciente, será convocado para exames adicionais e receberá todas as orientações sobre o processo de doação.

O que são o REDOME e o REREME?

  • REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea): é o banco de dados brasileiro que reúne informações de pessoas cadastradas como potenciais doadores de medula óssea. Esse registro facilita a busca de doadores compatíveis para pacientes que precisam de transplante, especialmente aqueles sem doador na família. O REDOME é o terceiro maior registro de doadores de medula óssea do mundo.
  • REREME (Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea): é o banco de dados que contém as informações dos pacientes que necessitam de transplante de medula óssea. Ele cruza os dados genéticos dos receptores com os potenciais doadores cadastrados no REDOME para identificar compatibilidades.

Esses dois registros trabalham de forma integrada para garantir que pacientes em todo o Brasil (e até de outros países) possam encontrar doadores compatíveis de maneira rápida e eficiente.

O impacto da sua escolha

A chance de encontrar um doador compatível fora da família é de apenas 1 em 100 mil. Ao se cadastrar como doador, você não está apenas salvando uma vida, mas também trazendo esperança para famílias que lutam diariamente contra doenças graves. Além disso, seu gesto ajuda a aumentar o número de doadores no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), ampliando as chances de encontrar compatibilidade para milhares de pacientes. Procure o hemocentro mais próximo, informe-se e cadastre-se como doador de medula óssea.

Cadastre-se no REDOME e ajude a salvar vidas!

Para mais informações sobre doação de medula óssea e como se cadastrar, visite o site do REDOME.

 

Saiba mais:

https://bvsms.saude.gov.br/

Home – REDOME – Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Site Oficial

 

Relatora:

Ana Claudia Carramaschi Villela Soares
Médica Hematologista Pediátrica
Vice-Presidente do Departamento de Hematologia e Hemoterapia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Pediatra Atualize-se: Oncologia Pediátrica https://spsp.org.br/pediatra-atualize-se-oncologia-pediatrica/ Thu, 26 Sep 2024 16:20:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48155 A edição de setembro/outubro do boletim Pediatra Atualize-se tem como tema principal a Oncologia Pediátrica]]>

Texto divulgado em 26/09/24


A edição de setembro/outubro do boletim Pediatra Atualize-se tem como tema principal a Oncologia Pediátrica. Os assuntos abordados nesta edição são síndrome de opsoclonus-mioclonus, cefaleia na Pediatria: quando suspeitar de tumor cerebral e imunoterapias no tratamento do câncer infantil. O conteúdo foi elaborado pelo Departamento Científico de Oncologia da SPSP.

 

Clique aqui para acessar todas as edições em PDF
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Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma https://spsp.org.br/dia-nacional-de-conscientizacao-e-incentivo-ao-diagnostico-precoce-do-retinoblastoma/ Wed, 18 Sep 2024 14:10:27 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48039 Comemorado em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído pela Lei ]]>

Comemorado em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído pela Lei nº 12.637/2012.

O retinoblastoma é um tumor embrionário raro que se origina na retina, sendo o tumor maligno intraocular mais frequente encontrado nas crianças, na faixa etária de 0 a 5 anos de idade. Não existe diferença nas taxas de ocorrência entre o sexo feminino e o masculino, entre raças ou entre o olho direito e o esquerdo.

O reflexo ocular normal é vermelho; quando é visto branco, é chamado de leucocoria (leukos: branco, kore: pupila). A doença pode acometer um olho (60% dos casos) ou os dois olhos (40% dos casos).

Algumas outras doenças oculares pediátricas se apresentam com leucocoria, entre elas: catarata, uveíte e retinopatia da prematuridade.

O sinal mais frequente do retinoblastoma é a leucocoria, acometendo até 60% dos casos. Outro sinal é o desvio ocular (estrabismo). Toda criança com leucocoria e estrabismo deve ser encaminhada para avaliação oftalmológica.

O diagnóstico é feito quando se suspeita de retinoblastoma:

  1. Exame de fundo de olho sob anestesia, examinando minuciosamente os dois olhos.
  2. Ressonância nuclear magnética (RNM) de crânio e órbita, muito importante para a avaliação do comprometimento fora do olho, além de ser útil no diagnóstico diferencial entre retinoblastoma e outras doenças oculares.

O tratamento do retinoblastoma é realizado por cirurgia e ou quimioterapia. O planejamento é individualizado e devemos levar em consideração a idade do paciente, se é unilateral ou bilateral, extensão e localização da doença.

Lesões iniciais são mais facilmente tratadas e isto resulta em uma taxa maior de cura com preservação do globo ocular e da visão. O diagnóstico precoce do retinoblastoma é fundamental para diminuir o número de sequelas e mortes pela doença.

Com o objetivo de conscientizar a população e os médicos sobre a importância do diagnóstico precoce do retinoblastoma e da saúde ocular na infância, os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin Leifert criaram a campanha DE OLHO NOS OHINHOS, que desde 2022 impactou milhões de pessoas.

 A campanha tem o apoio de muitas entidades médicas do Brasil. Neste ano, no dia 21 de setembro, a campanha de conscientização estará presente em mais de 50 cidades brasileiras e convidamos todos a participar.

 

Relatora:

Carla Renata Donato Macedo
Membro do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: Arquivo pessoal Dra. Carla Renata Donato Macedo (imagem de paciente com retinoblastoma com presença do reflexo branco pupilar – leucocoria – em olho esquerdo)

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