Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 18 Sep 2026 18:41:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retinoblastoma: o tumor ocular da primeira infância https://spsp.org.br/retinoblastoma-o-tumor-ocular-da-primeira-infancia/ Fri, 18 Sep 2026 18:40:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=59096 O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro. O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo. Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam. O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça. O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes. Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal. O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado. O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados. A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão. A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro.

O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo.

Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam.

O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça.

O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes.

Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal.

O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado.

O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados.

A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Linfomas são altamente curáveis na infância https://spsp.org.br/linfomas-sao-altamente-curaveis-na-infancia/ Tue, 15 Sep 2026 14:07:54 +0000 https://spsp.org.br/?p=59023 No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos. Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer. Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso. O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares. A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia. O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica. Relatora:Ethel F. GorenderPresidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP]]>

No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos.

Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer.

Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso.

O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares.

A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia.

O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica.

Relatora:
Ethel F. Gorender
Presidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP

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A importância da triagem oftalmológica neonatal na detecção precoce do retinoblastoma https://spsp.org.br/a-importancia-da-triagem-oftalmologica-neonatal-na-deteccao-precoce-do-retinoblastoma/ Thu, 18 Sep 2025 11:49:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53214 A saúde ocular na infância é um tema que merece cada vez mais atenção dentro da pediatria e da oftalmologia]]>

A saúde ocular na infância é um tema que merece cada vez mais atenção dentro da pediatria e da oftalmologia. Cuidar dos olhos desde os primeiros dias de vida não é apenas uma medida preventiva para garantir boa visão, mas também uma estratégia eficaz para identificar doenças graves, que podem comprometer não só o desenvolvimento visual, mas a vida da criança. Entre essas doenças, o retinoblastoma ocupa um lugar de destaque, tanto por sua gravidade quanto pela possibilidade de ser diagnosticado precocemente por meio de um exame simples: o teste do olhinho simples.

O que é o retinoblastoma?

O retinoblastoma é um tumor maligno que se origina na retina, estrutura localizada no fundo do olho, responsável por captar a luz e formar as imagens que enxergamos. Trata-se do tumor intraocular mais comum na infância, com maior incidência em crianças pequenas, geralmente antes dos cinco anos de idade.

Embora seja considerado um câncer raro, sua relevância clínica é imensa. Em parte dos casos, o retinoblastoma está relacionado a alterações genéticas hereditárias, o que significa que pode ocorrer em mais de um olho (forma bilateral) e até mesmo em mais de um membro da mesma família. Já nos casos não hereditários, o tumor tende a surgir de maneira unilateral.

O grande desafio é que, nas fases iniciais, o retinoblastoma pode passar despercebido, pois muitas vezes não apresenta sintomas evidentes para os pais. No entanto, com a evolução da doença, sinais como o aparecimento de um reflexo branco na pupila (leucocoria, popularmente conhecida como “olho de gato” em fotos com flash), estrabismo, vermelhidão ocular persistente ou baixa visual podem se manifestar. Infelizmente, nesses estágios, a doença já pode estar mais avançada.

Gravidade e impacto da doença

A gravidade do retinoblastoma vai além da perda visual. Em casos avançados, as células tumorais podem ultrapassar os limites do olho e se disseminar para o sistema nervoso central e outras partes do corpo, representando risco de vida para a criança. Assim, a detecção precoce é a chave para mudar o desfecho clínico.

Quando diagnosticado cedo, é possível oferecer tratamentos menos invasivos e com maior chance de preservar a visão. Os recursos terapêuticos incluem quimioterapia sistêmica ou intra-arterial, fotocoagulação a laser, crioterapia e, em alguns casos, radioterapia. Já em situações em que o tumor ocupa grande parte do olho ou ameaça à vida, pode ser necessária a enucleação (remoção cirúrgica do globo ocular). Ainda que esse procedimento salve vidas, seu impacto emocional e social é significativo, tanto para a criança quanto para a família.

Portanto, cada mês de atraso no diagnóstico pode significar uma diferença importante entre salvar a visão ou apenas conseguir salvar a vida.

O papel da triagem oftalmológica neonatal

Para que a detecção precoce seja uma realidade, é essencial que todas as crianças passem pela triagem oftalmológica neonatal, realizada com o teste do olhinho (ou teste do reflexo vermelho). Esse exame, que deve ser realizado ainda na maternidade e repetido durante o acompanhamento pediátrico, é simples, rápido, indolor e de baixo custo.

O teste consiste na observação do reflexo vermelho das pupilas, utilizando um oftalmoscópio. Quando esse reflexo aparece de maneira uniforme e simétrica, geralmente indica normalidade. Alterações como reflexo branco, ausente ou irregular podem ser sinais de doenças graves, incluindo o retinoblastoma, a catarata congênita e outras patologias que comprometem a visão.

A simplicidade do exame contrasta com seu enorme valor: por meio dele, é possível identificar precocemente condições que podem levar à cegueira ou até ameaçar a vida da criança.

A responsabilidade do pediatra

Embora o oftalmologista seja o especialista indicado para diagnosticar e tratar as doenças oculares, é o pediatra quem tem contato mais frequente com o bebê nos primeiros meses e anos de vida. Por isso, é essencial que esse profissional esteja capacitado e atento para realizar corretamente o teste do olhinho em todas as consultas de rotina.

O pediatra não precisa ser um especialista em oftalmologia para fazer o teste, mas deve ser criterioso na observação e, principalmente, responsável por encaminhar imediatamente ao oftalmologista toda criança com resultado suspeito. O tempo é um fator decisivo: quanto mais cedo o encaminhamento, maiores as chances de preservar a visão e salvar a vida da criança.

Conscientização e a data de 18 de setembro

No Brasil, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma é celebrado em 18 de setembro. A criação dessa data representa um marco importante, pois amplia a visibilidade do tema e reforça a necessidade de mobilizar profissionais de saúde, famílias e a sociedade em geral.

Campanhas educativas em torno desse dia têm como objetivo informar sobre os sinais de alerta do retinoblastoma, estimular a realização do teste do olhinho em todas as maternidades e consultas pediátricas, além de destacar a importância do acompanhamento oftalmológico infantil.

A conscientização também tem impacto social: ao compreender que doenças oculares graves podem ser identificadas cedo, os pais se tornam aliados fundamentais dos médicos, atentos a sinais como reflexo branco nas fotos, estrabismo ou alterações visuais inesperadas.

Para concluir, o retinoblastoma é um tumor raro, mas de alta gravidade, que exige vigilância constante e diagnóstico precoce. O teste do olhinho é a principal ferramenta de triagem, acessível e indispensável para detectar a doença logo no início. O pediatra tem papel central nesse processo, sendo o primeiro guardião da saúde ocular da criança.

A lembrança do 18 de setembro como o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma deve servir como um chamado à ação: não se trata apenas de salvar olhos, mas de salvar vidas.

Investir na triagem oftalmológica neonatal é investir no futuro das crianças, garantindo não apenas a visão, mas também a chance de um desenvolvimento pleno, saudável e feliz.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Câncer infantil: avanços científicos e terapêuticos https://spsp.org.br/cancer-infantil-avancos-cientificos-e-terapeuticos/ Fri, 14 Feb 2025 14:05:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50243 Em 15 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, data que une a comunidade médica e científica para promover discussões sobre epidemiologia]]>

Em 15 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, data que une a comunidade médica e científica para promover discussões sobre epidemiologia, inovações terapêuticas e desafios enfrentados na oncologia pediátrica. Criado em 2002 pela Childhood Cancer International (CCI), o dia visa incentivar políticas públicas, investimentos em pesquisa e o aprimoramento das estratégias de diagnóstico e tratamento.

O câncer infantil representa cerca de 3% dos casos de câncer no mundo, com 8.500 novos casos anuais no Brasil (na faixa etária de 0 a 19 anos), em comparação com quase 500.000 casos anuais entre adultos. Diferente do câncer em adultos, em que predominam os carcinomas (tumores epiteliais), nas crianças as leucemias agudas (tumores das células sanguíneas) são mais comuns, seguidas por tumores no sistema nervoso central, linfomas (gânglios linfáticos) e tumores abdominais, como o neuroblastoma (suprarrenal) e o tumor de Wilms (renal).

Ao contrário dos adultos, no câncer infantil não há prevenção primária, como a adoção de hábitos saudáveis (não fumar, alimentação balanceada, proteção solar), que pode ajudar a prevenir o aparecimento de diferentes tipos de câncer.

Os cânceres infantis surgem devido a mutações em células imaturas, o que faz com que esses tumores cresçam rapidamente e de forma agressiva, mas ao mesmo tempo respondam bem ao tratamento. Com o avanço das terapias quimioterápicas, técnicas cirúrgicas e radioterápicas, além dos estudos genômicos (genômica é um campo da ciência que avalia a interação entre os genes e o meio ambiente), hoje é possível identificar mutações e vias metabólicas alteradas, permitindo abordagens mais precisas para diagnóstico precoce e classificação molecular na oncogenética (uma área da medicina que estuda a predisposição genética ao câncer), possibilitando o desenvolvimento de diferentes formas de terapia-alvo (é um tratamento que usa medicamentos para atacar células cancerígenas, poupando as células saudáveis), tais como os inibidores de tirosina quinase, e a imunoterapia através do uso de anticorpos monoclonais (proteínas que ajudam a combater doenças cancerígenas) e terapia CAR-T cell (células de defesa do organismo que são geneticamente modificadas para combater o câncer) que revolucionaram a oncologia pediátrica, proporcionando, quando bem indicados, estratégias menos tóxicas e mais eficazes.

 A implementação de biomarcadores moleculares e técnicas avançadas de imagem, como PET Scan e ressonância magnética de alta resolução, têm melhorado significativamente a precisão e a rapidez do diagnóstico, o que impacta positivamente as taxas de sobrevida. Quando diagnosticado precocemente, o câncer infantil tem taxas alvissareiras de cura superiores a 80%.

No entanto, no Brasil ainda há desafios relacionados ao atraso no diagnóstico, muitas vezes devido ao desconhecimento dos sinais de alerta ou ao receio de se pensar na possibilidade de câncer. É importante reconhecer alguns sintomas de alerta, como:

  • Hematomas e equimoses que aparecem rapidamente, associados a palidez e febre;
  • Dor de cabeça persistente, acompanhada de vômitos e, por vezes, alterações na marcha ou no comportamento;
  • Aumento progressivo dos linfonodos (ínguas) que não estão associados a processos infecciosos e não reduzem com o tempo;
  • Aumento do volume abdominal ou a presença de uma massa (tumor) na barriga da criança;
  • Aparecimento de uma mancha esbranquiçada na pupila quando exposta à luz, conhecida como leucocoria (o reflexo do olho do gato).

Esses são apenas alguns dos sinais, mas existem outros. O câncer infantil tem cura, e para melhorar as chances de sucesso no tratamento é fundamental que o diagnóstico seja feito de forma precoce. Para isso, é necessário promover campanhas de conscientização sobre os sinais e sintomas precoces da doença, aumentar a disseminação de conhecimento sobre oncologia pediátrica, apoiar pesquisas e ampliar a rede de hospitais e centros especializados em tratamento do câncer infantil no país. Fique atento à presença ou persistência desses sinais e, na dúvida, procure rapidamente um pediatra ou um hospital especializado.

 

Relator:
Roberto Augusto Plaza Teixeira
Secretário do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea https://spsp.org.br/mobilizacao-nacional-para-doacao-de-medula-ossea/ Tue, 17 Dec 2024 15:22:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49614 A Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, celebrada anualmente entre 14 e 21 de dezembro, é um momento dedicado a conscientizar a população sobre]]>

A Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, celebrada anualmente entre 14 e 21 de dezembro, é um momento dedicado a conscientizar a população sobre a importância desse ato de solidariedade. A semana comemorativa foi instituída pela Lei nº 11.930/2009 e orienta que, nesse período, sejam desenvolvidas atividades de esclarecimento e incentivo à doação de medula óssea e à captação de doadores.

Para muitas pessoas com doenças onco-hematológicas, como leucemias, linfomas e anemias severas, o transplante de medula óssea pode ser a sua única chance de cura. E você pode ser a pessoa que fará a diferença na vida desse paciente.

No Brasil, o transplante de medula óssea (TMO) tem desempenhado um papel fundamental no tratamento de diversas doenças hematológicas, oncológicas e genéticas. Desde 2000, o número de transplantes realizados anualmente no Brasil tem aumentado significativamente.

Em 2021, foram realizados mais de 2.500 transplantes, um aumento em relação às décadas anteriores, graças à expansão da rede de atendimento e à conscientização sobre a doação.

O Brasil possui o terceiro maior banco de doadores voluntários de medula óssea do mundo, o REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), com mais de 5 milhões de doadores cadastrados, aumentando as chances de encontrar doadores compatíveis para pacientes que não têm doador compatível na família. A chance de encontrar um doador compatível no REDOME varia. Para pacientes de etnia miscigenada, como a maioria dos brasileiros, essa probabilidade pode ser menor devido à maior complexidade genética da população.

Fonte: Dados – REDOME – Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Site Oficial

 

O Brasil também participa de redes internacionais de doação, permitindo a busca de doadores no exterior quando são encontradas pessoas compatíveis no país. Cerca de 25% dos transplantes alogênicos (de doadores não aparentados) realizados no Brasil envolvem doadores estrangeiros.

Existem mais de 70 centros especializados em transplantes de medula óssea no Brasil, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul, mas com expansão gradual para outras áreas do país.

 

O que é o Transplante de Medula Óssea?

A medula óssea é o tecido esponjoso encontrado dentro dos ossos, responsável pela produção das células do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Em algumas doenças, essa função é prejudicada, e o transplante de medula óssea se torna uma forma importante de tratamento.

O transplante de medula óssea é um tratamento que substitui uma medula óssea doente ou debilitada por células-tronco saudáveis, capazes de produzir novos componentes do sangue. Ele envolve dois lados importantes: o doador e o receptor.

A doação de medula óssea pode ser realizada de duas formas principais:

1 – Por punção direta na pelve (sob anestesia). O doador é levado a um hospital e recebe anestesia geral ou raquidiana. Uma agulha especial retira aproximadamente de 500 a 700 ml de medula óssea do osso da pelve (quadril). Os doadores retornam às suas atividades habituais cerca de uma a duas semanas após a doação. O tempo mínimo de internação hospitalar é de 24 horas. O procedimento dura cerca de 90 minutos e, no mesmo dia ou no dia seguinte, o doador pode voltar para casa.

A medula óssea retirada se regenera em algumas semanas, e o doador pode sentir leve dor no local, mas nada grave.

2 – Por aférese, uma doação automatizada, diretamente do sangue periférico. O doador recebe uma medicação que estimula a produção de células-tronco hematopoiéticas, que são coletadas posteriormente por uma máquina semelhante à de doação de plaquetas. Esse método não envolve cirurgia e dura cerca de três a quatro horas.

Importante enfatizar que ambos os métodos são seguros e realizados sempre com todo cuidado sob supervisão de equipe médica especializada.

Essas células, após serem coletadas do doador, são preservadas em uma bolsa de criopreservação, congeladas e transportadas em condições especiais até o dia e hospital em que ocorrerá o transplante.

Quanto ao paciente, o TMO é um processo mais complexo, que ocorre em várias etapas:

  • Preparação (Condicionamento): antes de receber as novas células, o receptor passa por quimioterapia (e, às vezes, radioterapia) para destruir a medula óssea doente e criar espaço para as novas células-tronco. Esse processo também reduz o risco de rejeição.
  • Transplante: após o condicionamento, as células-tronco do doador são infundidas no receptor por meio de uma transfusão simples, semelhante a uma doação de sangue. As células infundidas migram para a medula óssea do receptor e começam a produzir novas células do sangue.
  • Recuperação: o processo de “pegar” as novas células na medula óssea leva cerca de 15 a 30 dias. Durante esse período, o receptor fica sob observação rigorosa em um ambiente protegido, já que seu sistema imunológico está muito fraco. Os médicos monitoram para prevenir e tratar possíveis complicações, como infecções ou rejeição (chamada doença do enxerto contra o hospedeiro).

Quais são as doenças que podem ser tratadas com o transplante de medula óssea?

As principais doenças que podem ser tratadas com o transplante de medula óssea incluem:

Doenças hematológicas malignas:

  1. Leucemias:
  • Leucemia mieloide aguda (LMA).
  • Leucemia linfoblástica aguda (LLA).
  • Leucemia mieloide crônica (LMC) em fases avançadas.
  1. Linfomas:
  • Linfoma de Hodgkin.
  • Linfoma não Hodgkin.
  1. Síndromes mielodisplásicas (SMDs).
  2. Síndromes mieloproliferativas (SMPs).
  3. Doenças hematológicas não malignas
  4. Anemia aplástica severa: doença em que a medula óssea para de produzir células do sangue.
  5. Anemias hereditárias:
  • Anemia falciforme.
  • Talassemias maiores.

Doenças imunológicas e metabólicas

  1. Imunodeficiências primárias:
  • Síndrome de Wiskott-Aldrich.
  • Imunodeficiência combinada severa (SCID).
  1. Erros inatos do metabolismo:
  • Doença de Hurler (mucopolissacaridose tipo I).
  • Doença de adrenoleucodistrofia.

Essas condições, muitas vezes graves e sem outras opções terapêuticas efetivas, encontram no transplante de medula óssea uma chance de cura ou controle significativo. O sucesso do transplante depende da compatibilidade entre doador e receptor, reforçando a importância de aumentar o número de doadores cadastrados.

Quem pode ser doador de medula óssea?

Os requisitos para se cadastrar como doador são:

✔ Ter entre 18 e 35 anos (para cadastro inicial, embora a doação possa ser feita até os 60 anos).

✔ Estar em boas condições de saúde.

✔ Não apresentar doenças infecciosas transmissíveis, câncer ou doenças autoimunes.

✔ Ter peso corporal acima de 50 kg.

Quem não pode ser doador?

Existem alguns impeditivos permanentes e temporários para a doação:

❌ Pessoas com histórico de câncer ou doenças hematológicas graves.

❌ Indivíduos com doenças infecciosas transmissíveis, como HIV e hepatites.

❌ Pacientes com doenças autoimunes ou condições clínicas que comprometam a saúde do doador ou do receptor.

❌ Pessoas que usam medicamentos imunossupressores ou apresentam condições crônicas descontroladas, como diabetes ou hipertensão severa.

É importante conversar com os profissionais de saúde nos hemocentros para esclarecer dúvidas específicas.

Como e onde se cadastrar como doador?

O cadastro pode ser feito em hemocentros e instituições especializadas em todo o Brasil. O procedimento é simples:

  • Procure um hemocentro ou unidade habilitada. O cadastro é feito em hemocentros e unidades de coleta vinculadas ao REDOME, presentes em todo o Brasil. É possível consultar os locais no site do Ministério da Saúde ou em páginas de hemocentros estaduais.
  • Preencha o formulário de identificação com seus dados pessoais e informações de saúde.
  • É coletada uma pequena amostra de sangue ou saliva para testes de compatibilidade, análise do HLA (antígenos leucocitários humanos), que identifica sua “impressão genética”. Essa informação será registrada no REDOME.

Caso você seja compatível com algum paciente, será convocado para exames adicionais e receberá todas as orientações sobre o processo de doação.

O que são o REDOME e o REREME?

  • REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea): é o banco de dados brasileiro que reúne informações de pessoas cadastradas como potenciais doadores de medula óssea. Esse registro facilita a busca de doadores compatíveis para pacientes que precisam de transplante, especialmente aqueles sem doador na família. O REDOME é o terceiro maior registro de doadores de medula óssea do mundo.
  • REREME (Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea): é o banco de dados que contém as informações dos pacientes que necessitam de transplante de medula óssea. Ele cruza os dados genéticos dos receptores com os potenciais doadores cadastrados no REDOME para identificar compatibilidades.

Esses dois registros trabalham de forma integrada para garantir que pacientes em todo o Brasil (e até de outros países) possam encontrar doadores compatíveis de maneira rápida e eficiente.

O impacto da sua escolha

A chance de encontrar um doador compatível fora da família é de apenas 1 em 100 mil. Ao se cadastrar como doador, você não está apenas salvando uma vida, mas também trazendo esperança para famílias que lutam diariamente contra doenças graves. Além disso, seu gesto ajuda a aumentar o número de doadores no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), ampliando as chances de encontrar compatibilidade para milhares de pacientes. Procure o hemocentro mais próximo, informe-se e cadastre-se como doador de medula óssea.

Cadastre-se no REDOME e ajude a salvar vidas!

Para mais informações sobre doação de medula óssea e como se cadastrar, visite o site do REDOME.

 

Saiba mais:

https://bvsms.saude.gov.br/

Home – REDOME – Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Site Oficial

 

Relatora:

Ana Claudia Carramaschi Villela Soares
Médica Hematologista Pediátrica
Vice-Presidente do Departamento de Hematologia e Hemoterapia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma https://spsp.org.br/dia-nacional-de-conscientizacao-e-incentivo-ao-diagnostico-precoce-do-retinoblastoma/ Wed, 18 Sep 2024 14:10:27 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48039 Comemorado em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído pela Lei ]]>

Comemorado em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído pela Lei nº 12.637/2012.

O retinoblastoma é um tumor embrionário raro que se origina na retina, sendo o tumor maligno intraocular mais frequente encontrado nas crianças, na faixa etária de 0 a 5 anos de idade. Não existe diferença nas taxas de ocorrência entre o sexo feminino e o masculino, entre raças ou entre o olho direito e o esquerdo.

O reflexo ocular normal é vermelho; quando é visto branco, é chamado de leucocoria (leukos: branco, kore: pupila). A doença pode acometer um olho (60% dos casos) ou os dois olhos (40% dos casos).

Algumas outras doenças oculares pediátricas se apresentam com leucocoria, entre elas: catarata, uveíte e retinopatia da prematuridade.

O sinal mais frequente do retinoblastoma é a leucocoria, acometendo até 60% dos casos. Outro sinal é o desvio ocular (estrabismo). Toda criança com leucocoria e estrabismo deve ser encaminhada para avaliação oftalmológica.

O diagnóstico é feito quando se suspeita de retinoblastoma:

  1. Exame de fundo de olho sob anestesia, examinando minuciosamente os dois olhos.
  2. Ressonância nuclear magnética (RNM) de crânio e órbita, muito importante para a avaliação do comprometimento fora do olho, além de ser útil no diagnóstico diferencial entre retinoblastoma e outras doenças oculares.

O tratamento do retinoblastoma é realizado por cirurgia e ou quimioterapia. O planejamento é individualizado e devemos levar em consideração a idade do paciente, se é unilateral ou bilateral, extensão e localização da doença.

Lesões iniciais são mais facilmente tratadas e isto resulta em uma taxa maior de cura com preservação do globo ocular e da visão. O diagnóstico precoce do retinoblastoma é fundamental para diminuir o número de sequelas e mortes pela doença.

Com o objetivo de conscientizar a população e os médicos sobre a importância do diagnóstico precoce do retinoblastoma e da saúde ocular na infância, os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin Leifert criaram a campanha DE OLHO NOS OHINHOS, que desde 2022 impactou milhões de pessoas.

 A campanha tem o apoio de muitas entidades médicas do Brasil. Neste ano, no dia 21 de setembro, a campanha de conscientização estará presente em mais de 50 cidades brasileiras e convidamos todos a participar.

 

Relatora:

Carla Renata Donato Macedo
Membro do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: Arquivo pessoal Dra. Carla Renata Donato Macedo (imagem de paciente com retinoblastoma com presença do reflexo branco pupilar – leucocoria – em olho esquerdo)

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Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil https://spsp.org.br/dia-internacional-de-luta-contra-o-cancer-infantil/ Thu, 15 Feb 2024 14:04:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42638 Quinze de fevereiro é o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil. Esta é uma doença rara, grave e curável (em grande parte dos casos)]]>

Quinze de fevereiro é o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil. Esta é uma doença rara, grave e curável (em grande parte dos casos). Os principais sintomas do câncer na criança são comuns a várias doenças da infância; a duração ou persistência desses sintomas é o que deve chamar a atenção das famílias e dos pediatras. A febre, frequente em doenças infecciosas, quando não cessa após tratamentos usuais, e se prolonga por mais de três semanas, demanda maior investigação, inclusive com a realização de exames laboratoriais. A febre persistente é um dos sintomas mais comuns na leucemia, principal câncer da criança abaixo de 14 anos.

A queixa de dor de cabeça, sintoma comum a quadros de infecção de vias aéreas superiores, quando não responde a medicação analgésica, quando interrompe brincadeiras ou acorda a criança, sendo acompanhada ou não de vômitos, ocorre com frequência nos tumores cerebrais, o segundo tipo de tumor mais comum nessa faixa etária.

O aparecimento de gânglios, também conhecidos como ínguas, que não param de crescer, mesmo indolores, e principalmente quando estão em vários locais do corpo, tais como pescoço, axilas, virilhas, é outro sintoma comum em infecções e em alguns tipos de câncer, como leucemia e linfoma.

O aumento da barriga, com ou sem dor, o inchaço nas articulações, como joelho, o crescimento de um caroço embaixo da pele, o aparecimento de algo incomum na criança, como estrabismo, mancha branca no olho, também são sintomas presentes em alguns tipos de câncer infantil.

Não há como prevenir o câncer na criança: esta doença aparece ao acaso, não tem relação com tipo de alimentação ou outros eventos cotidianos. O importante é que os pais, sempre que perceberem algo errado, seja dor, tumoração, ou outro sintoma que não melhora e que progride, atrapalhando a atividade da criança, devem procurar o pediatra o mais breve possível. Esse médico, quando suspeita que pode ser câncer, encaminha o paciente para o oncologista pediátrico, o especialista em tratamento de câncer na criança e no adolescente.

Quando diagnosticado no início, o paciente pediátrico pode ser curado em 70% a 80% dos casos. Em centros de excelência em tratamento de câncer da criança e do adolescente, o paciente realizará exames para que o diagnóstico seja o mais preciso possível, inclusive em nível molecular, o que possibilita um tratamento mais direcionado à doença do paciente.

Quimioterapia, radioterapia e cirurgia são as modalidades terapêuticas mais utilizadas. Além destas, atualmente cresce a importância de novas drogas, que atuam diretamente em alterações moleculares expressas pelas células tumorais. Estas medicações são conhecidas como drogas-alvo, e, em geral, apresentam menos efeitos adversos em relação à quimioterapia. A imunoterapia é outra modalidade que se destaca, com objetivo de melhorar as ações de defesa do paciente contra o tumor. Os pacientes, nesses centros, são atendidos por diversos médicos, além do oncologista, tais como cirurgião pediátrico, oftalmologista, ortopedista. E a criança e o adolescente recebem abordagem da equipe multidisciplinar, que envolve equipe de enfermagem, farmácia, serviço social, fisioterapia, odontologia, fonoaudiologia, nutrição e psicologia. O envolvimento de todos esses profissionais, com suporte tecnológico adequado, possibilita as melhores taxas de cura do câncer infantil.

Relatora:
Ethel Fernandes Gorender
Vice-Presidente do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma – 18 de setembro https://spsp.org.br/dia-nacional-de-conscientizacao-e-incentivo-ao-diagnostico-precoce-do-retinoblastoma-18-de-setembro/ Mon, 18 Sep 2023 20:01:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39332 O retinoblastoma é um tumor maligno ocular que compromete as células da retina; pode ser bilateral, monocular]]>

O retinoblastoma é um tumor maligno ocular que compromete as células da retina; pode ser bilateral, monocular (quando ocorre num olho só) e, por vezes, multifocal (dois tumores ou mais) no mesmo olho. É o tumor intraocular maligno primário mais frequente na infância e sua incidência varia de 1/14.000 a 1/34.000 dos nascidos vivos.Em 10% dos casos tem herança familiar, sem predileção por sexo ou raça. Na maioria dos casos é esporádico e o diagnóstico é feito entre 12 e 24 meses, mas pode já ser observado por ocasião do nascimento.

Tiago Leifert e Daiana Garbin tomaram a importante iniciativa de divulgar que sua filha apresentava retinoblastoma e alertam para o diagnóstico precoce, fundamental para preservar a vida e a visão da criança.

Quais são os principais sinais e sintomas do retinoblastoma?

O principal sintoma do retinoblastoma é a leucocoria, um reflexo branco na pupila ou “menina dos olhos”. Trata-se do reflexo da luz sobre a superfície do tumor. Outros achados são: estrabismo (olho torto), fotofobia (sensibilidade exagerada à luz), perda da visão e proptose (quando o olho fica saltado). Raramente a criança pode apresentar heterocromia de íris (mudança da cor da íris), hiperemia (vermelhidão) na conjuntiva do olho (a conjuntiva é uma membrana fina e transparente que recobre a parte branca do olho) e dor óssea.

Como prevenir o retinoblastoma?

Não há como prevenir, mas o diagnóstico precoce e uma equipe multidisciplinar são fundamentais para um bom resultado. Mais de 95% das crianças com retinoblastoma podem ser curadas.

A prevenção de doenças oculares deve começar ainda na maternidade, com a realização do Teste do Olhinho (Teste do Reflexo Vermelho) até 72 horas de vida. Após essa abordagem inicial, o Teste do Olhinho deve ser repetido pelo pediatra ao menos três vezes ao ano, nos três primeiros anos de vida da criança. A detecção do tumor pelo Teste do Reflexo Vermelho só ocorre quando for observada pupila branca, isto é, quando já é um tumor grande – nesta fase o tratamento pode salvar a vida, mas é ineficaz para salvar o olho e a função visual.

Como os pais e cuidadores podem suspeitar de retinoblastoma?

Os pais e familiares podem tirar fotografias de seus filhos e observar a presença de reflexos diferentes nas pupilas, observar estrabismo ou olhos com movimentos irregulares. Vale lembrar que algumas máquinas fotográficas e celulares excluem o reflexo vermelho das pupilas e, neste caso, o reflexo vermelho deve ser preservado nas máquinas.

Outras doenças podem apresentar leucocoria ou pupila branca?

Alguns outros diagnósticos devem ser considerados, como a catarata congênita, toxoplasmose, toxocaríase, retinopatia da prematuridade, entre outros. Pupila branca e estrabismo são sinais de alerta e demandam uma avaliação especializada com urgência. O oftalmologista fará o diagnóstico diferencial e o tratamento recomendado.

Como o retinoblastoma é tratado?

Vários fatores devem ser levados em conta para a indicação do melhor tratamento, como por exemplo o tamanho do tumor. Se o tumor for pequeno, o tratamento pode ser local; tumores maiores podem requerer quimioterapia para sua redução, entre outros tratamentos, sendo que a enucleação (retirada completa do globo ocular) raramente é necessária.

Se o tumor for tratado quando ele é pequeno, não só salva a vida da criança, mas também pode preservar a visão.

Relatora:
Rosa Maria Graziano
Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Foto: Arquivo pessoal Dra. Rosa Maria Graziano

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Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas https://spsp.org.br/dia-mundial-de-conscientizacao-sobre-linfomas/ Fri, 15 Sep 2023 19:59:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39292 Os linfomas representam a terceira neoplasia mais frequente na infância. O termo linfoma inclui dois tipos principais: o linfoma de Hodgkin e o linfoma não]]>

Os linfomas representam a terceira neoplasia mais frequente na infância. O termo linfoma inclui dois tipos principais: o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin. São tumores de nome semelhante, mas de comportamento clínico diverso. O primeiro tem crescimento lento e espalha-se pelo organismo através do sistema linfático, ao passo que o segundo tem crescimento rápido e pode alcançar a medula óssea e o cérebro (sistema nervoso central).

LINFOMA NÃO HODGKIN (LNH)

É o terceiro câncer mais frequente nas crianças, depois das leucemias e dos tumores cerebrais. Ele representa 10% das doenças malignas da infância e a incidência aumenta com a idade. O sexo masculino é mais acometido (70%). As imunodeficiências, como por exemplo, nos pacientes submetidos a transplantes de órgãos sólidos, têm um risco 30 a 50 vezes maior de desenvolver LNH. De modo inverso ao do adulto, o LNH da criança tem crescimento rápido, curso agressivo e possui grande capacidade de disseminação. Entre os sinais e sintomas mais frequentes, podemos citar o aumento da barriga, dor e alteração do hábito intestinal. Outros tipos de linfoma não Hodgkin podem acometer a região torácica, a pele e o osso. O diagnóstico deve ser realizado com urgência, tendo em vista a rápida velocidade de crescimento desses tumores. Em geral, são necessários uma biópsia e exames de sangue, liquor, medula óssea, tomografias ou ressonância magnética. É uma doença sistêmica (pode acometer todo o organismo), cujo tratamento é realizado com quimioterapia de altas doses. A chance de cura, com tratamento adequado, é maior que 80%.

LINFOMA DE HODGKIN (LH)

Descrito em 1832 por Thomas Hodgkin, esse tipo de linfoma também ocorre mais em meninos (60%); é raro abaixo dos 2 anos e pouco frequente abaixo dos 5 anos; aumenta a partir dos 11 anos e tem um crescimento a partir da adolescência que persiste até os 30 anos; é classicamente descrito como bimodal, com um pico entre 15 e 35 anos e outro acima dos 50. Em 30% dos casos, pode haver sintomas sistêmicos, como febre, emagrecimento e sudorese. Um gânglio de crescimento lento, na lateral do pescoço, é a apresentação mais comum dessa entidade. O diagnóstico é realizado através de uma biópsia. Exames de sangue, da medula óssea, tomografias, ressonância ou PET-scam são realizados para avaliação da doença.

O tratamento é baseado na quimioterapia e, algumas vezes, com complementação da radioterapia em baixas doses. Atualmente, mais de 90% das crianças portadoras de LH são curadas. Algumas complicações são possíveis de ocorrer muitos anos após o término do tratamento. Desse modo, é muito importante o acompanhamento desses pacientes no pós-tratamento, a fim de que os problemas eventuais possam ser diagnosticados e tratados de forma mais rápida e eficaz.

 

Resumo

●       O linfoma não Hodgkin, uma neoplasia de células do sistema imune, é a terceira neoplasia mais comum em crianças, sendo a maioria de crescimento rápido, curso agressivo e com grande capacidade de disseminação. O tratamento quimioterápico é o mais eficaz para o LNH e, em razão dos avanços científicos, a chance de sobrevida dos pacientes com LNH ultrapassou 80%.

●       O linfoma de Hodgkin é constituído pelo aumento progressivo dos linfonodos, que está relacionado à reação associada à célula maligna. Na maioria dos casos, é de crescimento lento e indolor. O tratamento do LH é, geralmente, realizado com quimioterapia, e às vezes com associação da radioterapia. Contudo, os pacientes submetidos a esse tratamento, apesar de terem bom prognóstico, devem ser acompanhados no pós-tratamento, com o intuito de se tratar com rapidez eventuais problemas. O local mais comum do linfoma de Hodgkin (LH) é o gânglio cervical lateral. Seu diagnóstico é realizado por meio de uma biópsia. Tem bom prognóstico.

 

Relator:
Flavio Augusto Luisi
Presidente do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria
de São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Câncer infantil e a importância do diagnóstico precoce https://spsp.org.br/cancer-infantil-e-a-importancia-do-diagnostico-precoce/ Wed, 15 Feb 2023 11:33:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36218 O Dia Internacional do Câncer Infantil, comemorado anualmente em 15 de fevereiro para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce]]>

O Dia Internacional do Câncer Infantil, comemorado anualmente em 15 de fevereiro para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce no aumento das chances de cura da doença, serve também como um lembrete para que os pais fiquem atentos à saúde de seus filhos e procurem atendimento médico caso suspeitem de algo fora do comum.

O câncer infantil, embora raro, é uma condição séria que pode afetar o bem-estar de uma criança e ter um impacto duradouro na vida dela e daqueles ao seu redor.

É importante estar ciente dos sinais e sintomas desta doença para que você possa procurar atendimento médico o mais rápido possível. A detecção precoce e o tratamento podem melhorar muito as chances de um resultado bem-sucedido.

Alguns sintomas comuns de câncer infantil incluem:

  • Dor persistente ou inchaço em qualquer parte do corpo
  • Hematomas, palidez e/ou manchas roxas pelo corpo
  • Sangramentos sem causa aparente
  • Febre persistente, por muitos dias
  • Fadiga ou fraqueza inexplicável
  • Perda de peso inexplicável
  • Dores de cabeça, especialmente se for incomum, persistente ou grave
  • Vômitos (em especial pela manhã ou com piora ao longo dos dias)
  • Tosse persistente com falta de ar
  • Caroços ou inchaço no pescoço, axilas ou virilha

Se seu filho estiver apresentando algum desses sintomas, é importante agendar uma consulta com um médico o mais rápido possível. Também é importante lembrar que muitos desses sintomas podem ser causados por outras condições, mas a detecção e o diagnóstico precoces são cruciais no tratamento do câncer infantil.

Incentivamos você a educar a si mesmo e a sua família sobre o câncer infantil e a permanecer vigilante no monitoramento da saúde de seus filhos. Se você tiver alguma dúvida, não hesite em entrar em contato com seu pediatra.

A oncologia pediátrica é um ramo da medicina que trata o câncer em crianças. O diagnóstico de câncer em uma criança pode ser uma experiência devastadora, tanto para a criança quanto para os pais.

Para essa complexidade, os centros especializados oferecem os melhores tratamentos e equipes capacitadas para cuidar de crianças e adolescentes como um todo, considerando não só a doença, mas o indivíduo e sua família, suas dores, emoções e necessidades específicas, com foco na qualidade de vida durante e após o tratamento.

A maioria dos cânceres na infância pode ser curada com uma combinação de quimioterapia com outros tratamentos, incluindo cirurgia, radioterapia, transplante de medula óssea, aplicados de forma racional e individualizada para cada tipo específico e de acordo com a extensão clínica da doença.

Os pais desempenham um papel crucial no cuidado e apoio de seus filhos durante todo o processo de tratamento. O primeiro passo é entender o tipo de câncer que seu filho tem e as várias opções de tratamento disponíveis. Isso os ajudará a tomar decisões informadas sobre os cuidados e o tratamento de seus filhos.

Além do tratamento médico e multidisciplinar, oferecido nos hospitais especializados, os pais também podem oferecer apoio emocional aos filhos. Isso pode incluir conversar com eles sobre seus sentimentos, ajudá-los a manter uma rotina normal e fornecer-lhes encorajamento positivo.

Os pais também podem desempenhar um papel ativo na defesa da saúde de seus filhos. Isso pode envolver trabalhar em estreita colaboração com a equipe de saúde, pesquisar opções de tratamento e buscar apoio de outras famílias em situações semelhantes.

É importante que os pais também se cuidem. Cuidar de uma criança com câncer pode ser física e emocionalmente desgastante, sendo essencial que os pais busquem o apoio da família e dos amigos e se envolvam em atividades de autocuidado.

Em conclusão, a oncologia pediátrica requer um esforço colaborativo entre a equipe de saúde e os pais, para garantir o melhor resultado para a criança. Ao fornecer apoio emocional e prático, os pais podem desempenhar um papel crítico na jornada de seus filhos durante o tratamento do câncer.

Relator:
Flavio Augusto Luisi

Presidente do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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