Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 18 Sep 2026 18:41:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retinoblastoma: o tumor ocular da primeira infância https://spsp.org.br/retinoblastoma-o-tumor-ocular-da-primeira-infancia/ Fri, 18 Sep 2026 18:40:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=59096 O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro. O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo. Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam. O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça. O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes. Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal. O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado. O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados. A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão. A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro.

O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo.

Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam.

O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça.

O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes.

Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal.

O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado.

O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados.

A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Miopia em crianças: quando enxergar de longe começa a ficar difícil https://spsp.org.br/miopia-em-criancas-quando-enxergar-de-longe-comeca-a-ficar-dificil/ Fri, 04 Sep 2026 16:19:03 +0000 https://spsp.org.br/?p=58911 “Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.” “Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.” “Será que prejudica passar muito tempo no celular?” Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança. A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola. A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida. Como saber se uma criança está ficando míope? Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”. Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito. Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta: É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão. E o celular? Ele causa miopia? Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem. A resposta não é simplesmente “sim”. O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre. Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos. Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre. Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes. Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia. Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural. E se a criança já tem miopia? Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante. Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental. Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais. Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças. O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família: •Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias. •Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.  •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos. •Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar. •Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando. Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”. Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares. A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado. No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas. Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

“Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.”

“Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.”

“Será que prejudica passar muito tempo no celular?”

Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança.

A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola.

A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida.

Como saber se uma criança está ficando míope?

Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”.

Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito.

Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta:

  • apertar os olhos para enxergar de longe;
  • aproximar-se muito da televisão ou de outros objetos;
  • ter dificuldade para enxergar a lousa na escola;
  • sentar cada vez mais perto da tela;
  • apresentar dores de cabeça ou cansaço visual;
  • perder o interesse por atividades que dependem da visão de longe;
  • apresentar queda no rendimento escolar.

É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão.

E o celular? Ele causa miopia?

Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem.

A resposta não é simplesmente “sim”.

O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre.

Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos.

Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre.

Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes.

Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia.

Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural.

E se a criança já tem miopia?

Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante.

Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental.

Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais.

Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças.

O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família:

•Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias.

•Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.

 •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos.

•Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar.

•Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando.

Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”.

Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares.

A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado.

No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Enxergar bem é fundamental para crescer, aprender e descobrir o mundo https://spsp.org.br/enxergar-bem-e-fundamental-para-crescer-aprender-e-descobrir-o-mundo/ Fri, 10 Jul 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57771 Você já parou para pensar em quantas descobertas uma criança faz todos os dias através dos olhos? Desde o início da vida, é observando os pais, brincando, lendo, desenhando e explorando o ambiente ao seu redor que a criança aprende e se desenvolve. Por isso, no Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, vale lembrar que cuidar da visão é cuidar da saúde, do aprendizado e da qualidade de vida. A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Grande parte das informações que as crianças recebem sobre o mundo chega por meio dos olhos. Quando existe algum problema visual não identificado, podem surgir dificuldades que afetam o desempenho escolar, a participação em atividades esportivas, a socialização e até a autoestima. E existe um detalhe que muitos pais desconhecem: a criança nem sempre percebe que está enxergando mal. Como ela nunca enxergou de outra forma, costuma acreditar que aquilo que vê é normal. Por isso, alguns problemas visuais podem passar despercebidos durante muito tempo. Alguns sinais merecem atenção, como aproximar-se muito dos livros e telas, apertar os olhos para enxergar, queixar-se de dores de cabeça frequentes, apresentar dificuldade escolar ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem atenção visual. Entre os problemas mais comuns na infância estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, que geralmente podem ser corrigidos com o uso de óculos. Também merecem atenção condições como o estrabismo, quando os olhos não estão alinhados, e a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma das principais causas de redução visual evitável na infância. Além dessas alterações mais frequentes, existem doenças oculares mais raras, mas que exigem diagnóstico precoce, como catarata congênita, glaucoma congênito e algumas doenças da retina. Nesses casos, identificar o problema nos primeiros meses ou anos de vida pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento visual da criança. Outro desafio crescente é o aumento da miopia entre crianças e adolescentes. Especialistas do mundo todo observam um crescimento expressivo do número de jovens míopes nas últimas décadas. Entre os fatores associados estão o aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das atividades ao ar livre. A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a proteger a saúde visual: •Incentivar brincadeiras e atividades ao ar livre, se possível, diariamente; •Fazer pausas regulares durante o uso de celulares, tablets e computadores; •Manter uma distância adequada das telas e dos materiais de leitura; •Observar sinais que possam indicar dificuldade para enxergar;  •Realizar consultas oftalmológicas periódicas. Também é importante lembrar que os cuidados com os olhos começam logo após o nascimento. A avaliação oftalmológica infantil permite identificar precocemente alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, aumentando as chances de tratamento e preservação da visão. A infância passa rápido. Cada fase traz novas descobertas, aprendizados e experiências. Garantir que uma criança enxergue bem é oferecer a ela melhores oportunidades para aprender, brincar, desenvolver sua autonomia e alcançar todo o seu potencial. Neste Dia Mundial da Saúde Ocular, o convite é simples: reserve um momento para olhar com atenção para a saúde visual dos seus filhos. Muitas vezes, uma consulta de rotina pode fazer uma grande diferença no presente e no futuro de uma criança. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

Você já parou para pensar em quantas descobertas uma criança faz todos os dias através dos olhos?

Desde o início da vida, é observando os pais, brincando, lendo, desenhando e explorando o ambiente ao seu redor que a criança aprende e se desenvolve. Por isso, no Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, vale lembrar que cuidar da visão é cuidar da saúde, do aprendizado e da qualidade de vida.

A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Grande parte das informações que as crianças recebem sobre o mundo chega por meio dos olhos. Quando existe algum problema visual não identificado, podem surgir dificuldades que afetam o desempenho escolar, a participação em atividades esportivas, a socialização e até a autoestima.

E existe um detalhe que muitos pais desconhecem: a criança nem sempre percebe que está enxergando mal. Como ela nunca enxergou de outra forma, costuma acreditar que aquilo que vê é normal. Por isso, alguns problemas visuais podem passar despercebidos durante muito tempo.

Alguns sinais merecem atenção, como aproximar-se muito dos livros e telas, apertar os olhos para enxergar, queixar-se de dores de cabeça frequentes, apresentar dificuldade escolar ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem atenção visual.

Entre os problemas mais comuns na infância estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, que geralmente podem ser corrigidos com o uso de óculos. Também merecem atenção condições como o estrabismo, quando os olhos não estão alinhados, e a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma das principais causas de redução visual evitável na infância.

Além dessas alterações mais frequentes, existem doenças oculares mais raras, mas que exigem diagnóstico precoce, como catarata congênita, glaucoma congênito e algumas doenças da retina. Nesses casos, identificar o problema nos primeiros meses ou anos de vida pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento visual da criança.

Outro desafio crescente é o aumento da miopia entre crianças e adolescentes. Especialistas do mundo todo observam um crescimento expressivo do número de jovens míopes nas últimas décadas. Entre os fatores associados estão o aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das atividades ao ar livre.

A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a proteger a saúde visual:

•Incentivar brincadeiras e atividades ao ar livre, se possível, diariamente;

•Fazer pausas regulares durante o uso de celulares, tablets e computadores;

•Manter uma distância adequada das telas e dos materiais de leitura;

•Observar sinais que possam indicar dificuldade para enxergar;

 •Realizar consultas oftalmológicas periódicas.

Também é importante lembrar que os cuidados com os olhos começam logo após o nascimento. A avaliação oftalmológica infantil permite identificar precocemente alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, aumentando as chances de tratamento e preservação da visão.

A infância passa rápido. Cada fase traz novas descobertas, aprendizados e experiências. Garantir que uma criança enxergue bem é oferecer a ela melhores oportunidades para aprender, brincar, desenvolver sua autonomia e alcançar todo o seu potencial.

Neste Dia Mundial da Saúde Ocular, o convite é simples: reserve um momento para olhar com atenção para a saúde visual dos seus filhos. Muitas vezes, uma consulta de rotina pode fazer uma grande diferença no presente e no futuro de uma criança.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Glaucoma também afeta crianças e muitas vezes começa sem aviso https://spsp.org.br/glaucoma-tambem-afeta-criancas-e-muitas-vezes-comeca-sem-aviso/ Tue, 26 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57049 ]]>

O glaucoma é uma doença que pode comprometer a visão de forma silenciosa. Na maioria das vezes, não causa dor, não dá sinais no começo e evolui lentamente. Quando a pessoa percebe, parte da visão já pode ter sido perdida de forma definitiva.

Por isso, o glaucoma é conhecido como o “ladrão silencioso da visão”.

No Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, lembrado em 26 de maio, o principal alerta é simples: não espere sintomas para cuidar da saúde dos olhos.

O que é o glaucoma?

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, responsável por levar as imagens dos olhos até o cérebro. Quando esse nervo sofre danos, a visão vai sendo comprometida, geralmente começando pelas laterais (visão periférica).

Na maioria dos casos, está associado ao aumento da pressão dentro do olho. Mas nem sempre. Algumas pessoas desenvolvem glaucoma mesmo com pressão normal, o que reforça a importância da avaliação oftalmológica completa e periódica.

Por que ele é tão perigoso?

Porque evolui sem dar sinais claros. A perda visual acontece aos poucos, e o cérebro consegue compensar essa falha por um tempo. Isso faz com que muitas pessoas só percebam o problema em fases mais avançadas.

O mais importante é lembrar que a visão que se perde por causa do glaucoma não volta.

Quem tem mais risco?

Idade acima de 40 anos; histórico familiar de glaucoma; miopia elevada; uso prolongado de corticoides; doenças como diabetes e hipertensão.

Mas qualquer pessoa pode ter glaucoma, mesmo sem fatores de risco aparentes.

E nas crianças?

Embora seja mais raro, o glaucoma também pode afetar bebês e crianças, e nesses casos o diagnóstico precoce é ainda mais importante.

Fiquem atentos a sinais como olhos maiores que o normal, lacrimejamento frequente, sensibilidade à luz, olho esbranquiçado e irritabilidade sem causa clara.

Nas crianças, o tratamento precoce pode preservar o desenvolvimento da visão, mas o dano ao nervo óptico não volta ao normal.

Como é feito o diagnóstico?

O glaucoma é diagnosticado por exames realizados pelo oftalmologista, que avaliam a pressão do olho, a saúde do nervo óptico, da visão e possíveis alterações no campo visual.

Mesmo sem sintomas, é fundamental realizar consultas oftalmológicas regulares.

O glaucoma tem tratamento?

Sim. Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com colírios ou cirurgia, dependendo do caso. O tratamento só funciona se for seguido corretamente.

Um cuidado que não pode esperar. O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Em muitos casos, o diagnóstico precoce permite controlar a doença e evitar a perda de visão.

Cuidar da visão também é fazer prevenção.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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A importância da triagem oftalmológica neonatal na detecção precoce do retinoblastoma https://spsp.org.br/a-importancia-da-triagem-oftalmologica-neonatal-na-deteccao-precoce-do-retinoblastoma/ Thu, 18 Sep 2025 11:49:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53214 A saúde ocular na infância é um tema que merece cada vez mais atenção dentro da pediatria e da oftalmologia]]>

A saúde ocular na infância é um tema que merece cada vez mais atenção dentro da pediatria e da oftalmologia. Cuidar dos olhos desde os primeiros dias de vida não é apenas uma medida preventiva para garantir boa visão, mas também uma estratégia eficaz para identificar doenças graves, que podem comprometer não só o desenvolvimento visual, mas a vida da criança. Entre essas doenças, o retinoblastoma ocupa um lugar de destaque, tanto por sua gravidade quanto pela possibilidade de ser diagnosticado precocemente por meio de um exame simples: o teste do olhinho simples.

O que é o retinoblastoma?

O retinoblastoma é um tumor maligno que se origina na retina, estrutura localizada no fundo do olho, responsável por captar a luz e formar as imagens que enxergamos. Trata-se do tumor intraocular mais comum na infância, com maior incidência em crianças pequenas, geralmente antes dos cinco anos de idade.

Embora seja considerado um câncer raro, sua relevância clínica é imensa. Em parte dos casos, o retinoblastoma está relacionado a alterações genéticas hereditárias, o que significa que pode ocorrer em mais de um olho (forma bilateral) e até mesmo em mais de um membro da mesma família. Já nos casos não hereditários, o tumor tende a surgir de maneira unilateral.

O grande desafio é que, nas fases iniciais, o retinoblastoma pode passar despercebido, pois muitas vezes não apresenta sintomas evidentes para os pais. No entanto, com a evolução da doença, sinais como o aparecimento de um reflexo branco na pupila (leucocoria, popularmente conhecida como “olho de gato” em fotos com flash), estrabismo, vermelhidão ocular persistente ou baixa visual podem se manifestar. Infelizmente, nesses estágios, a doença já pode estar mais avançada.

Gravidade e impacto da doença

A gravidade do retinoblastoma vai além da perda visual. Em casos avançados, as células tumorais podem ultrapassar os limites do olho e se disseminar para o sistema nervoso central e outras partes do corpo, representando risco de vida para a criança. Assim, a detecção precoce é a chave para mudar o desfecho clínico.

Quando diagnosticado cedo, é possível oferecer tratamentos menos invasivos e com maior chance de preservar a visão. Os recursos terapêuticos incluem quimioterapia sistêmica ou intra-arterial, fotocoagulação a laser, crioterapia e, em alguns casos, radioterapia. Já em situações em que o tumor ocupa grande parte do olho ou ameaça à vida, pode ser necessária a enucleação (remoção cirúrgica do globo ocular). Ainda que esse procedimento salve vidas, seu impacto emocional e social é significativo, tanto para a criança quanto para a família.

Portanto, cada mês de atraso no diagnóstico pode significar uma diferença importante entre salvar a visão ou apenas conseguir salvar a vida.

O papel da triagem oftalmológica neonatal

Para que a detecção precoce seja uma realidade, é essencial que todas as crianças passem pela triagem oftalmológica neonatal, realizada com o teste do olhinho (ou teste do reflexo vermelho). Esse exame, que deve ser realizado ainda na maternidade e repetido durante o acompanhamento pediátrico, é simples, rápido, indolor e de baixo custo.

O teste consiste na observação do reflexo vermelho das pupilas, utilizando um oftalmoscópio. Quando esse reflexo aparece de maneira uniforme e simétrica, geralmente indica normalidade. Alterações como reflexo branco, ausente ou irregular podem ser sinais de doenças graves, incluindo o retinoblastoma, a catarata congênita e outras patologias que comprometem a visão.

A simplicidade do exame contrasta com seu enorme valor: por meio dele, é possível identificar precocemente condições que podem levar à cegueira ou até ameaçar a vida da criança.

A responsabilidade do pediatra

Embora o oftalmologista seja o especialista indicado para diagnosticar e tratar as doenças oculares, é o pediatra quem tem contato mais frequente com o bebê nos primeiros meses e anos de vida. Por isso, é essencial que esse profissional esteja capacitado e atento para realizar corretamente o teste do olhinho em todas as consultas de rotina.

O pediatra não precisa ser um especialista em oftalmologia para fazer o teste, mas deve ser criterioso na observação e, principalmente, responsável por encaminhar imediatamente ao oftalmologista toda criança com resultado suspeito. O tempo é um fator decisivo: quanto mais cedo o encaminhamento, maiores as chances de preservar a visão e salvar a vida da criança.

Conscientização e a data de 18 de setembro

No Brasil, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma é celebrado em 18 de setembro. A criação dessa data representa um marco importante, pois amplia a visibilidade do tema e reforça a necessidade de mobilizar profissionais de saúde, famílias e a sociedade em geral.

Campanhas educativas em torno desse dia têm como objetivo informar sobre os sinais de alerta do retinoblastoma, estimular a realização do teste do olhinho em todas as maternidades e consultas pediátricas, além de destacar a importância do acompanhamento oftalmológico infantil.

A conscientização também tem impacto social: ao compreender que doenças oculares graves podem ser identificadas cedo, os pais se tornam aliados fundamentais dos médicos, atentos a sinais como reflexo branco nas fotos, estrabismo ou alterações visuais inesperadas.

Para concluir, o retinoblastoma é um tumor raro, mas de alta gravidade, que exige vigilância constante e diagnóstico precoce. O teste do olhinho é a principal ferramenta de triagem, acessível e indispensável para detectar a doença logo no início. O pediatra tem papel central nesse processo, sendo o primeiro guardião da saúde ocular da criança.

A lembrança do 18 de setembro como o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma deve servir como um chamado à ação: não se trata apenas de salvar olhos, mas de salvar vidas.

Investir na triagem oftalmológica neonatal é investir no futuro das crianças, garantindo não apenas a visão, mas também a chance de um desenvolvimento pleno, saudável e feliz.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Saúde visual de crianças e adolescentes: cuidados essenciais para um desenvolvimento saudável https://spsp.org.br/saude-visual-de-criancas-e-adolescentes-cuidados-essenciais-para-um-desenvolvimento-saudavel/ Thu, 10 Jul 2025 16:12:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52206 O Dia da Saúde Ocular é celebrado todos os anos no dia 10 de julho. A visão é um dos sentidos mais importantes para]]>

O Dia da Saúde Ocular é celebrado todos os anos no dia 10 de julho. A visão é um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento humano. Desde o nascimento, até o final da adolescência, os olhos passam por diversas etapas de amadurecimento, sendo essenciais para o aprendizado, a socialização, a autonomia e a qualidade de vida. Garantir que crianças e adolescentes tenham uma boa saúde visual vai muito além de prevenir doenças: trata-se de proporcionar oportunidades para que eles cresçam com segurança, confiança e bem-estar.

Desde os primeiros dias de vida, é fundamental que os pais e cuidadores estejam atentos à saúde ocular dos pequenos. O primeiro exame oftalmológico, o teste do reflexo vermelho – popularmente conhecido como teste do olhinho – deve ser realizado ainda na maternidade. Ele é simples, rápido e pode detectar alterações graves, como catarata congênita, glaucoma e até tumores oculares.

É recomendável que entre seis meses e um ano de idade a criança passe por uma avaliação completa com um oftalmologista infantil. Mesmo que nenhum sintoma esteja presente, os exames devem ser realizados anualmente ou conforme a orientação médica, pois diversas doenças oculares se desenvolvem de forma silenciosa e só se manifestam quando já estão avançadas.

Crianças pequenas nem sempre conseguem comunicar que não estão enxergando bem. Cabe aos pais e responsáveis observar alguns sinais, como o hábito de aproximar objetos do rosto, tropeçar com frequência, coçar ou esfregar os olhos constantemente, lacrimejamento sem motivo aparente, sensibilidade à luz, olhos vermelhos, queixa de dores de cabeça frequentes, rendimento escolar abaixo do esperado ou desinteresse por atividades que exigem atenção visual. O desvio de um ou ambos os olhos, conhecido como estrabismo, também é um sinal de alerta. Em qualquer um desses casos, a avaliação oftalmológica deve ser realizada o mais rápido possível.

Um dos grandes desafios da saúde ocular infantil nos dias atuais é o uso excessivo de telas. O contato precoce e prolongado com celulares, tablets e computadores tem sido associado a um aumento significativo de casos de miopia. Além disso, o tempo prolongado focando em curta distância causa fadiga ocular, olhos secos e dores de cabeça, além de miopia. Por isso, é fundamental limitar o uso de telas de acordo com a idade da criança. Até os dois anos, o ideal é evitar totalmente a exposição. Entre dois e cinco anos, o tempo deve ser restrito a, no máximo, uma hora por dia, sempre com supervisão e conteúdo apropriado. A partir dos seis anos, até os dez anos, o uso pode ser mais flexível, de até duas horas por dia, com supervisão, mas deve incluir pausas frequentes — uma boa regra é a do 20-20-20: a cada 20 minutos de uso de tela, olhar por 20 segundos para algo a 6 metros de distância (que correspondem a 20 pés).

Para além das telas, atividades ao ar livre devem ser estimuladas e é uma das estratégias mais eficazes na prevenção da miopia e no fortalecimento da visão. Pesquisas apontam que o contato diário com a luz natural estimula substâncias nos olhos que ajudam a evitar o crescimento exagerado do globo ocular, que é a principal causa do aumento da miopia. Por isso, brincadeiras ao ar livre, como correr, andar de bicicleta, explorar a natureza ou simplesmente brincar no quintal são altamente recomendadas. De uma a duas horas por dia de exposição à luz solar natural, em horários adequados, já faz uma diferença significativa.

A alimentação também desempenha um papel importante na saúde visual. Uma dieta rica em vitaminas A, C e E, além de ômega-3, luteína, zeaxantina e zinco, favorece o bom funcionamento da retina e protege contra diversas doenças. Alimentos como cenoura, abóbora, espinafre, brócolis, manga, peixes, ovos e sementes devem fazer parte da alimentação das crianças. Além disso, manter a hidratação adequada é fundamental, especialmente em ambientes com ar condicionado ou para crianças que fazem uso frequente de dispositivos eletrônicos, já que estes contribuem para a síndrome do olho seco.

A prevenção de acidentes também deve ser levada em consideração. Brinquedos com pontas, objetos cortantes, produtos químicos e materiais escolares podem causar lesões graves nos olhos. É importante orientar as crianças sobre os riscos e garantir um ambiente seguro para brincadeiras. Em atividades esportivas ou em laboratórios escolares, o uso de óculos de proteção é indispensável.

Outro ponto fundamental é evitar a automedicação. Colírios, pomadas e qualquer tipo de medicamento oftálmico devem ser utilizados apenas com prescrição médica. Substâncias aparentemente inofensivas podem causar alergias, intoxicações ou agravar o quadro clínico. Da mesma forma, o uso de óculos deve ser feito somente com a orientação de um oftalmologista. Óculos com grau inadequado ou armações mal ajustadas podem piorar a visão e causar desconforto.

Promover a saúde visual na infância é garantir que a criança tenha as melhores condições para aprender, brincar, explorar o mundo e se desenvolver com plenitude. Os pais e cuidadores têm papel fundamental nesse processo, seja oferecendo estímulos adequados, acompanhando o uso de tecnologias, incentivando hábitos saudáveis ou levando a criança ao oftalmologista de forma preventiva. A visão é uma janela para o mundo e merece toda a nossa atenção.

Relator:
Marcelo Alexandre A. C. Costa
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Glaucoma – diagnóstico precoce é fundamental para evitar perda da visão https://spsp.org.br/glaucoma-diagnostico-precoce-e-fundamental-para-evitar-perda-da-visao/ Mon, 26 May 2025 12:52:33 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51502 26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma como sendo a principal causa]]>

26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. A maioria das pessoas já ouviu falar em glaucoma como sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo, que afeta mais pessoas a partir dos 40 anos.

Apesar de mais raro (1 a cada 10 mil bebês), o glaucoma congênito ou infantil é muito grave e, se não for diagnosticado e tratado precocemente, leva à cegueira de forma muito rápida.

O glaucoma se deve a um desequilíbrio entre a formação e a drenagem de um líquido interno do olho, o humor aquoso. O acúmulo desse líquido gera um aumento da pressão ocular, que vai comprimir a cabeça do nervo óptico, levando à cegueira.

O bebê que nasce com obstrução do local de drenagem desse líquido tem sinais diferentes do glaucoma do adulto.

Como o olho do bebê é menos rígido que o do adulto, essa elevação da pressão interna do olho leva a um crescimento excessivo do globo ocular (buftalmo), e também a um edema (inchaço) da córnea, que dá um tom azulado da camada mais anterior do olho.

Os sintomas decorrentes dessas alterações nos olhos são: lacrimejamento excessivo, muita fotofobia (o bebê não consegue abrir os olhos diante de luminosidade), olhos irritados e vermelhos, aumento do diâmetro da córnea.

O tratamento na maioria dos casos é cirúrgico, com o intuito de baixar a pressão intraocular. E deve ser feito após o diagnóstico, com exame sob narcose para medida da pressão ocular e fundo de olho do bebê.

Mas o diagnóstico deve ser feito de forma rápida e precoce, pois reduzir a pressão ocular do bebê é fundamental para que não ocorra uma perda do nervo óptico e cegueira irreversível.

 

Relatora:

Márcia Keiko Uyeno Tabuse
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Ceratocone e a importância do diagnóstico precoce https://spsp.org.br/ceratocone-e-a-importancia-do-diagnostico-precoce/ Mon, 11 Nov 2024 17:57:36 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48891 O Dia Mundial do Ceratocone, 10 de novembro, é um alerta importante sobre essa doença, que atinge a córnea do portador, alterando a sua forma. A córnea é uma estrutura transparente]]>

O Dia Mundial do Ceratocone, 10 de novembro, é um alerta importante sobre essa doença, que atinge a córnea do portador, alterando a sua forma. A córnea é uma estrutura transparente, localizada na parte anterior do globo ocular, ou seja, na frente do olho. Trata-se de um tecido fino, delicado e transparente, que nos permite ou não enxergar com nitidez.

A doença ocular ceratocone causa uma alteração progressiva no formato da córnea, alterando a sua anatomia e provocando distorções na visão. Progressivamente, a visão da criança pode ir diminuindo sem mesmo apresentar algum sinal externo ou sem haver qualquer queixa por parte da criança.

Sua principal característica é a redução progressiva na espessura da parte central da córnea, que é empurrada para frente, formando uma saliência com o formato aproximado de um cone – e é por causa de seu formato que a patologia recebeu o nome de ceratocone.

Nos estágios mais avançados da doença, a córnea pode começar a esbranquiçar e a visão do portador de ceratocone diminui consideravelmente, podendo também ocorrer dor ocular aguda. Por isso, é de fundamental importância determinar um diagnóstico precoce, uma vez que as crianças podem também ser afetadas por essa patologia.

Os sintomas do ceratocone incluem:

  • Visão turva
  • Mudanças frequentes no grau dos óculos ou lentes de contato
  • Sensibilidade à luz
  • Visão dupla
  • Visão distorcida
  • Comprometimento da visão noturna

São inúmeras as causas do ceratocone e ainda não muito bem determinadas, mas sabemos que o fator genético é uma delas, e a doença pode ocorrer sem que haja qualquer sinal. Contudo, existe uma correlação grande do ceratocone com as crianças que são muito alérgicas. Em muitos casos, a alergia ocular pode predispor ao aparecimento do ceratocone, sendo muito importante, nessas situações, um tratamento rápido e eficaz, pois coçar os olhos, principalmente apertando-os com os dedos ou com o dorso da mão, ocasiona muitos danos à córnea, podendo levar a essa doença ocular.

Dessa forma, é preciso evitar que a criança coce os olhos – coçar o olho não é permitido! Existem formas de tratamentos, como colírios, para que o prurido e a coceira diminuam, evitando, assim, que a criança fique esfregando os olhos. Este alerta quanto à alergia ocular é muito importante, pois a doença pode acometer crianças com apenas cinco anos de idade ou até mesmo menores, e essa fase da vida é muito delicada, pois é o período de formação do desenvolvimento visual da criança.

Se o ceratocone ocorrer nessa idade, os danos à visão podem ser irreversíveis; por isso, em casos de alergia ocular dos filhos, é fundamental que os pais procurem o pediatra ou mesmo o oftalmologista pediátrico. E para o caso do ceratocone já estar instalado, dispomos, atualmente, de tratamentos bastante modernos, que podem evitar a progressão da doença.

São procedimentos oftalmológicos que trazem bons resultados se aplicados no momento correto. No início, o ceratocone pode ser tratado apenas com o uso de óculos ou lentes de contato para que a visão seja melhorada. Os casos avançados e extremos podem exigir um transplante de córnea, por isso a importância da detecção e tratamento da doença o mais precocemente possível.

 

Relatora:
Marcia Beatriz Tartarella
Membro do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma https://spsp.org.br/dia-nacional-de-conscientizacao-e-incentivo-ao-diagnostico-precoce-do-retinoblastoma/ Wed, 18 Sep 2024 14:10:27 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48039 Comemorado em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído pela Lei ]]>

Comemorado em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído pela Lei nº 12.637/2012.

O retinoblastoma é um tumor embrionário raro que se origina na retina, sendo o tumor maligno intraocular mais frequente encontrado nas crianças, na faixa etária de 0 a 5 anos de idade. Não existe diferença nas taxas de ocorrência entre o sexo feminino e o masculino, entre raças ou entre o olho direito e o esquerdo.

O reflexo ocular normal é vermelho; quando é visto branco, é chamado de leucocoria (leukos: branco, kore: pupila). A doença pode acometer um olho (60% dos casos) ou os dois olhos (40% dos casos).

Algumas outras doenças oculares pediátricas se apresentam com leucocoria, entre elas: catarata, uveíte e retinopatia da prematuridade.

O sinal mais frequente do retinoblastoma é a leucocoria, acometendo até 60% dos casos. Outro sinal é o desvio ocular (estrabismo). Toda criança com leucocoria e estrabismo deve ser encaminhada para avaliação oftalmológica.

O diagnóstico é feito quando se suspeita de retinoblastoma:

  1. Exame de fundo de olho sob anestesia, examinando minuciosamente os dois olhos.
  2. Ressonância nuclear magnética (RNM) de crânio e órbita, muito importante para a avaliação do comprometimento fora do olho, além de ser útil no diagnóstico diferencial entre retinoblastoma e outras doenças oculares.

O tratamento do retinoblastoma é realizado por cirurgia e ou quimioterapia. O planejamento é individualizado e devemos levar em consideração a idade do paciente, se é unilateral ou bilateral, extensão e localização da doença.

Lesões iniciais são mais facilmente tratadas e isto resulta em uma taxa maior de cura com preservação do globo ocular e da visão. O diagnóstico precoce do retinoblastoma é fundamental para diminuir o número de sequelas e mortes pela doença.

Com o objetivo de conscientizar a população e os médicos sobre a importância do diagnóstico precoce do retinoblastoma e da saúde ocular na infância, os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin Leifert criaram a campanha DE OLHO NOS OHINHOS, que desde 2022 impactou milhões de pessoas.

 A campanha tem o apoio de muitas entidades médicas do Brasil. Neste ano, no dia 21 de setembro, a campanha de conscientização estará presente em mais de 50 cidades brasileiras e convidamos todos a participar.

 

Relatora:

Carla Renata Donato Macedo
Membro do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: Arquivo pessoal Dra. Carla Renata Donato Macedo (imagem de paciente com retinoblastoma com presença do reflexo branco pupilar – leucocoria – em olho esquerdo)

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Dia Internacional da Conscientização do Albinismo https://spsp.org.br/dia-internacional-da-conscientizacao-do-albinismo/ Thu, 13 Jun 2024 15:45:30 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46634 O albinismo é uma condição genética, congênita, rara, que se caracteriza pela ausência total ou parcial da pigmentação da pele, dos pelos e olhos. Sua incidência é de 1:20.000 nasci]]>

O albinismo é uma condição genética, congênita, rara, que se caracteriza pela ausência total ou parcial da pigmentação da pele, dos pelos e olhos.

Sua incidência é de 1:20.000 nascidos vivos, portanto considerada uma doença rara.

De uma maneira geral, o albinismo ocorre em consequência a uma alteração na enzima tirosinase envolvida na produção de melanina. Mais profundamente, existem 19 genes envolvidos no albinismo e, em cada um desses genes, diferentes mutações podem ocorrer, determinando, desse modo, diferentes manifestações clínicas. Assim, temos um espectro clínico do albinismo que pode variar muito de uma pessoa para outra.

A melanina se distribui por todo o corpo, dando cor amarronzada de nossas peles, confere proteção à pele, cabelos, pelos e coloração à íris dos olhos. Além do que, a melanina funciona como agente protetor contra os raios ultravioleta do sol.

Tipos de albinismo 

  1. Oculocutâneo (completo/total) – em que há o acometimento da pele- olhos-pelos.
  2. Ocular – somente os olhos sofrem da despigmentação; e os problemas de visão são mais graves; no albinismo ocular, a cor da íris pode variar de azul a verde e, em alguns casos, castanho-claro.

 As complicações nos preocupam no albinismo e merecem atenção redobrada:

câncer de pele, deficiência visual severa, queimaduras solares, hipovitaminose D. 

O albinismo é associado com um número de alterações oftalmológicas, como: erros de refração, tais quais astigmatismo, estrabismo, miopia, hipermetropia, além de fotofobia, nistagmo, baixa visão. 

Todos os indivíduos albinos terão algum grau de comprometimento visual provocado pela falta de melanina, que é muito importante para a preservação da função do nervo óptico e desenvolvimento da visão. Essas modificações da estrutura e do funcionamento ocular é que desencadeiam os problemas visuais.

A falta de pigmentação da pele faz com que o organismo fique mais suscetível a queimaduras solares e cânceres de pele.

A exposição ao sol não produz o bronzeamento e acaba por causar queimaduras de graus variados.

Assim, muitos albinos preferem a noite para desenvolvimento de suas atividades, daí o nome filhos da lua. Muitos indivíduos albinos sofrem dificuldades de adaptação social e emocional.

Muitos casos de albinismo são diagnosticados nos primeiros dias de vida, levando em conta as alterações na pigmentação da pele, dos cabelos, cílios e sobrancelhas. No entanto, o exame oftalmológico minucioso é o instrumento mais importante para o diagnóstico clínico do albinismo.

Porém, não podemos esquecer dos exames genéticos moleculares, que podem ser requisitados a fim de determinar as mutações e estabelecer os diagnósticos diferenciais e aconselhamento genético.

Por isso é indicada a pesquisa molecular para definição exata do tipo de mutação. No entanto, esse exame não está disponível no sistema público de saúde brasileiro por enquanto.

Em resumo, o diagnóstico genético é de fundamental importância na abordagem dos pacientes albinos. Por meio da pesquisa molecular poderemos realizar a classificação dos subtipos, o que não é possível unicamente pela avaliação clínica fenotípica diagnosticar os casos não evidentes clinicamente, promover aconselhamento genético adequado e identificar as formas sindrômicas.

Os recursos terapêuticos recomendados na infância e ao longo da vida são vários:

1 – Uso de lentes corretivas

2 – Tampões e óculos para corrigir o estrabismo;

3 – Óculos escuros com proteção UV para controle da fotofobia e para proteger a retina dos raios ultravioleta;

4 – Existem lentes especiais que escurecem à medida que a claridade aumenta, que podem ser muito úteis no dia a dia dos albinos;

5 – O acompanhamento por um oftalmologista e dermatologista é mandatório e deve ser iniciado precocemente;

6 – Pelo menos uma vez por ano, a pessoa albina deve passar pela avaliação de um dermatologista, mas os cuidados com a pele precisam ser permanentes; 

7 – É fundamental evitar a exposição solar, especialmente entre 10 e 16 horas;

8 – Usar protetor solar (no mínimo FPS 30), que deve ser reaplicado (a cada 2 horas), várias vezes por dia, mesmo nos dias nublados;

9 – Uso de roupas com proteção UV;

10 – A suplementação de vitamina D é necessária.

 

O albinismo não é contagioso, não compromete o desenvolvimento físico ou intelectual desses indivíduos. Infelizmente, muitos são cercados de mitos e preconceitos que têm impacto negativo sobre sua autoestima e sociabilidade.

 

Por isso, é preciso que a criança albina desde pequena aprenda:

  • A cuidar do próprio corpo, evitando a exposição ao sol e usando protetor solar o tempo todo;
  • A lidar com os desafios que pode enfrentar nos relacionamentos;
  • A desenvolver habilidades que a ajudem a superar a deficiência visual. Por exemplo, sentar-se nas carteiras da frente da sala de aula, longe de focos de luz muito fortes, usar lupas para aumentar o tamanho das letras, são estratégias que revertem em benefício do aluno e em seu rendimento escolar.

 O albinismo é hereditário, e transmite-se de duas formas distintas:

  1. Autossômica recessiva;
  2. Autossômica dominante.

Assim, o aconselhamento genético e evitar casamento consanguíneo é importante.

Apesar de não termos cura, o acompanhamento clínico já está bem estabilizado, e trabalhar preventivamente, rastreando as patologias que podem vir a aparecer com maior frequência, é a base desse acompanhamento.

Ainda atualmente, especialmente em países africanos, existem casos de albinos sendo mortos e seus corpos usados em rituais. Outro sério problema é a falsa crença de que relações sexuais com uma mulher albina iriam curar a Aids, crença essa que acarreta estupros e, consequentemente, infecções de HIV.

Lembrando que dia 13/6 é o Dia Internacional da Conscientização do Albinismo e este texto traz luz às questões de preconceito, cuidados e a luta em disseminar informações sérias referentes ao albinismo.

 

Relatora:
Patrícia Salmona
Pediatra e Geneticista Clínica
Secretária do Departamento Científico de Genética da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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