Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 26 Aug 2026 13:22:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Colesterol alto também é coisa de criança: a prevenção começa na infância https://spsp.org.br/colesterol-alto-tambem-e-coisa-de-crianca-a-prevencao-comeca-na-infancia/ Fri, 07 Aug 2026 13:54:13 +0000 https://spsp.org.br/?p=58126 Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares. O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor. Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão. No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo. Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável. Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior. Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas. Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra. A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico. Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida. Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente. A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo. Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural. Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário. O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro. Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável. Relatoras: Natália Tonon DominguesMédica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESPMembro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSPMembro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP Lygia Mendes dos Santos BörderMédica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público EstadualVice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPMembro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares.

O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor.

Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão.

No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo.

Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável.

Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior.

Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas.

Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra.

A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico.

Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida.

Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente.

A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo.

Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural.

Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário.

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro.

Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável.

Relatoras:

Natália Tonon Domingues
Médica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)
Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESP
Membro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP

Lygia Mendes dos Santos Börder
Médica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)
Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Alimentos OGM: o que é importante saber https://spsp.org.br/alimentos-ogm-o-que-e-importante-saber/ Tue, 04 Aug 2026 12:19:41 +0000 https://spsp.org.br/?p=58101 O que são alimentos OGM? Quando a sigla OGM (Organismos Geneticamente Modificados) é mencionada, é comum que surjam dúvidas ou preocupações. Mas na prática, o que isso implica? Alimentos OGM são aqueles derivados de plantas ou microrganismos cujo material genético foi modificado em laboratório. Essa modificação pode ter diversos propósitos, como aumentar a resistência da planta a pragas, elevar a produtividade, melhorar a resistência à seca ou enriquecer os nutrientes que normalmente estão em níveis insuficientes. No Brasil, os OGMs mais frequentes na alimentação são a soja, o milho e o algodão geneticamente modificados. Esses ingredientes estão presentes de forma discreta em uma variedade de produtos industrializados que consumimos diariamente — desde óleos vegetais e farinhas até alimentos destinados a bebês e crianças. Por que essa questão é especialmente relevante para crianças? As crianças não são apenas adultos em miniatura. Seus corpos ainda estão em desenvolvimento — incluindo o cérebro, o sistema imunológico e o sistema digestório —, o que pode torná-las mais suscetíveis a algumas substâncias do que os adultos. Em 2023, a revista Pediatrics — publicação oficial da Academia Americana de Pediatria — apresentou as opiniões de especialistas em saúde infantil e ambiental. A conclusão foi equilibrada: os alimentos OGM aprovados pelas agências reguladoras não demonstram risco direto comprovado à saúde das crianças. Entretanto, os especialistas destacaram um alerta importante: o uso extensivo de herbicidas nas lavouras, como o glifosato, pode deixar resíduos nos alimentos, o que é motivo de preocupação real na Pediatria. Os benefícios reais são: •Maior produção de alimentos: plantas resistentes a pragas geram mais, com menos perdas. Em áreas onde a fome ainda é um problema, isso impacta diretamente a disponibilidade de alimentos; •Alimentos enriquecidos: pesquisadores estão criando culturas biofortificadas — como o “Arroz Dourado”, enriquecido com vitamina A — voltadas para crianças de regiões com carências nutricionais; •Ingredientes seguros para fórmulas infantis: a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) já aprovou ingredientes produzidos por microrganismos geneticamente modificados para uso em fórmulas infantis, como a 3-fucosilactose, um açúcar naturalmente presente no leite materno. Os riscos que preocupam os especialistassão:  • Resíduos de herbicidas: a maior preocupação em relação à saúde infantil é o aumento no uso de herbicidas associado a determinadas culturas OGM. O glifosato pode permanecer nos alimentos e, quando consumido em quantidades acumuladas, gera incertezas sobre seus efeitos no desenvolvimento neurológico e hormonal das crianças.  • Alergenicidade – Quando um gene é inserido em uma planta, surge a questão: a nova proteína produzida pode provocar reações alérgicas? Estudos recentes indicam que, até o momento, não houve reações alérgicas clinicamente comprovadas associadas aos OGMs aprovados. No entanto, especialistas defendem a necessidade de avaliações de segurança contínuas e rigorosas. • Falta de estudos de longo prazo em crianças — essa é a grande incógnita: ainda não há pesquisas de acompanhamento que avaliem os efeitos do consumo contínuo de OGMs ao longo da infância e da adolescência. A ciência disponível é boa — mas ainda não é completa. O que ainda não sabemos — a ciência é sincera ao reconhecer seus próprios limites. Entre as questões que necessitam de mais investigação estão: Quais são os efeitos cumulativos dos resíduos de herbicidas durante o crescimento infantil? Como os OGMs interagem com a microbiota intestinal das crianças — essenciais para a imunidade? Existem grupos mais vulneráveis — como crianças prematuras, com sistemas imunológicos comprometidos ou com doenças intestinais — que precisam de orientações específicas? Essas indagações não indicam que os OGMs sejam perigosos. Elas mostram que a ciência ainda está em busca de respostas — e que, nesse ínterim, a precaução é uma abordagem sensata. Dicas práticas para pais e cuidadores Conclusão Os alimentos OGM são uma realidade na mesa das famílias brasileiras. Com base nas evidências científicas disponíveis, os que foram aprovados por agências reguladoras não apresentam risco comprovado à saúde das crianças. Contudo, a questão dos resíduos de herbicidas, as lacunas nos estudos de longo prazo e a necessidade de monitoramento contínuo são motivos válidos para cautela e atenção. Informação de qualidade, diversificação alimentar e acompanhamento pediátrico regular permanecem as melhores formas de proteger a saúde de nossos filhos. Relator: Mauro FisbergCoordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA), do Instituto Pensi – São PauloProfessor Sênior Doutor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo.Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP]]>

O que são alimentos OGM? Quando a sigla OGM (Organismos Geneticamente Modificados) é mencionada, é comum que surjam dúvidas ou preocupações. Mas na prática, o que isso implica?

Alimentos OGM são aqueles derivados de plantas ou microrganismos cujo material genético foi modificado em laboratório. Essa modificação pode ter diversos propósitos, como aumentar a resistência da planta a pragas, elevar a produtividade, melhorar a resistência à seca ou enriquecer os nutrientes que normalmente estão em níveis insuficientes.

No Brasil, os OGMs mais frequentes na alimentação são a soja, o milho e o algodão geneticamente modificados. Esses ingredientes estão presentes de forma discreta em uma variedade de produtos industrializados que consumimos diariamente — desde óleos vegetais e farinhas até alimentos destinados a bebês e crianças.

Por que essa questão é especialmente relevante para crianças? As crianças não são apenas adultos em miniatura. Seus corpos ainda estão em desenvolvimento — incluindo o cérebro, o sistema imunológico e o sistema digestório , o que pode torná-las mais suscetíveis a algumas substâncias do que os adultos.

Em 2023, a revista Pediatrics — publicação oficial da Academia Americana de Pediatria — apresentou as opiniões de especialistas em saúde infantil e ambiental. A conclusão foi equilibrada: os alimentos OGM aprovados pelas agências reguladoras não demonstram risco direto comprovado à saúde das crianças. Entretanto, os especialistas destacaram um alerta importante: o uso extensivo de herbicidas nas lavouras, como o glifosato, pode deixar resíduos nos alimentos, o que é motivo de preocupação real na Pediatria.

Os benefícios reais são:

•Maior produção de alimentos: plantas resistentes a pragas geram mais, com menos perdas. Em áreas onde a fome ainda é um problema, isso impacta diretamente a disponibilidade de alimentos;

•Alimentos enriquecidos: pesquisadores estão criando culturas biofortificadas — como o “Arroz Dourado”, enriquecido com vitamina A — voltadas para crianças de regiões com carências nutricionais;

•Ingredientes seguros para fórmulas infantis: a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) já aprovou ingredientes produzidos por microrganismos geneticamente modificados para uso em fórmulas infantis, como a 3-fucosilactose, um açúcar naturalmente presente no leite materno.

Os riscos que preocupam os especialistassão: 

• Resíduos de herbicidas: a maior preocupação em relação à saúde infantil é o aumento no uso de herbicidas associado a determinadas culturas OGM. O glifosato pode permanecer nos alimentos e, quando consumido em quantidades acumuladas, gera incertezas sobre seus efeitos no desenvolvimento neurológico e hormonal das crianças.

 • Alergenicidade – Quando um gene é inserido em uma planta, surge a questão: a nova proteína produzida pode provocar reações alérgicas? Estudos recentes indicam que, até o momento, não houve reações alérgicas clinicamente comprovadas associadas aos OGMs aprovados. No entanto, especialistas defendem a necessidade de avaliações de segurança contínuas e rigorosas.

• Falta de estudos de longo prazo em crianças — essa é a grande incógnita: ainda não há pesquisas de acompanhamento que avaliem os efeitos do consumo contínuo de OGMs ao longo da infância e da adolescência. A ciência disponível é boa — mas ainda não é completa.

O que ainda não sabemos — a ciência é sincera ao reconhecer seus próprios limites. Entre as questões que necessitam de mais investigação estão:

Quais são os efeitos cumulativos dos resíduos de herbicidas durante o crescimento infantil? Como os OGMs interagem com a microbiota intestinal das crianças — essenciais para a imunidade? Existem grupos mais vulneráveis — como crianças prematuras, com sistemas imunológicos comprometidos ou com doenças intestinais — que precisam de orientações específicas? Essas indagações não indicam que os OGMs sejam perigosos. Elas mostram que a ciência ainda está em busca de respostas — e que, nesse ínterim, a precaução é uma abordagem sensata.

Dicas práticas para pais e cuidadores

  1. Optem por alimentos in natura ou minimamente processados. Frutas, legumes, verduras, ovos, carnes e grãos inteiros têm menos aditivos e resíduos, independentemente de serem OGM ou não.
  2. Verifiquem os rótulos. No Brasil, produtos que contenham mais de 1% de ingrediente transgênico devem exibir o símbolo do triângulo amarelo com a letra “T”.
  3. Diminuam o consumo de ultraprocessados. Grande parte da exposição infantil a ingredientes OGM provém de biscoitos recheados, salgadinhos, cereais açucarados e bebidas industrializadas. Reduzi-los faz diferença — e não apenas por conta dos OGMs.
  4. Variem a alimentação. A diversidade alimentar é uma proteção. Uma criança que consome uma ampla gama de alimentos naturais está menos exposta a substâncias específicas — e é mais bem nutrida.
  5. Consultem o pediatra. Se seu filho tem alergias, doenças intestinais ou imunidade comprometida, discuta essas questões com o médico. Cada criança tem sua própria história.
  6. Desconfiem de extremos. Tanto o alarmismo (“OGM é veneno!”) quanto a complacência total (“não há nenhum risco”) são posturas equivocadas diante da ciência atual. A posição crítica equilibrada é a mais honesta.

Conclusão

Os alimentos OGM são uma realidade na mesa das famílias brasileiras. Com base nas evidências científicas disponíveis, os que foram aprovados por agências reguladoras não apresentam risco comprovado à saúde das crianças. Contudo, a questão dos resíduos de herbicidas, as lacunas nos estudos de longo prazo e a necessidade de monitoramento contínuo são motivos válidos para cautela e atenção.

Informação de qualidade, diversificação alimentar e acompanhamento pediátrico regular permanecem as melhores formas de proteger a saúde de nossos filhos.

Relator:

Mauro Fisberg
Coordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA), do Instituto Pensi – São Paulo
Professor Sênior Doutor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo.
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP

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Obesidade: um importante problema de saúde pública https://spsp.org.br/obesidade-um-importante-problema-de-saude-publica/ Thu, 05 Mar 2026 14:35:49 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55328 O Dia Mundial da Obesidade foi criado em 2015 pela Federação Mundial da Obesidade para unir esforços de países, profissionais de saúde e da sociedade no enfrentamento da obesidade]]>

O Dia Mundial da Obesidade foi criado em 2015 pela Federação Mundial da Obesidade para unir esforços de países, profissionais de saúde e da sociedade no enfrentamento da obesidade. Desde 2020, a data é celebrada todos os anos em 4 de março, servindo como um momento global de reflexão, informação e mobilização.

O principal objetivo da data é chamar a atenção para a obesidade como um importante problema de saúde pública, incentivar a prevenção e ampliar o acesso ao tratamento. Também busca reduzir o preconceito contra pessoas que vivem com obesidade e estimular governos e instituições a adotarem políticas que promovam ambientes mais saudáveis.

Diversas organizações internacionais participam dessa iniciativa, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Em muitos países, sociedades científicas, universidades e associações de profissionais de saúde organizam campanhas educativas, eventos e ações de conscientização.

A cada ano, o Dia Mundial da Obesidade apresenta um tema específico para ampliar o debate. As campanhas procuram informar a população sobre os riscos da obesidade, incentivar hábitos saudáveis e mostrar que o problema é complexo, envolvendo fatores biológicos, sociais e ambientais – e não apenas escolhas individuais.

Desafios para prevenir a obesidade

Apesar de décadas de campanhas de saúde pública, ainda existem lacunas importantes no conhecimento da população sobre obesidade, suas consequências e formas de tratamento. Estudos mostram que muitas pessoas não reconhecem corretamente seu próprio peso ou subestimam o impacto de hábitos como atividade física regular na manutenção da saúde. Além disso, nem sempre os profissionais de saúde abordam o tema de forma ativa nas consultas, o que pode atrasar a identificação do problema e o início de estratégias de controle do peso.

Outro desafio importante é o estigma associado à obesidade. Preconceito, discriminação e mensagens negativas podem causar sofrimento psicológico, isolamento social e até dificultar que as pessoas busquem ajuda ou adotem hábitos saudáveis. Por isso, campanhas de saúde precisam informar sobre os riscos da obesidade sem reforçar estereótipos ou culpabilizar indivíduos, reconhecendo que se trata de uma condição complexa, influenciada por fatores biológicos, sociais e ambientais.

Também é fundamental considerar o papel dos chamados “ambientes obesogênicos” – contextos que favorecem o ganho de peso. Em muitas cidades, há grande oferta de alimentos ultraprocessados e calóricos, porções cada vez maiores, intensa publicidade de produtos pouco saudáveis e poucas oportunidades para atividade física segura. Esse cenário mostra que a prevenção da obesidade não depende apenas de decisões individuais, mas também de políticas públicas e mudanças no ambiente que facilitem escolhas mais saudáveis.

Assim, o Dia Mundial da Obesidade reforça que enfrentar esse problema exige informação, empatia e ação coletiva, envolvendo indivíduos, profissionais de saúde, governos e toda a sociedade na construção de ambientes mais saudáveis.

Caminhos para o futuro

Especialistas destacam que o enfrentamento da obesidade exige ações contínuas ao longo de todo o ano, e não apenas campanhas pontuais. O Dia Mundial da Obesidade deve servir como um ponto de partida para programas permanentes de prevenção, educação e cuidado.

Também é essencial reduzir desigualdades. A obesidade atinge de forma mais intensa populações socialmente vulneráveis, que muitas vezes vivem em ambientes com menos acesso a alimentação saudável e oportunidades de atividade física. Políticas públicas devem buscar garantir acesso equitativo à prevenção e ao tratamento para toda a população.

Outro ponto importante é avaliar melhor as iniciativas de prevenção. Muitos países realizam campanhas e programas criativos, mas ainda há pouca evidência sobre o impacto real dessas ações no comportamento, no conhecimento das pessoas e nos resultados de saúde.

Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de combater o estigma e promover abordagens mais humanas e respeitosas, tratando a obesidade como uma condição de saúde complexa que exige cuidado, apoio e informação – e não julgamento.

Por fim, a cooperação entre países e instituições é fundamental para compartilhar experiências e estratégias eficazes. Trocar conhecimentos e aprender com diferentes realidades pode ajudar a fortalecer ações de prevenção e tratamento.

Uma responsabilidade de todos

A obesidade está associada a diversas doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, além de representar um grande impacto para os sistemas de saúde e para a qualidade de vida das pessoas.

O Dia Mundial da Obesidade reforça que enfrentar esse desafio exige informação, empatia e ação coletiva. Mais do que uma data no calendário, ele é um convite para que governos, profissionais de saúde, escolas, famílias e comunidades trabalhem juntos na construção de ambientes mais saudáveis e de um futuro com melhor qualidade de vida para todos.

 

Relator:

Mauro Fisberg
Coordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares – CENDA – Instituto Pensi
Professor Associado (SR) do Departamento de Pediatria EPM-UNIFESP Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP

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Segurança em relação a dietas com baixo teor de carboidratos para controlar o diabetes em crianças https://spsp.org.br/seguranca-em-relacao-a-dietas-com-baixo-teor-de-carboidratos-para-controlar-o-diabetes-em-criancas/ Mon, 03 Nov 2025 12:28:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54029 Uma das grandes preocupações de pais de crianças com diabetes tipo 1 (DM1) é buscar um equilíbrio dos níveis de glicose diariamente]]>

Uma das grandes preocupações de pais de crianças com diabetes tipo 1 (DM1) é buscar um equilíbrio dos níveis de glicose diariamente e a longo prazo, com o objetivo de evitar as complicações agudas e crônicas da doença. Ao mesmo tempo, há o sentimento de reduzir o sofrimento dos filhos por conta das famosas “picadas” – seja para monitorizar os níveis de glicose, seja para a aplicação da insulina. A dieta desempenha papel importante no tratamento do DM1; abordaremos, neste espaço, alguns aspectos relativos à utilização dos carboidratos.

O carboidrato é um macronutriente que compõe a nossa pirâmide alimentar, sendo a base dela – ou seja, a maioria da nossa caloria consumida por dia é por conta dos carboidratos (pelo menos 50% a 55% das calorias diárias). Ao mesmo tempo, o carboidrato é a principal fonte que aumenta de forma imediata os níveis de glicose após seu consumo nos pacientes DM1. Por conta deste impacto, pelo receio de aumentos exorbitantes das glicemias após as refeições e, ao mesmo tempo, tentando buscar uma forma para aplicação de uma menor quantidade de insulinas bolus, algumas famílias buscam utilizar uma dieta com uma menor quantidade de carboidratos para as crianças DM1 – as famosas dietas low-carb (LC), very low-carb (VLC) e dieta cetogênica (DC).

Pensando-se na proposta e resultado dela, realmente pode haver um impacto positivo, tanto na redução dos níveis de glicose com estas dietas. No entanto, qual a segurança na realização delas em crianças DM1?

Pois atenção: toda criança, independentemente se apresenta doenças ou não, necessita de forma obrigatória dos carboidratos. Devemos lembrar que eles são a fonte imediata de energia para nossas células do corpo, e a redução drástica do seu consumo pode afetar o desenvolvimento e o rendimento da criança, podendo causar, por exemplo, apatia, sonolência, queda do rendimento escolar, entre outros comportamentos. Ao mesmo tempo, o carboidrato tem efeito direto na proliferação celular e, por isso, gera uma consequência direta no crescimento do indivíduo. Ou seja, uma redução além do normal no consumo de carboidratos em crianças pode afetar o crescimento e desenvolvimento delas a curto e longo prazo.

Outra questão que deve ser considerada: pelo fato de o carboidrato ser uma fonte imediata de energia, a redução do consumo nem sempre é tolerada na população pediátrica, gerando sintomas como fraqueza, tonturas, vômitos, entre outros.

Mais um aspecto a ser discutido: com a redução do consumo de carboidratos, a tendência é que a dieta seja reforçada por um maior nível de proteínas e gorduras. Estes, apesar de em menor proporção, possuem conversão e podem impactar também em aumento dos níveis de glicose após horas do seu consumo; além disso, o consumo aumentado de proteínas e gorduras pode gerar impactos nos níveis de colesterol, aumentar risco de obesidade, gerar impactos na saúde hepática e renal, etc.

As dietas VLC e DC, pela redução considerável do consumo de carboidratos, podem gerar um aumento da quebra do tecido adiposo corporal para fornecimento de glicose para fornecimento de energia – entretanto, este mecanismo pode causar a redução do pH sanguíneo (acidose) e aumentar a formação de corpos cetônicos – e a junção destes dois mecanismos pode levar a uma cetoacidose diabética mesmo com níveis normais de glicose, chamada cetoacidose diabética euglicêmica, que é uma emergência médica e deve ser tratada imediatamente.

Em resumo: crianças com DM1 devem ter uma dieta individualizada, com aporte calórico adequado e consumo correto de carboidratos, proteínas e gorduras. A redução do consumo de carboidratos na dieta não possui, a princípio, estudos que demonstrem segurança para o seu uso de forma indiscriminada. A alimentação do paciente DM1 deve ser acompanhada de forma rigorosa por um nutricionista, de tal forma que haja ajustes adequados para otimizar o crescimento, desenvolvimento e níveis adequados de glicose nas crianças DM1.

 

Relator:

Thiago Santos Hirose
Endocrinologista Pediátrico
Membro do Departamento Científico de Endocrinologia da SPSP
Diretor da Regional de Ribeirão Preto da SPSP

 

 

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Dia de prevenir a obesidade https://spsp.org.br/dia-de-prevenir-a-obesidade/ Sat, 11 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53542 ]]>

Já escrevi várias vezes sobre o tema obesidade e excesso de peso. Infelizmente passam os anos e o problema aumenta em vez de diminuir. As taxas globais mostram que uma em cada 10 pessoas do mundo está com obesidade e se calcula que aproximadamente 30% a 50% estão com excesso de peso.

A obesidade é uma doença genética e metabólica, que sofre interferências do estilo de vida, como o padrão de alimentação e a atividade física do indivíduo. De uma forma primária sempre se discutiu o modelo da balança, em que uma pessoa com pouca atividade física ou excessos na ingestão calórica estaria predisposta a um aumento de peso, enquanto pessoas mais ativas e com menor ingestão apresentariam peso adequado (baixo, alto?).

Esse modelo obviamente não explica todas as formas de obesidade, e já na infância temos aspectos diferentes, que vão desde o período pré-natal, com o aumento de peso excessivo na gestação, ao tamanho grande ao nascimento, assim como crianças com baixo peso, que são recuperadas de forma intempestiva, levando a um superávit de energia.

No período de lactação, sabemos que o leite materno, exclusivo e prolongado, protege o bebê do peso excessivo, por inúmeras características da composição do leite, como aspectos de manutenção da saciedade, o que não ocorreria no leite de vaca ou fórmulas, que são dadas de forma homogênea em uma mamadeira.

A introdução da alimentação, usualmente aos seis meses de idade, pode ocasionar riscos com o uso de alimentos inadequados para a idade; o uso de açúcar, sal em excesso e alimentos ricos em gorduras saturadas, são fatores de risco.

Claro que na idade do lactente não há praticamente atividade física, que começa a ser determinante na idade pré-escolar, e não necessariamente ligada a esportes, e sim ao tipo de movimentação e jogo da criança. Famílias sedentárias têm maior chance de terem menor atividade intensa e risco de crianças com excesso de peso.

Outro período importante para a pediatria é a fase da pré-adolescência, em que ocorre maior ganho de gordura corporal, especialmente em meninas (mas ocorre também nos meninos, em menor quantidade). O ganho de gordura, que é fisiológico, pode se somar a um corpo já anteriormente com excesso de peso e o processo pode levar a um adolescente com obesidade.

Há uma ideia tradicional de que adolescentes cheinhos, com o crescimento puberal emagreceriam e o corpo se adequaria. No entanto, hoje o processo não é sempre assim, especialmente se o adolescente chegar ao período do estirão com excesso de peso. O crescimento não será suficiente para acomodar o excesso de gordura e o peso aumentará.

Portanto, uma das maiores preocupações na área pediátrica é de que uma criança com excesso de peso ou obesidade seja um adulto obeso, com todos os riscos associados.

No entanto, já na idade pediátrica aparecem aspectos importantes, associados ao excesso de peso. Muitas vezes a criança sofre bullying em casa, por parte dos próprios familiares, que caçoam ou brigam com a criança por comer demais, por ser preguiçosa… O assédio pode se estender ao ambiente, aos cuidadores, na escola e na rua.

Outros problemas são a chance de baixa autoestima, depressão, ansiedade e problemas escolares. Estes podem ser agravados por problemas de pele, maior chance de infecção cutânea, problemas na postura, nos pés e joelhos. Há uma maior probabilidade de aumento das gorduras corporais, do colesterol, dos triglicérides, da insulina e da resistência insulínica. Mais de 20% das crianças obesas apresentam hipertensão arterial.

Mas talvez o mais complexo dos problemas seja a falta de diagnóstico precoce do aumento de peso, da obesidade e dos problemas associados. Famílias demoram a levar ao pediatra, e infelizmente muitos deixam de fazer o diagnóstico, por interpretação equivocada das curvas de crescimento.

No dia 11 de outubro, determinamos o Dia Nacional da Prevenção da Obesidade, e mais do que nunca, todos, famílias e comunidade, pediatras e educadores, precisamos estar atentos ao diagnóstico e à avaliação dos fatores de risco ligados ao ganho de peso excessivo, e à consequência final, a obesidade.

Muitos hospitais públicos e privados possuem serviços de acompanhamento de obesidade infantil e adolescente e estão capacitados a desenvolver ações para a prevenção dos maiores riscos do problema. Busque ajuda e procure informações confiáveis. As sociedades de Pediatria, Endocrinologia, Cardiologia e outras possuem sites, publicações e programas de apoio. Não permita que a obesidade cobre seu preço.

 

Relator:

Mauro Fisberg
Pediatra e Nutrólogo
Coordenador do CENDA – Centro de Nutrição e Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI
Professor Associado SR do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP

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RPPED: Anticorpos neutralizantes no leite e no sangue de lactantes vacinadas para SARS-CoV-2: uma revisão sistemática https://spsp.org.br/rpped-anticorpos-neutralizantes-no-leite-e-no-sangue-de-lactantes-vacinadas-para-sars-cov-2-uma-revisao-sistematica/ Tue, 15 Jul 2025 11:50:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52106 Fabio TeófilofabioEditar perfil]]>

Fabio TeófilofabioEditar perfil

Texto divulgado em 15/07/25


A Revista Paulista de Pediatria publicou o manuscrito de autoria de Vieira ISA et al “Anticorpos neutralizantes no leite e no sangue de lactantes vacinadas para SARS-CoV-2: uma revisão sistemática”. 

O estudo constatou que as mulheres vacinadas apresentaram níveis mais elevados de imunoglobulina G (IgG) e A (IgA) no soro e no leite materno em comparação com as mulheres não vacinadas.

Leia o artigo publicado na RPPed no volume 43, 2025

 

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A importância de cuidar da saúde e alimentação todos os dias https://spsp.org.br/a-importancia-de-cuidar-da-saude-e-alimentacao-todos-os-dias/ Mon, 31 Mar 2025 19:58:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50792 O Dia Nacional da Saúde e Nutrição é uma data especial, para lembrar a todos sobre a necessidade de manter um estilo de vida saudável e uma alimentação equilibrada.]]>

O Dia Nacional da Saúde e Nutrição é uma data especial, para lembrar a todos sobre a necessidade de manter um estilo de vida saudável e uma alimentação equilibrada. Todo ano, no dia 31 de março, temos essa chance de refletir sobre como nossos hábitos alimentares podem influenciar nossa saúde física e mental. Quando falamos de crianças e adolescentes, estamos promovendo o crescimento, desenvolvimento, imunidade e especialmente prevenindo as doenças do adulto e melhorando a qualidade de vida atual e futura.

Origem e objetivos

Esse dia foi criado para promover a educação alimentar e encorajar práticas saudáveis. Diversas atividades acontecem pelo país, como palestras e workshops, sempre com o intuito de mostrar os benefícios de uma dieta equilibrada e como ela pode ajudar a prevenir doenças. É essencial promover o bem-estar físico e emocional como parte da qualidade de vida.

1 – Importância da nutrição

Cuidar da alimentação é essencial para manter nossa saúde e evitar doenças. Comer bem nos dá os nutrientes necessários para o corpo funcionar direito, fortalece o sistema imunológico, ajuda no desenvolvimento cognitivo e mantém o peso sob controle. Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, proteínas magras e grãos integrais pode reduzir o risco de várias doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

Princípios de uma alimentação saudável

Aqui estão algumas dicas para garantir uma boa nutrição:

  • Variedade: Comer alimentos variados garante que se consuma todos os nutrientes necessários.
  • Moderação: Evitar exageros e controlar as porções, para manter o equilíbrio.
  • Equilíbrio: Incluir todos os grupos alimentares na dieta diária, como carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais.
  • Hidratação: Beber água regularmente, para manter o corpo hidratado e ajudar nos processos metabólicos.

Benefícios de uma alimentação saudável

Adotar uma alimentação saudável traz muitos benefícios, como:

  • Melhora do sistema imunológico: Nutrientes como vitaminas A, C, D e E, zinco e selênio são essenciais para fortalecer o sistema imunológico e proteger o corpo contra infecções.
  • Controle do peso: Uma dieta balanceada ajuda a manter o peso adequado e prevenir a obesidade.
  • Saúde cardiovascular: Alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras e grãos integrais, ajudam a reduzir o colesterol e prevenir doenças cardíacas.
  • Bem-estar mental: Uma alimentação equilibrada contribui para a saúde mental, melhorando o humor e a concentração e reduzindo o risco de depressão e ansiedade.

2 – Importância da atividade física para a saúde e bem-estar

A atividade física é essencial para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, trazendo diversos benefícios físicos, mentais e sociais.

Um dos principais ganhos é o fortalecimento dos ossos e músculos. A prática regular ajuda a construir um sistema musculoesquelético forte. Além disso, a atividade física ajuda no controle do peso corporal, diminuindo o risco de excesso de peso e obesidade, que estão associados a várias condições de saúde, como diabetes tipo 2 e hipertensão.

Atividades físicas regulares estão ligadas à redução do estresse, ansiedade e depressão, além de melhorarem a autoestima e o bem-estar emocional. Crianças ativas normalmente têm um desempenho escolar melhor, pois essa prática está relacionada a melhorias nas funções cognitivas.

A socialização também é beneficiada pela atividade física, já que participar de esportes ensina valores como trabalho em equipe, respeito às regras e convivência social . Assim, estabelecer hábitos de vida ativa desde a infância pode levar a um estilo de vida saudável ao longo da vida.

3 – Saúde e nutrição no dia a dia

Mais do que celebrar uma data específica, é importante lembrar que cuidar da saúde e da alimentação deve ser uma prática diária. Pequenas mudanças nos nossos hábitos podem fazer uma grande diferença. Tente incorporar mais alimentos frescos e nutritivos na dieta de sua família, oriente para que se deve beber bastante água e evitar alimentos com excesso de gordura, sal e muito açúcar. Movimente-se e faça com que sua família tenha um comportamento mais ativo, com passeios ao ar livre, esportes, recreação livre e orientada. Saúde infantil é cuidar do sono, do descanso, do lazer, como parte do sistema educativo. Prevenir doenças com vacinação completa e adequada é um dos pilares da saúde.

Faça da saúde e da nutrição uma prioridade todos os dias, e não apenas no Dia Nacional da Saúde e Nutrição. Os Dias Nacionais são ocasiões de conscientização, mas são mais uma lembrança de adotar medidas adequadas no dia a dia. Lembre-se de que cuidar de si mesmo é um ato de amor e respeito com o próprio corpo. Cuidar do bem-estar das crianças é garantir um país desenvolvido, digno e com possibilidades de uma melhor vida futura.

 

Relator:

Mauro Fisberg
Médico Pediatra e Nutrólogo
Coordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares – CENDA, do Instituto Pensi-Sabará Hospital Infantil
Professor Sênior Doutor – Pediatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Obesidade em crianças e adolescentes: orientação atualizada para prevenir e cuidar https://spsp.org.br/obesidade-em-criancas-e-adolescentes-orientacao-atualizada-para-prevenir-e-cuidar/ Wed, 05 Mar 2025 18:36:05 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50437 O Dia Mundial da Obesidade é celebrado em 4 de março, uma data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos]]>

O Dia Mundial da Obesidade é celebrado em 4 de março, uma data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos dessa condição e promover ações que ajudem a prevenir e combater a obesidade.

O excesso de peso afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode levar a uma série de problemas de saúde e pode se instalar já na infância.

A educação e a prevenção são fundamentais para garantir uma vida mais saudável para as futuras gerações.

Repercussões negativas da obesidade

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que pode prejudicar o funcionamento normal do organismo, podendo afetar a saúde de diversas formas. Entre os principais problemas que a obesidade pode causar, estão:

  • Doenças cardiovasculares: O excesso de peso aumenta o risco de hipertensão, colesterol elevado e mau funcionamento do coração;
  • Diabetes tipo 2: A obesidade é uma das principais causas do diabetes tipo 2, uma condição que afeta a forma como o corpo metaboliza o açúcar do sangue e pode levar a complicações graves;
  • Problemas nas articulações: O peso excessivo acarreta maior pressão sobre as articulações, o que pode resultar em dor, inflamação e, eventualmente, em problemas permanentes, como a osteoartrite do joelho;
  • Distúrbios respiratórios: A obesidade pode dificultar a respiração e aumentar o risco de apneia do sono e asma;
  • Impactos psicológicos: O excesso de peso pode comprometer a autoestima e a saúde mental de crianças e adolescentes, levando a quadros de estresse, depressão e ansiedade.

O papel dos pais e responsáveis na prevenção da obesidade em crianças e adolescentes

Embora a genética tenha um papel na predisposição ao ganho de peso, os hábitos alimentares inadequados e a ausência da prática de atividade física são fatores determinantes para o desenvolvimento da obesidade. Medidas de prevenção devem começar em casa, com a participação de pais e familiares.

Aqui estão sete dicas práticas para ajudar a prevenir a obesidade em crianças e adolescentes e, consequentemente, reduzir o risco da ocorrência de suas consequências negativas.

  1. Oferecer uma alimentação equilibrada

A alimentação saudável é fundamental para manter o peso adequado. Priorize alimentos naturais e frescos, como frutas, legumes, verduras e proteínas magras. Evite o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, como fast food, refrigerantes, doces e frituras. Incentive o consumo de água e evite bebidas açucaradas, como sucos processados.

  1. Estabelecer horários para as refeições

Ter horários regulares para as refeições ajuda a evitar o consumo excessivo de alimentos, pois contribui com o funcionamento normal do centro da fome e saciedade, ou seja, comer com calma e de forma consciente permite que o corpo perceba quando está satisfeito, evitando excessos.

  1. Incentivar a atividade física regular

De forma geral, recomenda-se que crianças e adolescentes tenham, pelo menos, 1 hora de atividade física todos os dias. Pode ser uma caminhada, andar de bicicleta, nadar, jogar futebol, ou até mesmo brincar ao ar livre, principalmente para crianças menores. O importante é que a atividade seja prazerosa, para que se torne parte da rotina diária.

  1. Reduzir o tempo de tela

A exposição excessiva a telas (televisão, computadores, tablets, celulares e videogames) tem sido um dos principais fatores que contribuem para o sedentarismo. Limite o tempo em frente às telas e incentive brincadeiras ativas, como correr, dançar ou praticar esportes. O cuidado é a conotação que se deve dar a esta prática; limitar e criar rotinas saudáveis não deve beirar a proibição.

  1. Estabelecer um exemplo positivo

Crianças e adolescentes tendem a imitar os comportamentos dos adultos da família. Portanto, se você adotar um estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada e atividade física regular, seu filho ou filha terá maior probabilidade de seguir o mesmo caminho.

  1. Promover o sono de qualidade

O sono tem grande influência no metabolismo e no controle do peso. Procure garantir que a criança/adolescente durma entre 8 e 10 horas por noite. Isso é essencial para o equilíbrio do corpo. A falta de sono pode desregular os hormônios que controlam o crescimento físico e o apetite, contribuindo para o aumento de peso.

  1. Evitar pressões excessivas

A preocupação excessiva com o peso pode gerar desde ansiedade até transtornos alimentares graves. Em vez de focar no peso, incentive comportamentos saudáveis e a prática de atividades físicas de forma positiva, sem criar pressão ou alcançar um padrão estético específico.

Conclusão

A obesidade é uma doença muito importante da sociedade atual, que pode trazer consequências graves para a saúde física e mental de crianças e adolescentes.

Apesar do aumento da sua prevalência entre crianças e adolescentes, ela pode ser evitada com ações simples, especialmente no ambiente familiar. Pais e responsáveis desempenham um papel fundamental nesse processo, ao oferecerem alimentos saudáveis, incentivarem a prática de atividades físicas e, acima de tudo, serem modelos de comportamentos positivos.

Devemos lembrar que a prevenção começa cedo, e pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na saúde e bem-estar das próximas gerações.

Neste Dia Mundial da Obesidade, reflita sobre a importância de manter um estilo de vida saudável e ajudar os mais jovens a crescer e se desenvolver de forma equilibrada e feliz.

 

Relator:
Tulio Konstantyner
Vice-Presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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31 de março – Dia da Saúde e Nutrição https://spsp.org.br/31-de-marco-dia-da-saude-e-nutricao/ Sun, 31 Mar 2024 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=44036 Segundo a OMS (1947), saúde é o estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença. Quando pensamos no cuidado da criança, na verdade]]>

Segundo a OMS (1947), saúde é o estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença.

Quando pensamos no cuidado da criança, na verdade temos que ver toda sua trajetória de vida, pois em todas as faixas etárias temos oportunidades de cuidar de sua saúde plenamente, antes mesmo de seu nascimento.

Cuidado essencial que já se inicia nos primeiros mil dias (período que compreende a gravidez e os primeiros dois anos de vida), com a gestante tendo um adequado acompanhamento pré-natal, orientações sobre sua saúde física e mental, alimentação, manejo do estresse e orientação familiar, para que ela tenha uma rede de apoio nos primeiros dias e meses do bebê.

Apoio ao aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, e até dois anos ou mais. Primeira fonte alimentar (padrão ouro) do lactente, alimento completo e adequado às suas necessidades nutricionais e emocionais (vínculo), mas que precisa tanto do suporte familiar (rede de apoio) quanto profissional (licença- maternidade, flexibilidade de horários para continuidade da amamentação, áreas nos locais de trabalho para retirada e acondicionamento do leite materno, assim como creches no local que facilitem a manutenção do aleitamento materno).

Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento do bebê por profissionais da saúde, reforçando e orientando vacinas, introdução alimentar no momento certo, com adequação de nutrientes (baseada nos cinco grupos alimentares – tubérculos ou raízes e cereais, proteínas, leguminosas, frutas, legumes e verduras), mantendo reforço sobre manutenção do aleitamento materno exclusivo até os dois anos ou mais.

Orientação nutricional adequada, principalmente no que diz respeito aos alimentos que devem ser oferecidos in natura, com pouco processamento (como vapor, cozimento, assar), evitando açúcar, sal e gordura em excesso. Evitar alimentos ultraprocessados (alimentos tipo fast food, instantâneos, etc.), sucos, mesmo os naturais (excesso de açúcar, de várias frutas para fazer o suco e redução das fibras no ato de coar) em excesso.

Atividade física, que começa desde cedo, com a liberdade do bebê engatinhar, andar pela casa e explorar os espaços, brincar ao ar livre, no contato com a natureza (muito importante) nos parques e praças da cidade, andar de bicicleta, patins e skate, e iniciação às atividades esportivas como natação, futebol e outros esportes. O esporte, além do benefício fisico de melhora das habilidades motoras, do crescimento físico, também tem o benefício mental, com diminuição da ansiedade.

Educação com acesso para todas as crianças à escola de qualidade, para seu pleno desenvolvimento de habilidades, aprendizado, socialização e capacidade de se tornar um adulto produtivo, independente e capacitado.

Cuidado, afeto e vínculo, necessários para desenvolvimento psíquico, autoestima, empatia, trazendo capacidade de resiliência e reduzindo assim o estresse tóxico que pode manter a criança em estado de alerta (aumento e persistência do cortisol elevado) e atrapalhar o pleno desenvolvimento neurológico e cognitivo, muito frequente diante de situações de violência, privações, falta de cuidados, alimentação inadequada.

A saúde, por fim, engloba o mundo da criança em todos seus aspectos. Do brincar ao vacinar, estudar e nutrir, desenvolver, ser cuidado e crescer, para que, no futuro, se torne um adulto competente, capaz, independente e feliz.

 

Relatora:
Melissa Ramos Morais
Membro do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Prevenção da obesidade infantil https://spsp.org.br/prevencao-da-obesidade-infantil/ Mon, 04 Mar 2024 12:17:52 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42878 A Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu 4 de março como o Dia Mundial da Obesidade, com o objetivo de disseminar conhecimentos sobre a doença. Nas últimas décadas, a obesid]]>

A Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu 4 de março como o Dia Mundial da Obesidade, com o objetivo de disseminar conhecimentos sobre a doença. Nas últimas décadas, a obesidade tem sido motivo de grandes discussões em todas as áreas do conhecimento.

Independentemente de se considerar o desenvolvimento de uma região ou país, a prevalência da obesidade vem aumentando de forma alarmante no mundo todo. Essa tendência reflete a maior disponibilidade de energia nos alimentos, ao lado da inatividade física crescente do homem moderno. Para mudar o rumo dessa epidemia é necessário que as estratégias de prevenção sejam aplicadas, reavaliadas e renovadas de forma constante. Projetos que incluam mudanças na qualidade do preparo e ingestão dos alimentos, estímulo à atividade física, e modificações comportamentais devem obrigatoriamente contar com a participação de toda a família, principalmente quando o indivíduo-alvo for uma criança ou um adolescente.

A criança obesa tem grande probabilidade de se tornar um adolescente e, posteriormente, um adulto obeso. A atitude intempestiva de redução drástica da ingestão de energia pode comprometer o seu crescimento e desenvolvimento. Dessa forma, a atenção multidisciplinar faz-se necessária para que a intervenção possa ocorrer sem riscos desnecessários, principalmente nos indivíduos onde o fator genético está presente, favorecendo a maior suscetibilidade à obesidade.

A prevenção tem custo social imenso e implica o gasto progressivo com a saúde, à medida que a obesidade regrida com o progredir da idade, pois as comorbidades que acompanham sua evolução tornam-se irreversíveis e muitas vezes fatais.

Prevenção

O pediatra é  profissional de saúde responsável pela orientação para se atingir o melhor crescimento e desenvolvimento, desde o nascimento até atingir a idade adulta. Deve vigiar o crescimento, fazer o diagnóstico nutricional e implementar medidas preventivas  e terapêuticas quando necessárias. Ainda mais, o pediatra deve coordenar o atendimento efetuado pelos outros profissionais da equipe multidisciplinar envolvidos no tratamento. Junto à família, deve trabalhar na conscientização do diagnóstico e complicações da obesidade, orientando tanto na prevenção como na estratégia do tratamento.

Embora o fator genético, combinado com a programação intrauterina, possa influenciar, de maneira independente da atuação do médico na evolução do indivíduo para o excesso de peso, os aspectos ambientais, os hábitos alimentares, o estilo de vida e a prática de atividade física precisam ser considerados pela família e pela criança ou adolescente, como os grandes fatores a serem analisados em conjunto, para poder modificá-los. Esse envolvimento familiar, ao lado da escola e comunidade, deve fazer parte dos pilares de qualquer programa preventivo da obesidade infantil.

Sugestões práticas são inúmeras, e podem ser propostas conforme a idade da criança e características do meio em que vive, seja a casa, a escola ou a comunidade.

O pediatra pode ainda ter outro tipo de atuação, por exemplo, quando for chamado a participar de decisões relativas ao uso de recursos públicos destinados a programas de prevenção de doenças, educação da saúde e racionalização do uso de novas tecnologias. Nessas situações, o seu papel será o de assumir a orientação científica que possa contribuir para o sucesso das ações conjuntas propostas pela mídia, indústria e órgãos governamentais.

No quadro abaixo estão sugestões que poderão ser avaliadas e discutidas nas diversas áreas envolvidas com a prevenção da obesidade infantil. Cada um dos módulos é acompanhado por muitas controvérsias, até aspectos que muitas vezes são aparentemente intocáveis, como é o caso do fator de proteção que o aleitamento materno representaria contra a obesidade infantil. Existem estudos que mostram que a amamentação indisciplinada do leite materno por mães extremamente ansiosas pode ser um fator de desequilíbrio entre oferta e necessidade nutricional, levando à obesidade da criança.

– GRAVIDEZ –
Iniciar a gravidez com IMC normal
Não fumar
Fazer atividade física moderada e tolerável
Ficar atenta ao diabetes gestacional
– PÓS-PARTO E INFÂNCIA
Aleitamento materno exclusivo no mínimo por 3 meses e idealmente por 6 meses
Retardar a introdução de alimentos sólidos e líquidos doces
FAMÍLIAS
Não insistir, não agradar e não forçar a comer. A consequência será sempre a substituição inadequada.
Dar sempre preferência às grandes refeições, e não aos lanches
Fazer refeições em horários e locais fixos
Não “pular refeições”, especialmente o café da manhã
Oferecer frutas, fibras e evitar sucos na mamadeira
Evitar a TV ou celular durante as refeições
Usar pratos pequenos e travessas pequenas
Evitar molhos, alimentos gordurosos e refrigerantes
Educar quanto ao uso de TV e celular
Vocês são os modelos para os seus filhos (pais e familiares)
ESCOLAS
Eliminar lanches com balas e salgadinhos
Evitar máquinas de alimentos
Ensinar a professores e responsáveis a relação entre nutrição e atividade física
Ter sempre água à disposição
Bons hábitos devem ser sempre ensinados em todas as idades
Aulas de Educação Física – 30 a 45 minutos de exercícios fortes 2 a 3 vezes por semana
Ir a pé para a escola
COMUNIDADES
Vizinhos e amigos devem andar juntos e patrocinar brincadeiras para as crianças
Evitar elevadores e vias fáceis para locomoção
Sempre estar informado sobre onde se compram alimentos saudáveis
BABÁS
Elas precisam saber o que é e o que acontece com a obesidade
Participar com ela do ganho de peso adequado da criança
Apresentar a obesidade, mostrando que é uma doença a ser tratada
INDÚSTRIA
Produtos dirigidos a crianças precisam ter rótulos com informações
Fabricantes de vídeos devem lançar frases que encorajem a atividade física
Consumir alimentos saudáveis e subsidiar programas que incentivem estilo de vida saudável
GOVERNO E ÓRGÃOS REGULADORES
Explicar que obesidade é doença
Taxar comidas e bebidas não saudáveis
Incentivar o desenvolvimento de produtos saudáveis, com informações a esse respeito para o consumidor
Deduzir impostos dos custos de programas saudáveis
Fornecer incentivos para escolas que promovam programas relacionados com atividade física e nutrição
Verbas para construção de ciclovias e pistas para corrida e caminhada
Anúncios de advertência quanto aos tipos de alimentos, tanto para a pré-escola quanto para os mais velhos

Analisando cada um desses módulos, percebe-se que a prevenção da obesidade tem na disciplina e no estilo de vida saudável, quando exercida por uma família disposta a participar, as principais variáveis a serem consideradas.

A escola, os professores e a comunidade, sempre que possível, devem participar dos processos que envolvem medidas positivas em relação ao enfrentamento da epidemia da obesidade infantil.

Embora a tecnologia tenha criado inúmeros entraves para os movimentos das crianças nos últimos anos, tornando as exigências para exercícios cada vez menores, novas brincadeiras e novos métodos precisam ser criados, com mais atividades físicas em escolas e comunidades. Isso implica decisões familiares que obrigatoriamente estarão dirigidas para o estabelecimento de regras mais bem definidas na educação, especialmente nos limites permitidos.

Relator:
Ary Lopes Cardoso
Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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