Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 13 Mar 2026 18:25:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Como melhorar o sono das crianças e adolescentes? https://spsp.org.br/como-melhorar-o-sono-das-criancas-e-adolescentes/ Fri, 13 Mar 2026 18:24:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55457 Aproveitamos o Dia Mundial do Sono, que acontece no dia 14 de março, para dar algumas dicas aos pais e cuidadores das crianças e adolescentes. Primeiro, é importante saber que o padrão do]]>

Aproveitamos o Dia Mundial do Sono, que acontece no dia 14 de março, para dar algumas dicas aos pais e cuidadores das crianças e adolescentes.

Primeiro, é importante saber que o padrão do sono varia de acordo com cada fase da vida e, por isso, é necessário ter conhecimento das suas diferenças e respeitá-las.

Segundo, precisamos reforçar que o sono é uma necessidade do corpo humano e não podemos evitá-la. Quanto melhor cuidarmos dele, mais benefícios entregamos aos nossos filhos, melhor vai ser seu desenvolvimento, seu comportamento durante o dia e melhor será sua saúde como um todo.

A respeito das diferenças, é preciso saber que os bebês têm necessidade de dormir durante o dia, além do período noturno, ou seja, necessitam de cochilos diurnos. A quantidade vai reduzindo conforme o passar dos meses e anos, até em torno dos cinco a seis anos, em que já não é mais esperado que as crianças durmam durante o dia. Caso percebam que seu filho sente sono durante o dia a partir dessa idade, é importante conversar sobre isso com o pediatra de seu filho.

Pode ser que esteja ocorrendo algum desajuste na rotina, que poderá ser melhorado com algumas orientações. Dentre elas estão:

– Garantir uma regularidade de horários de ir dormir e acordar, tanto durante a semana quanto nos finais de semana e férias. Afinal, o nosso cérebro não sabe quando é segunda-feira ou quando é sábado;

– Praticar atividades e brincadeiras relaxantes nos momentos que antecedem o deitar na cama, assim como evitar aquelas que sejam mais intensas e enérgicas. Os adolescentes devem evitar consumir bebidas cafeinadas, como café, refrigerante e energético, de seis a oito horas antes do início do sono;

– Evitar exposição a telas antes de dormir e isso inclui: celular, televisão, computador, videogame;

– Estabelecer uma rotina noturna com atividades sequenciais que ajudem a criança a relaxar.

Mas lembrem-se: os horários de regulação de sono dos bebês são diferentes das crianças, que são diferentes dos adolescentes e também dos adultos. O ideal é que a rotina seja adaptada para cada membro da família de acordo com cada faixa etária.

Outra informação importante é que todas essas dicas só funcionarão se tivermos o ambiente adequado para uma boa noite de sono, o que inclui:

– Quarto escuro

– Ambiente silencioso

– Temperatura do quarto fresca

– Colchão confortável e seguro.

Observem se a noite de sono dos seus filhos será melhor após seguir essas dicas. Caso não percebam melhora, procurem ajuda do pediatra, que poderá indicar um especialista.

Bons sonhos!

 

Relatora:

Beatriz Soares de Azevedo Sardano
Presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da SPSP

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Ambiente de sono seguro: cobertores vestíveis são mais seguros https://spsp.org.br/ambiente-de-sono-seguro-cobertores-vestiveis-sao-mais-seguros/ Fri, 16 May 2025 16:18:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51393 Garantir um ambiente de sono seguro para bebês é essencial para a segurança e bem-estar dos pequenos. Um dos principais cuidados está na escolha ]]>

Garantir um ambiente de sono seguro para bebês é essencial para a segurança e bem-estar dos pequenos. Um dos principais cuidados está na escolha do que o bebê vai usar durante o sono, especialmente em relação a cobertores e roupas de cama. Um dos itens mais recomendados é o cobertor vestível, também conhecido como “saco de dormir”, que pode ser uma alternativa mais segura aos cobertores tradicionais.

O que é um cobertor vestível?

O cobertor vestível é uma peça de roupa que o bebê usa durante o sono, funcionando como um cobertor, mas de forma mais segura. Ele cobre o bebê como um saco, permitindo liberdade para os movimentos das pernas, enquanto mantém o corpo aquecido sem o risco de sufocação, estrangulamento ou superaquecimento, algo que pode acontecer com cobertores comuns.

Em geral possuem um zíper ou uma série de botões de pressão, normalmente na frente, tornando extremamente fácil vestir. O design do cobertor vestível impede que ele se desloque durante a noite, garantindo que o bebê fique coberto sem o perigo de sufocamento. Os braços devem ser livres para o caso de o bebê rolar, poder voltar para a posição original. Os sacos de dormir podem ser usados desde recém-nascido até os dois anos de idade, sendo importante verificar o tamanho adequado para o bebê.

 

Por que os cobertores vestíveis são mais seguros?

  • Redução do risco de sufocamento: Cobertores e edredons soltos podem cobrir o rosto do bebê, aumentando o risco de sufocamento. Com os cobertores vestíveis, o bebê fica sempre coberto de forma segura, sem o risco de se enroscar.
  • Prevenção do superaquecimento: Bebês têm maior dificuldade em regular a temperatura do corpo. Cobertores pesados ou roupas de cama excessivas podem causar superaquecimento, o que está associado ao risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI).
  • Facilidade de uso: Ao contrário dos cobertores tradicionais, que podem se deslocar facilmente, o cobertor vestível mantém o bebê aquecido sem que os pais precisem se preocupar em ajustar durante a noite. Além disso, muitos modelos têm fechos que tornam fácil colocar e tirar o bebê de forma rápida, sem interrupções no sono.

Outras dicas para um ambiente de sono seguro

Além de optar por um cobertor vestível, existem outras práticas recomendadas para garantir um ambiente de sono seguro para o bebê:

  1. Crianças menores de 1 ano devem ser colocadas para dormir de “barriga para cima”: A posição de dormir é fundamental para reduzir o risco de SMSI. O bebê deve sempre ser colocado para dormir de “barriga para cima“ em qualquer sono.
  2. Usar um colchão firme: Evite colchões muito macios, que podem aumentar o risco de asfixia. O colchão deve ser firme e bem ajustado ao berço, plano e sem inclinação. O lençol deve ser preso ao colchão com elástico.
  3. Evitar objetos no berço: Não coloque travesseiros, protetores de berço, brinquedos ou cobertores soltos no berço. Estes itens podem representar um risco de sufocamento ou estrangulamento.
  4. Escolher berço certificado pelo “INMETRO”. Os berços certificados garantem que passaram por testes de segurança e qualidade.
  5. Manter a temperatura do ambiente confortável: O quarto do bebê deve ter uma temperatura amena. Evite agasalhar demais o bebê, já que o superaquecimento é um risco para a saúde dele.
  6. Compartilhar o quarto, mas não a mesma cama. É recomendado que o bebê compartilhe o quarto com os pais até pelo menos 6 meses, mas nunca a mesma cama. O compartilhamento de sofás e poltronas é muito perigoso, aumentando consideravelmente o risco de morte.
  7. O aleitamento materno tem efeito protetor contra a morte súbita. Quanto maior o tempo de amamentação, maior a proteção contra a morte súbita.
  8. Evitar tabagismo, consumo de álcool ou drogas ilícitas na gestação ou parto. Estes fatores estão relacionados a mortes de bebês durante o sono.

 

Ao seguir essas orientações, os pais podem garantir que o ambiente de sono do bebê seja o mais seguro possível, reduzindo os riscos e promovendo uma boa noite de descanso para o pequeno. Lembre-se, a segurança no sono do bebê é uma prioridade e deve ser levada a sério desde os primeiros dias de vida.

 

Relatora:

Sarah Saul
Vice-Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dicas fundamentais para uma boa noite de sono https://spsp.org.br/dicas-fundamentais-para-uma-boa-noite-de-sono/ Fri, 14 Mar 2025 15:05:52 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50554 Dia 14 de março é o Dia Mundial do Sono, fase em que passamos 1/3 da vida de adultos e metade da vida quando crianças. Assim como alimentação saudável e prática]]>

Dia 14 de março é o Dia Mundial do Sono, fase em que passamos 1/3 da vida de adultos e metade da vida quando crianças.

Assim como alimentação saudável e prática de atividades físicas, o sono é um dos pilares de uma vida saudável e já deve ser praticado desde a infância.

Independentemente da idade, algumas dicas são fundamentais para uma boa noite de sono:

– o sono deve acontecer em ambiente escuro e silencioso. Sonecas não precisam ser feitas em escuridão total. Fechar a janela sem fechar o blackout já é suficiente;

– ruído branco só ajuda em caso de ruído externo e não deve ser mais alto que o tique-taque de um relógio;

– os horários de dormir e acordar devem ser mantidos constantes, tanto nos dias de semana quanto nos finais de semana, mesmo que a noite tenha sido “ruim”;

– exposição à luz solar pela manhã e redução da exposição às luzes artificiais (incluindo telas) ao menos 1 hora antes de dormir. Sempre obedecendo o tempo recomendado de acordo com a idade;

– não usar medicações para dormir sem recomendação médica.

Para as crianças menores de 1 ano, é importante pensarmos na segurança. Muitos passos podem prevenir a morte dos bebês durante o sono, cuidados que se iniciam com o pré-natal adequado e seguem com o local do sono:

– o lugar mais seguro para o bebê dormir é o berço. Berços em bom estado de conservação podem ser reaproveitados, mas os colchões devem ser novos, com densidade 18 ou superior;

– o berço deve ficar no quarto dos pais pelo menos até o bebê completar 6 meses. Em outras situações, como bebês prematuros, com algum problema de saúde, com vacinas atrasadas ou que não passaram pela estação da bronquiolite, devem ficar no quarto dos pais até os 12 meses ou até a situação se resolver;

– colocar o bebê para dormir sempre de barriga para cima. Mesmo que ele seja prematuro ou tenha refluxo gastroesofágico. Essa medida é a mais eficaz na prevenção de morte súbita, sendo responsável pela redução de cerca de 70% dos casos. Quando o bebê aprende a rolar, significa que seu sistema respiratório já está um pouco mais maduro. Continuamos a colocá-los de barriga para cima, mas se eles virarem durante o sono, não precisamos desvirar;

– a única coisa fofa que pode ter no berço é o bebê: protetores de berço, travesseiros, ninhos, naninhas, bichinhos de pelúcia e qualquer outro objeto fofo são contraindicados, pelo risco de o bebê se asfixiar. Para aquecimento nos dias frios, preferir camadas de roupas ou sacos de dormir (que deixem cabeça e braços livres) a lençóis ou cobertas soltas.

Para os escolares e adolescentes, vale ainda lembrar que:

– cafeína pode atrapalhar o sono. O ideal é, para quem já pode consumir, não tomar ao menos três horas antes de dormir. Lembrando que a cafeína é encontrada não só no café, mas também em refrigerantes, energéticos e muitos chás;

– cigarros eletrônicos, além de outros males à saúde, atrapalham o sono, por conterem nicotina;

– celulares, tablets, computadores e televisores fora do quarto contribuem para um sono melhor.

O exemplo dos pais para os filhos nesse tema é fundamental.

Em caso de dúvidas, converse com seu pediatra. E bons sonhos!

 

Relatora:

Cristiane Fumo dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial do Sonho https://spsp.org.br/dia-mundial-do-sonho/ Mon, 26 Sep 2022 11:23:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34600 ]]>

No dia 25 de setembro é comemorado o Dia Mundial do Sonho. A data foi criada em 2002, com o objetivo de refletirmos sobre os nossos sonhos e pensarmos como atingi-los.

Mas o que o sonho (desejo) tem a ver com os sonhos (do sono)? Muita coisa!

 

Sonhos – desejo
Para sonharmos no sentido de desejar, precisamos pensar e projetar o futuro. Partir do ponto de onde estamos, traçar um ponto de chegada e planejar como chegar até lá. Mas de nada adianta ter um excelente plano e não o colocar em execução. Para tudo isso, precisamos integrar várias partes do nosso cérebro: planejamento, foco e execução.

Sonhos – sono
A fase do sono mais relacionada ao aparecimento dos sonhos é o sono REM (do inglês rapid eye movement – movimento rápido dos olhos). Mas eles também podem acontecer em outras fases do sono. Durante o sono, liberamos nosso pensamento lógico e tudo é possível – o passado se mistura com o presente e com o futuro. Podemos fazer coisas nos sonhos que não poderíamos fazer na vida real, ou porque seguimos as regras da sociedade, ou porque não é possível ir contra as regras da natureza.

Psiquiatras e psicanalistas já usaram o estudo dos sonhos para terem acesso aos nossos desejos inconscientes.

 

A ponte entre os dois sonhos

Para além da análise psiquiátrica do sonho, sabemos que eles servem para ativar áreas cerebrais específicas – quando eu vejo algo no meu sonho, eu ativo a porção do cérebro responsável pela visão; quando eu ando, eu ativo as mesmas áreas responsáveis pelo movimento, que são ativadas quando eu realmente estou andando. Os sonhos mais intensos acontecem durante o sono REM, quando temos uma paralisia da musculatura. Por isso não saímos por aí atuando em nossos sonhos. Já durante o sonambulismo, parte do cérebro se encontra acordada e parte está dormindo. A parte que está dormindo está em sono profundo (sono N3, de ondas lentas) e temos atividades de sonho misturadas à realidade. Atuamos nesses sonhos porque nessa fase não temos a paralisia da musculatura.

Muito tem se discutido sobre a função dos sonhos durante o sono. Ao ativar áreas cerebrais diferentes, aumentamos o fluxo de sangue para essas regiões. Aumentamos e diminuímos nossa pressão arterial, batimentos cardíacos e frequência respiratória. Essas alterações para baixo e para cima ajudam a “recalibrar” nosso organismo, processo chamado de homeostase. Ao longo do dia, nossa pressão arterial vai aumentando e é esse processo homeostático, que acontece durante o sono, que faz com ela fique estável ao longo do tempo.

Durante o sono, relembramos tudo o que aconteceu durante o dia. Separamos as memórias importantes das não importantes e armazenamos as importantes. Mas não basta armazenar, é necessário organizar as memórias para que se consiga acessá-las quando necessário. Curiosamente, o processo de organização acontece durante o sono REM, o mesmo em que a maioria dos sonhos acontece.

O sono descansa nossa mente e nosso corpo, renovando nossas energias para o dia seguinte. Organiza nossas memórias e ajuda no nosso aprendizado. Para realizarmos qualquer sonho – aqueles dos desejos – precisamos planejar, aprender e executar. E o sono – e os sonhos que nele acontecem – podem ajudar a realizar os sonhos que temos acordados.

O que você vai sonhar hoje? Como você vai realizar? Um sono de boa qualidade vai ajudar você a realizar esses sonhos.

 

Relatora:
Cristiane Fumo dos Santos
Departamento Científico de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: @pvproductions / br.freepik.com

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Uso de melatonina em crianças https://spsp.org.br/uso-de-melatonina-em-criancas/ Fri, 15 Jul 2022 14:36:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33345 A melatonina é um hormônio secretado após a diminuição da luz e que nos ajuda a “pegar no sono”. Em muitos países, ela é vendida sem a necessidade de prescrição médica e considerada um suplemento alimentar. Sua indicação formal ocorre em dois casos: pacientes com alterações no ritmo circadiano (ritmo das 24 horas do dia) e insônia em adultos. Apesar dessas duas indicações formais, vemos o uso generalizado da melatonina, inclusive em crianças. Os principais distúrbios do sono em Pediatria são a dificuldade em iniciar o sono sem a presença dos pais e os múltiplos despertares noturnos, em que a criança necessita da presença de um dos pais para voltar a adormecer. A melatonina muitas vezes é utilizada nesses casos, com ou sem prescrição médica, na esperança de melhorar as queixas de sono. No entanto, essas queixas comuns são questões comportamentais, que podem ser trabalhadas com orientações de rotinas de sono aos pais e geralmente não respondem ao uso da melatonina. Estudo recente nos Estados Unidos da América mostrou o risco de intoxicação por melatonina em crianças. Foi observado um aumento de 530% nos casos de intoxicação entre 2012 a 2021 (260.500 casos), com um aumento maior durante o período da pandemia. A maioria das intoxicações (94%) ocorreu por ingestão não intencional, em crianças menores de 5 anos. Cerca de 83% dessas intoxicações foram assintomáticas (sem apresentar sintomas). As intoxicações que apresentaram sintomas (sintomáticas) envolveram os sistemas digestório, cardíaco ou neurológico (sintomas gástricos, cardíacos ou neurológicos). Houve necessidade de internação em 15% dos casos sintomáticos, sendo que 1% necessitou de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ocorreram duas mortes, em crianças menores de 2 anos. O aumento do número de casos de intoxicação pode ser atribuído a um maior consumo da melatonina, tanto na população adulta quanto em crianças, o que explica o crescimento mais importante durante o período pandêmico, em que as queixas de sono se intensificaram. Melatonina é uma medicação e merece todos os cuidados dedicados a outras medicações: utilização apenas por indicação médica, acompanhamento médico durante o uso e armazenamento adequado e longe do acesso de crianças. Relatora: Cristiane Fumo dos Santos Departamento Científico de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo Foto: igordoon-primus I unsplash.com]]>

A melatonina é um hormônio secretado após a diminuição da luz e que nos ajuda a “pegar no sono”. Em muitos países, ela é vendida sem a necessidade de prescrição médica e considerada um suplemento alimentar.

Sua indicação formal ocorre em dois casos: pacientes com alterações no ritmo circadiano (ritmo das 24 horas do dia) e insônia em adultos.

Apesar dessas duas indicações formais, vemos o uso generalizado da melatonina, inclusive em crianças.

Os principais distúrbios do sono em Pediatria são a dificuldade em iniciar o sono sem a presença dos pais e os múltiplos despertares noturnos, em que a criança necessita da presença de um dos pais para voltar a adormecer.

A melatonina muitas vezes é utilizada nesses casos, com ou sem prescrição médica, na esperança de melhorar as queixas de sono. No entanto, essas queixas comuns são questões comportamentais, que podem ser trabalhadas com orientações de rotinas de sono aos pais e geralmente não respondem ao uso da melatonina.

Estudo recente nos Estados Unidos da América mostrou o risco de intoxicação por melatonina em crianças. Foi observado um aumento de 530% nos casos de intoxicação entre 2012 a 2021 (260.500 casos), com um aumento maior durante o período da pandemia.

A maioria das intoxicações (94%) ocorreu por ingestão não intencional, em crianças menores de 5 anos. Cerca de 83% dessas intoxicações foram assintomáticas (sem apresentar sintomas). As intoxicações que apresentaram sintomas (sintomáticas) envolveram os sistemas digestório, cardíaco ou neurológico (sintomas gástricos, cardíacos ou neurológicos). Houve necessidade de internação em 15% dos casos sintomáticos, sendo que 1% necessitou de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ocorreram duas mortes, em crianças menores de 2 anos.

O aumento do número de casos de intoxicação pode ser atribuído a um maior consumo da melatonina, tanto na população adulta quanto em crianças, o que explica o crescimento mais importante durante o período pandêmico, em que as queixas de sono se intensificaram.

Melatonina é uma medicação e merece todos os cuidados dedicados a outras medicações: utilização apenas por indicação médica, acompanhamento médico durante o uso e armazenamento adequado e longe do acesso de crianças.

Relatora:
Cristiane Fumo dos Santos
Departamento Científico de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: igordoon-primus I unsplash.com

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As crianças crescem enquanto dormem? https://spsp.org.br/as-criancas-crescem-enquanto-dormem/ Thu, 12 May 2022 16:36:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32458 A falta de horário regular para o adormecer e despertar interfere na concentração de crianças e adolescentes, repercutindo na aprendizagem, nas alterações de humor, no estresse.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 12/05/2022


Episódio 11: “A vovó já dizia que as crianças crescem enquanto dormem!”

Arthur Schopenhauer escreveu que “sono é para o indivíduo o mesmo que dar corda em um relógio”. Em tempo digital esta imagem analógica, mecânica, ainda serve para resgatar a importância fisiológica do sono para o indivíduo. Essa frase evoca, também, a noção conhecida como “relógio biológico”, os ritmos de nosso corpo, que foram comprometidos duramente durante a pandemia.  O horário regular, tanto para o adormecer quanto para o despertar, ficou atrapalhado no ambiente familiar, interferindo na capacidade de concentração das crianças e dos adolescentes, repercutindo na aprendizagem, nas alterações de humor, no estresse.

 A sabedoria popular traduziu esse conhecimento de muitas formas. A vovó já dizia que as crianças crescem enquanto dormem. Há muita sabedoria nessa frase, embora a vovó nem imaginasse que a ciência viesse a explicar o porquê que isso acontece – é durante o sono que ocorre a liberação de 2/3 da produção do GH (hormônio do crescimento). Em decorrência disso, uma ou várias noites mal dormidas, ir dormir de madrugada e acordar cedo, ou ainda uma sequência de noites com vários despertares e interrompidas podem acarretar consequências na saúde das crianças e adolescentes, como por exemplo: falta de atenção, alterações de humor, crises de ansiedade, agitação e inquietude, dificuldade de aprendizado e até déficit de crescimento.

A vovó também dizia para “não encher a pança na hora do jantar”, coma menos, prefira alimentos mais leves, menos gordurosos e menos doces. Ela estava certa, de novo!

A sabedoria popular, encarnada por nossas avós, intuía as noções que hoje preconizamos como hábitos saudáveis para que se desfrute de uma noite de repouso:  

1. Criança tem que ter horário certo para dormir. Sinalize através de hábitos e rotina que a hora do sono está chegando: diminua o barulho, desacelere o ritmo das atividades.

2. Nada de brincadeiras ou atividades que agitem e excitem a criança perto da hora de dormir.

3. Conte histórias, leia um livro para elas ou ponha para tocar uma música suave.

4. Diminua a intensidade da iluminação no ambiente (a vovó nem sabia que a melatonina – que é o hormônio relacionado ao sono – é retardado quando há exposição à luz).

 

Insônia

A insônia, que habitualmente afeta, segundo a Academia Americana de Medicina do Sono, de 20-30% das crianças no mundo, pode ser provocada por dois tipos de fatores: (A) retardo do início do adormecer por comportamentos inadequados, (B) falta de estabelecimento de limites. O primeiro tipo (A) ocorre quando a criança aprende a dormir sob uma condição muito específica, por exemplo: andar de carro, ninar no carrinho ou no colo, tomar mamadeira. Já o segundo tipo (B) se caracteriza pela dificuldade dos pais em estabelecer regras para a hora de dormir ou de fazer com que sejam respeitadas. Uma criança que não tem limites durante o dia não os aceitará na hora de dormir. O pequeno “tirano” vence todas!

A dinâmica é simples: a criança chora e os pais não dão o que ela quer, chora mais alto e os pais resistem, mais alto ainda e os pais não aguentam e cedem. Então, ela aprende que, se chorar alto o suficiente, conseguirá o que quer.

As crianças “respiradoras bucais”, que apresentam, em geral, hipertrofia de amigdalas e/ou adenoides, têm com frequência apneia (interrupções da respiração) durante o sono. Cerca de 10% das crianças roncam e, dessas, aproximadamente 3% tem apneia obstrutiva do sono, quando ocorrem breves e repetidas interrupções da respiração, enquanto a criança dorme. Esse fator ocasiona um sono de má qualidade, levando aos desdobramentos que mencionamos antes.

Distúrbios do sono

Outros distúrbios de sono comuns em crianças são o “sonambulismo” e o “terror noturno”, que fazem parte do grupo das parassonias. Nestes casos há forte correlação com fatores genéticos e a ansiedade é um fator desencadeante importante. Em geral, esses casos não necessitam de nenhuma intervenção (apesar de parecerem assustadores para os que presenciam o evento) e resolvem-se naturalmente com o tempo.

Pais: relaxem, não fiquem nervosos e nem obcecados! Tentem trabalhar em uma coisa de cada vez, mantenham a calma e tenham mais paciência, esta fase vai passar!

Relator:
Fernando Manuel Freitas de Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

O QUE OS ESPECIALISTAS DIZEM SOBRE O ASSUNTO?
Gustavo Moreira
Membro do Departamento Científico de Medicina do Sono na Criança e no Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

O sono infantil nos tempos atuais

As transformações do estilo de vida da população nas últimas décadas tiveram impacto importante nos padrões de sono de lactentes e crianças. Diversos aspectos contribuem para a redução do tempo de sono, como o tempo excessivo gasto no deslocamento para escola/trabalho – típicos do ambiente urbano – a exposição excessiva à luz artificial e a crescente ocupação feminina no ambiente de trabalho, retirando-a de tarefas antes desempenhadas na criação dos filhos. Assim, o horário que biologicamente é mais adequado para as crianças dormirem, entre 19 e 21 horas, foi gradativamente atrasado nas últimas gerações. Como o horário de acordar pela manhã é fixo e cedo nos dias de semana, a oportunidade de dormir diminui. O aumento do tempo das sonecas diurnas só compensa esta perda parcialmente. A desvalorização do tempo de descanso e a competitividade do mundo moderno contribuem para a minimização do sono das crianças, como é observado em vários países asiáticos.

A pandemia pelo coronavírus trouxe novos fatores que influenciam nos hábitos diurnos e noturnos de adultos e crianças, entre eles: a necessidade de isolamento social, o deslocamento de trabalho para a residência (home-office), as preocupações em relação à insegurança financeira, a saúde pessoal e de familiares. Os horários de início e fim do sono foram atrasados em 1 a 2 horas, pois não havia mais a necessidade de deslocamento para a escola. Algumas crianças reduziram o tempo de sono, pois permaneceram em atividades de lazer em telas (videogames, navegando pela Internet, filmes e séries na TV). A luz emitida por estes dispositivos reduz a secreção da melatonina, o hormônio que é liberado à noite para regular o sono. Outras crianças aumentaram o tempo de sono, principalmente naquelas famílias que conseguiram organizar o tempo de estudo, lazer e descanso nestes tempos difíceis. Um estudo de monitorização contínua por vídeo nos Estados Unidos mostrou que lactentes aumentaram o tempo de sono no ano de 2020 quando comparado ao ano de 2019.

 Problemas de saúde mental foram identificados em adultos no período de isolamento social, como estresse pós-traumático, ansiedade e depressão. Isso foi especialmente observado em profissionais de saúde, pessoas com doenças crônicas, pacientes com covid-19 e pessoas em quarentena. Por outro lado, exercício físico, maiores níveis de renda, habilidades de enfrentamento, participação social e relacionamento interpessoal foram identificados como fatores de proteção.

É importante destacar que as crianças também foram bastante afetadas nesse período, com grandes mudanças negativas no estilo de vida. Elas foram submetidas a menos atividade física, maior tempo de tela e mudanças em padrões alimentares e de sono, sendo que a população economicamente mais vulnerável foi a que apresentou maiores dificuldades. Com a realidade do isolamento social, as crianças precisaram se adaptar às aulas on-line e muitas tiveram dificuldades; além disso, houve aumento de consumo de comidas processadas, sintomas significativos de ansiedade, problemas de humor e autorregulação e piora na qualidade e quantidade de sono, tanto de crianças, quanto de suas mães.

Foto: new africa | depositphotos.com

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Muita tela, pouco sono! https://spsp.org.br/muita-tela-pouco-sono/ Mon, 08 Nov 2021 18:17:52 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30313 Os avanços tecnológicos nas últimas décadas impulsionaram o consumo de telas entre os jovens para o ponto mais alto da história. As estatísticas sobre o uso desse tipo de tecnologia entre crianças e adolescentes é alarmante e eles têm o hábito na hora de dormir.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 08/11/2021


Os avanços tecnológicos nas últimas décadas impulsionaram o consumo de telas entre os jovens para o ponto mais alto da história. As estatísticas sobre o uso desse tipo de tecnologia entre crianças e adolescentes é alarmante e a maior parte deles tem este hábito na hora de dormir.

Não restam dúvidas de que um sono adequado seja um ingrediente essencial para uma boa qualidade de vida. Os impactos negativos da privação de sono em crianças e adolescentes também são bem documentados, tais como prejuízo no desenvolvimento, na consolidação da memória, na atenção, no comportamento, além de reflexo direto na saúde dessas crianças.

A medida que o consumo de tecnologia pelos jovens aumentou, cada vez mais tem sido feitas pesquisas explorando o efeito do uso das telas nos hábitos e eficiência do sono, e de fato o impacto é grande. O que observamos é que a quantidade de tecnologia usada na hora antes de dormir é significativamente relacionada à dificuldade em adormecer e à frequência de relatos de sono “não reparador”, sugerindo que a estimulação causada por estes dispositivos certamente interfere no sono.

Isso se explica em parte pelo fato de, além da excitação psicológica, a luz brilhante emitida pelas telas interferir na produção e liberação da melatonina, um hormônio que, dentre diversas outras funções, é importantíssimo para a regulação do nosso ciclo sono-vigília.

Relatora
Renata Prado Gobetti
Departamento Científico de Medicina do Sono na Criança e no Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Foto: jekatarinka | depositphotos.com

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