Doc. Científico – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 12 Jan 2026 17:34:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Doc. Científico – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Pediatra Atualize-se: Infectologia na Pediatria https://spsp.org.br/pediatra-atualize-se-infectologia-na-pediatria/ Thu, 04 Dec 2025 14:11:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54418 A última edição de 2025 do Pediatra Atualize-se tem como tema principal a Infectologia na Pediatria.]]>

Texto divulgado em 04/12/25


A última edição de 2025 do Pediatra Atualize-se tem como tema principal a Infectologia na Pediatria. Os tópicos abordados são infecção congênita pelo citomegalovírus, sífilis congênita e diagnóstico diferencial das adenomegalias. O conteúdo foi elaborado pelo Departamento Científico de Infectologia da SPSP.

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Documento Científico: Vacinação de crianças contra Covid-19 https://spsp.org.br/documento-cientifico-vacinacao-de-criancas-contra-covid-19/ Fri, 16 Sep 2022 17:06:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34409 Texto divulgado em 16/09/2022 O Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo preparou o documento científico “Vacinação de crianças contra Covid-19”, redigido por Silvia Bardella Marano e Eitan Berezin. O documento aborda as repercussões da covid-19 nas crianças e alerta sobre a importância da vacinação. Esclarece também sobre a segurança e eficácia das vacinas. Clique aqui para acessar o documento em PDF]]>

Texto divulgado em 16/09/2022

O Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo preparou o documento científico “Vacinação de crianças contra Covid-19”, redigido por Silvia Bardella Marano e Eitan Berezin.

O documento aborda as repercussões da covid-19 nas crianças e alerta sobre a importância da vacinação. Esclarece também sobre a segurança e eficácia das vacinas.

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Documento Científico: Monkeypox – Entenda a doença e a situação epidemiológica   https://spsp.org.br/documento-cientifico-monkeypox-entenda-a-doenca-e-a-situacao-epidemiologica/ Tue, 06 Sep 2022 15:42:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34254 Sociedade de Pediatria de São PauloTexto divulgado em 06/09/2022 Clique aqui para acessar o documento em PDF]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 06/09/2022


O Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo preparou o documento científico “Monkeypox – Entenda a Doença e a situação epidemiológica”, redigido por Daniela Vinhas Bertolini, Flavia Jacqueline Almeida e Marcelo Otsuka.

O documento tem o objetivo de esclarecer médicos pediatras e profissionais de saúde sobre a doença Monkeypox. Aborda situação epidemiológica, risco em crianças, agente etiológico, transmissão, diagnóstico, entre outros aspectos. 

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Documento Científico: Vacinação contra a COVID-19 em Crianças e Adolescentes: Após a aprovação de duas vacinas para a faixa etária pediátrica, há motivos para hesitação? https://spsp.org.br/documento-cientifico-vacinacao-contra-a-covid-19-em-criancas-e-adolescentes-apos-a-aprovacao-de-duas-vacinas-para-a-faixa-etaria-pediatrica-ha-motivos-para-hesitacao/ Wed, 02 Feb 2022 19:53:10 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31127 Sociedade de Pediatria de São PauloTexto divulgado em 02/02/2022 Os Departamentos Científicos de Infectologia e de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo preparou o documento científico “Vacinação contra a Covid-19 em crianças e adolescentes: após a aprovação de duas vacinas para a faixa etária pediátrica, há motivos para hesitação?” redigido por Daniel Jarovsky e Eitan Naaman Berezin. O documento aborda temas como: Impacto das vacinas no desenvolvimento socioeconômico da população, Impacto na COVID-19 longa pediátrica, entre outros. Clique aqui para acessar o documento em PDF]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 02/02/2022


Os Departamentos Científicos de Infectologia e de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo preparou o documento científico “Vacinação contra a Covid-19 em crianças e adolescentes: após a aprovação de duas vacinas para a faixa etária pediátrica, há motivos para hesitação?” redigido por Daniel Jarovsky e Eitan Naaman Berezin.

O documento aborda temas como: Impacto das vacinas no desenvolvimento socioeconômico da população, Impacto na COVID-19 longa pediátrica, entre outros.

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Nota Técnica conjunta SPSP e SOPERJ: Aulas presenciais em cenário de circulação da variante Ômicron https://spsp.org.br/nota-tecnica-conjunta-spsp-e-soperj-aulas-presenciais-em-cenario-de-circulacao-da-variante-omicron/ Mon, 31 Jan 2022 14:40:09 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31002 ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 31/01/2022


O Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), em conjunto com a Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ), preparou a Nota Técnica: Aulas presenciais em cenário de circulação da variante Ômicron.

O documento traz pontos chaves para uma escola mais segura durante a retomada das aulas.

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Posicionamento sobre a liberação temporária do uso da vacina pneumocócica conjugada 13-valente para a dose de reforço na rotina pediátrica no estado de São Paulo https://spsp.org.br/posicionamento-sobre-a-liberacao-temporaria-do-uso-da-vacina-pneumococica-conjugada-13-valente-para-a-dose-de-reforco-na-rotina-pediatrica-no-estado-de-sao-paulo/ Thu, 16 Dec 2021 17:58:50 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30797

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 16/12/2021


A SPSP juntamente com a SBIm-SP preparou o posicionamento “Liberação temporária do uso da vacina pneumocócica conjugada 13-valente para a dose de reforço na rotina pediátrica no estado de São Paulo” sobre as recentes expansões das indicações da VPC13, mesmo em caráter temporário e utilizando menor número de doses em uma faixa etária específica,” redigido por Daniel Jarovsky e Eitan Naaman Berezin.

O documento entende a necessidade da divulgação desta recomendação, mesmo que temporária, de forma ampla para todos os pediatras do estado de São Paulo para que mais crianças tenham esse acesso garantido.

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Impacto e importância da pandemia de Covid-19 na Pediatria https://spsp.org.br/impacto-e-importancia-da-pandemia-de-covid-19-na-pediatria/ Thu, 06 Aug 2020 14:35:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=19590 Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 06/08/2020


 

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Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (Síndrome associada temporalmente ao COVID-19) https://spsp.org.br/sindrome-inflamatoria-multissistemica-pediatrica/ Tue, 19 May 2020 22:17:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=15201 Visualização em PDF

SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 19/05/2020



Relator: Eitan N Berezin
Departamento Científico de Infectologia da SPSP


A maioria das crianças com infecção por SARS-CoV-2 é assintomática ou apresenta sintomas leves da infecção. Até o momento, as crianças responderam por uma porção mínima dos casos na pandemia global da COVID-19 e dados epidemiológicos de muitos países mostram que são minoria entre os pacientes afetados. Crianças e adolescentes menores de 18 anos representaram apenas 1,7% dos casos reportados nos EUA, 1% na Holanda e 2% de uma grande coorte observacional no Reino Unido. Estudos de vários países confirmaram que doenças graves e morte por COVID-19 em crianças são raras, apesar de baixa precisão dos dados devido à ausência de verdadeiros denominadores populacionais.1-4

Entretanto, agora a atenção aumentou em relação à vulnerabilidade das crianças, por dois motivos: em primeiro lugar, o conhecimento do grau em que as crianças transmitem COVID-19 é fundamental para se saber como os países reabrirão as comunidades após o bloqueio e, em segundo lugar, nos últimos dois meses foram identificadas crianças que desenvolveram uma resposta inflamatória sistêmica significativa – devido a isso têm havido diversas descrições de novas manifestações de uma doença grave, semelhante à doença de Kawasaki, relacionada à infecção por COVID-19, trazendo uma nova faceta dessa doença.5,6

A doença de Kawasaki é uma vasculite pediátrica aguda rara, tendo como principal complicação os aneurismas das artérias coronárias. O diagnóstico baseia-se na presença de febre persistente, exantema, linfadenopatia, hiperemia conjuntival e alterações nas mucosas e extremidades.7

Curiosamente, vírus da família dos coronavírus já foram relacionados como possíveis implicadores na patogênese da doença de Kawasaki. Em 2005, um grupo de New Haven (CT, EUA) identificou um novo coronavírus – designado coronavírus de New Haven (HCoV-NH) – nas secreções respiratórias de oito das 11 crianças com doença de Kawasaki, versus apenas um dos 22 controles testados por RT-PCR. Entretanto, esta hipótese nunca foi confirmada.8

Recentemente (particularmente nos últimos 2 meses), foram publicadas diversas descrições de uma síndrome inflamatória multissistêmica com alguma similaridade com o Kawasaki, surgidas durante a recente pandemia. Uma publicação recente de Verdoni et al. descreveu 10 casos (sete meninos, três meninas; com idade de 7,5 anos [SD 3 · 5]) de uma doença do tipo Kawasaki em Bergamo, Itália, no auge da pandemia no país (18 de fevereiro a 20 de abril de 2020). Bergamo foi a cidade com a maior taxa de infecções e mortes na Itália.5

Neste trabalho o autor avaliou retrospectivamente todos os pacientes diagnosticados com uma doença do tipo Kawasaki nos últimos 5 anos, que foram divididos de acordo com apresentação antes (grupo 1) ou depois (grupo 2) do início da epidemia de SARS-CoV-2. No grupo 1 foram incluídos 19 pacientes e no grupo 2 foram 10 pacientes. Entre os achados que diferenciam os dois grupos, um de importância foi a proporção mais elevada de choque no grupo pós-início da pandemia, com cinco das dez crianças apresentando hipotensão, que exigiu ressuscitação fluídica e duas para cada dez crianças necessitou de suporte inotrópico. Em relação à elucidação diagnóstica no grupo incluído após o início da pandemia, duas das dez crianças tiveram um swab de PCR para coronavírus 2 (SARS-CoV-2) positivo com síndrome respiratória aguda grave e oito de 10 tiveram teste sorológico para SARS-CoV-2 positivo.           Outro achado clínico de importância foi a presença de sintomas gastrointestinais associados no grupo de pacientes após o início da pandemia. A faixa etária dos pacientes afetados também era mais elevada do que as comumente encontradas nos pacientes com síndrome de Kawasaki.

As manifestações dessa infecção compartilham características comuns com outras condições inflamatórias pediátricas, além da doença de Kawasaki, incluindo: choque tóxico estafilocócico e estreptocócico. Também são encontradas, em alguns casos, manifestações cardiológicas com aumento da concentração de troponina I e pro-B-type natriuretic peptide – proBNP, utilizados como sinais indiretos de miocardite e insuficiência cardíaca. Esses pacientes também podem apresentar alterações abdominais, como diarreia e dor abdominal. O reconhecimento precoce por pediatras e encaminhamento especializado, incluindo cuidados intensivos, é essencial.

 

O Serviço de saúde britânico publicou como definição de caso:9,10

  1. Uma criança que apresenta febre persistente, inflamação (neutrofilia, PCR elevada e linfopenia) e evidência de disfunção de um ou vários órgãos (choque, alterações cardíacas, distúrbios respiratórios, renais, gastrointestinais ou neurológicos). Isso pode incluir crianças que cumpram critérios completos ou parciais para a doença de Kawasaki.
  2. Exclusão de infecções bacterianas, choque tóxico estreptocócico ou estafilocócico ou outras causas virais compatíveis com agentes etiológicos de miocardite.
  3. O teste de SARS-CoV-2 PCR pode ser positivo ou negativo. Entretanto grande parte das crianças identificadas com esta síndrome apresentaram testes de anticorpos positivos para COVID-19, evidenciando uma infecção recente.
  4. Dos casos descritos, uma minoria apresentou PCR positivo para SARS-CoV-2 em vias respiratórias e quase todos apresentaram IgG positivo.

A avaliação do serviço de saúde inglês para 37 casos detectados em serviços pediátricos tem os sintomas registrados na Tabela 1; os principais achados laboratoriais estão descritos na Tabela 2 e o desfecho clínico está na Tabela 3.

 

Tabela 1 – Sintomas em pacientes detectados no serviço de saúde inglês

Fonte: Whitaker E, apresentado em WEBINAR da Fundação Penta.¹¹


Tabela 2 – Resultados laboratoriais

Fonte: Whitaker E, apresentado em WEBINAR da Fundação Penta.¹¹


Tabela 3 – Desfecho clínico

Fonte: Whitaker E, apresentado em WEBINAR da Fundação Penta.¹¹



Em relação à conduta; o que fazer:9

  1. Os casos de todas as crianças estáveis ​​devem ser discutidos o mais rápido possível em serviços especializados (doenças infecciosas pediátricas/cardiologia/reumatologia), para garantir tratamento imediato.
  2. A indicação para encaminhamento para terapia intensiva pediátrica deve ser a mais rápida possível, devido à alta frequência de choque descrito nessas crianças.
  3. Nos casos descritos houve indicação de gamaglobulina endovenosa e em metade dos casos houve inclusão de corticosteroides.

               

Conclusão

Existe uma Síndrome Inflamatória Multissistêmica pediátrica, provavelmente de origem imunológica mediada por anticorpos. Uma das comprovações de ser uma síndrome pós-infecciosa é cursar com provas virológicas frequentemente negativas e somente anticorpos IgG positivos. Existem algumas similaridades com a doença de Kawasaki, mas com diferenças nos critérios laboratoriais.

 

Referências

  1. CDC COVID-19 Response Team. Coronavirus Disease 2019 in Children – United States, February 12-April 2, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2020;69:422-6.
  2. RIVM Committed to health and sustainability [homepage on the Internet]. Children and COVID-19 [cited 2020 May 5]. Available from: https://www.rivm.nl/en/novel-coronavirus-covid-19/children-and-covid-19
  3. Docherty AB, Harrison EM, Green CA, Hardwick H, Pius R, Normanet L, al [homepage on the Internet]. Features of 16,749 hospitalised UK patients with COVID-19 using the ISARIC WHO Clinical Characterisation Protocol [cited 2020 May 15]. Available from:https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.04.23.20076042v1.full.pdf
  4. Dong Y, Mo X, Hu Y, Xin Qi, Fan Jiang, Zhongyi Jiang and Shilu Tong. Epidemiology of COVID-19 Among Children in China. Pediatrics. 2020:e20200702.
  5. Verdoni L, Mazza A, Gervasoni A, Martelli L, Ruggeri M, Ciuffreda M, et al [homepage on the Internet]. An outbreak of severe Kawasaki-like disease at the Italian epicentre of the SARS-CoV-2 epidemic: an observational cohort study [cited 2020 May 15]. Available from: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31103-X
  6. Riphagen S, Gomez X, Gonzalez-Martinez C, Wilkinson N, Theocharis P [homepage on the Internet]. Hyperinflammatory shock in children during COVID-19 pandemic [cited 2020 May 15]. Lancet. 2020, published online May 7. Available from: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31094-1
  7. McCrindle BW, Rowley AH, Newburger JW, Burns JC, Bolger AF, Gewitz M, et al. Diagnosis, treatment, and long-term management of Kawasaki disease: a scientific statement for health professionals from the American Heart Association. Circulation. 2017;135:e927-99.
  8. Esper F, Shapiro ED, Weibel C, Ferguson D, Landry ML, Kahn JS. Association between a novel human coronavirus and Kawasaki disease. J Infect Dis. 2005;191:499-502.
  9. Royal College of Paediatrics and Child Health [homepage on the Internet]. Guidance – Paediatric multisystem inflammatory syndrome temporally associated with COVID-19, 2020 [cited 2020 May 5]. Available from: https://www.rcpch.ac.uk/resources/guidance-paediatricmultisystem-inflammatory-syndrome-temporally-associated-covid-19
  10. Viner RM, Whittaker E [homepage on the Internet]. Kawasaki-like disease: emerging complication during the COVID-19 pandemic [cited 2020 May 15]. Available from:https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)31129-6/fulltext
  11. Whittaker E. Webinar Penta Foundation [accessed 2020 May 7].
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Medidas para o Pediatra Relacionadas à Pandemia da COVID-19 https://spsp.org.br/medidas-para-o-pediatra-relacionadas-com-a-pandemia-do-covid-19/ Fri, 20 Mar 2020 19:27:20 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=14374 SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto  divulgado em 20/03/2020

Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Como já publicamos um informe sobre o coronavírus pandêmico (leia aqui), este documento visa auxiliar os pediatras no desempenho das atividades diárias no atendimento de crianças e adolescentes durante este período mais complicado.

Em 31 de dezembro de 2019, a China fez um alerta para Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto a casos de pneumonia de etiologia desconhecida na cidade de Wuhan, província de Hubei. Em 7 de janeiro de 2020, autoridades chinesas identificaram um novo tipo de CoV – a partir daí, convivemos com a epidemia de um novo vírus. A doença foi subsequentemente chamada de Covid-19 (Doença pelo Coronavírus 2019) e o vírus de Sars-CoV-2. Estudos mostram que, muito provavelmente, esse vírus é proveniente dos morcegos, com o hospedeiro intermediário ainda desconhecido, e se iniciou em um mercado de animais silvestres em Wuhan, na China. Rapidamente o vírus disseminou-se pela cidade, chegando em outras localidades chinesas, Tailândia, Japão e se espalhando por 64 países em dois meses.

Situação atual

Até 20 de março de 2020 (data de fechamento desta edição), a OMS registrou 193.475 casos confirmados de infecção pelo Sars-CoV-2, com 7.864 óbitos, em 164 países. Importante ressaltar que esta é a letalidade dos casos diagnosticados, que são, na maior parte, aqueles sintomáticos. Possivelmente, muitos casos podem ser assintomáticos, ou ter apenas sintomas leves, o que diminuiria a letalidade. Apesar de menor letalidade que as outras epidemias por CoV, percebe-se uma capacidade maior de transmissibilidade, ou seja, contágio de transmissão entre seres humanos, aparentemente, mais consistente.  No Brasil, fala-se em mais de 300 infectados em 19 estados, mas certamente esse número está subestimado.

Situação em Pediatria

O número de casos em Pediatria é bastante inferior e de menor gravidade comparado ao de adultos, particularmente idosos. Entretanto, é vital ter em mente algumas informações importantes.

Estudo recente, publicado no Pediatrics (em fase de pré-publicação), analisando uma população de 2.143 pacientes pediátricos, mostra que quase a totalidade das crianças apresentou sintomas leves. Alguns dados relevantes: dos casos suspeitos, cerca de 20% foram confirmados. Portanto, o número de pacientes pediátricos diagnosticados como infecção pelo Sars-CoV-2 foi de 731 casos com idade abaixo de 18 anos. Houve um óbito em um paciente de 14 anos. Esse estudo demonstra que o foco da pandemia não são as crianças. No entanto, apesar dos casos pediátricos serem frequentemente assintomáticos, as crianças podem ser importantes na disseminação do vírus.

Papel do pediatra em relação ao coronavírus

Uma das realidades do momento é que, apesar das crianças – e mesmo adultos jovens – não serem o principal foco na prevenção da doença, visto que não são os que apresentam doenças mais graves, eles estão sendo diretamente atingidos por medidas de contenção, como fechamento de escolas e limitação de acesso aos espaços públicos. Mas, devemos recordar que temos como objetivo não deixar desamparadas as famílias que precisam de orientações e de atendimento.

Neste momento, será de suma importância tentar minimizar a transmissão de qualquer quadro respiratório dentro da unidade de atendimento, com especial atenção ao novo coronavírus sem, entretanto, esquecer a possibilidade dos outros vírus respiratórios, que neste período do ano apresentam, também, uma grande frequência, particularmente o vírus sincicial respiratório e influenza.

Neste momento, cabe ao pediatra acalmar as famílias e até, se possível, orientar em como superar esses momentos de reclusão em casa. Sugestão de atividades possíveis em casa fazem parte desse cenário.

O atendimento no consultório está mantido, porém deve ser elaborado um novo fluxo de atendimento para oferecer a melhor assistência possível para todas as famílias. Esse fluxo deve ser constantemente reavaliado conforme a evolução do cenário da epidemia e, se necessário, novas modificações podem ser implementadas.

Em relação à rotina diária em consultórios médicos e ambulatório:

  • Se for possível, os atendimentos de rotina para pacientes estáveis devem ser adiados neste momento;
  • As consultas ambulatoriais devem ser priorizadas para atendimento das crianças que não estão passando bem (preferindo atendimento em consultório, consulta agendada, do que em PS);
  • A utilização da tecnologia (telefonema ou telemedicina para atendimentos e orientações não emergenciais) deve ser reforçada;
  • Intensificar medidas de higiene;
  • Organizar horários de atendimento e evitar deixar pacientes em sala de espera (tanto para ambulatórios como consultórios);
  • Importante: se possível, colocar em locais de fácil visualização orientações para proteção contra a Covid-19 e orientações para lavagem de mãos e cuidados em casa;
  • Médicos com idade superior a 60 anos, ou que apresentam fatores que aumentem risco para doença grave, devem minimizar a atuação médica direta com pacientes no contexto atual.

Como organizar o atendimento

Estamos entrando em uma época com uma série de vírus respiratórios e o coronavírus será mais um deles. Portanto, os pacientes sintomáticos também deverão ficar “isolados” entre si. Uma alternativa é mantê-los com máscara cirúrgica o tempo todo, desde a entrada no consultório ou prédio (se tiver elevador), e deixar sempre à disposição o álcool gel. Provavelmente, será difícil essa orientação em crianças pequenas, além de ser possível e provável que não estejam disponíveis máscaras cirúrgicas para todos. Uma solução seria orientar a família, em caso de consulta, para providenciar sua máscara cirúrgica para proteção. A utilização da mesma poderá ser útil no período que o paciente estará na clínica. É importante, também, manter, o quanto possível, uma distância entre os pacientes (uma alternativa é agendar os pacientes com um breve intervalo de tempo, para evitar ao máximo a interação entre eles). Por último, é sugerido que se evitem conversas desnecessárias, a fim de menor dispersão de gotículas, uma música de fundo deverá ajudar a quebrar o silêncio.

Os funcionários (limpeza, secretariado e qualquer outro) serão peça-chave para a minimização do risco de todos, inclusive deles mesmos. E é importante o entendimento de que eles também estão fazendo parte no combate à pandemia, portanto seu envolvimento é fundamental. É de extrema importância a capacitação de todos quanto a boas práticas de higiene e proteção. O uso de máscara cirúrgica é necessário no momento de atendimento dos pacientes sintomáticos. É aconselhável o uso de trajes privativos e não a roupa de uso pessoal. Após o término do dia, essa roupa deverá ser retirada na própria clínica e enviada para limpeza e desinfecção. O uso de luvas pelos funcionários não faz muito sentido se eles mantiverem uma constante lavagem das mãos, além de ser um gasto a mais de um recurso muito importante no momento.

Testar pacientes pediátricos com sintomas respiratórios para vírus respiratório e Covid-19. O diagnóstico viral pode ser importante, pois o achado de outro vírus respiratório, como vírus sincicial respiratório ou influenza, pode servir de auxílio nas orientações. Lembrar que alguns painéis virais apresentam testes para outros coronavírus que não Sars-CoV-2. Por exemplo, coronavírus 229E, coronavírus HKU1. Coronavírus OC43 e coronavírus NL63 são detectados no painel viral do FILM ARRAY e não guardam nenhuma relação com a Covid-19.

Reforçando orientações

  • Manter o incentivo à imunização. As carteiras de vacinas devem se manter atualizadas em atenção especial ao período de imunização para influenza;
  • Aleitamento materno deve ser preservado, pois não há evidências de transmissão através do leite materno. Mesmo os raros casos de recém-nascidos filhos de gestantes com Covid-19 não apresentaram sintomas respiratórios;
  • As mães que amamentam devem seguir com o aleitamento e devem ser orientadas para redobrar os cuidados, caso apresentem sintomas respiratórios, com lavagem de mãos e uso de máscara cirúrgica durante a amamentação.

Reforçando medidas de prevenção

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o Sars-CoV-2. Entre as medidas estão:

  • Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;
  • Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações;
  • Viagens devem ser realizadas apenas em casos de extrema necessidade.

Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção). Para a realização de procedimentos que gerem aerossóis de secreções respiratórias, como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado aerossol por precaução, com uso de máscara N95.

Referências Bibliográficas

Zhu N, Zhang D, Wang W, Li X, Yang B, Song J, et al. A novel coronavirus from patients with pneumonia in China, 2019. N Engl J Med. 2020 Jan 24 [Epub ahead of print].

Phan LT, Nguyen TV, Luong QC, Nguyen TV, Nguyen HT, Le HQ, et al. Importation and human-to-human transmission of a novel coronavirus in Vietnam. N Engl J Med. 2020 Jan 28 [Epub ahead of print].

Yuanyuan Dong, Xi Mo, Yabin Hu, Xin Qi, Fang Jiang, Zhongyi Jiang, Shilu Tong Epidemiological Characteristics of 2143 Pediatric Patients With 2019 Coronavirus Disease in China [Epub ahead of print]. PediatricsDOI: 10.1542/peds.2020-0702.

CDC- COVID-19 and braest feeding https://www.cdc.gov/breastfeeding/breastfeeding-special-circumstances/maternal-or-infant-illnesses/covid-19-and-breastfeeding.html

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Informe SBP – COVID-19: Presidente do DC de Infectologia endossa medidas de contenção adotadas no Brasil https://spsp.org.br/informe-sbp-covid-19-presidente-do-dc-de-infectologia-endossa-medidas-de-contencao-adotadas-no-brasil/ Wed, 18 Mar 2020 15:43:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=14285 SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto  divulgado em 18/03/2020

Confira no site da Sociedade Brasileira de Pediatria: em entrevista concedida à BandNewsTV, Marco Aurélio Safadi, presidente do DC de Infectologia da SBP e presidente do DC de Imunizações da SPSP, afirma que o Brasil está adotando as medidas corretas para a contenção da pandemia por infecção com o Covid-19 e a população deve aderir aos cuidados de prevenção para que seja exitoso o esforço para impedir maior disseminação da doença.

Clique aqui para ler a notícia completa.

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