Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 01 Jul 2026 19:58:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Proteção desde os primeiros dias de vida https://spsp.org.br/protecao-desde-os-primeiros-dias-de-vida/ Wed, 01 Jul 2026 19:58:39 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57682 ]]>

Celebrado em 1º de julho, o Dia da Vacina BCG é uma oportunidade para lembrar a importância de uma das vacinas mais antigas e eficazes da história da saúde pública. Desenvolvida há mais de 100 anos pelos cientistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin, a vacina BCG (abreviação de Bacilo de Calmette-Guérin) continua sendo uma ferramenta fundamental para reduzir complicações e salvar vidas, especialmente na infância.

Aplicada logo nos primeiros dias de vida, a BCG protege crianças contra as formas mais graves da tuberculose, uma doença infecciosa que ainda representa um importante desafio para a saúde em todo o mundo.

O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A transmissão ocorre pelo ar, por meio da eliminação de pequenas partículas liberadas quando uma pessoa com a doença pulmonar ativa tosse, fala ou espirra.

Embora afete principalmente os pulmões, a tuberculose pode atingir praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Em crianças pequenas, a infecção pode evoluir para formas particularmente graves, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, que podem causar sequelas importantes e até levar ao óbito.

Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a tuberculose ainda está entre as doenças infecciosas que mais causam mortes no mundo. No Brasil, milhares de novos casos são registrados todos os anos, o que reforça a importância das medidas de prevenção.

Por que a vacina BCG é tão importante?

A principal função da BCG é proteger bebês e crianças pequenas contra as formas mais graves da tuberculose. Embora ela não impeça todos os casos da doença, sua eficácia na prevenção das complicações mais severas é amplamente reconhecida.

Estudos mostram que a vacina reduz significativamente o risco de meningite tuberculosa e tuberculose disseminada na infância, contribuindo para diminuir hospitalizações, sequelas e mortes relacionadas à doença.

Por esse motivo, a BCG faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quando a vacina deve ser aplicada?

A recomendação é que a vacina seja administrada preferencialmente ainda na maternidade ou nos primeiros dias de vida. Caso isso não seja possível, ela pode ser aplicada posteriormente, conforme as orientações do calendário vacinal vigente. A aplicação é feita no braço direito, por via intradérmica, utilizando uma técnica específica que permite uma resposta adequada do organismo. Quanto mais cedo a criança estiver protegida, menor será o risco de desenvolver as formas graves da doença durante os primeiros anos de vida.

O que acontece após a vacinação?

Muitos pais ficam preocupados ao observar alterações no local da aplicação, mas a maioria delas faz parte da resposta normal à vacina. Nas semanas seguintes à vacinação, é comum surgir uma pequena área avermelhada, que pode evoluir para uma lesão semelhante a uma pequena ferida. Com o tempo, essa região cicatriza e geralmente deixa uma pequena marca no braço, característica da BCG.

Todo esse processo pode levar alguns meses para ser concluído e normalmente não exige nenhum cuidado especial, além da higiene habitual com água e sabão. Não é recomendado espremer, cobrir ou aplicar pomadas sem orientação médica. É importante destacar que a ausência da cicatriz não significa falta de proteção, e, por isso, atualmente não existe mais recomendação de revacinação apenas porque a marca não apareceu.

Quando a BCG não deve ser aplicada?

A vacina é segura para a grande maioria dos recém-nascidos. No entanto, existem situações específicas em que sua aplicação deve ser adiada ou evitada, especialmente em crianças com suspeita ou diagnóstico de imunodeficiências graves. Por isso, a avaliação médica e os programas de triagem neonatal são tão importantes. Quando o teste de triagem neonatal para erros inatos da imunidade (chamado TREC/KREC) for coletado na maternidade, recomenda-se aguardar o resultado do exame para liberação da aplicação da BCG.

Quando existe histórico familiar de imunodeficiência ou alguma condição que possa comprometer o sistema imunológico do bebê, a vacinação deve ser analisada individualmente pelo especialista. Algumas medicações que impactam o sistema imunológico da gestante (como o Rituximabe) também interferem parcialmente na imunidade do recém-nascido, por isso a BCG deve ser adiada de acordo com a medicação utilizada.

Um compromisso com a saúde das crianças

O Dia da Vacina BCG reforça uma mensagem simples, mas muito importante: a vacinação continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves e proteger a infância. Ao garantir que os bebês recebam a BCG no momento adequado, pais, cuidadores e profissionais de saúde contribuem para reduzir o impacto da tuberculose e oferecem às crianças uma proteção essencial desde os primeiros dias de vida.

Vacinar é um gesto de cuidado, responsabilidade e amor. Afinal, proteger hoje é construir um futuro mais saudável para toda a sociedade.

 

Relatores:

Pedro Vale Bedê
Médico pela Universidade Federal do Ceará (UFC)
Infectologista Pediátrico pela Universidade de São Paulo (USP)
Médico Infectologista Pediátrico do Hospital Sírio-Libanês
Preceptor do Ambulatório de Infectologia Pediátrica do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ)
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

 

Daniel Jarovsky
Professor Instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSC-SP)
Infectologista Pediátrico do Sabará Hospital Infantil e do Hospital Israelita Albert Einstein
Vice-Presidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Celebrar conquistas, combater a desinformação e proteger o futuro https://spsp.org.br/celebrar-conquistas-combater-a-desinformacao-e-proteger-o-futuro/ Tue, 09 Jun 2026 15:30:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57328 Relatores Tim MüllerPediatra Alergista e ImunologistaMembro do Departamento Científico de Imunizações da SPSPPresidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP Renato KfouriPediatra InfectologistaMembro da Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de ImunizaçõesPresidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP]]>

O Dia da Imunização, celebrado em 9 de junho, nos convida a recordar uma das maiores conquistas da Medicina e da Saúde Pública: as vacinas. Mas essa data também traz um alerta importante. Muitas doenças que hoje parecem distantes deixaram de fazer parte do cotidiano de muitas famílias porque gerações inteiras foram vacinadas. Quando o número de vacinados cai, essas doenças podem retornar.

A história da vacinação começou há mais de dois séculos, com a vacina contra a varíola. Edward Jenner desenvolveu essa vacina no final do século XVIII. A partir daí, a ciência iniciou uma revolução silenciosa. O objetivo era prevenir doenças antes que causassem sofrimento, sequelas e mortes.

No Brasil, a vacinação contra a varíola foi uma das primeiras grandes experiências de imunização em massa. Com o passar do tempo, o país criou instituições fundamentais para a produção e distribuição de vacinas, como a Fiocruz/Bio-Manguinhos e o Instituto Butantan. Essas instituições ainda desempenham um papel essencial na saúde pública brasileira.

Um dos maiores marcos dessa trajetória foi a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1973. Desde então, o Brasil construiu um dos maiores programas públicos de vacinação do mundo, oferecendo vacinas gratuitamente pelo SUS para crianças, adolescentes, gestantes, adultos, idosos e grupos com necessidades especiais. Esse é um patrimônio da população brasileira: um programa que garante que vacinas gratuitas, seguras e eficazes cheguem a milhões de pessoas em todas as regiões do país.

O calendário de vacinação vem mudando muito ao longo das décadas. Antes, havia poucas vacinas disponíveis; agora, temos proteção contra várias doenças graves. Além do calendário do PNI, que define as vacinas oferecidas gratuitamente na rede pública, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) oferecem informações para médicos e famílias, incluindo recomendações complementares com base em idade, condições de saúde, riscos individuais e disponibilidade de vacinas na rede privada.

É muito comum que algumas famílias tenham dúvidas diante de tanta informação. O calendário vacinal atual inclui mais vacinas do que no passado, mas isso não sobrecarrega o sistema imunológico. Pelo contrário, todos os dias, desde o nascimento, as crianças entram em contato com milhares de micro-organismos e partículas do ambiente. As vacinas apresentam apenas pequenas partes dos agentes infecciosos ou versões enfraquecidas ou inativadas deles, suficientes para ensinar o corpo a se defender. Estudos mostram que receber mais de uma vacina ao mesmo tempo é seguro e não causa problemas ou “enfraquece” a imunidade.

Um exemplo recente de avanço é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), recomendada para gestantes. O VSR é uma das principais causas de bronquiolite e internação em bebês pequenos. Ao vacinar a gestante, transferimos anticorpos para o bebê durante a gestação, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida, quando ele é mais vulnerável. Essa conquista mostra que a vacinação continua evoluindo para responder a problemas reais na pediatria.

Quando falamos de vacinas, devemos lembrar de doenças que muitos pais e mães jovens quase não conhecem mais. A poliomielite, por exemplo, podia causar paralisia permanente. O tétano pode surgir a partir de ferimentos e continua sendo uma doença grave. A difteria, hoje rara, pode comprometer a respiração e causar complicações severas. Essas doenças não desapareceram porque ficaram “fracas” ou porque simplesmente deixaram de existir; elas foram controladas porque a vacinação funcionou.

As vacinas também são essenciais no combate a epidemias e pandemias. Elas reduzem casos graves, internações e mortes, além de proteger os serviços de saúde contra sobrecarga. A experiência recente com a Covid-19 lembrou ao mundo que a ciência, a vigilância em saúde e a vacinação são ferramentas indispensáveis para responder a emergências sanitárias.

Outro ponto importante é entender que a vacinação não é apenas uma decisão individual. Quando uma pessoa se vacina, ela também contribui para proteger quem está ao seu redor: bebês que ainda não têm idade para receber algumas vacinas, pessoas com imunidade baixa, idosos e pacientes com doenças crônicas. Por isso, manter altas taxas de vacinação é um compromisso coletivo. O Ministério da Saúde considera a vacinação uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde da população e reduzir a disseminação de doenças infecciosas na comunidade.

Ao mesmo tempo, vivemos uma época em que informações falsas circulam rapidamente. Fake news sobre vacinas podem parecer convincentes, especialmente quando exploram o medo dos pais. Muitas vezes distorcem dados, ignoram evidências ou atribuem às vacinas problemas que não têm relação com elas. A hesitação vacinal deve ser recebida com escuta, orientação clara e informação confiável. Em caso de dúvida, a família deve conversar com o pediatra e buscar fontes reconhecidas, como sociedades científicas, o Ministério da Saúde e serviços de vacinação.

No Brasil, poucas imagens representam tão bem essa história quanto o Zé Gotinha. Criado em 1986, ele se tornou símbolo da vacinação infantil, ajudando a conectar as campanhas às crianças e suas famílias. Em 2026, o Zé Gotinha completará 40 anos, lembrando que uma comunicação clara, afetiva e confiável também faz parte da Saúde Pública.

Neste Dia da Imunização, a principal mensagem é simples: “Vacinas salvam vidas!” Vacinar é proteger. Proteger a criança, a família, a comunidade e as futuras gerações. Aproveitem a data para conferir a caderneta de vacinação de toda a família e atualizar as doses pendentes – de crianças, adolescentes, gestantes, adultos e idosos. Em caso de dúvida, procurem um médico da sua confiança.

As vacinas são vítimas do seu próprio sucesso: quando funcionam bem, tornam as doenças invisíveis. Mas é por isso que precisamos continuar vacinando. Celebrar a imunização é reconhecer o passado, combater a desinformação, cuidar do presente e proteger o futuro.

Relatores

Tim Müller
Pediatra Alergista e Imunologista
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Presidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP

Renato Kfouri
Pediatra Infectologista
Membro da Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de Imunizações
Presidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

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Prevenção com vacinas e reconhecimento precoce salvam vidas https://spsp.org.br/prevencao-com-vacinas-e-reconhecimento-precoce-salvam-vidas/ Fri, 24 Apr 2026 11:39:53 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56533 No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reforça a urgência de conscientizar famílias sobre]]>

No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reforça a urgência de conscientizar famílias sobre essa doença grave. A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal, causada principalmente por bactérias, vírus ou fungos. No Brasil, os dados do Informe Meningites – 2ª edição (novembro/2025) do Ministério da Saúde revelam um cenário alarmante no primeiro semestre de 2025: 6.169 casos confirmados, com 781 óbitos e letalidade de 12,7%. Desses, as meningites bacterianas somaram 2.643 casos e 537 mortes (letalidade de 20,3%), destacando a necessidade de ação imediata.

Entre as meningites bacterianas, a doença meningocócica foi responsável por 486 casos e 96 óbitos (letalidade 19,8%). Os sorogrupos mais frequentes foram B (146 casos) e C (90 casos), afetando especialmente crianças menores de 5 anos – incidência de 12,29/100 mil em < 1 ano e 2,05/100 mil em 1-4 anos. A meningite pneumocócica registrou 714 casos e 202 óbitos (letalidade 28,3%), enquanto a por Haemophilus influenzae teve 78 casos e 13 óbitos (16,7%). Esses números mostram que apesar das quedas históricas de casos graças às vacinas, a doença persiste, com maior impacto entre as crianças.

A boa notícia é a prevenção eficaz pelas vacinas. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda, em seu Calendário Nacional de Vacinação, a vacinação ampliada para a doença meningocócica com as vacinas MenACWY e MenB, contra doenças pneumocócicas (incluindo as meningites) com as vacinas VPC20 ou VPC15, e para Haemophilus influenzae tipo b (Hib) com as vacinas combinadas pentavalente ou hexavalente na primeira infância. Essas vacinas reduziram drasticamente a incidência das meningites desde 2010, como evidenciado na série histórica do informe, salvando milhares de vidas e prevenindo sequelas como surdez, amputações e déficits neurológicos.

Para famílias, reconhecer os sinais precocemente é crucial. Procurar atendimento imediato se a criança apresentar febre alta persistente, rigidez de nuca, fotofobia (desconforto intenso com a luz), irritabilidade extrema, vômitos em jato, manchas roxas na pele (petéquias/púrpura) e/ou convulsões. Em bebês, observar fontanela (conhecida como moleira) abaulada, choro inconsolável ou letargia (criança fica mole, sonolenta). A detecção em até 24 horas pode reduzir a letalidade de 20% para níveis muito menores, conforme indicadores de vigilância do informe (97,6% dos casos investigados em 48 h).

O que fazer? Levar a criança ao pronto-socorro mais próximo ou ligar para o SAMU (192). Não esperar: a meningite progride rapidamente. Antibióticos intravenosos e suporte intensivo são essenciais. A ação da vigilância epidemiológica para realizar a quimioprofilaxia para contatos domiciliares previne surtos e é por isso que a notificação dessa doença é compulsória e imediata.

Globalmente, a iniciativa Defeating Meningitis by 2030 (Derrotando as Meningites até 2030), da Organização Mundial da Saúde e parceiros, visa eliminar meningites epidêmicas, reduzir casos em 50% e óbitos em 70% até 2030. No Brasil, ações incluem fortalecimento da vigilância (38,7% foram confirmados laboratorialmente em 2025), ampliação de coberturas vacinais e educação comunitária. A SPSP apoia essas metas, promovendo imunizações em dia e conscientização para uma sociedade livre de meningites.

Famílias: verificar a Carteira de Vacinação no posto de saúde ou no app Conecte SUS ou em um serviço de imunização privado. Estejam com as vacinas em dia e ensinem os sinais da doença aos avós e cuidadores das crianças. Juntos, podemos combater sequelas e óbitos – em 2025, crianças abaixo de um ano tiveram uma letalidade de 14,6%, mas as vacinas podem zerar isso!

A SPSP parabeniza todos os profissionais de saúde pela vigilância e assistência aprimoradas e convoca: previna, reconheça, atue. Uma infância saudável começa com a vacinação em dia.

 

Relatora:
Melissa Palmieri
Secretária do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

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Doenças negligenciadas https://spsp.org.br/doencas-negligenciadas/ Fri, 30 Jan 2026 14:47:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54900 ]]>

Talvez a grande questão deste tema seja entender do que estamos falando, quando nos referimos a doenças negligenciadas. Começamos contextualizando que essas infecções são impactantes na população, inclusive pediátrica, mas muitas vezes pouco divulgadas, e com ações para seu controle aquém do que deveríamos ter, seja pelas políticas públicas, nos meios de comunicação ou pelos serviços médicos/hospitalares.

Aqui pretendemos comentar algumas dessas doenças: como devemos iniciar seu reconhecimento e quais medidas iniciais podemos ou devemos realizar.

É fundamental saber, diferente do que muitas pessoas imaginam, que qualquer indivíduo, independentemente do nível socioeconômico, raça, idade e sexo está sujeito a desenvolver essas doenças.

A primeira delas a ser comentada trata-se da tuberculose. Endêmico no Brasil, o Mycobacterium (que são diversos e não só o tuberculosis) primariamente determina doença pulmonar. A tuberculose pulmonar se caracteriza por ser insidiosa, com tosse persistente, febre prolongada mais comum no final do dia e com emagrecimento frequente. Na criança, continua sendo um quadro mais arrastado; entretanto, o comprometimento respiratório é mais rápido e as imagens no Rx nem sempre são características.

A tuberculose também acomete outros órgãos com frequência elevada, como linfonodos (ínguas, gânglios…), ossos, sistema nervoso (meningites), entre outros órgãos.

É necessário, frente a febres pouco elevadas persistentes e emagrecimento ou não ganho de peso no paciente pediátrico, pensar em tuberculose. A disponibilidade de testes mais específicos e com resultados mais rápidos é uma realidade no SUS, facilitando o diagnóstico nas crianças, mas continua sendo mais difícil do que no adulto.

Não podemos nos esquecer das parasitoses, frequentes na população pediátrica. Cuidados de higiene alimentar, saneamento básico, recomendações no preparo dos alimentos e vigilância na produção dos alimentos são determinantes para a ocorrência dessas doenças. As manifestações gastrointestinais, anemia e dores abdominais ganham destaque na apresentação clínica.

Outra doença tão falada nos últimos dois anos, a dengue, teve seu recorde de internações e óbitos no mundo e no Brasil em 2024 (mais de 6 milhões de casos e mais de 6 mil óbitos). Muito pouco tem sido feito para o controle da dengue em relação à orientação da população, ações da saúde pública, incentivo à pesquisa e, mais recentemente, incentivo e orientação à vacinação. É verdade que ainda não há produção da vacina em escala suficiente para atender à demanda do Brasil, mas diversas medidas que deveriam ter sido adotadas foram negligenciadas, principalmente nesta última década.

A dengue se caracteriza por ser uma doença bifásica (que ocorre em duas fases), onde a febre, a dor no corpo e olhos e, eventualmente, as manifestações hemorrágicas iniciais são muito características, mas que, após uma melhora inicial, retorna com maior gravidade, com dores mais intensas, inclusive abdominais e quadros hemorrágicos com maior frequência. Uma segunda infecção pelo vírus da dengue determina maior risco para o desenvolvimento de quadros mais graves.

Os adolescentes estão entre a população que mais frequentemente necessita de internação, e por isso há a estratégia de vacinação nessa população. Apesar dos idosos estarem no grupo de maior ocorrência de óbitos, ainda não há dados adequados para a recomendação vacinal.

Além da dengue, outras doenças têm participação de insetos em sua transmissão, como Zika e Chikungunya. Aqui queremos dar destaque a outras duas doenças, Chagas e Leishmaniose, e algumas condições clínicas pelos próprios insetos, a Pediculose (piolho) e a Escabiose (sarna).

Chagas e Leishmaniose ocorrem em áreas chamadas endêmicas, e determinam doenças sistêmicas (disseminadas). Na doença de Chagas, comprometimentos cardíaco e intestinal ganham destaque, normalmente de evolução insidiosa. Na Leishmaniose, o comprometimento é habitualmente mais rápido e caracterizado por febre, aumento do fígado e do baço e diminuição na produção das séries vermelha (hemácias) e de plaquetas.

A promoção de medidas de saúde, como higiene alimentar, o saneamento básico, a orientação e educação da população sobre essas doenças, assim como seu diagnóstico clínico e laboratorial e tratamento adequados são a base mestra para o controle dessas doenças.

O controle dos focos para Dengue, Chikungunya, Zika, Chagas, Leishmaniose, parasitoses, Escabiose e Tuberculose deve ser meta prioritária em Saúde Pública.

Cabe também a todos nós a busca por informações adequadas, de procedência segura e validada, bem como adoção das medidas corretas para prevenção dessas e tantas outras doenças, para conseguirmos a melhor qualidade possível na saúde das crianças.

 

Saiba mais:

. Médicos sem fronteiras. Acesso em https://www.msf.org.br/noticias/5-doencas-negligenciadas-que-afetam-milhoes-de-pessoas-todos-os-anos/

. Ministério da Saúde. Brasil. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/ministerio-da-saude-divulga-boletim-epidemiologico-sobre-o-impacto-das-doencas-tropicais-negligenciadas-nas-criancas#:~:text=A%20an%C3%A1lise%20dos%20dados%20epidemiol%C3%B3gicos,das%20Na%C3%A7%C3%B5es%20Unidas%20(ONU).

. Agência Fiocruz de notícias. Acesso em https://agencia.fiocruz.br/doen%C3%A7as-negligenciadas

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Eliminação da transmissão vertical do HIV e certificação do Brasil https://spsp.org.br/eliminacao-da-transmissao-vertical-do-hiv-e-certificacao-do-brasil/ Mon, 01 Dec 2025 19:49:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54370 Dezembro é o mês de conscientização e luta contra a Aids. Os primeiros casos notificados de HIV/Aids são do início da década de 1980, sendo a primeira criança notificada no Brasil do ano]]>

Dezembro é o mês de conscientização e luta contra a Aids. Os primeiros casos notificados de HIV/Aids são do início da década de 1980, sendo a primeira criança notificada no Brasil do ano de 1987. Transcorridas quatro décadas desde então, assistimos a importantes avanços no diagnóstico, tratamento e monitoramento da infecção, convertendo a Aids de doença grave potencialmente fatal para infecção crônica controlável. Junto com esse avanço, houve toda uma mudança do perfil da doença na área materno-infantil.

É importante relembrar ou informar que temos formas bem definidas de transmissão e dentro da população pediátrica a principal é a chamada transmissão vertical, que é aquela transmitida da mãe para o filho, que pode acontecer na vida intraútero, durante o parto ou no aleitamento materno.

Assistimos ao aumento da sobrevida dos pacientes em geral, incluindo as crianças, e redução das infecções oportunistas, e com isso um “envelhecimento” da população pediátrica que nasceu com o vírus HIV, com 80%-90% dos pacientes pediátricos infectados hoje já adolescentes, jovens e muitos adultos. Muitos deles são já mães e pais, ou seja, já estamos frente à terceira geração que vive ou convive com o HIV e a excelente

notícia é que a imensa maioria dessas crianças, nascidas de pais que vivem com HIV por transmissão vertical, nasceram livres de HIV e saudáveis.

Tudo isso acontece graças ao protocolo de prevenção de transmissão vertical, que é um conjunto de medidas que começam antes mesmo da concepção, acontecendo durante toda a gestação, com tratamento contínuo da gestante e se mantendo com o bebê usando medicação por 28 dias, realizando exames e não sendo amamentado com leite materno.

Esse conjunto de medidas, quando realizadas na sua totalidade, faz com que a taxa de transmissão vertical seja reduzida de até 30% a 40% quando não acontece o tratamento, para taxas menores de 2%, quando todo o protocolo ocorre.

Em paralelo a esse crescimento da população pediátrica, com a maternidade e paternidade neles, tivemos também todo um incentivo à saúde sexual, reprodutiva e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, que associados aos avanços do protocolo de

prevenção da transmissão vertical, possibilitaram que muitas famílias que vivem com HIV realizassem o sonho de constituir uma família e ter filhos.

O Brasil é um país de referência mundial no tratamento de HIV/Aids e mostra-se também

como um país de ponta na abordagem da prevenção da transmissão vertical. Temos as medicações antirretrovirais distribuídas pelo SUS em 100% do território nacional. O cumprimento correto do protocolo e o trabalho incessante dos profissionais da saúde, associados a investimentos sustentáveis no diagnóstico, tratamento e manejo clínico do binômio mãe-filho, possibilitaram que o Brasil iniciasse o processo de certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV no nosso país em 2017, seguindo todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), iniciando a premiação para municípios que tivessem transmissão vertical menor que 2% e todo o cumprimento dos protocolos em diferentes níveis (gestão, processos, garantia de respeito aos direitos humanos, entre outros).

O processo se iniciou em 2017 certificando Curitiba (PR), mantendo-se o trabalho constante no transcorrer desses anos, atingindo em 2024 a marca de 151 municípios e 19 Estados com algum tipo de certificação pela eliminação ou selo de boas práticas para HIV, sífilis e/ou hepatite B. Importante ressaltar que o município de São Paulo está certificado da eliminação da transmissão vertical desde 2019 e o Estado de São Paulo desde 2023.

E o trabalho não acaba. O Brasil está requerendo à OMS a certificação nacional este ano, de país eliminado da transmissão vertical do HIV, estando toda a documentação em avaliação.

É importante ressaltar que eliminar o agravo não significa que não temos mais a transmissão, mas sim que esta atinge parâmetros muito baixos (menores de 2%), permitindo a avaliação da certificação. A transmissão infelizmente ainda existe em alguns casos e nós profissionais da saúde estamos sempre aqui, lutando contra ela.

E como pode ser a participação da população geral, que não vive com HIV nesse processo? Todos podem auxiliar muito, se aproximando do tema, lutando contra o estigma, preconceito e discriminação, que se mostram como os grandes obstáculos aos diagnósticos e tratamentos, incluindo as gestantes vivendo com HIV, interferindo diretamente no risco de transmissão vertical e na saúde do bebê.

 

Relatora:

Daniela Vinhas Bertolini
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Combate à dengue: protegendo nossas crianças e a comunidade https://spsp.org.br/combate-a-dengue-protegendo-nossas-criancas-e-a-comunidade/ Sat, 22 Nov 2025 15:03:31 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54299 No Dia Nacional de Combate à Dengue, celebrado no penúltimo sábado do mês de novembro – dia 22 neste ano –, a Sociedade de Pediatria de São Paulo reforça a importância da vigilância]]>

No Dia Nacional de Combate à Dengue, celebrado no penúltimo sábado do mês de novembro – dia 22 neste ano –, a Sociedade de Pediatria de São Paulo reforça a importância da vigilância e da ação conjunta de toda a população contra essa doença que, infelizmente, continua a ser um grave problema de saúde pública em nosso país.

A dengue é uma infecção viral séria, transmitida pela picada de um mosquito, que pode afetar qualquer pessoa, mas exige atenção redobrada quando se trata de crianças, que são mais vulneráveis e podem apresentar quadros mais graves.

A transmissão da dengue ocorre exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em locais com água parada. Com o clima tropical do Brasil, e especialmente em grandes centros urbanos de um Estado populoso como São Paulo, a proliferação do mosquito é facilitada, tornando a prevenção uma tarefa contínua.

Nossas crianças, com seu sistema imunológico em desenvolvimento e muitas vezes com dificuldade para expressar o que sentem, estão em maior risco e precisam da nossa proteção constante.

Os sintomas da dengue em crianças podem ser variados e, por vezes, confundidos com outras doenças comuns da infância. Deve-se ficar atento a febre alta repentina, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, cansaço extremo, náuseas, vômitos e dor abdominal.

É crucial procurar atendimento médico imediatamente se a criança apresentar sinais de alarme, como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos (nariz, gengiva), sonolência excessiva ou irritabilidade. A rapidez no diagnóstico e tratamento pode salvar vidas.

A melhor forma de combater a dengue é através da prevenção, eliminando os focos do mosquito. Dedique alguns minutos do seu dia para verificar e eliminar qualquer recipiente que possa acumular água: vasos de plantas, pneus, garrafas, calhas entupidas, caixas d’água destampadas.

Outras medidas importantes: usar repelentes adequados para a idade da criança, instalar telas em janelas e portas e vestir roupas que cubram braços e pernas, especialmente nos horários de maior atividade do mosquito (manhã e fim de tarde).

A participação de cada família e de toda a comunidade é fundamental. Em algumas cidades há a disponibilidade gratuita da vacinação para adolescentes de 10 a 14 anos, mas aqueles de 4 a 60 anos que não estiverem contemplados por gratuidade podem procurar a prevenção pela vacinação em serviços privados também.

Juntos, podemos construir um ambiente mais seguro e saudável para todos. A luta contra a dengue é um compromisso coletivo que exige informação, conscientização e atitude. Sua ação hoje, por menor que pareça, é um passo gigante na proteção da vida e na construção de um futuro livre dessa doença. Vamos juntos nessa batalha!

 

Relatora:

Melissa Palmieri
Secretária do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

 

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Vacinação é fundamental para a erradicação da poliomielite https://spsp.org.br/vacinacao-e-fundamental-para-a-erradicacao-da-poliomielite/ Fri, 24 Oct 2025 11:33:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53777 A poliomielite é uma doença altamente infecciosa, causada por um poliovírus que afeta principalmente as crianças menores de cinco anos, sendo transmitida por via fecal-oral.]]>

A poliomielite é uma doença altamente infecciosa, causada por um poliovírus que afeta principalmente as crianças menores de cinco anos, sendo transmitida por via fecal-oral. O quadro clínico varia em gravidade, desde formas inaparentes ou com sintomas leves, como febre, mal-estar, cefaleia, sintomas gastrointestinais, até paralisia flácida e atrofia permanente, geralmente unilateral, em membros inferiores. Um em cada 200 infectados desenvolve uma paralisia irreversível e, dentre estes, 5%-10% morrem quando há o comprometimento da musculatura respiratória. Não há tratamento, mas há prevenção.

A vacina pólio oral (VOP) mudou o cenário mundial da poliomielite. A VOP é uma vacina produzida com o poliovírus enfraquecido que estimula a imunidade contra a poliomielite. A Iniciativa Global de Erradicação da Pólio criada em 1988 teve muito sucesso com a redução dos casos. Porém, dois países, Paquistão e Afeganistão, ainda apresentam casos. Até que a transmissão do poliovírus seja interrompida nesses países, todos os países permanecem em risco de importação de pólio.

O último caso de poliomielite registrado no Brasil foi em 1989, na cidade de Souza, na Paraíba, e o Brasil, com os demais países da América, obteve o certificado de área livre do poliovírus selvagem em seu território desde 1994, conferido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

A partir de então, o Brasil assumiu um compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de não permitir a reintrodução da doença no país. Para isto, precisamos manter altas coberturas vacinais, ou seja, que a população menor de cinco anos seja vacinada.

Com a vacinação, dos três tipos de poliovírus, o sorotipo 2 (P2) e o sorotipo 3 (P3) desapareceram em 1999 e 2012, respectivamente. O sorotipo 1 (P1) é o que tem causado os casos de poliomielite nos últimos anos em países endêmicos (Afeganistão e Paquistão). Além desses tipos selvagens, a poliomielite pode ser causada por um poliovírus derivado da vacina pólio oral (VDPV), quando o vírus vacinal excretado no ambiente, apesar de enfraquecido, readquire a capacidade de causar a doença, levando a surtos em locais onde há baixa cobertura vacinal.

Devido a isto, para manter o país livre da poliomielite, conforme a orientação da OMS, progressivamente a VOP foi retirada do calendário da criança e, desde novembro de 2024, as crianças recebem apenas a vacina pólio inativada (VIP) aos 2, 4 e 6 meses, com uma dose de reforço aos 15 meses. A VIP não causa poliomielite porque não é uma vacina viva. Então, no Brasil, a vacina pólio oral não é mais administrada. No entanto, o Zé Gotinha não se aposentou; ele é um símbolo das Campanhas Nacionais de Vacinação.

Há um esforço mundial para a erradicação da poliomielite, ou seja, para que o poliovírus não seja mais detectado, não circule mais e não ocorram mais casos da doença. O trabalho constante das equipes de saúde para garantir a vacinação mesmo em locais de difícil acesso, como locais acometidos por catástrofes naturais, enchentes, terremotos, ou guerras, é louvável. Em nosso meio, tem sido observada, desde 2016, uma queda progressiva na cobertura vacinal para poliomielite, assim como para outras vacinas, o que se agravou durante a pandemia da Covid-19. As campanhas de multivacinação para atualização vacinal são importantes para melhorar estes números.

É importante mantermos altas coberturas vacinais, porque se houver casos de pólio provenientes de outros países (casos importados), pode haver disseminação do vírus entre as crianças não vacinadas e surgirem casos após 36 anos sem registro de poliomielite em nosso país.

Então, neste Dia Mundial de Combate à Poliomielite, devemos lembrar da vacinação como medida fundamental para a prevenção de casos de pólio, uma doença que pode ser grave e deixar sequelas permanentes, e que está caminhando para a erradicação.

 

Saiba mais:

  1. World Health Organization Weekly epidemiological record. Polio vaccines: WHO position paper – June 2022; 97: 277-300.
  2. World Health Organization. Highlights of new wild poliovirus and cVDPV positives reported globally this week. Disponível em: application/pdf 44_Polio_Global_update_02Nov2022_.pdf — 1433 KB.
  3. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” – Divisão de Imunização. Documento Técnico: Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite e Multivacinação para Atualização da Caderneta de Vacinação da Criança e do Adolescente. 03/08/2022. Estado de São Paulo. Disponível em: https://www.cosemssp.org.br/wp-content/uploads/2022/08/Documento-Tecnico-Campanha-Polio-e-Multi_03-08-2022.pdf. Acesso em 05/12/2022.

 

Relatora:
Alessandra Ramos
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

 

 

 

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Vacina é vida: um ato de amor e responsabilidade! https://spsp.org.br/vacina-e-vida-um-ato-de-amor-e-responsabilidade/ Fri, 17 Oct 2025 11:25:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53655 Em 17 de outubro comemoramos o Dia Nacional da Vacinação. A data acende um alerta, especialmente frente às dificuldades que temos enfrentado em escala crescente, desde a pandemia]]>

Em 17 de outubro comemoramos o Dia Nacional da Vacinação. A data acende um alerta, especialmente frente às dificuldades que temos enfrentado em escala crescente, desde a pandemia da Covid-19, em relação aos movimentos antivacinas.

Muitas informações falsas têm circulado e assustado os pais, e quando essas declarações vêm de líderes políticos ou profissionais de saúde sem embasamento em literatura científica ou dados mundiais de farmacovigilância, a situação se torna ainda mais preocupante em relação à importância da prevenção por meio da vacinação.

Importante lembrar que a imunização não se trata apenas de uma ação individual e sim coletiva. Vacinar traz consigo amor-próprio e amor ao próximo. Sim, porque a vacina protege quem a recebe e também quem está ao redor e que, por razões variadas, não pode receber a vacina, como bebês em determinadas faixas etárias, pessoas que fazem tratamento oncológico ou reumatológico e idosos.

Muitos pais não sabem, mas a vacinação é apontada como o segundo maior avanço da humanidade em termos de saúde pública, atrás apenas da ampliação da oferta de água potável.

Hoje, vivemos num mundo onde a mortalidade infantil por doenças imunopreveníveis diminuiu de forma significativa, aumentando a nossa expectativa de vida e gerando uma falsa sensação de segurança.

O processo de combate às mortes infantis é ainda mais preocupante frente à queda na cobertura vacinal no Brasil e no mundo, que se agravou no período pós-pandemia.

Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), diversas estratégias foram implementadas para reduzir a mortalidade infantil e ampliar a expectativa de vida da população. Nesse processo, a política de vacinação, conduzida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), e apoiada pelas Sociedades Científicas, como a Sociedade de Pediatria de São Paulo, Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações, desempenhou papel central, assegurando avanços significativos na qualidade de vida de crianças, adolescentes e suas famílias em todo o Brasil. Além disso, o setor privado de vacinação, bastante qualificado no país, reforça a possibilidade de melhorar a proteção individual, além da proteção coletiva.

Apesar desses resultados, doenças como a poliomielite e o sarampo ainda preocupam, pois são endêmicas em outros países, o que reforça a necessidade de mantermos elevadas coberturas vacinais em todo o território nacional, pois a globalização traz consigo risco de contágio na população não vacinada ou incompletamente vacinada.

Mitos e inverdades precisam ser combatidos com informações seguras e científicas, pois representam risco de adoecimento, sequelas e mortes nas famílias, principalmente “fake news” que relacionam vacinas ao autismo e a outras doenças causadas pelas vacinas de RNAm, vacinas preventivas do câncer, presença de mercúrio ou alumínio nas formulações, sobrecarga do sistema imunológico, entre outras.

Nesse Dia Nacional da Vacinação é importante reforçarmos que:

  • Inúmeros estudos científicos bem conduzidos comprovam que não há relação entre nenhuma vacina e o transtorno do espectro autista (TEA), como é conhecido o autismo. O trabalho publicado que deu origem a essa questão foi contestado pela comunidade científica por ter graves falhas metodológicas, sendo o autor acusado de fraudar informações apresentadas no estudo e receber pagamento de escritórios de advocacia envolvidos em processos por compensação de danos vacinais. O autor teve seu registro cassado e a revista Lancet excluiu o trabalho de seus arquivos e a maioria dos colaboradores solicitou a retirada de seus nomes da publicação. Apesar de todas as evidências científicas, grupos antivacinistas ainda reproduzem o discurso, que induz muitas famílias à hesitação ou à recusa vacinal.
  • A relação entre o timerosal, substância à base de mercúrio presente em vacinas multidoses desde 1930, e o autismo, também foi amplamente investigada e descartada. O tipo de composto utilizado (etilmercúrio) é degradado e expelido rapidamente do organismo, portanto, não acumula nos órgãos ou corpo, nem traz qualquer prejuízo à saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS), a Food and Drugs Administration (FDA), a Academia Americana de Pediatria (AAP), entre outros regulatórios, já emitiram posicionamentos positivos sobre a segurança do timerosal nas vacinas.
  • Compostos de alumínio, utilizados como adjuvante em algumas vacinas inativadas, não estão associados ao aumento do risco de distúrbios do neurodesenvolvimento, doenças autoimunes crônicas ou quadros alérgicos e atópicos. Vale destacar que a exposição humana ao alumínio é frequente, uma vez que o metal está presente no solo, em chás e ervas, temperos, utensílios de cozinha, latinhas de bebidas, creme dental, cosméticos e até mesmo na água tratada.
  • O uso de vacinas combinadas e a aplicação de várias vacinas no mesmo momento para prevenção de mais de uma doença não é capaz de sobrecarregar o sistema imunológico. O número de antígenos com o qual o organismo entra em contato devido à vacinação é muito inferior à exposição que acontece naturalmente no dia a dia.
  • A vacina contra hepatite B administrada já nas primeiras horas após o nascimento tem o objetivo de evitar a doença caso o vírus seja transmitido da mãe para o filho durante a gestação, parto ou por meio da amamentação. Nove entre dez recém-nascidos infectados pelo vírus da hepatite B, não vacinados, desenvolvem a forma crônica da doença, que pode evoluir com gravidade e levar à cirrose ou ao câncer de fígado, geralmente na adolescência ou vida adulta.
  • Vacinas de RNAm não alteram o cromossomo nem o DNA das pessoas. Elas usam uma molécula de RNA mensageiro envolta em pequenas partículas de gordura, para levar instruções às células e gerar uma resposta imunológica.

Apesar da tecnologia de RNA mensageiro ser estudada há décadas, a aplicação dela só teve repercussão mundial quando foi utilizada para a produção da vacina Covid-19, criando especulações e desinformação. A vacinação contra a Covid-19 teve grande impacto na redução da morbimortalidade da doença, evitando milhares de óbitos e internações no mundo, desde a sua introdução no ano de 2021.

Mas a função do RNA mensageiro vai além; a tecnologia abre a perspectiva de que vários tipos de câncer que não respondem bem aos tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia, Aids, doenças genéticas raras ou outros distúrbios associados a proteínas ausentes ou que não funcionem corretamente possam ser tratados.

 

Avaliação das coberturas vacinais

A análise recente das coberturas vacinais evidencia avanços significativos no país, com destaque para o período a partir de 2023, quando se observou incremento consistente em diversas vacinas ofertadas para os menores de 2 anos, porém ainda precisamos melhorar.

Esses progressos reforçam a pertinência das ações realizadas, como também a oportunidade estratégica para ampliar o acesso, reduzir desigualdades e assegurar maior homogeneidade das coberturas vacinais no país.

 

Objetivos principais do Dia Nacional da Vacinação:

  • Ampliar o acesso da população de crianças e adolescentes à vacinação, conforme o Calendário Nacional de Vacinação;
  • Contribuir na redução da incidência das doenças imunopreveníveis;
  • Enfrentar a hesitação vacinal com ações de comunicação e mobilização social;
  • Oportunizar a vacinação contra epidemias (febre amarela, dengue, sarampo, etc.) em locais de risco;
  • Possibilitar o resgate de crianças e adolescentes não vacinados;
  • Proporcionar a vacinação de adultos e idosos, especialmente quando acompanham as crianças ao posto de vacinação;
  • Monitorar casos de doenças imunopreveníveis já erradicadas no mundo;
  • Manter o status de eliminação da poliomielite e do sarampo no Brasil e no mundo;
  • Realizar o monitoramento da segurança das vacinas;
  • Combater informações falsas, oferecendo referências científicas acessíveis e claras para tranquilizar a população.

O Dia Nacional da Vacinação é uma excelente oportunidade para relembrarmos quantas vidas têm sido salvas, quantas sequelas têm sido evitadas, quanto sofrimento e preocupação desapareceram, desde que as vacinas surgiram.

 

Relatora:

Silvia Bardella
Pediatra e Infectopediatra
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

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Vacina BCG: história e sua importância na luta contra a tuberculose https://spsp.org.br/vacina-bcg-historia-e-sua-importancia-na-luta-contra-a-tuberculose/ Tue, 01 Jul 2025 16:19:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52062 O Dia da Vacina BCG é celebrado em 1º de julho e chama atenção para o papel crucial dessa vacina na prevenção das formas graves da tuberculose]]>

O Dia da Vacina BCG é celebrado em 1º de julho e chama atenção para o papel crucial dessa vacina na prevenção das formas graves da tuberculose. Desenvolvida em 1921 pelos cientistas Albert Calmette e Camille Guérin, ela é uma das vacinas mais antigas ainda em uso e desempenha uma função vital na saúde pública, especialmente em países onde a doença é endêmica.

A tuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), é uma doença infecciosa que se transmite pelo ar. Embora afete principalmente os pulmões, pode comprometer outros órgãos, levando a casos clínicos graves. 

Por que a BCG é tão importante?

A BCG é aplicada principalmente em recém-nascidos e protege contra formas severas da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar em crianças. Em média, previne cerca de 82% dos casos graves, sendo essencial para reduzir complicações e a mortalidade infantil. 

No Brasil, a vacina foi incluída no Calendário Nacional de Vacinação em 1977 e está disponível gratuitamente nos postos de saúde. A recomendação é que seja administrada logo após o nascimento ou até os 30 dias de vida. A aplicação é feita no braço direito, diretamente na camada intradérmica.

Efeitos esperados após a vacinação

É comum que, vários dias até semanas após a vacinação, o local apresente vermelhidão, apareça uma pequena ferida e, eventualmente, deixe uma cicatriz. Esse processo pode levar até três meses para cicatrizar totalmente. Caso ocorra, basta lavar com água e sabão e evitar coçar a área. 

Aproximadamente 90% das pessoas desenvolvem algum tipo de reação no local, mas isso não significa que quem não observa as alterações (os 10%) esteja sem proteção. Por isso, nesses raros casos em que a marquinha não ocorreu não é indicada a revacinação. 

Vale lembrar que a vacina não deve ser aplicada em bebês com imunodeficiências graves. Nesse caso, os testes de triagem neonatal (teste do pezinho básico com pesquisa para as imunodeficiências), além de avaliações cuidadosas são indispensáveis quando há histórico familiar de imunodeficiências.

Impacto no combate à tuberculose

A comemoração do Dia da Vacina BCG reforça a relevância da vacinação como ferramenta para salvar vidas e prevenir doenças graves. Além disso, a data serve para lembrar a importância dos programas de vacinação e promover o desenvolvimento de soluções ainda mais eficazes para erradicar a tuberculose. 

No Brasil, os números da tuberculose são alarmantes: cerca de 70 mil novos casos e 4,5 mil mortes ocorrem a cada ano. Por isso, a BCG permanece como recurso fundamental para a proteção das crianças, evitando formas agressivas da doença.

Vacina BCG: uma proteção para o futuro

A vacinação é um ato de amor e cuidado. Ao proteger nossas crianças contra a tuberculose, estamos oferecendo a elas a chance de crescerem saudáveis e livres dos riscos dessa doença tão severa.

Vacinas salvam vidas!  

Saiba mais sobre a vacina BCG e a prevenção da tuberculose:

Relatora:
Melissa Palmieri

Membro dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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O desafio das coberturas vacinais e o fenômeno da hesitação https://spsp.org.br/o-desafio-das-coberturas-vacinais-e-o-fenomeno-da-hesitacao/ Mon, 09 Jun 2025 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51618 Introdução O Dia Nacional da Imunização é celebrado em 9 de junho, tendo por objetivo conscientizar a população sobre a importância da vacinação para a prevenção de doen]]>

Introdução

O Dia Nacional da Imunização é celebrado em 9 de junho, tendo por objetivo conscientizar a população sobre a importância da vacinação para a prevenção de doenças e a proteção da saúde individual e coletiva. A queda nas taxas de coberturas vacinais (CV) na infância traz enormes preocupações para todos os países, com risco de retorno de doenças já controladas e eliminadas, como o sarampo, a difteria e até a poliomielite.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que dados oficiais apontaram que 23 milhões de crianças não receberam as vacinas básicas por meio dos serviços de vacinação de rotina em 2020, representando 3,7 milhões a mais do que em 2019-20. Outro aspecto a ser considerado é a heterogeneidade das CV nos mais de 5.500 municípios do Brasil. Bolsões de baixas coberturas não favorecem o controle das doenças. A homogeneidade de coberturas para os anos de 2015 a 2018 foi baixa em todo o período, com tendência decrescente para cada vacina. Somam-se a esses fatores os desafios de uma vacinação oportuna, ou seja, que as vacinas sejam aplicadas nas idades preconizadas sem atrasos e sem interrupções do esquema vacinal.1

 

Possíveis causas para a queda das coberturas vacinais

A redução nas taxas de vacinação tem sido atribuída a diversos fatores, que em um país continental como o Brasil deve ser compreendida em suas diferentes regiões e particularidades; entretanto, destacam-se como as principais razões: perda de percepção de risco para doenças que já não fazem mais parte de nossa rotina, desabastecimento frequente de algumas vacinas, horários de funcionamento dos postos de saúde que não atendem mais às necessidades de famílias que trabalham, a própria complexidade do calendário vacinal, com grande número de visitas necessárias para seu adequado cumprimento, entre outros. Além do surgimento de grupos antivacinas, que disseminam notícias falsas sobre a segurança e a efetividade dos imunizantes.2

Principais causas das baixas coberturas vacinais no Brasil:

  • Crenças em práticas alternativas de saúde e em falsas contraindicações.
  • Controle eficiente das doenças imunopreveníveis, que promove uma falsa sensação de segurança e desestimula a procura pela vacinação.
  • Medo dos eventos adversos.
  • Oportunidades perdidas de vacinação.
  • Problemas relacionados ao abastecimento de algumas vacinas.
  • Percepção equivocada de parte da população de que as doenças desapareceram.
  • Desconhecimento sobre quais vacinas fazem parte do calendário de vacinação.
  • Receio de que o número elevado de vacinas “sobrecarregue” o sistema imunológico.
  • Falta de tempo dos pais para levar as crianças aos postos de vacinação.
  • Notícias disseminadas pelas redes sociais e outros meios de comunicação capazes de promover a perda da credibilidade nas vacinas e mesmo notícias falsas sobre vacinação (fake news).

 

Coberturas vacinais na pandemia da Covid-19

As taxas de CV, que já vinham em queda, tiveram forte impacto negativo com a pandemia da Covid-19. As atenções e a sobrecarga do sistema de saúde voltadas à pandemia, e também o receio da população em frequentar serviços de vacinação, foram determinantes para que a procura pela vacinação fosse deixada em segundo plano.3 A análise dos dados evidenciou, em 2020, um decréscimo nos índices de CV para todas as vacinas do calendário infantil na vigência da pandemia, comparado ao ano imediatamente anterior, embora as CV para a vacina pentavalente tenham sido incrementadas em função do desabastecimento da vacina no ano anterior.

As coberturas vacinais (CV) no Brasil para as vacinas do calendário da criança vêm se elevando nos últimos anos, com recuperação para quase todas elas. Em nosso país, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), em seus quase 50 anos de existência, tornou-se modelo, com constantes incorporações de novas vacinas, grande capilaridade, dinamismo, gratuidade e grande credibilidade e confiança conquistadas desde sua criação.4,5

O PNI foi criado em 1973, abrindo uma nova etapa na história das políticas de Saúde Pública no campo da prevenção, ano em que foi declarada a erradicação da varíola nas Américas, por ocasião da 22ª Reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).7

O envolvimento das três esferas da gestão, no planejamento, capacitação, infraestrutura e logística foi capaz de permitir que na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) chegassem vacinas de qualidade, o que gerou credibilidade por parte população.4,5

O PNI, com suas mais de 38 mil salas de vacinas, distribuídas por todo o país, foi responsável pela erradicação da varíola, contribuiu para a eliminação da poliomielite, a interrupção da transmissão do sarampo e da rubéola, a eliminação do tétano materno-neonatal, a redução da incidência de difteria, coqueluche, meningite causada por H. influenzae tipo b, tétano, tuberculose em menores de 15 anos de idade, além da redução significativa nas taxas de mortalidade infantil no Brasil.8

O esquema vacinal da criança inclui hoje, no PNI, 13 vacinas contra 19 diferentes doenças, segundo o calendário proposto pelo Ministério da Saúde (Tabela 1).7

 

Tabela 1. Vacinas disponibilizadas pelo PNI para crianças nos dois primeiros anos de vida, Brasil 2022

Hesitação vacinal

A hesitação vacinal refere-se à demora em aceitar ou à recusa das vacinas, apesar da disponibilidade nos serviços de vacinação. É um fenômeno complexo e específico em seu contexto, variando ao longo do tempo, lugar e vacinas. Com a pandemia da Covid-19, veio a infodemia, definida como uma epidemia de informações precisas ou imprecisas, que se disseminam de forma rápida e abrangente, como uma doença digitalmente transmissível. À medida que fatos, rumores e medos se misturam e se dispersam, torna-se difícil para as pessoas encontrarem fontes e orientações confiáveis quando precisam.

Os riscos da desinformação para os programas de vacinação nunca foram tão elevados, assim como o risco de reemergência de doenças imunopreveníveis. A atitude dos médicos e de outros profissionais de saúde em relação à vacinação influencia seus pacientes e afeta a decisão da população em se vacinar. A recomendação médica foi e continua sendo importante fator de adesão da população à vacinação.

 

Conclusões

A recuperação de elevadas e homogêneas CV é crucial para a manutenção do controle e eliminação de diversas doenças imunopreveníveis. As conquistas obtidas pelos extensos programas de vacinação são marcos fundamentais da saúde pública. A pandemia da Covid-19 agravou a situação da queda nas taxas de vacinação e todos os esforços para a sua recuperação devem ser realizados.

São urgentes no país as ações para aumentar a imunização infantil e sustentá-la em um patamar elevado, sendo fundamental a participação de todos os profissionais da saúde em avaliar, na sua prática diária, a situação vacinal de todo indivíduo, estimulando e fomentando o conhecimento sobre vacinas, aumentando a adesão de todos aos programas de vacinação. O combate à desinformação é ferramenta crucial na recuperação da confiança da população nas vacinas.

 

Saiba mais:

  1. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Pandemia de covid-19 leva a grande retrocesso na vacinação infantil, mostram novos dados da OMS e UNICEF. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/pandemia-de-covid-19-alimenta-o-maior-retrocesso-continuo-nas-vacinacoes-em-tres-decadas. Acesso em setembro 2022.
  2. Domingues CMAS, Maranhão AGK, Teixeira AM, Fantinato FFS, Domingues RAS. 46º ano do Programa Nacional de Imunizações: uma história repleta de conquistas e desafios a serem superados. Cad Saúde Pública. 2020;36(2):e00222919.
  3. Teixeira AMS et al. Desafios das coberturas vacinais de rotina em tempos de pandemia: como enfrentar? In: Kfouri RA, Guido L. Controvérsias em Imunizações, 2021.
  4. Conselho Nacional de Secretária de Saúde. A queda na Imunização no Brasil. Rev Consensus/Saúde em Foco. 2017;25. Disponível em: https//conass.org.br. Acesso em: setembro 2022.
  5. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações. 2003. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/ bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes. Acesso em: setembro 2022.
  6. Sato APS. Pandemia e coberturas vacinais: desafios para o retorno às escolas. Rev Saúde Pública. 2020;54:115.
  7. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Programa Nacional de Imunizações (PNI): 40 anos. 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/ bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes_pni40.pdf.
  8. Braz RM, Teixeira AMS, Domingues CMAS. O Programa Nacional de Imunizações e a cobertura vacinal: histórico e desafios atuais. In: Barbieri CLA, Martins LC, Pamplona YAP. Imunização e cobertura vacinal: passado, presente e futuro. Santos, Editora Universitária Leopoldianum, 2021.
  9. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-de-vacinacao. Acesso em setembro 2022.

 

Relator:
Renato de Ávila Kfouri
Pediatra Infectologista
Presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Vice-Presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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