Ginecologia e Obstetrícia – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 03 Sep 2026 19:32:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Ginecologia e Obstetrícia – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Um dia para celebrar e cuidar da gestante  https://spsp.org.br/um-dia-para-celebrar-e-cuidar-da-gestante/ Sat, 15 Aug 2026 14:57:19 +0000 https://spsp.org.br/?p=58338 O dia 15 de agosto é dedicado à saúde e ao bem-estar das gestantes. Instituído pela Lei Estadual nº 10.822/2001 em São Paulo, o Dia da Gestante logo ganhou reconhecimento nacional. Recentemente, a Lei Federal nº 15.221/25 reforçou essa data ao instituir a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, celebrada anualmente na semana do dia 15 de agosto. A legislação tem como principais metas:  ● Divulgar os direitos e cuidados relacionados à saúde da mulher durante a gestação, o parto, o pós-parto e a primeira infância, com ênfase nos primeiros mil dias de vida do bebê  ● Valorizar o cuidado paterno e o envolvimento da família nesse momento tão especial ● Incentivar a amamentação, reconhecendo seus benefícios para a saúde da mãe e do bebê ● Prevenir acidentes domésticos e combater a exposição precoce das crianças a telas e a alimentos que contribuem para a obesidade, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. As consultas periódicas permitem identificar precocemente possíveis complicações e garantir um parto mais seguro. Toda gestante tem direitos garantidos por lei, incluindo: Assistência humanizada durante a gestação, pré-parto, parto e puerpério; Licença-maternidade e garantia de vínculo empregatício; Atendimento prioritário e reserva de assentos preferenciais em locais públicos e Acesso a um pré-natal de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A nova lei destaca a importância de prevenir a obesidade infantil desde os primeiros dias de vida. Durante a gestação, é essencial manter uma alimentação equilibrada, com orientação médica, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para problemas de saúde futuros. O Dia da Gestante é uma oportunidade para celebrar a vida, mas também para refletir sobre a importância dos cuidados adequados durante esse período transformador.  Informe-se, cuide-se e compartilhe essas orientações com outras gestantes. A gestação é um momento único, e cada gestante merece vivenciá-lo com saúde, respeito e acolhimento. Relator: Theo LernerPresidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP]]>

O dia 15 de agosto é dedicado à saúde e ao bem-estar das gestantes. Instituído pela Lei Estadual nº 10.822/2001 em São Paulo, o Dia da Gestante logo ganhou reconhecimento nacional. Recentemente, a Lei Federal nº 15.221/25 reforçou essa data ao instituir a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, celebrada anualmente na semana do dia 15 de agosto.

A legislação tem como principais metas: 

● Divulgar os direitos e cuidados relacionados à saúde da mulher durante a gestação, o parto, o pós-parto e a primeira infância, com ênfase nos primeiros mil dias de vida do bebê 

● Valorizar o cuidado paterno e o envolvimento da família nesse momento tão especial

● Incentivar a amamentação, reconhecendo seus benefícios para a saúde da mãe e do bebê

● Prevenir acidentes domésticos e combater a exposição precoce das crianças a telas e a alimentos que contribuem para a obesidade, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. As consultas periódicas permitem identificar precocemente possíveis complicações e garantir um parto mais seguro.

Toda gestante tem direitos garantidos por lei, incluindo: Assistência humanizada durante a gestação, pré-parto, parto e puerpério; Licença-maternidade e garantia de vínculo empregatício; Atendimento prioritário e reserva de assentos preferenciais em locais públicos e Acesso a um pré-natal de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A nova lei destaca a importância de prevenir a obesidade infantil desde os primeiros dias de vida. Durante a gestação, é essencial manter uma alimentação equilibrada, com orientação médica, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para problemas de saúde futuros.

O Dia da Gestante é uma oportunidade para celebrar a vida, mas também para refletir sobre a importância dos cuidados adequados durante esse período transformador. 

Informe-se, cuide-se e compartilhe essas orientações com outras gestantes.

A gestação é um momento único, e cada gestante merece vivenciá-lo com saúde, respeito e acolhimento.

Relator:

Theo Lerner
Presidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP

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Revista Crescer – Coceira na gravidez, com Coríntio Mariani Neto https://spsp.org.br/revista-crescer-coceira-na-gravidez-com-corintio-mariani-neto/ Thu, 13 Aug 2026 19:28:53 +0000 https://spsp.org.br/?p=58887 Veículo: Revista Crescer

Data: 13/08/2026

A revista Crescer entrevistou o ginecologista e obstetra Coríntio Mariani Neto, membro do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP, para falar sobre o tema coceira na gravidez. O médico explicou que a coceira é comum durante a gestação e pode estar relacionada às alterações hormonais, fazendo com que ela possa aparecer em diferentes regiões do corpo e mudar ao longo da gravidez. De acordo com o especialista, na maioria das vezes algumas medidas simples ajudam a aliviar o desconforto, como a hidratação diária da pele e também evitar banhos muito quentes e produtos que possam ressecar ou irritar ainda mais a pele.

Leia mais: https://revistacrescer.globo.com/gravidez/noticia/2026/08/isa-scherer-relata-coceira-na-gravidez-entenda-o-que-e-normal-e-quando-investigar.ghtml

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Informação que protege o futuro https://spsp.org.br/informacao-que-protege-o-futuro/ Sun, 01 Feb 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54904 ]]>

A gravidez na adolescência ainda é um tema de grande relevância, tanto pelos impactos na vida dos adolescentes e de suas famílias, quanto pelos possíveis riscos à saúde do bebê e da própria adolescente. Apesar da redução observada nos últimos anos, os índices continuam elevados: estima-se uma média de 43,6 nascimentos por mil adolescentes entre 15 e 19 anos, número quase duas vezes maior que o observado em países de renda média-alta.

A adolescência é um período marcado por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Quando a gravidez ocorre nessa fase, surgem desafios importantes, como a interrupção dos estudos, o afastamento do convívio social, dificuldades financeiras e responsabilidades precoces relacionadas à criação e aos cuidados com uma criança.

Assumir a maternidade ou a paternidade exige tempo, apoio emocional e condições adequadas para garantir o desenvolvimento saudável do bebê. Além disso, o adolescente precisa lidar com mudanças significativas na rotina, nos projetos de vida e nas relações sociais. Por isso, a prevenção é fundamental.

O acesso à informação correta e de qualidade sobre sexualidade, métodos contraceptivos e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) contribuem para que os jovens façam escolhas mais conscientes e responsáveis.

A orientação para a prevenção da gravidez precoce na adolescência começa na infância. Familiares que dialogam com os filhos sobre o exercício da sexualidade – prevenção de abuso, primeiras impressões sobre namoro ou sobre o gostar, os primeiros contatos com a intenção de paquera ou “crush”, intimidade com responsabilidade – tendem a lidar melhor com o que chamamos de primeiras experiências no exercício da sexualidade humana.

E elas são precoces em alguns adolescentes. A temática da criação de filhos com escuta e autocuidado está relacionada a maior responsabilidade afetiva de meninos e meninas no início da adolescência.

Dessa maneira, a prevenção da gravidez envolve o cuidado e a responsabilidade de meninos e meninas na jornada do adolescer com saúde. O convívio familiar e a parentalidade consciente traduzem todo o caminho que o jovem irá trilhar de sua sexualidade, inclusive para aqueles que pretendem não exercer a sexualidade em sua vida.

Um aspecto importante da prevenção é a dupla proteção, que consiste no uso do preservativo associado a outro método contraceptivo. Essa estratégia é eficaz tanto na prevenção da gravidez não planejada quanto das ISTs, promovendo maior segurança e cuidado com a saúde.

Também é essencial que o diálogo sobre sexualidade aconteça em diferentes ambientes sociais – escola, nos serviços de saúde e na comunidade – de forma clara, responsável e acolhedora.

Falar sobre o tema sem preconceito e sem pudor excessivo fortalece a confiança, estimula o autocuidado e favorece decisões mais seguras.

Durante a Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que acontece de 1º a 8 de fevereiro, reforçamos a importância da educação em saúde, do diálogo aberto entre adolescentes, famílias, escolas e serviços de saúde, além do apoio àqueles que já vivenciam essa realidade.

Prevenir é cuidar do presente e investir no futuro dos nossos jovens e das próximas gerações.

 

Relatoras:
Mariana Telles de Castro
Carolina Maria Soares Cresciulo
Departamento Científico de Adolescência da SPSP

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Sífilis na gestante e sífilis congênita: a urgência da prevenção materno-fetal https://spsp.org.br/sifilis-na-gestante-e-sifilis-congenita-a-urgencia-da-prevencao-materno-fetal/ Sat, 18 Oct 2025 12:04:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53680 A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora seja uma doença com tratamento]]>

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora seja uma doença com tratamento simples e eficaz (geralmente com penicilina), sua presença durante a gestação representa um grave risco para a saúde do bebê, podendo levar à sífilis congênita.

 Sífilis na gestante: um risco silencioso

Quando a sífilis afeta a gestante, a bactéria pode atravessar a placenta em qualquer fase da gravidez e infectar o feto. Muitas vezes, a sífilis materna pode ser assintomática ou apresentar sintomas leves (como feridas ou manchas na pele, que desaparecem sozinhas), levando a gestante a desconhecer a infecção. Isso torna o rastreamento pré-natal uma etapa crucial.

As consequências da sífilis não tratada na gestação são sérias e incluem:

  • Abortamento espontâneo ou natimorto (morte fetal).
  • Parto prematuro.
  • Hidropsia fetal (acúmulo de líquido em vários órgãos do feto).

 

Sífilis congênita: as consequências para o bebê

A sífilis congênita ocorre quando o bebê é infectado pela mãe durante a gestação. A doença pode se manifestar de diversas formas e em diferentes momentos após o nascimento.

Em alguns casos, o bebê pode nascer sem sinais visíveis da doença. No entanto, sem tratamento adequado, a sífilis congênita pode causar lesões graves e irreversíveis, como:

  • Problemas ósseos e articulares.
  • Anemia e icterícia (pele e olhos amarelados).
  • Neurossífilis (infecção do sistema nervoso central), podendo causar meningite.
  • Alterações dentárias e oftalmológicas (visão).
  • Surdez ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, manifestando-se anos após o nascimento.

 

A importância crítica da prevenção materno-fetal

A transmissão da sífilis da mãe para o bebê é totalmente evitável. A prevenção reside em três pilares fundamentais: diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento do parceiro.

  1. Diagnóstico oportuno e universal:
    • Toda gestante deve ser testada para sífilis já na primeira consulta do pré-natal.
    • O teste deve ser repetido no segundo e no terceiro trimestres da gestação e, novamente, no momento do parto. O teste rápido, de resultado imediato, é uma ferramenta essencial para o diagnóstico rápido em qualquer nível de atenção à saúde.
  2. Tratamento imediato e adequado:
    • Uma vez diagnosticada, a gestante deve ser tratada imediatamente com o esquema correto de penicilina benzatina, a única medicação que garante a cura materna e a prevenção da infecção fetal.
    • É imprescindível que o parceiro sexual também seja testado e tratado simultaneamente para evitar a reinfecção da gestante.
  3. Acompanhamento pós-tratamento:
    • A gestante e o parceiro devem ser acompanhados com exames de controle para monitorar a resposta ao tratamento e garantir a cura.
    • A efetividade do tratamento materno é o fator-chave para que o bebê nasça sem sífilis congênita.

Neste Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro, é importante enfatizar que a luta contra a sífilis congênita passa necessariamente pela qualidade da assistência pré-natal. Garantir que todas as gestantes sejam testadas, tratadas de forma completa e imediata, juntamente com o tratamento de seus parceiros, é a estratégia mais eficaz para que os bebês nasçam saudáveis e livres das consequências devastadoras dessa doença.

 

Relatora:

Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Coordenadora do Grupo de Trabalho da Prevenção e Tratamento da Sífilis Congênita da SPSP
Membro do Departamento Científico de Neonatologia da SPSP

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Importância do pré-natal https://spsp.org.br/importancia-do-pre-natal/ Fri, 15 Aug 2025 18:19:14 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52754 ]]>

No Dia da Gestante, celebrado em 15 de agosto, é imprescindível abordarmos a importância do pré-natal para a mãe e seu bebê.

Durante a gestação, a mulher passa por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, que podem influenciar o seu bem-estar e o desenvolvimento do bebê. O pré-natal é uma oportunidade valiosa para monitorar a saúde da gestante, detectar precocemente possíveis complicações e promover hábitos saudáveis em benefício tanto da mãe quanto da criança.

Nas consultas periódicas, o obstetra avalia o progresso da gravidez, solicita e analisa o resultado de exames laboratoriais e de imagem e oferece orientações sobre nutrição, atividade física e bem-estar emocional, entre outros. A detecção precoce de condições como anemia, diabetes gestacional, hipertensão arterial ou infecções pode ser decisiva para a saúde do binômio mãe-bebê, pois muitos problemas podem ser tratados de forma eficaz se identificados a tempo.

O pré-natal também tem papel educativo. Durante as consultas, as gestantes devem ser informadas sobre as mudanças que ocorrem em seus corpos, os cuidados necessários para uma gestação saudável e os sinais de alerta a serem observados. Isso contribui para as mães se sentirem mais seguras e preparadas para enfrentar os desafios da gravidez e do parto. A orientação sobre a importância da alimentação equilibrada, do repouso adequado e da prática de atividades físicas seguras é essencial para a manutenção da saúde.

A gravidez é um período repleto de ansiedades e preocupações, e o apoio psicológico é fundamental para ajudar a gestante a lidar com essas questões. Profissionais de saúde podem oferecer suporte emocional, abordando temas como o medo do parto e a adaptação à nova vida. Isso é particularmente importante, pois a saúde mental da mãe está diretamente relacionada ao desenvolvimento do bebê.

Durante o pré-natal, é importante que seja elaborado um “plano de parto”, uma ferramenta importante que permite que a gestante expresse suas preferências sobre o trabalho de parto e o nascimento. Durante as consultas de pré-natal, as gestantes podem discutir suas expectativas e preocupações com o obstetra, incluindo opções de alívio da dor, preferências sobre intervenções, ambiente do parto, cuidados imediatos com o bebê, como o contato pele a pele e a amamentação logo após o nascimento. Ter um plano de parto ajuda a gestante a se sentir mais segura e preparada, além de facilitar a comunicação com a equipe da maternidade.

Por outro lado, é importantíssimo que a grávida siga as recomendações médicas. Isso inclui não apenas comparecer às consultas de pré-natal, mas também seguir as orientações sobre medicamentos, vacinas e hábitos de vida saudáveis. A automedicação, por exemplo, pode representar riscos sérios tanto para a mãe quanto para a criança em desenvolvimento. As gestantes devem consultar seus médicos antes de tomar qualquer medicação ou suplemento, por mais comum que seja. Do mesmo modo, a gestante deve ser informada sobre os malefícios do consumo de álcool, por menor que seja, para si mesma e, principalmente, para o bebê em desenvolvimento, e orientada a abster-se de qualquer quantidade de bebida alcoólica durante toda a gestação e a lactação.

A adesão às orientações médicas também se estende ao cuidado com a saúde bucal e à realização de exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografias. A saúde bucal, em particular, tem sido correlacionada com a saúde geral da gestante, e cuidados adequados nessa área podem prevenir problemas que afetam tanto a mãe quanto o bebê. Esses exames ajudam a monitorar o desenvolvimento do feto, permitindo que os profissionais identifiquem possíveis anomalias ou complicações.

Também é imprescindível que a gestante receba apoio da família e da comunidade. A participação do parceiro e de outros membros da família no processo de pré-natal pode promover um ambiente mais seguro e acolhedor, além de ajudar a mãe a sentir-se mais amparada. O envolvimento da família nas consultas e no aprendizado sobre o que esperar durante a gravidez e após o nascimento do bebê é fundamental para o sucesso dessa experiência.

Finalmente, lembramos a consulta pré-natal com o pediatra, que deve ocorrer por volta da 32ª semana de gestação. Ela é um complemento importante à atuação do obstetra, pois permite que os pais recebam informações essenciais sobre cuidados com o bebê, vacinas e sinais de alerta de problemas de saúde. Essa consulta ajuda a identificar riscos, proporciona orientações sobre amamentação e desenvolvimento, e estabelece um relacionamento de confiança entre os pais e o pediatra, facilitando o acompanhamento da saúde da criança desde o nascimento. Além disso, preparar os pais para os desafios iniciais da paternidade pode garantir um ambiente mais saudável e seguro para o recém-nascido.

Em outras palavras, o pré-natal e o cumprimento das recomendações médicas são essenciais para garantir a saúde da gestante e do bebê. Esses cuidados não apenas promovem um desenvolvimento saudável durante a gestação, mas também preparam a mãe para a maternidade e ajudam a estabelecer um vínculo afetivo com o recém-nascido. O pré-natal é, portanto, um investimento no futuro, pois uma gestação saudável resulta em um bebê mais forte e em melhores condições para enfrentar os desafios da vida. Assim, é fundamental que todas as gestantes tenham acesso a esses cuidados e sejam encorajadas a buscar e seguir as orientações médicas ao longo de toda a gravidez.

 

Saiba mais:

– Ministério da Saúde do Brasil. (2021). Cuidado pré-natal: manual de orientações. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://sogirgs.org.br/pdfs/manual_assistencia_gestante_2021.pdf (atualização do Manual de 2016, publicado durante a pandemia: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf)

– Organização Mundial da Saúde (OMS). (2016). Diretrizes sobre cuidados durante a gravidez e o parto. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/250800/WHO-RHR-16.12-por.pdf?sequence=2&isAllowed=y

Do original em inglês:

chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/250796/9789241549912-eng.pdf?sequence=1

 

Relator:

Corintio Mariani Neto
Membro do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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Diálogo, informação e empatia são o caminho para a prevenção de uma gravidez precoce https://spsp.org.br/dialogo-informacao-e-empatia-sao-o-caminho-para-a-prevencao-de-uma-gravidez-precoce/ Thu, 26 Jun 2025 16:09:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51994 Dia 26 de junho é o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência! Muitos acham a adolescência uma fase difícil de lidar e não imaginam]]>

Dia 26 de junho é o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência!

Muitos acham a adolescência uma fase difícil de lidar e não imaginam o que podem fazer para que mulheres não engravidem nessa fase.

A gravidez precoce, desejada ou não, tem como definição aquela que ocorre antes dos 20 anos de idade. Uma fase da vida da mulher em que mudanças físicas, psíquicas e aquisições acadêmicas definirão seu futuro.

Para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a gravidez precoce continua sendo um dos principais fatores que contribuem para a mortalidade materna e infantil e para o ciclo de doenças e pobreza.

Os fatores de risco para gravidez na adolescência são: baixa escolaridade, menor renda familiar, abandono escolar, falta de companheiro, ausência de planos para o futuro, repetição do padrão familiar (mãe que também engravidou na adolescência), início precoce da atividade sexual, baixa autoestima, abuso de álcool e outras drogas, falta de conhecimento dos métodos contraceptivos, falta de conhecimento a respeito da sexualidade.

A prevenção da gravidez na adolescência começa com educação sexual desde pequenos, dentro da família. A família representa o primeiro núcleo de socialização do indivíduo, de busca de estratégias para resolução de problemas pessoais, financeiros e espirituais; é a primeira fonte de segurança, oferecendo críticas e cobranças que podem ter efeito positivo ou negativo ao longo da vida.

Seguem algumas dicas úteis para pais, responsáveis, professores e educadores:

Em primeiro lugar, sejam empáticos, abertos ao diálogo. Ouçam com atenção o que o adolescente está falando:  deixem que ele/ela fale primeiro e observem o silêncio ou reações quando determinados assuntos aparecem.

Conversem sobre a importância do respeito com o próprio corpo, de construírem a autoimagem, de se aceitarem como são, mudando o que é possível e aceitando o que não se pode mudar, trabalhando assim a resiliência.

Estimule sempre a estudar, fazer planos para o futuro e manter a autoestima elevada.

Sejam claros, sucintos, objetivos nas perguntas e nas respostas. Não inventem, não aumentem, nem menosprezem as informações e os sentimentos.

O adolescente precisa ter direito à informação correta sobre sexualidade e acesso a métodos contraceptivos seguros e eficazes, assim como serviços de saúde confiáveis, confidenciais e acessíveis. E, junto ao médico, podem e devem saber o método de anticoncepção que mais lhes convém.

O envolvimento de pais, mães e responsáveis está ligado ao aumento do bem-estar e da autoestima de crianças e adolescentes, o que previne o consumo de álcool e outras drogas, melhora o desempenho escolar, a capacidade de socialização, diminui o risco de abandono escolar, depressão, pensamentos suicidas e gravidez na adolescência.

Exercer a sexualidade com responsabilidade pode evitar riscos de graus variáveis, como infecções sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce. O diálogo, informação, empatia e amor são o caminho para o sucesso!

 

Saiba mais:

Adolescência e sexualidade: visão atual. Coordenadores: Maria Ignez Saito et al. São Paulo: Editora Atheneu, 2016 (Série Atualizações Pediátricas).

Desafios atuais para a saúde e bem-estar dos adolescentes. Editores: Elizete Prescinotti Andrade, Elisiane Elias Mendes Machado, Alexandre Massashi Hirata. 1. edição. Rio de Janeiro: Atheneu, 2024.

 

Relatora:
Elisiane Elias Mendes Machado
Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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A todas as mulheres e meninas: Direitos. Igualdade. Empoderamento https://spsp.org.br/a-todas-as-mulheres-e-meninas-direitos-igualdade-empoderamento/ Fri, 07 Mar 2025 18:42:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50463 Neste dia 8 de março, queremos desejar, a todas as mulheres, um feliz Dia Internacional da Mulher, que em 2025 tem como tema]]>

Neste dia 8 de março, queremos desejar, a todas as mulheres, um feliz Dia Internacional da Mulher, que em 2025 tem como tema “Para todas as mulheres e meninas: Direitos. Igualdade. Empoderamento.” Celebramos, assim, mais que uma data, uma força de ser. Mulheres que cuidam, acalentam, protegem e lutam. Merecem nosso respeito as mulheres que saíram das sombras para gritar e exigir igualdade. Igualdade que ainda está distante. Por isso há aquelas mulheres incansáveis, que inspiram e aspiram por um mundo sem subserviência feminina.

Feliz Dia das Mulheres para as que, além de mulheres, são médicas! Como é difícil equilibrar vida pessoal com uma profissão com tantos desafios, cansaço e dificuldades. Somente com muita paixão e coragem conseguem encher de vida os atendimentos com empatia ímpar, transformando vidas em histórias diferentes.

Feliz Dias das Mulheres. Não apenas às médicas que passam por essas dificuldades, mas a todas as mulheres que trabalham e compartilham os mesmos obstáculos. Se em um primeiro momento a mulher conquistou a entrada no mercado de trabalho, conquistou a possibilidade de graduar-se e trabalhar, também recebeu fardos. Seguiu com o legado que algumas tarefas seriam somente dela. Seguiu com a difícil tarefa de lidar com o trabalho doméstico, só que agora cumulado com o labor profissional. Falta tempo para tudo. Faltam muitos avanços, especialmente quando se pensa em maternidade e suas naturais consequências. Falta a divisão da responsabilidade em relação à casa e aos filhos, tarefas assumidas apenas pelas mulheres, gerando injusta sobrecarga física e emocional. Urge que os homens também tenham sua equalitária parcela de responsabilidade pelo trabalho doméstico e cuidado com os filhos, saindo do cômodo papel de auxiliares, quando assim o são.

Apenas com o equilíbrio das relações poderemos celebrar plenamente o “Feliz Dia das Mulheres”.

 

Relatora:
Mônica Lopez Vazquez
Presidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Riscos da gravidez precoce para a adolescente e seu filho https://spsp.org.br/riscos-da-gravidez-precoce-para-a-adolescente-e-seu-filho/ Fri, 31 Jan 2025 17:27:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50047 A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece de 1 a 8 de fevereiro. A gravidez na adolescência é um fenômeno global que possui causas muito bem conhecidas]]>

A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece de 1 a 8 de fevereiro. A gravidez na adolescência é um fenômeno global que possui causas muito bem conhecidas, assim como consequências sociais, econômicas e para a saúde. Tende a ser maior entre aquelas de menor grau de escolaridade ou menor status econômico e, embora se verifique diminuição na taxa da primeira gravidez, essa ainda se mantém muito alta no Brasil, se comparada a países desenvolvidos.

Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ao considerar meninas entre 10 e 19 anos, o Brasil é um dos países da América Latina com a maior prevalência de gravidez na adolescência (14%), ficando atrás do Paraguai (15%), Equador e Colômbia, ambos com 18%.

A denominação mais adequada é GRAVIDEZ PRECOCE, pois acontece em uma fase da vida da mulher na qual seu organismo está num período de intensas mudanças físicas, psíquicas e sociais, e para que se desenvolva plenamente, tais mudanças precisam acontecer com o menor número possível de intercorrências – e uma gravidez é uma grande intercorrência no desenvolvimento.

Estudos recentes demonstram que a gravidez em uma mulher adulta acarreta mudanças no cérebro semelhantes às que ocorrem na adolescência. Resumidamente, há uma diminuição da substância cinzenta, entre outras alterações significativas, possivelmente mediada pelos hormônios da gravidez. Adolescentes já estão naturalmente passando por mudanças relevantes no cérebro, iniciadas na puberdade e que se estendem até 20 anos ou mais. Neste sentido, gestantes adolescentes têm uma sobreposição de estímulos hormonais no cérebro.

Figura 1. Alterações no cérebro durante a adolescência

A massa cinzenta se reduz e a massa branca aumenta, fazendo com que as conexões cerebrais sejam mais específicas e mais rápidas. Essas alterações se iniciam no início da puberdade na região posterior do cérebro (occipital) e progridem para a região frontal (região mais elaborada do cérebro).

 

Figura 2. Alterações que ocorrem no cérebro de gestantes adultas, mostrando que a substância cinzenta também diminui

Carmona et al. A comparative analysis of cerebral morphometric changes. Hum Brain Mapp. 2019 May;40(7):2143-2152

 

Riscos intrauterinos para filhos de mães adolescentes 

É possível inferir que essa sobreposição de alterações no cérebro da mãe adolescente (i.e., alterações do cérebro adolescente somadas às alterações do cérebro materno), acrescida de pressões sociais e familiares, bem como as incertezas em relação ao futuro, podem gerar um estresse muito intenso (e tóxico), afetando de forma significativa o cérebro da adolescente e do feto.

Quando a mãe está sob estresse, seu corpo libera hormônios como o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios podem atravessar a placenta e afetar o desenvolvimento do cérebro do feto, interferindo na formação de sinapses, que são as conexões entre os neurônios. Essas alterações podem impactar a comunicação neuronal e, consequentemente, o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

Crianças expostas a altos níveis de estresse intrauterino podem ter maior risco de desenvolver problemas emocionais e comportamentais, como ansiedade e dificuldades de atenção à medida que crescem. E podem apresentar um aumento da vulnerabilidade a transtornos mentais na adolescência e na idade adulta.*

Para a gestante adolescente os riscos são amplos

As adolescentes já estão naturalmente em uma fase de crescimento e desenvolvimento e a gravidez precoce pode interferir nesse processo. Elas podem enfrentar complicações como hipertensão gestacional, anemia e pré-eclâmpsia, entre outras complicações relevantes.

  1. A gravidez em adolescentes está associada a um maior risco de parto prematuro, o que pode levar a complicações para o bebê, como baixo peso ao nascer e problemas de saúde a longo prazo.
  2. As adolescentes podem ter uma taxa mais alta de abortos espontâneos, especialmente se não receberem cuidados pré-natais adequados.
  3. Muitas adolescentes podem não ter uma nutrição adequada durante a gravidez, o que pode impactar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê. Uma alimentação inadequada pode resultar em deficiências nutricionais que afetam o desenvolvimento fetal. Para a adolescente há risco de uma menor aquisição de massa óssea, o que aumenta o risco de osteoporose na pós-menopausa.
  4. A gravidez na adolescência, além de limitar o desenvolvimento social da adolescente, pode causar estresse, ansiedade e depressão. A pressão social e as mudanças na vida podem ser difíceis de lidar, resultando em problemas de saúde mental.
  5. Muitas mães adolescentes enfrentam dificuldades financeiras, falta de apoio familiar e estigmas sociais, o que pode impactar ainda mais a sua saúde e bem-estar da mãe e do bebê.
  6. A gravidez pode interromper os estudos e limitar as oportunidades de carreira da adolescente, afetando seu futuro econômico e social.
  7. Mães adolescentes têm maior chance de trabalhar do que adolescentes não grávidas; entretanto, em sua maioria são empregos informais. E se comparadas a mulheres que tiveram filhos após os 20 anos, recebem 28% menos de salário.
  8. A gravidez na adolescência pode levar ao isolamento social, com a jovem mãe se afastando de amigos e atividades sociais, o que pode aumentar a sensação de solidão e depressão.

Os pais, professores e os pediatras devem fornecer informações corretas sobre sexualidade e prevenção da gravidez precoce. Falar sobre sexualidade, prevenção de gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis não induz adolescentes a iniciarem a vida sexual mais precocemente!

Pediatras têm papel fundamental nessa prevenção: têm a capacidade de atuar na diminuição da primeira gestação precoce. Precisam orientar tanto a família quanto os adolescentes sobre métodos contraceptivos e prescrevê-los quando indicado.

A prevenção não se restringe às adolescentes: todos os adolescentes sempre devem participar dessas orientações.

As gestantes adolescentes devem ser informadas sobre seus direitos referentes aos estudos e devem ser encorajadas e apoiadas a continuar estudando.

Saiba mais:

* Prenatal developmental origins of behavior and mental health: the influence of maternal stress in pregnancy. The influence of maternal stress in pregnancy. Neuroscience and Biobehavioral Reviews. 2020;117:26-64.

Relatora:
Elizete Prescinotti Andrade
Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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HIV: Posso me infectar durante o aleitamento materno? https://spsp.org.br/hiv-posso-me-infectar-durante-o-aleitamento-materno/ Fri, 29 Nov 2024 12:31:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49228 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dia 1º de dezembro é a data escolhida para que, internacionalmente, possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids]]>

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dia 1º de dezembro é a data escolhida para que, internacionalmente, possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, recordando e ressaltando tantos avanços conseguidos no transcorrer desses 40 anos de história com o vírus e lutando contra o preconceito, estigma e discriminação das pessoas que vivem com HIV, melhorando dessa forma o entendimento da população sobre o vírus e suas repercussões, reconhecendo-o como um problema de saúde pública global.

O UNAIDS é um programa conjunto das Nações Unidas que tem como objetivo liderar e coordenar a resposta global à epidemia de HIV/Aids. O órgão publica relatórios periódicos mostrando a situação no mundo, em seus diferentes locais e as metas a serem alcançadas. Uma delas é acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030. As estatísticas mostram que infelizmente estamos longe de chegar ao nosso objetivo.

Globalmente, temos 39,9 milhões de pessoas vivendo com HIV, sendo 1,3 milhão de novas infecções em 2023. Por minuto, uma pessoa ainda morre por causas relacionadas à Aids no planeta.

Um grupo que se mostra bastante vulnerável à evolução mais complicada da doença são as crianças, em decorrência de vários fatores, como imaturidade imunológica, dependência total da família ou cuidadores para serem tratadas, menor oferta de medicações disponíveis que sejam específicas para essa faixa etária, entre outros. Sendo assim, todos os esforços devem ser feitos para que as crianças não se infectem e adoeçam.

A principal forma de infecção das crianças é a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho, que pode acontecer durante a gestação, parto ou no aleitamento materno.

Temos no Brasil hoje um protocolo de prevenção da transmissão vertical muito bem estabelecido: medicação antirretroviral para gestante durante toda a gravidez mantendo-a estável clínica e laboratorialmente, escolha da via de parto adequada, medicação para criança por 28 dias e não amamentar. Com todas essas medidas estabelecidas, a chance de uma criança se infectar é muito baixa, cerca de 0% a 3%.

Como a política pública de saúde do Brasil tem como regra a testagem de todas as gestantes durante o pré-natal e parto (envolvendo as atendidas na saúde pública ou privada), espera-se que a imensa maioria delas sejam diagnosticadas e poderão receber todo esse protocolo. Porém, um grupo que nos preocupa muito e tem aumentado é o das pessoas que são negativas para os exames de HIV na gestação e parto e se infectam durante o aleitamento materno; e sim, isso é possível!!!

Temos de lembrar que pessoas que amamentam são sexualmente ativas na imensa maioria dos casos, correndo o risco de se infectar por HIV. Isso ocorrendo, há um risco altíssimo da criança se infectar, que pode chegar a até 30% a 40%, dependendo da situação materna.

Segundo levantamento da Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, de 2019 para cá, 14,7% das infecções pelo HIV por transmissão vertical foram pelo aleitamento materno de pessoas exatamente com esse perfil, ou seja, pessoas que eram negativas e se infectaram durante o aleitamento.

Infelizmente, não temos ainda como política pública a obrigatoriedade da testagem para o HIV nas lactantes, como temos para as gestantes. A testagem regular permitiria o diagnóstico precoce das pessoas lactantes e dos bebês, podendo estes serem tratados e evitando o adoecimento.

Pensando em todo esse contexto, recomendo fortemente que pessoas em aleitamento discutam com seus médicos a possibilidade de testagem regular e mesmo de uso de outras formas de prevenção, como uso de preservativo, de medicamentos para prevenção de infecção para o HIV, a depender da sua situação de vida. Cada caso é um caso e as condutas e direcionamentos devem sempre ser individualizados e discutidos com seu médico.

As medidas de proteção da infecção pelo HIV são necessárias em todas as fases de vida do indivíduo e o período de aleitamento deve ser visto da mesma forma.

Divulgar e veicular de forma ampla o assunto HIV/Aids, abordando também questões de prevenção, não apenas no mês de dezembro, mas sempre, em todas as oportunidades, facilita o acesso a essas informações, podendo prevenir aparecimento de novas infecções, além de possibilitar maior acolhimento e menor discriminação de quem vive com HIV.

 

Relatora:
Daniela Vinhas Bertolini
Membro do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/gravidez-nas-adolescencias/ Thu, 26 Sep 2024 13:49:54 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48147 ]]>

26 de setembro é o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência.

A gravidez “nas adolescências” é um problema complexo, multifacetado e transgeracional (fenômeno que se refere à transmissão de padrões, valores, expectativas e outros elementos familiares de uma geração para outra), que impacta na estrutura econômica e contribui para a manutenção do ciclo de desigualdade social e pobreza. É uma questão de Saúde Pública que requer uma abordagem multidimensional.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 16 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos engravidam anualmente, das quais 95% são de países de rendimento baixo e médio e 2,5 milhões têm menos de 16 anos. No Brasil, em 2024, a taxa de gravidez na adolescência entre 15 e 19 anos atual é de 53 adolescentes grávidas a cada mil, acima da média mundial, que é de 41 por mil. Essa diminuição começou a ser observada após 2019, com uma queda média de 18% até 2022. No entanto, o número de nascimentos entre adolescentes ainda é significativo e preocupante.

As maiores taxas de gravidez “nas adolescências” se concentram em regiões de baixa renda, principalmente em lugares onde o acesso aos serviços de saúde é precário, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo. A acessibilidade não é só uma questão de falta de rede de apoio, mas principalmente de falta de formação qualificada de profissionais de saúde, em Saúde Sexual e anticoncepção, e que respeitem o adolescente como sujeito autônomo pleno de direitos.

Para compreender as causas de gravidez na adolescência além das questões políticas-econômicas-sociais, é preciso adentrar nas motivações, desejos, cultura, grupos e nas oportunidades nas quais cada adolescente está inserido. Qual o lugar daquele adolescente em seu território? Há lugares em que ser “mãe” garante maior segurança e aceitação do que ser “só” uma adolescente? Como a adolescente pode exercer a autonomia e manter sua autoestima frente às possibilidades limitadas de futuro que esse lugar oferece?

Diante dessa complexidade, todas as estratégias de prevenção da gravidez devem considerar as questões “das adolescências” de cada lugar. Cabe aos pediatras obterem conhecimento técnico sobre anticoncepção para orientar, acolher os adolescentes, além de cobrar Políticas Públicas que garantam Equidade de gêneros e de oportunidades, que erradiquem lugares políticos-econômicos-psíquico-sociais onde a maternidade na adolescência seja considerada o único projeto de vida.

 

Relatoras:

Maíra Terra
Lília D’Souza-Li
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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