Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 26 Jul 2024 19:23:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais https://spsp.org.br/dia-mundial-de-luta-contra-as-hepatites-virais-2/ Sun, 28 Jul 2024 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47269 A hepatite é uma doença caracterizada por inflamação no fígado e pode ser desencadeada por diversos fatores, como vírus, remédios, ervas, álcool, doenças autoimunes, doenças]]>

A hepatite é uma doença caracterizada por inflamação no fígado e pode ser desencadeada por diversos fatores, como vírus, remédios, ervas, álcool, doenças autoimunes, doenças metabólicas e genéticas. No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na Região Norte) e o vírus da hepatite E. A infecção pode ser silenciosa ou apresentar sintomas como náuseas, dor abdominal, fadiga, febre, urina escura, pele e olhos amarelados. Em algumas destas infecções virais, a hepatite aguda pode evoluir para a cura sem intervenção ou tratamento, mas também pode se transformar em infecção crônica, evoluindo para cirrose ou câncer hepático.

Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, no período de 2000 a 2022 foram diagnosticados 750.651 casos de hepatites virais no Brasil. Destes, 22,5% foram referentes aos casos de hepatite A, 36,9% aos de hepatite B, 39,8% aos de hepatite C, 0,6% aos de hepatite D e 0,2% aos de hepatite E. A partir de 2015, a incidência de hepatite A no Brasil apresentou queda expressiva, coincidindo com a introdução da vacina contra este vírus ser disponibilizada no calendário vacinal, com redução de 75,0% quando comparados os anos de 2015 e 2022, passando de 1,6 para 0,4/100 mil habitantes, respectivamente. Quanto à hepatite B, houve uma discreta tendência de queda anual nas taxas até 2019; atingindo 4,3/100 mil habitantes em 2022. A partir de 2016, a taxa de detecção de hepatite C apresentou discreta queda e, em 2022, chegou a 6,6/100 mil habitantes. No período de 2000 a 2021 foram identificados, no Brasil, 85.486 óbitos por causas associadas às hepatites virais dos tipos A, B, C e D. Desses óbitos, 1,5% foram associados à hepatite viral A; 21,5% à hepatite B; 76,1% à hepatite C e 0,9% à hepatite D.

A hepatite A tem transmissão pela via fecal-oral, não evolui para infecção crônica, porém em raros casos pode desencadear hepatite fulminante, sendo eventualmente necessária indicação de transplante hepático, ou podendo ir para o óbito. A vacina da hepatite A está disponível no calendário básico de vacinação para crianças a partir de 15 meses, em dose única.

A hepatite B pode ser transmitida pelo sangue, fluidos corporais contaminados, e transmissão vertical (durante a gestação ou parto). Pode evoluir para a forma crônica. Existe vacina contra hepatite B no calendário vacinal básico, sendo administrada já ao nascimento.

A hepatite C, assim como a hepatite B, pode ser transmitida pelo sangue e fluidos corporais contaminados, mas raramente ocorre a transmissão vertical, entretanto o risco aumenta se a mãe for coinfectada pelo vírus HIV. Não existe vacina para este tipo de hepatite. O teste rápido para sua detecção está disponível nas unidades de saúde.

As hepatites virais, sobretudo as hepatites B e C, representam um desafio mundial comparável ao enfrentamento ao HIV, à tuberculose ou à malária. A população brasileira tem acesso, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), às tecnologias mais modernas e eficazes para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das hepatites B e C disponíveis no mundo, e de forma gratuita.

No dia 28 de julho é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. A data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2010, para alertar sobre a importância da prevenção e do controle dessa doença. A prevenção pode ser obtida através da vacinação (hepatites A e B); pelo cuidado na manipulação de sangue e materiais contaminados; pelo não compartilhamento de objetos cortantes, seringa, agulhas, alicate de cutículas e através do sexo seguro. Ressalta-se também a importância da realização do pré-natal, para a prevenção da transmissão vertical das hepatites B e C.

Relatora:

Regina Sawamura
Professora Doutora da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
Vice-Presidente do Departamento Científico de Hepatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Saúde digestiva em crianças e adolescentes https://spsp.org.br/saude-digestiva-em-criancas-e-adolescentes/ Mon, 03 Jun 2024 19:31:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46395 O tubo digestivo tem diversas funções, como digerir e absorver os nutrientes – macronutrientes (carboidratos, proteínas, gorduras) e micronutrientes (vitaminas, minerais) -, excretar]]>

O tubo digestivo tem diversas funções, como digerir e absorver os nutrientes – macronutrientes (carboidratos, proteínas, gorduras) e micronutrientes (vitaminas, minerais) –, excretar produtos da digestão, proteger o organismo dos agentes nocivos do meio ambiente, como produtos ingeridos, por meio da acidez do estômago, barreira do epitélio intestinal e do sistema imune do intestino. Também, o intestino interage com o cérebro, de modo que a comunidade microbiana presente no intestino, denominada microbiota intestinal, tem ação no cérebro, assim como o cérebro também age na microbiota intestinal.

O intestino, especialmente intestino grosso, abriga cerca de 100 trilhões de microrganismos, na maioria bactérias anaeróbias, que vivem em equilíbrio com o ser humano, cada qual presta auxílio mútuo: ser humano aos microrganismos, assim como microrganismos ao ser humano. Sim, a microbiota intestinal exerce muitas funções, como sintetizar ácidos orgânicos, butirato, vitaminas, aminoácidos; agir como barreira e inibir o crescimento de agentes danosos; estimular o sistema imunológico; e metabolizar substâncias não digeríveis.

É importante ter e manter a microbiota intestinal saudável desde o início da vida, como nascer de parto normal, receber leite materno exclusivo, não necessitar ser internado nem usar antibióticos, especialmente nos dois primeiros anos de vida. A partir dos 2-3 anos de vida a microbiota torna-se mais estável. Entretanto, ao longo da vida há situações que podem desequilibrar a microbiota intestinal, isto é, disbiose, onde ocorre diminuição da diversidade bacteriana e aumento do número das bactérias patogênicas em relação às bactérias benéficas. O uso de antibiótico pode levar à situação de disbiose da microbiota intestinal. Por esta razão, este medicamento deve ser utilizado quando realmente houver necessidade, sempre por indicação médica.

Para manter uma microbiota intestinal normal é importante seguir uma alimentação saudável, constituída pelos diversos grupos alimentares da pirâmide alimentar (https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/pdfs/14297e1-cartaz_Piramide.pdf), comer alimentos in natura ou minimamente processados, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados. Também o consumo de fibras pode estimular o crescimento de bactérias benéficas, como Lactobacilos e Bifidobactérias, que podem proteger e estimular o sistema imunológico e reduzir o risco de infecções.

Atualmente há uma avalanche de suplementos alimentares, como os probióticos. Deve-se mencionar que os probióticos podem ter utilidade em certas ocasiões, devendo-se atentar qual é o probiótico, sua dose e dias de uso. Infelizmente, na grande maioria das vezes está se utilizando probióticos que não têm evidência científica para muitas situações em que os probióticos não têm indicação.

Duas doenças que acometem o tudo digestivo têm chamado atenção e devem ser divulgadas e esclarecidas na população leiga e médica. Por isso, promove-se, internacionalmente, no mês de maio, campanha para conscientização da Doença Celíaca e da Doença Inflamatória Intestinal.

A doença celíaca é uma intolerância ao glúten, que é a principal proteína do trigo, centeio e cevada. Pode se manifestar em qualquer idade e há um amplo espectro de manifestações clínicas com sintomas gastrointestinais, extraintestinais como os descritos no quadro 1.

Também há grupos de risco que têm maior chance de desenvolver essa doença, como os parentes de primeiro grau de celíacos; aqueles que têm doenças autoimunes, como diabetes mellitus tipo 1, tireoidite de Hashimoto, déficit seletivo de imunoglobulina A, síndrome de Sjögren, alopecia areata, artrite reumatoide, hepatite autoimune; síndrome de Down; transtorno do espectro autista.

 

Quadro 1. Manifestações clínicas gastrointestinais, extraintestinais da doença celíaca

Sinais e sintomas gastrointestinais Sinais e sintomas extraintestinais

diarreia
vômitos recorrentes
distensão abdominal
flatulência
dor abdominal crônica ou intermitente
constipação

anemia ferropriva refratária à ferroterapia oral, anemia por deficiência de folato ou de vitamina B12, equimoses, petéquias
baixa estatura, retardo do desenvolvimento puberal
redução da densidade mineral óssea segundo a idade cronológica, hipoplasia do esmalte dentário, fratura óssea, artralgia, artrites, miopatia, tetania
dermatite herpetiforme
estomatite aftosa recorrente
enxaqueca, epilepsia com calcificação cerebral parieto-occipital bilateral, ataxia relacionada ao glúten, neuropatia periférica, irregularidade menstrual, amenorreia, infertilidade, abortos de repetição depressão, autismo
enzimas hepáticas elevadas, fraqueza, emagrecimento sem causa aparente, edema de aparição abrupta após estresse infeccioso ou cirúrgico

 

Os indivíduos que apresentam os sintomas acima devem realizar os testes sorológicos específicos para doença celíaca e quando estes são positivos devem confirmar com o exame de biópsia de intestino delgado, feito pela pinça da endoscopia digestiva alta, que demonstrará atrofia da vilosidade intestinal.

Somente após a confirmação diagnóstica, firmada de preferência por gastroenterologista pediátrico ou de adulto, é que se deve proceder a retirada do glúten da dieta, que deve ser feita durante toda a vida. A dieta sem glúten promoverá desaparecimento de todos os sintomas, testes sorológicos se normalizarão, assim como a mucosa intestinal voltará a ser normal. Assim, o celíaco que faz a dieta totalmente sem glúten poderá ter qualidade de vida totalmente igual aos que não têm esta intolerância alimentar.

As doenças inflamatórias intestinais, que compreendem doença de Crohn e colite ulcerativa, têm se apresentado cada vez mais prevalentes na faixa etária pediátrica. Os sintomas mais comuns destas doenças são diarreia e dor abdominal, e apresentam frequentemente perda de peso e déficit de crescimento. Também podem apresentar dores articulares, artrite, lesões oculares e de pele.

O diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais é confirmado pelos exames de colonoscopia, endoscopia digestiva alta e/ou exames de imagem, como enterotomografia ou enterorressonância magnética. O tratamento consiste em retirar o paciente da atividade da doença e depois mantê-lo em remissão da doença, utilizando-se um arsenal terapêutico de acordo com a gravidade e extensão da doença.

Em conclusão, a saúde digestiva está intimamente relacionada com a genética do indivíduo, os fatores ambientes, como saneamento básico e alimentação, assim como fatores emocionais, como o estresse, que podem afetar a microbiota intestinal.

 

Relatora:

Vera Lucia Sdepanian

Professora Adjunto, Doutora e Chefe da Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP)

Presidente do Departamento Científico de Gastroenterologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Revista Crescer – Prevenção de acidentes domésticos, com Luciana Issa https://spsp.org.br/revista-crescer-prevencao-de-acidentes-domesticos-com-luciana-issa/ Fri, 01 Sep 2023 12:57:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39451 ]]>

Veículo: Revista Crescer

Data: Set/2023

Luciana Issa, membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP, concedeu entrevista à revista Crescer, em que deu dicas de como evitar acidentes domésticos com as crianças. Entre outras recomendações, a médica falou sobre a importância de instalação de redes ou telas de proteção nas janelas da casa, inclusive nas do banheiro e da cozinha; de manter longe do alcance dos pequenos remédios, cosméticos, objetos cortantes e elétricos; e de colocar panelas nas bocas de trás do fogão, com os cabos virados para dentro e para trás.  

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