Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 26 Aug 2026 13:22:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Colesterol alto também é coisa de criança: a prevenção começa na infância https://spsp.org.br/colesterol-alto-tambem-e-coisa-de-crianca-a-prevencao-comeca-na-infancia/ Fri, 07 Aug 2026 13:54:13 +0000 https://spsp.org.br/?p=58126 Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares. O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor. Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão. No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo. Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável. Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior. Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas. Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra. A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico. Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida. Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente. A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo. Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural. Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário. O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro. Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável. Relatoras: Natália Tonon DominguesMédica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESPMembro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSPMembro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP Lygia Mendes dos Santos BörderMédica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público EstadualVice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPMembro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares.

O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor.

Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão.

No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo.

Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável.

Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior.

Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas.

Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra.

A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico.

Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida.

Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente.

A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo.

Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural.

Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário.

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro.

Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável.

Relatoras:

Natália Tonon Domingues
Médica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)
Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESP
Membro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP

Lygia Mendes dos Santos Börder
Médica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)
Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Obesidade: um importante problema de saúde pública https://spsp.org.br/obesidade-um-importante-problema-de-saude-publica/ Thu, 05 Mar 2026 14:35:49 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55328 O Dia Mundial da Obesidade foi criado em 2015 pela Federação Mundial da Obesidade para unir esforços de países, profissionais de saúde e da sociedade no enfrentamento da obesidade]]>

O Dia Mundial da Obesidade foi criado em 2015 pela Federação Mundial da Obesidade para unir esforços de países, profissionais de saúde e da sociedade no enfrentamento da obesidade. Desde 2020, a data é celebrada todos os anos em 4 de março, servindo como um momento global de reflexão, informação e mobilização.

O principal objetivo da data é chamar a atenção para a obesidade como um importante problema de saúde pública, incentivar a prevenção e ampliar o acesso ao tratamento. Também busca reduzir o preconceito contra pessoas que vivem com obesidade e estimular governos e instituições a adotarem políticas que promovam ambientes mais saudáveis.

Diversas organizações internacionais participam dessa iniciativa, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Em muitos países, sociedades científicas, universidades e associações de profissionais de saúde organizam campanhas educativas, eventos e ações de conscientização.

A cada ano, o Dia Mundial da Obesidade apresenta um tema específico para ampliar o debate. As campanhas procuram informar a população sobre os riscos da obesidade, incentivar hábitos saudáveis e mostrar que o problema é complexo, envolvendo fatores biológicos, sociais e ambientais – e não apenas escolhas individuais.

Desafios para prevenir a obesidade

Apesar de décadas de campanhas de saúde pública, ainda existem lacunas importantes no conhecimento da população sobre obesidade, suas consequências e formas de tratamento. Estudos mostram que muitas pessoas não reconhecem corretamente seu próprio peso ou subestimam o impacto de hábitos como atividade física regular na manutenção da saúde. Além disso, nem sempre os profissionais de saúde abordam o tema de forma ativa nas consultas, o que pode atrasar a identificação do problema e o início de estratégias de controle do peso.

Outro desafio importante é o estigma associado à obesidade. Preconceito, discriminação e mensagens negativas podem causar sofrimento psicológico, isolamento social e até dificultar que as pessoas busquem ajuda ou adotem hábitos saudáveis. Por isso, campanhas de saúde precisam informar sobre os riscos da obesidade sem reforçar estereótipos ou culpabilizar indivíduos, reconhecendo que se trata de uma condição complexa, influenciada por fatores biológicos, sociais e ambientais.

Também é fundamental considerar o papel dos chamados “ambientes obesogênicos” – contextos que favorecem o ganho de peso. Em muitas cidades, há grande oferta de alimentos ultraprocessados e calóricos, porções cada vez maiores, intensa publicidade de produtos pouco saudáveis e poucas oportunidades para atividade física segura. Esse cenário mostra que a prevenção da obesidade não depende apenas de decisões individuais, mas também de políticas públicas e mudanças no ambiente que facilitem escolhas mais saudáveis.

Assim, o Dia Mundial da Obesidade reforça que enfrentar esse problema exige informação, empatia e ação coletiva, envolvendo indivíduos, profissionais de saúde, governos e toda a sociedade na construção de ambientes mais saudáveis.

Caminhos para o futuro

Especialistas destacam que o enfrentamento da obesidade exige ações contínuas ao longo de todo o ano, e não apenas campanhas pontuais. O Dia Mundial da Obesidade deve servir como um ponto de partida para programas permanentes de prevenção, educação e cuidado.

Também é essencial reduzir desigualdades. A obesidade atinge de forma mais intensa populações socialmente vulneráveis, que muitas vezes vivem em ambientes com menos acesso a alimentação saudável e oportunidades de atividade física. Políticas públicas devem buscar garantir acesso equitativo à prevenção e ao tratamento para toda a população.

Outro ponto importante é avaliar melhor as iniciativas de prevenção. Muitos países realizam campanhas e programas criativos, mas ainda há pouca evidência sobre o impacto real dessas ações no comportamento, no conhecimento das pessoas e nos resultados de saúde.

Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de combater o estigma e promover abordagens mais humanas e respeitosas, tratando a obesidade como uma condição de saúde complexa que exige cuidado, apoio e informação – e não julgamento.

Por fim, a cooperação entre países e instituições é fundamental para compartilhar experiências e estratégias eficazes. Trocar conhecimentos e aprender com diferentes realidades pode ajudar a fortalecer ações de prevenção e tratamento.

Uma responsabilidade de todos

A obesidade está associada a diversas doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, além de representar um grande impacto para os sistemas de saúde e para a qualidade de vida das pessoas.

O Dia Mundial da Obesidade reforça que enfrentar esse desafio exige informação, empatia e ação coletiva. Mais do que uma data no calendário, ele é um convite para que governos, profissionais de saúde, escolas, famílias e comunidades trabalhem juntos na construção de ambientes mais saudáveis e de um futuro com melhor qualidade de vida para todos.

 

Relator:

Mauro Fisberg
Coordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares – CENDA – Instituto Pensi
Professor Associado (SR) do Departamento de Pediatria EPM-UNIFESP Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP

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Segurança em relação a dietas com baixo teor de carboidratos para controlar o diabetes em crianças https://spsp.org.br/seguranca-em-relacao-a-dietas-com-baixo-teor-de-carboidratos-para-controlar-o-diabetes-em-criancas/ Mon, 03 Nov 2025 12:28:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54029 Uma das grandes preocupações de pais de crianças com diabetes tipo 1 (DM1) é buscar um equilíbrio dos níveis de glicose diariamente]]>

Uma das grandes preocupações de pais de crianças com diabetes tipo 1 (DM1) é buscar um equilíbrio dos níveis de glicose diariamente e a longo prazo, com o objetivo de evitar as complicações agudas e crônicas da doença. Ao mesmo tempo, há o sentimento de reduzir o sofrimento dos filhos por conta das famosas “picadas” – seja para monitorizar os níveis de glicose, seja para a aplicação da insulina. A dieta desempenha papel importante no tratamento do DM1; abordaremos, neste espaço, alguns aspectos relativos à utilização dos carboidratos.

O carboidrato é um macronutriente que compõe a nossa pirâmide alimentar, sendo a base dela – ou seja, a maioria da nossa caloria consumida por dia é por conta dos carboidratos (pelo menos 50% a 55% das calorias diárias). Ao mesmo tempo, o carboidrato é a principal fonte que aumenta de forma imediata os níveis de glicose após seu consumo nos pacientes DM1. Por conta deste impacto, pelo receio de aumentos exorbitantes das glicemias após as refeições e, ao mesmo tempo, tentando buscar uma forma para aplicação de uma menor quantidade de insulinas bolus, algumas famílias buscam utilizar uma dieta com uma menor quantidade de carboidratos para as crianças DM1 – as famosas dietas low-carb (LC), very low-carb (VLC) e dieta cetogênica (DC).

Pensando-se na proposta e resultado dela, realmente pode haver um impacto positivo, tanto na redução dos níveis de glicose com estas dietas. No entanto, qual a segurança na realização delas em crianças DM1?

Pois atenção: toda criança, independentemente se apresenta doenças ou não, necessita de forma obrigatória dos carboidratos. Devemos lembrar que eles são a fonte imediata de energia para nossas células do corpo, e a redução drástica do seu consumo pode afetar o desenvolvimento e o rendimento da criança, podendo causar, por exemplo, apatia, sonolência, queda do rendimento escolar, entre outros comportamentos. Ao mesmo tempo, o carboidrato tem efeito direto na proliferação celular e, por isso, gera uma consequência direta no crescimento do indivíduo. Ou seja, uma redução além do normal no consumo de carboidratos em crianças pode afetar o crescimento e desenvolvimento delas a curto e longo prazo.

Outra questão que deve ser considerada: pelo fato de o carboidrato ser uma fonte imediata de energia, a redução do consumo nem sempre é tolerada na população pediátrica, gerando sintomas como fraqueza, tonturas, vômitos, entre outros.

Mais um aspecto a ser discutido: com a redução do consumo de carboidratos, a tendência é que a dieta seja reforçada por um maior nível de proteínas e gorduras. Estes, apesar de em menor proporção, possuem conversão e podem impactar também em aumento dos níveis de glicose após horas do seu consumo; além disso, o consumo aumentado de proteínas e gorduras pode gerar impactos nos níveis de colesterol, aumentar risco de obesidade, gerar impactos na saúde hepática e renal, etc.

As dietas VLC e DC, pela redução considerável do consumo de carboidratos, podem gerar um aumento da quebra do tecido adiposo corporal para fornecimento de glicose para fornecimento de energia – entretanto, este mecanismo pode causar a redução do pH sanguíneo (acidose) e aumentar a formação de corpos cetônicos – e a junção destes dois mecanismos pode levar a uma cetoacidose diabética mesmo com níveis normais de glicose, chamada cetoacidose diabética euglicêmica, que é uma emergência médica e deve ser tratada imediatamente.

Em resumo: crianças com DM1 devem ter uma dieta individualizada, com aporte calórico adequado e consumo correto de carboidratos, proteínas e gorduras. A redução do consumo de carboidratos na dieta não possui, a princípio, estudos que demonstrem segurança para o seu uso de forma indiscriminada. A alimentação do paciente DM1 deve ser acompanhada de forma rigorosa por um nutricionista, de tal forma que haja ajustes adequados para otimizar o crescimento, desenvolvimento e níveis adequados de glicose nas crianças DM1.

 

Relator:

Thiago Santos Hirose
Endocrinologista Pediátrico
Membro do Departamento Científico de Endocrinologia da SPSP
Diretor da Regional de Ribeirão Preto da SPSP

 

 

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Dia de prevenir a obesidade https://spsp.org.br/dia-de-prevenir-a-obesidade/ Sat, 11 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53542 ]]>

Já escrevi várias vezes sobre o tema obesidade e excesso de peso. Infelizmente passam os anos e o problema aumenta em vez de diminuir. As taxas globais mostram que uma em cada 10 pessoas do mundo está com obesidade e se calcula que aproximadamente 30% a 50% estão com excesso de peso.

A obesidade é uma doença genética e metabólica, que sofre interferências do estilo de vida, como o padrão de alimentação e a atividade física do indivíduo. De uma forma primária sempre se discutiu o modelo da balança, em que uma pessoa com pouca atividade física ou excessos na ingestão calórica estaria predisposta a um aumento de peso, enquanto pessoas mais ativas e com menor ingestão apresentariam peso adequado (baixo, alto?).

Esse modelo obviamente não explica todas as formas de obesidade, e já na infância temos aspectos diferentes, que vão desde o período pré-natal, com o aumento de peso excessivo na gestação, ao tamanho grande ao nascimento, assim como crianças com baixo peso, que são recuperadas de forma intempestiva, levando a um superávit de energia.

No período de lactação, sabemos que o leite materno, exclusivo e prolongado, protege o bebê do peso excessivo, por inúmeras características da composição do leite, como aspectos de manutenção da saciedade, o que não ocorreria no leite de vaca ou fórmulas, que são dadas de forma homogênea em uma mamadeira.

A introdução da alimentação, usualmente aos seis meses de idade, pode ocasionar riscos com o uso de alimentos inadequados para a idade; o uso de açúcar, sal em excesso e alimentos ricos em gorduras saturadas, são fatores de risco.

Claro que na idade do lactente não há praticamente atividade física, que começa a ser determinante na idade pré-escolar, e não necessariamente ligada a esportes, e sim ao tipo de movimentação e jogo da criança. Famílias sedentárias têm maior chance de terem menor atividade intensa e risco de crianças com excesso de peso.

Outro período importante para a pediatria é a fase da pré-adolescência, em que ocorre maior ganho de gordura corporal, especialmente em meninas (mas ocorre também nos meninos, em menor quantidade). O ganho de gordura, que é fisiológico, pode se somar a um corpo já anteriormente com excesso de peso e o processo pode levar a um adolescente com obesidade.

Há uma ideia tradicional de que adolescentes cheinhos, com o crescimento puberal emagreceriam e o corpo se adequaria. No entanto, hoje o processo não é sempre assim, especialmente se o adolescente chegar ao período do estirão com excesso de peso. O crescimento não será suficiente para acomodar o excesso de gordura e o peso aumentará.

Portanto, uma das maiores preocupações na área pediátrica é de que uma criança com excesso de peso ou obesidade seja um adulto obeso, com todos os riscos associados.

No entanto, já na idade pediátrica aparecem aspectos importantes, associados ao excesso de peso. Muitas vezes a criança sofre bullying em casa, por parte dos próprios familiares, que caçoam ou brigam com a criança por comer demais, por ser preguiçosa… O assédio pode se estender ao ambiente, aos cuidadores, na escola e na rua.

Outros problemas são a chance de baixa autoestima, depressão, ansiedade e problemas escolares. Estes podem ser agravados por problemas de pele, maior chance de infecção cutânea, problemas na postura, nos pés e joelhos. Há uma maior probabilidade de aumento das gorduras corporais, do colesterol, dos triglicérides, da insulina e da resistência insulínica. Mais de 20% das crianças obesas apresentam hipertensão arterial.

Mas talvez o mais complexo dos problemas seja a falta de diagnóstico precoce do aumento de peso, da obesidade e dos problemas associados. Famílias demoram a levar ao pediatra, e infelizmente muitos deixam de fazer o diagnóstico, por interpretação equivocada das curvas de crescimento.

No dia 11 de outubro, determinamos o Dia Nacional da Prevenção da Obesidade, e mais do que nunca, todos, famílias e comunidade, pediatras e educadores, precisamos estar atentos ao diagnóstico e à avaliação dos fatores de risco ligados ao ganho de peso excessivo, e à consequência final, a obesidade.

Muitos hospitais públicos e privados possuem serviços de acompanhamento de obesidade infantil e adolescente e estão capacitados a desenvolver ações para a prevenção dos maiores riscos do problema. Busque ajuda e procure informações confiáveis. As sociedades de Pediatria, Endocrinologia, Cardiologia e outras possuem sites, publicações e programas de apoio. Não permita que a obesidade cobre seu preço.

 

Relator:

Mauro Fisberg
Pediatra e Nutrólogo
Coordenador do CENDA – Centro de Nutrição e Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI
Professor Associado SR do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP

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Obesidade em crianças e adolescentes: orientação atualizada para prevenir e cuidar https://spsp.org.br/obesidade-em-criancas-e-adolescentes-orientacao-atualizada-para-prevenir-e-cuidar/ Wed, 05 Mar 2025 18:36:05 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50437 O Dia Mundial da Obesidade é celebrado em 4 de março, uma data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos]]>

O Dia Mundial da Obesidade é celebrado em 4 de março, uma data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos dessa condição e promover ações que ajudem a prevenir e combater a obesidade.

O excesso de peso afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode levar a uma série de problemas de saúde e pode se instalar já na infância.

A educação e a prevenção são fundamentais para garantir uma vida mais saudável para as futuras gerações.

Repercussões negativas da obesidade

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que pode prejudicar o funcionamento normal do organismo, podendo afetar a saúde de diversas formas. Entre os principais problemas que a obesidade pode causar, estão:

  • Doenças cardiovasculares: O excesso de peso aumenta o risco de hipertensão, colesterol elevado e mau funcionamento do coração;
  • Diabetes tipo 2: A obesidade é uma das principais causas do diabetes tipo 2, uma condição que afeta a forma como o corpo metaboliza o açúcar do sangue e pode levar a complicações graves;
  • Problemas nas articulações: O peso excessivo acarreta maior pressão sobre as articulações, o que pode resultar em dor, inflamação e, eventualmente, em problemas permanentes, como a osteoartrite do joelho;
  • Distúrbios respiratórios: A obesidade pode dificultar a respiração e aumentar o risco de apneia do sono e asma;
  • Impactos psicológicos: O excesso de peso pode comprometer a autoestima e a saúde mental de crianças e adolescentes, levando a quadros de estresse, depressão e ansiedade.

O papel dos pais e responsáveis na prevenção da obesidade em crianças e adolescentes

Embora a genética tenha um papel na predisposição ao ganho de peso, os hábitos alimentares inadequados e a ausência da prática de atividade física são fatores determinantes para o desenvolvimento da obesidade. Medidas de prevenção devem começar em casa, com a participação de pais e familiares.

Aqui estão sete dicas práticas para ajudar a prevenir a obesidade em crianças e adolescentes e, consequentemente, reduzir o risco da ocorrência de suas consequências negativas.

  1. Oferecer uma alimentação equilibrada

A alimentação saudável é fundamental para manter o peso adequado. Priorize alimentos naturais e frescos, como frutas, legumes, verduras e proteínas magras. Evite o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, como fast food, refrigerantes, doces e frituras. Incentive o consumo de água e evite bebidas açucaradas, como sucos processados.

  1. Estabelecer horários para as refeições

Ter horários regulares para as refeições ajuda a evitar o consumo excessivo de alimentos, pois contribui com o funcionamento normal do centro da fome e saciedade, ou seja, comer com calma e de forma consciente permite que o corpo perceba quando está satisfeito, evitando excessos.

  1. Incentivar a atividade física regular

De forma geral, recomenda-se que crianças e adolescentes tenham, pelo menos, 1 hora de atividade física todos os dias. Pode ser uma caminhada, andar de bicicleta, nadar, jogar futebol, ou até mesmo brincar ao ar livre, principalmente para crianças menores. O importante é que a atividade seja prazerosa, para que se torne parte da rotina diária.

  1. Reduzir o tempo de tela

A exposição excessiva a telas (televisão, computadores, tablets, celulares e videogames) tem sido um dos principais fatores que contribuem para o sedentarismo. Limite o tempo em frente às telas e incentive brincadeiras ativas, como correr, dançar ou praticar esportes. O cuidado é a conotação que se deve dar a esta prática; limitar e criar rotinas saudáveis não deve beirar a proibição.

  1. Estabelecer um exemplo positivo

Crianças e adolescentes tendem a imitar os comportamentos dos adultos da família. Portanto, se você adotar um estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada e atividade física regular, seu filho ou filha terá maior probabilidade de seguir o mesmo caminho.

  1. Promover o sono de qualidade

O sono tem grande influência no metabolismo e no controle do peso. Procure garantir que a criança/adolescente durma entre 8 e 10 horas por noite. Isso é essencial para o equilíbrio do corpo. A falta de sono pode desregular os hormônios que controlam o crescimento físico e o apetite, contribuindo para o aumento de peso.

  1. Evitar pressões excessivas

A preocupação excessiva com o peso pode gerar desde ansiedade até transtornos alimentares graves. Em vez de focar no peso, incentive comportamentos saudáveis e a prática de atividades físicas de forma positiva, sem criar pressão ou alcançar um padrão estético específico.

Conclusão

A obesidade é uma doença muito importante da sociedade atual, que pode trazer consequências graves para a saúde física e mental de crianças e adolescentes.

Apesar do aumento da sua prevalência entre crianças e adolescentes, ela pode ser evitada com ações simples, especialmente no ambiente familiar. Pais e responsáveis desempenham um papel fundamental nesse processo, ao oferecerem alimentos saudáveis, incentivarem a prática de atividades físicas e, acima de tudo, serem modelos de comportamentos positivos.

Devemos lembrar que a prevenção começa cedo, e pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na saúde e bem-estar das próximas gerações.

Neste Dia Mundial da Obesidade, reflita sobre a importância de manter um estilo de vida saudável e ajudar os mais jovens a crescer e se desenvolver de forma equilibrada e feliz.

 

Relator:
Tulio Konstantyner
Vice-Presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Internacional do Diabético https://spsp.org.br/dia-internacional-do-diabetico/ Thu, 27 Jun 2024 18:33:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46810 ]]>

27 de junho é o Dia Internacional do Diabético. O diabetes é uma das doenças mais prevalentes no mundo e com potencial para aumentar ainda mais. Segundo a Federação Internacional do Diabetes (IDF), atualmente são cerca de 537 milhões de pessoas adultas de 20-79 anos vivendo com diabetes, ou seja, em cada 10 pessoas uma tem a doença. A estimativa é que até 2030 serão 643 milhões e até 2045, 783 milhões. A grande preocupação é que as nossas crianças de hoje serão os adultos de amanhã. E como prevenir para que elas não estejam nesta estimativa?

Primeiro é importante entender que existem diferentes tipos de diabetes; na infância, o diabetes tipo 1 (DM1) é o mais comum. Esse tipo de diabetes responde por cerca de 8,75 milhões de pessoas em todo o mundo e apenas 1,52 milhão tinham menos de 20 anos em 2022. Nesse tipo há uma predisposição genética e algum gatilho ambiental ativo e inicia-se um processo autoimune em que as células produtoras de insulina são destruídas e o portador da doença necessita repor este hormônio para sobreviver. Embora o DM1 ainda não tenha cura, novos tratamentos com insulinas modernas e tecnologia assessorando o controle da doença permitem que os portadores tenham uma excelente qualidade de vida e seu melhor controle glicêmico diminui a chance de evoluir para complicações crônicas.

Outros tipos de diabetes também podem ocorrer entre os mais jovens, inclusive o diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Isto desenvolve-se pelo aumento da obesidade infantil, que acelera a cada dia nas estatísticas. Nesse tipo de diabetes, a produção de insulina não acabou, mas a insulina produzida não consegue exercer a sua função adequadamente devido a uma resistência em sua atuação, levando ao aumento da glicemia. Essa elevação, por sua vez, gera outras alterações em órgãos importantes, como olhos, rins, coração e nervos, predispondo a graves doenças e aumento e antecipação na mortalidade.

Assim, é muito importante estar atento ao seu filho, pois o diagnóstico precoce e o tratamento corretos podem mudar a evolução desse quadro.

E o que pode ser feito para que nossas crianças de hoje não sejam os portadores de diabetes de amanhã?

Primeiro devemos pensar no diabetes como uma condição e que se não cuidada poderá levar a doenças e complicações, mas o seu cuidado permitirá uma boa evolução. Não é verdade que toda pessoa com diabetes terá algum tipo de complicação, sendo que aqueles que conseguem manter um controle adequado dos valores de glicemia possuirão uma boa qualidade de vida a curto e longo prazo, através de cuidados adequados e acompanhamento com a equipe de saúde. Segundo, devemos olhar na prevenção para que as crianças saudáveis se mantenham sem a doença. O que falamos é que em ambos os casos, portadores ou não portadores de diabetes, há a necessidade de um estilo de vida saudável para se manter são.

Muitas pessoas não sabem que jovens também podem ter DM2 e que nesse grupo etário a doença pode ter uma progressão mais agressiva e com complicações mais precoces do que na idade adulta.

Vamos então conversar sobre como proceder em relação à prevenção do DM2 e como suspeitar nos casos em que a criança já esteja com a doença.

A prevenção se faz com manutenção do peso dentro do ideal, para cada idade e sexo. A obesidade e o sobrepeso são fatores de risco para DM2. A prática de exercícios físicos auxilia a manter a saúde física e mental da criança, colaborando na prevenção da doença. Manter uma dieta saudável, evitando o excesso de doces, refrigerantes, fast food, embutidos e alimentos ultraprocessados é fundamental para manutenção da saúde de seu pequeno.

Na infância, o que mais ocorre é o DM1, que é de origem autoimune e seu aparecimento não está relacionado com a dieta que a criança tem; mas uma vez adquirido, será importante manter uma dieta equilibrada.

Os sintomas são perda de peso, cansaço, desânimo, falta de ar, muita sede, urinar muito e muita fome. Às vezes algumas crianças têm sintomas mais inespecíficos, como coceira, dores de barriga, acelerar o coração ou até desmaiar.

Falar sobre diabetes é importante por muitos motivos.

Procure assistência médica o mais rápido possível, se reconhecer estes sintomas clássicos da descompensação do diabetes: perda de peso (apesar de uma alimentação adequada ou até com mais fome do que o habitual); aumento da sede e aumento da quantidade da urina e da frequência das micções. Estes sintomas podem acontecer em qualquer idade. Quanto mais cedo se faz o diagnóstico, quanto antes se inicia o tratamento, menor o risco de uma descompensação grave.

Ao longo dos últimos 100 anos, a partir da descoberta da insulina, a vida das pessoas com diabetes mudou muito. A insulina permitiu que esse diagnóstico preocupante passasse a ser compatível com uma vida com menos limitações e complicações.

Os últimos 20 anos foram marcados por avanços tecnológicos impressionantes. Os medicamentos mais modernos, que agem por mais tempo e têm menos risco de hipoglicemia, ou que agem mais rápido e permitem um melhor controle da glicemia após as refeições, foram se tornando acessíveis para as pessoas que dependem de insulina para viver. As canetas que utilizam agulhas menores permitiram mais conforto na aplicação da insulina. O acesso a sensores de glicose permite um controle glicêmico muito mais preciso e confortável para quem precisa olhar sua glicemia muitas vezes ao dia. Os sistemas de infusão contínua de insulina (as conhecidas “bombas de insulina”) passaram a ser automatizados e acoplados aos sensores. Quem imaginou que tantos avanços aconteceriam em 100 anos!

O uso da tecnologia para promover educação e conscientização permite que em lugares mais distantes seja possível oferecer atendimento de melhor qualidade. Sabemos que o caminho ainda é longo; muitas pessoas com diabetes ainda não têm acesso às tecnologias mais modernas ou enfrentam dificuldades para encontrar profissionais de saúde especializados, mas vivemos em um país onde o acesso a medicamentos e insumos para o cuidado do diabetes é garantido pelo SUS. As sociedades científicas e as organizações de pessoas com diabetes trabalham diariamente para que os diagnósticos sejam mais precoces, os tratamentos mais acessíveis e a sociedade mais estruturada.

No Dia Internacional do Diabético precisamos pensar em promover educação, celebrar os avanços no tratamento e lembrar que ainda hoje muitas pessoas demoram para receber o diagnóstico e ter acesso aos cuidados de saúde adequados para terem uma vida saudável com diabetes. Falar sobre diabetes, em um mês dedicado a esse assunto, permite que os profissionais de saúde estejam mais atentos e atualizados, que as redes de apoio das pessoas com diabetes estejam mais capacitadas, que as políticas públicas sejam ajustadas às realidades regionais e que todas as pessoas com diabetes possam viver com mais saúde.

 

Relatores:
Jesselina Haber
Laura Cudizio
Thiago Santos Hirose
Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Prevenção da obesidade infantil https://spsp.org.br/prevencao-da-obesidade-infantil/ Mon, 04 Mar 2024 12:17:52 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42878 A Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu 4 de março como o Dia Mundial da Obesidade, com o objetivo de disseminar conhecimentos sobre a doença. Nas últimas décadas, a obesid]]>

A Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu 4 de março como o Dia Mundial da Obesidade, com o objetivo de disseminar conhecimentos sobre a doença. Nas últimas décadas, a obesidade tem sido motivo de grandes discussões em todas as áreas do conhecimento.

Independentemente de se considerar o desenvolvimento de uma região ou país, a prevalência da obesidade vem aumentando de forma alarmante no mundo todo. Essa tendência reflete a maior disponibilidade de energia nos alimentos, ao lado da inatividade física crescente do homem moderno. Para mudar o rumo dessa epidemia é necessário que as estratégias de prevenção sejam aplicadas, reavaliadas e renovadas de forma constante. Projetos que incluam mudanças na qualidade do preparo e ingestão dos alimentos, estímulo à atividade física, e modificações comportamentais devem obrigatoriamente contar com a participação de toda a família, principalmente quando o indivíduo-alvo for uma criança ou um adolescente.

A criança obesa tem grande probabilidade de se tornar um adolescente e, posteriormente, um adulto obeso. A atitude intempestiva de redução drástica da ingestão de energia pode comprometer o seu crescimento e desenvolvimento. Dessa forma, a atenção multidisciplinar faz-se necessária para que a intervenção possa ocorrer sem riscos desnecessários, principalmente nos indivíduos onde o fator genético está presente, favorecendo a maior suscetibilidade à obesidade.

A prevenção tem custo social imenso e implica o gasto progressivo com a saúde, à medida que a obesidade regrida com o progredir da idade, pois as comorbidades que acompanham sua evolução tornam-se irreversíveis e muitas vezes fatais.

Prevenção

O pediatra é  profissional de saúde responsável pela orientação para se atingir o melhor crescimento e desenvolvimento, desde o nascimento até atingir a idade adulta. Deve vigiar o crescimento, fazer o diagnóstico nutricional e implementar medidas preventivas  e terapêuticas quando necessárias. Ainda mais, o pediatra deve coordenar o atendimento efetuado pelos outros profissionais da equipe multidisciplinar envolvidos no tratamento. Junto à família, deve trabalhar na conscientização do diagnóstico e complicações da obesidade, orientando tanto na prevenção como na estratégia do tratamento.

Embora o fator genético, combinado com a programação intrauterina, possa influenciar, de maneira independente da atuação do médico na evolução do indivíduo para o excesso de peso, os aspectos ambientais, os hábitos alimentares, o estilo de vida e a prática de atividade física precisam ser considerados pela família e pela criança ou adolescente, como os grandes fatores a serem analisados em conjunto, para poder modificá-los. Esse envolvimento familiar, ao lado da escola e comunidade, deve fazer parte dos pilares de qualquer programa preventivo da obesidade infantil.

Sugestões práticas são inúmeras, e podem ser propostas conforme a idade da criança e características do meio em que vive, seja a casa, a escola ou a comunidade.

O pediatra pode ainda ter outro tipo de atuação, por exemplo, quando for chamado a participar de decisões relativas ao uso de recursos públicos destinados a programas de prevenção de doenças, educação da saúde e racionalização do uso de novas tecnologias. Nessas situações, o seu papel será o de assumir a orientação científica que possa contribuir para o sucesso das ações conjuntas propostas pela mídia, indústria e órgãos governamentais.

No quadro abaixo estão sugestões que poderão ser avaliadas e discutidas nas diversas áreas envolvidas com a prevenção da obesidade infantil. Cada um dos módulos é acompanhado por muitas controvérsias, até aspectos que muitas vezes são aparentemente intocáveis, como é o caso do fator de proteção que o aleitamento materno representaria contra a obesidade infantil. Existem estudos que mostram que a amamentação indisciplinada do leite materno por mães extremamente ansiosas pode ser um fator de desequilíbrio entre oferta e necessidade nutricional, levando à obesidade da criança.

– GRAVIDEZ –
Iniciar a gravidez com IMC normal
Não fumar
Fazer atividade física moderada e tolerável
Ficar atenta ao diabetes gestacional
– PÓS-PARTO E INFÂNCIA
Aleitamento materno exclusivo no mínimo por 3 meses e idealmente por 6 meses
Retardar a introdução de alimentos sólidos e líquidos doces
FAMÍLIAS
Não insistir, não agradar e não forçar a comer. A consequência será sempre a substituição inadequada.
Dar sempre preferência às grandes refeições, e não aos lanches
Fazer refeições em horários e locais fixos
Não “pular refeições”, especialmente o café da manhã
Oferecer frutas, fibras e evitar sucos na mamadeira
Evitar a TV ou celular durante as refeições
Usar pratos pequenos e travessas pequenas
Evitar molhos, alimentos gordurosos e refrigerantes
Educar quanto ao uso de TV e celular
Vocês são os modelos para os seus filhos (pais e familiares)
ESCOLAS
Eliminar lanches com balas e salgadinhos
Evitar máquinas de alimentos
Ensinar a professores e responsáveis a relação entre nutrição e atividade física
Ter sempre água à disposição
Bons hábitos devem ser sempre ensinados em todas as idades
Aulas de Educação Física – 30 a 45 minutos de exercícios fortes 2 a 3 vezes por semana
Ir a pé para a escola
COMUNIDADES
Vizinhos e amigos devem andar juntos e patrocinar brincadeiras para as crianças
Evitar elevadores e vias fáceis para locomoção
Sempre estar informado sobre onde se compram alimentos saudáveis
BABÁS
Elas precisam saber o que é e o que acontece com a obesidade
Participar com ela do ganho de peso adequado da criança
Apresentar a obesidade, mostrando que é uma doença a ser tratada
INDÚSTRIA
Produtos dirigidos a crianças precisam ter rótulos com informações
Fabricantes de vídeos devem lançar frases que encorajem a atividade física
Consumir alimentos saudáveis e subsidiar programas que incentivem estilo de vida saudável
GOVERNO E ÓRGÃOS REGULADORES
Explicar que obesidade é doença
Taxar comidas e bebidas não saudáveis
Incentivar o desenvolvimento de produtos saudáveis, com informações a esse respeito para o consumidor
Deduzir impostos dos custos de programas saudáveis
Fornecer incentivos para escolas que promovam programas relacionados com atividade física e nutrição
Verbas para construção de ciclovias e pistas para corrida e caminhada
Anúncios de advertência quanto aos tipos de alimentos, tanto para a pré-escola quanto para os mais velhos

Analisando cada um desses módulos, percebe-se que a prevenção da obesidade tem na disciplina e no estilo de vida saudável, quando exercida por uma família disposta a participar, as principais variáveis a serem consideradas.

A escola, os professores e a comunidade, sempre que possível, devem participar dos processos que envolvem medidas positivas em relação ao enfrentamento da epidemia da obesidade infantil.

Embora a tecnologia tenha criado inúmeros entraves para os movimentos das crianças nos últimos anos, tornando as exigências para exercícios cada vez menores, novas brincadeiras e novos métodos precisam ser criados, com mais atividades físicas em escolas e comunidades. Isso implica decisões familiares que obrigatoriamente estarão dirigidas para o estabelecimento de regras mais bem definidas na educação, especialmente nos limites permitidos.

Relator:
Ary Lopes Cardoso
Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial do Diabetes https://spsp.org.br/dia-mundial-do-diabetes/ Tue, 14 Nov 2023 21:01:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40692 Novembro é o mês de conscientização do diabetes, sendo 14 de novembro o Dia Mundial do Diabetes. O diabetes é uma das doenças mais prevalentes no mundo e, a cada ano, o número de pessoas]]>

Novembro é o mês de conscientização do diabetes, sendo 14 de novembro o Dia Mundial do Diabetes.

O diabetes é uma das doenças mais prevalentes no mundo e, a cada ano, o número de pessoas que vivem com diabetes aumenta. O Atlas Internacional do Diabetes, elaborado pela Federação Internacional do Diabetes (IDF), estima que metade das pessoas que têm diabetes no mundo não foi diagnosticada. Por isso essa data é tão importante, pois o diagnóstico e o tratamento corretos podem salvar vidas.

Na infância, o diabetes tipo 1 (DM1) é o mais comum. O Brasil é o terceiro país do mundo em número de crianças vivendo com DM1, e a cada ano mais crianças são diagnosticadas com essa condição. O DM1 é uma doença autoimune e ainda não tem cura, mas com acesso a tratamento e um controle glicêmico adequado é possível melhorar (e muito!) a qualidade de vida e reduzir as complicações crônicas.

O diabetes tipo 2 (DM2) é ainda o mais prevalente entre adultos, mas vem aumentando por conta do aumento da obesidade e do sedentarismo entre os adolescentes. As mudanças de hábitos de vida têm um impacto muito grande na evolução do DM2, e muitas pessoas desconhecem a importância desse diagnóstico ainda na adolescência, quando a doença pode ter uma progressão mais agressiva e com complicações mais precoces do que na idade adulta.

O acompanhamento regular com o pediatra é fundamental para prevenir o DM2. Reconhecer o início do ganho de peso em uma criança, e já implementar mudanças de hábitos, fazem muita diferença. A obesidade deve ser reconhecida como uma doença que demanda acompanhamento médico multidisciplinar, modificações de estilo de vida e em alguns casos medicação. Essas medidas podem reduzir muito o risco da evolução do DM2. Não podemos perder a chance de prevenir o aparecimento de uma doença, pois é possível melhorar o futuro dessa criança.

Falar sobre diabetes é importante por muitos motivos.

Procure assistência médica, o mais rápido possível, se reconhecer estes sintomas clássicos da descompensação do diabetes:  perda de peso (apesar de uma alimentação adequada ou até com mais fome do que o habitual); aumento da sede e aumento da quantidade da urina e da frequência das micções. Estes sintomas podem acontecer em qualquer idade. Quanto mais cedo se faz o diagnóstico, quanto antes se inicia o tratamento, menor o risco de uma descompensação grave.

Ao longo dos últimos 100 anos, a partir da descoberta da insulina, a vida das pessoas com diabetes mudou muito. A insulina permitiu que esse diagnóstico preocupante passasse a ser compatível com uma vida com menos limitações e complicações.

Os últimos 20 anos foram marcados por avanços tecnológicos impressionantes. Os medicamentos mais modernos, que agem por mais tempo e têm menos risco de hipoglicemia, ou que agem mais rápido e permitem um melhor controle da glicemia após as refeições foram se tornando acessíveis para as pessoas que dependem de insulina para viver. As canetas que utilizam agulhas menores permitiram mais conforto na aplicação da insulina. O acesso a sensores de glicose permite um controle glicêmico muito mais preciso e confortável para quem precisa olhar sua glicemia muitas vezes ao dia. Os sistemas de infusão contínua de insulina (as conhecidas “bombas de insulina”) passaram a ser automatizados e acoplados aos sensores. Quem imaginou que tantos avanços aconteceriam em 100 anos!

O uso da tecnologia para promover educação e conscientização permite que em lugares mais distantes seja possível oferecer atendimento de melhor qualidade. Sabemos que o caminho ainda é longo; muitas pessoas com diabetes ainda não têm acesso a tecnologias mais modernas ou enfrentam dificuldades para encontrar profissionais de saúde especializados, mas vivemos em um país onde o acesso a medicamentos e insumos para o cuidado do diabetes é garantido pelo SUS. As sociedades científicas e as organizações de pessoas com diabetes trabalham diariamente para que os diagnósticos sejam mais precoces, os tratamentos mais acessíveis e a sociedade mais estruturada.

No Dia Mundial do Diabetes precisamos pensar em promover educação, celebrar os avanços no tratamento e lembrar que ainda hoje muitas pessoas demoram para receber o diagnóstico e ter acesso aos cuidados de saúde adequados para terem uma vida saudável com diabetes. Falar sobre diabetes, em um mês dedicado a esse assunto, permite que os profissionais de saúde estejam mais atentos e atualizados, que as redes de apoio das pessoas com diabetes estejam mais capacitadas, que as políticas públicas sejam ajustadas às realidades regionais e que todas as pessoas com diabetes possam viver com mais saúde.

 

Relatora:
Laura de Freitas Pires Cudizio
Médica Colaboradora do Ambulatório de Diabetes Pediátrico da Santa Casa de São Paulo
Membro do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Diabetes na infância https://spsp.org.br/diabetes-na-infancia/ Tue, 27 Jun 2023 18:56:07 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37986 27 de junho é o Dia Internacional do Diabético e a data de celebração nasceu com o objetivo de promover conscientização sobre a doença e suas formas de tratamento. O diabetes é]]>

27 de junho é o Dia Internacional do Diabético e a data de celebração nasceu com o objetivo de promover conscientização sobre a doença e suas formas de tratamento. O diabetes é uma das doenças crônicas mais importantes e se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue. Estimam-se 1,2 milhão de crianças e adolescentes com diabetes no mundo. Os diagnósticos de diabetes tipo 2 (DM2) entre os adolescentes vêm aumentando, mas o diabetes tipo 1 (DM1) ainda é o mais comum na infância.

Mas qual a diferença entre eles? O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o corpo produz anticorpos que atacam as células do pâncreas que produzem insulina. Quando restam poucas células produtoras de insulina, o açúcar começa a se acumular no sangue. A maioria dos casos ocorre na infância e adolescência em famílias que não têm nenhum caso de diabetes conhecido. Ainda não há cura para interromper ou reverter esse processo.

O diabetes tipo 2 é causado por resistência à ação da insulina, quando a insulina tem dificuldade de agir, resultando no acúmulo de açúcar no sangue. Existe uma propensão genética, mas hábitos de vida sedentários e o excesso de peso aumentam muito o risco de se desenvolver o DM2 em adolescentes e adultos jovens. Manter o peso adequado, uma alimentação saudável e praticar atividades físicas regulares reduz significativamente o risco de desenvolver esse tipo de diabetes.

 

Quais são os sintomas de diabetes?

  • Muita sede
  • Aumento da diurese
  • Muita fome
  • Perda de peso
  • Hálito cetônico (cheiro de maçã podre ou vinagre)

Se essas alterações persistirem por um tempo prolongado, outros sintomas podem aparecer, como dor na barriga, vômitos, muito cansaço, respiração muito rápida. Nesses casos, é importante buscar avaliação médica com urgência.

 

O diagnóstico de diabetes

A medida de glicose no sangue acima de 200 mg/dl é considerada elevada – procure avaliação médica.

Em casos de DM1 é possível medir os anticorpos no sangue, aqueles que prejudicam a produção de insulina pelo pâncreas.

No DM2 esses anticorpos não estão presentes, mas hiperglicemias associadas a obesidade e história familiar são suficientes para o diagnóstico.

 

Qual o tratamento?

Nos casos de DM1, o tratamento é a aplicação de insulina, desde o momento do diagnóstico. A insulina pode ser aplicada com seringas, canetas de insulina ou sistemas de infusão contínua (“bombas” de insulina). São utilizados dois tipos de insulina, uma lenta e outra insulina de ação rápida. Para manter os níveis de glicose dentro do alvo recomendado é necessário monitoramento dos valores de açúcar no sangue, que pode ser feito com medidas do açúcar no sangue ou com sensores do líquido intersticial.

Para o DM2 são fundamentais mudanças no estilo de vida (com uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares). O uso de medicamentos via oral ou injetáveis também é indicado, sendo que a insulina também pode ser necessária, dependendo dos valores de glicemia e da capacidade de produção de insulina que cada pessoa tem no momento do diagnóstico.

É importante ter atenção para a ocorrência de hipoglicemias – açúcar baixo no sangue. Os sintomas podem variar muito e conforme a glicemia vai ficando mais baixa, sintomas mais importantes podem aparecer. É importante agir rapidamente para que esse quadro não piore. Os sintomas mais comuns de hipoglicemia nas crianças:

  • Tremores
  • Suor frio
  • Sonolência
  • Irritabilidade
  • Muita fome
  • Alterações na visão
  • Dor de cabeça
  • Desmaio
  • Convulsão

Em casos de sintomas, deve-se medir a glicose e oferecer açúcar de rápida absorção – água com açúcar, refrigerante ou suco não diet, mel, ou glicose em sachês. É importante ter fácil acesso a esses alimentos, pois a hipoglicemia pode evoluir rapidamente se não reconhecida e tratada adequadamente.

 

E as complicações crônicas?

O risco de evoluir com complicações está diretamente relacionado aos níveis de glicemia ao longo dos anos. Manter os níveis de glicose dentro do alvo (70 a 180 mg/dL) a maior parte do tempo reduz significativamente o risco de problemas de saúde no futuro.

A glicemia elevada por longos períodos faz com que o açúcar do sangue se ligue aos tecidos de órgãos e promova alterações que podem ser progressivas e irreversíveis. Essas são chamadas complicações microvasculares e macrovasculares.

  • Retinopatia diabética: alterações na visão
  • Nefropatia diabética: problemas renais
  • Neuropatia diabética: alterações na sensibilidade de mãos e pés

 

E como podemos ajudar a criança com diabetes?

  1. Procure um médico: em casos de emergência (mal-estar, palidez, dores abdominais, vômitos, falta de ar) busque atendimento imediatamente. Informe sobre sintomas de diabetes (emagrecimento, aumento da sede, aumento da diurese). O Pediatra pode iniciar o tratamento até a consulta com o Endocrinologista Pediátrico.
  2. Posto de saúde: Informe-se quais os serviços gratuitos para o tratamento do diabetes.
  3. Educação em diabetes: procure especialistas capacitados: enfermeiras, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos. A Sociedade Brasileira de Diabetes (sbd.org.br) e a Associação de Diabetes Juvenil (www.adj.com.br) são bons pontos de partida para aprender sobre diabetes.
  4. Organize a rotina e os cuidados: uma rotina organizada deixa tudo mais fácil. Estabeleça horários para refeições, manter insumos necessários próximos de onde se realizam as refeições, tenha carboidratos de rápida absorção em fácil acesso. Com isso os cuidados do diabetes se adaptam à rotina da família.
  5. Converse com a escola: informe sobre o diagnóstico do diabetes e os cuidados necessários nos horários da escola. A equipe de saúde deve fornecer um Plano de Cuidados de Diabetes para a escola saber como proceder em diferentes situações. Você encontra essas informações no site http://diabeteseaescola.com.br e no aplicativo gratuito Diabetes e a Escola.
  6.  
  7. Mantenha a calma! Com o apoio da equipe de saúde, família e amigos, com certeza vocês conseguem vencer os desafios do diabetes para uma vida cheia de saúde e realizações.

           

Relatora:
Laura de Freitas Pires Cudizio
Médica Colaboradora do Ambulatório de Diabetes Pediátrico da Santa Casa de São Paulo
Membro do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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4 de março – Dia Mundial da Obesidade https://spsp.org.br/4-de-marco-dia-mundial-da-obesidade/ Fri, 03 Mar 2023 16:36:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36384 A obesidade é uma doença crônica, caracterizada pelo aumento e acúmulo de gordura corporal, que pode trazer graves riscos à saúde. Considerada uma]]>

A obesidade é uma doença crônica, caracterizada pelo aumento e acúmulo de gordura corporal, que pode trazer graves riscos à saúde. Considerada uma epidemia e um grande desafio de saúde pública no Brasil, assim como em todo o mundo, pode ocorrer em qualquer fase da vida, mas o início precoce traz uma maior preocupação aos profissionais de saúde.

O excesso de peso associa-se a um maior risco de aparecimento de alterações do colesterol, doenças cardiovasculares, hepáticas e ortopédicas. Outras complicações incluem hipertensão arterial, diabetes, alguns tipos de câncer, além de problemas psicológicos, que certamente impactarão todas as fases da vida.

Dados recentes do Ministério da Saúde estimam que cerca de 6,4 milhões de crianças brasileiras menores de 10 anos estão acima do peso considerado saudável. Dentre essas, mais de 3 milhões já são consideradas obesas. Aproximadamente 11 milhões de adolescentes apresentam excesso de peso, dos quais 4,1 milhões são obesos.

Filhos de pais obesos têm maior risco de desenvolver obesidade, e o início ainda na infância associa-se a uma maior chance de persistirem obesos na idade adulta – estima-se que 50% dos adolescentes com obesidade continuarão obesos na idade adulta. A doença atinge todas as classes sociais, mas o surgimento de novos casos é ainda maior entre os mais pobres.

A obesidade tem vários fatores envolvidos. O aumento expressivo de casos nas últimas quatro décadas parece, porém, resultar de uma combinação entre os fatores biológicos e comportamentais, presentes em vários cenários, como a família, a escola e a sociedade.

No ambiente em que vivemos há um consumo exagerado de alimentos altamente calóricos e de baixa qualidade nutricional, associado à falta de atividade física e ao sedentarismo, decorrente do uso constante de computadores, smartphones, tablets, videogames, etc. As questões culturais, sociais e psicológicas, bem como a dinâmica familiar, contribuem com esses fatores.

A prevenção é a melhor forma de enfrentarmos esse grande desafio. Nesse sentido, dicas de prevenção podem ser úteis para contribuir nessa batalha:

 – Gestação: período de oportunidade para a reflexão e adoção de hábitos alimentares e um estilo de vida mais saudável. Assim, é possível prevenir o ganho de peso excessivo durante esse período, proporcionando um desenvolvimento adequado ao feto. Além disso, sabe-se que a alimentação da gestante pode influenciar a preferência alimentar da criança após o nascimento.

– Aleitamento materno: exclusivo até os 6 meses de idade e complementar até os 2 anos ou mais tem efeito protetor, diminuindo o risco de a criança desenvolver obesidade.

– Alimentação complementar: realizar a introdução na idade adequada, respeitando o desenvolvimento da criança, através da introdução de refeições nutritivas e balanceadas, que favoreçam o crescimento, desenvolvimento e a aquisição de um comportamento alimentar saudável precocemente, que terá maior chance de persistir durante toda a vida.

 – Consumo de alimentos: preferir alimentos naturais como arroz, feijão, carnes magras, verduras, legumes e frutas, evitando os alimentos industrializados. É interessante oferecer várias vezes o mesmo alimento para que a criança tenha inúmeras oportunidades de experimentar e se familiarizar com novas texturas e sabores. Estimular a curiosidade natural dos lactentes por alimentos novos é uma boa estratégia para criar um hábito alimentar saudável.

– Respeitar a fome e saciedade de cada criança, compreendendo sua capacidade de autorregulação para a ingestão de alimentos, evitando dessa forma a insistência e a cobrança, que podem estimular o consumo alimentar excessivo.

– Evitar oferecer alimentos diante de qualquer desconforto, expresso ou não através do choro. Nem todo choro é fome – pode ser a expressão de outras sensações e emoções como desconforto, tristeza e frustração, que fazem parte da vida e não são resolvidas através da ingestão de alimentos.

– Os pais e outros familiares têm a responsabilidade de dar o bom exemplo às crianças durante os momentos de refeição em família, com hábitos alimentares saudáveis.

– O estabelecimento de regras e o respeito a uma disciplina na rotina alimentar, com horários e local adequados para as refeições principais, são fundamentais para a aquisição de um hábito alimentar saudável.

– Proibir distrações como televisão, celular e tablets durante as refeições, para que a criança possa usufruir ao máximo esse momento, sentindo com prazer sensações como cheiro, sabor e visual dos alimentos oferecidos.

– Incentivar, proporcionar e promover a atividade física através de brincadeiras ao ar livre, passeios a parques, jogos de recreação e atividades esportivas.

– Controlar o tempo gasto com telas de um modo geral (televisão, smartphone, tablets, computador e videogames), reduzindo essa exposição ao mínimo possível.

– Estabelecer uma rotina de sono, respeitando horários adequados para cada faixa etária, em ambiente tranquilo e com pouca iluminação.

– As consultas de rotina com o pediatra oferecem uma oportunidade de aprendizagem, apoio, incentivo e reforço de comportamentos que favoreçam a construção de um ambiente familiar saudável para o desenvolvimento da criança. Esse acompanhamento é fundamental para a prevenção da obesidade e outras doenças, através do constante monitoramento do crescimento e desenvolvimento, além do estabelecimento de uma rotina que contribua com a promoção da saúde das crianças.

 

Saiba mais:

 

Cassoni C. Estilos parentais e práticas educativas parentais: revisão sistemática e crítica da literatura. Tese de Mestrado, 2013. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-14122013-105111/publico/MESTRADO_CYNTHIA_CASSONI.pdf

Dietz WH. Childhood weight affects adult morbidity and mortality. The Journal Of Nutrition 1998;[s.l.]128(2):411-414. Oxford University Press (OUP). Disponível em: https://academic.oup.com/jn/article/128/2/411S/ 4724031. Acesso em: 20 fev. 2019.

Karnik S, Kanekar A. Childhood obesity: A global public health crisis. Int J Prev Med, Bethesda. 2012;1(3):1-7. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3278864/. Acesso em: 21 maio 2019.

Lopez NV, Schembre S, Belcher BR, O’Connor S, Maher JP, Arbel R, et al. Parental styles, food-related parenting practices, and children’s healthy eating: A mediation analysis to examine relationships between parenting and child diet. Appetite. 2018 Sep 1;128:205-213. doi: 10.1016/j.appet.2018.06.021. Epub 2018 Jun 18. PMID: 29920321; PMCID: PMC7529118. <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29920321/> Acesso em 20/05/2021.

Ministério da Saúde – Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) – Promoção da Saúde e da Alimentação Adequada e Saudável

Santana CP et al. Associação entre supervisão parental e comportamento sedentário e de inatividade física em adolescentes brasileiros. Cien Saude Colet Rio de Janeiro; 2019;05(01):01-01. Disponível em: https://bit.ly/2ymlyl6. Acesso em: 10 fev. 2020.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação – Obesidade na Infância e na Adolescência. 3. Edição Revisada e Ampliada https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Manual_de_Obesidade_-_3a_Ed_web_compressed.pdf

 

Relatora:
Valéria Moro
Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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