Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 17 Jun 2026 19:35:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Fogos, fogueiras e futebol: aproveite as festas com atenção à segurança das crianças https://spsp.org.br/fogos-fogueiras-e-futebol-aproveite-as-festas-com-atencao-a-seguranca-das-criancas/ Wed, 17 Jun 2026 19:35:49 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57479 ]]>

Junho é um mês especial para as famílias brasileiras. As festas juninas trazem música, dança e comidas típicas, enquanto a Copa do Mundo reúne pais e filhos em frente à televisão.

O clima frio, os fogos de artifício, alguns alimentos típicos, a fumaça das fogueiras e a maior circulação de vírus respiratórios podem aumentar os riscos para os pequenos.

É tempo de celebrar, mas também de cuidar.

Os perigos dos fogos de artifício e das fogueiras

Entre as principais causas de acidentes infantis nesta época do ano estão os fogos de artifício e as fogueiras. Queimaduras por esses agentes podem ser graves, causando dor intensa, cicatrizes permanentes e, em casos mais sérios, necessidade de hospitalização, cirurgia e até morte. Fogos de artifício também podem provocar lesões oculares e nos ouvidos.

Crianças são especialmente vulneráveis porque têm a pele mais fina e reagem de forma mais intensa ao calor.

 E durante os jogos da Copa?

As reuniões para assistir aos jogos também pedem atenção. Evite que crianças e adolescentes consumam bebidas alcoólicas ou excesso de alimentos ultraprocessados. Respeite o horário de sono, especialmente dos menores. Aglomerações também pedem cuidado com higiene das mãos e ventilação dos ambientes. O barulho de comemorações, fogos e buzinas pode assustar bebês, crianças pequenas ou portadores de deficiência, sendo que protetores auriculares podem ser necessários. Além disso, a exposição a barulhos excessivos, pode prejudicar a audição.

As crianças devem ser mantidas sempre por perto em locais movimentados, e providencie uma identificação com o nome, telefone e endereço dos responsáveis, caso se percam.

Orientações para os pais:

  • Fogos de artifício. Nunca devem ser manuseados por crianças, independentemente do tamanho ou tipo. Mesmo os chamados “fogos de mão”, como “estrelinhas”, atingem temperaturas altíssimas e são responsáveis por muitos acidentes.
  • Mantenha distância segura das fogueiras. Crianças pequenas devem ser observadas de perto o tempo todo quando há fogo por perto. Roupas típicas com tecidos leves e sintéticos podem pegar fogo com facilidade, então prefira fantasias de algodão.
  • Balões. Não solte balões. Além de ser crime ambiental no Brasil, podem provocar incêndios e acidentes graves.
  • Supervisão. As crianças devem ficar sob supervisão constante de um adulto responsável e assistir aos fogos apenas de longe.
  • Em caso de queimadura. Resfrie a área imediatamente com água corrente fria por pelo menos 10 minutos. Não use pasta de dente, manteiga, clara de ovo ou qualquer outro produto caseiro. Procure atendimento médico.
  • Atenção redobrada às comidas típicas. Alimentos redondos ou duros, como amendoins inteiros, pipoca ou mesmo salsicha, oferecem risco de engasgo para crianças pequenas. Corte os alimentos em pedaços menores e não deixe a criança dançar ou brincar enquanto está comendo.

 

Junho pode e deve ser um mês de muita alegria para toda a família. Com informação e atenção, é possível celebrar com segurança.

 

Relatora:
Sarah Saul
Presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Dia Internacional de Atenção aos Acidentes Ofídicos https://spsp.org.br/dia-internacional-de-atencao-aos-acidentes-ofidicos/ Thu, 19 Sep 2024 19:09:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48062 Você sabia que em 19 de setembro é celebrado o Dia Internacional de Atenção aos Acidentes Ofídicos? Esta data foi criada por uma coalizão de organizações, entre elas a OMS]]>

Você sabia que em 19 de setembro é celebrado o Dia Internacional de Atenção aos Acidentes Ofídicos? Esta data foi criada por uma coalizão de organizações, entre elas a OMS, visando aumentar a conscientização e a visibilidade sobre o impacto mundial das picadas de cobra, com ênfase na promoção de estratégias de prevenção, tratamento e educação na abordagem desses acidentes. O entendimento da dimensão deste agravo em nossa população e a distribuição geográfica das ocorrências em cenário nacional reforçam a necessidade de investimentos em pesquisa, com a descoberta de novos antivenenos e tratamentos mais rápidos e eficazes.

Recentemente, após a ocorrência das grandes enchentes no Rio Grande do Sul, houve aumento importante das picadas de jararacas, que foram trazidas pelas águas para o ambiente outrora habitado pelo ser humano.

De importância epidemiológica no Brasil, as mais frequentemente envolvidas com acidentes são as jararacas – serpentes agressivas e habitantes de áreas mais úmidas, paióis, locais com grande quantidade de roedores e de hábito prioritariamente vespertino. As cascavéis são as segundas em termos de número de ocorrências, habitam locais mais secos e arenosos, “podendo avisar” quando vão atacar a presa, com o ruido do chocalho. De menor importância em termos de número, temos os acidentes causados pela surucucu e a coral. A surucucu prevalece nos Estados do Norte e a cobra coral pode causar acidentes muito graves, sendo, porém, menos frequentes no Brasil. O reconhecimento dela se dá pela presença dos anéis coloridos, que podem ser de diversas formas e coloração, não havendo padrão único.

Como estratégias de prevenção, devemos citar:

  • Educação continuada da população:Informar as comunidades sobre os riscos das serpentes e como se comportar em áreas onde elas são comuns, mapeando a ocorrência das mesmas;
  • Orientar o uso de calçados adequados:Incentivar o uso de botas e calças longas ao caminhar em áreas de risco, particularmente em áreas úmidas ou que sofreram enchentes.
  • Remover potenciais abrigos para serpentes:Manter os ambientes limpos e livres de entulhos, que possam servir de abrigo para serpentes;
  • Evitar contato:Ensinar as pessoas a não tentar capturar ou matar serpentes, pois isso aumenta o risco de picadas. Além disso, orientar que não se deve mexer em buracos no chão ou ocos de árvores, sem a devida proteção;
  • Outra informação interessante: nem todas as serpentes possuem veneno (por exemplo, no Brasil, temos as jiboias e sucuris, que não são venenosas) e nem toda picada, ainda que de serpentes venenosas, levará a envenenamento. Isso dependerá do gênero da cobra e da quantidade de veneno aplicada. Mas o leigo não tem como saber isso; portanto, todo paciente picado por serpentes deve ser encaminhado ao hospital o mais rapidamente possível, para tratamento oportuno.

 

Tratamento e manejo dos acidentes ofídicos

Caso ocorra acidente com cobras deve-se tomar essa sequência de atitudes:

  • Buscar ajuda médica:A primeira ação após uma picada deve ser procurar atendimento médico o mais rápido possível. Deve-se acalmar a vítima e afastá-la da serpente. Preferencialmente o atendimento deve ser em locais onde haja soro;
  • Imobilização do membro afetado:Manter a área da picada imóvel e abaixo do nível do coração pode ajudar a retardar a propagação do veneno. Deve-se também tirar todos os adereços que podem aumentar a constrição do membro: anéis, pulseiras, cintos, fitas, cordas, ou quaisquer outros adereços que podem comprimir o local picado, piorando a necrose;
  • Não aplicar torniquetes:O uso de torniquetes pode causar mais danos do que benefícios e deve ser evitado. O torniquete, além de dificultar a circulação local, pode permitir que o veneno fique muito concentrado na região da picada, acentuando o efeito necrosante, que é frequente, principalmente na picada da jararaca, aumentando a chance de amputação e sequelas locais;
  • Administração de antiveneno:O tratamento com antiveneno é a forma mais eficaz de neutralizar os efeitos do veneno, e deve ser administrado por profissionais de saúde. Os tratamentos caseiros, como ervas medicinais, borra de café, garrafadas ou querosene não são eficazes e não devem ser feitos.
  • Tratamento com antiveneno: estes são encontrados apenas nos hospitais do SUS. O antiveneno deve ficar armazenado em temperatura de 2 a 8 graus e deve ser administrado em ambiente hospitalar. A descrição da cobra ou uma foto dela pode ajudar na prescrição de soro específico. Os soros antiofídicos de uso veterinário não devem ser usados em humanos. Não se deve criar serpentes venenosas de outros países, pois o antiveneno provavelmente não estará disponível em nosso país e caso ocorram acidentes, a evolução pode ser dramática.

 

Apesar de ser terapêutica aplicada em hospitais do SUS, nem todos eles possuem o antiveneno. Assim, as Secretarias de Saúde dos Estados são responsáveis por avaliar e indicar os hospitais mais adequados para administrar os soros antiofídicos. É importante que as pessoas conheçam o hospital mais próximo das suas casas onde eles se encontram.

Caso encontre uma serpente, você deve afastar-se dela. Se ela tiver aparecido dentro ou próximo da residência, contate a autoridade competente para que seja providenciada a remoção da serpente para um local que não ofereça risco à população.

 

Relatores:

Joelma Gonçalves Martin
Graziela de Almeida Sukys
André Pacca Luna Mattar
Departamento Científico de Emergências da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Você já ouviu falar em “sepse”? https://spsp.org.br/voce-ja-ouviu-falar-em-sepse/ Fri, 13 Sep 2024 11:29:35 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47978 Relatora:Daniela Carla de SouzaPresidente do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)Membro do Departamento Científico de Terapia Intensiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

Provavelmente, muitos pais e cuidadores nunca ouviram esse termo, apesar da sepse ser uma condição antiga e perigosa. É possível que você a conheça como “septicemia” ou “infecção generalizada”. Mas, afinal, o que é sepse?

A sepse é uma condição grave, uma emergência médica que precisa ser reconhecida e tratada rapidamente. Ela ocorre quando o corpo, na tentativa de combater uma infecção, reage de forma descontrolada, causando danos aos próprios órgãos, como o coração, pulmões, cérebro e rins, colocando a vida do paciente em risco. A sepse pode ser causada por infecções comuns da infância, desencadeadas por vírus, bactérias ou protozoários.

Você pode se perguntar: “Todo mundo pode ter sepse? Por que algumas pessoas desenvolvem sepse e outras não?” A evolução para sepse depende do tipo de patógeno (o agente causador da infecção), das condições de saúde do paciente e do ambiente em que ele vive. Certos grupos são mais vulneráveis, como recém-nascidos, pessoas com doenças crônicas, pacientes em terapia imunossupressora, aqueles que foram internados recentemente ou que fizeram uso de antibióticos. Os pacientes com desnutrição e pacientes que vivem em regiões com condições sanitárias precárias também apresentam um risco maior de uma infecção evoluir para sepse. Esses pacientes têm o sistema imunológico enfraquecido e, portanto, são mais suscetíveis à sepse.

Os pais podem e devem estar atentos aos sinais de sepse, buscando imediatamente ajuda médica se a criança apresentar febre, respiração acelerada, palpitações (batimentos cardíacos muito rápidos), palidez, extremidades arroxeadas, sonolência excessiva ou manchas pelo corpo.

É importante destacar que a sepse pode ser prevenida. Manter a carteira de vacinação das crianças em dia, praticar boa higiene, incluindo a lavagem frequente das mãos, e usar antibióticos apenas quando prescritos por um médico são medidas eficazes para prevenir essa condição.

A sepse é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde pública global. Anualmente, mais de 25 milhões de crianças e adolescentes desenvolvem sepse, e mais de 3,5 milhões morrem em decorrência dessa condição. No Brasil, um estudo coordenado pelo Instituto Latino-Americano de Sepse revelou que mais de 42.000 crianças são internadas em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica com sepse a cada ano, e mais de 8.300 delas não sobrevivem. Quando a sepse não leva à morte, ela pode deixar marcas que afetam a mente, o corpo e as emoções dos pacientes e de seus familiares.

O Dia Mundial da Sepse, celebrado em 13 de setembro, é uma oportunidade para instituições de vários países realizarem campanhas que visam aumentar o conhecimento sobre essa grave condição. Junte-se a nós no combate à sepse: informe-se e compartilhe o que aprendeu.

Saiba mais:

https://ilas.org.br/dia-mundial-da-sepse/Rudd KE, Johnson SC, Agesa KM, Shackelford KA, Tsoi D, Kievlan DR, et al. Global, regional, and national sepsis incidence and mortality, 1990-2017: analysis for the Global Burden of Disease Study. Lancet. 2020;395(10219):200-11.

de Souza DC, Gonçalves Martin J, Soares Lanziotti V, de Oliveira CF, Tonial C, de Carvalho WB, et al. The epidemiology of sepsis in paediatric intensive care units in Brazil (the Sepsis PREvalence Assessment Database in Pediatric population, SPREAD PED): an observational study. Lancet Child Adolesc Health. 2021;5(12):873-81.

Relatora:
Daniela Carla de Souza
Presidente do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)
Membro do Departamento Científico de Terapia Intensiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Sepse: uma prioridade de saúde global https://spsp.org.br/sepse-uma-prioridade-de-saude-global/ Wed, 13 Sep 2023 12:22:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39267 O Dia Mundial da Sepse (DMS), celebrado anualmente no dia 13 de setembro, foi proposto pela Aliança Global para Sepse (Global Sepsis Alliance) em 2012 e, de]]>

O Dia Mundial da Sepse (DMS), celebrado anualmente no dia 13 de setembro, foi proposto pela Aliança Global para Sepse (Global Sepsis Alliance) em 2012 e, desde então, eventos são realizados com o objetivo de aumentar a conscientização sobre sepse em todas as partes do mundo.

Você sabe o que é sepse?

A sepse ocorre em decorrência de uma inflamação exagerada do organismo, em resposta a uma infecção, geralmente causada por uma bactéria. Esta resposta inflamatória pode levar a uma série de complicações e causar danos ao nosso próprio corpo, afetando diversos órgãos e criando uma disfunção generalizada.

É uma emergência médica que precisa de tratamento imediato, uma vez que pode causar danos aos rins, pulmões, cérebro e coração e até a morte.

A sepse foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017 como uma prioridade de saúde pública global devido ao elevado impacto da doença (elevadas incidência, mortalidade, morbidade… e impacto financeiro também elevado).

Em 2017…

– 48,9 milhões de pessoas tiveram sepse;

– 11 milhões de pessoas morreram em decorrência da sepse – 1 em cada 5 óbitos que ocorrem no mundo é relacionado à sepse;

– mais da metade dos casos (25,3 milhões) de sepse ocorre em crianças e adolescentes;

– mais de 75% dos casos e dos óbitos por sepse ocorrem em países de baixa e média renda, onde nós, Brasil, estamos incluídos.

Diante dessa realidade, a OMS demanda que seus países membros implementem medidas de prevenção, diagnóstico e tratamento da sepse para reduzir seu impacto. Países com Austrália e Suíça já implementaram Planos Nacionais de Combate à Sepse.

Qual a realidade brasileira?

ADULTOS – Estima-se que:

– 30% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) são ocupados por pacientes com sepse (letalidade muito elevada, 56%);

– 420.000 casos de sepse/ano (adultos);

– 230.000 óbitos/ano (adultos).

 

CRIANÇAS – Estima-se que:

– 25% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) são ocupados por crianças com sepse (letalidade 20%);

– 42.374 casos de sepse em crianças/ano;

– 8.305 crianças morrem no Brasil anualmente em decorrência da sepse;

– fatores associados a elevada mortalidade: status vacinal desconhecido ou atrasado, infecções associadas à assistência à saúde, atraso no diagnóstico e tratamento… são fatores passíveis de prevenção e intervenção.

Qual o problema da sepse (barreiras).

– sepse é uma emergência (tempo é vida… atraso no diagnóstico e início do tratamento leva a aumento de mortalidade… igual a Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infarto;

– sepse é uma doença desconhecida (não é popular como outras doenças, como infarto e ACV);

– falta de conhecimento sobre sepse;

– falta de infraestrutura e recursos;

– imprensa não fala em sepse… usa infecção generalizada, disfunção de múltiplos órgãos.

Em 2021, a cidade de São Paulo, por meio de um mandato, instituiu o PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE SEPSE, no qual todos os Serviços de Saúde devem adotar um protocolo de sepse. Esta ação visa incentivar e promover a participação governamental na luta contra a sepse e defender que o investimento na saúde e na educação é uma medida de solução custo-efetiva.

Mas precisamos fazer muito mais… Existem exemplos excelentes, como os da Rory Staunton Foundantion (https://www.endsepsis.org/)

E como a sepse pode ser prevenida?

Se a criança ficar doente, com febre e com alteração do seu comportamento habitual, procure atendimento médico. Se for detectada uma infecção, deve ser prescrito antibiótico, que será administrado exatamente como indicado – dose, intervalos e tempo total de tratamento. Se a criança não apresentar melhora ou piorar dos sintomas, deverá ser reavaliada.

E devemos fazer o possível para evitar infecções: tomar todas as vacinas recomendadas, lavar as mãos e cuidar de ferimentos, como cortes e arranhões.

 

Saiba mais:

  • Global Sepsis Alliance. Disponível em: https://www.global-sepsis-alliance.org/
  • WHO calls for global action on sepsis – cause of 1 in 5 deaths worldwide. Disponível em: https://www.who.int/news/item/08-09-2020-who-calls-for-global-action-on-sepsis—cause-of-1-in-5-deaths-worldwide
  • Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) – Dia Mundial da Sepse (DMS). SOBRE O DIA MUNDIAL DA SEPSE. Disponível em: https://ilas.org.br/dia-mundial-da-sepse/)
  • The Legacy of Rory Staunton. Disponível em: https://www.endsepsis.org/
  • Disponível em: https://kidshealth.org/en/parents/sepsis.html
  • LEI Nº 17.570 DE 8 DE JUNHO DE 2021.Disponível em: https://legislacao.prefeitura.sp.gov.br/leis/lei-17570-de-8-de-junho-de-2021

 

Relatora:
Daniela Carla de Souza
Presidente do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)
Departamento Científico de Terapia Intensiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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6 de junho – Dia Nacional de Luta contra Queimaduras https://spsp.org.br/6-de-junho-dia-nacional-de-luta-contra-queimaduras/ Tue, 06 Jun 2023 19:26:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37763 Acidentes envolvendo substâncias quentes, cáusticas ou até mesmo os incêndios são relatados desde a antiguidade. Impossível não nos]]>

Acidentes envolvendo substâncias quentes, cáusticas ou até mesmo os incêndios são relatados desde a antiguidade. Impossível não nos lembrarmos do grande incêndio que aconteceu em São Paulo, na década de 1970, com o Edifício Joelma, ou a tragédia da Boite Kiss, no Rio Grande do Sul. Entre todas as características que envolvem esse tipo de evento, a mais importante é que a grande maioria das situações seriam preveníveis.

As queimaduras são consideradas um problema de saúde pública, pois representam uma parcela significativa de morbimortalidade na população mundial. No Brasil, ocorre cerca de um milhão de acidentes ao ano envolvendo queimaduras. Desses, 100 mil atendimentos são em unidades de saúde, chegando a 2.500 óbitos. Os países de renda média ou baixa são responsáveis por 90% dos casos de queimaduras. Mesmo os acidentes não fatais levam a terríveis consequências, como incapacidades funcionais, estéticas, psicológicas, sociais, além da dificuldade de retorno à mesma qualidade de vida.

Em relação à epidemiologia, observa-se que a maior parte das queimaduras ocorre no ambiente domiciliar e 80% acontecem na cozinha. O principal agente são os líquidos superaquecidos, que provocam escaldaduras. As lesões em geral são múltiplas e em várias regiões do corpo, pois geralmente o líquido cai ou espirra na criança e escorre. Um dado alarmante é que cerca de 20% das queimaduras em crianças estão relacionadas a maus-tratos infantis: 10%-12% das crianças agredidas apresentam queimaduras graves.

As queimaduras podem ser divididas em:

  • Térmicas: líquidos, vapores, sólidos superaquecidos e substâncias inflamáveis.
  • Elétricas: contato com corrente elétrica, seja por passagem de corrente pelo corpo ou explosão.
  • Outras: substâncias químicas, “geladura” e radiação (ingestão de pilhas, baterias).

Outra forma de classificação é em relação à profundidade das queimaduras, descritas como de primeiro, segundo ou terceiro grau. As de primeiro grau são as mais superficiais e são as conhecidas queimaduras solares. Quando existe a presença de bolhas, um nível um pouco mais profundo foi acometido, causando dor muito intensa. As de terceiro grau são as mais profundas e mais graves. Toda queimadura elétrica é classificada como de terceiro grau.

Na ocorrência de uma queimadura, existem algumas condutas que são consideradas universais e que podem ser realizadas por qualquer pessoa que esteja acessível à vítima. Esse primeiro atendimento é fundamental para a boa evolução da criança.

É importante salientar que o socorrista nunca deve se expor aos mesmos perigos que a vítima, para não se tornar mais uma vítima! O resgate especializado deve ser feito sempre pelo Corpo de Bombeiros – 193.

O primeiro objetivo é interromper o processo de queimadura: deve ser feito o resfriamento da lesão com água limpa e corrente, por pelo menos 20 minutos. Após, deve ser protegida com gaze, tecidos limpos, de modo frouxo, sem compressão no local.

Em hipótese alguma deve-se colocar qualquer substância sobre a área queimada. Pomadas de qualquer tipo, emplastros caseiros, substâncias orgânicas são totalmente contraindicados, pois além de não aliviarem a dor, podem causar malefícios, como infecções. A medicação que pode ser oferecida à criança é um analgésico de uso habitual. Em algumas situações especiais a criança deve ser encaminhada a uma unidade de saúde, para receber tratamento especializado, pois representam maior risco à saúde. São elas: presença de bolhas, queimaduras elétricas e químicas, lesões na face, nos olhos, no períneo, nas mãos, nos pés e nas articulações.

As queimaduras não são consideradas acidentes: o manuseio inadequado de agentes inflamáveis, geralmente pelos adultos, a falta de políticas públicas e privadas de prevenção e, principalmente, a falta de supervisão das crianças são os grandes culpados por essa triste ocorrência.

Muitas campanhas de prevenção têm sido realizadas nos últimos tempos, destacando-se o “JUNHO LARANJA”, que foi criado pela Sociedade Brasileira de Queimados (SBQ), também responsável pela divulgação e instituição do Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, dia 6 de junho. Fomentado pelas tradicionais festas juninas, tipicamente comemoradas em junho, a SBQ, juntamente com várias ONGs e iniciativas do setor privado, lideram campanhas em TVs e mídias sociais, a fim de sensibilizar a população para esse grave problema de saúde pública. Quanto mais conhecermos um problema, mais temos a chance de preveni-lo.

Pais, mantenham seus filhos sob vigilância, longe da cozinha e informem-se sobre os perigos que envolvem substâncias quentes e cáusticas. Uma sociedade bem informada, juntamente com as campanhas de prevenção, podem salvar muitas vidas.

 

Relatora:
Andréa de Melo Alexandre Fraga
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Engasgo em crianças https://spsp.org.br/engasgo-em-criancas/ Wed, 19 Apr 2023 12:14:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37053 O engasgo é uma manifestação do organismo com o intuito de expelir algum objeto ou alimento presente na garganta, bloqueando a passagem de ar nas vias respiratórias, e que em algumas situaç]]>

O engasgo é uma manifestação do organismo com o intuito de expelir algum objeto ou alimento presente na garganta, bloqueando a passagem de ar nas vias respiratórias, e que em algumas situações, se não houver nenhum socorro, pode ser fatal.

O engasgo ocorre predominantemente em crianças menores de cinco anos, causado principalmente por alimentos (amendoim, milho, uva, feijão, castanha, nozes, outras leguminosas e sementes), pequenos brinquedos de plástico, tampinhas de canetas e esferas metálicas. Fragmentos de bexigas, objetos pontiagudos e baterias são os mais perigosos.

Tosse persistente e/ou intensa, chiado no peito, rouquidão, respiração ruidosa, falta de ar súbita, dificuldade para falar, inquietação e a criança levar as mãos ao pescoço, como se estivesse sufocada, são sugestivos do bloqueio das vias aéreas.

Quando o bloqueio das vias áreas é parcial, em que a criança pode tossir e esboçar sons, não se deve bater nas costas dela, levantar os braços, colocar os dedos às cegas na garganta da criança, etc. Esses movimentos podem fazer com que o objeto que está causando o engasgo se mova e torne a obstrução completa. Incentive-a a tossir e leve-a imediatamente ao serviço de emergência.

Quando o bloqueio é total, em que a criança não consegue esboçar qualquer som, está com falta de ar, e muitas vezes com os lábios arroxeados, deve-se realizar algumas manobras de salvamento, em casa, pelos cuidadores. Daí a importância que os mesmos estejam capacitados por cursos complementares.

As manobras de salvamento, chamadas manobras de Heimlich, em crianças maiores de um ano, consistem em se posicionar atrás da vítima e passar os braços ao redor do seu abdome, fechar uma mão sobre a outra na região conhecida popularmente como “boca do estômago” e realizar compressões para dentro e para cima, até que o corpo estranho seja deslocado da via aérea para a boca e expelido (figura 1) ou até que a criança perca a consciência (desmaie por falta de ar). Nesse caso, deve-se iniciar as manobras para parada cardiorrespiratória.

Figura 1. Manobra de Heimlich em crianças maiores de 1 ano. Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

Em menores de um ano, deve-se colocá-los de bruços em cima do braço não dominante, com a cabeça voltada para baixo, e realizar cinco compressões na região das costas, entre as escápulas. Em seguida, rolar o bebê para o outro braço, mantendo sempre a cabeça dele mais para baixo que os pés, colocando-o com a barriga para cima e realizar cinco compressões na região do osso do peito (esterno) utilizando dois dedos, até que o objeto seja expelido. Abrir a boca do bebê e verificar se o objeto pode ser visualizado. Se sim, retirá-lo delicadamente da boca. Caso não seja possível enxergar o objeto na boca do bebê, repetir a manobra (figura 2), até que o objeto seja expelido ou o bebê perca a consciência. Nesse caso, deve-se realizar as manobras para parada cardiorrespiratória.

Figura 2. Manobra de retirada em crianças menores de 1 ano. Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

No Brasil, de acordo com o Datasus, a inalação e a ingestão de alimentos ou outros objetos causando obstrução do trato respiratório foram responsáveis por 173 óbitos de crianças de até nove anos no ano de 2020. Os bebês até um ano de idade foram as maiores vítimas, com 128 ocorrências.

O principal fator de risco para o engasgo é a falta de supervisão das crianças pelos adultos, e a principal estratégia para evitar a sua ocorrência é a prevenção. É importante salientar também que o grande número de casos de engasgo por alimentos também está relacionado à ausência de molares em crianças de dois a três anos, que são capazes de morder com os incisivos, porém não têm a capacidade de triturar totalmente os alimentos.

As principais medidas de prevenção para a ocorrência de engasgo são:

  • Supervisionar sempre a alimentação das crianças pequenas.
  • Cortar os alimentos em pedaços bem pequenos e ensinar as crianças a mastigá-los.
  • Não alimentar as crianças enquanto correm, andam, brincam ou estejam deitadas. Não alimentar no carro em movimento.
  • Não colocar alimentos na boca de uma criança chorando. Orientar que ela não deve falar enquanto mastiga.
  • Não comprar brinquedos com partes pequenas e manter objetos pequenos fora do alcance das crianças.
  • Seguir a recomendação da embalagem dos brinquedos com relação à idade ideal para aquisição (regulação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO).
  • Evitar adereços como pulseiras, berloques e medalhas nos braços dos bebês.

 

Relator:
Alexandre Massashi Hirata
Secretário do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Prurido do traje de banho ou piolho-do-mar. Já ouviu falar? https://spsp.org.br/prurido-do-traje-de-banho-ou-piolho-do-mar-ja-ouviu-falar/ Fri, 18 Nov 2022 11:54:49 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35520 Você já ouviu falar em prurido do traje de banho ou piolho-do-mar? Pois é! Na volta desse feriado de 15 de novembro notamos um aumento da procura de consultas no pronto-socorro e nos]]>

Você já ouviu falar em prurido do traje de banho ou piolho-do-mar?

Pois é! Na volta desse feriado de 15 de novembro notamos um aumento da procura de consultas no pronto-socorro e nos consultórios, por crianças que voltaram da praia e que começaram com manchas vermelhas em todo o corpo, com coceira intensa, após terem entrado na água do mar. Essas manchas aparecem no tórax, braços, pernas, glúteos e se parecem muito com picadas de inseto ou “alergia”. Isso é causado por minúsculas larvas (menores que um grão de pimenta moída) que vão virar água-viva. Quando elas entram em contato com o corpo e ficam presas nas axilas, no biquíni, na sunga ou maiô, liberam substâncias (toxinas) que causam essas manchas na pele, geralmente após 24 horas do banho de mar. Na grande maioria das vezes, os sintomas ficam restritos à pele, mas podem ocorrer febre, náuseas e calafrios. O tratamento é à base de antialérgico e medidas para aliviar a coceira. A duração dos sintomas pode ser de até duas semanas.

Para evitar esse desconforto, a maneira mais segura é ficar fora da água. Mas, como sabemos que isso não é tarefa nada fácil com as crianças, ao sair da água não secar com toalha, porque isso pode ativar os ferrões das larvas, lavar bem o corpo e as roupas de banho com água corrente.

Se identificar algo parecido, procure o seu pediatra para maiores esclarecimentos!

 

Relatora:

Milena de Paulis

Membro do Departamento Científico de Emergências da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Acidentes por animais peçonhentos: como prevenir e o que fazer https://spsp.org.br/acidentes-por-animais-peconhentos-como-prevenir-e-o-que-fazer/ Thu, 08 Oct 2020 12:45:32 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3429 Animais peçonhentos são aqueles que produzem peçonha (veneno) e têm condições naturais para injetá-la em presas ou predadores.
Nos últimos anos, foram registrados no Brasil cerca de 140 mil acidentes por animais peçonhentos, dentre serpentes, aranhas, escorpiões, lagartas, abelhas e outros em menor proporção.
Esses acidentes são mais comuns nos meses de verão, devido ao calor, umidade e período de reprodução. Manter a higiene e limpeza é fundamental, uma vez que lixo e entulhos podem servir de abrigo para muitos destes animais, além de funcionarem como chamariz para sua alimentação.

andrey bezuglov | depositphotos.com

Devido ao alto número de ocorrências, esse tipo de acidente foi incluído na Lista de Notificação Compulsória do Brasil, ou seja, todos os casos devem ser notificados ao Governo Federal imediatamente após a confirmação. Essa medida ajuda a traçar ações para prevenção.
O acidente ofídico é aquele causado pela picada de serpentes. Divide-se em quatro tipos, dependendo da serpente (jararaca, cascavel, surucucu e coral verdadeira) e causam diferentes manifestações clínicas: inchaço, vermelhidão, manchas arroxeadas, dor ou dormência no local da picada. Além disso, as vítimas também podem apresentar alterações na urina, pálpebras caídas, vômito, diarreia, dor abdominal e sangramento nas gengivas. Dependendo da quantidade de veneno injetado e do tamanho da cobra, os sintomas podem ser mais ou menos graves.

O que fazer em caso de acidente

  • Procure atendimento médico imediatamente.
  • Informe ao profissional de saúde o máximo possível de características do animal, como: tipo, cor, tamanho, etc.
  • Se possível – e caso não atrase a ida do paciente ao atendimento médico – lave o local da picada com água e sabão, mantenha a vítima em repouso e com o membro acometido elevado até a chegada ao pronto-socorro.
  • Se a picada ou ferroada foi na extremidade do corpo (braço, mão, perna e pé), retire acessórios que possam comprimir e comprometer a circulação de sangue como anéis, fitas e calçados.
  • O que NÃO fazer: NÃO amarrar (torniquete) o membro acometido, NÃO cortar e/ou aplicar qualquer tipo de substância (pó de café, álcool, entre outros) no local da picada; NÃO tentar sugar o veneno (isto apenas aumenta a chance de infecção local).
    A utilização de antídotos (conhecidos como “soro”) será indicada pelo médico, durante o atendimento da vítima, baseada em protocolos disponíveis no site do Ministério da Saúde e que são constantemente atualizados.

Como prevenir

O risco de acidentes com animais peçonhentos pode ser reduzido tomando-se algumas medidas gerais:

  • Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem.
  • Examinar calçados, roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-los.
  • Afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários.
  • Não acumular entulhos e materiais de construção.
  • Limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de parede.
  • Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés.
  • Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos.
  • Manter limpos os locais próximos das casas, jardins, quintais, paióis e celeiros.
  • Evitar plantas tipo trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada.
  • Limpar terrenos baldios, pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas.
  • Cuidado ao se aproximar da vegetação, gramados e jardins no amanhecer e entardecer, pois é nesse momento que as serpentes estão em maior atividade.
  • Não acampar próximo a áreas onde há roedores (plantações, pastos ou matos) e, por conseguinte, maior número de serpentes.
  • Evitar piqueniques às margens de rios, lagos ou lagoas e não se encostar em barrancos durante pescarias ou outras atividades.
  • Combater roedores e insetos, principalmente baratas (são alimentos para escorpiões e aranhas).
  • Se encontrar um animal peçonhento, afaste-se com cuidado e evite assustá-lo ou tocá-lo (mesmo que pareça morto!). Procure a autoridade de saúde local para orientações.

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Relatores:
Dra. Andréa M. A. Fraga
Dr. Fernando Belluomini
Dra. Andressa Oliveira Peixoto
Departamento Científico de Emergências da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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