Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 21 Aug 2026 18:36:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Orientações para crianças com Gastrostomia https://spsp.org.br/orientacoes-para-criancas-com-gastrostomia/ Fri, 21 Aug 2026 18:36:06 +0000 https://spsp.org.br/?p=58489 Introdução Estas orientações foram elaboradas para apoiar mães e cuidadores de crianças que necessitam de gastrostomia. O objetivo é explicar de forma simples o que são esses procedimentos, por que são indicados, quais os cuidados necessários no dia a dia e quais complicações podem ocorrer. O que é a Gastrostomia? A gastrostomia é um procedimento em que se coloca uma sonda ou botão no estômago, por meio de um pequeno orifício no abdome, permitindo alimentação e medicação diretamente. ● Indicações principais: o Dificuldade de engolir (disfagia) ou risco de aspiração. o Necessidade de nutrição especial por tempo prolongado. o Falha no ganho de peso com alimentação oral. Cuidados diários ● Higiene: limpar ao redor do botão/sonda com água e sabão neutro diariamente, ou soro fisiológico, e secando a pele posteriormente. Você pode manter uma gaze ao redor da gastrostomia que deverá ser trocada sempre que houver umidade ou sujidade. ● Protetor cutâneo: pode ser usado protetor cutâneo spray para promover a proteção da pele ao redor da gastrostomia (por exemplo o Cavilon® ou similares) ● Administração da dieta: sempre devagar, conforme prescrição, evitando refluxo. ● Posição: manter a criança semideitada (cabeceira elevada) durante e após a alimentação. ● Manutenção do dispositivo: trocar sondas ou botões no prazo recomendado pela equipe de saúde. O extensor da gastrostomia deve ser higienizado sempre antes e após as refeições. No caso de botton, a extensão deve ser limpa sempre com água morna e detergente para retirar os resíduos. Após a limpeza, deve-se injetar ar para secar a parte interna do tubo. Preparação antes da alimentação ou medicação ● Higiene das mãos: lave bem as mãos antes de manusear a sonda/botão e os utensílios. ● Ambiente limpo e tranquilo: evite correria e distrações. ● Na administração de dieta, checar a posição da criança: mantenha-a semissentada (cabeceira elevada a 30–45°), tanto durante como por pelo menos 30 minutos após a dieta, para prevenir refluxo e engasgos. ● Ao final da dieta e medicação: SEMPRE fazer um flush (lavagem) com 10–20 ml de água filtrada ou fervida, para evitar entupimento. ● Verificar o dispositivo: observe se não há vermelhidão, vazamento, secreção ou dor no local. Tipos de dieta ● Dieta industrializada enteral: fórmulas prontas, balanceadas, prescritas pelo nutricionista. ● Dieta caseira liquidificada/peneirada: alimentos naturais preparados em casa, desde que bem processados e coados, seguindo orientação profissional. ● Hidratação: pode ser necessário oferecer água ou soro entre as dietas, conforme prescrição. Formas de administração Existem duas principais maneiras: a) Bolus (seringa ou gravidade) ● Coloca-se a dieta em uma seringa grande (sem êmbolo) ou frasco e deixa-se escorrer lentamente por gravidade. ● O tempo médio deve ser de 15 a 30 minutos. ● Nunca empurrar a dieta com força — isso pode causar refluxo, vômito e desconforto. b) Infusão contínua (bomba de infusão) ● A dieta é administrada lentamente por várias horas através de bomba ou equipo de gotejamento. ● Geralmente indicada para crianças que não toleram bolus ou têm refluxo grave. Cuidados durante e após a alimentação ● Observar sinais de desconforto: tosse, engasgos, distensão abdominal, vômitos. ● Nunca deitar a criança imediatamente após a dieta. ● Manter rotina de horários regulares, conforme orientação do nutricionista. ● Administrar medicações somente com orientação médica e sempre lavando a sonda antes e depois. Possíveis complicações ● Vômitos/ Refluxo gastroesofágico: pode ser excesso de volume ou dieta rápida demais. ● Entupimento da sonda: geralmente por dieta grossa ou falta de lavagem com água. ● Vazamento no local: pode indicar problema de posicionamento do botão. ● Dor abdominal: deve ser avaliada pelo médico. ● Infecção ou vermelhidão no local. ● Granulação ao redor do orifício. Quando procurar ajuda médica imediata o Vermelhidão intensa, pus ou sangramento. o Febre sem causa aparente. o Vômitos frequentes ou dor abdominal forte. o Rompimento do balão da sonda/botton o Saída acidental do dispositivo com dificuldade ou impossibilidade de recolocar a mesma sonda/botton. *A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT) Relatora:Monica Yukie KagoharaMembro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP]]>

Introdução

Estas orientações foram elaboradas para apoiar mães e cuidadores de crianças que necessitam de gastrostomia. O objetivo é explicar de forma simples o que são esses procedimentos, por que são indicados, quais os cuidados necessários no dia a dia e quais complicações podem ocorrer.

O que é a Gastrostomia?

A gastrostomia é um procedimento em que se coloca uma sonda ou botão no estômago, por meio de um pequeno orifício no abdome, permitindo alimentação e medicação diretamente.

● Indicações principais:

o Dificuldade de engolir (disfagia) ou risco de aspiração.

o Necessidade de nutrição especial por tempo prolongado.

o Falha no ganho de peso com alimentação oral.

Cuidados diários

● Higiene: limpar ao redor do botão/sonda com água e sabão neutro diariamente, ou soro fisiológico, e secando a pele posteriormente. Você pode manter uma gaze ao redor da gastrostomia que deverá ser trocada sempre que houver umidade ou sujidade.

● Protetor cutâneo: pode ser usado protetor cutâneo spray para promover a proteção da pele ao redor da gastrostomia (por exemplo o Cavilon® ou similares)

● Administração da dieta: sempre devagar, conforme prescrição, evitando refluxo.

● Posição: manter a criança semideitada (cabeceira elevada) durante e após a alimentação.

● Manutenção do dispositivo: trocar sondas ou botões no prazo recomendado pela equipe de saúde. O extensor da gastrostomia deve ser higienizado sempre antes e após as refeições. No caso de botton, a extensão deve ser limpa sempre com água morna e detergente para retirar os resíduos. Após a limpeza, deve-se injetar ar para secar a parte interna do tubo.

Preparação antes da alimentação ou medicação

● Higiene das mãos: lave bem as mãos antes de manusear a sonda/botão e os utensílios.

● Ambiente limpo e tranquilo: evite correria e distrações.

● Na administração de dieta, checar a posição da criança: mantenha-a semissentada (cabeceira elevada a 30–45°), tanto durante como por pelo menos 30 minutos após a dieta, para prevenir refluxo e engasgos.

● Ao final da dieta e medicação: SEMPRE fazer um flush (lavagem) com 10–20 ml de água filtrada ou fervida, para evitar entupimento.

● Verificar o dispositivo: observe se não há vermelhidão, vazamento, secreção ou dor no local.

Tipos de dieta

● Dieta industrializada enteral: fórmulas prontas, balanceadas, prescritas pelo nutricionista.

● Dieta caseira liquidificada/peneirada: alimentos naturais preparados em casa, desde que bem processados e coados, seguindo orientação profissional.

● Hidratação: pode ser necessário oferecer água ou soro entre as dietas, conforme prescrição.

Formas de administração

Existem duas principais maneiras:

a) Bolus (seringa ou gravidade)

● Coloca-se a dieta em uma seringa grande (sem êmbolo) ou frasco e deixa-se escorrer lentamente por gravidade.

● O tempo médio deve ser de 15 a 30 minutos.

● Nunca empurrar a dieta com força — isso pode causar refluxo, vômito e desconforto.

b) Infusão contínua (bomba de infusão)

● A dieta é administrada lentamente por várias horas através de bomba ou equipo de gotejamento.

● Geralmente indicada para crianças que não toleram bolus ou têm refluxo grave.

Cuidados durante e após a alimentação

● Observar sinais de desconforto: tosse, engasgos, distensão abdominal, vômitos.

● Nunca deitar a criança imediatamente após a dieta.

● Manter rotina de horários regulares, conforme orientação do nutricionista.

● Administrar medicações somente com orientação médica e sempre lavando a sonda antes e depois.

Possíveis complicações

● Vômitos/ Refluxo gastroesofágico: pode ser excesso de volume ou dieta rápida demais.

● Entupimento da sonda: geralmente por dieta grossa ou falta de lavagem com água.

● Vazamento no local: pode indicar problema de posicionamento do botão.

● Dor abdominal: deve ser avaliada pelo médico.

● Infecção ou vermelhidão no local.

● Granulação ao redor do orifício.

Quando procurar ajuda médica imediata

o Vermelhidão intensa, pus ou sangramento.

o Febre sem causa aparente.

o Vômitos frequentes ou dor abdominal forte.

o Rompimento do balão da sonda/botton

o Saída acidental do dispositivo com dificuldade ou impossibilidade de recolocar a mesma sonda/botton.

*A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT)


Relatora:
Monica Yukie Kagohara
Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP

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Orientações para crianças com Traqueostomia https://spsp.org.br/orientacoes-para-criancas-com-traqueostomia/ Tue, 18 Aug 2026 18:52:41 +0000 https://spsp.org.br/?p=58393 O que é a Traqueostomia? A traqueostomia é um procedimento cirúrgico no qual é feito um orifício na traqueia (pescoço), permitindo a entrada e saída de ar diretamente pelos pulmões. Como são as cânulas de traqueostomia? Atualmente existem diferentes marcas e tipos de materiais, com ou sem balonete (também chamado de cuff) Indicações principais: Cuidados Diários ● Higiene: manter o local limpo e seco, trocando as fitas de fixação sempre que estiverem úmidas ou sujas. Pode-se utilizar gaze ou espuma de proteção. ● Aspirar secreções sempre que houver chiado, tosse sem expulsão da secreção ou dificuldade para respirar. ● Banho: atenção para não deixar entrar água ou outros produtos. Passe água com sabonete ou xampu neutro na cabeça (pode virar a cabeça para trás) e na região cervical, limpe com suas mãos a região ao redor da cânula. FIQUE tranquilo, pois o pouco de água que possa entrar ao redor da cânula não causará problemas, no máximo alguma tosse ● Troca da cânula: deve ser feita de acordo com a orientação médica. ● Atenção: nunca deixar a criança sem supervisão. Passo a passo da aspiração traqueal 1. Higienização das mãos 2. Preparar o material 3. Posicionar o paciente 4. Colocar luvas 5. Introduzir a sonda 6. Realizar a aspiração 7. Repetir (se necessário) 8. Finalização Cuidados importantes ● Não aspirar por tempo prolongado → pode causar falta de ar e lesão na mucosa. ● Não usar pressão de sucção muito alta. ● Evitar aspiração muito frequente sem necessidade (apenas quando houver secreção visível ou sinais de obstrução). ● Observar sinais de desconforto: queda de saturação, batimento acelerado, coloração arroxeada, tosse intensa. ● A aspiração traqueal deve ser feita com técnica limpa, calma e rápida, sempre observando os sinais do paciente. Possíveis Complicações ● Perfuração do cuff ou quebra da cânula – ocorrem principalmente em crianças mais agitadas e que se movimentam muito, principalmente quando acopladas em ventilação mecânica. ● Obstrução da cânula – geralmente ocorre por secreções. Neste caso você pode prevenir realizando a umidificação no circuito da ventilação ou nebulização/inalação com soro fisiológico. ● Infecções locais – atenção à vermelhidão e secreção ao redor da traqueostomia. ● Sangramento – pode acontecer durante aspiração traqueal por trauma. ● Granulações – são pequenos tecidos ao redor do orifício. ● Deslocamento ou perda acidental da cânula – essa é a maior preocupação dos pais e da equipe, pois, dependendo do caso, pode colocar em risco a vida da criança. Atenção à fixação frouxa e à movimentação excessiva da criança. ● Quando Procurar Ajuda Médica Imediata  Lembrando que… 1- A Traqueostomia por si só não impede a realização de estimulação motora. 2- É possível comer pela boca mesmo com traqueostomia, desde que não exista comprometimento da deglutição e haja avaliação e liberação da equipe de saúde (fonoaudiólogo, médico). 3- É possível falar com traqueostomia, e isso pode ser feito de forma espontânea (tampando o orifício com o dedo, em alguns casos) ou com dispositivos especiais como Válvula de fala (ex.: Passy-Muir) ou tampas específicas de traqueostomia (cap de fala). É fundamental ter avaliação de fonoaudiólogo e médico antes de iniciar o treino de voz. 4- Crianças podem e devem brincar como qualquer outra criança: sempre com um adulto por perto para evitar que outras crianças possam puxar a cânula ou que a traqueostomia possa se prender em algum brinquedo. Apoio às Mães e Famílias A traqueostomia é um procedimento que pode melhorar muito a qualidade de vida da criança, garantindo respiração segura. Com informação, prática e apoio profissional, as mães podem cuidar com segurança, prevenindo complicações e proporcionando bem-estar aos filhos. *A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT) Relatora: Monica Yukie Kagohara Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP]]>

O que é a Traqueostomia?

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico no qual é feito um orifício na traqueia (pescoço), permitindo a entrada e saída de ar diretamente pelos pulmões.

Como são as cânulas de traqueostomia?

Atualmente existem diferentes marcas e tipos de materiais, com ou sem balonete (também chamado de cuff)

Indicações principais:

  • Obstruções das vias aéreas superiores (ex.: malformações, tumores, estreitamentos).
  • Crianças que necessitam de ventilação mecânica prolongada.
  • Síndromes genéticas, doenças neurológicas ou musculares que dificultam a respiração.

Cuidados Diários

● Higiene: manter o local limpo e seco, trocando as fitas de fixação sempre que estiverem úmidas ou sujas. Pode-se utilizar gaze ou espuma de proteção.

● Aspirar secreções sempre que houver chiado, tosse sem expulsão da secreção ou dificuldade para respirar.

● Banho: atenção para não deixar entrar água ou outros produtos. Passe água com sabonete ou xampu neutro na cabeça (pode virar a cabeça para trás) e na região cervical, limpe com suas mãos a região ao redor da cânula. FIQUE tranquilo, pois o pouco de água que possa entrar ao redor da cânula não causará problemas, no máximo alguma tosse

● Troca da cânula: deve ser feita de acordo com a orientação médica.

● Atenção: nunca deixar a criança sem supervisão.

Passo a passo da aspiração traqueal

1. Higienização das mãos

  • Lavar bem com água e sabão ou usar álcool gel 70%.

2. Preparar o material

  • Colocar a sonda no aspirador.

3. Posicionar o paciente

  • Cabeça levemente inclinada para trás.
  • Se acamado, elevar a cabeceira a 30–45°.

4. Colocar luvas

  • Usar técnica limpa ou estéril, dependendo da orientação médica.

5. Introduzir a sonda

  • Sem aspirar, introduzir a sonda suavemente pela cânula até encontrar resistência leve ou o paciente tossir.
  • Nunca forçar a sonda.

6. Realizar a aspiração

  • Iniciar a sucção enquanto retira a sonda, fazendo movimentos circulares.
  • Tempo máximo de aspiração: 10–15 segundos.
  • Deixar o paciente descansar entre uma aspiração e outra (oxigenar, se necessário).

7. Repetir (se necessário)

  • Se ainda houver secreção, repetir o procedimento após alguns segundos de pausa.

8. Finalização

  • Lavar a sonda com soro fisiológico se for reutilizável no mesmo  procedimento.
  • Descartar materiais conforme normas de biossegurança.
  • Higienizar as mãos novamente.

Cuidados importantes

● Não aspirar por tempo prolongado → pode causar falta de ar e lesão na mucosa.

● Não usar pressão de sucção muito alta.

● Evitar aspiração muito frequente sem necessidade (apenas quando houver secreção visível ou sinais de obstrução).

● Observar sinais de desconforto: queda de saturação, batimento acelerado, coloração arroxeada, tosse intensa.

● A aspiração traqueal deve ser feita com técnica limpa, calma e rápida, sempre observando os sinais do paciente.

Possíveis Complicações

● Perfuração do cuff ou quebra da cânula – ocorrem principalmente em crianças mais agitadas e que se movimentam muito, principalmente quando acopladas em ventilação mecânica.

● Obstrução da cânula – geralmente ocorre por secreções. Neste caso você pode prevenir realizando a umidificação no circuito da ventilação ou nebulização/inalação com soro fisiológico.

● Infecções locais – atenção à vermelhidão e secreção ao redor da traqueostomia.

● Sangramento – pode acontecer durante aspiração traqueal por trauma.

● Granulações – são pequenos tecidos ao redor do orifício.

● Deslocamento ou perda acidental da cânula – essa é a maior preocupação dos pais e da equipe, pois, dependendo do caso, pode colocar em risco a vida da criança. Atenção à fixação frouxa e à movimentação excessiva da criança.

● Quando Procurar Ajuda Médica Imediata

  • Dificuldade para respirar mesmo após aspiração.
  • Cânula que saiu ou entupiu e não pode ser substituída.
  • Sangramento intenso.

 Lembrando que…

1- A Traqueostomia por si só não impede a realização de estimulação motora.

2- É possível comer pela boca mesmo com traqueostomia, desde que não exista comprometimento da deglutição e haja avaliação e liberação da equipe de saúde (fonoaudiólogo, médico).

3- É possível falar com traqueostomia, e isso pode ser feito de forma espontânea (tampando o orifício com o dedo, em alguns casos) ou com dispositivos especiais como Válvula de fala (ex.: Passy-Muir) ou tampas específicas de traqueostomia (cap de fala). É fundamental ter avaliação de fonoaudiólogo e médico antes de iniciar o treino de voz.

4- Crianças podem e devem brincar como qualquer outra criança: sempre com um adulto por perto para evitar que outras crianças possam puxar a cânula ou que a traqueostomia possa se prender em algum brinquedo.

Apoio às Mães e Famílias

  • Sempre mantenha contato com a equipe multiprofissional (pediatra, cirurgião, fonoaudiólogo, nutricionista e enfermagem).
  • Participe de treinamentos sobre manuseio da traqueostomia.
  • Não hesite em pedir apoio emocional e psicológico, pois o cuidado é intenso e pode gerar sobrecarga.

A traqueostomia é um procedimento que pode melhorar muito a qualidade de vida da criança, garantindo respiração segura. Com informação, prática e apoio profissional, as mães podem cuidar com segurança, prevenindo complicações e proporcionando bem-estar aos filhos.

*A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT)

Relatora:

Monica Yukie Kagohara

Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP

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Qualidade de vida da criança em cuidado domiciliar https://spsp.org.br/qualidade-de-vida-da-crianca-em-cuidado-domiciliar/ Fri, 04 Jul 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52113 A qualidade de vida em Atenção Domiciliar (Home Care) pode ser melhor do que em ambiente hospitalar. A internação domiciliar é capaz de oferecer um atendimento]]>

A qualidade de vida em Atenção Domiciliar (Home Care) pode ser melhor do que em ambiente hospitalar. A internação domiciliar é capaz de oferecer um atendimento individualizado e personalizado, adaptado às necessidades específicas do paciente, da família e do ambiente em que vivem, gerando adesão ao cuidado e bons resultados assistenciais.

Por que considerar a internação domiciliar?

  1. Conforto e privacidade:

A criança sente-se mais à vontade em casa, pela familiaridade do ambiente e a possibilidade de manter suas rotinas e hábitos. Este contexto favorável é capaz de diminuir o estresse e a ansiedade e proporcionar sensação de segurança e tranquilidade.

O ambiente acolhedor apoia positivamente no eficaz controle da dor e de sintomas desagradáveis, gerando impactos positivos para a saúde do paciente.

  1. Menor risco de infecções:

A internação domiciliar reduz a exposição a germes e bactérias hospitalares, diminuindo o risco de infecções. No ambiente domiciliar existe apenas um paciente, os profissionais cuidam apenas daquele paciente e não circulam de leitos em leitos, de forma que existe uma “barreira física” para transmissão de agentes infecciosos, como vírus e bactérias, fato que ficou bastante evidente na pandemia. Quando se fala em transmissão de infecção não existe dúvida: o lugar mais seguro para o paciente é em casa.

  1. Maior autonomia e independência do pequeno paciente:

Estar em casa permite que o paciente tenha autonomia e independência máxima dentro das possibilidades da sua condição de saúde, o que contribui para a saúde mental e desenvolvimento neuropsicomotor da criança.

  1. Envolvimento da família:

Os familiares podem participar mais ativamente do cuidado e do tratamento, proporcionando suporte emocional e promovendo um ambiente positivo para a cura que fortalece os laços e contribui para a recuperação do paciente. O vínculo e apoio dos pais têm papel crucial no desenvolvimento de toda criança, e a internação domiciliar potencializa esse vínculo para aqueles que mantêm necessidades contínuas de cuidados de saúde.

  1. Acompanhamento individualizado e personalizado:

A Atenção Domiciliar possui uma equipe interdisciplinar, composta por médicos pediatras, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistente social, nutricionista, entre outros. Essa equipe de saúde atua de forma integrada, com foco no paciente, visando construir um plano de cuidado personalizado para as necessidades individuais do paciente, o que pode melhorar a resposta ao tratamento, a recuperação, o desfecho clínico e a satisfação do paciente e família. 

  1. Redução do estresse e fadiga:

A Atenção Domiciliar reduz a necessidade de deslocamentos frequentes, reduzindo o estresse e a fadiga associados às viagens para hospitais ou clínicas para consultas, exames e terapias. 

  1. Humanização do atendimento:

Em domicílio é mantida a interação da criança com os membros da família, amigos, animais de estimação, brinquedos, etc., o que permite um cuidado mais humanizado, que tem como um dos pilares o bem-estar e a qualidade de vida do paciente e seus familiares. 

  1. Melhoria na resposta ao tratamento:

A equipe que atende em domicílio é submetida a capacitação técnica contínua, através de programas de educação continuada. A atuação dessa equipe capacitada de forma interdisciplinar e centrada no paciente, em associação a um ambiente confortável e acolhedor e ao apoio da família, contribui positivamente para uma melhor resposta ao tratamento e uma recuperação mais rápida. 

O acompanhamento contínuo das crianças em domicílio, através de múltiplas visitas domiciliares e de monitoramento periódico, ajuda na prevenção de complicações e identificação precoce de descompensações clínicas.

Quem são os pacientes habitualmente atendidos em domicílio no Brasil?

  1. Crianças com doenças crônicas, que tornam o paciente dependente de cuidado, como:
  • Doenças neurológicas, doenças cardíacas e respiratórias
  • Doenças neuromusculares: atrofia muscular espinhal (AME), distrofia muscular de Duchenne, entre outras
  • Sequelas ou complicações de prematuridade
  1. Pacientes com doenças agudas como:
  • Bronquiolite
  • Crise asmática
  • Infecção urinária, pneumonia e outras infecções
  1. Pacientes em cuidados paliativos, oncológicos e não oncológicos:
  2. Pacientes com indicação para administração de medicamentos parenterais ou nutrição parenteral

Quais são os principais recursos disponíveis no Atendimento Domiciliar?

  • Equipe multiprofissional – visitas domiciliares de médicos pediatras, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistente social, nutricionista, terapeuta ocupacional;
  • Técnico de Enfermagem em atendimento pontual ou turnos de plantão de 12 ou 24 h;
  • Equipamentos: oxímetro, aspirador, ventiladores mecânicos, bomba de infusão, etc.;
  • Administração de medicação por via oral, por sonda ou gastrostomia, por via subcutânea e endovenosa;
  • Administração de nutrição parenteral;
  • Cuidados com a pele e ostomias;
  • Atendimento de Emergência.

O atendimento domiciliar pediátrico é uma estratégia eficaz para oferecer cuidados de baixa, média e alta complexidade, assegurando intervenções seguras, personalizadas e centradas na criança e família.

 

Relatora:
Valentina Rinaldi V. D. Estrada
Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dicas práticas para o uso seguro de medicamentos em domicílio https://spsp.org.br/dicas-praticas-para-o-uso-seguro-de-medicamentos-em-domicilio/ Wed, 09 Apr 2025 13:21:31 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50921 Para algumas crianças, o fim de um período de internação hospitalar marca o início de uma nova etapa de cuidados, que serão realizados em sua própria casa. A necessidade de cuidados]]>

Para algumas crianças, o fim de um período de internação hospitalar marca o início de uma nova etapa de cuidados, que serão realizados em sua própria casa.

A necessidade de cuidados continuados em pediatria ocorre em pacientes com dependência para respiração e/ou alimentação, necessidade de terapias de reabilitação, cuidados especializados; o uso de medicamentos é algo rotineiro neste perfil de paciente.

Nessas e em tantas outras situações em que o paciente não precisa mais ficar no hospital, mas segue precisando de cuidados em saúde, o serviço de Home Care (Atenção Domiciliar) é uma opção com diversos benefícios. Seja qual for o tipo de tratamento, o uso de medicamentos (orais, enterais e menos frequentemente parenteais) é rotineiro e o papel do pediatra, enfermeiro e do farmacêutico na Atenção Domiciliar é fundamental. São eles que orientam para que os medicamentos sejam administrados de forma correta, segura e eficaz, além de acompanharem o paciente ao longo de todo processo de cuidado em casa.

Vamos ver algumas dicas práticas para o uso seguro de medicamentos em domicílio.

  1. Quais são os principais cuidados com medicamentos em domicílio para garantir a segurança e a eficácia do tratamento?

Armazenamento adequado:

o Guarde os medicamentos em locais frescos e secos, longe da luz direta e da umidade.

o Mantenha os medicamentos fora do alcance de crianças e animais de estimação.

o Medicamentos nunca devem ser guardados com produtos de limpeza, de perfumaria ou com alimentos.

Organização:

o Utilize caixas organizadoras ou separadores para manter os medicamentos em ordem.

o Anote datas de validade e descarte de forma segura os medicamentos vencidos (as farmácias costumam ter locais apropriados para receber esse tipo de  descarte).

o Os medicamentos com data de validade mais próxima devem sempre ser usados primeiro.

Administração correta:

o Siga as orientações do médico ou farmacêutico quanto a dosagem e horários de administração.

o Não altere a dosagem sem consultar um profissional de saúde.

Monitoramento de efeitos colaterais:

o Esteja atento a possíveis reações adversas e entre em contato com um profissional de saúde se notar algo incomum.

o Mantenha um registro dos medicamentos tomados e dos efeitos observados.

Comunicação com profissionais de saúde:

o Informe sempre os profissionais de saúde sobre todos os medicamentos que a criança está tomando, incluindo os de venda livre e fitoterápicos.

o Certifique-se de entender as prescrições e tire dúvidas sobre o uso.

Descarte seguro:

o Não jogue medicamentos no lixo comum ou na pia. Siga as orientações da empresa de Home Care.

Cuidado com termolábeis:

o Remédios que precisam ficar na geladeira devem ser guardados em recipientes apropriados, como potes plásticos com tampa, e não em caixas de isopor. Também não devem ficar na porta do refrigerador, para evitar oscilações de temperatura.

  1. Quais problemas a luz e umidade podem causar?

A luz e a umidade podem ter um impacto significativo na eficácia dos medicamentos, afetando sua estabilidade e, consequentemente, sua segurança e eficácia. Veja como esses fatores podem influenciar os medicamentos:

Luz:

o Degradação química: Alguns medicamentos são fotossensíveis, ou seja, podem se degradar quando expostos à luz. Isso pode levar à formação de compostos inativos ou potencialmente prejudiciais.

o Alteração de cor e aparência: A exposição à luz pode causar mudanças na cor e na aparência dos medicamentos, o que pode ser um sinal de que eles não estão mais seguros para uso.

o Perda de potência: A eficácia do medicamento pode ser reduzida devido à degradação causada pela luz, resultando em doses que não são adequadas para o tratamento pretendido.

Umidade:

o Hidrólise: A umidade pode causar reações químicas de hidrólise, levando à degradação do princípio ativo do medicamento. Isso é comum em comprimidos ou pós que não estão devidamente protegidos.

o Mudanças na forma física: A umidade pode causar a aglomeração de comprimidos ou a formação de grumos em pós, dificultando a dosagem correta.

o Contaminação microbiana: Ambientes úmidos podem favorecer o crescimento de fungos e bactérias, contaminando os medicamentos e tornando-os inseguros para uso.

  1. Como funciona a supervisão dos cuidados com prescrição e administração de remédios por uma empresa de Home Care?

No serviço de Home Care, uma equipe farmacêutica supervisiona o processo desde a compra, a separação, até a entrega na casa do paciente e a sua administração. Essa equipe define protocolos relacionados ao uso de medicamento, o que previne erros, interações adversas, e garante a rastreabilidade dos produtos e dos processos.

Nas farmácias das empresas de Home Care, os medicamentos são identificados,

armazenados e enviados de forma individualizada para o tratamento de cada paciente.

Essa é uma forma de auxiliar os pacientes, seus familiares e cuidadores a administrar os medicamentos segundo dose, via e horário certo.

  1. Como posso organizar o uso de medicamentos se não tenho equipe de Home Care em casa 24 horas por dia?

Para os pacientes nos quais a administração dos medicamentos fica sob responsabilidade da família, a rotina e organização para administração de medicamentos é crucial. Um importante ponto de sucesso pode ser a elaboração de uma tabela de medicações para sua casa.

Ter uma tabela de horário de medicação é fundamental para organizar a rotina de medicamentos de um paciente. A depender da quantidade de medicamentos que o paciente precisa ingerir, é muito importante criar um calendário customizado, uma tabela de horários de medicação. Uma planilha dessas organiza anotações de tipo de medicamento, quantidades e horários.

Esse registro ajuda a evitar, ainda, a superdosagem, que ocorre quando se erra a quantidade para mais, tomando duas vezes no mesmo período por engano ou

a subdosagem, quando não se toma o medicamento por confusão ou esquecimento.

Você pode imprimir a tabela e colocá-la em um local de fácil acesso, para que todas as pessoas envolvidas no cuidado do paciente possam vê-la e, eventualmente, fazer uma marcação a cada vez em que o remédio é ingerido.

  1. Como montar uma tabela de horário de medicação?

Para montar uma tabela de horário de medicação, você pode contar com programas de computador, como o Google Sheets e o Microsoft Excel, e personalizar o layout de acordo com as suas necessidades – adicionando colunas e linhas.

Você pode colocar o nome de cada medicação em uma linha, uma embaixo da outra, e nas colunas, lado a lado, registrar o período do dia/a hora, a quantidade a ser administrada, as observações extras.

Você pode usar tamanhos de fontes diferentes, cores e até imagens das caixinhas, dos períodos do dia (como sol para manhã, pratos para o almoço, lua para noite) ou comprimidos para deixar a visualização da planilha mais agradável e eficaz. Veja um modelo de tabela de medicamentos.

O uso seguro de medicamentos é uma responsabilidade compartilhada entre profissionais de saúde, pacientes e familiares. A adesão às orientações de armazenamento, a administração correta e a comunicação aberta com a equipe assistencial são fundamentais para garantir a eficácia e a segurança do tratamento. Além disso, estar atento a possíveis reações adversas e ao descarte de medicamentos de maneira adequada são práticas essenciais para a saúde e o bem-estar.

Ao adotarmos essas medidas, contribuímos para um tratamento mais seguro e eficaz, promovendo uma melhor qualidade de vida.

Lembre-se: a saúde é um bem precioso e cuidar dela é um compromisso de todos.

 

Relatora:
Heloísa Amaral Gaspar Gonçalves
Secretária do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Doutor, quando devo levar meu filho ao Pronto Socorro?CUIDADOS DOMICILIARES https://spsp.org.br/doutor-quando-devo-levar-meu-filho-ao-pronto-socorro/ Fri, 12 Feb 2021 14:47:49 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3597 Em algumas situações é angustiante, para mães e pais, tomar decisões imediatas a respeito da saúde de um filho e determinar o que é uma urgência e o que é uma ocorrência médica comum. Recomendamos, entretanto, que a família ligue para o pediatra que acompanha a criança antes de se dirigir ao Pronto Socorro (PS). Muitas dúvidas podem ser esclarecidas nessa conversa e, então, certamente surgirá uma decisão conjunta sobre o que fazer. Outras possibilidades à disposição: ligue para a Central de Emergências, no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU): 192; ou no Corpo de Bombeiros Militar: 193.

De qualquer forma, vale lembrar que o PS não é o lugar adequado para o acompanhamento do desenvolvimento da criança quanto ao peso e estatura, nem para o seguimento de doenças crônicas, tampouco para orientações sobre cuidados com recém-nascidos. São eventos para serem acompanhados em Ambulatório, com consulta agendada. Casos leves e comuns também não necessitam de atendimento num PS.

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A falta ou o excesso de informações, insegurança e certos medos levam os pais e cuidadores a procurarem, muitas vezes, desnecessariamente, serviços de urgência e emergência. Sofrem mais os pais “marinheiros de primeira viagem”.  Com o tempo, desenvolve-se instinto e experiência, fazendo com que a necessidade das idas ao PS seja menos frequente ou impulsiva.

Claro que existem situações em que a ida ao PS se impõe; alguns problemas, sinais e sintomas podem acontecer em crianças e acabam merecendo avaliações e orientações mais detalhadas:

Dificuldade respiratória

  • Crianças com coriza e nariz entupido, respirando de boca aberta, podem ser controladas em casa sob a supervisão e orientação médica.
  • A criança com dificuldade para respirar mostra o esforço que necessita fazer para “buscar o ar” através de alguns sinais: respiração mais rápida, o pescoço ou a barriga afundam, a pele se retrai entre as costelas, pode ficar de cor “roxa”, parece sufocar, fica prostrada. Essa é uma situação clara de PS.

Febre

  • A febre é um sinal muito inespecífico. Isoladamente pode não indicar se tem algum problema e de que tipo, portanto vale esperar aparecer algum outro sintoma além da febre. Na grande maioria dos casos, a febre desaparece dentro das primeiras 72 horas, sem que seja necessária qualquer medida. Vá ao PS em caso de febre quando esta vier acompanhada de sinais de gravidade, como: manchas vermelhas no corpo, dores intensas, sonolência, falta de resposta aos chamados, desmaios, tremores, choro inconsolável, vômitos, convulsões, recusa alimentar severa, prostração/adinamia intensa, alucinações ou alteração do estado mental da criança, ou, ainda, no caso de a febre perdurar mais do que 3 ou 4 dias, especialmente se a temperatura estiver maior ou igual a 39°C.
  • , ela deve ser avaliada pelo pediatra ou ser levada ao PS.  Em razão da imaturidade do sistema imunológico do lactente pode haver a possibilidade de uma infecção mais preocupante. As crianças com situações especiais, como aquelas portadoras de algum tipo de imunodeficiência, também se enquadram nessa perspectiva.
  • Criança apresentando temperatura baixa (menor que 35,0°C) deve ser avaliada pelo pediatra que a acompanha ou em atendimento no PS.

Sangramento

  • Quedas, tropeços ou cortes podem acontecer a qualquer momento, mas se o sangramento é acompanhado por lesões profundas da pele, deve-se enfaixar a área, fazer pressão para parar o sangramento e a criança deve ser levada ao PS.

Vômitos e diarreia

  • Várias causas podem levar a vômitos e diarreia em crianças. Geralmente, não duram muito. A preocupação é a desidratação. Os principais sinais de alerta para levá-la ao PS: fraldas secas, não urinar por seis horas; não conseguir manter qualquer coisa no estômago, vômitos frequentes, boca e mucosa secas, moleira rebaixada, olhos encovados (fundos), choro sem lágrimas, apatia, sonolência, aparentar não estar bem, vômitos e diarreia com sangue.
  • A gastroenterite viral aguda é muito frequente, especialmente nos períodos mais quentes do ano. Ofereça líquidos de maneira fracionada à criança – pouca quantidade por diversas vezes. Não se preocupe com que ela coma – provavelmente ela não vai querer comer. Ofereça alimentos leves e não laxativos, mas apenas na quantidade que a criança aceitar, sem forçar, também de maneira fracionada, em pequenas porções. Normalmente estes quadros são autolimitados e se resolvem em 4 a 7 dias.

Reação alérgica

  • Se a criança apresentar manchas vermelhas no corpo, lábios e língua inchados e estiver com dificuldade para respirar, deve ir ao PS imediatamente.

Intoxicações

  • Estar atento a possíveis ingestões acidentais de medicamentos, produtos de limpeza, inseticidas ou drogas ilícitas. O tempo entre a ingestão e a possível intervenção é importante. Leve ao PS a caixa do produto ou o recipiente para verificação do médico.

Traumatismo craniano

Crianças batem a cabeça, várias vezes durante a infância. Na imensa maioria das vezes, esses traumas não precisam de avaliação. São motivos para ida ao PS quando ocorrer: perda de consciência, amnésia (perda de memória), convulsão pós-trauma, alteração comportamental, vômitos incoercíveis (que não param), sonolência excessiva e anormal. O período crítico de observação são as primeiras 12 – 24 horas

Convulsões

Exceto naquelas crises de pacientes com epilepsia, em que as famílias já estão orientadas, a ocorrência de uma crise convulsiva é motivo para ir ao PS.

Resumo das orientações anteriores

> Choro forte, constante e inconsolável
> Se a criança tem menos de 3 meses e sua temperatura é 37,8°C ou mais
> Criança com mais de 3 meses com febre e temperatura de 37,8°C ou mais, acompanhada de sintomas como desmaios, falta de resposta aos chamados, dificuldade para respirar, vômitos ou convulsões
> Sangramentos, traumas, fraturas, contusões com cortes profundos, queimaduras
> Nível de consciência alterado
> Vômitos e diarreia frequentes
> Dores que não cessam com analgésicos de rotina
> Frequência respiratória elevada; cansaço e falta de ar
> Convulsões pela primeira vez ou que durem mais de 2 minutos;
> Ingestão ou aspiração de substâncias como produtos de limpeza em geral
> Ingestão acidental de medicamentos de uso de adultos

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Relator
José Gabel
Departamento Científico de Cuidados Domiciliares da SPSP



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